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CAIU, LEVANTA

 

SÃO PAULO (não muda nada) – O rebaixamento da Portuguesa ontem tem responsáveis óbvios e muitos culpados, como sempre há nas grandes derrotas. Não vou ficar aqui apontando o dedo e nominando cada um. Faço isso na arquibancada. Farei no próximo jogo, que será pela Copa do Brasil, contra Remo ou Bahia. Copa do Brasil que venceremos, garantindo vaga na Libertadores do ano que vem para jogar a final do Mundial no Marrocos.

Estou triste, claro, mas não envergonhado. Vergonha de quê? De torcer para um time? A malta de babacas que ontem e hoje se manifestou nas redes sociais não me incomodou. Aliás, é curiosa essa nova subcategoria de torcedor: o torcedor das redes sociais. Que fazem parte também da categoria um pouco maior, que é a do torcedor do pay-per-view. Essa criançada que nunca foi a um estádio na vida. Vergonha nenhuma. A bandeira da Lusa está na janela de casa, como esteve durante algumas semanas no fim do ano passado, quando fomos campeões brasileiros. Eu tenho bandeiras. Comprei nos jogos. Poderia ter comprado pela internet, também, mas comprei nos jogos.

O problema dessa garotada é seu total e absoluto desconhecimento do que quer que seja. São profundos especialistas em Facebook, Twitter e Instagram, mas da vida nada compreendem. Conhecem os personagens do “Pânico”, gargalham com “memes”, têm no YouTube sua principal fonte de informação e inspiração.

Pois eu explico o que está acontecendo com o futebol brasileiro, e a partir dessa realidade é mais fácil entender por que alguns clubes que têm história e tradição subirão e cairão com frequência daqui para a frente, até que sejam eventualmente extintos e virem apenas memória.

Nesse futebolzinho mequetrefe de hoje, que muitos jovens creem ter-se inspirado no Playstation, inventado depois do videogame, não há times bons. Há times ricos. É preciso ser muito obtuso para morrer de orgulho de um time que só é forte porque tem capacidade de gerar receita. Capacidade essa diretamente ligada aos índices de audiência que obtém nas transmissões da TV — que, por sua vez, determina quem deve ganhar mais dinheiro e, portanto, quem vai vencer mais. Aparecendo mais na TV, a chance de fechar patrocínios melhores também cresce, e assim se cria um círculo vicioso que tira do futebol sua natureza esportiva e o transforma em um mero negócio. E assim temos Jontex x Unimed, BMG x Banrisul, KIA x Netshoes.

Há muita gente, jornalistas, inclusive, que se deliciam com a falência do que costumo chamar de “futebol de raiz”. Sonham com uma liga hiper-mega-ultra-profissional no Brasil que se limite a 20 clubes — uns dez que se pretendem barcelonas, chelseas, manchesters ou reais madrid, e uns dez sacos de pancada para fazer figuração. Aqui, lembro que minha Portuguesa, circunstancialmente, pertence a essa elite babaca em 2012. É um dos 20. E como jamais se pretenderá um barcelona, estará entre os dez sacos de pancada da Série A.

Será “escada” para os gloriosos gigantes, porque o que vai decidir quem será o campeão brasileiro de 2012 não é a eventual capacidade de um clube de formar um time bom, que jogue bonito, que tenha alguma filosofia desde o nascedouro. Um Barcelona de verdade. De qualquer forma, a Portuguesa não tem nada disso faz tempo, o que também não importa — os anos 50 e 60 estão meio século atrás de nós. E mesmo se tivesse, sucumbiria à receita que a ela será destinada pela TV, quando comparada àquela que será entregue aos times que terão seus jogos transmitidos ao vivo para gáudio da turma que vive de ibope.

Por isso que digo que uma Série B é muito mais divertida para quem gosta de futebol de verdade, e não de anúncios de camisinha ou de setores VIP em estádios, até com pulseirinha para entrar — enquanto do lado de fora, nas estações de trem e metrô, tontos se matam em nome de gangues que surgiram para torcer para um time, e hoje torcem por elas mesmas, para ver quem mata mais.

Ano passado, o orçamento da Portuguesa não era muito maior que o do Goiás, ou do Vitória. A coisa é mais equilibrada e, meio sem querer, montou-se um time excelente, encantador, que deu certo e foi campeão. Foi um título conquistado em igualdade de condições com a maioria dos adversários. Tem um valor muito maior — para quem gosta de futebol, insisto — do que qualquer conquista amparada por receitas que em muitos casos são dez vezes maiores que a dos rivais. Um time que recebe 10 milhões por ano da TV nunca vai se impor a um que receba 100. Nisso, o futebol é meramente matemático, não há surpresas.

O futebol que aprendi a amar, aquele dos anos 70 e 80, não existe mais no Brasil. A Portuguesa foi campeã paulista em 1973, vice em 1975, campeã da Taça Governador do Estado em 1976, finalista do primeiro turno do Paulistão em 1980, num tempo em que os clubes tinham tanto dinheiro quanto conseguissem arrecadar formando e vendendo jogadores. Seu resultado em campo era diretamente ligado à capacidade de montar bons times com recursos próprios, sem ajuda externa determinada por uma emissora de TV, que hoje escolhe quem pode e quem não pode ganhar. Nessas fotos aí em cima, aparecem jogadores como Félix, Djalma Santos, Julinho, Marinho Perez, Basílio, Enéas, Ivair, Leivinha, Zé Maria, Luís Pereira, Edu Marangon, e muitos outros que os mais antigos saberão identificar.

