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MANÁ-MANÁ (3)

manamana3SÃO PAULO (aí sim) – Hahaha, se eu repetisse hoje a pesquisa de quinta-feira, “você gosta dessa F-1 atual?”, o resultado, depois do GP do Bahrein, seria totalmente diferente daquele que está rolando lá embaixo, uns 150% para “não” e uns -25% para “sim”.

Foi simplesmente espetacular a corrida de agora há pouco, e épica, como se diz, a vitória de Hamilton tendo de segurar Rosberg com pneus médios nas últimas dez voltas, o alemão com o mesmo carro e pneus macios, pelo menos 1s mais rápidos por volta que os outros.

Tudo que foi ruim a prova de Sepang foi boa essa de Sakhir. Parecia outra categoria. Mas…

O “mas” é a Mercedes, claro. E falemos dela logo de cara para não comemorar demais antes do tempo, também. Nem todas as corridas serão como essa, e a real é que a disputa pelo título de 2014 está, sim, reduzida a dois pilotos.

Assim, tentando ser mais preciso, vamos dizer que foram simplesmente espetaculares as duas corridas de agora há pouco. Uma delas, com dois carros. A outra, com os demais. Aí é mais honesto.

Comecemos com a primeira, então, o GP Prateado, entre Hamilton e Rosberg. Depois a gente dala do resto.

Eles vão brigar centímetro a centímetro até o fim do ano e há algo muito interessante, nisso. Acho que todo mundo concorda que o Comandante Amilton é melhor que Rosberguinho. Mas isso não lhe garante o título, não. Nico é um piloto bem diferente, mas muito esperto e constante. Menos impetuoso, talvez, mas bom de cabeça. E é essa cabeça boa sua grande aliada para derrotar o performático Lewis, que hoje teve um desempenho assombroso.

A começar da largada, assumindo a ponta depois de esfregar rodas com Rosberg, numa demonstração belíssima de habilidade de ambos. Em 11 voltas, os dois mercêdicos já tinham 11s de vantagem sobre Massa, o terceiro colocado. O ritmo dessa corrida de dois era 1s mais veloz que o da corrida dos outros 20.

Na volta 18, Rosberguinho ensaiou um ataque, talvez para que a TV lembrasse que eles existiam, já que o pau estava comendo lá atrás. Houve um troca-troca de posições e na 20ª Hamilton foi para sua primeira parada e colocou novos pneus macios. Na 22ª, Rosberg fez seu pit stop e, ao contrário do colega, meteu uns médios para deixar os macios para um stint final, já que o time tinha saído para duas trocas, mesmo. Era uma estratégia interessante e diferente. Ótimo.

A diferença entre ambos, que era irrisória até a primeira janela, ampliou-se para cerca de 7s na volta 27, com Lewis nadando de braçada com macios e tendo de abrir o máximo para poder fazer o último trecho da prova com pneus mais lentos. Os dois sumiram da transmissão, porque, novamente, de terceiro em diante era um festival de ultrapassagens, freadas fortes, curvas lado a lado, uma belezura. Até que na volta 42 Maldonado, o Atabalhoado, arremessou o pobre Gutierros para a estratosfera. O carro girou no ar, capotou e caiu de pé, com o mexicano perguntando quem tinha feito aquilo. À resposta, disse: “Suspeitei desde o início”. Safety-car, claro.

Os dois mercêdicos foram para os boxes voando. Hamilton era obrigado a colocar médios. Nico podia calçar macios. A corrida ficou para o alemão. Quando fosse dada a relargada, ele estaria colado no parceiro e teria todo o tempo do mundo para fazer valer sua borracha mais gosmenta.

Então, Paddy Lowe, que não manda pouco na Mercedes, entrou no rádio. Normalmente, quem fala com o piloto é seu engenheiro. O chefe fica só na escuta. E quando ele aparece, é que a coisa é séria. Tipo quando o dono da firma, aquele que a gente não vê nunca, surge na porta do escritório, bate palmas e pede a atenção de todos. Pode ter certeza que fodeu.

