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ÚLTIMO PINGO

SÃO PAULO (fim) – Foi meu 21º GP do Brasil como jornalista. É bastante coisa. A sensação, quando termina, é de uma certa melancolia. Porque a gente se interna neste autódromo por cinco dias, de sol a sol (de sol a lua, seria mais preciso), e vive com grande intensidade uma corrida que quase sempre deixa recordações fortes.

As de hoje ficarão para sempre, porque nunca um título foi decidido dessa forma — e se foi eu não vi, o que dá na mesma. Quem esteve no autódromo, trabalhando ou assistindo, saiu com a certeza de que aqui aconteceu algo histórico para um esporte que desperta paixões e emoções que nem sempre eu consigo descrever ou traduzir.

A última volta da corrida de hoje a gente não vê nem nas histórias de Michel Vaillant — gosto mais dele do que de Speed Racer. É muito pouco verossímil. Mas ela aconteceu de verdade, e só poderia acontecer aqui mesmo, neste lugar que adoro, onde me sinto tão bem, e que é inteiramente meu quando estou dentro de um carro de corrida saindo dos boxes, com uma multidão imaginária olhando para mim das arquibancadas sempre vazias.

Os 4.309 metros do asfalto mais visto do mundo hoje se tornam propriedade absolutamente particular quando ganho a Reta Oposta e começo a passar as marchas, e tudo que Massa, Hamilton, Vettel, Alonso, Glock e todos os outros viveram hoje eu também vivo, dentro de meu mundinho minúsculo, na minha velocidade desprezível, na minha desimportância desconcertante.

Interlagos é um lugar especial, que resiste ao tempo, que traz em cada centímetro de seus barrancos milhões de memórias, muitas delas, talvez, de corridas como a de hoje, mas que se perderam no tempo, que nunca foram registradas por câmera alguma, exceto aquela que cada piloto que correu aqui carrega dentro de seu capacete solitário.

Gosto muito de corridas. É isso que percebo cada vez que termina um GP do Brasil, ou cada vez que termina um GP em qualquer canto do mundo, porque já fui a quase todos os cantos, já saí de quase todos os autódromos muito tarde da noite, tendo apenas o silêncio do asfalto a acompanhar meus passos, para, como dizia Steve McQueen, esperar o próximo, porque a vida nada mais é do que isso, “when you’re racing, it’s life, anything that happens before or after is just waiting.”

Acabou mais um GP. Acabou mais uma corrida, trabalhei feito um doido, minha equipe do Grande Prêmio, mais uma vez, me encheu de orgulho (Victor, Bruno, Evelyn, Marcão, Chico, Terena, vocês são preciosos), escrevi furiosamente, me dediquei a este blog como nunca, e agora vou para casa.

Esperar a próxima, porque tudo que acontece antes ou depois é só isso, esperar.

Boa noite, Interlagos.

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INTERLAGOS EM PINGOS (60)

SÃO PAULO (números não mentem) – Alertado pelo blogueiro Márcio de Souza, fui fazer umas contas. Para concluir que a Toyota foi a única equipe que acertou nas últimas voltas da corrida ao não mandar seus pilotos para os boxes. Glock tentou, ao ficar na pista, ganhar as posições de Vettel e Hamilton, que optaram por colocar pneus de chuva. Quase conseguiu.

Vejam.

Na volta 65, a volta anterior à parada de Hamilton para colocar pneus de chuva, a diferença dele, que estava em quarto, para Glock, sexto, era de 19s741.

Somei os tempos das voltas 66 a 71 de alguns pilotos, para saber quanto cada um gastou até receber a bandeirada. Massa, que parou na 67, gastou 511s140. Vettel, que parou na 66, gastou 520s013. Hamilton, que parou também na 66, gastou 521,445. Trulli, que não parou, gastou 520s596.

E Glock? Foi o mais rápido de todos. Sem parar, gastou 507s165. Por não ter parado, foi 14s280 mais rápido nessas seis voltas que Hamilton — que, repito, na volta 65 tinha 19s741 de vantagem sobre o alemão. Lewis acabou recebendo a bandeirada 5s461 à frente de Glock. Timo descontou 14s280. 

Foi uma tentativa. Arriscada, é verdade, porque na chuva, com aqueles pneus, ele poderia rodar, atolar, se estrepar. Mas se segurou, com tempos de volta bem interessantes, até. Só na última é que a chuva apertou e ele não teve como se manter à frente de Lewis.

