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PRIMEIRO DE MAIO

SÃO PAULO (ai jisuis) – É um verdadeiro pé no saco. Todo dia 1° de maio recebo algumas dezenas de e-mails intimidatórios. “E aí, não vai escrever nada do Senna?”.

Como se a cada 1° de maio, a partir de 1995, escrever sobre o Senna no aniversário de sua morte passasse a ser uma obrigação de quem porventura trabalha com automobilismo. Ou, ainda, de quem porventura estivesse em Imola naquele dia, como eu.

É claro que, 18 anos depois, o que tinha de falar e escrever já falei e escrevi, e estou-me tornando repetitivo, porque receio que já tenha me queixado disso antes, também — que nada mais tenho a dizer, nem a escrever, portanto não me encham.

Mas todo ano aparece alguma coisa sem pé nem cabeça para que os adoradores do martírio se deliciem. Agora é essa ilustração aí, que possivelmente é coisa velha, eu mesmo já tinha visto, mas que hoje chegou à minha caixa de e-mails em quantidade assustadora. “E se…?” geralmente é o que os remetentes colocam na janelinha de “assunto”, como a imaginar que eu vá abrir isso, dar um suspiro, parar tudo que estou fazendo, colocar o indicador e o polegar entre os olhos, abaixar a cabeça e passar alguns minutos em silêncio refletindo sobre esse “se”.

Oh, que puta sacada.

Poupem-me, fariseus. Negócio mais mórbido, isso sim. E se o quê? Se não tivesse morrido? Seria ótimo. Uma tragédia a menos para a conta. Punto, basta. “Ah, ele seria decacampeão mundial, Schumacher ia ver só, o Brasil se tornaria uma potência, nossos pecados estariam todos remidos, ele seria presidente da República, ou papa, talvez.” Ninguém me mandou mensagem nenhuma com esse teor, apenas fiz uma colagem. Elas chegaram avulsas, um pedaço em cada uma. Vão pingar aí nos comentários, também. Parece que o Reginaldo Leme fez um exercício desses na revista “Alfa” do mês passado, mas não vi. Não tenho ideia do quê escreveu. Depois leio. Tenho até medo. Não do Regi, mas do resultado. É muito delicado especular sobre essas coisas, ainda mais quando se trata de alguém como Senna, de quem, no Brasil, é proibido não simplesmente falar mal, afinal nem há tanta coisa má para falar, mas é terminantemente proibido não falar bem o tempo todo e não ser fã e não tê-lo como ídolo, exemplo, inspirador.

Mas se alguém quer ir além do que acho que seria o resultado da não-morte de Senna, OK, podemos ir. Ele poderia virar político, por exemplo, o que seria uma desgraça dadas suas posições expressas em vários momentos — conservador ao extremo, Ayrton era um admirador de Paulo Maluf, entre outros expoentes da época. Casaria com Adriane Galisteu? Pode ser, o que nos pouparia dos programas chatos que essa moça apresenta na TV. Teria filhos? Talvez, e coitados deles se resolvessem correr de carro. E a segurança na F-1? Talvez não melhorasse tanto quanto melhorou a partir de seu acidente — o último fatal na categoria, que jamais experimentou período tão longo sem morte de pilotos.

A canonização informal de Senna, se ele sobrevivesse, é dúvida para este que vos escreve. Quando alguém morre da maneira como ele morreu, e é considerado um herói nacional, embora fosse apenas um piloto de corrida, a tendência é mesmo virar santo. Vivo, não sei como seria. Talvez cometesse deslizes pessoais, se envolvesse em escândalos financeiros, fosse acusado de engravidar alguma menina numa aventura por aí, poderia ser pego numa blitz da Lei Seca, se embrenhar em aventuras noturnas com o Ronaldo Fenômeno, sonegar Imposto de Renda, ser amigo do Carlinhos Cachoeira, quem sabe o que poderia acontecer?

Não há mal nenhum em ter um ídolo, cultivar sua memória, exaltar seus feitos, se emocionar com eles. O que me irrita um pouco quando se fala em Ayrton Senna é essa mania de atribuir a ele a exclusividade das virtudes: um exemplo de superação, humilde, batalhador, não desistia nunca, perseverante, guerreiro, temente a Deus, bom filho, patriota e blablablá.

Sempre digo: era apenas um piloto de carros, dos melhores, diga-se, com suas qualidades e defeitos, como todos nós. Não foi um mártir, alguém que morreu na cruz para redimir nossos pecados. Mesmo sobre o da cruz há muitas controvérsias, portanto devagar com o andor que os santos, todos, são de barro.

