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O ASPONE

SÃO PAULO (meus sais, como diria Veloz…) – Então que recebo pelo Twitter a seguinte citação, já que nesse negócio, quando alguém o menciona com seu endereço (no caso, @flaviogomes69, sendo “69″ exatamente isso que vocês estão pensando), a mensagem aparece na sua “timeline” — no jargão tuítico, “TL”; não uso esse jargão porque TL para mim é carro:

Houve uma resposta, como se vê, entre os mais de 40 mil seguidores que o autor, Waltinho Ferrari Jr, tem em sua conta. Um número expressivo, sem dúvida. Quase o dobro do que eu, que sou jornalista famoso, bonito, astro da televisão e escritor consagrado.

A explicação pode estar no seu perfil, suponho que de sua própria autoria:

Publicitário, ex-Dubai, Europa e F1 worker, atual Nascar. Digital Life and Social Media expert. Piquet Sports, Azzurra Comunicação e #odonodotwitter. Segue aí!

Ele é o dono do Twitter, portanto é natural que tenha tantos seguidores. Atendi à sugestão e passei a seguir o perfil que atende por @ferrarijr.

(Há uma certa obsessão dos tuiteiros espalhados pelo mundo por esse negócio de número de seguidores. Orkut e Facebook também reproduzem tal fetiche. As pessoas, nas redes sociais, se julgam mais ou menos importantes em função da quantidade de “followers”, ou “amigos”, que têm nas suas páginas. Em geral isso não quer dizer muito. Às vezes, sim. Perfis como os de Luciano Huck, William Bonner e Ivete Sangalo, por exemplo, ultrapassam a casa do milhão de pessoas que se interessam pelo que escrevem. Ou que os seguem pela frágil ilusão de proximidade, para se sentirem “amigos” de celebridades. São tempos bem malucos, os que vivemos. Milhões de pessoas se interessarem pela cor da gravata que o Bonner vai usar no “Jornal Nacional” me parece algo preocupante. Nesses casos, essa quantidade imensa de seguidores diz, sim, alguma coisa. É um dado concreto que mostra como há gente tonta no Brasil. Mas deixemos essa discussão para depois.)

Eu estaria mentindo se dissesse que nunca ouvi falar de Waltinho Ferrari Jr. Ele é uma espécie de assessor de Nelsinho Piquet e foi razoavelmente assediado alguns anos atrás quando estourou o escândalo de Cingapura, do qual todos se lembram bem. Mas não o conheço pessoalmente, nunca falei com ele e não tenho grandes informações.

As de que disponho, no entanto, são suficientes para traçar um breve perfil do rapaz, que corre o risco de ser um pouco superficial mas se aproxima do quê deve ser o tipo. É aquilo que se chama de “aspone”, uma das melhores criações do nosso idioma, a sigla para “Assessor de Porra Nenhuma”. É uma categoria vasta, no Brasil. Que já poderia se mobilizar no sentido de formação de alguma associação para defender seus interesses, já que normalmente os aspones são figuras muito criticadas e ironizadas pela opinião pública em geral. Abundam em Brasília, por exemplo, e nos governos em geral. Mais recentemente, passaram a ocupar cargos importantes também no mundo das celebridades esportivas e artísticas. Todo cantor de pagode tem um aspone. Atletas, idem. Aquele goleiro do Flamengo que foi preso, Bruno, acusado de mandar matar a namorada, tem um aspone clássico, de alcunha Macarrão, que até tatuou o nome do guarda-metas nas costas.

Waltinho Ferrari Jr, pelas informações de que disponho, retomando o assunto, é um aspone típico. No automobilismo tem muito disso. Pilotos são figuras vaidosas e infantis, muitas vezes. Precisam de alguém para dar ordens, alguém que carregue a bolsa do capacete (é algo muito chato, carregar capacete, colocar no bagageiro do avião, essas coisas), que retire a bagagem na esteira, que cuide do passaporte, do cartão de milhagem, alguém que sirva de claque, que cuide dos convites VIP, essas coisas.

