Perfil
Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto e escritor. E professor de Jornalismo na FAAP, também. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar” e "Quatro Rodas Clássicos", rádios Cultura, USP, Jovem Pan e Bandeirantes. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. É também comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil e da rádio Estadão ESPN. Foi parceiro do iG, com o site “Grande Prêmio”, desde a criação do portal, no final de 1999. Em março de 2012, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2007 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de "Meianov".
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Arquivo da tag: Massa
HISPÂNICAS (6)
SÃO PAULO (City campeão, Wiliams vence, Inglaterra dos milagres) – Massa, a exemplo de Bruno, teve no desempenho do companheiro em Barcelona um soco no estômago.
Alonso, segundo colocado, está na briga pelo título. Alguém duvida? Eu duvidava. Afinal, o carro é ruim. Ou, ao menos, foi bem ruinzinho nas quatro primeiras corridas do ano. Eles mesmos, os pilotos, diziam isso. Com todas as letras.
Agora, parece que não é tanto. Fernandinho lutou pela vitória no pau a pau, afinal de contas. Na classificação, foi o terceiro (largou em segundo porque Hamilton foi punido). Aos trancos, vai se virando. Se fosse tão ruim assim, não estaria ele na liderança do campeonato depois de um quarto do Mundial, cinco das 20 etapas.
O carro melhorou depois de Mugello. E se os outros são mais rápidos, não são tão mais rápidos assim. E nem sempre conseguem andar na frente de Alonso. Cometem erros, se atrapalham num pit stop, perdem posições no grid, está todo mundo fazendo merda a granel neste ano. Mercedes, Red Bull, Williams, McLaren, Lotus e Sauber, em algum momento desta temporada, foram bem melhores que a Ferrari. Mas, em outros, andaram atrás. Nunca todos andaram na frente do carrinho vermelho do asturiano ao mesmo tempo. E assim ele vai somando seus pontinhos. O fato é que este campeonato é um eletrocardiograma.
Talvez estejamos julgando a Ferrari equivocadamente, pelo desempenho de Massa. Que vem sendo muito ruim, cada vez pior. Hoje, de novo, só chegou na frente dos nanicos entre os que terminaram: Kovalainen, Petrov, Glock e De la Rosa. Aí não dá. OK, foi punido com um drive-through como Vettel, por não ter tirado o pé numa bandeira amarela. Mas Vettel terminou em sexto.
O que acontece com Massa, ninguém sabe. O que vai acontecer, infelizmente para ele, é evidente.
A questão agora é apenas saber quando.
Tags: Alonso, Ferrari, GP da Espanha 2012, hispânicas, Massa
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INFERNO ASTRAL
Trecho da coluna Warm Up de hoje:
Quando tudo está ruim, só dá para melhorar, é o que sempre digo. Bem, não me lembro se já disse isso, mas é uma boa hora para dizer. Felipe não tem mais nada a perder na Ferrari. Se continuar do jeito que está, o destino será a não renovação do contrato. Se mudar, será o mesmo. A decisão de trocá-lo por Pérez está tomada e, diga-se, faz todo o sentido.
Massa completa neste ano sua sétima temporada pela equipe de Maranello, à qual está vinculado desde meados de 2001, quando foi indicado a Jean Todt por Ricardo Tedeschi, ex-empresário de Barrichello. Contando, pois, a pré-titularidade (Sauber em 2002, piloto de testes da própria Ferrari em 2003, Sauber de novo em 2004 e 2005), são 11 anos no mesmo lugar. Passando por todas as situações possíveis, boas e ruins, céu e inferno, essas coisas. Mas o desgaste já é evidente. Uma hora cansa, mesmo quando tudo vai bem. Pep Guardiola que o diga. E muitas vezes é esse cansaço que piora as coisas. Pérez é talentoso, começou agora, tem patrocínios fortes, a fila anda.
Gostei desse negócio de “para continuar lendo”… Para continuar lendo, clique aqui. E depois volte para comentar, canalha!