Hoje, o corintiano e o flamenguista, por exemplo, não precisam se preocupar com eventuais tragédias como um rebaixamento. Escrevam: a última desgraça de um desses que vocês chamam de “grandes” foi a queda do Vasco. O formato atual do futebol brasileiro, com sua distribuição desigual de dinheiro, é um antídoto quase infalível a essas tragédias. “Quase” porque, claro, sempre há uma remota chance de dar uma merda federal, como quase deu com o Santos em 2008 (não caiu por um ponto), ou com o Cruzeiro no ano passado (se safou na última rodada). Serão deslizes cada vez mais raros, e vai ser preciso muita incompetência para cair com uma conta bancária tão robusta.

Campeonato Brasileiro, hoje, graças ao que a TV determina e os clubes aceitaram, é aquela festinha chique para a qual muita gente dá a vida para ser convidado, mesmo sabendo que será escanteado até pelo garçom. E por isso o futebol de verdade está acabando. Por isso que os times do interior de São Paulo estão morrendo, assim como os do interior do Rio Grande do Sul, do Paraná, de Minas… Morreram os grandes dos subúrbios cariocas, agonizam grandes como Portuguesa, Américas (do Rio e de Minas), comem o pão que o diabo amassou os gigantes do Norte-Nordeste.

Não me importo muito. É claro que a tristeza por um rebaixamento é imensa, tanto maior quanto for o amor que se tem por um clube. Mas é nesses altos e baixos que se vive aquilo que o futebol tem de melhor: a capacidade de ser uma metáfora da vida como ela é. Exatamente um ano atrás, eu estava eufórico porque a Lusa se classificou para a fase final do Paulista. Escrevi algumas linhas. Fiquei feliz como poucas vezes na vida, mas logo depois veio a derrota para o São Paulo e a eliminação. E, depois, a campanha da Série B. E, depois, a queda de ontem. Alegria, tristeza, alegria, tristeza. O que é a vida, afinal? Esse sobe-desce, ou essa euforia empastelada e permanente que os apresentadores de esportes na TV tentam nos enfiar goela abaixo?

Meus dois meninos sofreram ontem. Meu pai também. Cada um a seu modo. O mais novo, que sempre fica com muita raiva nas derrotas, disse que iria trocar de time. Depois, se arrependeu. Mas continua zangado. O mais velho, que na escola é conhecido como “Lusa”, fez questão de dizer que iria “vestir o manto” hoje porque nunca vai se envergonhar do time que escolheu para torcer. Sim, eles escolheram. Eu os levo a campo desde que eram de colo, mas sempre puderam escolher. E sua escolha é motivo de orgulho para mim, porque escolheram aprender a ganhar e a perder. A não pertencer a nenhuma manada preguiçosa que só se importa em bater no peito para dizer “ganhamos”, sem perceber que nunca ganharam nada, não fazem parte daquilo. Veem tudo a distância em TVs de LCD, Optaram pela via mais fácil de se sentirem vencedores: se apropriando das vitórias de algo que só faz parte de suas vidas quando chega a fatura dos canais pagos.

Meus meninos, e os milhões de torcedores disso que vocês chamam de “pequenos”, não. Nós podemos bater no peito e dizer “ganhamos”. Mas sabemos dizer, também, “perdemos”. Fazemos parte daquilo de verdade. Quando nos vemos numa arquibancada distante debaixo de chuva ou de sol, com nossas camisetas da sorte, o boné desbotado, a calça meio rasgada, o tênis velho, a bunda no cimento, temos a completa noção de que fazemos parte daquilo. Ganhamos e perdemos junto.

A Portuguesa caiu, fizeram um monte de cagadas no campeonato, o clube é uma desgraça comandada por beócios, mas a vida segue e o futebol, também. Semana que vem tem jogo, tem mais vida pela frente. Para ganhar ou perder de verdade, sem controle remoto na mão.

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FAZ DE NOVO (12)

SÃO PAULO (e chega) – Eu tinha selecionado mais de 20 artistas para apresentar aqui sugestões de novos uniformes para a Lusa, mas com dor no coração fui obrigado a enxugar bem a seleção sob o risco de a coisa dispersar. Peço desculpas aos muitos que mandaram desenhos e acabaram não pingando aqui. Minha escolha acabou sendo arbitrária, tive de deixar muita coisa boa de fora, mas não tem jeito. Assim, antes de qualquer coisa, agradeço demais a todos que enviaram seus trabalhos. Ficaram lindos, de verdade.

Com esta remessa, do Thiago Azevedo (thiagoaz@yahoo.com.br), encerro a campanha. Meio deprimido, porque ninguém da Portuguesa, nem da Lupo, se manifestou. Não que me ache importante a ponto de merecer uma audiência, mas a questão das camisas é. Há um consenso de que a escolha feita pelo clube e pelo fornecedor foi um desastre. E todas as camisas aqui apresentadas são melhores que aquelas que estão sendo usadas pela Portuguesa. Não haveria mal algum se pelo menos dessem uma olhada. Poderiam, por exemplo, colocar em votação entre os torcedores. Não creio que os autores iriam se opôr. Vamos ver se acontece alguma coisa, agora.

