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CHECO, MI HIJO

SÃO PAULO (envelheçam) – Na coluna Warm Up de hoje, uma cartinha a Sergio Pérez, o personagem da semana na F-1. Trechinho:

selomexicoSua equipe é a melhor do mundo para fazer essas coisas. Libera a briga, deixa que vocês resolvam na pista, é o ideal dos mundos. Mas é preciso ser inteligente. Uma coisa é disputar posição e brigar por ela. Outra é querer ganhar na marra como se estivesse numa batalha de vida ou morte. Ser combativo é diferente de ser agressivo. Combater é uma coisa, agredir é outra. Creio que você exagerou.

Para ler na íntegra, é só clicar aqui.

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JENSON & CHECO

perezbuttonbahSÃO PAULO (conversem, rapazes) – Se tem um cara que a gente nunca imagina que vai ser inimigo do companheiro de equipe, é Button. Em 13, quase 14 anos de F-1, não lembro de nenhuma treta envolvendo o inglês com parceiro algum. Nem com adversários de outros times. Ele era meio despirocado no começo da carreira, mas logo caiu na real. E construiu uma imagem de piloto leal, correto e boa praça. Incapaz de esmagar uma formiga ou de falar mal de qualquer um.

Ontem, porém, soltou os cães sobre Pérez — especialmente nas entrevistas imediatamente após a corrida.

“Houve muita disputa limpa nessa corrida, o que é legal. Exceto com meu companheiro de equipe. Tive muitos companheiros ao longo dos anos, alguns bem agressivos, como Lewis. Mas não estou acostumado a pilotar numa reta tendo meu companheiro ao meu lado batendo rodas a 300 km/h. Esse não é o meu jeito de dirigir. Talvez seja a maneira que a gente vai correr agora, mas não é o jeito que eu quero. Ele me tocou por trás e de lado no meio da reta. Isso é perigoso, não gosto dessas coisas. Tive muitas brigas na F-1, mas nenhuma suja como essa.”

“Suja” foi a palavra mais forte que Jenson usou. Depois, disse que Pérez precisa “se acalmar”, caso contrário “alguma coisa perigosa vai acontecer logo”. “A gente faz essas coisas quando está correndo de kart, mas normalmente as pessoas crescem. E não é o caso de Checo.”

Uau. Chamou de moleque.

O mexicano tentou justificar o que fez. “Foram brigas agressivas com vários pilotos, lutei com eles como eles lutaram comigo. Concordo que fomos muito agressivos, mas ele também foi, e saí da pista algumas vezes. Temos de conversar. Foi um pouco arriscado demais o que Jenson e eu fizemos. Nos tocamos algumas vezes, mas quando você está lá dentro, tem a adrenalina toda e você está lutando. Espero que nas próximas corridas possamos ajudar um ao outro um pouco mais.”

Martin Whitmarsh conversou com Pérez. Disse a ele que bater na traseira do companheiro não leva ninguém para o céu. “Ele é jovem, vai aprender, e talvez tenha de se acalmar um pouco. Mas foi essa paixão, essa vontade, que fez com que ele passasse outros pilotos no fim da corrida. A gente não pode apagar essa chama.”

Uau. Chamou de fogoso.

Sam Michael, outro dirigente importante, falou que a McLaren, historicamente, libera seus pilotos para as disputas. “Somos uma equipe de corrida. Foi assim com Senna e Prost e com Button e Hamilton”, lembrou. “E sempre vai ser.”

Eu achei que Pérez exagerou. Não por disputar posições e brigar por elas. Mas por ser agressivo demais a ponto de, realmente, quase tirar Button da corrida. Isso, de fato, não se faz. Não se tira ninguém de corrida nenhuma, e quando se trata de um companheiro de equipe, o cuidado tem de ser maior ainda.

Passou do ponto. Deveria ter procurado Jenson e pedido desculpas. Mas, como já disse mais de uma vez, consta que o rapaz é meio da pá virada. Não sei se com essa personalidade que resvala na arrogância vai muito longe, não.

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VAI MAL

vaimalperezSÃO PAULO (esperava mais) – Antes de mais nada, bem-vindo Hugo Becker ao time do Grande Prêmio. Nosso primeiro representante de Guarulhos, o que significa que será sempre o primeiro cotado para certas viagens a partir de Cumbica (o táxi será mais barato). E um forte abraço ao Fagner Morais, que deixou o site para novos voos por aí — toda sorte do mundo a ele, portas abertas eternamente.

