- Publicidade
Perfil
Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo na FAAP. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. Desde 2005 é comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março deste ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2007 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de "Meianov".
SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSBusca no Blog
Arquivos
Twitter
Facebook
Tags
Alonso Audi Barrichello BMW Brasília Brawn Bruno Senna Button CBA DKW eleições 2010 enche o tanque Ferrari FIA Fusca Hamilton Honda Interlagos Interlagos em pingos Jacarepaguá Kombi Lada Limite Londrina Lotus Massa McLaren Meianov Mercedes Nelsinho Piquet Porsche Portuguesa Raikkonen Red Bull Renault SAAB Schumacher Senna Spa Trabant Vettel VW Webber WilliamsCategorias
- #69
- #96 pelo mundo
- #96, Superclassic, farnéis
- A1GP
- Álbum sobre rodas
- Antigos em geral
- Arquitetura & urbanismo
- Arte
- Autódromos
- Automobilismo brasileiro
- Automobilismo internacional
- Baú do Sidney
- bicicletas
- Blog
- Brasil
- Brinquedos
- Bus Stop
- Caminhões
- Carros
- Carros que eu gosto
- Cars & boys
- Cars & girls
- Cinema
- Classic Cup
- Colunas Apex
- Colunas Grand Prix
- Colunas Muy Bueno
- Colunas Retrovisor
- Colunas Warm Up
- Comes & bebes
- Corridas de clássicos
- Cultura
- De papel
- decalques
- Diários de viagem
- Dica do dia
- DKW & cia.
- Encontros
- Enigmas & desafios
- ESPN Brasil
- Esquisitices
- F-1
- Foto do dia
- Frase do dia
- Fusca & cia.
- Futebol
- Gira mondo
- Gomes
- GP2
- Grande Prêmio
- Imprensa
- Indústria automobilística
- Indy, IRL, ChampCar…
- InfoRace
- Kart
- Kombi & cia.
- Ladaland
- Lambretta & cia.
- Legião urbana
- Literatura
- Meu calhambeque
- Meus velhos papéis
- Miniaturas
- Moda
- MotoGP
- Motoland
- Mr. Postman
- MUG
- Museus & coleções
- Nas asas
- No comments
- One comment
- One question
- Pais & Filhos
- Pequim 2008
- Prende eu
- Publicidade
- Rádio Blog
- Rádio GP
- Rali
- Sem categoria
- Stock Car
- táxi
- Tecnologia
- Televisão
- Turismo
- TV GP
- Veloz HP
- Vídeos
Links
- A Mil por Hora
- Blog da Copa (2010)
- Blog do Capelli
- Blog do Fábio Seixas
- Blog do Mahar
- Blog do Saloma
- Blog Victal
- Bruno Mantovani
- Classic Cup
- Cortina de Ferro
- Diário Motorsport
- F1 Corradi
- Garagem do Bellote
- Grande Prêmio
- Irmão do Décio
- Maurício Morais
- Mestre Joca
- Minis no Mundo
- Motorsport in Angola
- PandiniGP
- Truta Photos
- VelocidadeOnLine
- World of Motorsport
-
Tópicos recentes
- VÊ SE EU TÔ NA ESQUINA (2)
- BETÃO
- PRESENTÃO
- ONE COMMENT
- PRA COMEÇAR O DIA
- TÁ CHEGANDO…
- ASA MÓVEL
- VÊ SE EU TÔ NA ESQUINA (1)
- MÔNACO, 1993
- FOTO DO DIA
- TWEET-GHIA
- CEVERT DANS LA TÊTE
- MEIANOV NA PISTA
- ENCHE O TANQUE
- FOTO DO DIA
- NO COMMENTS
- FUSCA DO DIA
- ILESAS
- DE CHORAR
- FALA MUITO
- CARRO DA FIRMA
- ALI E A PUMA
- ONE COMMENT
- VAI VIRAR?
- FOTO DO DIA
- SALVADÔ
- LE MÃ
- DESAFIO DO DIA
- GIRA MONDO, GIRA
- SIR COLIN
Arquivo da tag: Senna
MÔNACO, 1993
SÃO PAULO (feliz Dia da Tartaruga) – Hoje, 23 de maio, faz 20 anos da última vitória de Ayrton Senna em Mônaco. Foi a sexta, quinta seguida. Ele venceu em 1987 com a Lotus e de 1989 a 1993 direto e reto com a McLaren. Poderiam ser sete não fosse a célebre batida no guard-rail em 1988, quando estava um ano na frente de Prost, desconcentrou-se e deu a panca besta na entrada do túnel. Ficou tão puto que nem para os boxes voltou. Atravessou a rua e foi para casa, já que tinha um apartamento ali perto. Diz a lenda que irrompeu pela porta, surpreendeu a empregada e pediu para ela fazer o almoço.
Nessa corrida de 1993, Senna quebrou um recorde que já durava 24 anos, a incrível marca de cinco vitórias de Graham Hill no Principado. É, até hoje, quem mais ganhou nas ruas de Monte Carlos. Schumacher chegou perto, com cinco. Curiosamente, um dos adversários do brasileiro naquela corrida era justamente o filho de Hill, Damon, então piloto da Williams. Terminou em segundo, quase um minuto atrás de Ayrton. Alesi, o terceiro, cruzou a linha mais de um minuto depois do carro vermelho e branco. Prost, o quarto, uma volta atrás.
Damon foi um lorde ao falar sobre a marca atingida pelo rival. “É um tributo para meu pai que alguém do calibre de Senna tenha batido seu recorde. Tenho certeza que se ele estivesse aqui seria o primeiro a cumprimentá-lo”, falou. Graham Hill morrera em 1975, num acidente aéreo.
Como se vê, esse GP de Mônaco, exceto pelo recorde histórico, esteve longe de ser um dos mais emocionantes de todos os tempos. Muito pelo contrário. Prost, o favorito absoluto, estava na pole e queimou a largada. Quando pagou o stop & go, teve a manha de deixar o carro morrer duas vezes. Perdeu 21 posições e mesmo assim terminou em quarto, tamanha a superioridade da Williams sobre os demais naquele ano — ele conquistaria o tetra com o pé nas costas em Portugal, no fim de semana em que anunciaria sua aposentadoria. Schumacher, na Benetton, assumiu a liderança quando Alain foi para os boxes, mas quebrou. Assim, a vitória caiu no colo de Senna, que não precisou passar ninguém.