Abaixo, a mensagem do Thiago:

Bom, seguem algumas sugestões para os uniformes da Portuguesa. Como as imagens ficaram muito grandes e deixariam o email muito pesado, preferi colocá-las em uma galeria. O link está aqui. São três sugestões para a camisa principal (duas listradas e uma vermelha), uma para a segunda camisa (inspirada em uma utilizada no início dos anos 50 – lembro de ter visto uma foto no Que Fim Levou, do Milton Neves, só vou ficar devendo o link exato) e outra para a terceira camisa (preta). Tentei fazer tomando como base o modelo da Lupo, tentando “salvar” alguma coisa. Fiz os uniformes no (jogo) Fifa 12, tenho mais facilidade de mexer por lá. Só peço que não ligue para os nomes/números da camisa – como não tem a Lusa no jogo, coloquei os uniformes no Marítimo, de Portugal.

 

MINHA OPINIÃO: o Thiago partiu para modelos clássicos nas listradas, mudando apenas a espessura das listras. Golas em V, frisos brancos bem discretos, “esfumaçados”, um charme. Notem que a que tem listras mais largas acomoda melhor os patrocínios. A vermelha é bela na simplicidade e no detalhe do friso branco. A branca com faixa diagonal é, na verdade, uma releitura da camisa dos anos 40. Sensacional. Assim como a preta que usa as listras diagonais também como se tivessem sido pintadas com spray. Lindíssima.

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FAZ DE NOVO (11)

SÃO PAULO (não acaba nunca!) – Vamos a mais um pacotinho para inspirar Portuguesa e Lupo. Agora, as sugestões de Marciel Gonçalves (mr_marciel@hotmail.com).

 

MINHA OPINIÃO: depois dos modelos radicais de hoje, um trio clássico. A listrada com mangas vermelhas e listras mais estreitas, a branca com detalhes em verde e a vermelha com o grafismo em outro tom. Todas com golas bem desenhadas, com frisos delgados em amarelo ou dourado. Precisa mais que isso?

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FAZ DE NOVO (10)

SÃO PAULO (radical) – Vamos a mais algumas sugestões de camisas novas para a Lusa, para tentar corrigir a trapalhada do clube e de seu novo fornecedor, a Lupo, neste começo de ano. Gustavo Fiori Galli chutou o pau da barraca. Seu e-mail: gfgalli@yahoo.com.br. Suas sugestões:

 

MINHA OPINIÃO: a ideia original era seguir os padrões tradicionais (listrada, branca, vermelha), mas vejam como alguém criativo e de bom-gosto consegue dar um bico no convencional. A camisa #1, vermelhona com a enorme cruz verde, é simplesmente excepcional. A #2, branca, distribui o vermelho e o verde nas laterais e pronto, resolvida. E a terceira, amarela, remete a uma cor muito usada em referências iconográficas a Portugal, com detalhes em vermelho. Quando achei que não ia chegar mais nada de altíssimo nível, eis que vem o Galli para virar tudo de cabeça para baixo.

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FAZ DE NOVO (9)

SÃO PAULO (amanhã tem mais) – Terceiro e último Rodrigo de hoje, o designer Rodrigo Perez (rodrigo_perez@terra.com.br). Mensagem dele:

Realmente, quando vi os uniformes da Lupo para a Portuguesa achei meio esquisitos e muito poluídos. A Lusa merecia algo melhor para o retorno à série A do Brasileiro. Seguem anexos os modelos que fiz para os uniformes. Espero que goste e torço pra ficar entre os seus escolhidos.

 

MINHA OPINIÃO: mais um que deixou de lado alguns patrocinadores, mas tudo bem. O Perez optou, nos três modelos, por golas polo com discretos frisos coloridos. A listrada é clássica, com mangas vermelhas onde podem entrar os logotipos da Camp sem maiores problemas. A branca tem esse interessante grafismo com frisos em “V” que não interferem na natureza da camisa. Número vermelho, porque aquele preto que está sendo usado atualmente é lamentável. E a terceira foi a mais diferente de todas, dourada com a enorme cruz verde no meio. A experiência com camisetas douradas não tem dado muito certo nas imagens de TV, mas não dá para negar que essa aí está linda demais. A combinação com o verde é muito bonita.

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FAZ DE NOVO (8)

SÃO PAULO (faltam poucas) – Agora as sugestões do Rodrigo Pascoalino (rodrigo.pascoalino@gmail.com). A mensagem dele:

Tudo bem? Li seu post sobre os uniformes da Lusa e queria dizer que concordo com cada palavra. Sei que hoje em dia é muito difícil para os clubes abrir mão de uma grana pela publicidade nos uniformes, mas também acredito que um pouco de bom senso não faz falta a ninguém. Embora eu não seja torcedor da Portuguesa (sou rubro-negro carioca), sou designer também e sempre tive um fascínio muito grande pelos uniformes dos times de futebol. Espero que seja do seu agrado e dos torcedores da Lusa, já que é um time pelo qual nutro simpatia, mas confesso que não conheço muito de sua história. Fiz as sugestões baseado na sua descrição e no pouco que pude pesquisar na internet. Eu usei uma gola simulando a gola dobrável e uns detalhes em dourado, já que reparei que a borda do brasão da lusa é dourada. Fiz três opções, uma listrada para a camisa titular, uma branca para a reserva e uma terceira vermelha.

