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SUNDAY, BLOODY SUNDAY

SÃO PAULO (ficou bom) – Quando acaba uma corrida eu vou rabiscando no papel as efemérides e estatísticas mais notáveis, aquelas que todo esporte tem, especialmente os americanos (cito como exemplo os recentes recordes verificados n’América, como o de sequência de passos iniciada com o pé esquerdo até a cesta do lado norte do ginásio, na NBA, o de jardas conquistadas pela direita em dias ímpares de meses pares em anos bissextos por equipes de capacetes cor-de-laranja, na NFL, o de rebatidas em diagonal em noites de quarto minguante efetuadas por jogadores que têm R no nome, na MLB, e o de ultrapassagens concluídas no terço final de voltas de numeral repetido cuja soma é 12 em ovais que não vendem hot-dog às segundas, na Nascar), para descobrir se o GP teve alguma coisa de histórica ou não.

O do Bahrein teve. Foi a primeira vez na história da humanidade que um GP teve 71 pit stops quando disputado num dia em que a soma dos algarismos é igual ao número que representa o mês (sendo que 7 + 1 = 8, assim como 2 + 2 + 4, de 22/4, também dá 8). Foi também a primeira vez na história que se repetiu a diferença entre as duas melhores voltas da corrida e entre a quinta e a sexta, sendo essa diferença, em milésimos, uma contagem regressiva mínima. Para quem não entendeu nada, 0s321 entre a melhor volta da prova, 1min36s379 (Vettel), e a segunda mais rápida, 1min36s700 (Kobayashi); e os mesmos 0s321 entre a quinta melhor, 1min37s116 (Raikkonen), e a sexta, 1min37s437 (Webber).

A curiosidade mais incrível, porém, e pela primeira vez na história do mundo isso aconteceu, foi a combinação dos números dos cinco primeiros colocados. Vejam que coisa inacreditável: 1 (Vettel), 9 (Raikkonen), 10 (Grosjean), 2 (Webber), 8 (Rosberg). Agora reparem: 1 + 9 = 10 = 2 + 8. Jamais tal combinação havia ocorrido em competição automobilística nenhuma em toda a trajetória humana no planeta com dois campeões mundiais entre os cinco primeiros. Com dois campeões e um filho de campeão, então, nunca na história do universo.

Como se vê, foi uma prova cheia de marcos históricos, essa barenita. E a Red Bull voltou. Tiãozinho fez a pole e, como nos velhos tempos do ano passado, controlou a corrida como quis. O que nos leva a mais um recorde. Nunca antes na história deste esporte um piloto havia atingido a marca de 22 vitórias num dia 22. Vettel conseguiu. E tem mais: assumiu a liderança do campeonato com 53 pontos (5 + 3 = 8) justo num dia 22/4 (2 + 2 + 4 = 8). Não é espantoso?

O fato é que depois de quatro etapas, o Mundial de 2012 teve quatro vencedores de equipes diferentes, o que mostra que o equilíbrio é real. Button (McLaren), Alonso (Ferrari), Rosberg (Mercedes) e Vettel (Red Bull). Isso aconteceu pela última vez em 1983: Piquet (Brabham), Watson (McLaren), Prost (Renault) e Tambay (Ferrari). Na quinta, naquele ano, mais um piloto de equipe diferente: Rosberg (Williams). Pode ser que se repita em Barcelona. Com a Lotus, que foi a grande coisa de Sakhir, com Kimi saindo de 11° para segundo e Grosjean fechando o pódio em terceiro. A Lotus não colocava dois no pódio, ou pelo menos um time com o nome Lotus, desde o GP da Espanha de 1979 (Reutemann em segundo e Andretti em terceiro). E o último pódio de uma equipe com esse nome tinha sido de Piquet, na Austrália em 1988.

Estou falando de “nome Lotus”, porque a equipe preta e dourada de hoje é muito mais Renault e Benetton do que Lotus propriamente dita. Daquela velha Lotus de Colin Chapman, leva mesmo apenas o nome — e não se sabe por quanto tempo, porque a Lotus que a patrocina, a que faz carros e pertence à Proton da Malásia, não seguirá patrocinando porra nenhuma na F-1, pelo que entendi.