É do Becker (primo distante daquele tenista; bem distante) o levantamento sobre o início de temporada de Sergio Pérez. Simplesmente o pior de um piloto da McLaren desde Michael Andretti em 1993.

Será que Pérez é uma porcaria mesmo? Eu achava o rapaz tão bom… Mas desde o anúncio de que iria para a McLaren as coisas começaram a desandar. Quem convive com ele diz que o mexicano é um nojo.

Bem diferente do nosso Chapolin, ídolo eterno. Tanto que estou pensando em parar de chamar o Pérez de Chapolin.

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FALA MUITO

SÃO PAULO (uma hora morde a língua) – Desde que a McLaren anunciou sua contratação, em setembro do ano passado, Sergio Pérez não fez mais nada na Sauber. Muita gente desconfia das reais qualidades do mexicano, que chamou a atenção de todos com sua capacidade de conservar pneus quando chegou à F-1, em 2011, e na corrida da Malásia do ano passado, com um espetacular segundo lugar.

Ficou nisso. Na McLaren, estreou se classificando mal (a equipe foi inventar de colocar pneus slick em seu carro quando a pista ainda estava molhada) e não aproveitou o fato de poder escolher o pneu com o qual iria largar. Fez uma corrida medíocre, em resumo. Como, de resto, medíocre será a temporada mclariana, que errou a mão no carro — coisa rara — e sente a falta do ímpeto de Hamilton.

Mas Pérez anda falando bastante. Isso ele faz com gosto. Disse, por exemplo, que a Ferrari lhe pedia “coisas” quando ele estava na Sauber e era vinculado ao programa de desenvolvimento de pilotos de Maranello. Por “coisas” entenda-se proteger Alonso em corridas. Será? Agora, andou dizendo que torce para que a Telmex substitua a Vodafone como patrocinadora da McLaren. Isso é coisa que se diga?

Daqui a pouco, Pérez vai dar palpites também sobre o novo papa. É só perguntar.

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MCLAREN MP4-28

6727SÃO PAULO (não diga) – Nos lançamentos de carros novos na Fórmula 1, além da frase “mudamos o assoalho, as asas e o perfil para otimizar a passagem do ar” (com as variáveis “o desenho dos defletores foi aprimorado para otimizar a passagem do ar”, “o bico é mais alto para otimizar a passagem do ar”, “o bico é mais baixo para otimizar a passagem do ar” e “os macacões agora são vermelhos para otimizar a passagem do ar”), fala-se sempre que “por fora ele se parece com o do ano passado, mas por baixo da carenagem é tudo novo”.

Foi isso que disseram hoje os homens da McLaren na apresentação do MP4-28 em Woking. Foi uma festança e tanto, porque o time está completando 50 anos de vida. E tinha piloto novo na parada, o metidinho Sergio Pérez. Fizeram até um desfile dentro do salão principal com alguns carros históricos, como o MP4-4 que ganhou 15 das 16 corridas de 1988, dando a Senna seu primeiro título mundial.

O novo modelo, como no ano passado, não tem degrau no bico, o que já o coloca como único representante da decência estética na categoria. Como o regulamento não mudou quase nada de 2012 para 2013, era natural que assim fosse. A McLaren terminou bem a última temporada e tudo indica que vai começar brigando na frente. De relevante, no aspecto técnico, houve uma mudança de conceito na suspensão dianteira, para otimizar a passagem do ar.

Algumas dúvidas para 2013. Button será o líder que a equipe precisa, sem Hamilton? E Pérez, como vai se comportar? Será um jovem humilde querendo aprender ou vai chegar atirando nachos na cabeça de quem não atender aos seus pedidos? Terminará o ano feliz por ter conseguido alguns pódios e uma ou outra vitória, ou vai tomar um porre de tequila se for engolido pelo gentil companheiro inglês?

Amanhã é a Ferrari que apresenta seu carro em Maranello. Estou sabendo que mudaram muita coisa em relação ao modelo do ano passado, especialmente nos componentes que permitem otimizar a passagem do ar.

