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HISPÂNICAS (5)

SÃO PAULO (bum) – Putz, acaba de haver uma explosão nos boxes da Williams, incêndio dos bravos. Até agora, parece que só um rapaz da Force India que foi ajudar saiu ferido. A cobertura com fotos e tudo mais está no Grande Prêmio. Há fotos impressionantes. O carro de Bruno Senna ficou destruído. Fica o registro.

Agora, falemos dos brasileiros em Barcelona, começando com Bruno.

Na hora da batida de Schumacher, achei que Bruno tinha freado antes e mudado a trajetória de um jeito meio esquisito. Como, pouco antes, ele tinha se defendido com uma certa agressividade dos dois que o ultrapassaram, acho que Grosjean e mais um. Estava sem pneus.

Michael ficou mutcho putcho, chamou Bruno de “idiota” e sua reação foi típica de quem se sentiu sacaneado. Foi o que mais me levou a tentar encontrar sutilezas na batida, porque numa olhada preliminar, apesar da mudança de trajetória do primeiro-sobrinho, o que ficou mais claro foi que Schumacher encheu a traseira dele.

Bem, a FIA acaba de punir Schumacher, perde cinco posições no grid em Mônaco. Bruno pode até ter se defendido de uma maneira imprevisível, mas o fato é que o alemão barbeirou, mesmo, e não teve razão nenhuma de reclamar. Que deselegância!

Azar dele, estragou uma corrida que poderia terminar nos pontos. A de Bruno não seria grande coisa, pela posição de largada e tal. Foi um fim de semana muito ruim para Senninha, que precisa se aprumar. O parceiro largou na pole e ganhou a corrida. Isso muda, inclusive, o patamar de suas ambições a partir de agora. Se a Williams tem um carro capaz de vencer um GP, e Maldonado mostrou que dá, é atrás de algo parecido que ele tem de ir agora.

Daqui a pouco, Massa. Hoje estou dividindo tudo em tópicos, a corrida foi legal e aconteceu bastante coisa.

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DESEMBUCHA, MEU FILHO

SÃO PAULO (mas…) – Barrichello deu entrevista à “Playboy”. Claro que falou sobre a corrida da Áustria de 2002, a mais célebre presepada da história da F-1. Que completa dez anos agora, sábado, dia 12. Este post será longo, preparem-se. Porque tenho na parede do meu escritório, casualmente, uma página do “Diário do Povo” de Campinas, um dos jornais para os quais escrevia na época, com a cobertura da prova. Vou reproduzir trechos do que escrevi e, principalmente, do que Rubens e Schumacher disseram imediatamente após a prova. No caso do brasileiro, declarações que nem sempre combinam com o que ele passou a falar depois sempre que chamado a comentar o episódio. Schumacher também odiou tudo aquilo. Tanto que colocou Rubens no degrau mais alto do pódio e fez com que o troféu do vencedor fosse entregue a ele.

Comecemos com trechos da entrevista à “Playboy”, grifos meus.

Foram oito voltas de guerra. É muito raro eu perder a calma, mas, naquele rádio, saiu gritaria. Fui até o final, até a última curva, falando que não ia deixar ele passarAté que eles falaram algo relacionado a alguma coisa mais ampla. Não era contrato. Era uma situação que deixou no ar. Eu não posso contar o que eles falaram, mas foi uma forma de ameaça que me fez refletir se eu teria de repensar a minha vida, porque o grande barato para mim era guiar.”

Bem, eu estava em Zelweg naquele fim de semana. Não vou dizer que “lembro com detalhes, como se fosse hoje, o olhar perdido de Rubens no horizonte”. Não lembro de porra nenhuma. De Zeltweg, eu lembro mesmo é de tomar leite na máquina de Frisch-Milch da fazendinha onde a gente alugava quartos.

Mas nada como ler o que foi escrito no frescor dos acontecimentos. A saber, da minha lavra:

Enquanto o título mundial de pilotos não estiver matematicamente definido em favor de Michael Schumacher, Rubens Barrichello está proibido de ganhar corridas na Fórmula 1 se o alemão estiver na pista. “Acho que é isso mesmo”, disse o brasileiro ontem em Zeltweg, depois da maior demonstração de subserviência de um piloto, e de soberba de uma equipe, da história da categoria.

Este trecho é parte do “lead”, o primeiro parágrafo do texto enviado aos meus jornais, que em seguida descrevia factualmente o que aconteceu: Barrichello foi melhor o fim de semana todo, liderou de ponta a ponta e a poucos metros da linha de chegada tirou o pé para o alemão vencer. Foi a quinta vitória de Schumacher em seis corridas naquele ano. O título era a maior barbada da história.

Depois, coloquei algumas aspas dos dois pilotos, mencionei as vaias do público e segui com algumas frases de personagens no paddock.

A ordem do time, indefensável do ponto de vista moral, foi condenada por todos que se dispuseram a falar sobre o assunto no paddock de Zeltweg após a corrida, exceção feita a um ou outro integrante da Ferrari. “Vergonhosa”, disse Flavio Briatore, diretor da Renault. “Ninguém deveria se surpreender, é assim que a Ferrari trabalha”, falou Ron Dennis, da McLaren. “A FIA, que organiza isso aqui, deveria fazer alguma coisa”, acrescentou Gerhard Berger, da BMW. “Se fosse meu marido, jamais deixaria passar”, comentou Connie, a namorada de Montoya. “Ainda bem que não corro na Ferrari”, completou o colombiano.