Bem, não vou me meter nessa coisa dos nomes. Sigamos com nossas estatísticas que sempre podem iluminar as análises e comentários. Notaram o pódio na China? Três motores Mercedes. Uma semana depois, três Renault. Notaram que o Mundial já teve quatro líderes diferentes? Pois é. Um pódio com três Mercedes seguido de outro com três Renault no espaço de uma semana jamais tinha acontecido antes tendo sempre um alemão entre os laureados. Vejam só. E os quatro líderes diferentes em quatro etapas? Nunca na história deste…

Vai ser um campeonato, como disseram os três do pódio do Bahrein, decidido nos detalhes e nas pequenas coisas. O Alonso, com aquela porcaria de carro, foi sétimo hoje e está apenas dez pontos atrás de Vettel na classificação. Graças aos detalhes da incomum prova de Sepang. Webber, que chegou quatro vezes em quarto, está só cinco atrás do companheirinho. Hamilton, vice-líder, tem quatro de desvantagem. Regularidade é a chave para 2012. Hamilton, Webber e Alonso pontuaram em todas as corridas. E aquele que é o mais regular, normalmente, deixou de pontuar duas vezes. Button, que quebrou hoje. Se estivesse tendo um ano normal, estaria na liderança. Mas pequenas coisas o atrapalharam, como um pit stop ruim em Xangai e um pneu furado hoje.

A McLaren é quem sai no maior prejuízo dessa bateria de quatro corridas no cu do mundo. Vem aí a temporada europeia, com oito das nove próximas etapas no Velho e Bom Continente (a exceção é o GP do Canadá, onde vivia Luíza), e os mclarianos, superiores em quase tudo desde o início, esperavam voltar para casa com alguma folga nos dois campeonatos. Não lideram nenhum. O time não aproveitou  sua força, por uma ou outra razão, e vai ter de remar. Hoje, por exemplo, os caras cagaram nos três pit stops de Líuis. Que terminou em oitavo, depois de largar em segundo.

A corrida, para não dizer que dela não falei, foi ótima. Os desempenhos de Kimi e Grosjean foram dignos de aplausos. No fim, achei que Raikkonen poderia até ter arriscado um último stint com os pneus macios economizados no sábado, mas acho que aquela volta em que perdeu dez posições na China veio à mente dos genílicos e eles optaram pela segurança de um segundo lugar garantido. No fim das contas, a Lotus optou por usar dois jogos macios zerados na primeira parte da prova, por via das dúvidas.

Gostei muito de Di Resta, para quem a tática de duas paradas (o resto parou três) funcionou e rendeu um sexto lugar excelente. Aqui, merece uma menção o tanto que a Force India apareceu na TV: on-board, pitwall, rádio, ultrapassando, sendo ultrapassada, entrando no box, saindo do box… Tudo porque a FOM retaliou a equipe no sábado por ela ter se retirado dos treinos de sexta com medo de ser atacada por beduínos, camelos, aiatolás, bombardeios de quibes e esfihas envenenadas. Sumiu da TV. Mas na corrida, Bernie, que adora fazer suas gracinhas, por remorso ou escárnio tacou Force India na telinha.

Gostei de Massa, que fez seus primeiros pontos depois de um ótimo início e uma segunda metade de prova discreta, mas sempre perto de Alonso. Ele precisa melhorar, e o primeiro passo foi dado. Modesto, mas um passo. Não gostei de Ricciardo, que poderia ter transformado seu sexto lugar no grid em algo útil e acabou chegando atrás de Vergne. E não gostei de Bruno Senna, que largou bem (como Felipe e Alonso), mas acabou despencando até abandonar no final.

Mas do que gostei mesmo, de verdade, foi do Vettel metendo uns chifrinhos no Raikkonen no pódio.

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1986 x 2011

SÃO PAULO (bye, Edno) – Já viram isso aqui? On-board na Lotus de Senna em 1986 e no Red Bull de Vettel em 2011, em Mônaco, para comparações. A diferença de tempo é brutal. Mas o cara que fez o vídeo chutou um pouco, no final, quando falou em mais de 20s. É mais interessante, este vídeo, pelas diferenças de pilotagem, mesmo, e de equilíbrio dos carros. Quanto aos tempos, a pole de 1986 foi de Prost em 1min22s627. Vettel, no ano passado, fez a pole em 1min13s556, cerca de 9s mais rápido. A melhor volta da corrida 25 anos atrás, também de Prost, 1min26s607. Ano passado, Webber cravou 1min16s234. Mas vale pela curiosidade.

Ah, não sei quem mandou, sorry.

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FIM DE FEIRA (22)

SÃO PAULO (vai, Palmeiras!) – E aí que Vettel, malandrão, compara sua situação de hoje à de Senna em 1991. E falou isso pelo rádio durante a corrida. Eu não tinha captado a mensagem. Menos, né, Tião? Ayrton acabou aquela corrida só com a sexta marcha. O alemãozinho acabou com todas funcionando. Segundo ele, teve de usar marchas mais altas, encurtar as passagens, essas coisas.