 

MINHA OPINIÃO: o lance do Pascoalino foi caprichar nos detealhes da gola com o uso do dourado. Muito elegante. Nota-se como a camisa listrada, sem muitas invenções, não tem como ficar ruim. Pela largura das listras, lembra muito os uniformes usados no final dos anos 60. A branca segue a tendência das faixas na altura do peito. E a vermelha, com dois tons na cor, é igualmente bela. Tudo com muita harmonia, sem agredir os olhos.

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FAZ DE NOVO (7)

SÃO PAULO (enxuguei) – Vamos tentar acabar, esta semana, com as sugestões para novas camisas da Lusa. Hoje, três Rodrigos. O primeiro lote é do Rodrigo de Moraes (rodrigodemoraes30@gmail.com).

 

MINHA OPINIÃO: vamos relevar o fato de o Rodrigo ter esquecido alguns patrocínios. Neste caso, vale o conceito. Nas camisas #1 e #2, ele usou uma gola com cordinha, bem retrô. Bonita, sem dúvida, mas não sei se é muito prática. No caso da Portuguesa, é capaz de neguinho enforcar o atacante e o juiz não dar pênalti. Listras estreitas e mangas verdes na titular, detalhes em verde e vermelho na altura do peito na branca. Gostei muito da preta, a #3, que usa as faixas vermelha e verde na diagonal, numa referência a um uniforme branco usado nos anos 40.

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FAZ DE NOVO (6)

SÃO PAULO (ainda tem bastante) – Fechando o pacote de hoje com o trabalho do designer Marcelo Masili, e-mail marcelo@masili.com.br. Seu site está aqui. Aí estão os modelos e a mensagem dele:

 

Seguem minhas opções pro manto sagrado da Lusa, e uma rápida defesa das peças:

1) JOGO: Camisa listrada, com alguns detalhes em amarelo (que utilizei na camisa titular e reserva remetendo ao tom utilizado na bandeira de Portugal); faixas mais finas em cima (para abrigarem bem logo da Lupo e escudo, bem como o desenho do peito) e maiores embaixo (para não comprimir os enormes patrocínios, que foram propositalmente reduzidos e rediagramados); o logo da Camp foi para as mangas em tamanho menor, porque patrocinador não deve ficar acima do escudo (por sinal, NADA deve ficar acima do escudo); os tons mais escuros do contorno da manga são propositais: usei dois tons de vermelho.

2) RESERVA: Predominância vermelha (ou pareceria a camisa reserva do Palmeiras). O verde está nos detalhes secundários, e novamente o amarelo apoia a faixa que vai do ombro à barra, que é usada somente na parte da frente apoiando o escudo. Uniformizei as cores dos patrocinadores, pois eles apoiam o time, e não o contrário, e com isso as cores da Lusa devem prevalecer.

3) CAMISA 3: Existem as faixas, mas em tons diferentes de vermelho, o que casa as camisas listrada e vermelha da Lusa num único modelo. O tom de verde do calção é bastante escuro.

Espero que você (e todo mundo) goste. Um abraço!

MINHA OPINIÃO: nem todo mundo gosta de faixas muito largas, mas a camisa #1 tem coerência e uma explicação mais do que lógica. Os detalhes amarelos são elegantes e estão no contorno do número, também. Na camisa branca, Marcelo rema um pouco contra a maré, já que o verde predomina na maioria. E faz sentido, também. A #3, com dois tons de vermelho, é igualmente linda e segue a linha da #1 listrada. Tudo muito simples e de gosto apurado. Como se viu até agora, as seis remessas dão de goleada no material da Lupo aprovado pela Portuguesa. Ah, até agora ninguém se manifestou no clube, nem na empresa.

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FAZ DE NOVO (5)

SÃO PAULO (ótima pausa, sigamos) – Meus horários andam meio atrapalhados. Mas vamos em frente. Quinta leva de sugestões para as camisas novas da Portuguesa. Daniel Teixeira é o artista da vez. O e-mail dele, caso clube e/ou fabricante queiram entrar em contato, é dcampost@gmail.com. “Sou corintiano, mas simpatizo demais com a Lusa e sempre torço por ela… E tenho que admitir que as cores vermelho e verde deixam o uniforme de vocês muito mais bonito que o nosso.” Frase dele, com a qual concordo. Seguem os três uniformes propostos:

 

MINHA OPINIÃO: Daniel optou pela vermelha como camisa #1. Está valendo. Faltou colocar a Camp em todos eles, mas tudo bem, o espaço nas mangas é para isso mesmo. A delicadeza dos frisos verdes verticais e a gola em V ficaram ótimos. O número, como nas outras duas, é bem particular. E ficou bom, marcante. Na camisa #2, a branca, gola diferente e uma arte em vermelho e verde de muito bom gosto. Ótima forma de manter a tradição, com o branco, sem estragar tudo com rococós como os que a Lupo fez este ano. A preta lembra a primeira da série especial que a Cavalera fez dois anos atrás. Com faixas mais grossas e o dourado em todos os patrocinadores. Todas lindas.