Glock não deixou Hamilton ser campeão. Ao contrário, quase impediu seu título. Foi por alguns metros. Lewis, se não tivesse parado e conseguisse fazer o mesmo que Timo fez, talvez conseguisse chegar até na frente de Vettel.

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INTERLAGOS EM PINGOS (59)

SÃO PAULO (informação é tudo) – Hamilton ficou um tempão abraçado ao pai nos boxes da McLaren. Choraram juntos. Foi bonito de ver. É uma longa história de esforço e dedicação, que começou quando o garoto tinha oito anos de idade e resolveu sentar num kart. Chegar a um título mundial aos 23 anos (faz 24 no dia 7 de janeiro) é uma grande realização, uma façanha gigantesca, algo que entra para a história. Lewis disse agora há pouco que foi a corrida mais tensa de sua vida. Andou no fio da navalha o tempo todo. Das 71 voltas da corrida, só não “esteve” campeão por oito delas: da 12ª à 17ª e nas voltas 69 e 70. Em compensação, no resto da corrida “esteve” campeão quase sempre no limite do que precisava, um quinto lugar em caso de vitória de Massa.

Hamilton contou que quando Vettel o ultrapassou, a equipe falou que ele tinha de passar o alemão de novo. “Não acreditei”, falou. “Mas na última curva passei o Timo e ganhei uma posição de novo. Quando passei por ele, sabia que tinha dado, mas a equipe só foi me confirmar isso pelo rádio depois da bandeirada, quando eu já estava chegando na curva 1. Aí eu explodi.”

É isso aí. Foi tensa, no limite, mas eficiente. Só que quando ele levou aquele passão do Vettel, duvido que não tenha apertado o fiofó.

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INTERLAGOS EM PINGOS (58)

SÃO PAULO (tadinho) – Paulo Cobos, da “Folha”, acaba de voltar dos boxes da Toyota. Foi falar com o pobre do Timo Glock, que virou vilão mas, coitado, não teve culpa nenhuma. “Nem vi quando o cara me passou. Um monte de gente me passou”, disse. “Eu mal conseguia ficar na pista.”

Dos que terminaram a prova, pelo que estou vendo no histórico da corrida, acho que apenas a dupla da Toyota não colocou pneus de chuva quando a água resolveu cair, no finalzinho da corrida. As três últimas voltas de Trulli: 1min22s428, 1min33s539, 1min44s800. As três últimas de Timo: 1min18s688, 1min28s041, 1min44s731.

Para comparar, as três últimas de Vettel: 1min23s318, 1min25s221, 1min25s984. De Hamilton: 1min24s612, 1min25s567, 1min26s126.

Nem dá para culpar Glock, ou Trulli. Os dois arriscaram, e no fim somaram pontos importantes, também: O italiano chegou em oitavo e o alemão, em sexto. Mesmo assim, Timo ficou meio cabreiro depois da corrida. “Acho que os brasileiros não vão me tratar muito bem daqui para a frente…”.

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INTERLAGOS EM PINGOS (57)

SÃO PAULO (vai longe, hoje) – Felipe Massa teve um comportamento impecável depois da corrida. Chorou o que tinha de chorar. No carro, um pouco no pódio. Nas coletivas obrigatórias, absolutamente sereno e tranquilo. “Sei ganhar e sei perder.” É a frase de hoje. “Parabéns ao Lewis, porque ele terminou um ponto na nossa frente, e mereceu.” Outra.

Felipe contou que era informado o tempo todo sobre a posição de Hamilton. Nas últimas cinco ou seis voltas, quis informações mais detalhadas, por causa da chuva. Em nenhum momento, disse, a Ferrari lhe disse que era campeão. Ao receber a bandeirada, seu engenheiro avisou que tinham de esperar Lewis, que estava chegando en Glock. “OK, Lewis passou”, disse o engenheiro, quando ele estava na altura da Curva do Sol. “Bom trabalho”, completou.

Ganhar e perder faz parte do esporte, e corridas são assim. Não é frase minha, é outra de Massa. Um piloto que, em 2008, mostrou que tem todas as condições de lutar por títulos enquanto correr por uma equipe de ponta. E é um esportista de primeira.

Já volto. Tem coisas legais de Hamilton e Glock, também.

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INTERLAGOS EM PINGOS (56)

SÃO PAULO (nunca vi nada igual) - Vão falando vocês. Nunca vi nada parecido. O título decidido por Vettel. Até a última curva. E aí decidido por Glock. Vettel deixou Hamilton em sexto. Glock, com pneus secos na chuva, não conseguiu segurar Lewis na última curva. Incrível.