Eu já corri com alavanca escapando, tendo de segurar o volante com uma mão e o câmbio com a outra. E uma vez, num episódio clássico do automobilismo mundial, a bolota do câmbio saiu na minha mão depois de uma rodada e coloquei de volta. Isso aí do Vettel foi casca de ovo. Gostei desse negócio de casca de ovo.

O vídeo do momento histórico com o câmbio do Meianov está aí embaixo, aos 2min30s.

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FIM DE FEIRA (13)

SÃO PAULO (21°C, quase garoando) – Vamos lá, antes que fique tarde. Sebastian Vettel fez a 15ª pole no ano e mandou o recorde de Mansell para o espaço. Maior número de poles numa temporada. Nigel fez 14 em 16 GPs, em 1992. Vettel teve 19 corridas para tal e mandou 15. “É histórico”, falou. Sim, a gente sabe. Aliás, esse rapaz é cheio de fazer história.

A de hoje, fez em 1min11s918, com 0s181 de vantagem para Webber, el Desolado Canguru. E a Red Bull está na primeira fila em Interlagos e é grande favorita para ganhar a corrida de amanhã.

Vettel é uma figurinha. Meu irmão Julio, que está na cobertura com a rádio, testemunhou um negócio bem legal. Quando ele voltava ao escritório da equipe, depois de dar duzentas entrevistas, um repórter alemão derrubou seus papéis no chão e Tiãozinho parou, abaixou-se, recolheu tudo e entregou para o coitado.

Pilotos não costumam ser tão gentis.

Button e Hamilton estão em terceiro e quarto. Jenson deve fechar o campeonato como primeiro dos outros, com o segundo lugar. Cara de bons amigos não tinha Alonso, quinto. Disse que esperava mais. Ao seu lado, Rosberguinho, normal.

Massa ficou em sétimo. Não foi bem. Contou que só teve um jogo de pneus no Q3 e isso acabou prejudicando. Torce pela chuva, não entendi bem por quê. Felipe não é lá o maior especialista do mundo no molhado. Mas chuva, às vezes, vira tudo de cabeça para baixo. Talvez seja isso. No seco, em condições normais, suas chances de pódio, sonho de um fim de semana primaveril, inexistem. Ah, Massa vai ganhar um bolo daqui a pouco, pelo seu centésimo GP pela Ferrari.

Vettel tem 30 poles na carreira, metade delas obtidas neste ano. Hoje passou Fangio nas estatísticas e é o sexto maior frequentador da primeira posição do grid em todos os tempos. À sua frente, Schumacher (68), Senna (65), Clark (33), Prost (33) e Mansell (32).

Volto já. Enquanto isso, escrevam qualquer coisa aí nos comentários. E vocês que estiveram em Interlagos, contem tudo.

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ARÁBICAS (2)

SÃO PAULO (hoje tem Lusa, bebê) – Good evening, Mr. Mansell! Foi isso que ouvi no rádio do Vettel pela TV? Tiãozinho, danado, fez mais uma. São 14 vezes no primeiro lugar do grid neste ano, igualando o recorde de poles na mesma temporada de Mr. Mansell, que fez 14 em 16 etapas no Mundial de 1992 pela Williams.

A marca pode cair em Interlagos e, sinceramente, acho que cai. Se em Abu Dhabi, depois de a McLaren ficar na frente de rigorosamente todos os treinos, Vettel foi capaz de achar alguns décimos quando realmente precisou, em São Paulo, pista mais com a cara da Red Bull, vai ser fácil. Nenhum esforço extra será necessário. E aí, good afternoon, Mr. Mansell.

Sebastian chegou a 29 poles na carreira. Olha aí o quadrinho do Forix que consegui contrabandear. Igualou Fangio e muito em breve vai superar Mansell, Prost e Clark. Aí, terá dois ossos duros pela frente, Senna e Schumacher. É uma coisa, esse rapaz.

 Cla  Pilotos  Total
1 Michael Schumacher Active driver 68
2 Ayrton Senna 65
3 Jim Clark 33
4 Alain Prost 33
5 Nigel Mansell 32
6 Juan Manuel Fangio 29
7 Sebastian Vettel Active driver 29

Falemos da classificação. No Q1, o de sempre: dançam os nanicos e mais um. O “mais um” foi Barrichello, que sequer saiu dos boxes. Problemas de motor. Tá uma tristeza, essa Williams. Vai para a última fila sozinha, porque Maldonado também trocou motor e perdeu dez posições no grid.