Eu estava nessa corrida e fui dar uma olhada no que escrevi no jornal naquele dia. A cobertura foi modesta, até, para os padrões da época. Apenas duas páginas com oito textos, quatro fotos e uma arte. Está aqui, para quem quiser ler. Senna tinha batido forte nos treinos de quinta-feira e machucou a mão esquerda. Correu o risco de não participar da prova, mas no fim das contas não sentiu dores especialmente impeditivas. Na entrevista depois da corrida, tirou uma onda de Prost e disse que o francês vivia queimando largadas na época da McLaren. “Isso me incomodava muito e ele sempre conseguia escapar da penalização. E hoje, na terra dele, teve que pagar.”
Bom lembrar que Senna não era muito fã dos dirigentes da FIA e da FISA. Não perdia uma chance de espetar as entidades, com as quais vivia às turras desde a desclassificação no GP do Japão de 1989.
Depois, quando perguntamos a ele sobre os infortúnios de Prost e Schumacher, Ayrton nos interrompeu bruscamente e disse: “Acredito em Deus, não em sorte”. Por fim, recusou-se a falar da polêmica de então, o uso de motores Ford de última geração pela Benetton, em detrimento da McLaren, que tinha unidades menos potentes: “Não sei, não me interessa, esse é um assunto que já me encheu o saco”.
Sim, meninos e meninas, Senna dizia “encheu o saco”. Parece incrível, não? Afinal, santos não deveriam ser assim tão… humanos. Pois é, Ayrton era humano. Se alegrava, se irritava e pilotava carros de corrida. Ainda bem. Mas não vou ficar aqui teorizando sobre sua personalidade tão distorcida pelos anos. Prefiro dar um link para vocês. Este texto foi escrito por um professor de História da UEG chamado Ademir Luiz e publicado no site “Jornal Opção”, de Goiás. Não conhecia. Foi escrito em 2011, quando do lançamento do documentário sobre a vida de Senna.
O texto é enorme, mas é o melhor que já li sobre o assunto. Por “assunto”, entenda-se Ayrton Senna e tudo que se criou em torno de seu nome. Leiam, que vale muito a pena. O autor conhece Fórmula 1 — comete um ou outro errinho factual, como o ano do acidente de Niki Lauda. Entende de cinema (uma crítica ao filme é o pontapé inicial do artigo) e exercita o rigor que historiadores costumam ter quando rabiscam qualquer coisa.
Pelo escasso número de comentários, acho que pouca gente leu. Ainda é tempo. O bom da internet é isso. As coisas estão aí para ser lidas, a qualquer tempo.
Tags: 1993, Mônaco, Senna
280 comentários
FOTO DO DIA
SÃO PAULO (dois tempos, vejam só…) – Eu tinha guardado essa aqui para ontem por causa da Vespinha e acabei esquecendo. Para quem não lembra, nos anos 80 neguinho fazia a pole e levava uma motoneta da Piaggio para casa. Senna montou uma enorme coleção. Não sei o que fez com elas…
Tags: Monza, Piaggio, Senna, Vespa
59 comentários
“BELO E SERENO”
SÃO PAULO (como todos) – Em maio de 2004, no décimo aniversário da morte de Ayrton Senna (hoje faz 19; o tempo passa, o tempo voa e nem poupança do Bamerindus tenho mais…), fui atrás da médica Maria Teresa Fiandri. Foi ela quem recebeu o piloto no Hospital Maggiore de Bolonha. Queria conversar com ela sobre o acidente, sobre aquele domingo, sobre os dias seguintes à tragédia.
Era uma dívida que tinha comigo mesmo. Na semana do acidente, foi a única pessoa que quis muito entrevistar e não consegui. Entre outras coisas porque me demiti do jornal. E, de certa forma, ela foi a grande responsável por umas das matérias mais importantes que fiz, minha última na “Folha”. Porque a forma que imaginei para chegar a ela passava por encontrar uma antiga namorada que eu sabia que tinha voltado à Itália, 13 anos antes, para estudar medicina em Bolonha. Encontrei essa ex-namorada procurando a doutora Fiandri. Cristina, o nome dela, tinha se formado em Bolonha e trabalhava como médica legal. Fez parte da equipe que realizou a autópsia em Senna. E me contou muita coisa sobre a morte, o estado do piloto, detalhes que só mesmo quem chegou muito perto teria condições de relatar.
Foi uma boa entrevista, essa com a doutora Fiandri dez anos depois. Mas, curiosamente, meu gravador não funcionou. Tenho problemas com gravadores quando se trata do Senna. Ainda em 1994, eu e o Nilson Cesar, então meu colega de Jovem Pan, fomos à quinta perto do Estoril onde estava vivendo Adriane Galisteu. A casa pertencia ao Braguinha, empresário conhecido, ex-presidente do Bradesco, muito amigo de Senna e tal. Adriane ficou lá por meses depois da morte do namorado.
Era a primeira vez que a namorada de Ayrton falava após o acidente e fizemos ao vivo, por telefone, durante o programa “São Paulo Agora”, da Pan. Era semana do GP de Portugal. Ficou ótima e está gravada nos arquivos da rádio, possivelmente. Mas eu também gravei. Coloquei o gravador ali do lado, play e REC e vamos embora. Quando terminamos, entramos no carro e eu disse ao Nilson: vamos escutar pra ver se ficou legal. Coloquei no toca-fitas, estava tudo OK, boa tarde ouvintes, estamos aqui em tal lugar e tal, começo, primeira pergunta, segunda e, de repente, silêncio total. Por alguma razão, o bendito gravador parou de gravar. Nunca vou entender essa porra. Fiz todos os testes e estava funcionando direitinho. Mas não gravou a Adriane na quinta de Portugal. Só o começo.
Com a doutora Fiandri foi parecido. O Fábio Seixas estava comigo e deve lembrar de mais detalhes. Ou o gravador não funcionou, ou eu apertei o botão errado, ou esqueci de levar um gravador. Só sei que não gravei. Por sorte, anotei as respostas num bloquinho. E, também curiosamente, elas estavam muito bem gravadas na minha cabeça, de forma clara e cristalina, quando sentei para escrever o texto.
Enfim, essa entrevista foi publicada quando este blog ainda não existia e acho que não coloquei aqui antes. Então coloco agora.
