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LONGE DE CASA

Europe_1142SÃO PAULO (interessante) – Está lá no Grande Prêmio. Vettel não vence uma corrida na Europa há quase dois anos. Suas últimas dez vitórias aconteceram na Ásia. É a maior sequência de triunfos de um piloto na história sem umazinha sequer no Velho Continente.

Sim, é óbvio que isso acontece porque hoje o calendário tem um caminhão de provas do outro lado do planeta. Mas não deixa de ser bem curioso. Eu sinto saudades de mais corridas europeias. Elas tinham outro clima. Países como Suécia, Holanda, França, Portugal e Áustria fazem falta. Fora as pistas que, nos últimos anos, sediaran GPs da Europa e San Marino.

Saudades da Europa. Um ano longe começa a dar coceira. Acho que vou pra lá. Tem Le Mans mês que vem, né? Boa ideia.

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ONE QUESTION

Está bem de companheiro o Vettel?

emdubai

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TIÃO, MEU FILHO

SÃO PAULO (esses jovens) – Na coluna Warm Up de hoje, uma simpática cartinha para Vettel — que já disse, em entrevistas, que não usa Twitter, Facebook, nada; assim, deve ler cartas. Um trecho:

selalemaoMas entendo a sua vontade de ganhar. E entendo que você não gosta do cara. Também achei que ele quase te fodeu em Interlagos no ano passado. Desculpe os termos. Eu poderia usar “prejudicou”, por exemplo. Mas, na verdade, ele quase te fodeu, mesmo, naquela espremida no muro. Isso não é coisa de parceiro. Meu amigo aqui lembrou que, no rádio, eu chamei o cara de “retardado” quando o vi  te apertando daquele jeito idiota, na última corrida do ano, você lutando pelo título. E teve o lance da Turquia em 2010, claro que lembro. Duas antas, eu disse na hora. Vocês nunca se deram bem.

Para ler na íntegra, é só clicar aqui.

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VENDETTA

mafiavettelSÃO PAULO (uau) – Vettel disse na China que o que aconteceu na Malásia foi, indiretamente, uma vendetta pelo que aconteceu no Brasil.

Entenderam?

Traduzindo: Vettel disse na China (onde tem corrida domingo) que o que aconteceu na Malásia (passou Webber no fim desobedecendo ordem da equipe) foi, indiretamente (porque ele insiste que não entendeu direito a ordem, mas admite que ao desobedecê-la cometeu um erro e por isso se desculpou com todo mundo), uma vendetta pelo que aconteceu no Brasil (na largada do ano passado, disputava o título e foi espremido por Webber na largada).

Entenderam?

De fato, em Interlagos Webber foi inexplicavelmente agressivo no início da prova e quase tirou o companheiro da corrida. Escrevi sobre isso naquele dia (neste que é o mais brilhante relato de um GP em todos os tempos, inexplicavelmente ignorado pela Academia Mundial de Letras).

Resumo da ópera: Vettel se desculpou, pero no mucho. Sem muita convicção de tenha errado tanto assim. É provável que ele e Webber nunca mais se falem na vida.

Companheiros de equipe, nesse universo egoísta e egocêntrico da F-1, não precisam ser os melhores amigos do mundo. Mas quando são inimigos, é algo muito negativo. Contamina o time porque, como se sabe, cada piloto tem seus engenheiros, seus mecânicos, seus fisioterapeutas, seus cozinheiros. Cria-se uma cisão natural. Era assim com Piquet e Mansell, Senna e Prost, Alonso e Hamilton, eu e Marcelo Giordano. Cada um escolhe um lado e ninguém ganha.

Assim, tchau Webber. Está fora da Red Bull no ano que vem. Se bobear, neste ano, ainda, dependendo do que acontecer na pista daqui em diante.

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NO COMMENTS

camisetaboa

Mandaram aí nos comentários. Eu ri.