Sem querer partir para ofensas pessoais, embora tenha sido chamado de “cuzão”, que nunca sei se é com Z ou com S, me permito considerar esse rapaz um desses novos jecas contemporâneos, que se vangloriam de pegar um voo na “First”, ou de estar jantando em Mônaco e poder contar aos seus 40 mil e tantos seguidores que a vista do porto é bonita. Seu perfil informa que é publicitário “ex-Dubai, Europa e F1 worker”, algo que deve impressionar bastante seus pares, ex-colegas de faculdade e tudo mais. Curioso que sou, fui ver seu perfil também no Facebook, que muitas vezes é esclarecedor. Constatei que entre seus temas de interesse estão os chocolates Snickers e a dupla de sertanejo universitário Luiz Henrique & Montenegro.

Temos pouco em comum, pois. No quesito chocolate, prefiro Diamante Negro, Kit-Kat, as bolinhas Maltesers e os bombons Baci Perugina. Gostava muito do chumbinho da Kopenhagen, mas os preços estão pela hora da morte e me recuso a pagar quase 20 reais por uma caixinha. Já no âmbito musical, o sertanejo universitário não me agrada particularmente. Talvez as sertanejas universitárias, mas sejamos francos: já não tenho mais idade para essas coisas, embora tenha lido numa revista qualquer que as mulheres “tem procurado parceiros maduros porque querem alguém que as acompanhe intelectualmente”. Você tá lascado, rapaz, com Snickers, Luiz Henrique e Montenegro.

Fiquei surpreso com as considerações do aspone sobre minha humilde e modesta pessoa, não sabia que era lido por tal espécie de jeca tatu urbano, e meu texto sobre Piquet, de ontem, merecia mais do que “babando ovo do Nelsão no blof, no TT, na ESPN”. “Babar ovo” é uma expressão da qual nunca gostei, assim como “pagar pau”. São fracas. “Blof” é blog, claro, erro de digitação, e quanto ao TT, certamente os “trending topics” do Twitter, os assuntos mais comentados do dia, o F.Gomes que apareceu ontem parece que não sou eu, mas sim um jornalista assassinado em Caicó no ano passado. O crime já está esclarecido, F. Gomes foi morto pelo pistoleiro Dão a mando do Gordo da Rodoviária, de um pastor e de um coronel da PM que dirigia a penitenciária de Seridó. Não sei se F. Gomes era Flavio, Francisco, Ferdinando, Felipe, Florismundo. Mas não sou eu, o F. Gomes executado por Dão. Fosse-o, não estaria aqui escrevendo sobre Waltinho Ferrari Jr.

“Se ele soubesse o tanto q o chefe gosta dele…” é a mensagem meio cifrada com a qual o aspone encerra sua tuitada. “O chefe”, suponho, é o Nelsinho. Afinal, até onde se sabe, Ferrari Jr é aspone de Nelsinho, e não de “Nelsão”, como ele se refere ao pai. Sinceramente, não tenho a menor ideia se Nelsinho gosta de mim, ou mesmo se “Nelsão” se lembra de quem eu sou. Não é algo com que me importe. Questão absolutamente menor e irrelevante. Alguém sobre quem escrevo gostar ou não de mim não determina o que dele escrevo ou falo. E é aí que quero chegar, depois de tantos rodeios e tentativas de traçar um perfil do aspone que me chama de “cuzão” e me alerta para o tanto que o “chefe” me detesta.

Ferrari Jr é um desses jequinhas urbanos embrenhados no mercado publicitário e marqueteiro do esporte que considera que os relacionamentos pessoais com as ditas celebridades é o que de mais importante há para se dar bem, e portanto abominam os críticos, os que não “babam ovo” (assim ele entende), os que não bajulam, os que não fazem parte, mesmo que informalmente, de sua entourage. O “chefe”, provavelmente, não gosta de mim por algo que eu tenha escrito sobre o acidente de Cingapura. E se o pai do chefe também não gosta de mim por algo do tipo, é compreensível — sou pai, e também não gostaria de ninguém que falasse mal do meu filho.