Tags: Ferrari, Massa
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SEM CHECO
SÃO PAULO (bom para o Felipe) – A Ferrari confirmou que Alonso testa dois dias e Massa, um em Mugello. Nada de Pérez, como especulou a “Autosprint”. A “Autosprint”, aliás, tem batido sem dó no brasileiro.
Os testes estão marcados para o período de 1° a 3 de maio.
Tags: Alonso, Autosprint, Ferrari, Massa, Mugello, Pérez
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FÁCIL NÃO É
SÃO PAULO (manda currículo) – As declarações de Domenicali ao “El Mundo” da Espanha são muito fortes e claras. O chefe da Ferrari diz que Massa não deve tentar desafiar Alonso, mas sim aprender com ele. Coloca, com sinceridade, as coisas em seus devidos lugares. Fernandinho é o dono do time, o novo Schumacher. O outro piloto será sempre o outro piloto.
Não vejo sacanagem nenhuma aí. Não significa que vão mandá-lo para a pista com três rodas ou pedir para comer na cozinha do motorhome quando o espanhol estiver almoçando. A Ferrari tem essa política há bastante tempo, desde que contratou Michael, em 1996, fazendo sua aposta para sair da fila. É uma opção, tem de ser respeitada. Há quem não goste — eu, por exemplo, prefiro o estilo McLaren, de ter dois pilotos fortes, do mesmo nível; mas nem sempre é possível.
Primeiro e segundo piloto é algo que quase todo mundo tem. Claro que nas equipes grandes essas coisas saltam mais aos olhos, e quando há um brasileiro envolvido, mais ainda por estes lados do planeta. Afinal, desde que Barrichello foi para Maranello, em 2000, é uma situação com a qual a pachecada convive, estimulada pelas bobagens da Globo. Ontem, li aqui (não ouvi) que a emissora oficial clamava por uma ordem de equipe quando Felipe estava atrás de Alonso com pneus macios. Foi isso mesmo?
Se foi, não há tolice maior. Transformar algo tão irrelevante em assunto numa transmissão de corrida apenas alimenta a desinformação e estimula os incautos a acharem que na F-1 todo mundo é contra o Brasil, que os pilotos brasileiros são coitadinhos, que só não são campeões todos os anos porque alguém não deixa.
Nada mais falso. Massa é segundo piloto da Ferrari porque Alonso é melhor. Em 2008, Felipe fez um ano melhor que Raikkonen e teve sua chance de ser o primeiro. Fez um campeonato exuberante e só perdeu o título por detalhes, numa decisão que, desconfio, jamais veremos de novo. Rubens sempre foi segundo de Schumacher porque Schumacher era melhor. Mas na Jordan e na Stewart, quase sempre foi ele, Barrichello, o primeiro. Senna era primeiro piloto da McLaren quando corria com Berger. Com Prost, vivia-se uma situação parecida com a de hoje, com Hamilton e Button. Piquet teve de peitar todo mundo na Williams para não sucumbir à preferência por Mansell. Encheu o saco e saiu, depois de conquistar o título de 1987. Na Red Bull, alguém duvida que Vettel é o primeiro e Webber o segundo? E na Lotus? Será que alguém acredita que Grosjean não compreendeu seu papel neste ano, com a chegada de Raikkonen?
Domenicali foi sincero, embora esse tipo de coisa nem precise ser dita. Massa tem mais é de se concentrar em seu próprio trabalho, esquecer Alonso (e nem acho que se preocupa tanto; muitas vezes é parte da mídia brasileira que dá corda a essas coisas, à revelia do piloto) e mostrar à F-1, e não à Ferrari, que tem lugar no grid em 2013.
Tags: Alonso, Domenicali, Ferrari, Massa, Schumacher
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A HORA DE CHECO
SÃO PAULO (é bom se preparar) – Diz a “Autosprint” que Sergio Pérez será escalado pela Ferrari para os testes de Mugello, no começo de maio — a sessão pré-temporada europeia acertada entre a FIA e as equipes. Alonso será escalado para os dois primeiros dias e, no terceiro, o mexicano divide o carro com Felipe Massa, ainda de acordo com a revista italiana.