O depósito de tralhas do Q2 é o mais melancólico desta fase do campeonato. Ali ficam os carros das equipes que não querem mais nada com a rapadura, essa turma que não perde tempo, nem dinheiro, para desenvolver mais nada. Nem adianta tentar melhorar, porque não vai dar em nada. Nesse balaio entram a Renault, a Sauber e até a Toro Rosso. Daí que nosso mito Kobayashi anda apagadinho, assim como o mariachi Pérez. Senna-sobrinho foi mal, admitiu um erro feio em sua última volta rápida, ficou em 14°. Petrovski foi um pouco menos ruim, 12°.

E o Q3 foi aquilo: McLaren dando pintas de favorita pelos resultados dos treinos, Ferrari ciscando com Alonso, até que Vettel sentou todo mundo. Hamilton ficou em segundo, com Button em terceiro e Webber em quarto. Alonso colocou mais de meio segundo sobre Massa e está ao lado dele na terceira fila. Na quarta, Mercedes com Rosberguinho e Schumacher e, na quinta, forceíndicos com Sutil e Di Resta.

Volto já.

ATUALIZANDO…

Antes de voltar já, não posso deixar de reproduzir a tuitada de Mansell agora há pouco, na íntegra, com erros e tudo: “congrats to seb , great quoli .thanks everbody for your comments, anybody want a chat after race?” Figura, esse Mansell.

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BABY SCHUMI

SÃO PAULO (dura, a vida) – Legal a entrevista de Sébastien Bourdais, que foi companheiro de Vettel na Toro Rosso. Ele acha que o alemãozinho é capaz de estabelecer uma hegemonia na F-1 mais exasperante que a de Schumacher quando estava na Ferrari. O francês derrama elogios sobre Vettel.

Eu não acho que vá acontecer algo tão longevo. Menos pelo piloto, amplamente capaz disso, mais porque um domínio tão duradouro não sobrevive às mudanças drásticas que o regulamento da F-1 prevê para daqui a dois anos.

Em todo caso, fica a opinião do rapaz, que conhece bem o ex-companheiro.

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TODOS OS CASCOS

SÃO PAULO (pobres pintores) – Antigamente o piloto ficava com o mesmo capacete a vida inteira. Isso está acabando, e tem gente que radicaliza. Vettel, por exemplo, usou um diferente a cada corrida neste ano. Neste link, todos esles para vocês escolherem o mais legal. O que mais gostei é esse aí embaixo. Não sei em qual GP foi usado.

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ERA VETTEL?

SÃO PAULO (fala muito!) - O pessoal da Metodista me entrevistou semana passada para seu programa de rádio da turma de Jornalismo. O centro da questão era: estamos prestes a viver uma “era Vettel” na F-1? O resultado do bate-papo está aqui.

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PENTELHÉSIMOS

SÃO PAULO (sigamos) – Muito legal este comparativo das voltas de Vettel e Button na classificação em Suzuka. A diferença para o alemão foi de 0s009. Seria bacana também se tivéssemos duas imagens de pilotos da mesma equipe, para que muita gente entendesse por que com carros iguais muitas vezes os tempos são tão distantes. E a resposta é tão simples… Porque não existem duas pessoas no mundo que guiem de forma idêntica. São raríssimas as ocasiões em que os mesmos tempos são registrados por pilotos diferentes. Lembro a mais célebre de todas, o empate tríplice ente Villeneuve, Schumacher e Frentzen no grid do GP da Europa de 1997, em Jerez. Aquilo sim foi raro.

Quem mandou o vídeo foi a blogueira Luciana Audrey Hepburn.

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JUNG, 150

SÃO PAULO (parabéns, brother!) - E não é que nosso batera Andre Jung chegou à 150ª coluna no Grande Prêmio? Demais, uma honra para todos nós! Na desta semana, Andre fala de Vettel, claro, e suas proezas. E, como sempre, vê o que ninguém viu: como é que os alemães da Mercedes e da BMW foram perder talentos como Schumacher e Vettel para uma fabricante italiana de carros para milionários e para uma fábrica austríaca de bebida energética com gosto esquisito?

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SENNA E VETTEL

SÃO PAULO (o tempo é o senhor…) – No dia 14 de setembro de 2008, quando Vettel ganhou o GP da Itália, escrevi que a vitória de Monza já era mais do que o que Senna fizera em 1984 com o segundo lugar em Mônaco. Está neste post aqui, perdido no tempo. As reações de alguns leitores/blogueiros foram tão histéricas que me levaram a escrever este outro post aqui, dois dias depois. Basicamente, eu perguntava: posso achar Monza/08 uma façanha maior que Mônaco/84?