Glock deixou? Calma, calma. Tempo dele na última volta: 1min44s800. Trulli, também Toyota, que também não colocou pneu de chuva nas últimas quatro voltas: 1min44s731. Os demais, com o “calçado” correto, virando em 1min27s, 1min28s, 1min32s.

Mas quero ver as voltas anteriores. Quero rever um monte de coisa.

No fim, deu a lógica. Mas de uma maneira totalmente ilógica.

Felipe é um digno vencedor do GP do Brasil. Hamilton é um digno campeão.

Só que foi tudo “thriller” demais.

Vão escrevendo. Eu vou tomar um copo d’água.

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INTERLAGOS EM (MUITOS) PINGOS (55)

SÃO PAULO (hehehe) – Ah, Interlagos… Acaba de despencar o céu. Na hora da largada! Adiaram por dez minutos. Choveu e parou. Mas molhou o asfalto. Todos têm pneus de chuva ao lado dos carros. A prova não foi declarada molhada. Interlagos é demais!

Bem, tem um piloto que acertou seu carro para a chuva: Hamilton. É tudo que ele queria.

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INTERLAGOS EM PINGOS (54)

SÃO PAULO (o bom das corridas são… as corridas) – Bem, macacada, vai começar a bagaça. Fafá já cantou o hino (como é cafona esse negócio do hino), os carros estão no grid, não chove, pode ser que chova, a temperatura subiu para 30 graus, 36 no asfalto, as arquibancadas estão cheias, Massa está tenso, Hamilton está tenso, e vamos a mais uma decisão.

Palpites, todos têm. O meu é o mais óbvio de todos: Massa vence e Hamilton ganha o título. Palpite que pode cair cinco segundos depois da largada, na freada para o S do Senna. Se todos passarem ilesos por ali, a corrida tende a ser até monótona e previsível. Se alguém se estrepar, se entrar um safety-car, se chover e se Júpiter e Marte estiverem alinhados, muda tudo.

Boa corrida a todos.

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INTERLAGOS EM PINGOS (53)

SÃO PAULO (tá chegando) - Neste momento, em Interlagos, 28 graus e umidade relativa do ar em 56%. O sol sumiu, venta bastante e para os lados de Guarapiranga as nuvens são bem negras. Vou almoçar, porque não trouxe guarda-chuva e é melhor ir logo.

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INTERLAGOS EM PINGOS (52)

SÃO PAULO (vive bem, vive bem…) – David Coulthard se despede hoje da F-1. Sai pela porta da frente, porque anunciou bem antes que iria fazer isso, e depois que decidiu, está decidido. Recebeu homenagens, tem um pequeno museu na cidade onde nasceu, ganhou corridas, fez amigos, construiu uma história e agora parte para outra. O Grande Prêmio falou com ele. A entrevista está aqui.

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INTERLAGOS EM PINGOS (51)

SÃO PAULO (ninguém de capa, ainda) - Nelsinho fica na Renault em 2009. Está no Grande Prêmio. A confirmação oficial virá nos próximos dias.

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INTERLAGOS EM PINGOS (50)

SÃO PAULO (teve Porsche escorregando) – Chove lá fora. Fraco, mas chove. Fiz essas duas fotos panorâmicas. Quase 360 graus de visão. Para quem conhece Interlagos, é só olhar com atenção e lamber o dedo ao vento para saber de onde a chuva está vindo e se vai chegar por aqui.

Eu, se fosse correr às 15h, mandaria montar os pneus de chuva para o #69 e os encostaria num cantinho dos boxes. Deixaria os de seco no carro. Porque provavelmente largaria com eles.

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INTERLAGOS EM (MUITOS) PINGOS (49)

SÃO PAULO (tá tudo escuro) – Meus informantes informam (ainda bem que o fazem) que na zona oeste está caindo o mundo. E em Santo Amaro, aqui pertinho, também. Interlagos é legal porque o horizonte é amplo. De onde estamos, a visão é quase de 360 graus. De fato vejo nuvens bem negras pelos lados dos cancioneiros. Fechem as janelas.

Aqui a água chega em instantes. Mas ainda nem é meio-dia. A largada será às 15h. O asfalto interlaguístico seca rápido, a gente que corre de vez em quando aqui sabe disso. De qualquer forma, os caras das equipes estão maluquinhos que nem peru perto do Natal, correndo de um lado para o outro e olhando para o céu.

