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podiohun86

Sobre troféus gigantes, eis Piquet na Alemanha (obrigado aos que corrigiram; pódio idêntico ao da Hungria) em 1986 erguendo a enorme taça. Até Senna riu. O comentário? Nelson sabia fazer rir. 

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PIQUET X MANSELL – FINAL

SÃO PAULO (deu resultado) – Opa, pingou no canal da Ford no VocêTubo o quarto e último filme do duelo entre Piquet e Mansell no Velopark, para lançamento do novo Fusion. Estou tão ansioso para que vocês vejam logo que copiei o código, colei e nem vi ainda. Vamos assistir para saber o que deu nessa parada. Mas uma coisa é certa: foi uma bela sacada dos publicitários que cuidam da conta fórdica. Juntar essas duas figuras, para qualquer coisa, não tem como dar errado.

Se você preferir ver os quatro episódios juntos, clique aqui.

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EPISÓDIO 3

SÃO PAULO (só no fim) – A Ford colocou no ar hoje o terceiro episódio da campanha do Fusion, com Piquet e Mansell. Os dois treinaram no Velopark e foram, como é normal, baixando os tempos até que… Ah, vejam vocês quem larga na pole.

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NELSON & NIGEL, DE NOVO

SÃO PAULO (ficou ótimo) – Está rendendo o encontro entre Piquet e Mansell no Velopark para a gravação da campanha do Ford Fusion. Ambos foram entrevistados por Tiago Maranhão no “Linha de Chegada” do Sportv, programa que foi ao ar ontem. Quem não viu pode ver aí em cima. Maranhão conduz com muita competência o papo, repórter bem preparado que é. Muito legal o programa inteiro. Vale prestar atenção às opiniões de Piquet sobre o automobilismo brasileiro no final: “Um desastre”. Como se vê, não sou só eu que acho…

Mas é claro que a conversa vai muito além disso. Mansell é simpaticíssimo e Nelson, como sempre, dá suas tiradas impagáveis. Interessante, também, a maneira como ambos enxergam as corridas de F-1 hoje, o tanto que a categoria mudou desde os anos 80. Sem saudosismo, apenas analisando as diferenças brutais dos carros, pilotos, circuitos e, por que não dizer?, da vida e do esporte em relação ao que se vê atualmente.

Assistam, é sensacional.

ATUALIZANDO…

Tiraram a entrevista do YouTube, mas ela está aqui, na íntegra, no site do Sportv.

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NELSON & NIGEL, PARTE 2

SÃO PAULO (tá ficando legal) – Olha, não sei se a Ford vai vender mais carros com essa campanha, ou não. Mas que a ideia de juntar os dois foi genial (e deve ter custado uma bala), isso foi. Aí em cima, o segundo episódio da novelinha que juntou Piquet e Mansell no Velopark. Nas próximas duas terças-feiras vão ao ar os dois últimos filmetes da série que, pelo visto, é só para a internet, mesmo. O primeiro, no canal oficial da Ford no YouTube, teve 430 mil visualizações. Algo modesto, perto do bilhão que Psy alcançou com seu “Gangnam Style”.

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PIQUET X MANSELL, VERSÃO SÉCULO 21

SÃO PAULO (vai ser legal) – A Ford disparou agora há pouco no seu canal no YouTube a campanha que muita gente já sabia que estava para ser disparada, e todos estavam esperando ansiosamente.

A história é a seguinte. Mês passado, Nigel Mansell e Nelson Piquet foram levados ao Velopark para a gravação de filmes de lançamento do novo Fusion. Vai rolar uma novelinha na internet e o primeiro capítulo é esse aí em cima. Não sei se isso será levado à TV.

Conheço gente que acompanhou as gravações. Consta que alguns carros foram deliciosamente detonados pelos dois pilotos, rivais mortais nos idos de 1986 e 1987, quando correram juntos na Williams.

Acho que vem coisa divertida por aí.

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PIQUET E SENNA

SÃO PAULO (o tempo voa) – Hoje, 30 de outubro, é dia de lembrar de dois títulos. O tri de Piquet, em 1987, é o primeiro deles. Foi numa sexta-feira (corrigido!), em Suzuka. Mansell bateu, ficaria fora da corrida do dia seguinte e, assim, Nelson foi para o grid já na condição de campeão. Faz 25 anos.

E o primeiro título de Senna, em 1988, no mesmo circuito. Foi, talvez, a melhor corrida de sua carreira. Na pole, patinou e despencou para 16° na primeira volta. Recuperou-se soberbamente até passar Prost para vencer a prova e ficar com a taça.