Não sei exatamente se falei mal do “chefe” na ocasião. Apenas disse e escrevi o que achei que devia e não estou com vontade de ficar procurando nos arquivos deste blog nada que me desabone. Falaria o mesmo de qualquer piloto, de qualquer nacionalidade, de qualquer equipe, de qualquer sobrenome. Nelsinho, o “chefe”, mereceu palavras condescendentes, também, em muitos textos aqui — da mesma forma, não vou procurar nos arquivos nada que me abone. Acho muito bacana a retomada da sua carreira, o desapego às coisas da F-1, a coragem de tentar a vida nos EUA, a volta por cima. E continuarei achando, porque merece reconhecimento a qualidade do trabalho que está realizando na Nascar, um ambiente difícil, hostil, às vezes, onde é duro vencer.

Ferrari Jr, pelo jeito, acha que eu gostaria de saber o tanto que o chefe gosta de mim. Não, jequinha, não gostaria de saber. O menininho que replicou sua mensagem, por exemplo, “axou” que eu era “mó amigão”. Não, menininho, não sou. Viu que louco é o mundo? Não sou “mó amigão” nem do chefe, nem do seu pai, e escrevi um texto “babando ovo” do “Nelsão”.

Que cara esquisito sou eu, não?

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POLUDO

SÃO PAULO (uau) – Olha lá, olha lá, olha lá, no placar! Miguel Paludo da pole, Nelsinho em segundo no grid da prova de abertura da Truck Series da Nascar. Corrida que será disputada daqui a pouco, às 22h.

Sorte aos meninos! Não sem antes reforçar que é, sim, um resultado histórico. Não para o automobilismo brasileiro, que nada tem a ver com isso — embora Paludo tenha na sua formação passagens pela Porsche Cup daqui; mas a Porsche Cup não é uma iniciativa do “automobilismo brasileiro”, e sim do Dener. É histórico para eles dois. Portas que se abrem aos poucos, dificílimas, e são eles que estão com a mão na maçaneta.

 

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FIM DE FEIRA (12)

SÃO PAULO (28°C) – No clique de Victor Martins, Nelsinho Piquet em sua primeira aparição num paddock de F-1 depois de sua saída da Renault. Bem recebido por todo mundo. Não vi ninguém olhando torto para ele. Nem há motivos. Aqui não há santos, como diz Bernie Ecclestone. Tirando eu, claro, um anjo de candura.

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LEGAL (1)

SÃO PAULO (boa, garoto!) - Olha só o Nelsinho, rapaz! Segundão em Nashville na Truck Series da Nascar. A história toda está aqui.

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NELSINHO VENCEU

SÃO PAULO (mas venceu mesmo?) – Pelo menos nos tribunais, Nelsinho Piquet venceu. E a Renault vai ter de pedir desculpas por difamar pai e filho. Digo “pelo menos”, porque Nelsinho ainda vai ter de conviver com a mancha de Cingapura por algum tempo. Tempo que, acredito, se encarregará de permitir que ele retome sua carreira com regularidade. Não na F-1, que ele nem quer mais, mas nos EUA, porto seguro que escolheu.

Bem, desse caso já falamos bastante. Como já escrevi em outros posts em outras eras, Nelsinho pagou e está pagando pelo que fez, e quem somos nós para estabelecer penas?

A pena para a Renault foi estabelecida pela Alta Corte de Londres, onde correu o processo dos Piquet contra a equipe, que veio a público, depois do escândalo, para acusar ambos de chantagem.

A Renault perdeu porque no dia 11 de setembro de 2009 publicou um press-release afirmando que Nelsinho e seu pai estavam mentindo quando revelaram que a batida no GP de Cingapura fora proposital, sugerida (ou ordenada, mas tanto faz) pelos seus chefes Pat Symonds e Flavio Briatore. A equipe disse que estava sendo chantageada para que Nelsinho seguisse como piloto até o fim daquela temporada.

Como a FIA descobriu tudo em suas investigações poucos dias depois, a Renault teve de admitir que as acusações dos Piquet não eram falsas. E terá de pagar uma “substancial” indenização aos dois. Não há menção a valores. O processo está encerrado. Piquet pai e filho aceitaram as desculpas e, claro, a indenização.

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A VOLTA DE NELSINHO

SÃO PAULO (aguardem) – É possível. Via Cypher, mais um grupo misterioso que se apresenta como candidato à vaga aberta na F-1 no ano que vem. O grupo é americano, e por conta do que aconteceu com a USF1 no ano passado, dá para desconfiar de cara. A família Piquet seria o alvo para ajudar a viabilizar a empreitada. Victor Martins e Felipe Paranhos contam essa história aqui.