Mais uma saraivada de impropérios e sennistas se oferecendo para sugerir ao papa minha excomunhão.

Três anos depois, Vettel, com a mesma idade que Senna tinha quando estreou na F-1, porque naqueles tempos alguns degraus eram necessários e se começava mais tarde, tem dois títulos mundiais e mais um monte de números impressionantes em suas estatísticas.

Sebastian deve acumular outros tantos, tem uma longa carreira pela frente e vai inscrever muito em breve seu nome entre os maiores de todos os tempos. Como começou outro dia, muita gente ainda reluta um pouco em fazer isso. Eu já coloco fácil, porque ninguém domina um campeonato com tamanha autoridade se não for um desses caras especiais. “Ah, mas corre contra ninguém, Senna correu com Piquet, Mansell e Prost!”, bradarão os mais bobos. “Ah, mas Vettel tem o melhor carro, essa Red Bull!”, bradarão outros bobos. É, a McLaren de Ayrton era bem ruim.

Como esse papo não me pega, nunca pegou, digo apenas que Senna gostaria de ser comparado ao menino.

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JAPONINHAS (3)

SÃO PAULO (tudo vale a pena) - O tricampeonato de Ayrton Senna completa 20 anos por esses dias. Desde 1991, nenhum piloto brasileiro ganhou um título mundial na F-1. Massa chegou perto em 2008. E foi só.

Quando Senna ganhou o tri, a Alemanha não tinha nenhum título na categoria. Hoje, 20 anos depois, conquistou o nono. Passou o Brasil. Foram sete de Schumacher. E dois de Vettel. Filhote de Schumacher. Qual país aproveitou bem o “boom” do automobilismo gerado por seu melhor piloto?

Tiãozinho confirmou nesta madrugada a conquista antecipada com uma corrida sossegada em Suzuka. Poderia ter vencido, mas chegou em terceiro. Perdeu posições nos boxes e não se esforçou muito para recuperá-las. Não precisava, e como tinha garantido uma tacinha, ficou por lá mesmo. São 14 pódios em 15 corridas. Está bom demais.

Vettel pode estabelecer uma era hegemônica como fez Schumacher no início do século? Pode ser. É difícil uma equipe se manter tão forte durante tanto tempo, mas já aconteceu mais de uma vez e pode acontecer de novo. E quem estiver sentado no carro certo acaba tirando proveito disso. Se for alguém como Vettel, vira hegemonia.

O que espanta é a juventude do moleque. 24 anos, três meses e 6 dias. Tem a idade que tinha Senna quando estreou na F-1. E já acumula 19 vitórias, 27 poles, dois títulos. Claro que é um piloto especial.

A corrida de hoje, não sei se por meu sono, não sei se porque não foi grande coisa, mesmo, não empolgou demais. Button, como sempre, guiou o fino e levou mais uma. Alonso voltou a tirar leite de pedra e terminou em segundo. “Quase lutei pela vitória”, disse, surpreso. O resto foi realmente o resto. Hamilton e Massa voltaram a se tocar, mas lutavam por tão pouco… Lewis chegou em quinto, Felipe foi o sétimo. Nenhum furou o pneu ou foi punido. Não sei se a esta altura alguém deu ou tomou um tapa no paddock. Creio que não.

Schumacher terminou em sexto, foi bem, assim como muito bem foi Pérez, oitavo, e Petrov, nono. Rosberguinho veio lá da última fila para o décimo lugar. Senninha não pontuou, nem Barrichello.

Temos quatro corridas pela frente. Quatro amistosos na Coreia, Índia, Abu Dhabi e Brasil. Espero que sejam boas. A da Coreia, ano passado, não deu para saber direito como é, por causa da chuva. A indiana é novidade. Abu Dhabi vai ser um saco. Interlagos é sempre legal. Vettel vai buscar alguns recordes até o fim do ano. Não que precise. Mas já que estão pingando na área, que tente.

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FOTO DO DIA

SÃO PAULO (passa rápido) - O Fernando Zimmermann mandou a foto. Consta que foi tirada em Zeltweg em 2002. Nunca sei quando essas coisas são montagens, mas vamos em frente.

Em maio daquele ano, quando aconteceu a corrida (a famosa, aquela da troca de posições entre Barrichello e Schumacher), Sebastiãozinho tinha 14 anos. Faria 15 dois meses depois. O carro no qual enfiaram o moleque para fazer um retrato é o Sauber de Nick Heidfeld, que por sua vez tinha como companheiro de equipe Felipe Massa, que estava em seu primeiro ano na F-1.