Pois Lowe entrou no rádio de Hamilton e disse: “Aqui é Paddy falando. Está tudo bem, tudo lindo, a noite estrelada e enluarada, adoro vocês, mas vamos trazer os dois carros para casa, OK?”.

Seguiu-se um certo silêncio. Cri-cri-cri-cri.

Bom, ele deve ter entendido, pensou o chefe. Trocou de botão, agora para o de Rosberguinho, e falou: “Aqui é Paddy. Tudo bem, Nico querido? Família tá boa, papai tranquilo? Gostei do cabelo, hein? Muito bom, onde cortou? Olha, meu lindo, faltam poucas voltas, vamos chegar direitinho em casa, tá bom? Beijo, lindo”. Do outro lado, ouviu um “OK”.

Já era mais que o som de grilos que veio do rádio de Lewis, e Lowe deu sua tarefa por concluída. Desligou o rádio e disse aos outros no pitwall: “Se eles fizerem alguma merda, corto o pescoço de vocês”.

O safety-car saiu na volta 47. Eram dez para o fim da prova e Nico não tinha outra coisa a fazer: passar por cima de Hamilton, com um carro em tese 1s mais rápido, pelo menos, que o do companheiro. Só que Lewis cravou a melhor volta da corrida. Depois, cravou de novo. Aí Rosberguinho fez o mesmo, como se dissesse: “Fiquem, vai ter bolo e briga”. E foi na volta 52 que veio o primeiro ataque. Hamilton defendeu-se divinamente. O mesmo na volta seguinte. E conseguiu abrir mais de 1s sobre o alemão, tirando dele qualquer chance de novo ataque.

Foi inacreditável. E assim ele chegou à segunda vitória no ano e 24ª na carreira, para igualar Fangio nas estatísticas e deixar Piquet para trás. Nico cruzou a linha pouco mais de 1s atrás. O terceiro colocado, a mais de 24s. Isso mesmo: em dez voltas, os Mercedões abriram em média 2s4 por volta sobre o terceiro colocado.

No pódio, diante de garrafas enormes de tubaína, Rosberguinho ostentava um sorriso algo amarelado, mas não parecia estar deprimido a ponto de cometer suicídio. Ainda deu um banho de refrigerante em Hamilton e saiu na boa. É líder do campeonato, afinal, e sabe que tem 50% de chances de ser campeão — sim, o campeão será ele, ou seu amiguinho, não existe nenhuma possibilidade, repito, de um piloto de outra equipe entrar nessa disputa.

Por enquanto, está na frente nos pontos. Vai ter de manter a cabeça muito no lugar para derrotar o inglês que recuperou a motivação e está guiando de forma soberba e encantadora.

Muito legal, esse Mundial de Mercedes 2014. Daqui a pouco volto para falar da outra corrida e de seu grande vencedor, Sergio Pérez.

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FOTO DO DIA

Rosberguinho e Hamiltinho quando corriam de kart, amparados pela Mercedes/AMG. Emprestei a foto do excelente Motorsport.

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MAO AÍ (5)

SÃO PAULO (café, eu queria) – Bão, é o seguinte. Ninguém achava que a Mercedes ia ganhar. Sejam honestos. Mas ganhou. E é uma ótima notícia. Uma equipe que aprende a ganhar, gosta. E como não foi uma vitória daquelas malucas, como a de Alonso na Malásia, é lícito acreditar que a partir de agora vai lutar para vencer outras corridas. Mais uma para um clube que anda meio desfalcado, porque a Red Bull e a Ferrari não têm carros vencedores e outras, como Lotus e Sauber, só se derem um rabo desgraçado.