Piquet e Senna foram duas dádivas que o destino deu ao esporte brasileiro. Depois a fonte secou. Mas é claro que nada acontece por acaso, e não há razão nenhuma para agradecer apenas ao “destino”. Este foi bastante ajudado por um automobilismo vigoroso que havia no país nos anos 60 e 70, e estiveram na origem do surgimento de muitos talentos. Num oceano de gente boa, sempre aparecem alguns melhores que os outros. E esses melhores, com alguma sorte e muita dedicação, acabam chegando lá.

Sendo assim, reformulo a frase. Piquet e Senna não foram dádivas do destino coisa nenhuma. Foram filhotes de uma época em que correr de carro no Brasil era, por incrível que pareça, coisa muito séria. E, graças ao seu talento, se transformaram em estrelas universais de um esporte dificílimo.

Alguém há de argumentar que Senna nem correu no Brasil de carro. Verdade. Suas primeira aventuras fora do kart se deram na Inglaterra. Mas foi no kart daqui que ele começou. Um kart que era verdadeiramente uma escola. Partiu para a Europa com uma base invejável.

Esta que já foi, de certa forma, uma pátria sobre rodas, não é mais.

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F-1 PARA 4

SÃO PAULO (genial) – O Felipe Siva mandou. Piquet dando carona a três pilotos em 1986! Sabem onde foi a corrida? Essa tá fácil… Se um piloto fizer isso hoje, é abatido a tiros pelo Charlie Whiting.

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FOTO DO DIA

Não sei por que o Paulo “Íbis” Tohmé colocou esta foto hoje no Twitter dele, mas é realmente muito bonita. Vocês aí lembram dessa corrida?

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REPETECO

SÃO PAULO (e daí?) – Sem problema nenhum repetir uns vídeos aqui de vez em quando, né? Encontrei o famoso comercial da Pirelli, com Piquet e Moreno, com boa qualidade de imagem, o que é difícil — a maioria tem imagem borrada e de baixa qualidade —, mas sem a narração em português. Na verdade, sem narração nenhuma. O que fez dele um vídeo razoavelmente raro.

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HISTÓRIAS DE PIQUET

SÃO PAULO (longa vida) – Os 60 anos de Piquet, claro, não poderiam passar em branco. Depois de duas semanas de férias olímpicas, a coluna Warm Up voltou hoje. Um trecho:

Piquet pode não ter sido o melhor, nem o mais importante piloto brasileiro. Mas foi, certamente, o mais interessante. E na minha escala de valores, muito particular, interessante vem na frente de importante e de melhor. E nessa mesma escala de valores, bastante particular, Emerson foi o mais importante e Senna, o melhor.

Para ler na íntegra, é só clicar aqui. E depois, como sempre, pingar os comentários.

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PIKET ETERNO

SÃO PAULO (bela ideia) – Nelson Piquet faz 60 anos amanhã. Nelsinho encontrou uma boa forma de marcar a data. Mandou pintar um capacete inspirado no que o pai usou na Super Vê em 1974, com a famosa gota lateral e a inscrição “Piket” em maiúsculas. Ele usou essa grafia para correr escondido da família. Era o “Nelson Piket”. Artifício que, desconfio, não deve ter funcionado muito. Seria como eu correr escondido com o nome “Flavio Gomez”.

Mas entrou para o folclore. E o capacete é mais bonito que 98% de todos os outros que estão em uso em todas as categorias do mundo.

Nelsinho vai usá-lo em Michigan sábado, na corrida da Truck Series. Depois dará de presente para o pai. Diz que tem até uns risquinhos e umas marquinhas “fake” para simular um capacete usado, como naquela época em que o piloto ficava com o mesmo casco por anos a fio. Hoje, neguinho troca a cada corrida.

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DOS NOSSOS

SÃO PAULO (eu fora, de novo)Nelson Piquet vai participar da segunda edição das Mil Milhas Históricas, a partir de 21 de junho. Jaguar ou Mercedes, comenta-se, será o carro do tricampeão, que vai levar a mulher de navegadora. A prova é maravilhosa. Pena que não poderei correr, porque na semana anterior estarei fora do país e não tem jeito de emendar mais quatro dias longe de meus 200 empregos. Mas é um reforço danado de bom para o rali, que aos poucos vai-se tornando um clássico para clássicos no Brasil. Na foto abaixo, uma Alpina que andou no ano passado.

