Perfil
Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto e escritor. E professor de Jornalismo na FAAP, também. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar” e "Quatro Rodas Clássicos", rádios Cultura, USP, Jovem Pan e Bandeirantes. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. É também comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil e da rádio Estadão ESPN. Foi parceiro do iG, com o site “Grande Prêmio”, desde a criação do portal, no final de 1999. Em março de 2012, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2007 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de "Meianov".
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Arquivo da tag: Hamilton
O AMOR ACABOU
SÃO PAULO (frase emprestada de Victor Martins) – Adrian Sutil, condenado a 18 meses de prisão com pena suspensa por quase degolar o cara da Renault, está putcho da cara com Hamilton. Seu ex-amigo, pelo jeito. Lewis não testemunhou a seu favor no tribunal em Munique. “É um covarde!”, bradou.
Sutil se embananou todo com essa confusão. Perdeu a vaga na Force India, ninguém mais fala em contratá-lo, e assim uma carreira vai escorrendo pelo ralo. Tomara que consiga sair do buraco.
Tags: Hamilton, Sutil
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ARÁBICAS (4)
SÃO PAULO (zangadinhos) – Bom, podia ser pior. Foi, certamente, melhor do que se esperava. Mas, também, não foi uma brastemp.
Estou falando da vitória da Portuguesa ontem contra o Vila Nova. Só 3 a 1.
Da corrida de Abu Dhabi, bem… Podia ser pior, foi melhor do que se esperava, mas não foi uma brastemp, também. Foi apenas boazinha. A asa móvel em duas retas ajudou. Neguinho passava, tomava na volta. Foi divertido.
Hamilton ganhou, o que foi legal para ele, vivendo há alguns meses num certo inferno astral mais duradouro e persistente do que o desejável. Três vitórias no ano, 17 na carreira. Três num ano em que teve tantos problemas pessoais não chega a ser ruim. E, no fim das contas, a corrida fez justiça à equipe que andou mais forte no fim de semana, a McLaren, com Button em terceiro e praticamente assegurando o vice.
Alonsito terminou em segundo, resultado que deve à ultrapassagem decidida sobre Button na primeira volta. Primeira volta que tirou Vettel da corrida, com um problema esquisito no pneu, logo na segunda curva. Como seu parceiro marsupial terminou em quarto com uma excêntrica estratégia de três paradas, pela primeira vez no ano nenhum piloto da Red Bull compareceu ao pódio para levar um troféu para casa. Crise.
Massa foi o quinto. Se não me engano, pela quinta vez no ano. O quinto dos infernos. Hoje, dava para chegar em quarto, não fosse a rodada sozinho no final que facilitou as coisas para Webber voltar dos boxes após o pit stop na última volta à sua frente. Segue muito mal, o Felipe. E terá a chance derradeira de salvar o ano com uma atuação espetacular em Interlagos — algo que, a esta altura do campeonato, ninguém acredita que vá acontecer. Mas ele está precisando, e muito. Para recuperar a autoconfiança que anda muito abalada e entrar em 2012 com alguma chance de fazer uma temporada boa o bastante que lhe garanta a permanência em Maranello. O que também está bem difícil.
Zona de pontos fechada com Rosberguito, Schumaquito, Sutil, Resta Um e Koba-Mito. O japa marcou um ponto importantíssimo para a Sauber na briga com a Toro Rosso por mais verba no ano que vem. E os forceíndicos estão tendo uma segunda metade de temporada digna de elogios. Depois vou fazer as contas para ver quantos pontos eles marcaram nesse período. Mais que a Renault, certamente.
Falando nela, a Renault, é bom que o primeiro-sobrinho se aprume. Depois das duas boas corridas em Spa e Monza, mais nada. Ele precisa convencer alguns caras na equipe de que vale a pena investir no seu passe em 2012. Hoje fez mais uma corrida muito apagada, tomou drive-through, largou mal, fez pit stop extra na primeira volta, sei lá. Terminou na frente apenas das nanicas. E Barichello, ao contrário, fez uma corrida forte, largou em último e chegou em 12°, andou na zona de pontos, fez o que pôde. Da mesma forma que Bruno, Rubens tem de convencer alguém de que vale a pena investir nele. Qualquer alguém. Pelo que andou hoje, ficou claro que a vontade de continuar é enorme. Precisa ver se alguém mais notou.
E é isso, né? Algo mais? Ah, Vettel não pode mais igualar o recorde de vitórias na mesma temporada, as 13 de Schumacher em 2004. Não creio que vá perder o sono por isso.