O prédio é idêntico aos milhares que perpassam a paisagem das cidades do norte da Itália: baixo, quatro andares, pintado de bege, numa rua tranquila e arborizada da periferia de Bolonha. Via dei Lamponi, número 1. Ali, no segundo andar, vive a pessoa que avisou ao mundo, há dez anos, que Ayrton Senna não mais vivia. Foi por suas mãos que ele passou ao chegar ao Hospital Maggiore, 32 minutos depois de bater no muro da curva Tamburello, em Imola, a 35 km dali. Foi de sua boca que saiu, após uma agonia de quatro horas, a notícia que abalou as estruturas da Fórmula 1, chocou o mundo e deixou um país dobrado sobre sua própria dor.
A médica Maria Teresa Fiandri parou de trabalhar no Maggiore em 2001, depois de 36 anos de serviços. Naquele 1º de maio, era a chefe do setor de Anestesia e Reanimação. Como sempre, desde que o circuito passou a receber a F-1, em 1980, fazia parte das equipes de emergência que poderiam ser chamadas a qualquer momento para atendimento em casos de acidente.
Naquele 1º de maio, não precisou esperar o bip convocá-la. Quando Senna bateu, ela se levantou, vestiu o jaleco branco e já estava pronta para sair de casa rumo ao hospital quando o piloto mexeu a cabeça pela última vez.
Fiandri estacionava seu carro no pátio reservado aos médicos do Maggiore quando viu o helicóptero cor-de-laranja se aproximar. Trazia Senna e uma equipe de reanimação que tentava mantê-lo vivo. No helicóptero mesmo ele já havia recebido uma transfusão de 4,5 litros de sangue.
Ayrton tinha batido na abertura da sétima volta do GP de San Marino, a segunda sem o safety-car na pista. Seu carro, na entrada da Tamburello, guinou para a direita. Ele freou e reduziu marchas, de acordo com a telemetria. O impacto frontal, às 14h12 locais, aconteceu a 216 km/h. A barra da suspensão dianteira direita voltou-se contra o capacete, penetrou a viseira e atingiu sua cabeça pouco acima do olho direito. Ele morreu na hora. “Da pista, o doutor Gordini já tinha me avisado que havia pouco a fazer”, conta Maria Teresa.
Mas, como todo médico, Maria Teresa Fiandri fez o possível, mesmo sabendo que o quadro era irreversível. “Do ponto de vista cerebral, já não havia mais atividade imediatamente após a batida. Ele chegou ao hospital com o pulso fraquíssimo, quase sem pressão. Mas, depois, voltou ao normal. Só que não havia mais atividade cerebral, era apenas uma questão de tempo para que ele fosse legalmente considerado morto.”
Maria Teresa Fiandri, cinco filhos, três netos, todos homens, lembra de tudo, em detalhes. Ela diz ter consciência de que participou de um episódio histórico, mas não revela, no tom de voz suave e tranquilo, nenhum tipo de emoção especial, não diferente da que provavelmente teria se relatasse outros casos de pacientes que passaram por suas mãos.
E guarda, de Senna, uma imagem bem diferente daquela transmitida pelos que viram seu rosto, horas depois do acidente: “Ele chegou a mim pálido, mas belo e sereno”.
Pergunta – Doutora, em que condições Ayrton chegou aos seus cuidados, logo depois de descer do helicóptero?
Fiandri – Ele já havia recebido os primeiros socorros na pista e no helicóptero. Estava pálido, mas belo, sereno… Um jovem bonito, com os cabelos revoltos, os olhos fechados. É a imagem que guardo. Tinha um corte na testa, três ou quatro centímetros. Mais nada. Era a única ferida. Chegou ainda de macacão. Mas quando o viramos, vi que tinha muito sangue. E eu me perguntava: “mas de onde vem tanto sangue?” Saía de trás, da base do crânio. Lembro do macacão, quando lavamos, para devolver à família, tinha tanto sangue… E eu disse à Monica, uma assistente de enfermagem: “Não podemos entregar isso a eles assim”. Mas era colocar na água e a água ficar vermelha.Pergunta – Ficou gravada na memória de todos aquele sangue na pista…
Fiandri – Foi da traqueostomia. O sangue era dele.Pergunta – Onde a senhora estava no momento do acidente?
Fiandri – Em casa, assistindo à corrida pela TV. Quando vi a batida, e a cabeça dele caindo para o lado, já me vesti, antes mesmo de me chamarem. Nem esperei pelo bip. Sabia que seria necessária minha presença no hospital. Eu estava chegando com meu carro quando o helicóptero estava descendo.Pergunta – Pela TV, deu para ter idéia da gravidade?
Fiandri – Pelo movimento da cabeça, eu concluí na hora que era algo muito grave. Ali ele já entrava em coma, mas o coma é um fenômeno muito estranho. Por isso foi só quando vimos o resultado da tomografia que tive certeza de que não havia nada a fazer, embora o doutor Gordini [Giovanni Gordini, que o atendeu na pista] já tivesse me avisado que não tinha volta. Aí fizemos um eletroencefalograma. Já não havia mais atividade elétrica. Quando ele chegou, o pulso estava fraquíssimo e quase sem pressão. Mas antes do eletro, tinha voltado tudo ao normal. Por isso, até ver a tomografia, quem sabe… Mas quando vimos, todos nós… Bem, aqui não há nada a fazer.Pergunta – Já no hospital, como a notícia foi dada àqueles que estavam no 12º andar?
Fiandri – Eu me lembro de seu irmão, não sei se ele tinha noção da gravidade da situação. Eu o levei para ver os resultados dos exames. Expliquei que já não havia mais atividade elétrica. Mas quem assumiu o controle de tudo foi uma moça, que parecia tomar as decisões naquele momento [ela se refere a Betise Assumpção, então assessora de imprensa de Senna, hoje casada com Patrick Head, um dos sócios da Williams].Pergunta – A senhora tinha a percepção de que participava, de certa forma, de um momento histórico?
Fiandri – Tinha. Mas mesmo assim, nessas horas você deixa isso de lado e segue os protocolos precisos de atendimento. A, B, C, D, todos os procedimentos. Isso ajuda a vencer a emoção. Alguns anos antes, houve um acidente de trem em Bolonha, e as primeiras vítimas que chegaram ao hospital eram crianças de 3, 4, 5 anos. Aí a disciplina é importante, senão você não faz nada. Eu fui para um canto e chorei por 30 segundos. “Agora chega”, disse. “Ao trabalho”. Com Senna, não chorei. Segurei a emoção. É uma forma de disciplina. Estávamos todos emocionados, mas isso não condicionou nosso trabalho.Pergunta – Houve alguma chance de sobrevivência?