 

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O ASPONE

SÃO PAULO (meus sais, como diria Veloz…) – Então que recebo pelo Twitter a seguinte citação, já que nesse negócio, quando alguém o menciona com seu endereço (no caso, @flaviogomes69, sendo “69″ exatamente isso que vocês estão pensando), a mensagem aparece na sua “timeline” — no jargão tuítico, “TL”; não uso esse jargão porque TL para mim é carro:

Houve uma resposta, como se vê, entre os mais de 40 mil seguidores que o autor, Waltinho Ferrari Jr, tem em sua conta. Um número expressivo, sem dúvida. Quase o dobro do que eu, que sou jornalista famoso, bonito, astro da televisão e escritor consagrado.

A explicação pode estar no seu perfil, suponho que de sua própria autoria:

Publicitário, ex-Dubai, Europa e F1 worker, atual Nascar. Digital Life and Social Media expert. Piquet Sports, Azzurra Comunicação e #odonodotwitter. Segue aí!

Ele é o dono do Twitter, portanto é natural que tenha tantos seguidores. Atendi à sugestão e passei a seguir o perfil que atende por @ferrarijr.

(Há uma certa obsessão dos tuiteiros espalhados pelo mundo por esse negócio de número de seguidores. Orkut e Facebook também reproduzem tal fetiche. As pessoas, nas redes sociais, se julgam mais ou menos importantes em função da quantidade de “followers”, ou “amigos”, que têm nas suas páginas. Em geral isso não quer dizer muito. Às vezes, sim. Perfis como os de Luciano Huck, William Bonner e Ivete Sangalo, por exemplo, ultrapassam a casa do milhão de pessoas que se interessam pelo que escrevem. Ou que os seguem pela frágil ilusão de proximidade, para se sentirem “amigos” de celebridades. São tempos bem malucos, os que vivemos. Milhões de pessoas se interessarem pela cor da gravata que o Bonner vai usar no “Jornal Nacional” me parece algo preocupante. Nesses casos, essa quantidade imensa de seguidores diz, sim, alguma coisa. É um dado concreto que mostra como há gente tonta no Brasil. Mas deixemos essa discussão para depois.)

Eu estaria mentindo se dissesse que nunca ouvi falar de Waltinho Ferrari Jr. Ele é uma espécie de assessor de Nelsinho Piquet e foi razoavelmente assediado alguns anos atrás quando estourou o escândalo de Cingapura, do qual todos se lembram bem. Mas não o conheço pessoalmente, nunca falei com ele e não tenho grandes informações.

As de que disponho, no entanto, são suficientes para traçar um breve perfil do rapaz, que corre o risco de ser um pouco superficial mas se aproxima do quê deve ser o tipo. É aquilo que se chama de “aspone”, uma das melhores criações do nosso idioma, a sigla para “Assessor de Porra Nenhuma”. É uma categoria vasta, no Brasil. Que já poderia se mobilizar no sentido de formação de alguma associação para defender seus interesses, já que normalmente os aspones são figuras muito criticadas e ironizadas pela opinião pública em geral. Abundam em Brasília, por exemplo, e nos governos em geral. Mais recentemente, passaram a ocupar cargos importantes também no mundo das celebridades esportivas e artísticas. Todo cantor de pagode tem um aspone. Atletas, idem. Aquele goleiro do Flamengo que foi preso, Bruno, acusado de mandar matar a namorada, tem um aspone clássico, de alcunha Macarrão, que até tatuou o nome do guarda-metas nas costas.

Waltinho Ferrari Jr, pelas informações de que disponho, retomando o assunto, é um aspone típico. No automobilismo tem muito disso. Pilotos são figuras vaidosas e infantis, muitas vezes. Precisam de alguém para dar ordens, alguém que carregue a bolsa do capacete (é algo muito chato, carregar capacete, colocar no bagageiro do avião, essas coisas), que retire a bagagem na esteira, que cuide do passaporte, do cartão de milhagem, alguém que sirva de claque, que cuide dos convites VIP, essas coisas.

Sem querer partir para ofensas pessoais, embora tenha sido chamado de “cuzão”, que nunca sei se é com Z ou com S, me permito considerar esse rapaz um desses novos jecas contemporâneos, que se vangloriam de pegar um voo na “First”, ou de estar jantando em Mônaco e poder contar aos seus 40 mil e tantos seguidores que a vista do porto é bonita. Seu perfil informa que é publicitário “ex-Dubai, Europa e F1 worker”, algo que deve impressionar bastante seus pares, ex-colegas de faculdade e tudo mais. Curioso que sou, fui ver seu perfil também no Facebook, que muitas vezes é esclarecedor. Constatei que entre seus temas de interesse estão os chocolates Snickers e a dupla de sertanejo universitário Luiz Henrique & Montenegro.