Essa corrida vai ser divertida.

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INTERLAGOS EM PINGOS (48)

SÃO PAULO (vocês informam) – Recebi alguns e-mails e vi comentários sobre o “pré-jogo” da Globo neste GP do Brasil. Há anos, mais de 20, que não vejo nada na TV sobre a corrida de Interlagos/Jacarepaguá, porque estou sempre trabalhando. Não sei exatamente o que colocam no ar antes da largada. Vagamente, sei que em anos anteriores entrevistaram aqueles caras e meninas do Big Brother, e outros/as atores/atrizes/manequins e modelos.

Tem gente reclamando barbaridade hoje, dizendo que nunca viu tanta bobagem junta. Para não ser injusto com ninguém, não vou comprar de olhos fechados as opiniões que me chegaram até agora. Deixo com vocês a tarefa de descrever aqui os altos e baixos da TV nesta cobertura que antecede a largada.

Podem mandar brasa. Mas sejam educados.

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INTERLAGOS EM PINGOS (47)

SÃO PAULO (amaciado) – Os últimos dias foram muito agitados em Brixworth, na Inglaterra. É lá, nas antigas instalações da Ilmor, que a Mercedes faz seus motores de F-1 — através da subsidiária Mercedes-Benz High Performance Engines (HPE)

Depois do GP da China, os 450 funcionários da HPE se dedicaram a construir um motor exatamente igual ao que Lewis Hamilton usou em Xangai, com as mesmas especificações e acertos usados na penúltima etapa da temporada.

Na China, Hamilton percorreu 142 voltas pelos 5.451 metros do circuito de Xangai em três dias: 23 no primeiro treino livre, 33 no segundo, 15 no terceiro, mais 15 na classificação e 56 na corrida. Descontando o entra-e-sai dos boxes e considerando apenas o que andou no sábado e no domingo, com o motor que será usado em Interlagos (o da sexta-feira é outro), o inglês rodou exatos 468,786 km com o V8 que está montado em seu carro agora, 86 voltas. Atingiu 315,9 km/h de velocidade máxima durante o fim de semana.

Com todos os dados gravados pelos computadores da McLaren, a réplica do motor foi colocada num dinamômetro e ele foi submetido a uma simulação exata daquilo que Hamilton fez na China. Tudo foi reproduzido: cada troca de marcha, cada freada, cada reaceleração, cada desaceleração, cada tirada de pé, o esforço da largada, tudo — inclusive as condições de temperatura e umidade verificadas em Xangai.

Isso feito, os técnicos pegaram o mesmo motor e simularam aquilo que aconteceria no GP do Brasil inteiro, começando pelas voltas que a McLaren previa que seriam dadas nos treinos de sábado, antes da corrida. Aqui, foram apenas 32: 18 no terceiro treino livre e 14 na classificação. Um total de 137,888 km rodados. Na sexta, com outra unidade, Hamilton completou 56 voltas.

Até a largada para a prova de daqui a pouco, portanto, esse motor de Hamilton rodou 606,674 km. Quase nada, quando se toma como referência o motor de um carro de rua, por exemplo. Ou de um Mercedão 1313, que roda mais do que isso por dia. Para um carro de corrida normal, que não troca o motor a cada duas semanas, aliás, é até bom amaciá-lo por uns 500 km. Mas é claro que um motor de F-1, que trabalha sob uma solicitação muito mais alta de seus materiais, é mais confiável quando pouco rodado. Só que já faz algum tempo que a FIA exige que os motores durem dois finais de semana de GP, e por isso não há grande preocupação na McLaren com o tanto que a unidade instalada no carro de Lewis já andou.

Terminada a simulação até o momento da largada, sem as voltas do GP do Brasil, os engenheiros da Mercedes abriram o motor e fizeram uma vistoria rigorosíssima em cada parafuso, anel, junta e retentor. Estava tudo OK. Fecharam de novo e voltaram ao dinamômetro, para simular as 71 voltas da prova de Interlagos, usandos os dados que já possuem sobre consumo, relação de marchas, lubrificação, frenagens etc. Abriram mais uma vez e, aliviados, viram que o motor aguentou bem o tranco, sem nenhum problema digno de nota.

Claro que, a esta altura, Hamilton já sabe disso, o que lhe é tranquilizador.