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FAZ DE NOVO (4)

SÃO PAULO (retomando) – E seguimos com nossa cruzada para mudar as camisas da Portuguesa. A primeira sugestão de hoje é de Abraão Lucas (abraaolucas@gmail.com), que também tem esse site aqui. Aí estão as três camisas que ele desenhou:

 

MINHA OPINIÃO: o Lucas optou pela simplicidade, que normalmente funciona. A camisa #1 com gola careca, listras da mesma largura e mangas vermelhas para facilitar a inserção dos patrocínios. Na #2, branca, a elegância das finas linhas “marca d’água” e o detalhe nos ombros. Número vermelho, e não aquela aberração do número preto que está sendo usado atualmente. Na #3, vermelha, a “marca d’água” é uma cruz em outro tom, com o mesmo detalhe verde nos ombros. O autor optou por levar o escudo para o meio da camisa, como alertou um blogueiro aí embaixo, para ficar no encontro dos dois braços da cruz. Não é o que mais me agrada, admito. Mas passa a fazer sentido pela história da cruz. Gostei da tipologia dos números. Notem que nosso artista optou por não usar cores nos punhos. Todas lindas, apesar do escudo centralizado na vermelha.

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…E MAIS 3

SÃO PAULO (acima das expectativas) – É tudo de três em três, neste blog… A campanha no Twitter “Dê uma camisa de um time legal ao Gomes” apresenta mais uma trinca que chegou nesta semana. O Rodrigo Alves enviou a camisa #3 do garboso Caxias, que tem um dos estádios mais deliciosos do Brasil, o Centenário. E um dos escudos mais belos. Parece que ainda vai chegar uma grená, outro tuiteiro prometeu. Já Danilo Falsetti enviou a camisola do valoroso Guaçuano, o Mandi da Mogiana (mandi é um peixe da região).

E a terceira de hoje será guardada num cofre de banco. É uma legítima Athleta da Lusa dos anos 70, numeral 7 às costas, com autógrafos de craques inesquecíveis. Os que consegui identificar: Calegari, Américo, Ademir, Adílson, Marinho, Elias, Alcino, Tata, Beto Lima, Isidoro, Moacir, Naldo, Betinho, Luiz Carlos, Waltinho, Eudes, Esquerdinha, Zé Carlos, Julinho, Badeco, Egídio, Urubatão (técnico) e do dr. Owaldo Teixeira Duarte (presidente do clube que dá nome ao Canindé). Quem mandou foi a Thaiz. Com Z.

Já disse, meus blogueiros e tuiteiros são ótimos…

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FAZ DE NOVO (3)

SÃO PAULO (é só caprichar)Rafael Rocha fecha a série por hoje. Seu contato: r12rocha@hotmail.com. Seguem as três sugestões e sua mensagem:

 

Cara, parabéns pela iniciativa. Concordo com tudo o que você falou no seu blog. Foi uma coisa horrorosa o que fizeram com a camisa da Portuguesa, um verdadeiro ataque à tradição do clube. Talvez eles tenham tentado inovar/modernizar, mas não souberam. Como os protestos principais são nas camisas, resolvi não desenhar calções e meiões. Tomara que sua iniciativa surta algum efeito, e que as marcas esportivas escutem mais a voz dos torcedores. Eu faço parte de um grupo chamado “Federação dos Mockups”, que tem como objetivo principal mostrar trabalhos em desenhos de uniformes.

MINHA OPINIÃO: não gosto muito das “molduras” para as listras, mas essa não ficou ruim, na camisa #1. Notem o detalhe charmoso nas costas: “1920″, o ano de fundação da Portuguesa. Gola e punhos também são delicados, com detalhes brancos. Gostei do formato dos números, com frisos dourados bem discretos. A #2 branca segue novamente a tendência da faixa no peito, mas o Rafael fez duas com a mesma largura, sem priorizar o verde como o Murilo. E inseriu a Cruz de Aviz vazada em branco. Discutível, aí. Fica muito perto do escudo, duas cruzes em destaque. Novamente, nota-se o cuidado com os detalhes na gola e punhos, além do “1920″ em duas cores atrás. Rafael respeitou, nessa camisa branca, as cores originais dos patrocinadores. Por fim, a que mais gostei desta remessa: a #3 preta e dourada. Não lembra a Lotus do Emerson? Mas a grande sacada foi usar apenas duas cores: todos os patrocinadores dourados, e até o contorno do escudo. Bem radical. Na frente, uma enorme Cruz de Aviz em outro tom, como se fosse uma marca d’água. E atrás, debaixo do número, o brasão de Portugal. Tem alguns detalhes em dourado inclusive na parte inferior da camisa. Caprichoso, o Rafael.

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FAZ DE NOVO (2)

SÃO PAULO (beleza pura)Murillo Breno é o nome da fera. Seu endereço de e-mail: murillobreno@yahoo.com.br. Ele chegou a mandar esses mesmos desenhos sem patrocinadores, que ficaram ainda mais lindos. Mas como patrocínio faz parte da vida, aí vão.