Checo está em alta. No vído acima, que ele mesmo postou no Twitter, uma matéria feita pela TV alemã lembrando os tempos em que ele morava num restaurante no país, no comecinho da carreira.
SAUDOSAS MALACAS (5)
SÃO PAULO (fué) – Reparem nesta foto. Pérez, o ligeirinho, trepa no carro e, claro, comemora o segundo lugar. Dava para ganhar, mas um segundo em Sepang nas condições em que ele conseguiu é resultado para comparar, por exemplo, com o de Senna em Mônaco em 1984. A Sauber não tem carro para fazer pódio. E hoje quase ganhou. Um desempenho sensacional e tal.
Mas não é isso que me chamou a atenção. Notem o olhar apaixonado dos mecânicos da Ferrari encostados no gradil. Significa?
Há quem acredite que Massa não chega na China. Que a Ferrari deu um chassi novo a ele para mostrar que o problema não era o carro. O time tem sido paciente com o brasileiro. Só que o resultado de hoje escancarou um abismo grande demais. Não dá para terminar em 15°, à frente só de hispânicos, marússios e caterhanenses quando seu companheiro de equipe ganha a corrida.
Felipe terá dias dificílimos pela frente. Aguentar a histeria da imprensa italiana não será fácil. E o que é pior para ele: as críticas serão merecidas.
Tenho um primo que faz acupuntura, shiatsu, receita florais, estuda fitoterapia e faz um barato de energia com as mãos. Se precisar, arrumo o telefone dele.
“INÚTIL”
SÃO PAULO (na frigideira) – A “Autosprint” já foi mais importante e influente, mas não se deve desprezar a revista quando ela começa a ficar histérica. O torcedor italiano é apaixonado e os dirigentes da Ferrari são muito sugestionáveis. Menos pelo veículo, mais pelos jornalistas que assinam seus libelos. E não há imprensa mais corneteira no mundo quando se trata de F-1.
Por isso, é relevante a capa desta semana, definido Felipe Massa como “inútil” para a equipe e já sugerindo nomes para substituí-lo. Não no ano que vem, mas “o quanto antes”. Sergio Pérez e, pasmem, Jarno Trulli são as, digamos, indicações da “Autosprint”.
É uma decisão difícil. O desempenho do brasileiro em Melbourne foi, de fato, muito ruim. Se é verdade que na classificação os dois pilotos patinaram, é igualmente verdade que Alonso foi muito mais rápido que o companheiro: 0s945 no Q1, 1s003 no Q2. É muita coisa, muito mais do que as médias de 2010 e 2011, a saber:
2010
- Placar das classificações: Alonso 15 x 4 Massa
- Posição média de largada: Alonso 5,8 x 7,7 Massa
- Diferença média de tempo em classificações: 0s316 pró-Alonso2011
- Placar das classificações: Alonso 15 x 4 Massa
- Posição média de largada: Alonso 4,6 x 5,8 Massa
- Diferença média de tempo em classificações: 0s297 pró-Alonso
Claro que uma única corrida, como está de abertura do campeonato, é pouco para afirmar que os três décimos médios de 2010 e 2011 triplicaram. Média é média e só tivemos um GP até agora. Mas o que mais intrigou nesta prova foi a maneira como Felipe despencou, depois de uma boa largada. Pérez, que partiu em último, chegou em oitavo. Massa não terminaria nos pontos, embora tenha fechado a primeira volta em décimo. Aqui, vale lembrar que o mexicano também largou muito bem e era 12° na primeira volta, aproveitando-se das confusões que aconteceram com Bruno, Ricciardo, Hülkenberg et caterva. A partir daí, construiu sua corrida com uma estratégia de apenas uma parada, o que representa enorme vantagem em relação a quem, como Massa, foi para os boxes três vezes.
Felipe tinha problemas para aquecer pneus no último ano de Bridgestone e o mesmo aconteceu no ano passado, o primeiro da Pirelli. Em Melbourne, seu carro escorregava de um lado para o outro, o que é a pior coisa possível para a borracha. Ah, mas Alonso chegou em quinto. Verdade. E é aí que mora o problema. Massa será comparado sempre com Fernandito. Que é um piloto que lida melhor com as dificuldades. Apesar da classificação desastrosa, o espanhol, não nos esqueçamos, foi o primeiro depois dos quatro carros das duas equipes favoritas. É um resultado e tanto. Muito mais devido às suas qualidades que às do carro, que inexistem.