A seguir, descrevo o ambiente na sala de imprensa, com Barrichello posicionado entre os outros dois pilotos que foram ao pódio, Montoya e Schumacher, no lugar normalmente destinado ao vencedor. Uma papagaiada que ele não deveria aceitar, claro, mas naquela hora é compreensível que não tivesse muita cabeça para pensar nisso. Conto que Jean Todt fez questão de acompanhar a coletiva pessoalmente, algo inédito. E relato que foram todos vaiados pelos jornalistas quando chegaram à sala, até que a entrevista fosse bruscamente interrompida depois que um sueco (provavelmente meu amigo Fredrik Petersens) perguntou por que, afinal, existia um campeonato de pilotos, se todos eles justificavam as ordens de box com o argumento de que o Mundial é disputado por equipes. Como ninguém soube responder, se levantaram e foram embora. E termino assim:

O domingo da vergonha em Zeltweg ficará marcado como a maior presepada da história da F-1. Como o dia em que um atleta abdicou da vitória em nome de cláusulas contratuais e achou tudo normal. Como o dia em que outro atleta aceitou ganhar sem merecer. Como o dia em que uma corrida de F-1 não teve vencedores.

Esses trechos são legais para se entender como a decisão da Ferrari foi execrada por todos, e como os pilotos tentaram, apesar de suas caras de tacho, passar uma certa sensação de normalidade. Tentativa evidente nas declarações literais de ambos, a parte mais importante do catatau a que estou submetendo meus pobres blogueiros.

Primeiro, o “ping-pong” com Barrichello. Editado, mas não muito. Em negrito, as perguntas. Em vermelho, frases que julgo importantes para que sejam comparadas ao que Rubens passou a declarar em todas as entrevistas posteriores para falar sobre Áustria/2002.

O contrato vale esse preço?
Eu tenho duas opções: ter um carro que não me dá condições nunca, ou um carro que me dá condições de vencer. (…) Hoje lutei com todas as minhas forças para ganhar a corrida. No final eles me pediram para deixar passar. Eu tentei conversar, dizendo que seria um gesto que causaria muita polêmica. E eles falaram que era uma decisão do time e ponto final. Nem discuti mais. Eu me sinto acima disso tudo. Saio daqui como vencedor.

Você passaria, no lugar de Michael?
É difícil. No passado, tive situações assim em outras equipes, como a Stewart. Eu classifiquei atrás do Magnussen e o Jackie Stewart ofereceu o motor melhor para mim na corrida mesmo assim. Não aceitei, porque não era o combinado. Mas não estou revoltado. (…) Acho que vou ganhar uma hora ou outra, ponto final.

Por que não desobedeceu?
Eu acho que ia fazer mais mal do que bem. Acabei de assinar um contrato. O ambiente ia ficar muito pesado. Entre eu e Michael, não. Mas na equipe, sim. (…) Hoje eu larguei para vencer sem nunca pensar que na última volta eles iriam me pedir o que pediram.

Está proibido de vencer, até se definir o título?
É o que parece, com certeza. (…) Mas já aconteceu, não vou ficar chorando as pitangas agora. (…) Estou contente com o que aconteceu? Não, eu queria ter ganhado esta prova. (…) Mas foi uma decisão da equipe, ponto.

O que significou Michael tê-lo chamado para o degrau mais alto do pódio?
Eu me dou muito bem com ele. É um superpiloto, tenho muito orgulho de ser companheiro dele, é um cara acima da média. Se eu ganho uma corrida em cima dele, é porque estou indo muito bem, obrigado.

Quando veio a ordem?
Veio a três voltas do final. E veio tarde, né? Eu pensava, “não está vindo nada, vindo nada”, aí veio. No ano passado foi diferente, a gente passou muito tempo falando pelo rádio. Desta vez eles disseram que era para fazer, eu fiz e acabou.

A entrevista de Schumacher também é interessantíssima. Depois comentamos tudo. Alguns trechos:

A primeira vitória na Áustria, dá para comemorar?
É óbvio que não (…). No ano passado eu até me envolvi naquela situação, porque o campeonato estava mais apertado. Hoje, antes da corrida, me perguntaram se algo parecido iria acontecer e eu disse que nem estávamos pensando em estratégia. Aí eles me avisaram para passar e eu não fiquei satisfeito, como Rubens. Mas temos de olhar para as ambições e objetivos do time, que são os títulos.

Qual o papel de Rubens?
(…) Seu gesto mostra como trabalhamos juntos, a confiança que temos um no outro. (…) O que ele fez por mim não é normal. Eu gostaria de não ter recebido a ordem pelo rádio. Para mim, seria melhor terminar do jeito que estava.