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LONGE E PERTO

SÃO PAULO (detalhes) – Vejam logo antes que tirem do ar. Primeiro, como Vettel passa perto do muro para comemorar a vitória com a equipe e Webber vai lá longe, bem longe. Se pudesse, passaria pela arquibancada. Depois, tira uma fina do companheiro que acenava para o público.

O Canguru ficou mutcho putcho ontem.

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OITO ANOS

SÃO PAULO (que hora decola?) – Os oito anos de vida da Red Bull contados em depoimentos de Christian Horner, Adrian Newey, Mark Webber e Sebastian Vettel. Mais um vídeo inovador da equipe, já que essa história curta e vitoriosa é relatada apenas em fotos e palavras, sem imagens de TV. O que obriga quem está assistindo a prestar atenção, algo que cada vez menos se faz hoje em dia.

Tem meia hora e é todo em inglês. São muito bacanas os depoimentos. Essa equipe é realmente muito especial. E o que ela já fez em tão pouco tempo, mais ainda.

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TAPETTONE

SÃO PAULO (já deu) – Desde segunda-feira pululam pela internet vídeos com as supostas ultrapassagens de Vettel sob regime de bandeira amarela em Interlagos. Análises profundas com setas, destaques, imagens congeladas, paineis luminosos acesos e intermitentes, fiscais com bandeiras agitadas e estáticas, informações no volante do carro e o escambau a quatro pingam aqui e ali, com gente falando com enorme autoridade sobre o assunto.

Isso animou a Ferrari a consultar a FIA sobre eventuais ilegalidades em manobras sobre Vergne e Kobayashi. Na verdade, o time italiano só cita a primeira, na quarta volta, em cima do garoto da Toro Rosso (tem vídeo aqui). Vettel poderia ter alguns segundos acrescidos ao seu tempo total de corrida e, assim, perderia o título. Aparentemente, a FIA se pronuncia hoje.

Não vai mudar o resultado da corrida, creio. Entre todas essas análises profundas e definitivas, assim como há aquelas que asseguram que Vettel fez um monte de coisa errada, há outras que asseguram que não. Pelo que pude ver, o caso com Kobayashi teve a ver com uma parada do japonês no box e é menos controverso. Com Vergne, o francês tirou o pé e Sebastian o ultrapassou na reta Oposta entre dois painéis com luz amarela, mas havia uma bandeira verde no meio do caminho.

É tudo meio confuso, mas a FIA que se encarregue de explicar. E acho coisa de mau perdedor esse negócio de recorrer ao tapetão. Ainda mais que foram ultrapassagens sem a menor importância para o resultado final da prova, tudo em linha reta, sem risco, com os ultrapassados tirando o pé por alguma razão. E se forem analisadas as câmeras on-board de todos os carros ao longo dessa prova, uma ou outra situação parecida será encontrada, ainda mais numa corrida com chuva, sem visibilidade e cheia de painéis piscando.

A ver. Já pensaram dar o título para o Alonso por conta dessa polêmica?

Eu, hein…

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DIA (DURO) DE DOMINGO

SÃO PAULO (ressaca) – Não foi, mesmo, um domingo fácil para Vettel. Vejam esta foto publicada no site da “Autosport”. Não é um milagre que nada tenha acontecido no carro do alemão?

“Nada”, claro, é força de expressão. Newey contou que houve uma perda de pressão aerodinâmica (provavelmente porque a suspensão foi afetada, estragando todo o alinhamento do carro) e danos no escapamento. O time monitorou todos os parâmetros durante a corrida e mudou o mapeamento do motor para que a temperatura no sistema de escape fosse a menor possível. Caso contrário, poderia haver uma quebra e, como consequência, a bagaça toda pegaria fogo.

A questão da perda de “downforce” foi parcialmente resolvida com ajustes na asa dianteira no primeiro pit stop.

