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O ASPONE

SÃO PAULO (meus sais, como diria Veloz…) – Então que recebo pelo Twitter a seguinte citação, já que nesse negócio, quando alguém o menciona com seu endereço (no caso, @flaviogomes69, sendo “69″ exatamente isso que vocês estão pensando), a mensagem aparece na sua “timeline” — no jargão tuítico, “TL”; não uso esse jargão porque TL para mim é carro:

Houve uma resposta, como se vê, entre os mais de 40 mil seguidores que o autor, Waltinho Ferrari Jr, tem em sua conta. Um número expressivo, sem dúvida. Quase o dobro do que eu, que sou jornalista famoso, bonito, astro da televisão e escritor consagrado.

A explicação pode estar no seu perfil, suponho que de sua própria autoria:

Publicitário, ex-Dubai, Europa e F1 worker, atual Nascar. Digital Life and Social Media expert. Piquet Sports, Azzurra Comunicação e #odonodotwitter. Segue aí!

Ele é o dono do Twitter, portanto é natural que tenha tantos seguidores. Atendi à sugestão e passei a seguir o perfil que atende por @ferrarijr.

(Há uma certa obsessão dos tuiteiros espalhados pelo mundo por esse negócio de número de seguidores. Orkut e Facebook também reproduzem tal fetiche. As pessoas, nas redes sociais, se julgam mais ou menos importantes em função da quantidade de “followers”, ou “amigos”, que têm nas suas páginas. Em geral isso não quer dizer muito. Às vezes, sim. Perfis como os de Luciano Huck, William Bonner e Ivete Sangalo, por exemplo, ultrapassam a casa do milhão de pessoas que se interessam pelo que escrevem. Ou que os seguem pela frágil ilusão de proximidade, para se sentirem “amigos” de celebridades. São tempos bem malucos, os que vivemos. Milhões de pessoas se interessarem pela cor da gravata que o Bonner vai usar no “Jornal Nacional” me parece algo preocupante. Nesses casos, essa quantidade imensa de seguidores diz, sim, alguma coisa. É um dado concreto que mostra como há gente tonta no Brasil. Mas deixemos essa discussão para depois.)

Eu estaria mentindo se dissesse que nunca ouvi falar de Waltinho Ferrari Jr. Ele é uma espécie de assessor de Nelsinho Piquet e foi razoavelmente assediado alguns anos atrás quando estourou o escândalo de Cingapura, do qual todos se lembram bem. Mas não o conheço pessoalmente, nunca falei com ele e não tenho grandes informações.

As de que disponho, no entanto, são suficientes para traçar um breve perfil do rapaz, que corre o risco de ser um pouco superficial mas se aproxima do quê deve ser o tipo. É aquilo que se chama de “aspone”, uma das melhores criações do nosso idioma, a sigla para “Assessor de Porra Nenhuma”. É uma categoria vasta, no Brasil. Que já poderia se mobilizar no sentido de formação de alguma associação para defender seus interesses, já que normalmente os aspones são figuras muito criticadas e ironizadas pela opinião pública em geral. Abundam em Brasília, por exemplo, e nos governos em geral. Mais recentemente, passaram a ocupar cargos importantes também no mundo das celebridades esportivas e artísticas. Todo cantor de pagode tem um aspone. Atletas, idem. Aquele goleiro do Flamengo que foi preso, Bruno, acusado de mandar matar a namorada, tem um aspone clássico, de alcunha Macarrão, que até tatuou o nome do guarda-metas nas costas.

Waltinho Ferrari Jr, pelas informações de que disponho, retomando o assunto, é um aspone típico. No automobilismo tem muito disso. Pilotos são figuras vaidosas e infantis, muitas vezes. Precisam de alguém para dar ordens, alguém que carregue a bolsa do capacete (é algo muito chato, carregar capacete, colocar no bagageiro do avião, essas coisas), que retire a bagagem na esteira, que cuide do passaporte, do cartão de milhagem, alguém que sirva de claque, que cuide dos convites VIP, essas coisas.