Temos pouco em comum, pois. No quesito chocolate, prefiro Diamante Negro, Kit-Kat, as bolinhas Maltesers e os bombons Baci Perugina. Gostava muito do chumbinho da Kopenhagen, mas os preços estão pela hora da morte e me recuso a pagar quase 20 reais por uma caixinha. Já no âmbito musical, o sertanejo universitário não me agrada particularmente. Talvez as sertanejas universitárias, mas sejamos francos: já não tenho mais idade para essas coisas, embora tenha lido numa revista qualquer que as mulheres “tem procurado parceiros maduros porque querem alguém que as acompanhe intelectualmente”. Você tá lascado, rapaz, com Snickers, Luiz Henrique e Montenegro.

Fiquei surpreso com as considerações do aspone sobre minha humilde e modesta pessoa, não sabia que era lido por tal espécie de jeca tatu urbano, e meu texto sobre Piquet, de ontem, merecia mais do que “babando ovo do Nelsão no blof, no TT, na ESPN”. “Babar ovo” é uma expressão da qual nunca gostei, assim como “pagar pau”. São fracas. “Blof” é blog, claro, erro de digitação, e quanto ao TT, certamente os “trending topics” do Twitter, os assuntos mais comentados do dia, o F.Gomes que apareceu ontem parece que não sou eu, mas sim um jornalista assassinado em Caicó no ano passado. O crime já está esclarecido, F. Gomes foi morto pelo pistoleiro Dão a mando do Gordo da Rodoviária, de um pastor e de um coronel da PM que dirigia a penitenciária de Seridó. Não sei se F. Gomes era Flavio, Francisco, Ferdinando, Felipe, Florismundo. Mas não sou eu, o F. Gomes executado por Dão. Fosse-o, não estaria aqui escrevendo sobre Waltinho Ferrari Jr.

“Se ele soubesse o tanto q o chefe gosta dele…” é a mensagem meio cifrada com a qual o aspone encerra sua tuitada. “O chefe”, suponho, é o Nelsinho. Afinal, até onde se sabe, Ferrari Jr é aspone de Nelsinho, e não de “Nelsão”, como ele se refere ao pai. Sinceramente, não tenho a menor ideia se Nelsinho gosta de mim, ou mesmo se “Nelsão” se lembra de quem eu sou. Não é algo com que me importe. Questão absolutamente menor e irrelevante. Alguém sobre quem escrevo gostar ou não de mim não determina o que dele escrevo ou falo. E é aí que quero chegar, depois de tantos rodeios e tentativas de traçar um perfil do aspone que me chama de “cuzão” e me alerta para o tanto que o “chefe” me detesta.

Ferrari Jr é um desses jequinhas urbanos embrenhados no mercado publicitário e marqueteiro do esporte que considera que os relacionamentos pessoais com as ditas celebridades é o que de mais importante há para se dar bem, e portanto abominam os críticos, os que não “babam ovo” (assim ele entende), os que não bajulam, os que não fazem parte, mesmo que informalmente, de sua entourage. O “chefe”, provavelmente, não gosta de mim por algo que eu tenha escrito sobre o acidente de Cingapura. E se o pai do chefe também não gosta de mim por algo do tipo, é compreensível — sou pai, e também não gostaria de ninguém que falasse mal do meu filho.

Não sei exatamente se falei mal do “chefe” na ocasião. Apenas disse e escrevi o que achei que devia e não estou com vontade de ficar procurando nos arquivos deste blog nada que me desabone. Falaria o mesmo de qualquer piloto, de qualquer nacionalidade, de qualquer equipe, de qualquer sobrenome. Nelsinho, o “chefe”, mereceu palavras condescendentes, também, em muitos textos aqui — da mesma forma, não vou procurar nos arquivos nada que me abone. Acho muito bacana a retomada da sua carreira, o desapego às coisas da F-1, a coragem de tentar a vida nos EUA, a volta por cima. E continuarei achando, porque merece reconhecimento a qualidade do trabalho que está realizando na Nascar, um ambiente difícil, hostil, às vezes, onde é duro vencer.