Agora, o Bruno… Tenha dó. Fico imaginando se um piloto brasileiro, lutando pelo título, é acertado por outro que não briga por nada numa situação parecida. Iriam imolar o sujeito. É preciso um pouco de inteligência para correr de carro. O primeiro-sobrinho alegou que Vettel quis fazer a tangência e não deixou espaço. Caramba. O cara é protagonista do campeonato. A corrida, evidentemente, não era uma qualquer. Tem hora em que os coadjuvantes devem entender o que são, procurar atrapalhar o mínimo possível. Bruno, com atitudes como essa (minimizando o episódio, inclusive, como se fosse pouco relevante; não era, podia ter decidido o campeonato), consegue uma única coisa: perder o respeito de seus pares.

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TRI IN SAMPA (24)

Vettel, antes da corrida, estudou o vídeo. Aos 2min30s vocês vão entender o que estou dizendo.

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TRI IN SAMPA (22)

SÃO PAULO (por partes, merece) – Vettel não estava num bom dia hoje, coitado. O adversário queria o caos. Ele, apenas um dominguinho tranquilo, daqueles de almoçar na sogra, comer um pudim, ver o Faustão e, depois, um futebolzinho. De noite, uma pizza sem inventar muito, meia aliche, meia mussarela, uma olhada nos gols do Fantástico e cama.

Mas Alonso tem pacto com o capeta. Foi ontem à noite a um pai-de-santo e comprou o pacote Platinum — caro, diga-se, ainda mais para estrangeiros, que pagam em euro (cartão, só de débito). Tinha as opções do Silver (chuva, pit stop demorado e drive-through), Gold (garoa, defeito no KERS, indisposição estomacal, pneu furado), Gold Plus (os itens anteriores, mais dividir freada com Maldonado e primeira volta perto do Grosjean). Mas foi direto no Platinum, que deixou o pai-de-santo assustado. “Precisa de tudo isso, mizifio?”. “Todo, señor padre-de-santo. Hace todo, lo pacôte complêto, sien dó, quiero todo.”

“Hómi ruim”, pensou o pai-de-santo, e encomendou o trabalho completo, o Platinum — algo que nem aquele outro piloto meio calvo cujo nome ele já não lembrava pediu para o outro queixudo alguns anos atrás. Esse pacote, que o guia espiritual achava que ficaria encalhado para o resto da vida, um erro de marketing, continha chuva dez minutos antes do início, largada ruim, espremida do companheiro de equipe, batida por trás na primeira volta, ficar na contramão de frente para o Petrov e o Karthikeyan, cair para último, pista seca e depois molhada de novo, rádio defeituoso, pit stop na hora errada, demora para trocar pneu, disputa com Kobayashi debaixo de tempestade e pódio garantido para o contratante.

Alonso saiu do terreiro certo de ter feito um bom investimento, ainda mais quando soube, por Schumacher, que o serviço era garantido. Foi Michael quem indicou. “Comprei o Silver dois anos seguidos, não era muito caro, tinha só pane hidráulica e pane seca, na época essas coisas eram mais simples, mas funcionou muito bem”, contou o alemão no jantar, ontem à noite, e passou o cartão amarfanhado do pai-de-santo para o espanhol, onde se lia, também, num inglês meio tosco, “I bring your love back in two days or you money is devolved”.

Bem, o piloto da Ferrari não pode reclamar da execução do trabalho. O pai-de-santo entregou tudo direitinho, exatamente como prometia o pacote Platinum. Só não contava com a incrível persistência da vítima escolhida, que resistiu à espremida do companheiro, à batida do desastrado brasileiro, aos barbeiros de frente para ele na contramão, ao mau trabalho da equipe na parada, ao rádio que deixou de funcionar, à chuva, a tudo.

Sebastian Vettel passou por cima de todos os azares que um candidato a título pode ter numa única corrida. Chegou em sexto. Alonso foi o segundo, tendo ganhado o posto por cortesia — natural — do companheiro. Button venceu, por ter sido, ao lado de Hülkenberg, mais uma vez, o cara que entendeu melhor a hora de colocar pneu de chuva e voltar para slicks. Quase um paulistano, esse Button. Hülk quase ganhou, mas bateu em Hamilton, foi punido e terminou numa gloriosa quinta posição.