Sem querer partir para ofensas pessoais, embora tenha sido chamado de “cuzão”, que nunca sei se é com Z ou com S, me permito considerar esse rapaz um desses novos jecas contemporâneos, que se vangloriam de pegar um voo na “First”, ou de estar jantando em Mônaco e poder contar aos seus 40 mil e tantos seguidores que a vista do porto é bonita. Seu perfil informa que é publicitário “ex-Dubai, Europa e F1 worker”, algo que deve impressionar bastante seus pares, ex-colegas de faculdade e tudo mais. Curioso que sou, fui ver seu perfil também no Facebook, que muitas vezes é esclarecedor. Constatei que entre seus temas de interesse estão os chocolates Snickers e a dupla de sertanejo universitário Luiz Henrique & Montenegro.

Temos pouco em comum, pois. No quesito chocolate, prefiro Diamante Negro, Kit-Kat, as bolinhas Maltesers e os bombons Baci Perugina. Gostava muito do chumbinho da Kopenhagen, mas os preços estão pela hora da morte e me recuso a pagar quase 20 reais por uma caixinha. Já no âmbito musical, o sertanejo universitário não me agrada particularmente. Talvez as sertanejas universitárias, mas sejamos francos: já não tenho mais idade para essas coisas, embora tenha lido numa revista qualquer que as mulheres “tem procurado parceiros maduros porque querem alguém que as acompanhe intelectualmente”. Você tá lascado, rapaz, com Snickers, Luiz Henrique e Montenegro.

Fiquei surpreso com as considerações do aspone sobre minha humilde e modesta pessoa, não sabia que era lido por tal espécie de jeca tatu urbano, e meu texto sobre Piquet, de ontem, merecia mais do que “babando ovo do Nelsão no blof, no TT, na ESPN”. “Babar ovo” é uma expressão da qual nunca gostei, assim como “pagar pau”. São fracas. “Blof” é blog, claro, erro de digitação, e quanto ao TT, certamente os “trending topics” do Twitter, os assuntos mais comentados do dia, o F.Gomes que apareceu ontem parece que não sou eu, mas sim um jornalista assassinado em Caicó no ano passado. O crime já está esclarecido, F. Gomes foi morto pelo pistoleiro Dão a mando do Gordo da Rodoviária, de um pastor e de um coronel da PM que dirigia a penitenciária de Seridó. Não sei se F. Gomes era Flavio, Francisco, Ferdinando, Felipe, Florismundo. Mas não sou eu, o F. Gomes executado por Dão. Fosse-o, não estaria aqui escrevendo sobre Waltinho Ferrari Jr.

“Se ele soubesse o tanto q o chefe gosta dele…” é a mensagem meio cifrada com a qual o aspone encerra sua tuitada. “O chefe”, suponho, é o Nelsinho. Afinal, até onde se sabe, Ferrari Jr é aspone de Nelsinho, e não de “Nelsão”, como ele se refere ao pai. Sinceramente, não tenho a menor ideia se Nelsinho gosta de mim, ou mesmo se “Nelsão” se lembra de quem eu sou. Não é algo com que me importe. Questão absolutamente menor e irrelevante. Alguém sobre quem escrevo gostar ou não de mim não determina o que dele escrevo ou falo. E é aí que quero chegar, depois de tantos rodeios e tentativas de traçar um perfil do aspone que me chama de “cuzão” e me alerta para o tanto que o “chefe” me detesta.

Ferrari Jr é um desses jequinhas urbanos embrenhados no mercado publicitário e marqueteiro do esporte que considera que os relacionamentos pessoais com as ditas celebridades é o que de mais importante há para se dar bem, e portanto abominam os críticos, os que não “babam ovo” (assim ele entende), os que não bajulam, os que não fazem parte, mesmo que informalmente, de sua entourage. O “chefe”, provavelmente, não gosta de mim por algo que eu tenha escrito sobre o acidente de Cingapura. E se o pai do chefe também não gosta de mim por algo do tipo, é compreensível — sou pai, e também não gostaria de ninguém que falasse mal do meu filho.

Não sei exatamente se falei mal do “chefe” na ocasião. Apenas disse e escrevi o que achei que devia e não estou com vontade de ficar procurando nos arquivos deste blog nada que me desabone. Falaria o mesmo de qualquer piloto, de qualquer nacionalidade, de qualquer equipe, de qualquer sobrenome. Nelsinho, o “chefe”, mereceu palavras condescendentes, também, em muitos textos aqui — da mesma forma, não vou procurar nos arquivos nada que me abone. Acho muito bacana a retomada da sua carreira, o desapego às coisas da F-1, a coragem de tentar a vida nos EUA, a volta por cima. E continuarei achando, porque merece reconhecimento a qualidade do trabalho que está realizando na Nascar, um ambiente difícil, hostil, às vezes, onde é duro vencer.