A melhor volta de Alonso na corrida, 1min30s277 na 52ª, foi a sétima melhor da corrida, 1s090 pior que a de Button, 1min29s187 — a melhor de todas. Felipe fez apenas a 15ª melhor, 1min31s940 (na 46ª), 1s663 mais lento que o parceiro. À frente, apenas, das duplas da Caterham e da Marussia e de Schumacher, que abandonou depois de quatro voltas, com o tanque cheio.
A temporada, em resumo, começou muito mal para Felipe. Trocá-lo por deficiência técnica é algo que, acredito, a Ferrari não faria se tivesse de pensar racionalmente. Racionalmente. Porque quando a imprensa italiana começa a apitar, as decisões em Maranello nem sempre são as mais racionais.
ATUALIZANDO…
A Ferrari informou que vai trocar o chassi de Massa na Malásia. Para tirar algumas dúvidas sobre o comportamento do carro na Austrália. E saiu em defesa do brasileiro em comunicado oficial.
Tags: Alonso, Autosprint, Ferrari, Massa, Pérez, Trulli
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IRRELEVÂNCIA
SÃO PAULO (vai mal) – Todo mundo só fala, no Brasil, do toque entre Massa e Bruno Senna domingo. Só que não…
Na verdade, uma única pessoa me perguntou no Twitter quem eu achei que foi o culpado e tal. Isso mostra que os ânimos verde-amarelos andam adormecidos quanto ao Mundial de F-1 deste ano.
De fato, que importância tem quem foi culpado, se é que houve algum? Na hora, na rádio, eu disse que achava que Felipe tinha espalhado demais a curva. E espalhou mesmo, e isso é normal para defender uma posição. O azar dos dois é que um carro enganchou no outro e os dois se deram mal.
Mas lutando pela 13ª posição… Realmente não tem importância alguma. E como os dois são civilizados, uma eventual polêmica foi cortada pela raiz por ambos, que definiram o que aconteceu como “incidente de corrida”. Foi isso mesmo, nada além disso, e lá atrás essas coisas não são relevantes.
BLEFE?
SÃO PAULO (e as coisas vão andando…) – Tem gente, como Button, que acha que a Ferrari está fazendo jogo de cena com essa história de que o carro é ruim, difícil, indócil, antipático e tal. Até agora não apareceu, de fato, nenhuma declaração de alguém de Maranello otimista com a F2012.
Vamos ver na Austrália, claro. Mas tendo a acreditar que as coisas não estão mesmo muito bem. Como disse outro dia, Alonso e Massa são sinceros. Quinta-feira Felipe vai dar uma coletiva aqui em São Paulo, à guisa de anunciar o patrocínio dos energéticos TNT para a equipe. Claro que será bombardeado com perguntas sobre o carro. Vamos ver como vai se safar.
Tags: Alonso, Button, Ferrari, Massa
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KUBICA E A FERRARI
SÃO PAULO (mas…) – A “Gazzetta” deu, a gente contou lá no Grande Prêmio, até porque é um jornal importante, mas eu duvido muito dessas histórias de Kubica na Ferrari. Não que a equipe não pudesse se interessar por um piloto como ele. Qualquer um se interessaria. Se ele pudesse pilotar. Essa é a questão. Eu continuo achando, e torcendo muito para estar errado, que Kubica não voltará a guiar um carro de F-1. Torço, mesmo, para estar errado porque é um desperdício danado um cara como ele não ter tido os anos que precisaria para ganhar corridas e ser campeão, talentosíssimo que é.
A história de que a Lotus (ex-Renault, lembram?) vai encerrar seu contrato faz todo sentido. Cumpriu-se o combinado, pagaram-se os salários, não tem cabimento ficar esperando indefinidamente pela recuperação de Robert que, em última análise, é o único responsável pelo que aconteceu com ele naquela prova de rali.