 

MINHA OPINIÃO: gola em V na listrada, com listras estreitas da mesma largura. Mangas vermelhas, para colocar a Camp. Não tem mesmo muito que inventar. A meia listrada fica ótima com os calções brancos. Um friso branco, muito fino, emoldura as listras. Nas costas, a Cruz de Aviz no detalhe sobre o logo do banco Banif. A camiseta branca é simples, e também segue a tendência das cores do clube numa faixa sobre a qual se destacam o logo da Lupo e o escudo do clube. Meia verde, com detalhe em vermelho, em clara harmonia com a faixa no peito. Detalhes discretos, nada parecido com um abadá momesco.  A terceira camisa me parece a cereja do bolo: estilo retrô, com gola “social”, com botão, metade vermelha, metade verde. Vejam mais essa da Itália, como é parecida. O calção, neste uniforme, é branco sem faixas laterais, para combinar com o estilo nostálgico. Meias brancas, também. Um primor.

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FAZ DE NOVO (1)

 

SÃO PAULO (começando…)Marinangelo Nunes Alfredo é o criador da primeira leva. O e-mail dele para contato: marinangelo@gmail.com. A seguir, a mensagem que me enviou.

Me chamo Marinangelo, sou designer, amante do futebol e tenho a mesma opinião que você sobre a falta de cuidado na concepção dos uniformes dos times brasileiros. Parece que não dão a mínima importância para uma coisa tão sagrada aos olhos dos torcedores: a camisa de seu time. Me aventuro no design de uniformes como hobby.

Inspirado pelo seu artigo, concebi as propostas anexadas como alternativas aos novos uniformes da Lusa. Veja que preferi não abrir mão dos patrocinadores uma vez que (infelizmente) é a forma que os clubes encontraram até agora para gerar recursos. Pontuo que sou contra este excesso de exposição. Porém, se não tem como viver sem eles (por enquanto), vamos fazê-lo de uma maneira menos ruim.

PS: Faço parte da comunidade www.minhascamisas.com.br , um lugar muito interessante para quem curte uniformes e assuntos relacionados.

MINHA OPINIÃO: a #1, com gola “careca”, foge do comum com listras de largura diferente. É algo que normalmente fica ruim, mas o Mariangelo encontrou uma solução muito interessante para inserir o principal patrocinador, que ganha um peso diferente dos demais. Ele tirou o logo da Camp da frente e deixou apenas nas mangas, que são verdes e permitem ótima visualização. Calção branco, sem frescuras. A #2 segue uma tendência internacional que não deve ser desprezada, de usar as cores do clube na altura do peitoral. Vejam a nova camisa da Itália. Os italianos estão entre os mais elegantes designers de roupas do mundo. Mali e Guiné, na Copa Africana de Nações, fizeram algo parecido. Vejam que o Mariangelo mudou a gola, estilo polo, que ficou muito charmosa com os frisos rubroverdes atrás. E o número é vermelho. Na camisa branca da Lupo, o número é preto, um absurdo sem tamanho. O calção é verde neste segundo uniforme. A #3 me parece esplêndida. Vermelho fechado, quase grená, com a faixa central num tom mais escuro para, de novo, destacar o patrocinador. A gola é de uma terceira modalidade, com discreto com um discreto friso verde em V, assim como os punhos. Calção vermelho. Três camisas, três golas diferentes, três combinações diferentes de cores. Que tal?

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FAZ DE NOVO

SÃO PAULO (olhem para nós!) – Bem, macacada, mãos à obra. No dia 19 de janeiro, indignado (ui, que franga!) com os novos uniformes da Portuguesa, escrevi este pequeno tratado sobre camisas de futebol e conclamei a blogaiada a enviar sugestões para salvar o ano do meu time.

A Portuguesa trocou de fornecedor de material esportivo este ano, da Penalty para a Lupo. Dizem que o acordo comercial foi ótimo, cheio de vantagens e tal. Até agora, não se viu nenhuma. A lojinha no clube está feinha, coitada, e recebi até um e-mail promocional da dita cuja com um incrível “pesso” em vez de “peço”. E as camisas que vi à venda não são, definitivamente, a última palavra em qualidade têxtil.

Essas coisas não são admissíveis num ambiente minimamente profissional. Mas menos admissível ainda é a camiseta-abadá que a Lupo fez, e que obviamente foi aprovada por alguém no clube que não tem o menor senso estético, muito menos noção do quê representa um uniforme na história de um clube — qualquer clube.

Nestes 18 dias, recebi exatas 53 sugestões de uniformes. Quase todo mundo mandou três camisas: a titular, listrada, a segunda, branca, e a terceira, do jeito que o blogueiro quisesse. Foram, portanto, mais de 150 sugestões de camisas. Eu diria que todas são melhores que essas que a Portuguesa está usando. Algumas, infinitamente melhores.

De hoje até o fim desta semana, vou publicar aqui as que achei mais bonitas, depois de uma pré-seleção muito particular. Três por dia, sempre com o nome do criador e seu e-mail. Seria lindo se alguém na Portuguesa e/ou na Lupo entrasse em contato com aquele que, na sua opinião, fez o melhor trabalho.