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O MEXICANO PRATEADO

SÃO PAULO (e vai longe) – Sergio Pérez está na McLaren. Por “vários anos”. E serão muitos mesmo, afinal o rapaz tem apenas 22. O anúncio oficial foi feito no meio da madrugada, por volta das 4h. Mas quem acompanha o Grande Prêmio já sabia desde ontem à noite, graças ao colunista da Revista WARM UP Américo Teixeira Jr., que também antecipou há mais de um mês que Massa permanecerá na Ferrari — este anúncio oficial ainda não saiu.

Como Hamilton quis sair, acho que não havia opção melhor para a equipe. A dupla não será tão forte quanto é hoje, mas pode vir a ser, claro. “Checo” é um piloto especialíssimo. Seus três pódios com a Sauber neste ano indicam isso. Suas atuações seguras, a capacidade de poupar pneus, os erros raros, a velocidade e, certamente, o mecenato de Carlos Slim ajudaram bastante.

A Sauber é que vai sofrer. Se o patrocínio mexicano escapulir, o velho Peter Sauber vai ter de dar nó em pingo d’água em 2013. Mas Slim pode ficar com ele e promover outro “chicano”, Esteban Gutierrez, seu atual piloto-reserva. Ou telefonar para Schumacher, velho conhecido. Mas isso é história para outro post.

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TERREMOTO

SÃO PAULO (uau!) – E eu achando que não ia acontecer nada no mexe-mexe das equipes para 2013… Até o Américo Teixeira Jr. cravar no início da noite de hoje que Sergio Pérez assinou com a McLaren! E logo depois na Inglaterra pinga outra cravada: Hamilton fechou com a Mercedes e Schumacher se aposenta!

Caraca.

O lance de Pérez tem a grana de Carlos Slim, dono do México e da Claro, que pode vir a susbtituir a Vodafone como patrocinadora da equipe de Ron Dennis no futuro. Sempre achei Pérez, por assim dizer, um partidão. Bom pacas e cheio da grana, já que seu mecenas é o homem mais rico do mundo, ou quase isso. Um dos. Nunca sei direito quem lidera esse ranking, se o Carlos Slim, o sujeito do Facebook, o dono da Microsoft, o presidente do Google ou o Faustão.

O lance de Hamilton tem o desgaste evidente com a McLaren, já que estão juntos desde que ele deixou de usar fraldas e passou a tomar farinha láctea Nestlé com leite de manhã. Mas juro que não achava que ele teria coragem de sair de Woking. Como achava que Schumacher iria continuar.

Agora sobrará uma vaga interessantíssima na Sauber. Esse babado aí em cima vai mexer em muitas cadeiras.

Coletiva da McLaren prevista para a manhã de sexta. Acordem cedo.

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AINDA É CEDO

SÃO PAULO (sendo assim…) – Luca di Montezemolo disse que “ainda é cedo” para Pérez se tornar titular da Ferrari. E se a visita do mexicano para treino no simulador de Maranello pode ter parecido uma má notícia para Massa, tal afirmação do presidente é algo capaz de tranquilizá-lo bastante. O brother Américo Teixeira Jr. vem afirmando há semanas que Felipe fica e já acertou tudo. Ficamos esperando os próximos capítulos. Fato é que as duas últimas provas do brasileiro, com pontos sólidos conquistados em Spa e Monza, ajudaram bastante. Não houve brilho, mas também não foram atuações ruins. Na média. E para quem tem Alonso, talvez a média seja o bastante para o segundo carro.

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VISITA ÍNTIMA

SÃO PAULO (sei) – Quem está em Maranello hoje é Sergio Pérez, para treinar no simulador da Ferrari. A equipe assegura que era visita pré-agendada.

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DE OLHO

SÃO PAULO (momento decisivo) – Sergio Pérez disse hoje que a hora de definir o futuro é agora, agosto, mês de férias e negócios na F-1. Massa voltou a ficar em baixa depois das duas últimas corridas e a “Autosprint” informou, semana passada, que a data limite para a Ferrari exercer a opção sobre seu contrato já passou e o time não fez nada. Se ficar com o brasileiro, vai negociar um salário menor.