O que dá para interpretar pela notícia da “Gazzetta” é a má-vontade dos italianos, expressa claramente nas páginas dos jornais e revistas, com Massa, que sabe que terá um ano decisivo em 2012. O ano nem começou e já estão elegendo seu substituto, ainda sem nem saber se ele pode pilotar, ou não.
Quanto a Kubica, dizem que a Ferrari vai colocar um carro de 2010 na sua mão para testá-lo no ano que vem. De novo: antes, Robert precisa se testar. Ele, mais do que ninguém, saberá dizer se um dia terá ou não condições de voltar a guiar um F-1.
Tags: Ferrari, Kubica, Massa
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CORNETAS
SÃO PAULO (e perigosa) – Todo mundo sabe que a imprensa italiana é das mais corneteiras do mundo. E quando se trata da Ferrari, os caras pegam pesado mesmo. Quem está no paredão, agora que a temporada acabou, é Felipe Massa. Leiam este artigo do veterano Alberto Sabbatini, da “Autosprint”, que me foi enviado pelo Antonio Chambel. Ele bate sem dó no brasileiro. Para quem tem preguiça de ler italiano, o texto começa dizendo que a temporada de 2011 será lembrada pela “decepção que foi Felipe Massa”, por ter passado um campeonato inteiro sem um pódio. E lembra da “desgraçada temporada de 1992″, a última em que isso aconteceu, com Ivan Capelli. Na verdade, se considerasse apenas pilotos que correram todas as provas de um Mundial, a última vez que um ferrarista voltou para casa sem troféu foi em 1981, com Pironi. Capelli não correu todas em 1992.
Sabbatini faz várias considerações sobre Felipe, um piloto que, para ele, é incapaz de fazer duas voltas com a mesma trajetória. Mas que seus defeitos foram ocultos pelas ótimas voltas de classificação entre 2006 e 2008, quando fez 15 poles. “Mas o Massa de hoje é uma sombra daquele”, diz o articulista, perguntando-se: por que a Ferrari insiste com ele, renovando seu contrato de dois em dois anos?
O jornalista cita o fato de Felipe ter tido um acidente grave e, logo depois, um filho. “Entrou na parábola descendente de sua carreira”, afirma. “Vettel, Webber, Alonso, Hamilton, Button e Rosberg não falam em ter filhos…” Especula que quando Todt era o chefão, ele ia ficando porque seu empresário era (ainda é) Nicolas, filho do atual presidente da FIA. Relata as negociações com Rosberg para 2012 que, segundo ele, não prosperaram porque seria caro rescindir o contrato de Massa e pagar para a Mercedes liberar o alemão. “Mas quanto a Ferrari perde de dinheiro por não fazer os pontos que Felipe deveria marcar no campeonato?”, continua.
Sabbatini sugere vários nomes para seu lugar. Fala em Pérez, Kobayashi, Sutil, Kovalainen e até Trulli. “Gente que custaria pouco e que com uma Ferrari daria 110% para chegar ao pódio.” Para finalizar com aquele que considera a solução final: Kubica. Segundo o jornalista, a Ferrari quis o polonês para o lugar de Massa depois do acidente da Hungria em 2009, e teria cedido aos apelos do brasileiro para que Robert não fosse contratado. “Mas agora essa dívida com Felipe está quitada. A equipe que faça suas contas. Talvez mantendo Massa mais um ano e assinando com Kubica para ajudar em sua recuperação em 2012 e ter um formidável binômio com Alonso em 2013.”
Não sei se é verdade essa história do Kubica em 2009. E acho que apostar no polaco agora é sonhar alto, infelizmente. Digo sempre: Robert dificilmente volta a correr na F-1, o que será um pecado. Mas disso tudo o que se depreende é: Felipe terá de convencer não só a Ferrari de que merece correr de vermelho, no ano que vem; terá, também, de reconquistar a imprensa italiana.