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O “PÉREZ” DE 1993

SÃO PAULO (mas os meus cabelos…) - Matéria do “Fantástico”, sóbria e sem afetação, na noite do GP da Europa de 1993, em Donington. Dá até para entender a corrida… A vitória de Senna foi espetacular. Mas o tom laudatório que se vê hoje a qualquer vitória brasileira em qualquer esporte era bem mais contido. E como lembra o Denisson Gervásio, que mandou o vídeo, Barrichello, por pouco, não terminou aquela prova em terceiro. Aliás, coloco essa entre as cinco maiores corridas de Rubens na F-1. E aos 4min54s, no canto inferior direito, aparece a testa deste que vos bloga.

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BRUNO EM 1991

SÃO PAULO (deu por hoje) – Legal o vídeo que o Denisson Gervásio, assíduo colaborador deste blog, mandou. É uma matéria do Otávio Mesquita na inauguração do kartódromo de Ayrton Senna em Tatuí. Foi em 1991. E tem uma entrevista engraçadinha com o Bruno. Até eu apareço no vídeo, aos 4min22s, por mais ou menos três décimos de segundo. Mas sou eu, ali, anotando as coisas para minha matéria para a “Folha”, na época. Ainda tenho a credencial daquele evento.

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£750,000

SÃO PAULO (bom preço?) – Lembram quando a gente falou aqui da Toleman do Senna que vai a leilão? Estão falando em 750 mil libras, o que dá mais ou menos 2,3 milhões de brasílicos. Provavelmente menos do que o Eike Batista vai gastar com os advogados de Thor.

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QUANTO VALE?

SÃO PAULO (sem mais detalhes) – Parece que a Toleman que Senna dirigiu em Mônaco em 1984 vai a leilão. A matéria da “Car Magazine” não diz quando, nem faz estimativas sobre o valor que pode ser alcançado, mas vale a curiosidade. Segundo o texto, o carro esteve por 16 anos na mão de um colecionador. Muita gente diz que era um carro ruim, mas não era bem assim. E sempre achei esse modelo bem bonito.

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TODOS OS CARROS

SÃO PAULO (Roger Hodgson faz anos hoje) – Olha aí o que encontrei no Facebook. O Ararê, conhecido artista e ilustrador que vira e mexe pinga aqui no blog, está vendendo um pôster com todos os carros que o aniversariante Ayrton Senna guiou na F-1. Para quem se interessar, o site do Ararê é este aqui. Ele tem também do Emerson e do Piquet, além de centenas de outros trabalhos com carros e corridas como tema principal. Boa dica.

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SCHUMACHER & SENNA

SÃO PAULO (sempre importante) – Schumacher falando de Senna não é toda hora. Recebi um press-release agora do Instituto Ayrton Senna, que faz uma campanha chamada “Senna Tri”, para lembrar as três conquistas do brasileiro. Internautas mandaram perguntas sobre ele para que figuras como Schumacher e Hamilton respondessem. As respostas do alemão estão abaixo e nestes vídeos aqui. Reproduzo na íntegra o material que me enviaram, destacando a última pergunta — Michael diz que sua maior vitória sobre Ayrton foi no Brasil em 1994, “orgulhoso por tê-lo vencido em sua própria casa”.

Em 1992, Michael Schumacher era novato na Fórmula 1. Jovem promissor, estava em seu segundo ano na principal categoria do automobilismo, e queria mostrar serviço. Ayrton Senna, já tricampeão mundial, era o principal alvo do alemão. A rivalidade gerou um episódio polêmico, que até hoje intriga fãs do esporte a motor. No GP da França, os dois se chocaram e saíram da corrida, e o brasileiro chamou o adversário para uma conversa em particular, sem a presença da imprensa.

O teor do rápido bate-papo foi revelado pelo alemão em vídeo especialmente gravado para a campanha ‘Senna Tri. Uma conquista inspira a outra’, do Instituto Ayrton Senna em parceria com a JWT.

“A culpa pelo que aconteceu ali foi minha. Como já tínhamos tido algumas discussões no início daquele ano, e eu havia reclamado não só para ele, mas também para a mídia, o principal motivo de ele ter vindo falar comigo foi para pedir que, se tivéssemos algum problema no futuro, deveríamos conversar pessoalmente, e não reclamar para a imprensa. E ele estava certo: nem tudo pertence à mídia”, disse o alemão.