Quanto à blogaiada, comentem! Ao final de tudo, vou abrir uma enquete para ver de qual vocês gostaram mais. Ou seja: vou fazer o que a Portuguesa e a Lupo deveriam ter feito antes de levar a cabo essa aberração que, pelo jeito, terá de ser suportada até o fim do Campeonato Paulista.

No próximo post, a primeira sugestão de hoje.

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AINDA AS CAMISAS…

SÃO PAULO (contra enchentes, gás pimenta e balas de borracha) – Correndo o risco de me chamarem de chato, volto ao assunto uniformes da Portuguesa. Hoje passei numa loja e vi ao vivo, pela primeira vez, as camisetas feitas pela Lupo. Já estão à venda por cerca de 180 dinheiros nacionais.

Um dos argumentos para a troca para a Lupo era a qualidade do material da Penalty, que não seria grande coisa. Bem.. Vejam os detalhes nas fotos acima. O escudo no meio (que por si já é ridículo) está todo enrugado em vota. A inscrição “Irwin” está toda borrada (ao vivo dá para ver melhor). E o tecido é tão fino, mas tão fino e vagabundo, que olhando a camisa de costas, onde tem a bandeirinha do Brasil, dá para ver a estampa do que seria a etiqueta interna, que marca o tamanho e tal (observem no destaque da última foto).

Resultado: comprei uma da Penalty branca de 2010, que, diga-se, também tem uns detalhes gráficos ridículos, embora eles mal apareçam. Paguei a metade do preço.

Quando o pessoal da Lupo e da Portuguesa virem as sugestões que meus blogueiros estão mandando, vão morrer de vergonha do que fizeram. Será que darão seus braços a torcer?

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PEQUENO TRATADO SOBRE UNIFORMES

O PAULO (veremos) – Entendo de poucas coisas, mas uma delas é de camisa de time de futebol. Por isso, decidi botar a boca no trombone depois de ver, ontem, a estreia do novo uniforme da Portuguesa, o time mais importante do universo conhecido. Algumas semanas atrás, a camisa número 1, em verde e vermelho, já havia vazado na internet. Na ocasião, pelo Twitter, tentei fazer barulho. Não adiantou nada.

A nova fabricante é a Lupo, de Araraquara, que ganhou fama com suas meias e cuecas e, há alguns anos, resolveu revitalizar sua marca fazendo uma linha esportiva e investindo no futebol. Uma das estratégias foi colocar o nome Lupo nas fraldas das camisetas e nos bumbuns de jogadores de times que vinham ao Brasil fazer partidas da Libertadores ou da Sul-americana. Ou, ainda, de equipes menores em jogos contra os ditos grandes na Copa do Brasil. Pagava-se pouco para os clubes e a exposição na TV era enorme. Uma estratégia inteligente, sem dúvida.

Pois a Lupo fechou com a Portuguesa no fim do ano passado e essa camiseta que vazou na internet era uma coisa pavorosa, com as listras rubroverdes em curva, ou “onduladas”, num atentado infame às camisas originais de listras horizontais. Inaceitável.

Aqui, vale um pouco de história. Camisas de listras horizontais, no mundo inteiro, sempre foram muito marcantes. Posso fazer uma relação de times que usam tais uniformes em todo o planeta, como os rubronegros Flamengo, Sport e Vitória, o alvinegro XV de Piracicaba, os alviverdes Sporting, de Portugal, e Celtic, da Escócia. Alguém imagina algum desses times com listras “onduladas”?

Mas são raras as equipes que usam verde e vermelho em suas camisas, e por isso a Portuguesa sempre se gabou de ter um dos uniformes mais belos do mundo. Outras Portuguesas (do Rio, de Santos, de Londrina; a da Venezuela é rubronegra) usam as mesmas cores, mas nunca tiveram camisas listradas como suas principais. A Portuguesa de verdade, que a todas as outras inspira, foi fundada em 1920 e sempre teve, basicamente, três uniformes. O número 1 listrado ou totalmente vermelho, dependendo da época, e o número 2 branco. Nos últimos anos, alguns fornecedores ariscaram camisas número 3, para uso em ocasiões especiais ou campeonatos específicos. Tivemos uma camisa quadriculada como a da Croácia num Torneio Início de 1996 (ganhamos, inclusive), uma dividida em quatro (vermelho, e verde, amarelo e azul, cores do Brasil) que foi usada num jogo contra o Real Madrid na Espanha, uma dourada, as lindas pretas feitas pela Penalty com design da Cavalera e a bordô do ano passado, também da Cavalera. Aqui, vale um elogio público. Esses modelos pretos da Cavalera foram escolhidos por votação dos torcedores na internet. A marca é moderna, jovem, de bom gosto. Parceira da Penalty, não vai fazer mais nada para a Portuguesa porque o contrato terminou e agora é a Lupo a responsável pelos uniformes até 2014. Os modelos que a Cavalera fez para o Vasco (igualmente Penalty) recentemente são de babar.