Há justificativa para a ordem?
Não sei quem deu a ordem, provavelmente Montezemolo, passando por Todt, e por aí vai. É preciso entender que a Ferrari investe muito dinheiro para ser campeã. Imagine se a gente perde o campeonato por causa desses pontos (…). Não sou totalmente a favor disso, mas ninguém sabe o que vai acontecer no futuro. (…) Disse a ele no pódio que espero que este campeonato se defina logo para que a gente possa disputar corridas de verdade.

A credibilidade da F-1 está afetada?
(…) Esse tipo de coisa aconteceu muitas vezes antes. Se fosse na última corrida do ano, ninguém iria estar discutindo. Que diferença faz acontecer agora ou no fim? (…) Infelizmente para ele a situação nos pontos é favorável a mim. Não fosse isso, acho que não pediriam para ele me deixar passar.

Por que não desobedeceu?
Eu pensei muito sobre essa possibilidade, e por isso estava torcendo muito para que não me dessem ordem nenhuma. Se você olhar a telemetria, vai ver que na reta Rubens tirou o pé, e eu tirei também para não passar. Mas aí ele quase parou o carro. Lá dentro, não dá tempo para pensar muito nessas horas. Eles me avisaram nos últimos metros que Rubens iria me deixar passar. Na hora eu achei que era a decisão errada. Se tivesse a chance de voltar atrás, não passaria. Mas agora não posso fazer mais nada.

Legal. O que depreendo disso tudo é que ou o tempo afetou a memória de Rubens, ou ele mentiu depois da corrida. Por suas declarações, não houve muito papo. Pediram, aceitou, tchau. No ano anterior, falou-se mais. Foi a prova em que ele entregou o segundo lugar a Schumacher, também na Áustria. Será que confundiu as duas?

Dez anos depois, à “Playboy”, ele fala em “ameaças”, situações que não tinham a ver com contrato, “alguma coisa mais ampla” que ele não pode contar.

É inevitável lembrarmos da história maluca publicada em 2008 num livro do jornalista Lemyr Martins, que reproduziu um e-mail apócrifo que muita gente recebeu, ainda em 2002. O texto falava em sequestro da mãe e até no cachorrinho da família latindo no rádio. Daquelas piadinhas de internet, como a venda da Copa de 1998 pelo Brasil à França, ou a ONG bancada pelo governo brasileiro para defender que Plutão fosse reconhecido novamente como planeta.

O problema todo é que Rubens não fala. Joga as coisas no ar e não conta a verdade. Se é que há alguma verdade além daquilo que ele e Schumacher falaram logo depois da corrida. Há contradições entre o que foi dito no dia 12 de maio de 2002 e o que ele diz agora à revista. Teriam sido oito voltas de discussão ou três? Houve mesmo uma discussão, ou “eles disseram para fazer, eu fiz e acabou”? E como é que depois disso tudo ele ainda ficou mais três anos numa equipe que o ameaçava pelo rádio? Que espécie de relação patrão-empregado é essa, e como aceitá-la tanto tempo calado? Em nome do quê?

Desconfio que, nestes dez anos, o tempo embaçou a memória de Barrichello, as lembranças foram-se tornando cada vez mais turvas e confusas e ele não lembra mesmo de porra nenhuma.

Eu, pelo menos, lembro do leite fresco.

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FÁCIL NÃO É

SÃO PAULO (manda currículo) – As declarações de Domenicali ao “El Mundo” da Espanha são muito fortes e claras. O chefe da Ferrari diz que Massa não deve tentar desafiar Alonso, mas sim aprender com ele. Coloca, com sinceridade, as coisas em seus devidos lugares. Fernandinho é o dono do time, o novo Schumacher. O outro piloto será sempre o outro piloto.

Não vejo sacanagem nenhuma aí. Não significa que vão mandá-lo para a pista com três rodas ou pedir para comer na cozinha do motorhome quando o espanhol estiver almoçando. A Ferrari tem essa política há bastante tempo, desde que contratou Michael, em 1996, fazendo sua aposta para sair da fila. É uma opção, tem de ser respeitada. Há quem não goste — eu, por exemplo, prefiro o estilo McLaren, de ter dois pilotos fortes, do mesmo nível; mas nem sempre é possível.

Primeiro e segundo piloto é algo que quase todo mundo tem. Claro que nas equipes grandes essas coisas saltam mais aos olhos, e quando há um brasileiro envolvido, mais ainda por estes lados do planeta. Afinal, desde que Barrichello foi para Maranello, em 2000, é uma situação com a qual a pachecada convive, estimulada pelas bobagens da Globo. Ontem, li aqui (não ouvi) que a emissora oficial clamava por uma ordem de equipe quando Felipe estava atrás de Alonso com pneus macios. Foi isso mesmo?

Se foi, não há tolice maior. Transformar algo tão irrelevante em assunto numa transmissão de corrida apenas alimenta a desinformação e estimula os incautos a acharem que na F-1 todo mundo é contra o Brasil, que os pilotos brasileiros são coitadinhos, que só não são campeões todos os anos porque alguém não deixa.