COME-QUIETO
SÃO PAULO (com justiça) – A McLaren renovou o contrato de Jenson Button por vários anos. Não especificou quantos. Jenson chegou à equipe no ano passado. Para ser companheiro do primeiro piloto natural, Hamilton, cria da casa, queridinho de todos.
Chegou como campeão, diga-se, levando o #1 no bico. Em menos de dois anos, passou a ser mais respeitado internamente que Hamilton, às voltas com seus problemas pessoais e existenciais.
A dupla é a melhor da categoria, de longe. E Button é uma aposta segura da McLaren. Seu tempo de pirar com a F-1 se foi há muitos anos, lá no fim do século passado, quando estreou (nos tempos dessa foto aí em cima). Maduro, preciso, correto, agressivo na medida certa, Jenson já não é mais apenas o companheiro do prodígio Hamilton. Está mais para primeiro piloto, embora a McLaren não seja muito disso. Ocorre que Lewis deixou de ser novidade e prodígio. E Jenson, quietinho e trabalhando, ocupou um espaço que talvez nem a McLaren imaginasse que havia para ser ocupado.
Button é a garantia que a McLaren tem de que vai ganhar o que for possível ganhar enquanto Hamilton procura o rumo.
Tags: Button, Hamilton, McLaren
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DESTROY HIS RACE
SÃO PAULO (mas…) - Pode não querer dizer nada, e provavelmente não quer mesmo. Afinal, pilotos e engenheiros têm seus códigos e o que se diz pelo rádio não deve ser tomado literalmente. Mas não deixa de ser curioso ouvir o engenheiro de Massa, em Cingapura, dizendo ao brasileiro: “Destroy his race”. No caso, a corrida de Hamilton, justo no momento do toque. Está no vídeo oficial da prova, aqui, a partir de 1min. A dica veio de algum blogueiro nos comentários, a quem agradeço. Mas não anotei o nome do cabra.
NOTURNAS (6)
SÃO PAULO (putz) - Acho que não fui tão sensacionalista assim… Massa foi, realmente, tirar satisfações com Hamilton. E foi, digamos, um ato de certa hostilidade. Desnecessária.
Não há dúvidas de que há algo errado com Hamilton. Sua vida pessoal é uma confusão, brigou com o pai, tem cometido erros e coisa e tal.
Mas essa imagem me diz que há algo mais errado ainda com Felipe, um rapaz normalmente afável e educado.
Era para tanto?
ATUALIZANDO…
Massa reclamou, com razão, de ter sua corrida prejudicada pelo furo do pneu. Mas o toque poderia ter acabado com a prova de Hamilton, também. Porque as consequências para ambos foram parecidas. E o desfecho do GP, para cada um deles, bem diferente.
Para vocês entenderem, quando os dois pararam, na volta 11, estavam em quarto e quinto, Massa na frente. Juntinhos. Houve o toque na volta de retorno dos boxes e na volta 12 Hamilton passou em sétimo, enquanto Felipe teve de se arrastar até o box e trocar os pneus, caindo para 17º.
Na volta seguinte, por conta do tempo perdido na parada, o brasileiro estava em 20º, sua pior posição na prova. Hamilton parou na volta 13 para arrumar o bico. Cruzou a linha em oitavo. Na volta seguinte, despencara para 16º. Felipe ainda estava em 20º. Na volta 15, Lewis parou de novo para pagar o pênalti. Caiu para 17º e, na volta 16, para 19º.
Àquela altura, Massa já estava em 17º. A recuperação de Hamilton, portanto, começou na volta 16 duas posições atrás do brasileiro. E até o fim da prova, ambos fariam as mesmas duas paradas.
Assim, o toque de Hamilton em Massa na saída do primeiro pit stop acabou prejudicando mais o mclariano que o ferrarista, considerando volta com carro arrebentado, trabalho de box, punição. E, ao fim da corrida, Lewis recebeu a quadriculada em quinto, 1min07s766 atrás de Vettel, o vencedor. Massa terminou uma volta atrás, em nono.
Olhando a tabelinha abaixo, feita nos mais modernos programas de design gráfico do mundo, dá para entender. E entende sem dar, também.