Pérez faz uma temporada “irregular”, como ele mesmo define, mas ainda assim é melhor que a de Felipe. Tem 47 pontos, contra 25 do atual segundo piloto da Ferrari. De fato, a posição de Massa na classificação é muito ruim, quase vexatória, ainda mais quando se olha para aquilo que Alonso vem fazendo. É evidente que o mexicano está de olho num empreguinho em Maranello. Mas enfrenta alguma resistência de gente importante, por ser muito novinho e inexperiente. Raikkonen entrou na lista dos “especuláveis”. Não acho que volta, porém.

Tem um monte de gente com contrato no fim, este ano. Massa, Schumacher e Hamilton estão entre eles. Lewis deve renovar com a McLaren. Mas se Schumacher resolver parar, pode ser que a Mercedes vá para cima dele, em vez de promover Di Resta. Isso porque Rosberg não parece dar pinta de liderar o time. Michael fica, se quiser. Felipe está na marca do pênalti. Teremos dias interessantes de negociações pela frente.

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MITO

SÃO PAULO (é o cara) – Sergio Pérez revelou pelo Twitter sua surpresa para Mônaco: o símbolo do Chapolin Colorado no capacete, numa homenagem ao eterno Roberto Bolaños, o nosso Chaves.

Grande Pérez!

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EXPLICADO

SÃO PAULO (longos dias, longas noites) – Reparem no patrocinador principal do garotinho Sergio Pérez em seu capacete e no macacão. Explica, claro, seu talento. A foto foi extraída da página do mexicano no Facebook. Quem descobriu foi o Fernando Silva, do Grande Prêmio.

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SEM CHECO

SÃO PAULO (bom para o Felipe) – A Ferrari confirmou que Alonso testa dois dias e Massa, um em Mugello. Nada de Pérez, como especulou a “Autosprint”. A “Autosprint”, aliás, tem batido sem dó no brasileiro.

Os testes estão marcados para o período de 1° a 3 de maio.

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A HORA DE CHECO

SÃO PAULO (é bom se preparar) – Diz a “Autosprint” que Sergio Pérez será escalado pela Ferrari para os testes de Mugello, no começo de maio — a sessão pré-temporada europeia acertada entre a FIA e as equipes. Alonso será escalado para os dois primeiros dias e, no terceiro, o mexicano divide o carro com Felipe Massa, ainda de acordo com a revista italiana.

Checo está em alta. No vído acima, que ele mesmo postou no Twitter, uma matéria feita pela TV alemã lembrando os tempos em que ele morava num restaurante no país, no comecinho da carreira.

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Descoberta pelo Dú Cardim. Como se diz por aí, significa…

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SEM TETO

SÃO PAULO (tadinho) – Domingo, o que mais me impressionou foram as enormes barracas armadas no grid enquanto a corrida não era reiniciada. Mas a Sauber, pobrezinha, não comprou as suas ainda. E “Checo” Pérez teve de se virar com um monte de guarda-chuvas.

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SAUDOSAS MALACAS (5)

SÃO PAULO (fué) – Reparem nesta foto. Pérez, o ligeirinho, trepa no carro e, claro, comemora o segundo lugar. Dava para ganhar, mas um segundo em Sepang nas condições em que ele conseguiu é resultado para comparar, por exemplo, com o de Senna em Mônaco em 1984. A Sauber não tem carro para fazer pódio. E hoje quase ganhou. Um desempenho sensacional e tal.

Mas não é isso que me chamou a atenção. Notem o olhar apaixonado dos mecânicos da Ferrari encostados no gradil. Significa?

Há quem acredite que Massa não chega na China. Que a Ferrari deu um chassi novo a ele para mostrar que o problema não era o carro. O time tem sido paciente com o brasileiro. Só que o resultado de hoje escancarou um abismo grande demais. Não dá para terminar em 15°, à frente só de hispânicos, marússios e caterhanenses quando seu companheiro de equipe ganha a corrida.

Felipe terá dias dificílimos pela frente. Aguentar a histeria da imprensa italiana não será fácil. E o que é pior para ele: as críticas serão merecidas.

Tenho um primo que faz acupuntura, shiatsu, receita florais, estuda fitoterapia e faz um barato de energia com as mãos. Se precisar, arrumo o telefone dele.

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SAUDOSAS MALACAS (4)

SÃO PAULO (legal demais) – A Ferrari fez um dos piores carros dos últimos tempos. O bicho não anda, a equipe admite, os pilotos choramingam, a imprensa corneta.