Nada mais falso. Massa é segundo piloto da Ferrari porque Alonso é melhor. Em 2008, Felipe fez um ano melhor que Raikkonen e teve sua chance de ser o primeiro. Fez um campeonato exuberante e só perdeu o título por detalhes, numa decisão que, desconfio, jamais veremos de novo. Rubens sempre foi segundo de Schumacher porque Schumacher era melhor. Mas na Jordan e na Stewart, quase sempre foi ele, Barrichello, o primeiro. Senna era primeiro piloto da McLaren quando corria com Berger.  Com Prost, vivia-se uma situação parecida com a de hoje, com Hamilton e Button. Piquet teve de peitar todo mundo na Williams para não sucumbir à preferência por Mansell. Encheu o saco e saiu, depois de conquistar o título de 1987. Na Red Bull, alguém duvida que Vettel é o primeiro e Webber o segundo? E na Lotus? Será que alguém acredita que Grosjean não compreendeu seu papel neste ano, com a chegada de Raikkonen?

Domenicali foi sincero, embora esse tipo de coisa nem precise ser dita. Massa tem mais é de se concentrar em seu próprio trabalho, esquecer Alonso (e nem acho que se preocupa tanto; muitas vezes é parte da mídia brasileira que dá corda a essas coisas, à revelia do piloto) e mostrar à F-1, e não à Ferrari, que tem lugar no grid em 2013.

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CHILIQUENTO

SÃO PAULO (mas no fim…) – Quem assiste aos primeiros 40 segundos deste vídeo enviado pelo Enzo Brocker, acha mesmo que Schumacher se esforçou loucamente para esconder a parte de baixo do duto frontal da Mercedes, que direciona fluxos de ar através de defeletores internos à asa dianteira. É o famoso vídeo de cinegrafista amador em Melbourne, numa rodada que o alemão deu no terceiro treino livre, sábado. Na TV, o Lito Cavalcanti já tinha chamado a atenção para o chilique que o alemão deu quando os serviçais do autódromo deixaram a traseira tombar e o bico levantar.

Neste vídeo, ele se dirige aos fotógrafos dando pulinhos de raiva. Mas tive a curiosidade de ver até o fim. Podem pular o vídeo até mais ou menos uns 5 minutos, até lá não acontece nada de relevante. E no fim, quando termina o treino, os caras erguem o carro de novo, já tem um batalhão de fotógrafos no local, eles clicam tudo e Schumacher desencana geral.

Acho que vocês pegam no pé do Schumacher à toa. Em todo caso, achei legal a preocupação dele com o carro. Piloto precisa gostar do carro que dirige, tratá-lo, como faz Vettel, como se deve tratar uma mulher. De um cara como Michael, 43 anos nas costas, sete títulos, 91 vitórias e sei-lá-mais-o-quê, talvez se esperasse menos zelo. Mas que nada. O cara é um tarado.

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SCHUMACHER & SENNA

SÃO PAULO (sempre importante) – Schumacher falando de Senna não é toda hora. Recebi um press-release agora do Instituto Ayrton Senna, que faz uma campanha chamada “Senna Tri”, para lembrar as três conquistas do brasileiro. Internautas mandaram perguntas sobre ele para que figuras como Schumacher e Hamilton respondessem. As respostas do alemão estão abaixo e nestes vídeos aqui. Reproduzo na íntegra o material que me enviaram, destacando a última pergunta — Michael diz que sua maior vitória sobre Ayrton foi no Brasil em 1994, “orgulhoso por tê-lo vencido em sua própria casa”.

Em 1992, Michael Schumacher era novato na Fórmula 1. Jovem promissor, estava em seu segundo ano na principal categoria do automobilismo, e queria mostrar serviço. Ayrton Senna, já tricampeão mundial, era o principal alvo do alemão. A rivalidade gerou um episódio polêmico, que até hoje intriga fãs do esporte a motor. No GP da França, os dois se chocaram e saíram da corrida, e o brasileiro chamou o adversário para uma conversa em particular, sem a presença da imprensa.

O teor do rápido bate-papo foi revelado pelo alemão em vídeo especialmente gravado para a campanha ‘Senna Tri. Uma conquista inspira a outra’, do Instituto Ayrton Senna em parceria com a JWT.

“A culpa pelo que aconteceu ali foi minha. Como já tínhamos tido algumas discussões no início daquele ano, e eu havia reclamado não só para ele, mas também para a mídia, o principal motivo de ele ter vindo falar comigo foi para pedir que, se tivéssemos algum problema no futuro, deveríamos conversar pessoalmente, e não reclamar para a imprensa. E ele estava certo: nem tudo pertence à mídia”, disse o alemão.

No vídeo, Schumacher respondeu as cinco melhores perguntas enviadas pelos fãs do brasileiro (veja abaixo a transcrição) por meio das redes sociais, e fez algumas outras declarações interessantes.

O heptacampeão mundial de Fórmula 1 afirmou ter aprendido muito com Senna. “A forma como usava o acelerador era especial, se adaptava a qualquer circunstância, era mestre nisso. Observá-lo me ajudou muito.”