No vídeo, Schumacher respondeu as cinco melhores perguntas enviadas pelos fãs do brasileiro (veja abaixo a transcrição) por meio das redes sociais, e fez algumas outras declarações interessantes.

O heptacampeão mundial de Fórmula 1 afirmou ter aprendido muito com Senna. “A forma como usava o acelerador era especial, se adaptava a qualquer circunstância, era mestre nisso. Observá-lo me ajudou muito.”

Ana Carolina – Sua admiração por Ayrton Senna surgiu de que forma? O que havia nele que chamava a sua atenção? O que o tornava merecedor de tanto prestígio e admiração? Como ele influenciou você?
Schumacher: Oi Ana, a primeira vez que vi o Ayrton foi no início da década de 80, acho que foi em 1980, em Nürburgring, em uma corrida de Kart. Ele brigava pela quinta posição, ou seja, nem estava na frente. Mas a forma como brigava pela sua posição era incrível. Era contra um piloto alemão, Bertzen, que eu conhecia muito bem. A forma como o Ayrton ultrapassava e manobrava era incrível e era muito bom vê-lo pilotar.

Raí Caldato – De 1991 a 1994, você e o Ayrton dividiram as pistas, correndo e treinando juntos. Existe alguma coisa que você aprendeu com ele e incorporou ao seu estilo de pilotagem?
Schumacher: Oi Raí. Certamente, uma das coisas mais importantes é observar os pilotos, principalmente os melhores, e o Ayrton, sem dúvida, era um deles. Observar seu estilo de pilotar era muito especial, mesmo antes de eu chegar à Fórmula 1, nos velhos tempos. Porque a forma como ele usava o acelerador era muito especial, e eu aprendi muito sobre a maneira de se adaptar a qualquer circunstância, a qualquer momento. Ayrton era mestre nisso e, sem dúvida alguma, observar isso me ajudou muito.

Pablo Melo – Você e Senna se chocaram no GP da França de 1992. Houve então uma conversa entre vocês e Senna não deixou os repórteres chegarem perto. Gostaria de saber o que ele falou com você e o que aquela conversa afetou na sua carreira?
Schumacher: Oi Pablo. Bem, 1992, em Magny Cours, foi sim uma discussão interessante. Sem dúvida, a culpa pelo que aconteceu ali foi minha. Como já tínhamos tido algumas discussões no início daquele ano, e eu havia reclamado não só para ele, mas também para a mídia, o principal motivo de ele ter vindo falar comigo foi para pedir que, se tivéssemos algum problema no futuro, deveríamos conversar pessoalmente, e não reclamar para a imprensa. E ele estava certo: nem tudo pertence à mídia.

Alex B. Carrilio – Após vencer o GP de Monza de 200, você chorou ao conseguir quebrar o recorde de vitórias de Senna. Qual a emoção e a importância desse momento para você?
Schumacher: Oi Alex. Monza 2000 foi, sem dúvida, um momento muito importante. Igualar tempos, recordes, era muito importante para mim. E foi por isso que naquele dia eu não consegui controlar minhas emoções. Afinal de contas, ele era um ídolo para todos nós. Eu o conhecia desde a época das corridas de Kart, competi com ele e, finalmente, após a sua tragédia, igualar seus recordes, significou muito para mim.

Milton Vergani – Se fosse possível uma corrida entre você e Senna, qual circuito você escolheria? Qual carro de F1 você escolheria para vocês dois usarem?
Schumacher: Oi Milton. Uma das corridas, e acho que isso responde sua pergunta, foi o GP do Brasil de 1994, nós dois tínhamos carros excelentes. E a briga que tivemos na pista foi muito intensa e afiada, e eu acabei sendo o feliz vencedor daquela corrida. Acho que o Ayrton chegou a rodar e, sim, fiquei muito orgulhoso por tê-lo derrotado, correndo na sua própria casa e por vencer a corrida.

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PÓDIO

SÃO PAULO (viram?) – O documentário “Senna” foi premiado ontem na Inglaterra. Não é um Oscar, mas a premiação da Bafta é bem importante. Não sei se é uma impressão falsa, mas acho que o filme, aqui, não teve o impacto que muita gente esperava quando foi lançado, no final do ano retrasado. Eu acabei não vendo no cinema, mas comprei o DVD. Ou ganhei, sei lá. Achei bom, não espetacular. Mas o fato é que a história parece ter feito mais sucesso na Europa que aqui.