Fiandri – Não. Quando vimos o resultado do eletro… Bem, pela lei ele não estava morto, era preciso esperar o coração parar de bater. Mas não, não havia nenhuma esperança. Foi imediata a profundidade do coma na batida.Pergunta – A senhora se lembra se dormiu naquela noite?
Fiandri – Em dias como aquele não se dorme sem umas 20 gotas de Valium… Era um jovem, um piloto, ele em particular, um pouco herói, carismático… Eu recebi muitas cartas do Brasil, de gente me perguntando se ele tinha recuperado a consciência… As pessoas tinham necessidade de saber algo.Pergunta – A senhora é religiosa?
Fiandri – Não praticante. Mas penso em Deus, e isso ajuda. Depois vim a saber que ele era assim. Sabe, me parece que ele sempre achou que iria morrer jovem. “Morre jovem quem ao céu é caro”, dizem os mais antigos. Talvez se envelhecesse, não teria havido essa comoção. Ele deixou uma história que não deixaria se envelhecesse. É só uma opinião, mas eu acho que se ele pudesse escolher entre morrer jovem e envelhecer… Acho que pagaria esse preço.
Tags: Fiandri, Senna
151 comentários
FALA MUITO
SÃO PAULO (preparem-se) – Podcast “Limite” desta semana no ar na Rádio ESPN. Tem entrevista exclusiva com o Heliocas Troneves e uns lances aí sobre o Ayrton Senna, material inédito e tal.
Tags: Helio Castroneves, Limite, podcast, Senna
10 comentários
3 DE ABRIL DE 1988
SÃO PAULO (e eu lá) – Minha pauta: Piquet e Gugelmin. Ótimo. Senna daria muito trabalho. Era sua estreia na McLaren, tinha feito a pole e provavelmente ganharia a corrida. Fazia um calor infernal e no corpo-a-corpo com os colegas e anexos que cercavam o piloto, eu perdia sempre. Era baixinho e frágil. Ainda sou baixinho e frágil.
3 de abril de 1988, 25 anos atrás. Meu primeiro GP. Trabalhando, claro. Porque antes disso eu tinha ido a vários, em Interlagos e Jacarepaguá, como torcedor de arquibancada. Eram mais divertidos, devo dizer.
Eu tinha voltado para a “Folha” algumas semanas antes, depois de um mês na (em) “Placar”. Uma das ferramentas de sedução do meu editor, Nilson Camargo, para me tirar da Abril foi essa: te mando para cobrir a F-1 no Rio.
Pô, cobrir F-1 no Rio era legal. Sol, mulherada, festas, vamos nessa.
Há 25 anos, não era fácil fazer cobertura fora de São Paulo, em lugar algum. Transmitir textos, só por telex. Havia poucas máquinas na sala de imprensa montada sob uma tenda no autódromo. Às vezes o jeito era bater na máquina de escrever e entregar as laudas a um motoqueiro do lado de fora do portão, que levava o material para a sucursal, no centro da cidade, onde cada texto era digitado e entrava no precário sistema de computadores do jornal — que na época era moderníssimo, com suas telas de letrinhas verdes.
Foto, então… Tínhamos dois fotógrafos, se não me engano, em Jacarepaguá: Juan Esteves e Jorge Araújo. Monstros, dois dos maiores do Brasil. De noite, no apartamentinho alugado na Barra onde nos hospedávamos, porque era mais barato que hotel e mais perto do autódromo, eu ficava com as poderosas lentes deles espiando as meninas se trocando pelas janelas dos enormes prédios do condomínio.
Para mandar fotos para São Paulo, o esquema era o seguinte: fazer uns dez ou 15 minutos do treino da manhã, sair correndo do autódromo e se instalar no motel Monza, que ficava na avenida do autódromo — existe ainda? O dono do motel havia sido fotógrafo e tinha um pequeno laboratório no prédio da administração, não muito longe dos quartos onde a moçada trepava à vontade.
Aí Juan e Jorge revelavam os filmes em meio aos gemidos dos quartos vizinhos, ampliavam as fotos, escolhiam três ou quatro e conectavam à linha telefônica um aparelho que consistia numa caixa metálica com um cilindro anexo, alguns botões e fios que seram ligados ao bocal do telefone.
Isso feito, conectada a máquina de telefoto ao telefone, discava-se para a redação em São Paulo. Quando a ligação era completada, o cilindro onde a foto escolhida tinha sido fixada com durex começava a girar, e um sensor ótico “lia” a imagem transformando os tons de cinza em pulsos elétricos, que “viajavam” pela linha telefônica e eram convertidos novamente em tons de cinza pela máquina que recebia a ligação, imprimindo a imagem original em papel fotográfico. Se vocês não estão entendendo nada, era isso aqui.
Cada foto levava 20 minutos para ser transmitida, isso se não houvesse nenhum ruído na linha. Mas sempre havia. Então, era preciso começar tudo de novo.
Enquanto os fotógrafos se viravam para mandar as imagens para São Paulo, a gente se virava para levantar informações na pista. Nossa equipe tinha Marcos Augusto Gonçalves, eu, Mario Andrada e Silva e Marcelo Fagá — o saudoso Fagá, brilhante repórter que morreu em 2003 aos 49 anos.
Lembro o básico daquela corrida. Assisti à largada de dentro da pista, atrás do guard-rail da curva 1. Senna empacou. Largaram de novo e ele pegou o carro-reserva, o que não podia. Acabou desclassificado depois de partir dos boxes e chegar à segunda colocação. Demoraram para decidir pela bandeira preta, o que para o público foi ótimo — pôde ver algumas voltas alucinantes do rapaz. Segundo o DataFolha (a gente encomendou uma pesquisa com a turma na arquibancada), 70% dos que estavam em Jacarepaguá torceram por Ayrton, contra 23% que queriam uma vitória de Piquet, estreando na Lotus, e 3% dos que esperavam um triunfo de Prost. Prost venceu.
A pesquisa levantou mais dados interessantes: 58% acharam que Senna merecia ganhar, apenas 29% consideraram justa a vitória do francês e 59% apostavam que, mesmo tendo sido desclassificado da corrida no Rio, Ayrton seria o campeão naquele ano. Ayrton foi o campeão naquele ano. O público nas arquibancadas, de acordo com o instituto, era formado por 82% de homens e 18% de mulheres; 31% das pessoas eram de São Paulo; 29%, do Rio.
Não tenho fotos da gente trabalhando. Lembro de um cromo (para quem não tem ideia do que estou falando, é isso aqui) em que aparecemos eu e o Mario andando na frente dos boxes, debaixo de um sol catastrófico. Ficou um tempão jogado numa gaveta, mas nunca mais vi. Pode ser que encontre.