Ana Carolina – Sua admiração por Ayrton Senna surgiu de que forma? O que havia nele que chamava a sua atenção? O que o tornava merecedor de tanto prestígio e admiração? Como ele influenciou você?
Schumacher: Oi Ana, a primeira vez que vi o Ayrton foi no início da década de 80, acho que foi em 1980, em Nürburgring, em uma corrida de Kart. Ele brigava pela quinta posição, ou seja, nem estava na frente. Mas a forma como brigava pela sua posição era incrível. Era contra um piloto alemão, Bertzen, que eu conhecia muito bem. A forma como o Ayrton ultrapassava e manobrava era incrível e era muito bom vê-lo pilotar.

Raí Caldato – De 1991 a 1994, você e o Ayrton dividiram as pistas, correndo e treinando juntos. Existe alguma coisa que você aprendeu com ele e incorporou ao seu estilo de pilotagem?
Schumacher: Oi Raí. Certamente, uma das coisas mais importantes é observar os pilotos, principalmente os melhores, e o Ayrton, sem dúvida, era um deles. Observar seu estilo de pilotar era muito especial, mesmo antes de eu chegar à Fórmula 1, nos velhos tempos. Porque a forma como ele usava o acelerador era muito especial, e eu aprendi muito sobre a maneira de se adaptar a qualquer circunstância, a qualquer momento. Ayrton era mestre nisso e, sem dúvida alguma, observar isso me ajudou muito.

Pablo Melo – Você e Senna se chocaram no GP da França de 1992. Houve então uma conversa entre vocês e Senna não deixou os repórteres chegarem perto. Gostaria de saber o que ele falou com você e o que aquela conversa afetou na sua carreira?
Schumacher: Oi Pablo. Bem, 1992, em Magny Cours, foi sim uma discussão interessante. Sem dúvida, a culpa pelo que aconteceu ali foi minha. Como já tínhamos tido algumas discussões no início daquele ano, e eu havia reclamado não só para ele, mas também para a mídia, o principal motivo de ele ter vindo falar comigo foi para pedir que, se tivéssemos algum problema no futuro, deveríamos conversar pessoalmente, e não reclamar para a imprensa. E ele estava certo: nem tudo pertence à mídia.

Alex B. Carrilio – Após vencer o GP de Monza de 200, você chorou ao conseguir quebrar o recorde de vitórias de Senna. Qual a emoção e a importância desse momento para você?
Schumacher: Oi Alex. Monza 2000 foi, sem dúvida, um momento muito importante. Igualar tempos, recordes, era muito importante para mim. E foi por isso que naquele dia eu não consegui controlar minhas emoções. Afinal de contas, ele era um ídolo para todos nós. Eu o conhecia desde a época das corridas de Kart, competi com ele e, finalmente, após a sua tragédia, igualar seus recordes, significou muito para mim.

Milton Vergani – Se fosse possível uma corrida entre você e Senna, qual circuito você escolheria? Qual carro de F1 você escolheria para vocês dois usarem?
Schumacher: Oi Milton. Uma das corridas, e acho que isso responde sua pergunta, foi o GP do Brasil de 1994, nós dois tínhamos carros excelentes. E a briga que tivemos na pista foi muito intensa e afiada, e eu acabei sendo o feliz vencedor daquela corrida. Acho que o Ayrton chegou a rodar e, sim, fiquei muito orgulhoso por tê-lo derrotado, correndo na sua própria casa e por vencer a corrida.

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JEREZ, DIA 2

SÃO PAULO (que sauna, tá doido…) – Com o carro do ano passado, Schumacher fechou o segundo dia de treinos na frente em Jerez. A destacar, o altíssimo número de voltas de carros novos como os da Toro Rosso e da Caterham. Force India, Ferrari e Williams também andaram bastante. Cada minuto rodado, numa pré-temporada curta, é precioso.

Ferrari e McLaren têm feito tempos bem discretos. O que não quer dizer nada neste momento. Tem mais dois dias de testes, amanhã e depois, e ao final deles vai ser possível começar a especular alguma coisa.

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SCHUMI, 43

SÃO PAULO (por pouco tempo) – Schumacher fez 43 anos terça-feira. E disse que ainda pode vencer na F-1. Dono de todos os recordes importantes na categoria, o alemão voltou a correr em 2010 e passou suas duas temporadas de Mercedes sem um pódio sequer. Mas fez lá algumas boas corridas. E a distribuição de troféus nos últimos dois anos não foi, por assim dizer, muito democrática. Vejam:

2010
Red Bull – 20
McLaren – 16
Ferrari – 15
Renault – 3
Mercedes – 3

2011
Red Bull – 27
McLaren – 18
Ferrari – 10
Renault – 2

TOTAIS 2010 + 2011
Red Bull – 47
McLaren – 34
Ferrari – 25
Renault – 5
Mercedes – 3

Ou seja, como diria Luciano Burti, três equipes (Red Bull, McLaren e Ferrari) concentraram 92,9% dos pódios em 2010 e 2011. Sobraram migalhas para outras duas, a Renault (4,4%) e a Mercedes (2,6%). E nada para as outras sete equipes inscritas no campeonato. O time alemão fez seus três pódios com Rosberguinho em 2010 — na Malásia, na China e na Inglaterra. Schumacher teve como melhores resultados quatro quartos lugares (China, Turquia e Coreia em 2010; Canadá no ano passado).