Tags: Ferrari, Kubica, Massa
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FIM DE FEIRA (7)
SÃO PAULO (tô meio enjoado) - Esse aí é o capacete que Massa está usando neste fim de semana em Interlagos. Todo mundo já deve ter visto, mas está aí, em todo caso. Tem muito dourado, para festejar seus dez anos de F-1 e o 100° GP pela Ferrari. Já volto para falar dos treinos.
MAIS DE ONTEM
SÃO PAULO (vou acabar com a carreira dele!) – Julgo relevante seguir no tema de ontem, a sutil batida de que fui vítima em prova de kart que contou com jornalistas e um piloto de F-1, Philippo Dahora. Vamos primeiro avaliar as fotos do Ney Messi, primo-irmão de Lionel, começando com essa aí embaixo.
Nota-se a elegância do piloto, o estilo limpo e arrojado ao mesmo tempo. A forma como ataca a zebra, a maneira de empunhar o volante, o olhar fixo no objetivo final, a vitória, mas não a qualquer custo. O número 27, escolhido pela própria Ferrari, era uma homenagem a Gilles Villeneuve, um de seus maiores nomes, a quem o time italiano decidiu celebrar entregando-o ao piloto que mais se assemelhava a ele entre os participantes — pelo modo de guiar, pelo carisma e pela fluência em francês quebequiano e italiano sardo.
Agora atentem para o instantâneo abaixo.
Avisado pelo rádio da aproximação de Philipp Dahora, abaixei a cabeça temendo ser atingido por um taco de beisebol ou por algum artefato bélico que pudesse estar embutido no kart que vinha atrás. Se vocês repararem bem, a mão direita de Dahora está prestes a largar o volante para alcançar o que se supunha ser uma Glock Gen4, oculta sob o tanque de gasolina.
Ciente de que poderia ser abatido, decidi manter minha trajetória para tornar-me um mártir de reputação inatacável, já que qualquer movimento de defesa poderia ser interpretado pelos comissários como atitude hostil.
O fim dessa história é conhecido e ganhou manchetes no mundo inteiro. O portal Terra, indignado, chamou Fillipo de “sujo”. Já o portal da emissora oficial da F-1, o Globoesporte.com, preferiu dar destaque à minha excepcional (de novo) largada, aos 30s deste vídeo que poupou Phillip de maiores críticas. Vejam como o #27 busca o terceiro lugar nos primeiros metros como um míssil soviético. Por fim, a ESPN, emissora claramente simpática ao piloto da Ferrari, foi obrigada a colocar no ar imagens captadas por celulares que provam que Phillippo me “jurou” antes da corrida, quando eu já me encontrava amarrado no cockpit, pronto para vencer.
A FIA vai receber essas imagens hoje mesmo. Vou mandar para o Hamilton, também.
Tags: Granja Viana, Massa
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“GOOD JOB, MAN!”
SÃO PAULO- Fomos correr de kart hoje na Granja Viana, a convite da Ferrari. 25 jornalistas, mais um certo Phillip Massa, titular da equipe e 10 kg mais magro que eu.
Muito bem.
É possível que as imagens já estejam correndo na internet, porque quando acabou a corrida dei um tapão nele e disse “good job, man!”. Depois fui reclamar na torre de atitude antidesportiva, mas não encontrei a torre. Restou-me almoçar com o indigitado. Ainda ganhei um boné e uma medalha. Vou sortear o boné e guardar a medalha, chapiscada com o sangue de meu esforço e dedicação.
Mas perdi a corrida.
Foi assim. Entrei como favorito absoluto, mesmo com a presença de Massa no grid. Fui mal nos treinos livres, virando 1min07s50 na minha melhor volta. O mais rápido, Rafael Munhoz, da “Racing”, enfiou quase 2s “nimim”. Mas na classificação baixei para 1min05s99 e fiquei em quinto. Quarto, na verdade, porque Phillip virou 1min03s e alguma coisa, mas foi punido porque estava rápido demais e largou em último.
Na minha frente, no grid, Munhoz, Alexander Wurz e Tico-Tico. Como sempre, larguei esplendidamente e coloquei-me atrás de Munhoz e Wurz, porque uma hora eles iam fazer alguma cagada e eu ganharia fácil. Sou uma espécie de Prost, inteligente e cerebral, mas um pouco mais arrojado.