E é claro que esse “tranquilizante” custou algum dinheiro. A brincadeira das simulações no dinamômetro sangrou os cofres da Mercedes em 250 mil libras, ou R$ 853 mil. Daria para comprar 142 Ladas, pelo câmbio de sexta-feira da moeda que uso atualmente (L$ 1,00 = R$ 6.000,00).

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INTERLAGOS EM PINGOS (46)

SÃO PAULO (chove ou não chove?) – Bom dia, macacada. Demorei para escrever mas já estou na pista há algum tempo. A prioridade, no entanto, era tomar café da manhã. Uma corrida altera sua rotina, sabe como é… Aos domingos, eu normalmente cato a molecada e vamos tomar café na padaria. Ou então comer pastel na feira. Hoje até daria para fazer isso. Mas eles estavam dormindo quando saí.

Antigamente eu chegava bem mais cedo a Interlagos em dia de F-1. Tinha warm up, lembram? Era um treininho legal. Não sei por que terminaram com ele. Aliás, sei. Hoje um carro de F-1 é tão sensível a qualquer coisa que andar cedinho, com temperaturas mais baixas e asfalto em condição diferente da que será encontrada na prova não serve para nada.

Além do mais, a FIA inventou essa história de proibir as equipes de mexerem nos carros entre a classificação e a largada, e por isso o warm up foi sumindo, sumindo, e ninguém mais se lembra de como era divertido, especialmente para aqueles que chegam muito cedo aos autódromos, ver aquela meia hora de preparação final, como se fosse uma passagem de som para um show histórico.

Bem, as arquibancadas já estão bem cheias, o clima está legal, o dia está nublado, alguns pingos caíram quando eu passava sobre aquela última ponte que leva ao circuito (nunca sei os nomes das pontes), a temperatura é de 23 graus e volto daqui a pouco com algumas novidades.

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INTERLAGOS EM PINGOS (45)

SÃO PAULO (fechando o barraco) – E para terminar, mais duas declarações pinçadas entre as tantas disparadas pelo paddock em Interlaken. Primeiro, a de Massa sobre Hamilton: “A pressão está toda nos ombros dele, sim. Ele que tem a obrigação de ser campeão, porque chegou aqui sete pontos na minha frente. Eu não tenho nada a perder”.

Tem razão.

Agora, de Hamilton sobre a corrida. “Estou confortável com minha estratégia de combustível. Os carinhas na frente provavelmente estão com estratégia diferente. Mas nós estamos numa ótima posição para terminar no mesmo lugar em que estamos hoje. Esse será meu objetivo. Nós não precisamos fazer nada de espetacular”.

Tem razão também.

Tchau, até amanhã.

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INTERLAGOS EM PINGOS (44)

SÃO PAULO (vai começar) – Castiglio d’Andrad acaba de informar que 58.445 almas estiveram hoje em Interlagos para ver a classificação, contra 36.700 cidadãos que cá estiveram no sábado do GP do Brasil de 2007. As arquibancadas estavam cheias, mesmo. E a festa foi bonita. Seria exagero dizer que desde a vitória de Senna em 1993 que eu não via tanta vibração em Interlagos. Afinal, Massa já fez outras duas poles e ganhou aqui em 2006, e aquela vitória foi bastante comemorada.

De qualquer forma, Felipe tem sido o único responsável pelas maiores alegrias dos torcedores brasileiros neste autódromo desde a época de Ayrton. Barrichello nunca empolgou demais. “Não existe torcida com esta em lugar nenhum do mundo”, falou Massa na coletiva de imprensa. Verdade. Em corridas, manifestações muito efusivas de torcedores são raras. A maioria vai ver porque gosta de carro correndo, não para socar o ar e bater no peito.

Torcedor brasileiro é diferente, mesmo. Ruidoso, agitado, barulhento. Quando Hamilton aparecia nos telões hoje, a turma vaiava. Quando passava na reta (foto), eles vaiavam também. Entrava nos boxes, vaias pra ele. Saía, mais vaias. Vaiaram até seu pai. Quer saber? Se não se parte para a agressão e para a baixaria, está valendo. É engraçado.

Menos aquele paspalho com a faixa da cueca. Aquele, tomara que se perca amanhã no caminho do autódromo. Falando nessa besta, quem daqui esteve em Interlagos hoje? Contem tudo!