O fato é que como esta temporada não tem nenhum favorito destacado, como era a Red Bull no ano passado, ela se abre para várias possibilidades. Até agora foram três provas e três vencedores de três equipes diferentes. Até a Ferrari, com aquela bomba de carro, conseguiu beliscar a sua.

E isso significa que regularidade será essencial na corrida pelo título. Hamilton é o novo líder com 45 pontos e nenhuma vitória. Fez três terceiros e está lá, todo bonitão. Button foi o segundo hoje e tem 43. Alonso, nono, caiu para terceiro com 37. Webber, quarto, é quarto também no mundial com 36.

E hoje foi dia de Rosberguinho. Poderia ser também de Schumacher se não tivesse acontecido alguma cagada na roda dianteira direita no pit stop. O mecânico socou o chão de raiva. Michael abandonou ao sair dos boxes.

Nico fez uma corrida exemplar e teve a vitória facilitada por um probleminha de Button num pit stop que o atrasou um pouco e fez com que perdesse tempo no tráfego quando foi devolvido à pista. Mas tendo parado três vezes contra duas de Rosberg, não venceria do mesmo jeito. Isso foi o mais surpreendente de tudo em Xangai: a Mercedes, devoradora de borracha, precisou só de dois pit stops. A McLaren, de três. Webber também.

O GP chinês começou morno, com alguns largando bem, como Button, e outros mal, como Kobayashi. Webber foi o primeiro a parar para colocar pneus médios, na sétima volta. Rosberg levou mais tempo e só parou na 14. E, depois, na 35. Os que optaram por apenas dois pit stops tiveram problemas com os pneus no fim, como Vettel — que escalou o pelotão de 11° no grid até chegar a andar em segundo a duas voltas da quadriculada, quando acabou sendo ultrapassado por Button, Hamilton e Webber.

A Red Bull ainda está na briga, não se iludam. O time sacou que não iria brigar por vitórias nas primeiras corridas do ano e está somando pontos para tentar dar o bote na Europa. Tiãozinho fez uma bela prova e o Canguru também. Como muito bem foram Grosjean, sexto, e Bruno Senna, sétimo. O brasileiro repetiu a atuação convincente da Malásia com boas ultrapassagens e muita disposição. Está se saindo melhor que a encomenda, assim como a Williams em geral. Maldonado foi o oitavo. Se não tinha andado bem no sábado, no domingo o carrinho azul mostrou que dá para frequentar os pontos assiduamente.

A decepção foi a Sauber. Tinha gente até sonhando com uma vitória de Kobayashi, terceiro no grid, e ele foi só o décimo. Na Lotus, se Grosjean foi bem, Kimi teve um fim de prova esquisitíssimo. Numa volta, caiu de segundo para 12°. Depois saberemos o que aconteceu. A Ferrari voltou à realidade. O nono de Alonso é exatamente o tamanho do time vermelho hoje. E Felipe em 13° é exatamente o tamanho do time e o dele, piloto. Massa é o único, além do sexteto das três nanicas, que não marcou um pontinho sequer em 2012.

Efemérides: foi a primeira vitória da Mercedes desde o GP da Itália de 1955, com Fangio, e décima da marca com equipe própria. Rosberguinho tornou-se o 103° piloto a ganhar uma corrida na F-1 e o quinto, entre os vencedores, que precisaram de mais GPs até chegar lá. No seu caso, ganhou no 111° GP. Webber foi o que levou mais tempo, 130 corridas. Nico é também o segundo filho de campeão a ganhar um GP. Keke, seu pai, ganhou o título de 1982 com apenas uma vitória. Ou outro filho de peixe campeão foi Damon Hill.

Apesar de sempre curtir vencedores inéditos, não gostei muito da corrida, não. Acho que era meu sono, sei lá. A pista estava muito suja, pedaço de pneu para todo lado, não estava fácil sair do traçado para ultrapassar. Houve mais perseguição do que disputa. No fim, algumas briguinhas deram graça ao brinquedo. Mas foi bom. Tirando o que foi ruim, o resto foi bom.