Alonso, El Reclamón de Las Astúrias, fez um campeonato excepcional. O melhor de sua vida, provando que é possível executar um bom omelete sem ovos. Perdeu o título em dois acidentes sobre os quais não teve controle algum. Ficou a três pontos do alemãozinho, que se tornou o mais jovem tricampeão de todos os tempos, 25 anos, colocando-se ao lado de Fangio e Schumacher no seletíssimo clube de pilotos que venceram três campeonatos seguidos.

Interlagos fez uma decisão digna de sua história e da história da F-1. Uma corrida fantástica, definida por Nelson Piquet, no pódio, como a mais emocionante que viu na vida. Um espetáculo.

O esporte determina que só pode haver um campeão. OK, ficou com Vettel, que merece todos os elogios do mundo. É um fenômeno. Pela juventude, carisma, frieza, capacidade, simpatia. Se ficasse com Alonso o título, também estaria OK: combativo, persistente, talentoso, forte, líder.

Mas é só um que leva. Ao vencedor, as batatas. Ao perdedor, os aplausos. E ficamos todos bem.

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TRI IN SAMPA (21)

SÃO PAULO (tombem Interlagos) – Um thriller, esta corrida. Um ano espetacular de Alonso. Uma prova fenomenal de Massa. Um título merecidíssimo. Tudo que podia acontecer de errado para Vettel aconteceu. Tudo. Menos o resultado final. Batida por trás, rodada, erro na hora de colocar pneus médios, pit stop ruim, ataques de Webber, rádio quebrado, Fernando crescendo, chuva, chuva, chuva…

Interlagos é um circuito incrível. Vocês, que devem estar ansiosos, comentem, comentem, comentem. Daqui a pouco eu volto.

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TEXANAS (2)

SÃO PAULO (estou sem óculos) – Red Bull com gelo, dizem, fica gostoso. Assim, se quiserem colocar quatro pneus de F-1 logo depois de um treino em Austin dentro de uma banheira do energético, vai cair bem. Nunca vi lugar para ser tão difícil aquecer pneus quanto essa pista americana onde os fracos não têm vez. O cara volta para os boxes e a borracha está gelada de queimar.

O único, claro, que não teve tanto problema assim foi Vettel, o caubói loiro. Foi o mais rápido em todos os treinos, todas as parciais, todos os Qs, um massacre. E larga na pole pela sexta vez no ano e 36ª na carreira em seu 100° GP amanhã. Alguma dúvida de que vai ganhar?

Eu tenho. Afinal, estamos falando da América, terra das oportunidades, onde todos, ao acordar, têm o direito de sonhar com um Big Mac, um Double Whopper ou um Dave’s Hot ‘N Juicy. Eu prefiro dois Double Cheese Sliders.

Assim, resta a Alonso isso aí mesmo: sonhar com alguma chance surpreendente e inesperada, pois se até Romero Britto se deu bem na América, por que não ele?

Vettel fez 1min35s657 na volta da pole, a quarta ou quinta seguida com o mesmo jogo de pneus, não contei. Alonso larga em oitavo e estava esquentando a borracha até durante a sua volta mais rápida. Um drama térmico. Hamilton até que chegou perto de Sebby, 0s109 atrás, e o grid ficou assim, já considerando a perda de cinco posições de Grojã, que trocou o câmbio: 1) Sebby; 2) Hammy; 3) Webby; 4) Kimmy; 5) Schummy; 6) Philly; 7) Hulkky; 8) Fernie; 9) Rommy; 10) Maldy.

Philly larga na frente de Fernie pela segunda vez no ano — a outra foi na Itália. Deve deixar o colega passar antes de chegar no fim da ladeira, na largada. A tarefa do espanhol na corrida toda, se nada de anormal acontecer, será apenas tentar adiar a conquista de Sebby. Para isso, se o tedesco vencer, ele tem de terminar em quarto, pelo menos. O problema para ele seu companheiro é que ambos largam do lado par do grid. Pelo que andam dizendo os pilotos, talvez seja melhor largar em 21° do que em 2°, tamanha a falta de aderência do lado par da pista. É capaz que essa turma do lado par seja ultrapassada até pelo safety-car e pelo furgão da SWAT.