Motivos? Talvez o fato de que já se vão quase 18 anos do acidente de Imola. Quem tem 20 anos de idade, hoje, só sabe da existência de Senna porque alguém contou ou se foi atrás de vídeos no YouTube. E ele morreu quando ainda não havia internet (sim, meninos e meninas, houve um tempo na história da humanidade em que não existia a internet; foi até 1995, mais ou menos).

De qualquer modo, recomendo a quem ainda não assistiu. Apesar do jeitão “herói-contra-tudo-e-contra-todos”, é razoavelmente fiel aos fatos e tem imagens muito legais. Além do mais, o cara era um baita piloto. E ver pilotos bons guiando, para quem gosta, é sempre gostoso.

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1986 x 2011

SÃO PAULO (bye, Edno) – Já viram isso aqui? On-board na Lotus de Senna em 1986 e no Red Bull de Vettel em 2011, em Mônaco, para comparações. A diferença de tempo é brutal. Mas o cara que fez o vídeo chutou um pouco, no final, quando falou em mais de 20s. É mais interessante, este vídeo, pelas diferenças de pilotagem, mesmo, e de equilíbrio dos carros. Quanto aos tempos, a pole de 1986 foi de Prost em 1min22s627. Vettel, no ano passado, fez a pole em 1min13s556, cerca de 9s mais rápido. A melhor volta da corrida 25 anos atrás, também de Prost, 1min26s607. Ano passado, Webber cravou 1min16s234. Mas vale pela curiosidade.

Ah, não sei quem mandou, sorry.

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FIM DE FEIRA (3)

SÃO PAULO (igual que nem) – Rubens Barrichello postou na sua conta no Twitter a foto do capacete que vai usar em Interlagos. “Uma homenagem ao nosso grande Senna e ao meu velho amigo Sid Mosca”, escreveu o piloto no microblog. Em 1995, no primeiro GP do Brasil depois da morte de Senna, Rubens usou um bem parecido (no destaque).

Foto Reprodução Twitter

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TRI, 20

SÃO PAULO (e assim se passaram…) – Diz a lenda que Mansell, quando entrou na reta, disse a seu engenheiro, pelo rádio: “I’m cruising, guys”. Era a abertura da décima volta do GP do Japão naquele 20 de outubro de 1991. Céu de brigadeiro para o inglês, que estava atrás da dupla da McLaren, o “coelho” Berger e Senna logo atrás. A Williams, àquela altura, já tinha um carro melhor que os rivais. A vitória era possível, sair de Suzuka com chances de ganhar o Mundial era uma possibilidade concreta. A superioridade dos carros de outro planeta seria plenamente confirmada no ano seguinte, com um massacre do Leão.

A corrida era longa e Mansell tinha tempo para atacar, por isso fez questão de dizer à equipe que estava tudo bem, era só comecinho de prova e o ritmo era bom. Mas segundos depois de tranquilizar o time pelo rádio foi parar na brita, em mais uma de suas trapalhadas. E Senna faturou o tri sem ter de enfrentar o assédio de Nigel.

Depois, passou Berger e, na última volta, entregou a posição ao escudeiro a pedido da equipe. Foi o momento do famoso “eu sabia!” de Galvão Bueno. Ayrton não gostou muito da história de deixar o outro ganhar, mas tudo bem. Com seis vitórias na temporada, quatro delas num arrasador início de campeonato, já tinha assegurado o título. A reação de Mansell dera-se a partir da metade do ano, depois de um começo desastroso, zerado nas três primeiras etapas. Sair perdendo de 30 a 0 não era mesmo muito animador. Chegar às últimas provas lutando pelo título era quase lucro.

Hoje faz 20 anos que um piloto brasileiro ganhou um campeonato do mundo. De lá para cá foram três vices, dois de Barrichello e um de Massa, tudo na Ferrari. Mas apenas uma briga direta, com Felipe em 2008 — Rubens nunca lutou verdadeiramente pelo título, nem com Schumacher, nem com Button, apesar de ter um carro que nas mãos do companheiro foi campeão.

Duas décadas sem uma taça é algo que, claro, tem alguma explicação. Ainda mais quando tal jejum se segue a um período de 20 anos de muito sucesso, com oito conquistas entre 1972 e 1991 e outros tantos vices (quantos, mesmo? Acho que seis, mas estou com preguiça de procurar). A explicação é óbvia: o automobilismo nacional acabou, internamente não temos nada que preste, os autódromos viraram ruínas, os dirigentes se preocupam com coquetéis e carteirinhas.