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MAO AÍ (3)

SÃO PAULO (falei?) – Mas que bela pole, hein, Rosberguinho? Agradeça aos buraquinhos do Ross Brawn, com todo respeito. Andamos falando bastante deles, recentemente. Rosberg foi minha aposta para a pole assim que começou o treino. Pena que não tinha ninguém para apostar comigo, nem registrei em cartório. Achava que McLaren e Red Bull poderiam incomodar um pouco, até, mas que nada… O alemão imberbe, sorridente e delicado enfiou uma trolha de meio segundo em Hamilton e outra em Schumacher, sem dó. Fez uma volta só em 1min35s121 e foi desfilar seu sorriso kolynos pelo paddock enquanto os outros tentavam alguma coisa.

É a primeira pole da Mercedes desde 1955. Isso mesmo. A última foi de Fangio no GP da Itália. Chupa que a cana é doce. A primeira desde a volta da estrela de três pontas como equipe própria, em 2010. E a primeira de Rosberguinho, que tinha um segundo no grid da Malásia lá mesmo em 2010 como sua melhor posição de largada. Conseguiu a pole na sua 111ª corrida. Demorou pacas. Suspeito que tenha sido um dos pilotos, entre os que já largaram na pole, que mais tempo levou para lograr tal êxito. É o 95° na lista de laureados com a dita posição de honra em todos os tempos.

E como Hamilton, o segundo, caiu para sétimo porque trocou o câmbio, a primeira fila será toda da Mercedes, o que é um resultado e tanto. Schumacher parte em segundo, todo pimpão. Pela primeira vez na primeira fila desde o GP do Japão de 2006, quando ainda se vestia de vermelho. Mas isso não faz do time de Brackley favorito à vitória. Na corrida, o buraco do Ross Brawn é mais embaixo. A asa móvel só pode ser ativada uma vez, e isso se tiver alguém na frente para passar. A eficiência de seus tubos de PVC ao longo do carro cai bastante, nessas circunstâncias. Nos treinos, eles podem ser usados à farta. Lutar por um pódio é o que mais se aproxima da realidade para a Mercedes, o que já estará de bom tamanho. Se ganhar, ficarei surpreso e direi “oh”.

Teve coisa muito boa nessa classificação. Kobayashi, mítico, larga em terceiro, na segunda fila. Olha só o tamanho da bagaça: na sua história, a Sauber só tinha conseguido coisa parecida três vezes. Frentzen foi terceiro no grid no Japão em 1994 e Alesi fez dois segundos, em 1998 na Áustria e em 1999 na França. De lá para cá, nunca os fazedores de chocolate e relógios tinham obtido um resultado tão bom. Mito é mito.

Raikkonen ficou com o quinto tempo e larga em quarto. Morro de rir de quem achava que Kimi seria um vexame depois de dois anos na lama e no pó. Vou dizer um negócio: pode até ganhar a corrida. Também direi “oh”, mas ficarei menos surpreso do que com uma vitória da Mercedes. E se o fizer, vai comemorar com talagadas de schnapps e não vai ter puta pobre em Xangai. Apostinha do blogueiro: vai para o pódio. Button larga em quinto, Webber em sexto e Hamilton vem depois, seguido por Pérez, Alonso e Grosjean para fechar o top 10.

E aí entramos no purgatório da turma que ficou no Q2. Vettel, quem diria, foi um deles. Sua pior posição de largada desde o GP do Brasil de 2009, quando foi o 15° no grid. O que passa na Red Bull? Virou abóbora? Reagirá no campeonato? Sei não. É só a terceira corrida do ano, mas nota-se que se há um caminho para voltar a brigar na frente, este é longo e sinuoso. E Tiãozinho está de tromba. Mais umas duas provas e será possível dizer se ainda haverá alguma chance. Por enquanto, este campeonato está é com cara de McLaren.