A temperatura em Austin até que não estava tão baixa quando começou a classificação. Pouco antes do terceiro treino livre, era de 10 graus, com sol e céu azul. Depois do almoço, 21 graus, 32 na pista. Falo em Celsius, não Farenheit. Como a Pirelli escolheu na prateleira pneus de pau para levar aos EUA — com medo de a borracha ficar espalhada pelo asfalto, voar algum pedacinho e acertar o olho de um gorducho qualquer, o que resultaria numa ação na Suprema Corte que poderia condenar o presidente da fábrica italiana a 300 anos em Guantánamo —, a questão do aquecimento acabou sendo central no sábado texano. Os cobertores elétricos não resolveram. É possível que nem tenham funcionado, porque nos EUA é tudo 110 v e na Europa, 220 v.

Mas o gramado é ruim para todos, como dizia João Avelino, e então não há muitas desculpas para desempenhos pífios de equipes como a Sauber (Sergie em 15°, Kobby em 16°), a Caterham (que ficou no Q1 com dois carros atrás dos marússios) e alguns pilotos avulsos, como Rosbby (17°), Brunie (11°) e Jensy (12°, mas o carro da McLaren teve algum problema mecânico no Q2).

Faz-se necessário destacar que a HRT, que estava com medo de não conseguir fazer tempo nos 107% (o limite foi 1min43s317), passou com folga. Kartty, o último no grid, virou em 1min42s740, sem maiores problemas.

O autódromo estava cheio, uma visão alentadora para quem, como eu, acha que o automobilismo será extinto antes da instalação da próxima UPP no Rio. No primeiro ano de Indianápolis também foi desse jeito, uma multidão animada e colorida. Que continue assim. A pista é linda, acolhedora, técnica e rápida. Não será uma prova de ultrapassagens tão fartas, mas elas vão acontecer. Pena que a estratégia de pneus deverá ser a mesma para todo mundo, uma parada, o que reduz a atividade de box e a chance de surpresas. Nesse asfalto liso e com temperaturas baixas, pneus muito duros gastam pouco. Ano que vem, a Pirelli que leve supermacios e ultramacios, para chutar o balde.

A corrida, amanhã, começa às 17h. Não vai passar ao vivo em TV aberta, porque tem futebol no mesmo horário. Acabou indo para a Sportv, que pertence à Globo. Todo mundo sabia disso há semanas. TODO MUNDO. Ninguém é bobo, ninguém é otário, as pessoas pensam, sabem das coisas. Mas, mesmo assim, teve gente que perdeu o emprego só porque avisou os amigos pelo Twitter que a prova seria transmitida pela Sportv. O que, repito, TODO MUNDO, QUALQUER IDIOTA, já sabia.

Não há limites para a canalhice.

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BUSY EVENING

SÃO PAULO (meio fruta, o título…) – O Paulo Costa mandou este vídeo. Em quase 7 minutos de imagem, todas as ultrapassagens de Vettel no GP de Abu Dhabi. Como se vê, foi um fim de tarde trabalhoso para o alemão. Ótimo para aqueles que dizem que ele só anda bem quando larga na frente.

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BORRACHUDO

SÃO PAULO (teorias) – Deem uma olhada com atenção no vídeo abaixo, exatamente aos 5 segundos, observando bem a mão direita do mecânico que vai remover o bico do carro de Vettel em Abu Dhabi:

Só eu notei uma consistência, digamos, meio borrachuda da parte amarela? Não. Mais gente notou. O blogueiro José Angelo Petit Neto mandou até um link de um blog gringo onde se discute se esse seria um dos segredos recentes de Adrian Newey.

Não sei de nada, mas que o nariz do carro parece de borracha, parece.