Mas guardei minha credencial, como todas as outras. É alguma coisa.
A FICHA
SÃO PAULO (eu não estou…) – Curiosa a história publicada hoje no Grande Prêmio sobre a “ficha” de Senna no DEOPS — órgão que na ditadura servia para espionar cidadãos, fichá-los, montar arquivos, prender, torturar. O DEOPS, que também foi DOPS, é uma dessas coisas que tem gente que, ainda hoje, defende. Nunca é demais lembrar que hoje, 1° de abril, faz 49 anos da mentira que foi a “revolução” militar de 1964. O golpe começou no dia 31 de março com as tropas saindo de Minas e foi consolidado ao longo da madrugada, para derrubar João Goulart, presidente constitucional.
E foi a merda que todos conhecemos pelos 21 anos seguintes.
Mesmo depois do fim do regime militar, o DEOPS continuou funcionando. Já não servia para muita coisa, a julgar pela “ficha” de Ayrton. Estou colocando entre aspas porque chega a ser ridículo alguém ser pago pelo Estado, na época, para fazer relatos como esses que se veem na pasta do piloto.
Era só comprar os jornais. Não se tratava de nenhuma informação secreta ou levantada em trabalho de campo pelos competentíssimos arapongas semiaposentados do DEOPS. Desse recorte da “Folha” mencionado no informe, com a data de 15 de novembro de 1990, eu lembro bem. Era editor de Esportes do jornal e a gente tinha sido furado alguns dias antes pelo pessoal de Polícia do “Estadão” com a história do sequestro. Assim, mandei um de meus melhores repórteres, Antonio Rocha Filho, para a porta da casa da família Senna na zona norte da cidade. Me traga alguma notícia, pedi.
Rendeu uma capa do caderno, essa matéria aí catalogada na “ficha” de Senna — que era um malufista juramentado, conservador e carola, e por isso mesmo jamais representaria alguma ameaça ao regime militar, muito pelo contrário. Aliás, são raríssimos os esportistas não alinhados a governos ao longo da história, em todos os países. Aqui no Brasil, os atletas contestadores a gente conta nos dedos das mãos. A turma dos esportes, em geral, é politicamente muito sem graça.
Pedi ao Victor Martins para aproveitar o ensejo e procurar minha ficha nos arquivos do DEOPS — que pelo jeito foram liberados. Afinal, nessa época, 1990, eu já tinha 26 anos e trabalhava no maior jornal do país. Cobri greves e áreas importantes, como educação, ciência e tecnologia, além de ter participado de manifestações pelas “Diretas Já” e de ter xingado uma comitiva do presidente Figueiredo na Paulista uma vez. Alguns anos antes, também rasguei um adesivo de “Ame-o ou Deixe-o” quando fui tirar do vidro da Belina do meu pai. Merecia uma ficha, como não?
Martins não encontrou ficha nenhuma com meu nome, uma enorme decepção. Nem para incomodar o DEOPS eu servi.
Tags: DEOPS, Senna
55 comentários
20 ANOS
SÃO PAULO (Interlagos de pé) – Como se sabe, hoje faz 20 anos da última e histórica vitória de Ayrton Senna no GP do Brasil. O relato da prova está aqui, para a turma lembrar daquele domingo de delírio e água em Interlagos.
Sempre que um piloto ganha correndo em casa o clima é especial. Se eu tivesse de fazer um ranking de maluquice de torcida em GPs de F-1, colocaria entre as mais impressionantes as duas de Ayrton aqui (a outra foi em 1991) e as duas de Mansell em Silverstone (1991 e 1992), especialmente a última — foi no ano em que ele acabaria conquistando o título.
Como todos que estavam no autódromo naquele 28 de março de 1993, tenho cá minhas lembranças. Mas, em geral, elas são associadas ao trabalho, e não a alguma emoção especial pelo resultado. Como já disse milhões de vezes, a única coisa que me emociona no esporte é a Portuguesa. O resto é coadjuvante.
Eu trabalhava na “Folha”, na época. Já era repórter especial, responsável pela cobertura da F-1 viajando pelo mundo. Fui ao acervo do jornal (esse negócio de acervo na internet, também já disse, é uma das coisas mais legais do mundo) para ver o que escrevemos na época. A cobertura está aqui. Oito páginas no caderno de Esportes. Alguns números: 31 retrancas (OK, matérias, para os mais jovens), 28 fotos e 3 artes (hoje chamam isso de infográfico). Coisa pacas.
Nossa equipe: eu, Paulo Calçade (hoje na ESPN), José Simão (ainda na “Folha”), Barbara Gancia (colunista da “Folha” e comentarista na GNT e no Grupo Bandeirantes), Andrea Dantas (que era da coluna da Joyce e agora dirige o Grupo Quem), Mario Cesar Carvalho (continua na “Folha”), Edgard Alves (colunista do jornal até hoje), Max Alberto Gonzales (acho que foi trabalhar com comunicação corporativa, mas não tenho certeza), Luiz Carlos Duarte (até hoje no grupo, editor do “Agora”), Sérgio Sá Leitão (atual secretário de Cultura do Rio), Alessandra Alves (minha “descoberta”, hoje dona de editora e de empresa de assessoria de imprensa, além de comentarista na Bandnews FM) e Mário Magalhães (escritor, ex-ombudsman da “Folha” e autor da biografia de Carlos Marighella).
Era um time bom. Um timaço. E ainda tivemos um artigo assinado por Wilsinho Fittipaldi. Fora o pessoal de apoio na redação. Mas nenhum de nós notou que naquele fim de semana Senna se apaixonou por uma loirinha que trabalhava para a Shell, Adriane Galisteu.
Dessas coberturas de Interlagos lembro de uma história com o Emerson Figueiredo, que era meu pauteiro e entendia pacas de F-1 — atualmente, tem empresa de assessoria de imprensa voltada para política. A gente escalava o Emerson para a cobertura no Brasil, uma das poucas chances que ele tinha de sair da redação e trabalhar como repórter, e pode ser que nesse ano ele tenha ido ao autódromo apenas na sexta e no sábado, porque não tem nenhum texto assinado por ele na edição de segunda-feira. Ou, então, o caso aconteceu em 1991 ou 1992, mas não importa. Vale a história.