Depois dele ficou Massa, que desta vez chegou um pouco mais perto do Q3, mas segue em sua sina de maus resultados que parece eterna. Maldonado e Senninha formam a sétima fila, separados por pentelhésimos. E o resto foi tudo normal, em duplinha: forceíndicos, tororrôssicos, caterhâmicos, marússios e hispânicos fechando o grid. Nas últimas seis filas, pois, parceiros de equipe lado a lado.

Choverá? Pode ser que sim, e aí muda tudo. Ano passado, Hamilton venceu a corrida com três paradas no seco e a prova teve ultrapassagens de balde. Será parecido neste ano, por conta da reta do tamanho da Grande Muralha que permite vácuo, asa móvel e freada forte para passar. Se a Mercedes conseguisse resolver o problema de desgaste de pneus, poderia sonhar com algo glorioso e retumbante, mas é pouco provável. Lewis, se não quiser abraçar o mundo na primeira volta, me parece ser o mais forte candidato à vitória, mesmo largando atrás de Button. Entre as surpresas possíveis para beliscar troféus estão Koba-mito e Pérez, o Ligeirinho, que só para para trocar pneus se for obrigado. Além de Kimi.

Vai ser uma corrida interessante.

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JEREZ, DIA 3

SÃO PAULO (2011 na cabeça) – Se pudessem, pelo jeito, as equipes usariam os carros do ano passado. Rosberguinho, de Mercedes, fez hoje o melhor tempo da semana até agora em Jerez, na casa de 1min17s. Claro que é brincadeira. Os carros novos têm muito espaço para evoluir. E Bruno Senna fez sua estreia na Williams. Os detalhes, no Grande Prêmio.

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NORDSCHLEIFE (2)

SÃO PAULO (de sonho) – De vez em quando o Fábio Seixas publica algo que presta em seu blog. Como este vídeo do canal da Mercedes no YouTube com o passeio de Rosberguinho e Schumacher com os W196 pelo velho Nürburgring. Um detalhe que não me passou despercebido: a produção simples do vídeo, sem caracteres, efeitos, narração. É um caminho dessas novas mídias. Apenas mostrar.

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NORDSCHLEIFE

SÃO PAULO (não tem nada igual) - Nico Rosberg e Michael Schumacher foram dar um passeio na floresta hoje. As fotos estão aqui.

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CANSOU?

SÃO PAULO (tudo cansa, uma hora) - Só li no “Daily Express”, então não sei se o cara falou isso mesmo. Mas o jornal inglês afirma que Schumacher disse, na Turquia, que está perdendo a alegria de correr.

Se estiver, que pare. Sua volta, eu disse isso desde o início, só se justificava pelo prazer de pilotar. Voltar a ganhar seria difícil, não só pela idade, mas também pela força emergente da Red Bull, pela juventude dos adversários, pelas dificuldades de uma categoria que na maioria das vezes exige três ou quatro anos de maturação de um conjunto piloto-carro-equipe para se tornar vencedor. Schumacher já passou por isso, na Benetton e na Ferrari, principalmente. Não sei se teria tempo ou saco para refazer o caminho. Talvez apostasse numa repetição do “fator Brawn”. Mas o que aconteceu em 2009 é mais raro que nota de dois dólares.

Na comparação com seu jovem companheiro Rosberguinho, Schumacher vem levando uma sova respeitável. Em 23 grids, Nico largou na frente em 19. Em corrida, o placar aponta 17 x 6 para o pequeno Rosberg, considerando que no abandono duplo da Austrália neste ano ele estava em 8º e Schumacher, em 20º.

Nada disso apaga o que Michael já fez na F-1. Mas se sua intenção ia além de se divertir, ele mesmo deve estar muito decepcionado. Quando a Mercedes anunciou sua contratação, muita gente acreditou que o heptacampeão poderia voltar a vencer corridas. Eu estava entre eles. Mas sempre acreditei que a prioridade deveria ser, mesmo, o lado pessoal. Vitórias seriam lucro.