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VETTEL, MASSA, FERRARI ETC

SÃO PAULO (muita fumaça) – A semana vai ser agitada. Amanhã a Ferrari deve anunciar oficialmente que Massa fica em 2013. Um encontro com Montezemolo, aquela coisa para inglês ver, está marcado em Maranello.

Ao mesmo tempo, esquenta a história de Vettel na Ferrari em 2014. Um contrato até já teria sido assinado. O presidente ferrarista, no entanto, diz que não vai colocar “dois galos no mesmo galinheiro”. E é, mesmo, o estilo da equipe. Ultimamente, essa coisa de dois pilotos de ponta sob o mesmo teto é coisa de McLaren, apenas.

Por fim, Hülkenberg e Gutierrez parece ser mesmo a dupla da Sauber para o ano que vem. Kobayashi está dançando.

Massa confirmado amanhã: acredito, vai acontecer.

Vettel na Ferrari com Alonso: duvido muito.

Kobayashi a pé: um pecado. Mas acho que alguém pega o japonês.

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FOTO DO DIA

É de ontem. Não parece que o Alonso vai dar um sopapo na cara do Vettel? O clique foi distribuído pelo serviço de imprensa da Ferrari.

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DAS SALSICHA (4)

SÃO PAULO (ridículo) – Puniram Vettel com 20 segundos no seu tempo total de corrida. Caiu de segundo para quinto. Button assume o segundo, Raikkonen vai para terceiro e Kobayashi fica em quarto.

Patética a punição. A F-1 tem se especializado em reprimir a boa pilotagem. Vettel não fez nada demais. Button espalhou na saída do grampo, ele foi para a área de escape, que tem aderência e permite certa tração, e acelerou. Acelerou, tracionou, passou. Qual o problema? Ele só foi parar na área de escape porque Button o jogou lá. Não foi uma opção. Era aquilo, ou bater.

Das punições mais idiotas de todos os tempos, essa aí. Aqui está a ultrapassagem. Se alguém viu algo de errado nela, por favor me diga o que foi. E antes que os arautos da legalidade (e tem tantos, na nossa jovem imprensa…) venham com o papo de que “passar por fora da pista não pode”, revejam Massa x Kubica em 2007, por exemplo, ou TODAS as largadas de Spa desde 1920. E tem Schumacher sobre Trulli na mesma curva em 2003 (achado do Capelli). Portanto, guardem os discursinhos legalistas para vocês. Aliás, me espanto com essa nova geração de jornalistas cagadores de regras. Eles se acham o máximo porque são capazes de encontrar o regulamento da F-1 na internet (oh) e de lê-lo, com seu inglês de CCAA ou do tradutor do Google.

Falta vida a essa molecada.

Depois refaço as contas da classificação. Só sei que foi ótimo para Alonso, que vê Sebastian ainda mais longe nos pontos. Para mim, o alemão é a única ameaça ao tri do espanhol. Não confio em Webber, embora ele continue na vice-liderança.

ATUALIZANDO…

Vettel deu suas explicações. Disse que Button estava por dentro e ele não sabia direito onde estava o inglês. “Resolvi dar espaço para ele e fui para a parte de fora da pista, onde tem a pintura, escorregadia, e consegui ficar à frente e passar. Minha única intenção foi não bater e dar espaço a ele. Respeito Jenson e não quis trapacear. Foi bom ir ao pódio na minha corrida de casa, mas tenho de respeitar a decisão dos comissários”, falou.

Bem, se Vettel não vai reclamar, não serei e a fazê-lo. Foda-se. Fodam-se todos.

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ESQUENTOU

SÃO PAULO (mas teremos de esperar) – Foi na semana passada mesmo que escrevi aqui que Vettel na Ferrari era falta de assunto da imprensa, para “suitar” uma informação de cunho especulativo e gerar uma ou outra manchete, porque afinal não somos de ferro, nós jornalistas, e nesse meio que absorve qualquer coisa, como a F-1, Vettel na Ferrari dá boas manchetes.