Estávamos na sala de imprensa, todos esbaforidos e com trabalho até a testa, horários de fechamento para cumprir, organizar o fluxo de envio de matérias para o jornal, uma zona dos diabos, e chega o Emerson. “Falei com o Senna”, disse. Todos paramos. Senna, naquele começo dos anos 90, era figura difícil em Interlagos, quase inacessível. Cercado de assessores, assediado por uma multidão de bicos e torcedores, ora com a Xuxa, ora com algum picão da Philip Morris ou do Banco Nacional, só falava nas coletivas obrigatórias, ou para a Globo, ou , com alguma sorte, imediatamente após um treino nos fundos dos boxes. Teve um ano, em 1990, que ele nem falou com a imprensa depois de bater em Nakajima. Deixou uma fita gravada com uma declaração para sua assessora pessoal, Betise Assumpção, repassar aos jornalistas.
Assim, “Falei com o Senna”, para todos nós, era algo como: fiz uma exclusiva.
Porra, uma exclusiva com o Senna em Interlagos, mesmo que ele não dissesse nada de importante, era algo para mudar a diagramação, abrir página, capitalizar, estremecer a concorrência. Os quatro grandes jornais da época — “Folha”, “Estadão”, “JB” e “O Globo” — brigavam loucamente por qualquer coisa que pudesse ser um diferencial na cobertura, e ter o Senna exclusivo era o máximo que se podia almejar.
Emerson se postou no meio da equipe, com ar solene, ficamos todos em silêncio, até que eu, que coordenava a bagaça toda na pista, perguntei, já imaginando que teria de riscar as páginas de novo, derrubar alguma coisa, arranjar uma foto especial: “Sensacional. E o que ele disse?”. Emerson se empertigou, tirou um Marlboro da carteira e falou: “Ele me disse: ‘Agora não’”. E abriu uma gargalhada estrondosa, para ser imediatamente coberto de impropérios pelos demais.
Diante dos xingamentos gerais, Emerson ainda tentou se defender. “Uai, não é mentira, falei com o Senna!”, troçou, dando uma baforada no Marlboro, e aí todos rimos e seguimos com nosso trabalho insano. Nunca me esqueci desse “agora não”, virou piada interna por anos.
Quanto à corrida de 1993, é legal reler os textos, lembrar que foi a 100ª vitória da McLaren, que Fangio assistiu a essa corrida no autódromo e foi ao pódio, e que Ayrton só anunciou oficialmente que iria correr na quinta-feira. É que ele andava às turras com a McLaren, tinha se oferecido para correr da graça na Williams, fez um contrato de corrida a corrida com a equipe de Ron Dennis, na época se falava em US$ 1 milhão por GP, porque não se conformava com o fato de a Benetton ter motores Ford melhores que os seus e ameaçava não disputar o campeonato se o time vermelho e branco não recebesse equipamento igual, foi um ano e tanto.
Tags: 1993, Senna
89 comentários
VENDE-SE
SÃO PAULO (por que não aqui?) – O Fernando Rocco mandou a notícia pelo Twitter. O Toleman-Hart de Senna de 1984 está à venda. Ele tinha sido leiloado no ano passado, se não me equivoco. No site em que está anunciado não se fala em preço.
Segundo o anúncio, é o chassi que Ayrton, que faria 53 anos hoje, usou no famoso GP de Mônaco daquele ano.
Pelo tanto que significa, e pelo tanto que Senna é idolatrado no Brasil, às vezes fico me perguntando por que um carro como esse não é comprado por algum brasileiro. Tem tanta gente cheia da grana aqui…
Tags: Senna, Toleman
85 comentários
A LISTA
SÃO PAULO (façamos as nossas) – A BBC encerrou sua série de reportagens sobre os maiores pilotos de todos os tempos, que resultou numa lista de 20 repleta de estrelas e ídolos atemporais. Senna ficou em primeiro lugar, com Fangio em segundo, Clark em terceiro e Schumacher em quarto. Veja a lista completa:
1 – Ayrton Senna
2 – Juan Manuel Fangio
3 – Jim Clark
4 – Michael Schumacher
5 – Alain Prost
6 – Stirling Moss
7 – Jackie Stewart
8 – Sebastian Vettel
9 – Niki Lauda
10 – Fernando Alonso
11 – Alberto Ascari
12 – Gilles Villeneuve
13 – Nigel Mansell
14 – Mika Hakkinen
15 – Lewis Hamilton
16 – Nelson Piquet
17 – Emerson Fittipaldi
18 – Jack Brabham
19 – Graham Hill
20 – Jochen Rindt
A BBC rasga elogios a Senna e fala do “brilho romantizado” do brasileiro, potencializado pela maneira como morreu. Interessante notar que quatro pilotos ainda em atividade aparecem entre os 20, o que mostra como estes últimas anos da F-1 têm sido interessantes e ricos. Concordo com a presença de todos eles, até de Hamilton, o que tem menos títulos entre eles — os outros são Vettel, Alonso e Schumacher. Outro dado curioso: alguns da relação nem foram campeões, como Moss e Villeneuve.
Acho que se todos resolvermos fazer uma lista dos 20 melhores, provavelmente a maioria dos nomes escolhidos pela BBC se repetirá. Talvez faltem alguns, como Ronnie Peterson, Mario Andretti, Jenson Button, Kimi Raikkonen (estes dois, campeões mundiais ainda em atividade), Denis Hulme, James Hunt, Jacky Ickx, Clay Regazzoni, Carlos Reutemann, Jody Scheckter… Mas é quase questão de gosto. Muitos deles nem vi correr e deles sei por leituras, testemunhas e vídeos.
Minha ordem, no entanto, certamente seria diferente. Alonso e Piquet estariam muito mais para cima, Schumacher seria o primeiro e a briga pelo segundo lugar seria duríssima entre Senna, Prost e Fangio, pelos meus critérios.
De qualquer forma, o resultado mostra como Senna foi marcante em seus dez anos e pouco de F-1, tendo deixado a sensação de que poderia, mesmo, ter feito muito mais se não fosse o acidente de 1° de maio de 1994.