Quando vai aparecer um novo Senna?, é o que mais ouço de transeuntes que não ligam muito para corridas mas aguardam ansiosos por alguém que alegre nossas manhãs de domingo para que possam voltar a ligar para as corridas. Não há nada no horizonte, respondo, sem me estender muito. Porque se tiver de elaborar uma resposta mais detalhada, terei de dizer que não só não existe um novo Senna no horizonte, como também não há um novo Rubinho, ou um novo Massa. No horizonte do automobilismo brasileiro não há nada, para ser sincero.

Senna foi um dos grandes e esse título de 1991 foi o mais fácil dos três que conquistou. No vídeo acima gosto especialmente do finzinho, quando outros carros chegam no brasileiro na volta de retorno aos boxes e, respeitosamente, escoltam a McLaren do novo tricampeão. Pilotos, por mais que todos se achem melhores que os outros, respeitam aqueles que julgam especiais.

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1991

SÃO PAULO (voou) - Daqui a exatamente uma semana o terceiro título de Ayrton Senna, último de um piloto brasileiro na F-1, completa 20 anos. A “Autosport” inglesa está fazendo um certo barulho por ter colocado no ar, depoius de tanto tempo, o vídeo da entrevista de Senna com o lendário Murray Walker na festa de premiação da revista no final daquela temporada. A entrevista em si não tem nada demais, nenhuma revelação bombástica — exceto a historinha de ter dado um capacete de presente a Balestre —, mas se observada com atenção mostra como Ayrton era respeitado na Inglaterra e como seu carisma e timidez exerciam um poder raro mesmo sobre audiências acostumadas a conviver com grandes nomes das pistas. Vale como documento histórico.

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SENNA E VETTEL

SÃO PAULO (o tempo é o senhor…) – No dia 14 de setembro de 2008, quando Vettel ganhou o GP da Itália, escrevi que a vitória de Monza já era mais do que o que Senna fizera em 1984 com o segundo lugar em Mônaco. Está neste post aqui, perdido no tempo. As reações de alguns leitores/blogueiros foram tão histéricas que me levaram a escrever este outro post aqui, dois dias depois. Basicamente, eu perguntava: posso achar Monza/08 uma façanha maior que Mônaco/84?

Mais uma saraivada de impropérios e sennistas se oferecendo para sugerir ao papa minha excomunhão.

Três anos depois, Vettel, com a mesma idade que Senna tinha quando estreou na F-1, porque naqueles tempos alguns degraus eram necessários e se começava mais tarde, tem dois títulos mundiais e mais um monte de números impressionantes em suas estatísticas.

Sebastian deve acumular outros tantos, tem uma longa carreira pela frente e vai inscrever muito em breve seu nome entre os maiores de todos os tempos. Como começou outro dia, muita gente ainda reluta um pouco em fazer isso. Eu já coloco fácil, porque ninguém domina um campeonato com tamanha autoridade se não for um desses caras especiais. “Ah, mas corre contra ninguém, Senna correu com Piquet, Mansell e Prost!”, bradarão os mais bobos. “Ah, mas Vettel tem o melhor carro, essa Red Bull!”, bradarão outros bobos. É, a McLaren de Ayrton era bem ruim.

Como esse papo não me pega, nunca pegou, digo apenas que Senna gostaria de ser comparado ao menino.

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SENNA & PROST VERSÃO 2011

SÃO PAULO (menos…) - Jenson Button fez uma interessante comparação da dupla atual da McLaren, ele e Hamilton, com a mais explosiva de todos os tempos, Senna & Prost, que dividiram os boxes maclarianos por duas temporadas, em 1988 e 1989.

Para Button, ele faz o papel do francês, mais cerebral e conservador, e Lewis é a reencarnação de Ayrton, aguerrido, atirado, combativo.

Faz algum sentido, embora ambos, Button e Hamilton, ainda tenham de comer bastante feijão para alcançar aquilo que Senna e Prost conseguiram. É até covardia comparar os números:

SENNA + PROST
92 vitórias
186 pódios
98 poles
60 melhores voltas
7 títulos

HAMILTON + BUTTON
27 vitórias
76 pódios
25 poles
14 melhores voltas
2 títulos

Claro que os dois ainda têm muita estrada pela frente, mas é difícil imaginar que cheguem tão longe. De qualquer forma, é louvável a política da McLaren de procurar ter sempre bons pilotos e liberá-los para competir. Do ponto de vista “corporativo”, pode não dar certo sempre. Mas do ponto de vista esportivo, sem aspas, pode-se dizer que é disso que o povo gosta.