Aí aconteceu o momento dramático, estapafúrdio, inominável. Na altura da terceira ou vigésima volta, não lembro direito. No final da reta principal, molhada, eu fazendo um traçado próximo do perfeito, chego na freada e sou atingido por trás. Enquanto rodava, gritava pelo rádio: “Quem foi? Quem foi? Avisem os comissários! Peguem o vídeo! Coloquem no YouTube, no Facebook e no Twitter! No Orkut não precisa, ninguém mais vê essa merda!”. Meu engenheiro não respondeu nada.
Estávamos a mais ou menos 290 km/h. E o piloto que me tocou ainda olhou dentro da minha viseira e deu uma gargalhada. Usava um capacete amarelo e verde e um macacão vermelho. O sacripanta foi embora e resignei-me. “Hamilton tem razão”, pensei. Comecei a remar tudo de novo. Lá na frente, como eu previa, Munhoz e Wurz se enroscaram. Cheguei novamente nos dois, mas começou a chover e aí foi um desastre. Meu acerto era para clima úmido-com-possibilidade-de-leve-garoa-vinda-do-leste, e choveu pra cacete. Não parei mais na pista.
O piloto do capacete verde e amarelo chegou a me encontrar novamente. “Phillip is faster than you”, me avisou o engenheiro pelo rádio, ao que respondi “e eu com isso?”. Aí ele me passou com alguma dificuldade.

Terminei em sexto. Maça, ou Massa, não sei direito quem é, o piloto que aniquilou minhas chances de uma vitória épica, ganhou. A segunda posição foi do azarão Lucas Santinho, do site Tazio, que aproveitou quando Munhoz e Wurz se tocaram e passou os dois. Ainda terminei atrás de Tico-Tico.
A melhor volta do dia foi desse rapaz, Maça, 1min03s799. Seu kart, aparentemente, tinha dois motores. A segunda melhor foi minha, 1min05s098. O que prova, sem sombra de dúvidas, que eu merecia ganhar.
Quando acabou a corrida fui para o cercadinho da imprensa, dei um tapão nele e falei “good job, man!”. As câmeras da BBC e da ESPN captaram tudo. Sei que na ESPN vai ao ar no Bate-Bola, se der tempo, e no Sportscenter, com certeza.
Massa, ou Maça, parece que tem uma corrida em Interlagos domingo. Mas existe a chance de, antes, cassarem a superlicença dele assim que as imagens chegarem à FIA.
Tags: Granja Viana, Massa
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DESTROY HIS RACE
SÃO PAULO (mas…) - Pode não querer dizer nada, e provavelmente não quer mesmo. Afinal, pilotos e engenheiros têm seus códigos e o que se diz pelo rádio não deve ser tomado literalmente. Mas não deixa de ser curioso ouvir o engenheiro de Massa, em Cingapura, dizendo ao brasileiro: “Destroy his race”. No caso, a corrida de Hamilton, justo no momento do toque. Está no vídeo oficial da prova, aqui, a partir de 1min. A dica veio de algum blogueiro nos comentários, a quem agradeço. Mas não anotei o nome do cabra.
NOTURNAS (6)
SÃO PAULO (putz) - Acho que não fui tão sensacionalista assim… Massa foi, realmente, tirar satisfações com Hamilton. E foi, digamos, um ato de certa hostilidade. Desnecessária.
Não há dúvidas de que há algo errado com Hamilton. Sua vida pessoal é uma confusão, brigou com o pai, tem cometido erros e coisa e tal.
Mas essa imagem me diz que há algo mais errado ainda com Felipe, um rapaz normalmente afável e educado.
Era para tanto?
ATUALIZANDO…
Massa reclamou, com razão, de ter sua corrida prejudicada pelo furo do pneu. Mas o toque poderia ter acabado com a prova de Hamilton, também. Porque as consequências para ambos foram parecidas. E o desfecho do GP, para cada um deles, bem diferente.