Ferrari Jr, pelo jeito, acha que eu gostaria de saber o tanto que o chefe gosta de mim. Não, jequinha, não gostaria de saber. O menininho que replicou sua mensagem, por exemplo, “axou” que eu era “mó amigão”. Não, menininho, não sou. Viu que louco é o mundo? Não sou “mó amigão” nem do chefe, nem do seu pai, e escrevi um texto “babando ovo” do “Nelsão”.

Que cara esquisito sou eu, não?

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PIQUET, 20

SÃO PAULO (sumiram todos?) – Foi num 7 de maio, em 1992, que Nelson Piquet sofreu o mais pavoroso acidente de sua vida, num treino em Indianápolis. Tricampeão do mundo, Nelson não conseguiu equipe para seguir na F-1 ao final de 1991, quando a Benetton optou por não renovar seu contrato. Ele também não se esforçou muito. Briatore apaixonara-se por Schumacher, com razão, e Piquet percebeu que seu tempo ali tinha terminado.

Mas ele resolveu, a partir daí, realizar algumas vontades pessoais. Não vou dizer “sonhos” porque Piquet não é muito chegado a essas coisas melosas. Estava a fim de correr em Indianápolis e Le Mans antes de parar de vez. E foi para os EUA. Assinou um contratinho com a Menard aconselhado por Eddie Cheever, seu brother. Deram uma Lola-Buick na sua mão e lá foi Nelsão andar no oval. Até estampar o muro de frente num treino a 340 km/h.

O muro moeu os pés de Piquet. Ele quase ficou aleijado, quase morreu, quase tudo. Foi um drama desgraçado, mas jamais tratado com tom de tragédia nacional no Brasil, ao menos como seria se o personagem fosse outro. Não, não preciso fazer rodeios. Estou falando de como seria a cobertura da imprensa e a comoção popular se o acidentado fosse Senna e não ele. E por que essa comparação? Porque eram, os dois, os maiores nomes do esporte brasileiro em 1991, no más. Dois tricampeões, vitoriosos, excepcionais pilotos. Só que um era o queridinho da mídia. O outro cagava para a mídia.

Piquet deu sua primeira entrevista no hospital ao Reginaldo Leme, a quem chamou para falar. Não era para o “Fantástico” ou para o Faustão. Era para o Regi, a quem ele conhecia havia décadas, um amigo, um cara da mesma época, da mesma geração. Não foi uma matéria em tom choroso, pelo que me lembro. Feia, até, no visual — um quarto de hospital em Indianápolis sem grandes luxos, fundo pastel, a parede do quarto, e nada de uma produção caprichada com luzes indiretas, trilha musical e vídeos de apoio dos amigos com gente vertendo lágrimas de jacaré.

Piquet arrebentou os pés numa porrada monumental e foi sobre isso que falou. E um ano depois, de muletas, estava lá em Indianápolis de novo para realizar o sonho. Ou: para matar uma vontade pessoal. Nada de sonhos.

Cobri essas duas corridas, a de 1992 e a de 1993. No acidente, no entanto, não estava nos EUA ainda. Foi numa daquelas sessões de treinos livres que só têm cobertura da imprensa local, início dos trabalhos para as 500. Em 1993, cheguei a Indianápolis uma semana antes da prova e todos os dias ia ao autódromo para fazer minhas matérias. Quando encontrei o Nelson pela primeira vez foi muito legal, numa mesinha com guarda-sol num gramado, ao lado do motorhome da Menard. Estávamos em poucos jornalistas, três ou quatro, no máximo. Sentamos para falar merda, como sempre, porque com Piquet era difícil fazer entrevista, ainda mais com ele quarentão, cagando mais ainda para a mídia. Então a gente sentava e ficava falando merda.

A recuperação foi dolorosa e difícil, sofrida, uma batalha dos diabos, não é qualquer um que faria o que ele fez. Mas Piquet nem tocava no assunto, não transformava nada em uma epopeia, era prático e objetivo. Corro de carro, é perigoso, bati, me arrebentei, posso optar por ser um velho amargo que reclama da vida, ou por me recuperar e tocar o barco. Não arrotava nenhum discurso pautado pela superação, pela força de vontade, pela perseguição de um sonho, pela perseverança, pelo desejo de levar as cores do Brasil ao mundo e mostrar que não desistimos nunca.