A Sauber era patrocinada pela Red Bull. A Red Bull como equipe ainda não existia, era a Jaguar, que seria comprada algum tempo depois. Na Jaguar corriam Irvine e De la Rosa. Dos 22 que largaram naquele GP da Áustria, seis estarão ao lado de Vettel na madrugada de amanhã em Suzuka: Schumacher, Barrichello, Button, Webber, Trulli e Massa .

Das 11 equipes que participaram daquela corrida, seis não existem mais: Jordan (hoje é Force India), Toyota, BAR (hoje é Mercedes), Arrows, Minardi (hoje é Toro Rosso) e Jaguar (hoje é Red Bull). O tempo voa.

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JAPONINHAS (2)

SÃO PAULO (sai, gripe) - O que eu quero ver mesmo nessa corrida é Massa x Hamilton. Eles estão na segunda fila, e tive informações privilegiadas que os mecânicos da McLaren vão jogar açúcar no tanque do brasileiro. E soube também que tem um mecânico da Ferrari escalado para colocar tachinhas nos pneus de Lewis. Fiquem atentos na movimentação no grid antes da largada.

Vettel x Button também vai ser legal. Vale o título, oh.

Vale é uma vitória, isso sim. Button ficou 0s009 atrás de Tião Alemão na classificação. Seb (quanta intimidade) comemorou essa pole num tom um pouco acima do normal. Pela dificuldade, certamente. Jenson vinha sendo o mais rápido em todos os treinos e não queria deixar escapar a primeira posição de jeito nenhum. Mas escapou.

Apesar disso, a cara de ânus entre os três primeiros era de Hamilton. Que anda realmente com algum problema. Colocou os óculos, não esboçou nenhum sorriso, andou se estranhando com Schumacher nos treinos. Precisa de férias.

Massa ficou na frente de Alonso, que ficou na frente de Webber e aí temos o top-10. Isso mesmo, seis carros no top-10, porque os outros quatro que foram ao Q3 decidiram não fazer voltas rápidas. Koba-Mito, Schumi, Senninha e Petrovski economizaram seus pneus e frustraram o público. Isso precisa mudar no regulamento. Esse negócio de ir ao Q3 e guardar o carro na garagem é uma palhaçada monumental. Tem de ter tempo para largar. Se não tiver, vai para o fundo do grid. Não há nada mais patético do que essa desistência por antecipação, essa renúncia à luta, à disputa.

Isso dito, eu achava que os toros rossos andariam um pouco mais na frente, o primeiro-sobrinho fez de novo bem o seu trabalho ao levar o carro ao Q3 e o pobre do Rosberguinho vai ter de largar lá atrás porque seu carro pifou na classificação. Será o nome das primeiras voltas, podem apostar. Em Suzuka é divertidíssimo partir do fundão com carro bom.

Vettel foi a 12 poles no ano, em 15 corridas. A Red Bull tem todas. Hoje foi por pouco que Button não acabou com a série. Mas pouco não basta. O alemãozinho chegou a 27 e é o sétimo nas estatísticas. Passou Hakkinen. Luta pelo recorde de poles na mesma temporada, que é de Mansell em 1992. Foram 14 em 16 etapas. Já teve campeonato chato antes, sim senhor. Portanto, não reclamem. Sebastião está apenas fazendo bem o seu trabalho.

O campeão sai na próxima madrugada, deixando para as outras quatro corridas, a do Brasil inclusive, a incômoda condição de evento com caráter amistoso. Muita gente reclama de marmeladas e de resultados arranjados no esporte em geral, na F-1 em particular. Essas disputas que acabam precocemente, para mim, são a maior prova de que não há marmelada alguma. E, se há, o encarregado de fazê-la é incompetente pacas.

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MENINO MALUQUINHO

SÃO PAULO (que tal dois dias longe?) - Sebastian Vettel é o mais jovem a ter conseguido quase tudo na F-1, e será também o mais jovem bicampeão da história em Suzuka ou depois. Mas o que pouca gente sabe é que o alemãozinho tem um recorde inacreditável de precocidade que nada tem a ver com vitórias, pontos ou poles. Não sabe qual é? Está lá, na coluna Warm Up de hoje.