Mas aproveito para lançar às feras a seguinte questão. Cingapura à parte, Nelsinho foi frequentemente malhado, inclusive por este blog, pelo seu desempenho ruim diante de Alonso no ano e meio de Renault. Agora, com Massa, algo semelhante acontece. Ele vem sendo constantemente mais lento que o mesmo Alonso, só que na Ferrari.

Pergunto a vocês: Nelsinho não foi tão mal quanto os críticos, este blogueiro inclusive, acharam?

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CASOS CURIOSOS

SÃO PAULO (checa, filho) – Minha coluna de hoje também está no ar. Chamo o filme pelo nome errado. Em vez de “Curioso Caso de Benjamin Button”, mandei um “Estranho Caso…”. Enfim, não muda o teor. Schumacher, Webber e Nelsinho são os personagens do texto. Para ler, é só clicar aqui. Depois voltem para comentar.

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BRIATORE FREE

SÃO PAULO (por que não me surpreendo?) - Podem esculhambar Max Mosley à vontade, mas foi sob sua gestão que Flavio Briatore foi banido do esporte, e é sob a gestão de Jean Todt que ele voltará. O ex-dirigente da Renault e a FIA chegaram a um acordo que foi divulgado hoje. Briatore retira o processo que movia contra a decisão da entidade de bani-lo até o fim dos tempos, e a FIA permitirá que ele volte a atuar no automobilismo — na F-1, especificamente, depois do final da temporada de 2012; em outros campeonatos chancelados pela FIA, depois de 2011.

No texto que a assessoria de Flavione enviou, ele diz que aceita sua parcela de culpa pelo que aconteceu no GP de Cingapura de 2008, já que era diretor da equipe, mas nega qualquer responsabilidade pessoal no episódio. E, igualmente, não reconhece fundamento na decisão do Conselho Mundial que o puniu no ano passado. A FIA, pelo jeito, concorda.

Seus planos para o futuro são desconhecidos. Ao menos deste que vos bloga.

Pat Symonds também teve sua pena de cinco anos reduzida. Nelsinho Piquet, que bateu de propósito naquela corrida, como se sabe, não recebeu punição formal alguma, mas se transformou num piloto errático que, ultimamente, tem se dedicado a correr em várias categorias.

Não mudo muito o que achava na época do escândalo. Para mim, Nelsinho não foi vítima. Foi agente da picaretagem, fez uma grande cagada, denunciou tudo motivado pela demissão iminente, tavez nunca falasse nada se tivesse o emprego garantido. Aí, para mim, o maior de seus pecados. Fez tudo movido por interesses muito pessoais. Mas se arrependeu, é jovem, e não faria sentido pendurá-lo na cruz.

A FIA diz que Briatore e Symonds se arrependeram, também. E se um, Nelsinho, merece ser perdoado, não vejo por que não perdoar os dois, também. Mesmo peso, mesma medida.  Briatore é um escroque, Symonds é indefensável nesse caso, Nelsinho, idem. Cada um que busque seu caminho, agora. Para mim, independentemente das penas formais, todos estão pagando pelo que fizeram.

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VIDA NOVA

nelsinhotruckSÃO PAULO (solzão) – Começou para valer a nova vida de Nelsinho Piquet, com a estreia no campeonato de caminhonetes da NASCAR, ontem à noite. E começou bem, com um sexto lugar. O relato da prova de Daytona está aqui.

Que Nelsinho engate e olhe para a frente. Quando ele falou que agora só queria ser feliz, passei a simpatizar mais com o menino. O que ele fez não se apaga, claro. Teve consequências, ele já foi julgado e condenado, mesmo que informalmente.

Mas ficou no passado. E é assim que tem de ser. O tempo se encarrega de atenuar as coisas. Piquet-pimpolho tem a vida pela frente para apagar a imagem de mau desportista. E continuar no esporte é a melhor forma de corrigir o que fez de errado.

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FIM DA LINHA

SÃO PAULO (e começo de outra) – A F-1 acabou para Nelsinho Piquet. Hoje, o filho do tricampeão informou através de seu site que vai correr nos EUA, na NASCAR. Não deu detalhes sobre equipe, série, carro. No comunicado, admitiu que seus 18 meses de F-1 não correram como gostaria. E filosofou sobre ambição e felicidade — concordo 100% com ele que a busca da felicidade é muito mais importante do que qualquer ambição, e espero que ele esteja sendo sincero.