O que estaria tirando a alegria de Schumacher nesta nova F-1? Andar atrás de Rosberg? Ser ultrapassado sem dó, nem piedade, por um monte de garotos imberbes? A zona que viraram as corridas?

É difícil decifrar a mente das pessoas. O que deve doer para um piloto como Schumacher é ler as bobagens que sobre ele são ditas e escritas. “Só ganhou com o melhor carro”, “nunca foi tudo isso”, “era um trapaceiro”. Nem sei se ele lê ou escuta, depois de uma certa idade a gente caga e anda para o que dizem de nós, mas é claro que devem chegar aos seus ouvidos, de alguma maneira, tais comentários desprovidos de qualquer fundamento, que têm como base unicamente a inveja e o ressentimento.

Seria legal se Schumacher conseguisse, nesse epílogo de sua carreira, um trofeuzinho, que fosse. Ganhar alguma corrida não será muito fácil. Aliás, não está sendo fácil para ninguém. Desde que o alemão voltou, no começo do ano passado, foram 23 GPs disputados, com 12 vitórias da Red Bull, seis da McLaren e cinco da Ferrari (todas de Alonso). Não é só Schumacher que não tem ganhado corridas, como se vê. Apenas cinco pilotos venceram nesse período. Os outros 19, em 2010 e 2011, não estão fazendo muito mais do que ele, em termos de resultado.

A esta altura de sua vida, qualquer pódio seria um prêmio para Schumacher, pelo conjunto da obra. E ele daria um enorme valor a uma taça, qualquer uma, que pudesse levar para casa depois dos 40.

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ANOTHER COMMENT

Genial. Enviado pelo Lucas Nascimento.

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ONE COMMENT

A isso se chama espírito esportivo.

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QUE DUREZA

SÃO PAULO (vamos ver…) – Michael Schumacher disse que Nico Rosberg é o companheiro de equipe mais difícil que já teve. Natural. É o primeiro que o bate sistematicamente, em treinos e corridas. Estou tentando aqui lembrar de cabeça de todos os parceiros do alemão na F-1. Vou esquecer gente, claro, mas tentemos: De Cesaris, Piquet, Herbert, Brundle, Irvine, Barrichello, Massa. É isso?

É claro que de todos Piquet é o mais forte, tricampeão e tal. Só que estava em fim de carreira quando seus caminhos se cruzaram na Benetton. Mas para vocês, Rosberg à parte, quem foi que deu mais trabalho para Schumacher?

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IN & OUT

PORTO ALEGRE (quente demais) – Estava na cara que a resposta de Barrichello meio em tom de brincadeira a um jornalista inglês daria no que deu. O cara pediu a Rubens que desse um conselho a Nico Rosberg. Respondeu: “Cai fora daí!”. E acrescentou, quase se arrependendo: “Já sei o que vai aparecer nos jornais amanhã”.

Claro que apareceu. Se falou, está falado. Se não quer que apareça nos jornais, que não fale. É um sujeito estranho, Barrichello, quando se trata de falar. “Eu falei, mas não quis dizer isso”, costuma se queixar.

Bem, é claro que teve resposta, porque nesse pequeno picadeiro da F-1, uma coisa que todo mundo gosta de fazer é tripudiar sobre resultados. Norbert Haug e Rosberguinho usaram o argumento mais à mão para rebater o “cai fora”: comparar Rubens com Schumacher nos seis anos em que passaram juntos da Ferrari.

E, aí, quem fica sem argumentos é o brasileiro.

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NICO LÁ

SÃO PAULO (e o outro?) - Não pegou ninguém de surpresa, mas é sempre bom registrar a confirmação oficial. Hoje de manhã a Mercedes anunciou a contratação de Nico Rosberg para sua equipe recém-comprada. Bom piloto. Bom para ser segundo, se o time tem grandes pretensões. Se não tem altos sonhos, pode até ser o primeiro.