ATUALIZANDO…
Não que seja uma surpresa, mas vale a pena ler os comentários para ver como tem gente dando chilique à simples afirmação “Schumacher é melhor que Senna”. E a palavra é essa mesma: chilique. Não há argumentos para discutir com esse pessoal. Chega uma hora que, sem muitas condições de contrapor números e realizações, eles vêm com “caráter”, “esportividade” e coisas do tipo. Todos muito íntimos de Senna (e de Schumacher), pois parecem conhecer profundamente a alma de ambos. É incrível como alguns anos de canonização pela TV alteram a percepção das pessoas. Falam, por exemplo, do que “Senna fez com a Toleman”. Um segundo lugar. Nessa mesma equipe, renomeada como Benetton, Schumacher ganhou dois títulos. Falam dos “adversários muito melhores”. Senna teve dois, em forma e com carros competitivos: Prost e Mansell. Do francês, perdeu dois títulos (1989 e 1993), ganhou um com menos pontos (1988) e outro jogando o carro sobre o rival (1990). Do inglês, ganhou um (1991) e perdeu outro (1992). Tem também o famoso “só ganhava porque tinha o melhor carro”. Ou o “os carros da época do Senna eram mais difíceis de pilotar”. A McLaren era ruim, nos tempos do Ayrton… E é fácil guiar com 50 botões no volante. Mas tudo bem. Vale a discussão. Senna foi, realmente, um fenômeno. Não bastasse o que fez na pista, e foi muito, estabeleceu laços quase incestuosos com homens e mulheres brasileiros.
Eu me divirto.
Tags: BBC, Senna
1.231 comentários
SENNA E A POOL
SÃO PAULO (imagens belas) – Recebi o release e repasso à blogaiada. É sobre uma exposição de fotos inéditas de Senna, no próximo dia 21. O serviço está no fim do texto.
A Riachuelo, através da marca Pool, pertencente ao grupo, realiza no dia 21 de novembro uma exposição de fotos de Ayrton Senna registradas por Keith Sutton, que durante um período foi fotógrafo exclusivo do piloto. São 35 fotos inéditas da carreira de Senna e mais 35 registros de sua passagem pela F-1 que estarão à disposição do público a partir das 20h, na Tripolli Galeria.
O evento vem celebrar o aniversário de uma parceria entre a Pool e um dos maiores ídolos brasileiros. Há exatos 30 anos, Senna bateu à porta da fábrica da empresa para apresentar uma proposta de patrocínio. Na ocasião, Flávio Rocha, presidente da Riachuelo, resolveu apostar na coragem e ousadia daquele jovem determinado. Foi então que Senna ingressou na F-3 Inglesa e deu início a uma carreira de sucesso.
Data: 21 de novembro
Horário: das 20h à 1h
Local: Tripolli Galeria – Al. Tietê, 198 – São Paulo
Tel.:(11) 3068-8838
Tags: Pool, Senna
9 comentários
PIQUET E SENNA
SÃO PAULO (o tempo voa) – Hoje, 30 de outubro, é dia de lembrar de dois títulos. O tri de Piquet, em 1987, é o primeiro deles. Foi numa sexta-feira (corrigido!), em Suzuka. Mansell bateu, ficaria fora da corrida do dia seguinte e, assim, Nelson foi para o grid já na condição de campeão. Faz 25 anos.
E o primeiro título de Senna, em 1988, no mesmo circuito. Foi, talvez, a melhor corrida de sua carreira. Na pole, patinou e despencou para 16° na primeira volta. Recuperou-se soberbamente até passar Prost para vencer a prova e ficar com a taça.
Piquet e Senna foram duas dádivas que o destino deu ao esporte brasileiro. Depois a fonte secou. Mas é claro que nada acontece por acaso, e não há razão nenhuma para agradecer apenas ao “destino”. Este foi bastante ajudado por um automobilismo vigoroso que havia no país nos anos 60 e 70, e estiveram na origem do surgimento de muitos talentos. Num oceano de gente boa, sempre aparecem alguns melhores que os outros. E esses melhores, com alguma sorte e muita dedicação, acabam chegando lá.
Sendo assim, reformulo a frase. Piquet e Senna não foram dádivas do destino coisa nenhuma. Foram filhotes de uma época em que correr de carro no Brasil era, por incrível que pareça, coisa muito séria. E, graças ao seu talento, se transformaram em estrelas universais de um esporte dificílimo.
Alguém há de argumentar que Senna nem correu no Brasil de carro. Verdade. Suas primeira aventuras fora do kart se deram na Inglaterra. Mas foi no kart daqui que ele começou. Um kart que era verdadeiramente uma escola. Partiu para a Europa com uma base invejável.
Esta que já foi, de certa forma, uma pátria sobre rodas, não é mais.
Tags: Piquet, Senna
149 comentários
CORRIDA & CAPACETE
SÃO PAULO (tentem, ora) – A revista “ESPN” está com uma promoção que pode interessar ao povo do blog. Tornando-se assinante da própria, que é muito boa (entre outras coisas porque sou colunista), e fazendo parte de um negócio chamado Clube ESPN, vocês concorrem a esta réplica do capacete do Senna (com certificado de autenticidade do Sid Mosca) e pode ir ao GP do Brasil de F-1. Os detalhes estão aqui, para quem tem Facebook.
Tags: capacete, ESPN, promoção, Senna
55 comentários
ELOGIO DE ALEMÃO
SÃO PAULO (meio estranho, mas é) – Vai despertar a ira de muita gente, claro. Numa entrevista à “F1 Racing”, Schumacher disse que a maior lembrança que tem de Senna, o tio, é dele rodando na Junção quando tentava alcançá-lo no GP do Brasil de 1994. Ele explica aqui.
Podem estrilar quanto quiserem. Isso aí é um elogio, sim.
Tags: Schumacher, Senna
194 comentários
RIO, 1989
SÃO PAULO (na boleia) – E tome Alessandro Neri recuperando a memória de Jacarepaguá. Mas este vídeo é especialíssimo. Foi gravado nos testes de pneus de 1989 e tem uma entrevista deliciosa com Senna feita para o programa… “Clube do Irmão Caminhoneiro Shell”!!!! Alguém imagina algo parecido hoje com um campeão mundial?
Absolutamente sensacional. Mas é claro que a Shell, como patrocinadora da McLaren, agendou esse negócio. O repórter é uma figura. E o programa era do SBT.
Tags: 1989, Jacarepaguá, Senna, Shell
69 comentários
PRIMEIRO DE MAIO
SÃO PAULO (ai jisuis) – É um verdadeiro pé no saco. Todo dia 1° de maio recebo algumas dezenas de e-mails intimidatórios. “E aí, não vai escrever nada do Senna?”.
Como se a cada 1° de maio, a partir de 1995, escrever sobre o Senna no aniversário de sua morte passasse a ser uma obrigação de quem porventura trabalha com automobilismo. Ou, ainda, de quem porventura estivesse em Imola naquele dia, como eu.