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FUTURO SOMBRIO

SÃO PAULO (e pior é que concordo) – Nosso batera Andre Jung não está lá muito otimista para a temporada 2012. Para ele, o quadro não será muito diferente do de 2011, a julgar pelo que vem acontecendo neste campeonato. Um trecho, no qual dá uma pincelada nos principais pilotos do grid, começando com Vettel, claro:

Todos os demais decaíram em relação à temporada passada. Mesmo Massa, que não tinha por onde piorar, piorou. Alonso mantém seu padrão, mas parece conformado, Webber tornou-se “escudeiro”, Hamilton trapalhão e ressentido. Vettel vai sobrando, e o resto assiste. A situação não promete mudar muita coisa ano que vem.

A coluna, como sempre, é leitura essencial. Para ler na íntegra, é só entrar aqui.

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NOTURNAS (4)

SÃO PAULO (ah, o tempo…) – Vettel de ponta a ponta, nove vitórias em 14 corridas, 309 x 185 contra Button, 124 pontos de diferença com 125 em disputa. O título será definido no Japão para esse alemãozinho estupendo. Um décimo lugar lhe dá a taça, se Jenson vencer. E se o bonitão não ganhar, já era. Sebastião pode passar o fim de semana, sei lá, na Tailândia fazendo massagem.

Aliás, fica a dica.

A corrida de Cingapura esteve longe das melhores, mas também não foi uma porcaria. Sempre tem um Hamilton para animar.

Em tópicos, porque hoje o dia vai ser longo.

- Hamilton se precipitou sobre Massa no começo da prova, ansioso como sempre. Mereceu a punição. Às vezes Lewis parece maluco.

- Mesmo assim, com uma parada a mais, caindo lá para trás, chegou na frente do brasileiro, que novamente mostrou apatia durante a maior parte da prova, para tentar alguma coisa nas voltas finais. Hamilton foi o quinto. Felipe, que teve um pneu furado no toque do inglês, foi o nono.

- Schumacher errou com Pérez. O mexicano não fez nada de desonesto. E fez um pontinho suado. Bom, esse chiquitito. Já o veterano alemônico tomou um susto da porra.

- A Force India foi a equipe da corrida, com seus dois meninos nos pontos. Di Resta Um em sexto, parando menos que os outros, e Sutilezas em oitavo. A Force India, hoje, é uma equipe maior que a Williams.

- Button, hoje, é um piloto mais eficiente, sereno e melhor que Hamilton. Seu segundo lugar foi, novamente, muito bonito. No final, se aproximou bastante de Tião Alemão. Não iria passar, mas estava lá, na briga, para qualquer eventualidade. E mostra, a toda corrida, que não foi campeão por acaso em 2009 quanto teve, por algumas corridas, o melhor carro do grid.

Vão comentando aí que eu volto mais tarde.

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ITÁLICAS (4)

SÃO PAULO (passeio) - Cheia de números, essa corrida. Vamos a eles, para não esquecer nada.

Vettel chegou à oitava vitória no ano, 18ª na carreira. Empatou com o Raikkonen.

Alonso chegou ao 70º pódio e a Ferrari acumula 650. El Fodón agora tem 1.001 pontos na F-1 e só perde para Schumacher, 1.493. São os dois milionários da categoria. Mas essa estatística de pontos perdeu peso e importância por conta das mudanças de regulamento. Hoje os caras dão 25 pontos para o vencedor. Em priscas eras, eram 9 ou 10. Fica só a curiosidade.

Bruno Senna tornou-se o 318º a pontuar na história. Sabe falar 318º por extenso? “Trezêntino-e-dezôitimo”.

Vettel abriu 112 pontos para o novo vice-líder, Alonsito. Isso significa que ele pode fechar a disputa matematicamente em Cingapura. Basta sair de lá 125 pontos à frente do segundo colocado. Não é tão fácil, considerando que todos seus perseguidores (eufemismo desnecessário) têm pontuado com frequência.

A coisa se resolve no Japão, na opinião deste humilde blogueiro. E que seja assim. Pelo menos é um palco apropriado.

E mais algo significativo, notado por um blogueiro: os cinco primeiros colocados na prova foram os cinco campeões mundiais em atividade. A eles: Vettel (2010), Button (2009), Alonso (2005/2006), Hamilton (2008) e Schumacher (1994/1995/2000/2001/2002/2003/2004).

Falemos deste GP mônzico, agora. Se tivesse de eleger dois nomes, o primeiro seria Alguersuari. Afinal, o cabra largou em 18º (“dezôitimo”) e chegou em sétimo. Muito bem. E o outro seria Schumacher. Que ficou em quinto, mas fez uma baita largada e ofereceu ao público os melhores momentos da corrida, nas duas brigas de dezenas de voltas com Hamilton, com direito a ser passado e passar de novo, um show de pilotagem e sangue-frio. Acabou sendo superado, mas mostrou, de novo, que é tão competitivo quanto qualquer fedelho com quem vem disputando posições. Aliás, ele passou quatro na largada. Segundo a Mercedes, Schumacher ganhou 35 posições em primeiras voltas neste ano. Vai ser uma crueldade do destino se Michael não levar um trofeuzinho para casa neste ano.