Volta 10 – Massa P4 – Hamilton P5
Volta 11 – Massa P4 (box) – Hamilton P5 (box)
Volta 12 – Hamilton P7 – Massa P17 (box)
Volta 13 – Hamilton P8 (box) – Massa P20
Volta 14 – Hamilton P16 – Massa P20
Volta 15 – Hamilton P17 (box) – Massa P20
Volta 16 – Massa P17 – Hamilton P19
NOTURNAS (5)
SÃO PAULO (azedou) - Quebrou o pau em Cingapura. Estou sendo meio sensacionalista, mas as informações dão conta de uma troca de socos e pontapés. Estou sendo sensacionalista de novo. Na verdade, um empurrão e um agarrão no braço. Algo próximo disso.
Falo de Massa x Hamilton.
O brasileiro não gostou nada do que aconteceu na corrida, o toque que furou seu pneu no começo da corrida. No sábado, Lewis já tinha arrumado treta com Felipe na classificação.
Frases do ferrarista: ele não usa o cérebro, ele vai causar um grande acidente, ele precisa ser punido em todas as corridas, eu falo com ele e ele não escuta, talvez seu pai possa fazer alguma coisa, ele não tem sido racional, a FIA precisa fazer algo para ele aprender.
Criou-se, de vez, uma inimizade.
Sobre hoje, como escrevi abaixo, acho que Hamilton se precipitou. Poderia esperar um pouquinho. Ele tem mania de querer resolver tudo em meia volta. Muitas vezes dá certo. Em outras, não dá. E paga o pato. Tem sido punido com frequência, vai mais às torres de controle do que às entrevistas coletivas.
Mas não vejo sentido em demonizar Hamilton. É um “pure driver”, tem currículo, ganhou o Mundial em sua segunda temporada. Vence corridas, porque luta para vencê-las. Lewis está entre os cinco melhores da F-1 atual, goste-se ou não disso. Felipe, não mais. Goste-se ou não disso.
O VELHO E O NOVO
SÃO PAULO (não perde) - Quem se empolgou com a disputa maravilhosa entre Schumacher e Hamilton em Monza vai gostar dessa aqui. Foi no ano passado, na China. Eu, para dizer a verdade, não lembrava. Achei sem querer. O velhinho é osso duro de roer. Lewis deve sonhar com ele, de vez em quando.
Tags: China, Hamilton, Schumacher
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SPANADAS (7)
SÃO PAULO (e deu) - Faltou falar do Hamilton. Reservo ao moço uma notinha avulsa porque tenho enorme consideração pelo mclariano. Só que neste fim de semana ele abusou. No sábado, andou se esfregando com Maldonado — o que denota um mau-gosto danado. E, hoje, deu no Kobayashi.
Lamento, sr. Hamilton. Bater no Kobayashi não pode. Ele é um mito, entende? Um mito. O sr. foi lá, passou, e ele ia passar de novo. E o sr. jogou o carro para o lado como se ele não estivesse lá.
Não viu? Como não ver um mito? Um mito deve ser reverenciado, jamais ignorado. Fica aqui lavrado nosso protesto por sua atitude impensada.
E, para piorar, o sr. poderia subir ao pódio se não estivesse tão atormentado neste final de semana. Largou em segundo, não foi? Pois. Seu companheiro, todo bonitão, cara de ator, barba por fazer, se estrepou no sábado, largou em 13° e chegou em terceiro.
Sendo assim, sr. Hamilton, a obrigação era terminar com um troféu daqueles debaixo do braço. OK, era um troféu grande, não cabe na estante. Mas pode ser usado como saladeira.
O sr. bateu no mito e perdeu uma saladeira. Precisa se recompor.
ATUALIZANDO…
Um pouco mais tarde, Hamilton postou o seguinte no seu Twitter: “Apologies to Kamui and to my team. The team deserves better from me. Best wishes, Lewis”. Tô começando a ficar com pena do rapaz. Que é um senhor piloto e, realmente, está em crise.
SENNA & PROST VERSÃO 2011
SÃO PAULO (menos…) - Jenson Button fez uma interessante comparação da dupla atual da McLaren, ele e Hamilton, com a mais explosiva de todos os tempos, Senna & Prost, que dividiram os boxes maclarianos por duas temporadas, em 1988 e 1989.
Para Button, ele faz o papel do francês, mais cerebral e conservador, e Lewis é a reencarnação de Ayrton, aguerrido, atirado, combativo.