Ferrari Jr, pelo jeito, acha que eu gostaria de saber o tanto que o chefe gosta de mim. Não, jequinha, não gostaria de saber. O menininho que replicou sua mensagem, por exemplo, “axou” que eu era “mó amigão”. Não, menininho, não sou. Viu que louco é o mundo? Não sou “mó amigão” nem do chefe, nem do seu pai, e escrevi um texto “babando ovo” do “Nelsão”.

Que cara esquisito sou eu, não?

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PIQUET, 20

SÃO PAULO (sumiram todos?) – Foi num 7 de maio, em 1992, que Nelson Piquet sofreu o mais pavoroso acidente de sua vida, num treino em Indianápolis. Tricampeão do mundo, Nelson não conseguiu equipe para seguir na F-1 ao final de 1991, quando a Benetton optou por não renovar seu contrato. Ele também não se esforçou muito. Briatore apaixonara-se por Schumacher, com razão, e Piquet percebeu que seu tempo ali tinha terminado.

Mas ele resolveu, a partir daí, realizar algumas vontades pessoais. Não vou dizer “sonhos” porque Piquet não é muito chegado a essas coisas melosas. Estava a fim de correr em Indianápolis e Le Mans antes de parar de vez. E foi para os EUA. Assinou um contratinho com a Menard aconselhado por Eddie Cheever, seu brother. Deram uma Lola-Buick na sua mão e lá foi Nelsão andar no oval. Até estampar o muro de frente num treino a 340 km/h.

O muro moeu os pés de Piquet. Ele quase ficou aleijado, quase morreu, quase tudo. Foi um drama desgraçado, mas jamais tratado com tom de tragédia nacional no Brasil, ao menos como seria se o personagem fosse outro. Não, não preciso fazer rodeios. Estou falando de como seria a cobertura da imprensa e a comoção popular se o acidentado fosse Senna e não ele. E por que essa comparação? Porque eram, os dois, os maiores nomes do esporte brasileiro em 1991, no más. Dois tricampeões, vitoriosos, excepcionais pilotos. Só que um era o queridinho da mídia. O outro cagava para a mídia.

Piquet deu sua primeira entrevista no hospital ao Reginaldo Leme, a quem chamou para falar. Não era para o “Fantástico” ou para o Faustão. Era para o Regi, a quem ele conhecia havia décadas, um amigo, um cara da mesma época, da mesma geração. Não foi uma matéria em tom choroso, pelo que me lembro. Feia, até, no visual — um quarto de hospital em Indianápolis sem grandes luxos, fundo pastel, a parede do quarto, e nada de uma produção caprichada com luzes indiretas, trilha musical e vídeos de apoio dos amigos com gente vertendo lágrimas de jacaré.

Piquet arrebentou os pés numa porrada monumental e foi sobre isso que falou. E um ano depois, de muletas, estava lá em Indianápolis de novo para realizar o sonho. Ou: para matar uma vontade pessoal. Nada de sonhos.

Cobri essas duas corridas, a de 1992 e a de 1993. No acidente, no entanto, não estava nos EUA ainda. Foi numa daquelas sessões de treinos livres que só têm cobertura da imprensa local, início dos trabalhos para as 500. Em 1993, cheguei a Indianápolis uma semana antes da prova e todos os dias ia ao autódromo para fazer minhas matérias. Quando encontrei o Nelson pela primeira vez foi muito legal, numa mesinha com guarda-sol num gramado, ao lado do motorhome da Menard. Estávamos em poucos jornalistas, três ou quatro, no máximo. Sentamos para falar merda, como sempre, porque com Piquet era difícil fazer entrevista, ainda mais com ele quarentão, cagando mais ainda para a mídia. Então a gente sentava e ficava falando merda.

A recuperação foi dolorosa e difícil, sofrida, uma batalha dos diabos, não é qualquer um que faria o que ele fez. Mas Piquet nem tocava no assunto, não transformava nada em uma epopeia, era prático e objetivo. Corro de carro, é perigoso, bati, me arrebentei, posso optar por ser um velho amargo que reclama da vida, ou por me recuperar e tocar o barco. Não arrotava nenhum discurso pautado pela superação, pela força de vontade, pela perseguição de um sonho, pela perseverança, pelo desejo de levar as cores do Brasil ao mundo e mostrar que não desistimos nunca.