Para vocês entenderem, quando os dois pararam, na volta 11, estavam em quarto e quinto, Massa na frente. Juntinhos. Houve o toque na volta de retorno dos boxes e na volta 12 Hamilton passou em sétimo, enquanto Felipe teve de se arrastar até o box e trocar os pneus, caindo para 17º.
Na volta seguinte, por conta do tempo perdido na parada, o brasileiro estava em 20º, sua pior posição na prova. Hamilton parou na volta 13 para arrumar o bico. Cruzou a linha em oitavo. Na volta seguinte, despencara para 16º. Felipe ainda estava em 20º. Na volta 15, Lewis parou de novo para pagar o pênalti. Caiu para 17º e, na volta 16, para 19º.
Àquela altura, Massa já estava em 17º. A recuperação de Hamilton, portanto, começou na volta 16 duas posições atrás do brasileiro. E até o fim da prova, ambos fariam as mesmas duas paradas.
Assim, o toque de Hamilton em Massa na saída do primeiro pit stop acabou prejudicando mais o mclariano que o ferrarista, considerando volta com carro arrebentado, trabalho de box, punição. E, ao fim da corrida, Lewis recebeu a quadriculada em quinto, 1min07s766 atrás de Vettel, o vencedor. Massa terminou uma volta atrás, em nono.
Olhando a tabelinha abaixo, feita nos mais modernos programas de design gráfico do mundo, dá para entender. E entende sem dar, também.
Volta 10 – Massa P4 – Hamilton P5
Volta 11 – Massa P4 (box) – Hamilton P5 (box)
Volta 12 – Hamilton P7 – Massa P17 (box)
Volta 13 – Hamilton P8 (box) – Massa P20
Volta 14 – Hamilton P16 – Massa P20
Volta 15 – Hamilton P17 (box) – Massa P20
Volta 16 – Massa P17 – Hamilton P19
NOTURNAS (5)
SÃO PAULO (azedou) - Quebrou o pau em Cingapura. Estou sendo meio sensacionalista, mas as informações dão conta de uma troca de socos e pontapés. Estou sendo sensacionalista de novo. Na verdade, um empurrão e um agarrão no braço. Algo próximo disso.
Falo de Massa x Hamilton.
O brasileiro não gostou nada do que aconteceu na corrida, o toque que furou seu pneu no começo da corrida. No sábado, Lewis já tinha arrumado treta com Felipe na classificação.
Frases do ferrarista: ele não usa o cérebro, ele vai causar um grande acidente, ele precisa ser punido em todas as corridas, eu falo com ele e ele não escuta, talvez seu pai possa fazer alguma coisa, ele não tem sido racional, a FIA precisa fazer algo para ele aprender.
Criou-se, de vez, uma inimizade.
Sobre hoje, como escrevi abaixo, acho que Hamilton se precipitou. Poderia esperar um pouquinho. Ele tem mania de querer resolver tudo em meia volta. Muitas vezes dá certo. Em outras, não dá. E paga o pato. Tem sido punido com frequência, vai mais às torres de controle do que às entrevistas coletivas.
Mas não vejo sentido em demonizar Hamilton. É um “pure driver”, tem currículo, ganhou o Mundial em sua segunda temporada. Vence corridas, porque luta para vencê-las. Lewis está entre os cinco melhores da F-1 atual, goste-se ou não disso. Felipe, não mais. Goste-se ou não disso.


Massa completa neste ano sua sétima temporada pela equipe de Maranello, à qual está vinculado desde meados de 2001, quando foi indicado a Jean Todt por Ricardo Tedeschi, ex-empresário de Barrichello. Contando, pois, a pré-titularidade (Sauber em 2002, piloto de testes da própria Ferrari em 2003, Sauber de novo em 2004 e 2005), são 11 anos no mesmo lugar. Passando por todas as situações possíveis, boas e ruins, céu e inferno, essas coisas. Mas o desgaste já é evidente. Uma hora cansa, mesmo quando tudo vai bem. Pep Guardiola que o diga. E muitas vezes é esse cansaço que piora as coisas. Pérez é talentoso, começou agora, tem patrocínios fortes, a fila anda.