E depois de duas corridas, Alonso é o líder do Mundial.

Como é a vida, não?

Bem, Alonso venceu o GP malaco, estava feliz e radiante, mas não é burro. Sabe que esse carro aí está longe de ser algo que preste. Eu não queria nem de graça. Talvez para a GP2. “Precisamos ganhar em condições normais. Não em condições como as de hoje.”

“As de hoje” em Sepang foram o que se chama de extremas. Faltando 20 minutos para a largada, começou a chover fraco. Na volta de apresentação, já tinha piloto querendo colocar pneu para seco. Mas quando largaram, desabou um puta toró.

Apesar da tempestade, Hamilton e Button, os dois da primeira fila, se seguraram na boa. E os apressadinhos que queriam slicks avisaram pelo rádio que era melhor providenciar botes salva-vidas. Começaram as trocas para pneus de chuva brava, sendo Pérez e Senninha os primeiros a trocar — o brasileiro porque tinha tocado em Maldonado e parou antes do previsto. O chicano porque é espertoman.

Na sétima volta, estavam quase todos calçados com a borracha mais apropriada para os programas do Datena. Menos Vergne e Karthikeyan. Aí Button entrou no rádio para comentar, de forma até lúdica, quando perguntado sobre as condições da pista, que o último setor estava “like a lake”.

Dá até música, “Like a Lake”. O fato é que era tanta água que pararam tudo. Safety-car na frente do pelotão, duas voltas e bandeira vermelha. Para essa merda toda. Hamilton seguia na liderança, com Button em segundo e o espertinho do Pérez em terceiro, porque aproveitou mais do que ninguém os pneus para pista muito molhada, já que trocou antes. Ganhou um caminhão de posições quando os outros pararam.

O mais impressionante nessa interrupção foram as tendas armadas no grid, enormes, com duas salas, copa, cozinha, dois quartos, uma suíte, home-theater, dependências de empregada e terraço gourmet. Mas uma vaga apenas. Tudo para os pilotos não tomarem chuva. Alguns times, os mais pobrinhos, tiveram de se virar com guarda-chuvas chineses, aqueles de 5 reais que estavam vendendo na arquibancada.

Foram 51 minutos de lenga-lenga para que a corrida recomeçasse. Num passe de mágica, as enormes barracas desapareceram. Com menos chuva, saiu todo mundo atrás do safety-car. Quando o dito cujo saiu da frente, sete pilotos foram para os boxes colocar intermediários correndo, porque estava secando. A McLaren se atrapalhou com Hamilton, que se atrapalhou com o mundo, e Alonso ganhou sua posição. Button fez uma de suas raras barbeiragens, bateu em Karthikeyan (que estava à sua frente de verdade!), teve de trocar pneu de novo e estragou sua corrida.

Foi então que alguém se perguntou: e aí, quem está atrás do Alonso, afinal? Porque estava claro que Alonso não iria ganhar nada, e sendo assim, o vencedor seria o segundo colocado. Pérez. Acreditam? Pérez.

Putz, o Pérez vai ganhar, muchachos! E aí a prova ficou bacana demais, com o mexicano partindo para cima, reduzindo a diferença volta a volta, até que começou a secar de verdade, Ricciardo foi a primeira cobaia a colocar slicks, começou a virar 5s mais rápido que os outros, e os outros pararam também. Slicks pra todo mundo.

Pérez parou uma volta depois de Alonso, perdeu uma meia-dúzia de segundos, e começou a remar tudo de novo. Fernandinho ia se virando do jeito que dava com aquela carroça inguiável, e na volta 49 o engenheiro entrou no rádio do nosso teen asteca para dar um toque: “Checo, toma cuidado, meu filho. Calma. Essa posição é muito importante para nós”. Foi só falar e o pobre diabo escapou da pista. Conseguiu voltar, mas terminou em segundo.

Há quem acredite que foi mensagem cifrada. Na linha “Fernando is faster than you”. Besteira. Por quê? Porque a Sauber compra motor da Ferrari? E daí? O que aconteceria se Serginho passasse Fernandinho? A Ferrari iria parar de vender? Iria aumentar o preço acima da inflação? Iria cobrar mais pela revisão? Iria reduzir a garantia? A Sauber não tem motivo nenhum para abrir mão de uma vitória contra ninguém. Fosse um embate Red Bull x Toro Rosso, poderia até ser — embora não seja o perfil do nenhuma das duas. Mas a Sauber, não. Bobagem.