Muito pelo contrário. O que poderia ter sido uma longa matéria sobre tudo isso, a superação, a força de vontade e o caralho a quatro, virou um festival de bizarrices e piadas sobre si próprio. Foi nesse dia que ele contou como fazia para comprar tênis e sapatos, por exemplo. Como um pé ficou maior que o outro, ele disse que pedia na loja vários pares iguais de números diferentes, via qual cabia em qual pé, misturava tudo, colocava os dois que serviam numa caixa e levava embora. A loja descobriria dias depois que tinha vendido um pé 39 e outro 42, e ele se mijava de rir contando essas coisas. Porra, os caras só se fodem quando vão vender sapato pra mim!

Aí havia uma miniatura do carrinho de 1992, esse aí da foto, em cima da mesa, e ele e me deu. Nem é o Piquet no cockpit, o capacete é do Al Unser, mas não tinham feito a miniatura com o capacete certo. Ou, se tinham, ele não tinha nem visto, não era algo com que se importava. Nem eu, claro, aceitei feliz da vida o presente e levei para casa. O carro de 1993 já era diferente, vermelhão, bonito, patrocínio da Arisco.

No dia da corrida, fui para o grid e fiquei lá do lado do carro do Nelson esperando ele chegar para a largada, para ver se dizia alguma coisa, e ele foi chegando sozinho, de muletas, sem ninguém para ajudá-lo. Quando se aproximou e me viu disse alguma bobagem qualquer, pediu para que eu segurasse as muletas para entrar no caro, tirou o boné que vestia e jogou na minha mão. Fica com isso aí, baixinho, e achei demais, óbvio, coloquei o boné, os mecânicos chegaram, desejei boa sorte, voltei para a minúscula sala de imprensa e lá deixei o boné junto com minhas coisas.

Piquet abandonou no início e roubaram meu boné. Fiquei emputecido e fui até a garagem da Menard, corrida rolando lá fora, e quando cheguei o Nelson estava todo feliz, tinha conseguido largar, deu algumas voltas, matou a vontade, fiz umas perguntinhas, ele respondeu, e no fim, meio envergonhado, contei que tinham roubado o boné. Ele me xingou de burro, retardado, débil mental, tirou o que estava usando e me deu de novo.

Guardo o carrinho e o boné com carinho, foi uma cobertura bacana, Piquet foi legal comigo, e assim foi.

Hoje faz 20 anos daquele acidente e pouca gente lembrou, exceção feita a sites especializados como o Grande Prêmio (o material está aqui). Não recebi nenhum e-mail me cobrando para escrever sobre o assunto, como na semana passada, nos 18 anos da morte de Ayrton — aliás, só escrevo hoje sobre o acidente porque é número redondo, 20 anos e tal.

OK, ele não morreu no acidente, mas essa indiferença à efeméride nos diz muito sobre a relação fã-ídolo no Brasil.

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FOTO DO DIA

Piquet se divertindo na Corrida de Calhambeques do Tiago Songa  no Speed Park em Franca. É um garotão crescido… O clique é do Bruno Terena.

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VERDADES & VERDADES

SÃO PAULO (tapa na cara) – Aí o trecho da já histórica entrevista do Nelson Piquet ao Celso Miranda no SuperMotor, da Bandsports. Nelsão faz um diagnóstico do atual momento do automobilismo brasileiro. O Dú Cardim colocou no VocêTubo. Seria legal o pessoal da CBA ver.

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FIM DE FEIRA (23)

SÃO PAULO (afe) – Está na nota assinada pelo Nelson Barros Neto, na Folha.com. Piquet não deu a bandeirada. Eu não tinha percebido. O tricampeão errou o caminho e foi parar no pódio. Como não haveria tempo de chegar ao local de onde é agitada a quadriculada, coube a Carlos Montagner sinalizar o fim da corrida com a última volta de Webber.

Em 2002, Pelé perdeu a passagem dos oito primeiros. Foi dar a quadriculada para Sato, que chegou em nono. Schumacher venceu.

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FIM DE FEIRA (21)

Antes de continuar… VAI, VASCO, CACETE! A fotaça é da Agência Globo. Vou tentar descobrir o autor, está linda.