Na F-1, em 2008 e parte de 2009, Nelsinho foi um mau piloto e um mau desportista. Traços de sua personalidade de garoto mimado eu pude detectar quando estava na GP2, e até escrevi, na época, uma coluna sobre o assunto. Foi em Mônaco, quando ele deu chilique por causa de uma batida num treino.

No ano passado, Piquet-pimpolho angariou simpatias, inclusive deste que vos bloga, com sua atuação no Twitter, o esforço para se comunicar com seu público, a disposição para dar satisfações a quem o acompanha. Depois estourou o escândalo de Cingapura revelando uma outra faceta do rapaz, egoísta e amoral.

Nelsinho, em resumo, está em débito com o esporte que escolheu como ofício. Terá mais uma chance, de recomeçar do zero, em outro ambiente, com outros competidores, em outras pistas, com outros carros. Não sou daqueles que desejam mal a ninguém, muito menos a quem se disponha a assumir seus erros. Que o menino faça isso, agora. É jovem, saudável, tem dinheiro, pode começar uma nova vida. Se tudo que fez tiver servido de lição para que não repita as cagadas monstruosas do passado, tudo que posso fazer é torcer para que se torne uma pessoa melhor.

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INDULTO DE ANO NOVO

SÃO PAULO (xi, choveu) – E não é que um tribunal parisiense livrou Flavio Briatore do banimento imposto pela FIA? É direito dele procurar a Justiça, claro, e lutar por aquilo que acha que merece. Mas não gosto muito de ver a Justiça Comum se metendo em assuntos esportivos. De qualquer forma, é assim que funciona. E Briatore pode voltar aos autódromos, desde que alguém lhe arrume uma credencial. Porque se é verdade que ele conseguiu reverter a proibição, também o é que a FIA tem todo o direito de não emitir credenciais em seu nome se ele não tiver função alguma em lugar nenhum. Convites de empresas, porém, podem ser feitos. VIP, sacumé?

Não sei muito bem o que Briatore teria a fazer num autódromo hoje. Mas, livre do banimento, pode continuar no negócio, se quiser. Comprando um time, por exemplo, ou se tornando sócio. Aí, a FIA seria obrigada a credenciá-lo. Vamos ver qual será a reação do presidente Jean Todt.

Os três condenados pelo escândalo de Cingapura, de qualquer forma, continuam pagando pelo que fizeram. Pat Symonds desapareceu, Nelsinho não arruma lugar para correr e Briatore, mesmo livre da punição da FIA, não é exatamente um convidado bem-vindo em qualquer paddock. Além disso, seus nomes estão eternamente manchados pelo que fizeram.

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ONE COMMENT

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Está no site do Red Bulletin, como um resumo visual da temporada. Sei que todos vão notar o Nelsinho/Dick Vigarista, mas curti o Button/Peter Perfeito. A mola no Massa é de péssimo gosto.

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OBSERVANDO

BERLIM (tirando o atraso) – Vou copiar na cara dura o post do Fábio Seixas, até o título, sobre o programa “Observatório da Imprensa” desta semana, que discute a cobertura do caso Nelsinho-Cingapura pela mídia brasileira.

“Nas bancadas, Alberto Dines, Celso Itiberê, João Carlos Albuquerque e este que vos bloga”, diz o indigitado Seixas. “Participaram ainda Flavio Gomes, Ernesto Rodrigues, Reginaldo Leme, Mair Pena Neto e Lito Cavalcanti.”

Flavio Gomes sou eu. O programa está no VocêTubo em seis partes.

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FELIPE & NELSINHO

BERLIM (por fim) - Massa e Piquet-pimpolho se encontraram na Granja Viana, treinando de kart. Vi as fotos. Estão no Grande Prêmio. Se cumprimentaram, abraçaram-se e, pelo jeito, não falaram em particular sobre o que aconteceu em Cingapura no ano passado. Felipe, no entanto, disse em entrevistas que o que houve foi um “roubo”. Mas não acha que se deve mudar o resultado do campeonato. E acrescentou que mesmo pedindo perdão, Nelsinho tem de entender que errou e que seu erro será lembrado para sempre. Muito sensato. Aliás, Massa é muito sensato em tudo que fala. Não olha para trás, não lamenta o que passou (foi assim na decisão do título de 2008 em Interlagos), é um cara positivo.