Seguimos aguardando as novidades que a Mercedes prometeu, e que para muita gente ainda apontam na direção de Michael Schumacher.

NR_2

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BUTTON E A MCLAREN

SÃO PAULO (vixemaria) – Vai sair no “The Guardian” amanhã. Jenson Button teria assinado com a McLaren por três anos, 6 milhões de libras por temporada. Teria decidido assim que soube da compra da Brawn pela Mercedes. Ele seria companheiro de Hamilton, claro. E, aí, me permito acreditar que a Mercedes, que adora o Raikkonen, vai pegar o rapaz. E colocar ao lado dele Nico Rosberg. Fiquemos atentos. Novidades por aí. Mas nada confirmado, por enquanto.

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TEDESCAS (11)

SÃO PAULO (os caras) – Agora, o resto. Os destaques da prova, Red Bull à parte, foram petit Rosberg e Massa. O filhote de Keke largou em 15º e terminou em quarto, graças a uma largada excelente (ganhou seis posições) e a um ritmo forte mesmo com seu Williams pesado, esticando muito o primeiro stint. Massa fez mais ou menos o mesmo e ainda teve o trabalho extra de brigar com Barrichello e Vettel durante boa parte da corrida. Levou um troféu para casa suado e merecidíssimo, em seu primeiro pódio no ano.

A melhor volta de Alonso também é digna de nota. Se ele tivesse feito uma boa classificação, largando entre os sete ou oito primeiros, poderia brigar um pouco mais na frente. Fez dois pontos igualmente suados, mas pouco representativos.

Kovalento fechou a zona de pontos sem brilho. Afinal, era terceiro na primeira volta, depois de ótima largada. Depois foi ficando para trás, como de hábito. Hamilton, que também largou bem, furou o pneu na primeira curva e deu adeus a qualquer chance de um resultado que pudesse anotar no currículo.

Os piores na largada foram Trulli e Piquet-pimpolho, despencando cinco posições cada. Ambos terminaram a prova sem aparecer. Um deles, Nelsinho, pode ser que nem apareça na Hungria. Saberemos por seu Twitter, que hoje ainda não foi atualizado.

Deu pena, mesmo, de Sutil. Chegou a andar em segundo, estava muito perto de fazer os primeiros pontos da Force India, mas foi burro demais na saída dos boxes ao tentar dividir uma curva com Raikkonen. Deixa passar, o cara já o tinha acertado em Mônaco um dia, não tem nada a perder… Muito, muito ingênuo.

E, fechando, boa atuação de Glock, saindo dos boxes e terminando em nono, o que não vale nada, e péssima, de novo, da dupla da BMW Sauber — que conseguiu, neste ano, fazer um carro ao mesmo tempo muito feio e muito lento.

Ah, e teve também a despedida de Bourdais. Para alegria de Kimi. Segundo meu amigo Gola Profonda, Raikkonen decidiu abandonar quando disseram a ele que o francês estava se despedindo do pessoal da Toro Rosso no pitwall. “Eu também vou lá dizer tchau pro caolho”, falou Kimi, parando o carro.

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PAIS & FILHOS

SÃO PAULO (longo dia) – Vamos inaugurar uma minissérie, com fotos de papais-pilotos com seus filhotes-futuros-pilotos, começando com essa aqui, enviada pelo Humberto Corradi. Nem precisa dizer quem é… Em todo caso, Keke Rosberg com Nico em 1994, de acordo com a data informada pelo blogueiro. Depois a gente cata mais algumas de Gilles & Jacques, Graham & Damon, Niki & Mathias, Nelsão & Nelsinho e quem mais aparecer…

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WILLIAMS 2008 = 2009

SÃO PAULO (esquisito) – Meio assim, sem mais nem menos, a Williams anunciou agora à noite que mantém a dupla Rosberguinho-Nakajiminha em 2009. Dois filhotes, um deles muito bom, Nico, outro mais ou menos, Kazuki.