Prefiro a tese do João Paulo de Oliveira, que pelo Twitter disse que o engenheiro não tinha de dizer nada, que não se deve desconcentrar um piloto nessa situação. Checo ia ganhar a corrida. Entusiasmou-se demais, talvez, se desconcentrou, saiu da pista, chegou em segundo. E Alonso se livrou de um passão nas últimas voltas pela segunda vez no ano. Na Austrália, foi Maldonado que bateu quando estava chegando para jantar o espanhol. Os caras se assustam, deve ser isso.

Checo dedicou o segundo lugar à cadelinha Frida, que morreu há alguns dias, a Carlos Slim, o bilionário dono da Claro e da Telmex que o patrocina, e a Deus. Nessa ordem. Tem coisa mais fofa? Gracinha, diria a Hebe. Puta piloto, digo eu. Deu dobradinha da Ferrari, dirá o mais maldoso.

Foi um baita resultado para Pérez, piloto atrelado à Ferrari e preferido da imprensa italiana para assumir logo um dos carros vermelhos. Primeiro pódio mexicano desde o segundo lugar de Pedro Rodriguez em Zandvoort, 1971. Na chuva. Com uma Ferrari em primeiro, a de Jacky Ickx. Coincidências demais.

E é mesmo um negócio inacreditável, o Alonso. A Ferrari até escreveu “mágico” numa placa para ele. Se eu trabalhasse na equipe, escreveria “El Fodón”. Não se aperta, tem momentos de gênio, consegue com uma bomba sobre rodas sair da segunda corrida do ano na liderança do campeonato. Vale cada centavo que lhe pagam. Como vale Vettel, como vale Schumacher. O cara salvou o pescoço de todo mundo em Maranello.

Menos de um. Massa.

Putz. Como foi mal, Massa. Começou até de maneira razoável, estava em oitavo quando a prova foi interrompida, mas depois começou a despencar, despencar, despencar, todo mundo o ultrapassava, os pneus acabavam, e chegou uma hora que, depois de demorar para passar Petrov, o que é inaceitável, viu-se à frente apenas dos nanicos. Na prática, pois, em último. Com o companheiro em primeiro. Aí faltam argumentos para defender Felipe. Tem alguma coisa muito errada com ele.

Em compensação, o primeiro-sobrinho fez uma corridaça. Se começou mal, caindo para último quando teve de ir aos boxes logo no início, depois da relargada o rapaz foi um leão. Passou quem viu pela frente, foi passado e passou de novo, partiu para cima, não cometeu erros, e chegou em sexto. Um resultado brilhante, e se Bruno acertar nas classificações, pode começar a sonhar mais alto porque a Williams, incrivelmente, fez um carro muito bom para 2012. Maldonado teve um domingo menos feliz, até pelo toque de Senninha na largada, mas estava já em décimo quando o motor quebrou, na última volta. É meio cagado, esse Maldonado. Mas muito rápido.

Bem também foi Raikkonen, quinto colocado, dono da melhor volta da prova. E a Force India, com seus dois pilotos nos pontos, em sétimo e nono (Resta Um e o Incrível Hulk). Verme ficou em oitavo, fazendo seus primeiros pontos na F-1. E nunca mais falo bem ou aposto nada na Mercedes. Schumacher ficou em décimo porque Maldonado quebrou e Rosberguinho, nem sei onde chegou. Depois que um quero-quero passou por ele sem asa móvel, após uma sequência de pilotos riscando a carenagem prateada do carro bonito, mas ordinário, desisti. Já tomava nabo da Auto Union nos anos 30, por que vai começar a andar agora? Desisti dessa Mercedes. Marca que faz ônibus e carro, um dos dois não faz direito.

E para terminar, a Red Bull. Putz. O que aconteceu com esses caras? OK, Webber foi o de sempre. Mas e Tião? Bateu no Karthikeyan também e furou o pneu. No fim da corrida, pelo rádio, a equipe mandou abandonar. Depois desistiu. Depois mandou de novo. “Emergência!”, gritaram pelo rádio. O que encontraram? Uma granada na entrada de ar? Um foco de mosquitos da dengue?