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PARADOXO HÚNGARO

SÃO PAULO (história velha, mas boa) - O GP da Hungria não tem ultrapassagens, mas foi lá que aconteceu a maior de todos os tempos. É o tema da coluna Warm Up de hoje.

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UM DIA COM SENNA

SÃO PAULO (ótimo) - Este vídeo vale mais do que o documentário inteiro sobre Senna, do ponto de vista da rotina de box, da competição propriamente dita. Está no canal de Pétricus Portiglius no YouTube e foi enviado pelo Felipe Silva. Trata-se de um resumo de um dia em Monza, as discussões com Giorgio Ascanelli, as decisões que têm de ser tomadas, um certo desânimo do piloto… Tudo da temporada 1993, sua última na McLaren. Um ano tumultuado, mas um dos melhores de Ayrton na F-1, com cinco vitórias diante de uma Williams imbatível.

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O LEGADO DE SENNA

SÃO PAULO (definitiva) - Acho que ninguém tinha feito trabalho tão completo sobre o legado de Senna para o automobilismo brasileiro. A Revista WARM UP foi a campo e fez, para tentar entender o que aconteceu no país depois de sua morte, 17 anos atrás.

A reportagem assinada por várias mãos e cabeças da turma do Grande Prêmio está aqui.

Mais um gol de placa, sem fala modéstia.

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COLUNA SÊNNICA

SÃO PAULO (tá virando hábito) - Um tapinha aqui e outro ali no texto que já publiquei no blog, e a coluna de hoje é sobre as declarações de Newey sobre o acidente de Senna. Para ler, aqui. Era, mesmo, o assunto mais importante da semana.

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PALAVRA DE NEWEY

SÃO PAULO (de quem estava lá) – As declarações de Adrian Newey ao “The Guardian” jogam novos elementos na discussão sobre as causas do acidente que matou Ayrton Senna. Ele fala num pneu furado, o direito traseiro. Foi hipótese cogitada na época, assim como uma quebra de suspensão e, depois, de acordo com a perícia, a quebra da coluna de direção no ponto onde fora soldada a pedido do piloto (que gostava de um volante maior e, por isso, a coluna teve sua posição alterada, sendo necessária uma emenda meio porca). Falou-se também em suicídio e ataque cardíaco. Falou-se de tudo.

Claro que na Williams alguém deve saber exatamente o que aconteceu. Não é muito difícil, com os recursos de telemetria que já na época estavam disponíveis, estabelecer a sequência de eventos que levaram à batida. Que a coluna quebrou, todos sabem e viram. Mas foi antes da pancada no muro? Depois?

Newey, projetista do carro, é um desses que devem conhecer a verdade, ou algo próximo dela. Por que, 17 anos depois, vem à tona a história do pneu que furou, ou perdeu pressão atrás do lerdo e estreante safety-car?

Não sei. Talvez porque o repórter tenha perguntado. Newey não tem cara de mentiroso. Talvez tenha dado uma pista sobre a verdade que nunca ninguém lhe perguntou.

Eu ouvi várias dessas verdades. Lá por 1995 ou 1996, estava hospedado no mesmo hotel que Emanuelle Pirro, ex-piloto que fez parte da equipe que redigiu o relatório final sobre as causas do acidente. A gente estava em Malmedy, na Bélgica, num conjunto de chalés onde muita gente se hospedava. De noite, enchíamos a cara de cerveja belga e jogávamos ping-pong e sinuca. Numa dessas noitadas, fiquei horas falando com Pirro. Ele me contou, depois de algumas dezenas de Mort Subite (procurem no Google), que a perícia estava chegando à seguinte resposta: a Williams teria um sistema de direção hidráulica controlada eletronicamente que era proibido naquele ano. O sistema entrou em pane, o carro perdeu o controle  e Senna arrebentou a coluna de direção no braço.

Não sabia se dava muito crédito àquilo, depois de uma noitada de cerveja, tabaco e jogatina. Foi com aquela verdade que fui dormir naquela noite no meu chalé gelado nas Ardènnes. Hoje, adormecerei com essa do pneu que furou. Amanhã, quem sabe?

Um dia alguém conta o que aconteceu.

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ONE QUESTION

Será que é possível descobrir qual o destino desse carro? Quem mandou a foto foi o Alexandre Santiago.

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