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INTERLAGOS EM PINGOS (43)

SÃO PAULO (acertei só o Heidfeld!) – Felipe Massa tem uma relação realmente especial com Interlagos. Fez a terceira pole consecutiva em GPs do Brasil e, a partir da primeira posição do grid, é favoritíssimo à vitória amanhã. Conseguiu duas belas voltas, a melhor delas em 1min12s368, e deixou todo mundo bem para trás no cronômetro. Bem para trás mesmo.

E para alegrar ainda mais seu sábado ensolarado, dois carros estarão entre o dele e o de Lewis Hamilton amanhã: o Toyota do surpreendente Jarno Trulli e a Ferrari de Kimi Raikkonen, seu parceiro. Trulli é osso duríssimo e não vende posições a preço de banana. Kimi não vai atirar em Hamilton com uma bazuca, mas também não vai facilitar sua vida porque, entre outras coisas, não está muito interessado no resultado final do campeonato. Quer que todos se danem. 

Hamilton não impressionou Interlagos em momento algum neste fim de semana. Discreto, larga apenas em quarto com 1min12s825, quase meio segundo atrás de Felipe. A McLaren deu a impressão, no Q2, de que poderia lançar seus pilotos com pouco peso em combustível no Q3 para tentar colocar pelo menos um deles à frente de Massa no grid. Ou não fez isso e vai adiar a primeira parada, ou seus pilotos não conseguiram cumprir o que pretendiam. Kovalainen larga em quinto.

O cenário que se desenha para a prova, dentro da normalidade, é Massa largando bem e disparando na frente, com Kimi passando Trulli porque parte do lado mais limpo da pista. Hamilton deve empacar atrás de Jarno, o que é algo meio irritante. Mas a Toyota parece estar bem leve e seu primeiro pit stop deve acontecer antes da 20ª volta. Se tiver paciência, Lewis ganha essa posição após a primeira bateria de paradas.

Kovalainen será importante para o inglês porque terá a função de segurar Alonso, sexto no grid, no começo da prova. O resto não incomoda. Portanto, se Hamilton não fizer nenhuma besteira logo no começo, pode se acomodar em quarto ou quinto sem grandes problemas, o que lhe dará o título.

Chuva? Não sei se vai chover. Se eu mandar lavar Elena hoje, por exemplo, podem ter certeza que chove. Sempre que mando lavar meu carro, chove. Mas não sei se terei tempo, devo sair tarde daqui. Pelo que conheço de SP, quando sai um solzão como agora, não vira tão rápido, de um dia para o outro. Mas não sei, não vou arriscar até previsão do tempo, tenham dó. Os serviços de meteorologia dizem que vem água.

Se chover, a chance de confusões aumenta, o que é bom para Massa porque Hamilton pode se envolver em alguma. Por outro lado, Lewis é bom no molhado. E confusão não escolhe vítima, Felipe também pode se enroscar em alguém. Oh, tudo pode acontecer!

Está tudo aberto, enfim. Mas ainda com chances bem maiores para o britânico do que para o brasileiro. Amanhã a gente vê. Agora eu quero saber é da Lusa, que vai entubar o Flamenguinho no Maracanã.

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INTERLAGOS EM PINGOS (42)

SÃO PAULO (vai ser no pelinho) – No Q2, a surpresa foi a degola de Robert Kubica, 13º. Com ele foram tomar banho mais cedo Piquet-pimpolho (perdeu a vaga para Bourdais no apagar das luzes), Webber, Coulthard, que fez a última classificação de sua vida, e Barrichello — idem, provavelmente. Ao final da sessão, Rubens foi à mureta acenar para a torcida.

Lá na frente, a briga foi por milésimos. Kovalainen registrou a melhor volta do fim de semana, 1min11s768. Vettel, que é fera, ficou em segundo com 1min11s845. Hamilton terminou em terceiro com 1min11s856. E Massa foi o quarto com 1min11s875. Fecharam os dez primeiros, pela ordem: Glock, Raikkonen (sonolento), Heidfeld, Bourdais, Alonso (esperava mais) e Trulli.

Não tenho ainda o placar das classificações fechado, claro, mas um dado já é definitivo: Alonso largou à frente de Nelsinho em todas as corridas da temporada. Uma lavada rara de 18 a 0.

Faz sol, 22 graus, 40 no asfalto. Palpite? Vamos lá, no chute: Hamilton, Kovalainen, Massa, Vettel, Alonso, Raikkonen, Trulli, Heidfeld, Glock e Bourdais. A McLaren, se for esperta, solta seus dois pilotos bem leves para tentar uma primeira fila e, assim, fugir de possíveis confusões na largada.

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