Mas estava só no diz-que-diz, e agora a informação tem nome, sobrenome e RG: é assinada pelo fratello Giorgio Terruzzi, dono dos mais longos cabelos e do olhar mais oblíquo da imprensa que cobre F-1 para a Itália, hoje no canal Mediaset.

Terruzzi é bem informado. E crava hoje que Vettel fechou com a Ferrari para assumir como parceiro de Alonso a partir de 2014. O despacho original está aqui. Seria um contrato de três anos, para já encaminhar a transição quando Fernando, o queridinho de Maranello, começar a pensar em parar.

Na hipótese de isso ter realmente acontecido, Massa ficaria mais um ano na Ferrari. Ou Webber. Alguém para esquentar o banco enquanto Seb não chega.

Tudo pode ser, e tudo pode não ser. Normalmente, na F-1, essas notícias de grande impacto são publicadas depois de um GP, para que os autores não se vejam numa situação delicada num autódromo diante dos desmentidos, todos inevitáveis, que serão feitos. Mesmo que a informação se confirme depois, ninguém fica constrangido de negar enquanto não for oficial. Mentira é o que mais rola na F-1.

Nos últimos anos, eu mesmo passei por vários episódios parecidos. Em meados de 1993, cravei Senna na Williams com alguma antecedência. Um monte de gente o fez, uns dias antes, uns dias depois. Os desmentidos perduraram até o anúncio oficial. Em 1999, eu (e muitos outros, mas lembro das minhas matérias, não das outras) publiquei em agosto que Barrichello tinha fechado com a Ferrari, com valor do contrato e tudo. Minha fonte era boa. Todos desmentiram. Algum tempo atrás, fizemos o mesmo no Grande Prêmio quando Rubens fechou com a Williams. Todos desmentiram. Depois tudo foi confirmado.

Onde há fumaça há fogo, é o que dizem, embora de vez em quando seja apenas um fogo fátuo. Cada um usa a informação que tem, e a publica com peso compatível com a confiança que tem nas fontes que consultou. Pode ser uma manchete barulhenta, bancando o “furo”, ou uma nota mais discreta de pé de página, aquelas nas quais sempre se encontram as expressões condicionais “fulano pode ter…” ou “cicrano deve anunciar…”. Terruzzi, como disse, é bem informado. Pode ser que Vettel não tenha assinado nada. Que tenha apenas conversado. Ou que não tenha conversado, nem assinado. Ou que já tenha conversado e assinado. Alguém, no entanto, disse isso a ele. É uma questão de confiar na fonte. Aguardemos. Mas que seria uma dupla do barulho, seria. E faz sentido, dada a urgência da Ferrari para recuperar a hegemonia perdida com a saída de Schumacher — o título de Raikkonen em 2007 foi meio ilusório, a McLaren entregou a taça aos italianos por pura burrice.

Resta saber o que a Red Bull pensa disso tudo.

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NAZOROPA (2)

SÃO PAULO (São Dida hoje) – Vettel sobrou na turma. Sacana. Iludiu todo mundo para que se achasse que havia um enorme equilíbrio em Valência. Fez parte da farsa do Q2, que separou 13 pilotos por meros 0s341. Isso mesmo. No Q2 do GP da Europa, Grosjean Garibaldo fez o melhor tempo com 1min38s439 (o melhor da semana) e o décimo, Koba-Mito, ficou 0s2 atrás. Alonso, Schumacher e Massa, que foram degolados impiedosamente, marcaram tempos 0s268, 0s331 e 0s341. Numa pista longa como a valenciana, é uma crueldade.

Só que no Q3 os sebastianistas deliraram com a entubada que Vettel deu no resto. Estava meio apertada, até, a disputa pela pole. Mas quando ele fez sua melhor volta, desbancando o novamente surpreendente Pastor Maldonado, foram quase 0s4 na lomba do venezuelano. Hamilton ainda tentou se aproximar, mas foi 0s324 mais lento. Ou seja, como diria Luciano Burti: no Q3, a diferença do primeiro para o segundo foi praticamente a mesma que separou o primeiro do 13° no Q2.