Coisa mais esquisita, sô.

Quem ouvir um compacto da corrida transmitida pela rádio Estadão-ESPN com meus comentários? Clique aqui: GP MALASIA F1 2503 COMPACTO

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“INÚTIL”

SÃO PAULO (na frigideira) – A “Autosprint” já foi mais importante e influente, mas não se deve desprezar a revista quando ela começa a ficar histérica. O torcedor italiano é apaixonado e os dirigentes da Ferrari são muito sugestionáveis. Menos pelo veículo, mais pelos jornalistas que assinam seus libelos. E não há imprensa mais corneteira no mundo quando se trata de F-1.

Por isso, é relevante a capa desta semana, definido Felipe Massa como “inútil” para a equipe e já sugerindo nomes para substituí-lo. Não no ano que vem, mas “o quanto antes”. Sergio Pérez e, pasmem, Jarno Trulli são as, digamos, indicações da “Autosprint”.

É uma decisão difícil. O desempenho do brasileiro em Melbourne foi, de fato, muito ruim. Se é verdade que na classificação os dois pilotos patinaram, é igualmente verdade que Alonso foi muito mais rápido que o companheiro: 0s945 no Q1, 1s003 no Q2. É muita coisa, muito mais do que as médias de 2010 e 2011, a saber:

2010
- Placar das classificações: Alonso 15 x 4 Massa
- Posição média de largada: Alonso 5,8 x 7,7 Massa
- Diferença média de tempo em classificações: 0s316 pró-Alonso

2011
- Placar das classificações: Alonso 15 x 4 Massa
- Posição média de largada: Alonso 4,6 x 5,8 Massa
- Diferença média de tempo em classificações: 0s297 pró-Alonso

Claro que uma única corrida, como está de abertura do campeonato, é pouco para afirmar que os três décimos médios de 2010 e 2011 triplicaram. Média é média e só tivemos um GP até agora. Mas o que mais intrigou nesta prova foi a maneira como Felipe despencou, depois de uma boa largada. Pérez, que partiu em último, chegou em oitavo. Massa não terminaria nos pontos, embora tenha fechado a primeira volta em décimo. Aqui, vale lembrar que o mexicano também largou muito bem e era 12° na primeira volta, aproveitando-se das confusões que aconteceram com Bruno, Ricciardo, Hülkenberg et caterva. A partir daí, construiu sua corrida com uma estratégia de apenas uma parada, o que representa enorme vantagem em relação a quem, como Massa, foi para os boxes três vezes.

Felipe tinha problemas para aquecer pneus no último ano de Bridgestone e o mesmo aconteceu no ano passado, o primeiro da Pirelli. Em Melbourne, seu carro escorregava de um lado para o outro, o que é a pior coisa possível para a borracha. Ah, mas Alonso chegou em quinto. Verdade. E é aí que mora o problema. Massa será comparado sempre com Fernandito. Que é um piloto que lida melhor com as dificuldades. Apesar da classificação desastrosa, o espanhol, não nos esqueçamos, foi o primeiro depois dos quatro carros das duas equipes favoritas. É um resultado e tanto. Muito mais devido às suas qualidades que às do carro, que inexistem.

A melhor volta de Alonso na corrida, 1min30s277 na 52ª, foi a sétima melhor da corrida, 1s090 pior que a de Button, 1min29s187 — a melhor de todas. Felipe fez apenas a 15ª melhor, 1min31s940 (na 46ª), 1s663 mais lento que o parceiro. À frente, apenas, das duplas da Caterham e da Marussia e de Schumacher, que abandonou depois de quatro voltas, com o tanque cheio.

A temporada, em resumo, começou muito mal para Felipe. Trocá-lo por deficiência técnica é algo que, acredito, a Ferrari não faria se tivesse de pensar racionalmente. Racionalmente. Porque quando a imprensa italiana começa a apitar, as decisões em Maranello nem sempre são as mais racionais.

ATUALIZANDO…

A Ferrari informou que vai trocar o chassi de Massa na Malásia. Para tirar algumas dúvidas sobre o comportamento do carro na Austrália. E saiu em defesa do brasileiro em comunicado oficial.

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Quanta intimidade da Ferrari com Sergio Pérez, 22 primaveras completadas hoje…

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