Vettel dominou praticamente de ponta a ponta. Há pouco a dizer sobre a prova do rapaz. Na largada Alonso saiu não se sabe bem de onde e assumiu a liderança, mas logo que saiu o safety-car acionado pelo rebosteio de Liuzzi, Tiãozinho foi para cima, fez uma linda ultrapassagem e desapareceu. Só foi visto de novo chorando no pódio. Ficou emocionado porque foi lá que tudo começou em remotas épocas (2008; moleque desgraçado), primeira vitória, e tal. É um monstrinho, esse moço.

Alonso fez, de novo, mais do que podia. A Ferrari lhe deve um carro. Button foi preciso como sempre, segundo. Hamilton vai sonhar com um alemão idoso lhe dando bengaladas. Webber podia pedir para sair, porque a cagada que fez hoje foi daquelas imperdoáveis. Menos pelo toque em Massa, acontece, mas por bater sozinho quando ia para os boxes trocar o bico. Felipe cumpriu sua triste sina de 2011, de andar sozinho, chegar lá atrás, longe das glórias, dos sorrisos e dos tapinhas nas costas.

Foi boa, a corrida. Nada de excepcional, tirando os duelos Hamilton x Schumacher, mas boa.

E do Bruno Senna falo no próximo post. Preciso de um café.

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COLUNINHA

SÃO PAULO (frio danado) - Nada mais é, a de hoje, que o texto cá publicado no início da semana. Crise de inspiração. Mas é para outras mídias, nem todo mundo lê o blog e tal. Pinguei apenas para registro.

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ACABA QUANDO?

SÃO PAULO (apostem) - Como estamos apenas na segunda temporada com farta distribuição de pontos na F-1, para desespero dos estatísticos, muita gente ainda não se deu conta de que Vettel pode ser campeão sem subir mais ao pódio até o final do ano. Os cálculos todos estão aqui, na matéria do Fernando Silva. Com sete quartos lugares, mesmo se o vice-líder Webber vencer todas as provas, Tião Alemão fecha o campeonato um ponto na frente do australiano.

É um baita domínio, que já nos leva a especular sobre a corrida em que o título será definido matematicamente. Olha aí a lista dos GPs que faltam: Itália, Cingapura, Japão, Coreia do Sul, Índia, Abu Dhabi e Brasil. Meu palpite: acaba em Suzuka, circuito que já consagrou muitos e muitos campeões na história. Seria um palco bem apropriado.

Palpite, mas também matemática. Vettel tem, em números redondos, uma média de 21,5 pontos por corrida neste ano. A média de Webber é de 13,9. Nesse ritmo, sempre arredondando, a diferença que é de 92 pontos sobre para 99 em Monza, 107 em Cingapura e bate em 114 em Suzuka. Aí faltarão quatro etapas para o fim do Mundial e Webber poderia marcar, no máximo, 100 pontos.

Diante da disputa até a última corrida do ano passado entre vários pilotos, parece que é um campeonato chato. Mais ou menos. Em 2010, tivemos uma temporada ótima de corridas ruins. Neste ano, a briga pelo título é fraquinha. Mas as provas têm sido bem legais.

Chato, mesmo, foi em 2004. Schumacher fechou a fatura em Spa-Francorchamps, na 14ª de 18 etapas. Ganhou as cinco primeiras corridas, perdeu em Mônaco quando foi abalroado por Montoya no Túnel (estava em primeiro), e depois venceu mais sete seguidas. Terminou o ano com 13 vitórias e dois segundos lugares. Recorde de vitórias na mesma temporada. Em 2002 foi ainda mais cedo: ganhou em Magny-Cours na 11ª de 17 corridas, com 11 vitórias, cinco segundos lugares e um terceiro. Rigorosamente todas as corridas no pódio. Vettel pode até conseguir algo parecido em termos de resultados. Mas não com a superioridade que Schumacher impôs aos seus adversários naqueles anos. Pode até não parecer, mas Tiãozinho tem tido mais trabalho agora do que seu guru teve nas temporadas de 2002 e 2004.

E vou dizer… Acho que se Michael conseguir um único pódio neste ano, ficará tão feliz quanto ficou na Bélgica em 2004, ou na França em 2002. Os dois aí da foto são feitos do mesmo material.

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