E o que isso tudo quer dizer? Que Vettel vai vencer amanhã, para reassumir a liderança do Mundial. Sem muita dificuldade, tornando-se o primeiro vencedor repetido da temporada. E quem saiu no maior prejuízo foi Alonsito, 11° no grid. A Ferrari, como se notou, ficou com os dois carros no Q2, algo que havia acontecido na Austrália despertando os mais apocalípticos vaticínios sobre Maranello, na ocasião: iria ser rebaixada para a Série B, teria de disputar a GP2, estaria atrás da Hispania para comprar seu chassi do ano passado… Mas é claro que a situação é outra, meses depois. No começo do Mundial, os carros vermelhos ficavam dois dias atrás dos mais rápidos. Agora, estão ali, no pau a pau, garimpando décimos. Não foi um desastre, pois. Apenas uma derrapada na curva.

Que outros deram, também, no ensolarado sábado valenciano, nessa pista bonitinha, mas ordinária. A Red Bull, por exemplo, com Webber. O canguru deprimido empacou no Q1 e larga em 19°. Aconteceu com ele algo parecido com o que vitimou Schumacher no Canadá: a asa móvel travou. No caso do alemão, em “mode on”, na corrida. No caso do australiano, em “mode off”, o que, por seus cálculos, lhe tirou 1s3 por volta. O próprio Schumacher também ficou no Q2, enquanto Rosberguinho, mais uma vez, flanava alegremente lá na frente. Para quem apostava nele como possível oitavo vitorioso do ano, baseado na pole (que não levou) de Mônaco, “das decepcionnen”. Senninha, idem. Maldonado arrebentando a boca del balón (primeiro colocado no Q1; terceiro no grid) entre os melhores, e o brasileiro pipocando lá atrás. Parte em 14°. Pérez, nosso Chapolin Colorado, bem nos treinos livres, mas mal na classificação, foi outro que ficou devendo. Também estacionou no Q2.

E aí vamos para os que se deram bem. Começando com a menção honrosa à Caterham de Kovalento, cada dia mais rápido, 16° no grid. Ó o cara, ó!

No top 10, a Lotus voltou a andar forte e com consistência, fazendo P4 e P5 com Garibaldo e Raikkonen. Lutará pelo pódio. Pela vitória, talvez, dependendo de como cada um vai se sair na administração da borracha. Maldonado, já citado, mas não custa reforçar, está na segunda fila ao lado do francês, em terceiro. A Williams, dada como morta depois de duas apresentações fracas em Mônaco e Montreal, provou que tem um carrinho decente para vários tipos de pistas e ocasiões. O primeiro-sobrinho está desperdiçando uma ótima chance de mostrar serviço, neste ano. O bolivariano, não. Cada vez mais ganha confiança e enfia o pé no pedal que deve, com vigor e competência, pátria, socialismo ou morte.

Foram bem os forceíndicos, com os dois no Q3, e deu uma ligeira melhorada Button, em nono. Nada de excepcional, mas se não fizer nenhuma burrada e o carro se comportar com alguma dignidade, é capaz de voltar à zona de pontos em posição interessante. Kobayashi, nem preciso dizer nada. Sétimo. Mito. Dá até anagrama.

Vettel fez sua terceira pole em Valência. Seguidinha. Terceira no ano. E 33ª na carreira. Isso, sim, é importante. Com 33, igualou Jim Clark e Alain Prost nas estatísticas. É o terceiro colocado na história. Levou 89 GPs para chegar lá. Agora, terá de remar muito para alcançar os dois primeiros da lista, Schumacher (68) e Senna (65). Mas é uma marca, sem-duvidamente, como diz o dono do boteco aqui embaixo, importante e que lhe dá mais um lugarzinho entre os maiores de todos os tempos desde que o mundo é mundo.

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