Muito pelo contrário. O que poderia ter sido uma longa matéria sobre tudo isso, a superação, a força de vontade e o caralho a quatro, virou um festival de bizarrices e piadas sobre si próprio. Foi nesse dia que ele contou como fazia para comprar tênis e sapatos, por exemplo. Como um pé ficou maior que o outro, ele disse que pedia na loja vários pares iguais de números diferentes, via qual cabia em qual pé, misturava tudo, colocava os dois que serviam numa caixa e levava embora. A loja descobriria dias depois que tinha vendido um pé 39 e outro 42, e ele se mijava de rir contando essas coisas. Porra, os caras só se fodem quando vão vender sapato pra mim!

Aí havia uma miniatura do carrinho de 1992, esse aí da foto, em cima da mesa, e ele e me deu. Nem é o Piquet no cockpit, o capacete é do Al Unser, mas não tinham feito a miniatura com o capacete certo. Ou, se tinham, ele não tinha nem visto, não era algo com que se importava. Nem eu, claro, aceitei feliz da vida o presente e levei para casa. O carro de 1993 já era diferente, vermelhão, bonito, patrocínio da Arisco.

No dia da corrida, fui para o grid e fiquei lá do lado do carro do Nelson esperando ele chegar para a largada, para ver se dizia alguma coisa, e ele foi chegando sozinho, de muletas, sem ninguém para ajudá-lo. Quando se aproximou e me viu disse alguma bobagem qualquer, pediu para que eu segurasse as muletas para entrar no caro, tirou o boné que vestia e jogou na minha mão. Fica com isso aí, baixinho, e achei demais, óbvio, coloquei o boné, os mecânicos chegaram, desejei boa sorte, voltei para a minúscula sala de imprensa e lá deixei o boné junto com minhas coisas.

Piquet abandonou no início e roubaram meu boné. Fiquei emputecido e fui até a garagem da Menard, corrida rolando lá fora, e quando cheguei o Nelson estava todo feliz, tinha conseguido largar, deu algumas voltas, matou a vontade, fiz umas perguntinhas, ele respondeu, e no fim, meio envergonhado, contei que tinham roubado o boné. Ele me xingou de burro, retardado, débil mental, tirou o que estava usando e me deu de novo.

Guardo o carrinho e o boné com carinho, foi uma cobertura bacana, Piquet foi legal comigo, e assim foi.

Hoje faz 20 anos daquele acidente e pouca gente lembrou, exceção feita a sites especializados como o Grande Prêmio (o material está aqui). Não recebi nenhum e-mail me cobrando para escrever sobre o assunto, como na semana passada, nos 18 anos da morte de Ayrton — aliás, só escrevo hoje sobre o acidente porque é número redondo, 20 anos e tal.

OK, ele não morreu no acidente, mas essa indiferença à efeméride nos diz muito sobre a relação fã-ídolo no Brasil.

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FOTO DO DIA

Piquet se divertindo na Corrida de Calhambeques do Tiago Songa  no Speed Park em Franca. É um garotão crescido… O clique é do Bruno Terena.

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VERDADES & VERDADES

SÃO PAULO (tapa na cara) – Aí o trecho da já histórica entrevista do Nelson Piquet ao Celso Miranda no SuperMotor, da Bandsports. Nelsão faz um diagnóstico do atual momento do automobilismo brasileiro. O Dú Cardim colocou no VocêTubo. Seria legal o pessoal da CBA ver.

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FIM DE FEIRA (23)

SÃO PAULO (afe) – Está na nota assinada pelo Nelson Barros Neto, na Folha.com. Piquet não deu a bandeirada. Eu não tinha percebido. O tricampeão errou o caminho e foi parar no pódio. Como não haveria tempo de chegar ao local de onde é agitada a quadriculada, coube a Carlos Montagner sinalizar o fim da corrida com a última volta de Webber.

Em 2002, Pelé perdeu a passagem dos oito primeiros. Foi dar a quadriculada para Sato, que chegou em nono. Schumacher venceu.

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FIM DE FEIRA (21)

Antes de continuar… VAI, VASCO, CACETE! A fotaça é da Agência Globo. Vou tentar descobrir o autor, está linda.

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FIM DE FEIRA (18)

SÃO PAULO (até mais) – Momento de emoção agora em Interlagos, as voltas de Piquet com a linda BT49. Mas o máximo foi ele colocar a bandeira do Vasco para fora no fim. Diante de um público eminentemente paulista. Mais uma molecagem desse moleque de quase 60 anos, uma das maiores figuras da história do automobilismo.

Grande Nelson. É o cara.

E vamos para a corrida. Nos vemos no fim da tarde.

Piquet com a bandeira do Vasco. Gênio. Foto de Carsten Horst

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