É claro que, 18 anos depois, o que tinha de falar e escrever já falei e escrevi, e estou-me tornando repetitivo, porque receio que já tenha me queixado disso antes, também — que nada mais tenho a dizer, nem a escrever, portanto não me encham.
Mas todo ano aparece alguma coisa sem pé nem cabeça para que os adoradores do martírio se deliciem. Agora é essa ilustração aí, que possivelmente é coisa velha, eu mesmo já tinha visto, mas que hoje chegou à minha caixa de e-mails em quantidade assustadora. “E se…?” geralmente é o que os remetentes colocam na janelinha de “assunto”, como a imaginar que eu vá abrir isso, dar um suspiro, parar tudo que estou fazendo, colocar o indicador e o polegar entre os olhos, abaixar a cabeça e passar alguns minutos em silêncio refletindo sobre esse “se”.
Oh, que puta sacada.
Poupem-me, fariseus. Negócio mais mórbido, isso sim. E se o quê? Se não tivesse morrido? Seria ótimo. Uma tragédia a menos para a conta. Punto, basta. “Ah, ele seria decacampeão mundial, Schumacher ia ver só, o Brasil se tornaria uma potência, nossos pecados estariam todos remidos, ele seria presidente da República, ou papa, talvez.” Ninguém me mandou mensagem nenhuma com esse teor, apenas fiz uma colagem. Elas chegaram avulsas, um pedaço em cada uma. Vão pingar aí nos comentários, também. Parece que o Reginaldo Leme fez um exercício desses na revista “Alfa” do mês passado, mas não vi. Não tenho ideia do quê escreveu. Depois leio. Tenho até medo. Não do Regi, mas do resultado. É muito delicado especular sobre essas coisas, ainda mais quando se trata de alguém como Senna, de quem, no Brasil, é proibido não simplesmente falar mal, afinal nem há tanta coisa má para falar, mas é terminantemente proibido não falar bem o tempo todo e não ser fã e não tê-lo como ídolo, exemplo, inspirador.
Mas se alguém quer ir além do que acho que seria o resultado da não-morte de Senna, OK, podemos ir. Ele poderia virar político, por exemplo, o que seria uma desgraça dadas suas posições expressas em vários momentos — conservador ao extremo, Ayrton era um admirador de Paulo Maluf, entre outros expoentes da época. Casaria com Adriane Galisteu? Pode ser, o que nos pouparia dos programas chatos que essa moça apresenta na TV. Teria filhos? Talvez, e coitados deles se resolvessem correr de carro. E a segurança na F-1? Talvez não melhorasse tanto quanto melhorou a partir de seu acidente — o último fatal na categoria, que jamais experimentou período tão longo sem morte de pilotos.
A canonização informal de Senna, se ele sobrevivesse, é dúvida para este que vos escreve. Quando alguém morre da maneira como ele morreu, e é considerado um herói nacional, embora fosse apenas um piloto de corrida, a tendência é mesmo virar santo. Vivo, não sei como seria. Talvez cometesse deslizes pessoais, se envolvesse em escândalos financeiros, fosse acusado de engravidar alguma menina numa aventura por aí, poderia ser pego numa blitz da Lei Seca, se embrenhar em aventuras noturnas com o Ronaldo Fenômeno, sonegar Imposto de Renda, ser amigo do Carlinhos Cachoeira, quem sabe o que poderia acontecer?
Não há mal nenhum em ter um ídolo, cultivar sua memória, exaltar seus feitos, se emocionar com eles. O que me irrita um pouco quando se fala em Ayrton Senna é essa mania de atribuir a ele a exclusividade das virtudes: um exemplo de superação, humilde, batalhador, não desistia nunca, perseverante, guerreiro, temente a Deus, bom filho, patriota e blablablá.
Sempre digo: era apenas um piloto de carros, dos melhores, diga-se, com suas qualidades e defeitos, como todos nós. Não foi um mártir, alguém que morreu na cruz para redimir nossos pecados. Mesmo sobre o da cruz há muitas controvérsias, portanto devagar com o andor que os santos, todos, são de barro.
Tags: Senna
1.066 comentários
BRUNO EM 1991
SÃO PAULO (deu por hoje) – Legal o vídeo que o Denisson Gervásio, assíduo colaborador deste blog, mandou. É uma matéria do Otávio Mesquita na inauguração do kartódromo de Ayrton Senna em Tatuí. Foi em 1991. E tem uma entrevista engraçadinha com o Bruno. Até eu apareço no vídeo, aos 4min22s, por mais ou menos três décimos de segundo. Mas sou eu, ali, anotando as coisas para minha matéria para a “Folha”, na época. Ainda tenho a credencial daquele evento.
Tags: Bruno Senna, Senna, Tatuí
43 comentários
£750,000
SÃO PAULO (bom preço?) – Lembram quando a gente falou aqui da Toleman do Senna que vai a leilão? Estão falando em 750 mil libras, o que dá mais ou menos 2,3 milhões de brasílicos. Provavelmente menos do que o Eike Batista vai gastar com os advogados de Thor.
Tags: Senna, Toleman
33 comentários
QUANTO VALE?
SÃO PAULO (sem mais detalhes) – Parece que a Toleman que Senna dirigiu em Mônaco em 1984 vai a leilão. A matéria da “Car Magazine” não diz quando, nem faz estimativas sobre o valor que pode ser alcançado, mas vale a curiosidade. Segundo o texto, o carro esteve por 16 anos na mão de um colecionador. Muita gente diz que era um carro ruim, mas não era bem assim. E sempre achei esse modelo bem bonito.
Tags: Senna, Toleman
74 comentários




O prédio é idêntico aos milhares que perpassam a paisagem das cidades do norte da Itália: baixo, quatro andares, pintado de bege, numa rua tranquila e arborizada da periferia de Bolonha. Via dei Lamponi, número 1. Ali, no segundo andar, vive a pessoa que avisou ao mundo, há dez anos, que Ayrton Senna não mais vivia. Foi por suas mãos que ele passou ao chegar ao Hospital Maggiore, 32 minutos depois de bater no muro da curva Tamburello, em Imola, a 35 km dali. Foi de sua boca que saiu, após uma agonia de quatro horas, a notícia que abalou as estruturas da Fórmula 1, chocou o mundo e deixou um país dobrado sobre sua própria dor.



![Ayrton-Senna-Toleman-TG184-2-F1-2[2]](http://flaviogomes.warmup.com.br/wp-content/uploads/2012/03/Ayrton-Senna-Toleman-TG184-2-F1-22.jpg)