Tomara que volte, e bem.

Quanto a Nelsinho, já gravou a entrevista da semana para o Reginaldo Leme, e será levada ao ar no “Fantástico” de domingo. O site da Globo diz que ele pede “desculpas ao povo brasileiro”. Menos. Digamos que o “povo brasileiro” se preocupa com coisas mais importantes que a F-1. E que pilotos não representam “o povo brasileiro”. Ninguém passou a ter vergonha de ser brasileiro porque Nelsinho se arrebentou no muro de propósito. Temos muitos motivos para nos envergonhar, certamente. Mas esse não é um deles. Quem deve se envergonhar do que fez é Nelsinho, não o povo.

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FRACA (2)

PARIS (longe, o 2D) – Bonjour, macacada. O blog ficou meio abandonado ontem por conta de um breve voo, mas a primeira parte está cumprida e aproveitei a pausa para ler todos os comentários sobre a entrevista de Piquet-pai a Reginaldo Leme.

Ontem, antes de sair, assisti à íntegra no GloboEsporte.com. Sim, ficou claro que o problema maior do que foi ao ar no “Fantástico” foi a edição desastrosa. Por isso pareceu tão ruim a entrevista. Só escolheram trechos desimportantes e confusos. O problema é que Piquet não chorou, tirando as referências dos editores do programa. Se tivesse chorado, seria fácil: fecha no rosto, nos olhos vermelhos, nas rugas, gran finale, volta para o apresentador com ar contrito, padrão Globo.

Bem, algumas das perguntas a que me referi abaixo foram feitas e, mesmo sem ter sido muito incisivo, o Regi conseguiu tirar de Piquet — ao menos entendi assim — que se Nelsinho não fosse demitido, o caso que ele chama de “crime” teria caído no esquecimento familiar e seria varrido para baixo do tapete da sala.

O ponto que dei a Nelson-pai por ter procurado a FIA no fim do ano passado, pois, retiro agora.

Seu discurso é muito contraditório. Odes à FIA, à preocupação com a lisura e a honestidade, alívio por ajudar a melhorar o automobilismo, elogios à pureza da F-1, tudo certo, tudo legal. Mas só porque o filho perdeu o lugar. Se o contrato com a Renault tivesse sido mantido, ninguém saberia de nada. E aí não haveria lisura, preocupação em melhorar o automobilismo, pureza, picas.

Muito raso, o raciocínio.

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FRACA

SÃO PAULO (e a mala?) – Reginaldo Leme deu o furo mundial, escolhido que foi — por sua história, competência, seriedade — por Nelson Piquet para revelar que a FIA estava investigando o escândalo que ele, Piquet-pai, decidiu encaminhar às autoridades competentes. Ontem à noite, a Globo levou ao ar no “Fantástico” a entrevista que Regi fez com o tricampeão do mundo.

Fraca, muito fraca.

Não sei se Piquet impôs (tem acento, isso?) condições, coisas como “não pergunta isso que eu não respondo”. Mas faltou apertar o homem. Não como num interrogatório, porque nós jornalistas não somos paladinos da justiça ou coisa que o valha. Mas somos curiosos. A grande pergunta não foi feita: se Nelsinho não tivesse sido demitido, o escândalo seria varrido para baixo do tapete?

Piquet diz (já se sabia) que procurou a FIA durante o GP do Brasil, tão logo soube da batida proposital. Mas ficou tudo meio no ar. A FIA não acreditou? Pediu que Nelsinho desse um depoimento? Abriu investigação? Pelo jeito, nada disso. E Nelsão se calou para, como disse, “proteger o filho”. Depois, com o contrato rompido, atirou tudo ao ventilador.

Faltou, também, uma menção ao tal relacionamento que Briatore insinuou haver entre Piquet-pimpolho e “um homem mais velho”. Quem é o cara, afinal? É verdade que Nelson-pai quis afastá-lo do filho? Por quê? Era alguém prejudicial a sua carreira? Nelsinho foi mesmo morar no mesmo prédio de seu empresário?