O anúncio significa que a Toyota segue com o time, o que era esperado, e que uma porta se fecha para Piquet-filho, na eventualidade de ele não ficar na Renault, Rubens Barrichello, se espirrar da Honda, e Bruno Senna, que andava flertando com a ex-equipe do tio.

Quem deixa a Williams, depois de dez anos, é a Petrobras. Vai para a Honda.

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RIO, 1983

SÃO PAULO (só uma lembrança) - Não é efeméride de nada (o aniversário de 25 anos já foi, em março), mas o Humberto Corradi mandou este resumo do GP do Brasil de 1983, e sempre é legal rever Jacarepaguá. A vitória foi do Piquet. E duas coisas curiosas aconteceram nessa prova, numa época em que a F-1 era meio bagunçada… Keke Rosberg chegou em segundo, e foi desclassificado porque o empurraram nos boxes. Até aí, tudo bem. O gozado é que o terceiro, Lauda, não subiu uma posição. O GP do Brasil de 1983 simplesmente não teve segundo colocado! Alguém sabe de outro caso parecido?

E houve mais uma desclassificação ímpar. Elio de Angelis, da Lotus, terminou em 13º, mas foi excluído do resultado final porque trocou de motor. Ora, não podia? Poder, podia. Só que ele fez a classificação, no sábado, com motor Renault. E correu de motor Ford, porque o outro quebrou no warm up!

Era uma zona, uma deliciosa bagunça. Dá para imaginar algo semelhante hoje em dia?

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Estrela que sobe

SÃO PAULO (grande Yoko) – Nico Rosberg está sendo tratado como a estrela-mor da pilotada em Sepang. Ou quase isso, apesar, claro, de não disputar títulos ou vitórias.

Nico é jovem, 20 anos, filho de campeão, bonitão, cabelos compridos, tem estereótipo de ídolo. E anda bem, o que é essencial.

Muita gente achou que Nelsinho seria barbada nessa briga pela vaga da Williams, entre outras coisas porque Nelsão é brother de Frank & cia.

Mas para certas coisas, não basta ter amigos. É preciso ralar. Nico ralou ano passado, ganhou a GP2. Antes, ganhara a F-BMW e fez bons campeonatos na F-3 Européia, enquanto Nelsinho se divertia entubando pilotos mambembes na América do Sul.

Piquet Jr. tem lá seus predicados. Pode até virar alguma coisa. Mas seu pai andou falando muito, e antes do tempo. Curioso, porque Nelson sempre disseminou como uma das razões de seu sucesso a vida dura que levou até chegar à F-1. Aí oferece uma vida mole ao filhote. Contradiz seu passado e compromete o futuro do garoto.

Enquanto isso, Nico sobe.

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Nelsinho: vai ou não vai?

Hoje serei breve. Fim de ano, sacumé. Matrícula das crianças na escola, apresentação de fim de ano (marcaram para agora, 16h30, dá para acreditar???). Mas para não passar a tarde em branco (de noite prometo mais mensagens, ou “posts”, como se diz), deixo a questão, que me fazem com frequência, também: e o Nelsinho? Vai ou não vai?

Vi várias corridas do rapaz, na GP2. Confesso que nenhuma me impressionou demais. Na verdade, o piloto que mais me impressionou nessa categoria foi o Heikki Kovalainen, mais até do que o campeão Nico Rosberg.

Nelsinho começou bem na A1 GP. Mas não nos esqueçamos que só venceu em Brands Hatch, pista que conhece de trás para a frente. Depois empacou.

Não gosto de fazer julgamentos precipitados. Aliás, não gosto de fazer julgamento algum. Deixo para vocês. Nelsinho vai ou não vai?

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