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FIM DE FEIRA (18)

SÃO PAULO (até mais) – Momento de emoção agora em Interlagos, as voltas de Piquet com a linda BT49. Mas o máximo foi ele colocar a bandeira do Vasco para fora no fim. Diante de um público eminentemente paulista. Mais uma molecagem desse moleque de quase 60 anos, uma das maiores figuras da história do automobilismo.

Grande Nelson. É o cara.

E vamos para a corrida. Nos vemos no fim da tarde.

Piquet com a bandeira do Vasco. Gênio. Foto de Carsten Horst

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FIM DE FEIRA (17)

SÃO PAULO (23°C, com sol e névoa úmida) – Piquet deu quatro voltas com o BT49 agora há pouco. Só para testar. Numa delas, meteu a bandeira do Vascão para fora. Gênio! As voltas oficiais serão dadas às 12h40. O cara tá que é uma alegria só. Mas dá para ver na foto abaixo, do Fernando Silva, a tensão que qualquer piloto sente antes de entrar num carro. Ao lado dele, a lenda Chico Rosa.

Cronometraram uma volta, só de zoeira. 1min40s. “Eu estava devagar”, falou o Nelsão.

Ah, diz que tem 75% de chances de chuva. Quem não conhece Interlagos vai achar que é mentira, o dia está lindo. Mas Interlagos é Interlagos.

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FIM DE FEIRA (15)

Para mim, a foto do dia, da EFE. Do alto desse degraus cobertos com carpete verde imitando grama, nove títulos vos contemplam.

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FIM DE FEIRA (5)

SÃO PAULO (bom dia, macacada) – Olha o que vi aí na porta… Domingo a barata anda. Piquet chegou falando um monte. Inclusive que Massa levou uma pancada na cabeça e, por isso, mudou. “A gente muda, não tem jeito.”

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GRANDE NOTÍCIA

SÃO PAULO (todos vai!) – Hoje rolou feijoada com prefeito no autódromo e tal, mas a grande notícia que chegou de Interlagos foi dada pela diretora-executiva do GP do Brasil, Claudia Ito. Ela confirmou que no dia 27, antes da prova, Nelson Piquet dará uma volta com a Brabham BT49, o carro de seu primeiro título mundial, 30 anos atrás. Piquet também vai dar a bandeirada para o vencedor. “Nelson Piquet tem excelente relação com Bernie Ecclestone que, na época, era o dono da Brabham. Bernie achou merecida e oportuna a homenagem a Piquet”, disse Claudia.

E vamos todos aplaudir de pé.

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PIQUET, 30

SÃO PAULO (e tinha mais dois, ainda) - Foi num sábado ensolarado e quente em Las Vegas, exatamente 30 anos atrás, que Nelson Piquet conquistou seu primeiro título mundial. Três pilotos chegaram à última etapa do campeonato com chances: Reutemann, 49 pontos, Nelson, 48, e Laffite, com 43.

A Williams de Reutemann e Jones fez a primeira fila, mas o argentino não teve nenhum tipo de auxílio de seu companheiro de equipe, que ignorou a pole do “Lole”, assumiu a liderança e ganhou a corrida. Reutemann teve problemas de câmbio durante a prova. Piquet, em quarto no grid, chegou a ultrapassá-lo e, no fim, contentou-se com o quinto lugar, que lhe daria o título.

Nelson ficou esgotado fisicamente e demorou a sair do cockpit de sua Brabham, um dos mais belos carros já produzidos em todos os tempos.

Trinta anos se passaram Piquet ainda conquistaria o bi pela mesma Brabham em 1983 e o tri com a Williams em 1987. A história do título está no excelente relato de Rodrigo Mattar em seu blog, corrida a corrida, e também no texto de Fernando Silva no Grande Prêmio, aqui.

Piquet é o piloto mais completo da história do automobilismo brasileiro, a chamada lenda viva. Figura incrível que sofreu a enorme decepção da passagem de seu filho Nelsinho pela F-1, mas tem mais um encaminhado nas pistas, Pedro.

Parabéns ao Nelsão. Que lembre da data com carinho, como todos nós.

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FOTO DO DIA

SÃO PAULO (esquisito…) – OK, Piquet ao lado do Alex Dias Ribeiro. Mas alguém aí é capaz de explicar esse monte de pneus?

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NÃO PERCAM!