No fim, o que se viu foi um Piquet soltando, aqui e ali, frases indignadas sobre o que aconteceu: ”crime”, “eu não faria”, “se ele tivesse falado comigo antes, não faria de jeito nenhum”, “Senna e Prost fizeram o mesmo” e por aí vai.

Nada contra um pai defender o filho, perdoá-lo, sofrer por ele. Mas acobertar não é bem o que se deve fazer nessas situações, e no fim das contas foi o que Piquet-pai fez, depois que o contrato com a Renault foi renovado no fim do ano passado.

Faltou também falar sobre o futuro. E agora? Nelsinho tem lugar na F-1? Você, como chefe de equipe, contrataria um piloto que fez isso? Qual o caminho a seguir a partir de agora?

paiefilho

Notei um Piquet envelhecido, com o rosto marcado pela mágoa que, certamente, está sentindo. Afinal, investiu tempo, dinheiro, esforço, dedicação e carinho na carreira do filho, que pode ter ido por água abaixo por conta de decisões erradas — uma delas de sua responsabilidade, a de vincular o garoto a uma cascavel como Briatore, sabendo direitinho de quem se tratava.

Gosto muito de Nelson-pai. Convivi razoavelmente com ele nos seus últimos quatro anos de F-1, de 1988 a 1991, sempre admirei sua história e seus feitos na pista, sempre o achei uma figura muito interessante fora dela. Não sei se esse caso todo vai mudar demais a imagem que as pessoas em geral têm dele — seus fãs mais encarniçados, seus críticos ferozes, os “sennistas” (sim, isso existe) e por aí vai. Sei, apenas, que tem muita coisa errada nisso tudo, todos agiram de forma condenável, e usar vingança como motivação para denunciar algo tão sério não é algo que eu faria.

Poderia, até, acobertar a cagada de meu filho assim que dela soubesse. É compreensível, por parte de um pai. Trata-se de defender a cria. E, felizmente, ninguém morreu, ninguém se feriu. Tudo se transformou “só” num crime moral e ético. Mas jamais permitiria que ele ficasse sob o mesmo teto, sob as ordens de pessoas que considerasse desprezíveis. O que Piquet fez, com seu silêncio, foi, ao descobrir que seu filhote estava numa jaula ocupada por hienas famintas, atirar a elas uns nacos de carne e esperar, ingenuamente, que nunca mais ficassem com fome. Deixou o menino num ambiente contamidado. E isso um bom pai não deveria fazer. Piquet agiu como pai protetor ao não escancarar a denúncia, mas como um frio homem de negócios ao guardá-la numa gaveta para usar quando fosse preciso.

Que reflita sobre o que fez. Não há santos nessa história, isso já se disse, e Piquet-pai se encaixa na turma que, se houvesse um Céu, teria de parar no meio do caminho por uns tempos antes de receber a credencial permanente.

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NELSÃO FALOU

SÃO PAULO (el furón) – E falou a Reginaldo Leme, que está lavando a égua este ano. Com todos os méritos, claro. A entrevista, já gravada há alguns dias, será levada ao ar no “Fantástico” deste domingo. Entre outras coisas, Piquet-pai disse que prefere perder a trapacear, e que não resolveu contar tudo só depois da demissão de Nelsinho. Revelou a falcatrua à FIA já no fim de semana do GP do Brasil do ano passado.

Ponto, enorme ponto para Nelson Piquet. Não se calou, pelo menos no primeiro momento.

Ah, e por que a coisa só veio à tona depois da demissão do filho? Porque a FIA precisava pelo menos de alguém envolvido dizendo o que tinha acontecido. E Nelsinho, pelo que estou entendendo, só resolveu falar depois de perder o emprego. Forçado pelo pai.

A tendência natural seria, agora, retirar todas as críticas que fiz, e muita gente faz, a Piquet-pai. Mas não vou retirar, não. Ter entregue o caso à FIA e ficar quieto depois não é a atitude mais louvável. Continuo achando que se Nelsinho não perdesse o emprego, essa história toda seria varrida para debaixo do tapete da família. Piquet pode até ter restrições ao que o pimpolho fez. Dizem até que ficou dois meses sem falar com ele. Mas, como pai, não podia permitir que o filho ficasse na mesma equipe, muito menos negociar o silêncio em troca do emprego.