O desastre, portanto, é coletivo. Abraça quase todo mundo, menos Red Bull, Ferrari e McLaren, com presenças constantes entre os três primeiros. Schumacher está na geleia geral. Mas como nunca foi propriamente um piloto comum, não sei se é de bom alvitre duvidar de duas intenções.

Vocês aí, se tivessem de apostar em algo para Schumacher neste ano, o que seria? Vitórias? Pódios? Pontinhos? Vexames?

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EL GRAN PASADOR

GUARUJÁ (e aí, beleza na empresa?) – Esta foi a temporada com mais ultrapassagens da história da F-1, pelo menos entre aquelas em que foi possível fazer tal contabilidade. E sabem quem foi o piloto que mais ultrapassagens fez em 2011? Schumacher, com 116. Dizer que o cara é um ex-piloto em atividade é forçar a barra, creio.

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TODOS ROUBAM

SÃO PAULO (bobinhos) – Está lá, nas manchetes dos sites, o Verstappen dizendo que Schumacher andou com um carro fora do regulamento em 1994, e que por isso foi campeão. É claro que sempre que alguém fala essas coisas emergem os detratores do alemão e os doidos que dizem que foi isso que matou Ayrton Senna, que estava tentando derrotar um carro ilegal e tal.

O problema é que já faz quase 18 anos que isso aconteceu, e os fatos vão se transformando em memória vaporosa.

A Benetton foi investigada na época e a equipe tinha, de fato, softwares “adormecidos” na sua centralina. A FIA encontrou os programas e a equipe jurou que eles estavam desativados. A saber: dispositivos como possíveis controles de tração, de largada, de altura do carro, câmbio automático etc. Coisas eletrônicas que foram proibidas no final de 1993.

Bem, controle de tração se nota só de ouvir. Não é algo que dá para colocar num carro disfarçado. As outras coisas, quem saberá? O que sei é que todo mundo, naquele ano, tentou ludibriar as regras. Porque, afinal, a FIA tirou de seus carros tudo que havia sido desenvolvido com muito custo e trabalho nos anos anteriores. E tudo que as equipes podiam esconder, escondiam. No automobilismo, digo sempre, todos roubam. Se alguém pegasse, paciência.

A Williams, inclusive.

E Verstappen baseia suas denúncias no fato de que Schumacher era mais rápido que ele. Bom…

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FIM DE FEIRA (10)

SÃO PAULO (e a poupança Bamerindus…) – Coluninha no ar. Trechinho:

Acabou a breve entrevista com o americano, demoraram um pouco a me chamar, não havia mais ninguém em volta, eu já achando que não ia dar em nada, que Schumacher iria virar as costas e se mandar, quando percebi que ele ficou olhando para minha cara. Aí, afastei um dos lados do fone de ouvido e disse: “Um minutinho, moço, que já vão me chamar e estamos ao vivo”.

Para ler, é só clicar aqui.

Schumacher na entrevista solitária. Foto enviada pelo Twitter pelo blogueiro Edu Morato

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MAIS UM?

SÃO PAULO (vixe) – Como se sabe, o contrato de Schumacher com a Mercedes vai até o fim do ano que vem. Mas o “Sport Bild” cravou que ele continua mais um ano, 2013. “Não há motivos para que saia”, disse Ross Brawn.

E sabe aquele recorde, o único, de Barrichello? De piloto com mais GPs disputados? Pois é. Se de fato Schumacher ficar até o fim de 2013 e Rubens parar no fim deste ano, a marca de piloto que mais participou de corridas passará para o alemão. Barrichello fechará a temporada 2011 com 326 presenças em GPs, contra 288 de Michael. Digamos que os dois próximos Mundiais tenham 20 etapas cada. Schumacher poderá, portanto, chegar a 328.

Schumacher persegue Barrichello, só pode ser isso.

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BABY SCHUMI

SÃO PAULO (dura, a vida) – Legal a entrevista de Sébastien Bourdais, que foi companheiro de Vettel na Toro Rosso. Ele acha que o alemãozinho é capaz de estabelecer uma hegemonia na F-1 mais exasperante que a de Schumacher quando estava na Ferrari. O francês derrama elogios sobre Vettel.

Eu não acho que vá acontecer algo tão longevo. Menos pelo piloto, amplamente capaz disso, mais porque um domínio tão duradouro não sobrevive às mudanças drásticas que o regulamento da F-1 prevê para daqui a dois anos.

Em todo caso, fica a opinião do rapaz, que conhece bem o ex-companheiro.

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O VELHO E O NOVO

SÃO PAULO (não perde) - Quem se empolgou com a disputa maravilhosa entre Schumacher e Hamilton em Monza vai gostar dessa aqui. Foi no ano passado, na China. Eu, para dizer a verdade, não lembrava. Achei sem querer. O velhinho é osso duro de roer. Lewis deve sonhar com ele, de vez em quando.

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NINE-ELEVEN (2)

SÃO PAULO – Os ataques de 11 de setembro aconteceram numa terça-feira. Na quarta, embarquei para Milão para cobrir o GP da Itália em Monza. Claro que o clima era de comoção e tal. A Ferrari correu sem inscrições de patrocinadores e com o bico preto em sinal de luto. Depois da prova, Schumacher contou a um amigo que não iria ao pódio de jeito nenhum naquele fim de semana. Terminou em quarto.