SÃO PAULO (tempos esquisitos) – Se vocês não viram de madrugada, vejam agora. Neste link, a espetacular entrevista feita pelo Reginaldo Leme com o clã Piquet em Brasília, na garagem do tricampeão repleta de preciosidades. Esse programa da Sportv, o “Linha de Chegada – Entrevista”, tem sido bem melhor que a versão anterior, que levava jornalistas e pilotos para debaterem automobilismo. Eram debates muito mornos — eu mesmo participei de alguns, anos atrás. Parabéns aos envolvidos, de verdade! Nesse novo formato têm pintado algumas entrevistas históricas, e essa do Nelson é certamente uma delas.

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PARADOXO HÚNGARO

SÃO PAULO (história velha, mas boa) - O GP da Hungria não tem ultrapassagens, mas foi lá que aconteceu a maior de todos os tempos. É o tema da coluna Warm Up de hoje.

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ENIGMA DO DIA

Que corrida é essa? Onde? Quando? O piloto está fácil. Quem mandou foi o meu amigo Paulo Tohmé, ator de microfilme.

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AQUELES DOMINGOS

SÃO PAULO (lá vem…) – 2 de junho de 1991. Hoje faz 20 anos da última vitória de Piquet na F-1. Como pude esquecer? Ainda bem que me lembraram pelo Twitter. E a mesma alma caridosa me mandou esta primeira página do caderno de esportes do “Jornal da Tarde” aí embaixo, que lembra que o triunfo representava a sétima vitória consecutiva de brasileiros no Mundial. Foram duas de Nelson em 1990 (Japão e Austrália, ambas pela Benetton), quatro de Senna em 1991 (EUA, Brasil, San Marino e Mônaco pela McLaren) e Piquet de novo em Montreal, também com a Benetton. Notem a cobertura do “JT”: seis páginas, mais a capa do caderno de esportes!

Outros tempos, não?

Essa corrida do Canadá foi histórica porque Mansell liderou de ponta a ponta e na última volta parou ninguém sabe direito por quê. Dizem que ao acenar para a torcida alegremente desligou a chave geral do carro. Nunca foi devidamente esclarecida a questão.

(O vídeo aí no alto está com as imagens invertidas, não sei por quê. Mas enquanto não achar outro, vai esse mesmo, porque tem a narração original da Globo.)

Não estive naquela prova. Eram meus últimos dias como editor de Esportes da “Folha”, já estava decidido que o Mario Andrada e Silva, que estava voltando de Paris, iria assumir a editoria e eu iria par seu lugar como repórter especial. A corrida seguinte, no México, foi minha primeira como correspondente exclusivo para a F-1. Detalhe irrelevante, mas é que me lembrei disso agora.

Nelson deixaria a F-1 no fim daquele ano, o mesmo da estreia de Schumacher pela Jordan na Bélgica. Na etapa seguinte, em Monza, ele passaria a ocupar o lugar de Roberto Moreno na Benetton e, dizem também, aposentou Piquet. Claro que não foi assim tão simples. Nelson já estava mesmo pensando em parar e a chegada do alemão talvez tenha precipitado as coisas, porque o tricampeão não recebeu nenhuma boa proposta para continuar e acabou optando pela retirada sem grandes dramas. Aí foi disputar as 500 Milhas em Indianápolis, houve o terrível acidente  nos treinos, voltou ao IMS em 1993, de muletas, e o resto é história.

Piquet sempre foi um piloto excepcional e um personagem idem. Nos meus primeiros anos de F-1, ele estava mais arredio do que de costume porque tinha deixado a Williams, pegou uma Lotus capenga, Senna começou a fazer muito sucesso, aquelas coisas. Mas ele tinha atitudes que julgo inesquecíveis e fazem parte do meu pequeno rol de historietas pouco importantes que guardo com carinho.

Em 1989, eu já tinha começado com esse negócio de correr de carro antigo e estava fazendo uma carretera DKW. Meu mecânico era o Miguel Crispim, gênio da Vemag que, nos anos 70, foi uma espécie de pai de Piquet na Fórmula-Vê. Nelson vinha de Brasília numa Kombi, muitas vezes não tinha onde dormir, ficava com o Crispim, que o ajudava nos boxes, os dois ficaram amigos do peito.