Resumindo, a indignação de Piquet é digna de elogios. Mas ter empurrado o caso com a barriga, não. Era o caso de, depois da negativa da FIA de investigar a denúncia, chamar o menino, conversar com ele e tornar tudo público. Ao contrário, tudo indica que ele usou o fato para que Nelsinho ficasse na Renault. A isso se chama de conivência.

No fim das contas, a motivação para fazer o filhote abrir o bico foi vingança pura e simples. E a FIA também pecou feio. Ao receber uma denúncia desse porte, teria de abrir as investigações imediatamente. E preferiu esperar que o caso morresse, ou usá-lo como munição quando fosse conveniente.

O comportamento de todos foi bem feinho nesse episódio.

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AMÉRICA

SÃO PAULO (alguém viu?) - Aos poucos, Nelsinho Piquet vai voltando à vida. No Twitter, sua principal ferramenta de comunicação nos últimos meses, voltou a colocar algumas mensagens. Nada muito importante, agradecendo o apoio dos torcedores, uma foto de um capacete novo, essas coisas. Nenhuma palavra sobre Cingapura/2008. E à imprensa alemã, o brasileiro já cogita correr nos EUA por um tempo, para quem sabe voltar à F-1 no futuro.

Nelsinho esteve nos EUA em agosto por alguns dias. Consta que já abriu negociações com algumas equipes. A Andretti-Green poderia ser uma delas. O futuro de Piquet-pimpolho no automobilismo é uma grande interrogação. Como ele será recebido por seus novos (ou velhos) companheiros? Esse fardo o rapaz vai carregar nos ombros pelo resto da vida.

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O QUARTO ELEMENTO

SÃO PAULO (vem mais) – Engana-se, pelo jeito, quem acha que o escândalo Cingapura acabou. Quem se deu o trabalho de ler o relatório final da FIA, como Marcus Lellis, do Grande Prêmio, notou que há um quarto elemento nessa história, além dos três patetas Nelsinho, Briatore & Symonds. Depois de fazer suas investigações internas, a Renault informou à FIA que se convenceu de que houve a manipulação do resultado graças ao depoimento de alguém que é chamado de “Testemunha X”, e que estava na reunião de sábado em que foi cogitada a ideia do acidente proposital.

O nome do sujeito está sendo mantido em sigilo.

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CASO ENCERRADO

SÃO PAULO (segue o bonde) – A FIA deu agora há pouco seu veredito. Flavio Briatore está banido da F-1 e de qualquer competição chancelada pela entidade. Não poderá sequer entrar em autódromos. Pilotos que têm suas carreiras gerenciadas pelo italiano (Kovalainen, Alonso, Di Grassi, Webber…) terão de escolher outro manager. Aqueles que tiverem contratos com Briatore não terão suas superlicenças emitidas ou renovadas.

O mesmo vale para Pat Symonds, mas por cinco anos. A FIA considera que o fato de ele ter confessado atenua um pouco as coisas. Flavio, não. A entidade não se conforma que ele mente até agora e nega tudo. Max Mosley conseguiu o que queria: a cabeça do italiano numa bandeja. Tchau e bênção. É uma punição dura. Afinal, o cara está na F-1 há quase 20 anos, foi dono de equipe, empresário de pilotos, uma figura influente.

A Renault foi suspensa por dois anos, mas com efeito suspensivo. Ou seja: até o fim de 2011, não pode mijar fora do vaso. Se fizer qualquer outra dessas, é riscada da F-1. Foi pouco. Pegaram leve. Se pegassem mais pesado, talvez a montadora deixasse a categoria.

Nelsinho não recebeu sanções. Ele entrou num esquema de delação premiada. Em comunicado, diz que se sente arrependido, que terá de começar a carreira do zero, que espera nova chance, que a verdade é sempre o melhor caminho, que sua vida na Renault foi um pesadelo, que mantém a paixão pelas corridas, que será o piloto mais esforçado do mundo se alguém lhe der um emprego.

Alonso disse que não sabia de nada e acreditaram nele. Saiu inocentado.

Daqui a pouco voltamos.

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