No dia 14, sexta, escrevi a coluna abaixo. Devo ter voltado ao assunto alguns dias depois, porque a corrida seguinte era nos EUA. E, lá, dá para imaginar como estava o ambiente. De novo, não é nenhuma pensata, nada de muito profundo. É apenas um breve registro de como a F-1 encarou aqueles dias estranhos e trágicos.

SILÊNCIO INÚTIL

Daqui a alguns anos, até o fim de nossas vidas, todos teremos alguma história para contar sobre o 11 de setembro de 2001. Aqueles que têm amigos nos EUA, aqueles que acompanharam tudo pela TV ao vivo sem acreditar no que viam, aqueles que doaram sangue para as vítimas, os que mandaram dinheiro pela internet, os que participaram das correntes para a localização de pessoas desaparecidas em Nova York ou Washington.

Nos EUA, como primeira determinação a uma população desorientada e assustada, o presidente mandou todo mundo ir rezar na sexta-feira. Politicamente corretíssimo, conclamou seu povo a se dirigir a igrejas, sinagogas e mesquitas. O que significa que, daqui a alguns anos, quase todas as pessoas nos EUA poderão acrescentar a seus currículos “rezei na igreja presbiteriana tal três dias depois da explosão do World Trade Center”, ao lado de “fiz quatro home-runs nas quartas-de-final da liga amadora de beisebol de Nebraska”. Americanos gostam dessas coisas, se sentem participantes e ativos e importantes ao registrar para a posteridade qualquer porcaria sem importância que tenham feito na vida.

Exceto pela vigília televisiva de terça-feira, terei pouco a contar aos que por ventura estiverem dispostos a me ouvir um dia. Minha participação global nos episódios desta semana limitou-se a respeitar um minuto de silêncio ontem em Monza, e quase não consegui. Quando faltavam 20 segundos para o meio-dia, estava fazendo um boletim ao vivo para a rádio que por muito pouco não maculou o momento. Seria um pária se o fizesse, a julgar pelos olhares que me foram dirigidos por colegas estrangeiros.

Ter respeitado um minuto de silêncio em Monza não chega a ser nenhuma façanha. Percebi, sim, o peso desse silêncio no autódromo, sítio normalmente muito barulhento. Notei algumas expressões de verdadeira consternação, como procurei, igualmente, compreender e enxergar alguma sinceridade na decisão da Ferrari de pintar o bico de seus carros de preto e eliminar de suas máquinas as inscrições de patrocinadores, deixando apenas o vermelho visível. Mas foi só. Nenhuma emoção arrebatadora tomou conta de mim, um insensível.

Numa metáfora besta, eu poderia aqui dizer que esse vermelho é o vermelho do sangue que os EUA ocultam do mundo, negando-se a mostrar e a contar seus mortos. Não sei se é proposital, censura ou auto-censura, talvez uma forma de não chocar ainda mais um país de gente puritana em sua maioria, que ainda vive sob uma certa aura de inocência, inocência que já acabou faz tempo. Mas resisto à tentação de ligar o vermelho de um carro ao sangue das vítimas.Em português muito claro, seria uma babaquice sem tamanho.

Pensei em “Silêncio dos inocentes” como título para esta coluna, outra analogia boba, para aproveitar o nome de um filme. Seríamos todos nós, os que mantiveram silêncio por um minuto nesta tarde de sexta-feira na Europa, os inocentes a quem terroristas sanguinários atacaram e mutilaram. Mas, por mais que me esforce, não consigo me sentir inocente em momento algum.

A culpa está estampada no rosto de cada ser humano deste planeta, exceto no das crianças que não têm a menor idéia da roubada em que se meteram ao nascer. Olho no espelho e enxergo mais um culpado. Meu minuto de silêncio em Monza não serviu para coisa nenhuma.

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COLUNINHA

SÃO PAULO (frio danado) - Nada mais é, a de hoje, que o texto cá publicado no início da semana. Crise de inspiração. Mas é para outras mídias, nem todo mundo lê o blog e tal. Pinguei apenas para registro.

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ACABA QUANDO?

SÃO PAULO (apostem) - Como estamos apenas na segunda temporada com farta distribuição de pontos na F-1, para desespero dos estatísticos, muita gente ainda não se deu conta de que Vettel pode ser campeão sem subir mais ao pódio até o final do ano. Os cálculos todos estão aqui, na matéria do Fernando Silva. Com sete quartos lugares, mesmo se o vice-líder Webber vencer todas as provas, Tião Alemão fecha o campeonato um ponto na frente do australiano.

É um baita domínio, que já nos leva a especular sobre a corrida em que o título será definido matematicamente. Olha aí a lista dos GPs que faltam: Itália, Cingapura, Japão, Coreia do Sul, Índia, Abu Dhabi e Brasil. Meu palpite: acaba em Suzuka, circuito que já consagrou muitos e muitos campeões na história. Seria um palco bem apropriado.