Me ligo muito nessa coisa de uniformes. A Portuguesa dos anos 70 usava a vermelha com gola e punhos verdes e a branca fabricadas pela Athleta, fornecedora de quase todos os times grandes do Brasil numa época em que a marca não aparecia na camisa. Tem algumas essas originais para vender em sites de leilões. Quando passou a ostentar pela primeira vez uma marca no peito, nos anos 80, esta era a adidas (assim mesmo, em minúscula; a adidas não usa o “a” maiúsculo). Foi a empresa alemã que ressuscitou a camisa listrada, num padrão parecido com a nova do Flamengo, com listras bem largas. Depois disso, foram fornecedores da Portuguesa várias empresas — talvez eu esqueça alguma, estou escrevendo sem pesquisar nada: Premier, Mizuno (único time brasileiro na história a usar a marca japonesa, por conta de um acordo costurado por uma japonesa que era executiva da Canon no Brasil e doida por futebol), Dell’Erba, Rhumell (um patético plágio da Hummel que a Dinamarca usava), Lotto, Finta, Placar, Kanxa (nome cafonérrimo, mas os produtos nem eram tão ruins), Champs e Penalty, antes da Lupo.

Lembro também da maioria dos patrocinadores. O primeiro de todos foi o supermercado Barateiro (comprado e fechado pelo Pão-de-Açúcar). Depois tivemos Senap-Ford, Chapecó, Le Postiche, Hudson, Salemco, Ticket, Schincariol, Armarinhos Fernando, Trasmontano, Banif, DrogaVerde, Votomassa e, agora, como patrocinador principal, Irwin (ferramentas, aquela na Nascar). Sem contar os patrocinadores menores que infestaram as camisas nos útimos tempos, estragando todas elas.

Quando os patrocínios em camisas foram liberados no Brasil, a coisa era bem rigorosa. Um espaço determinado apenas na frente, ocupando uma área bem definida em centímetros quadrados, e só. Quem não se lembra das décadas da camisa do Flamengo com a marca Lubrax e só ela? O Corinthians começou a deturpar esse negócio, acho que nos anos 80, colocando na barriga de seus jogadores o desenho de uma ducha Corona. Depois, virou várzea. A esculhambação atual é deprimente. Tem patrocínio nas mangas, nos ombros, no sovaco, sobre, sob e dentro do número, na frente e atrás dos calções, nas meias. Um horror.

A Portuguesa nunca teve tantos patrocinadores como agora. Além da Irwin na frente, a principal, os sucos de saquinho Camp nos ombros e nas mangas, uma certa Viva Imports na parte inferior da camisa, o banco português Banif em cima do número, Tennessee Carnes embaixo e Lupo bem grande também sob o número. Pode parecer um sinal de força, mas não é. O melhor, claro, é conseguir a verba necessária para a temporada com um anunciante só, como fazem os clubes da Europa. Assim, a camisa sagrada do time não se transforma num macacão de piloto corridas, ou numa daquelas camisetas usadas em trios elétricos ou provas de pedestrianismo.

A nova camisa da Portuguesa — as duas, aliás — é exatamente isso. Uma espécie de abadá soteropolitano a das listras curvas, um tipo de pavilhão de escola de samba a branca, com o escudo no meio e raios que se espalham em outro tom. Uma alegoria de carnaval. Na branca, ainda cometeram a heresia de fazer o número preto. Nunca em quase 100 anos de história a Portuguesa usou número preto.

Imagino que a lógica dessas escolhas comece no fornecedor, que apresenta ao seu novo cliente alguns modelos elaborados por seus estilistas — que no caso do futebol parecem todos formados na escola dos pintores de ônibus paquistaneses, cheios de rococós, filigranas, frisos, estrelinhas, marcas d’água. Aí, os dirigentes dos clubes, que usam gravatas de crochê e ternos da Ducal, escolhem os piores.

Foi o que aconteceu na Portuguesa. É só olhar as imagens lá no alto. Pavorosas. Não tenho nada contra inovar ou modernizar. O problema é que, hoje, inovar e modernizar virou sinônimo de piorar.

Por isso, depois deste breve tratado sobre uniformes, decidi mostrar a esse pessoal que se é verdade que gosto não se discute, mau-gosto, sim. E conclamo os artistas deste blog a desenharem novos uniformes para a Portuguesa. Algumas regrinhas: camisa #1 listrada ou toda vermelha, camisa #2 branca. Quem quiser fazer uma #3, na cor que bem entender, tudo bem (a terceira do Santos, agora da Nike, será azul-turquesa). O escudo deve ficar no peito, do lado esquerdo. Escudo no meio é coisa de camisa de goleiro. Os patrocinadores podem ser mantidos, mas vamos sacar esse Camp dos ombros, que tem cara de bônus. E podem tirar também o enorme Lupo das costas (marca de camisa, só na frente).

Sugestões para meu e-mail, flaviog@warmup.com.br. Se quiserem, aqui tem um site interessante de designs de futebol para usar os desenhinhos como base. Vou escolher os mais legais e os ganhadores levarão brindes. O melhor de todos, que colocarei para votação, vai levar uma camisa retrô da Lusa que eu mesmo comprarei.

E vamos dar uma aula nessa gente cafona que não entende nada de tradição, elegância, bom-gosto, moda.

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Campeão só tem um.

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AMOR DA MINHA VIDA

E vamos pra casa…

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FIM DE FEIRA (11)

SÃO PAULO (simbora) – Bom dia, macacada. Cheguei faz um tempinho, mas estava dando umas voltas por aí. E então me mandaram esta foto. Finalmente Interlagos já pode receber o evento com alguma classe. Emerson Braz é o artista.

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