Aí eu estava em Monza para a corrida, cruzei com o Nelson no paddock, ele estava puto porque tinha andado mal no treino, algo assim, mas o chamei. “Nelson, Nelson!”, e ele, apressado, “Não enche o saco, baixinho”, e eu: “Hei, não quero te entrevistar, não”. Tirei um pequeno papel do bolso, dei a ele e disse: “Ó, o Crispim mandou te entregar, é o telefone dele, pediu pra você ligar”. Piquet parou na hora, abriu um sorriso luminoso, pegou o papel e falou, “Puta que pariu, onde anda o negão, você tem falado com ele?”, e a gente ficou conversando um tempão sobre meu DKW, sobre a oficina do Crispim na Saúde e tudo mais.

Grande Nelson.

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DICA DO DIA

SÃO PAULO (precioso) - Enviado pelo Rui Piva, a primeira vitória de Piquet na F-1. Foi em Long Beach em 1980, de Brabham (sem asa dianteira, carro lindo). Detalhe: Galvão Bueno narrando pela… Bandeirantes! Sim, em 1980, a Globo largou a F-1 e a Bandeirantes comprou os direitos. Foi quando Galvão, que estava na Gazeta (obrigado ao blogueiro aé embaixo), começou a narrar corridas. O Brasil não ganhava uma corrida desde 1975, na Inglaterra, com Emerson Fittipaldi pilotando para a McLaren. A qualidade do áudio me faz imaginar que a transmissão aconteceu “off-tube”, de estúdio, e não do local da corrida. O Galvão era mais contido e preciso. Gosto muito do estilo. E com o vozeirão de sempre. Muito triste, nessa corrida, foi o acidente que deixou Clay Regazzoni paraplégico.

E Emerson, nessa corrida, subiu ao pódio pela última vez na F-1. Amanhã isso tudo faz 31 anos.

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UM NOJO

SÃO PAULO (devassa) – Não é de hoje que se suspeita que o automobilismo é uma ótima ferramenta para lavar dinheiro no Brasil. Há anos que alguns patrocínios em categorias ditas grandes geram uma certa desconfiança, com a presença de determinados setores da economia que nada têm a ver com o universo automobilístico investindo pesado sem a menor perspectiva de retorno. Corre dinheiro forte, disso não há dúvida. E também é evidente que nos últimos anos o surgimento de categorias cujos protagonistas são empresários milionários sugere que tem muita gente se divertindo com carros de corrida e aproveitando para desovar quantias não contabilizadas. A novidade é que a casa começa a cair com investigações que já respingam em gente importante. A “Veja” e o blog de Josias de Souza, da “Folha”, publicaram algumas revelações estarrecedoras da Operação Podium, da PF, que já resultou, por exemplo, na prisão do presidente da Federação Cearense de Automobilismo.

Entre os nomes envolvidos, de acordo com o que foi publicado no fim de semana, aparecem os de Piquet pai & filho.

A CBA não se pronunciou, claro. E nem vai. Como não o fez depois das mortes recentes em Fortaleza e Curitiba.

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NELSINHO VENCEU

SÃO PAULO (mas venceu mesmo?) – Pelo menos nos tribunais, Nelsinho Piquet venceu. E a Renault vai ter de pedir desculpas por difamar pai e filho. Digo “pelo menos”, porque Nelsinho ainda vai ter de conviver com a mancha de Cingapura por algum tempo. Tempo que, acredito, se encarregará de permitir que ele retome sua carreira com regularidade. Não na F-1, que ele nem quer mais, mas nos EUA, porto seguro que escolheu.

Bem, desse caso já falamos bastante. Como já escrevi em outros posts em outras eras, Nelsinho pagou e está pagando pelo que fez, e quem somos nós para estabelecer penas?

A pena para a Renault foi estabelecida pela Alta Corte de Londres, onde correu o processo dos Piquet contra a equipe, que veio a público, depois do escândalo, para acusar ambos de chantagem.

A Renault perdeu porque no dia 11 de setembro de 2009 publicou um press-release afirmando que Nelsinho e seu pai estavam mentindo quando revelaram que a batida no GP de Cingapura fora proposital, sugerida (ou ordenada, mas tanto faz) pelos seus chefes Pat Symonds e Flavio Briatore. A equipe disse que estava sendo chantageada para que Nelsinho seguisse como piloto até o fim daquela temporada.

Como a FIA descobriu tudo em suas investigações poucos dias depois, a Renault teve de admitir que as acusações dos Piquet não eram falsas. E terá de pagar uma “substancial” indenização aos dois. Não há menção a valores. O processo está encerrado. Piquet pai e filho aceitaram as desculpas e, claro, a indenização.

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