Palpite, mas também matemática. Vettel tem, em números redondos, uma média de 21,5 pontos por corrida neste ano. A média de Webber é de 13,9. Nesse ritmo, sempre arredondando, a diferença que é de 92 pontos sobre para 99 em Monza, 107 em Cingapura e bate em 114 em Suzuka. Aí faltarão quatro etapas para o fim do Mundial e Webber poderia marcar, no máximo, 100 pontos.

Diante da disputa até a última corrida do ano passado entre vários pilotos, parece que é um campeonato chato. Mais ou menos. Em 2010, tivemos uma temporada ótima de corridas ruins. Neste ano, a briga pelo título é fraquinha. Mas as provas têm sido bem legais.

Chato, mesmo, foi em 2004. Schumacher fechou a fatura em Spa-Francorchamps, na 14ª de 18 etapas. Ganhou as cinco primeiras corridas, perdeu em Mônaco quando foi abalroado por Montoya no Túnel (estava em primeiro), e depois venceu mais sete seguidas. Terminou o ano com 13 vitórias e dois segundos lugares. Recorde de vitórias na mesma temporada. Em 2002 foi ainda mais cedo: ganhou em Magny-Cours na 11ª de 17 corridas, com 11 vitórias, cinco segundos lugares e um terceiro. Rigorosamente todas as corridas no pódio. Vettel pode até conseguir algo parecido em termos de resultados. Mas não com a superioridade que Schumacher impôs aos seus adversários naqueles anos. Pode até não parecer, mas Tiãozinho tem tido mais trabalho agora do que seu guru teve nas temporadas de 2002 e 2004.

E vou dizer… Acho que se Michael conseguir um único pódio neste ano, ficará tão feliz quanto ficou na Bélgica em 2004, ou na França em 2002. Os dois aí da foto são feitos do mesmo material.

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ONE COMMENT

Para um “aposentado”, até que a primeira volta de Schumacher em Spa, saindo da última posição, foi legal… Mas falando em primeiras voltas, ainda acho a de Barrichello pela Brawn, na mesma Spa, em 2009, uma das mais espetaculares de todos os tempos. Só que não encontro no VocêTubo. Se vocês acharem, mandem o link que pingamos aqui.

ATUALIZANDO…

Mandaram o link do Barrichello em Spa/2009. Está aqui.

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SPANADAS (2)

SÃO PAULO (cabeça dourada) - O vídeo é meio longo, mas muito bacana. Mostra como foi feita a pintura do capacete que Schumacher está usando no GP da Bélgica, para comemorar seus 20 anos de F-1. Quem mandou foi o Ivan Capelli.

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SCHUMI, 20

SÃO PAULO (sim, passa) - Amanhã, dia 23, faz 20 anos que Michael Schumacher apareceu pela primeira vez numa papeleta de tempos da F-1. Era uma sexta-feira, abertura dos treinos para o GP da Bélgica de 1991, em Spa-Francorchamps. O alemão correria pela Jordan no lugar de Bertrand Gachot, que estava preso na Inglaterra por ter se envolvido numa briga de trânsito — ele tacou gás paralisante na cara de um motorista de táxi.

A Jordan estava em sua temporada de estreia, tinha um bom carro e a Mercedes-Benz perguntou quanto custava aquela vaga. Queria colocar para correr um jovem piloto de seu time de Esporte Protótipos, um certo Michael Schumacher. O lugar custou 300 mil dólares. O tal Schumacher classificou o carro verde em sétimo. Foi uma façanha, embora Andrea de Cesaris já tivesse feito o mesmo na Alemanha.

A corrida de Schumacher durou pouco, o carro quebrou na primeira volta. Mas na prova seguinte ele estava na Benetton, e o resto todo mundo sabe.

Com seis vitórias em Spa, entre elas a primeira de suas 91, o alemão considera a pista sua “sala de estar”. Diz que muita coisa mudou em 20 anos, mas permanece o encanto do circuito belga, um dos últimos dos moicanos (ao lado de Interlagos, Monza e Suzuka, acho que Spa forma o quarteto mágico entre as pistas que fazem parte do calendário, apesar da mutilação pela qual passou o traçado paulistano).

Entre as coisas que mudaram nesses 20 anos está o título de melhor de todos os tempos. Vários podem reivindicar o status, de Fangio a Clark, de Senna a Prost. Ou podiam, antes do alemão.

Schumacher foi melhor que todos eles.

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(QUASE) 20 ANOS

SÃO PAULO (sem tempo) - Hoje este blog ficou meio às moscas. Muita atividade na rua dá nisso. Mas fiquem com este vídeo enviado pelo Danilo Cândido, 1000 Km de Autopolis, no Japão (o que foi feito dessa pista?), vencido pela Sauber-Mercedes com Wendlinger e Schumacher. Foi em outubro de 1991. O alemão já tinha estreado na F-1 pela Jordan e, logo depois, fora contratado pela Benetton. Mas ainda fazia uns bicos no Mundial de Protótipos. Esse C291 é um dos mais lindos carros de corrida de todos os tempos. E tinha Toyota, Peugeot, Jaguar, Mazda, Porsche…

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