Faz algum sentido, embora ambos, Button e Hamilton, ainda tenham de comer bastante feijão para alcançar aquilo que Senna e Prost conseguiram. É até covardia comparar os números:
SENNA + PROST
92 vitórias
186 pódios
98 poles
60 melhores voltas
7 títulosHAMILTON + BUTTON
27 vitórias
76 pódios
25 poles
14 melhores voltas
2 títulos
Claro que os dois ainda têm muita estrada pela frente, mas é difícil imaginar que cheguem tão longe. De qualquer forma, é louvável a política da McLaren de procurar ter sempre bons pilotos e liberá-los para competir. Do ponto de vista “corporativo”, pode não dar certo sempre. Mas do ponto de vista esportivo, sem aspas, pode-se dizer que é disso que o povo gosta.
BAND OF BROTHERS
SÃO PAULO (e é de verdade) – O blogueiro Gustavo Oliveira indicou a foto do site motorsport.com e achei tão legal que reproduzo, com os devidos créditos. Button e Hamilton formam um time digno do nome. Quando a gente fala em companheiro de equipe, é disso que se trata. Essa história de que piloto tem de odiar o cara do box ao lado, que companheiro existe para ser batido, é babaquice. Nunca a amizade, o carinho, o respeito e a admiração serão menores que esse espírito de competição que muita gente adota como estilo de vida.
TEDESCAS (3)
SÃO PAULO (já vi melhores, já vi piores) – Pô, os caras dizem que tem 83% de chances de chuva e não cai um pingo… Bem, mesmo assim foi bacana o GP da Alemanha, corrida de piloto, e hoje Hamilton conseguiu uma daquelas vitórias de piloto, mesmo. Não teve a ver com pneus, pista molhada, erros de box, asas móveis.
A começar pelo sábado, com o segundo lugar no grid. E a largada, que o colocou na frente de Webber. Webber larga mal, puta merda. Duas poles e não transformou nenhuma delas em vitória.
E aí foi legal, porque vejam só. Na primeira parte da corrida, os três primeiros eram
Hamilton, Webber e Alonso
Corzinha nos nomes para vocês perceberem como foi a bagaça.
O espanhol tinha perdido a posição para Vettel no início, mas na oitava volta passou de novo. Fernandinho não perde tempo. Massa perde. Ficou até a 12ª volta para passar Rosberg, apesar dos insistentes apelos de seu engenheiro pelo rádio. Passa logo, senão vai foder a porra toda!, dizia o engenheiro. Como se verá adiante, em nota à parte, fodeu a porra toda.
Aí vieram os primeiros pit stops — volta 14 para Webber, 16 para Hamilton e Alonso. E a segunda parte da prova teve
Webber, Hamilton e Alonso
Sacaram a mudança nas cores? Se deu bem o canguru, parando duas voltas antes.
Só que Hamilton não é um piloto que desiste fácil. Os três ficaram andando perto o tempo todo. Veio a segunda bateria de pit stops, volta 30 para Mark, 31 para Lewis, 32 para Fernandinho.
Trocou tudo de novo e ficou
Hamilton, Alonso e Webber
Se deu mal o canguru, desta vez.
Mas não foi tão simples assim, claro. Os momentos pós-pit stops nessa segunda bateria foram bem legais. Quem, na verdade, voltou na frente de todos foi Alonso. Webber tinha perdido a posição para Hamilton e não conseguiu recuperá-la no breve encontro que tiveram quando o inglês saiu dos boxes, com pneus mais frios. Na volta seguinte, Lewis viu Alonso sair na frente e foi para cima do espanhol do mesmo jeito que Webber tinha feito com ele. Só que passou. É aí que está a diferença. Luisito vai e passa. Marquito foi e não passou. Alonsito fez o possível para se manter na frente, mas não deu.
E aí as coisas meio que se acomodaram entre os três primeiros. A terceira bateria de paradas começou com Hamilton na volta 51. Alonso parou na 53, Webber na 56. El Fodón de las Astúrias ficou duas voltas mais na pista para evitar andar muito com os pneus de pau da Pirelli, mas não adiantou. E os três foram para o pódio. O ferrarista ainda pegou carona no carro do australiano, porque a equipe avisou que se ele não parasse não ia ter gasolina suficiente para os testes da FIA e ia foder a porra toda.
Vettel fez sua pior corrida no ano. Pela primeira vez ficou fora do pódio e atrás de seu companheiro. A diferença de 80 pontos que ele tinha para Webber na classificação caiu para 77. Não é motivo de desespero. Webber teria de fazer 8,5 pontos por corrida a mais que Sebastian para ser campeão. Mesmo vencendo todas, com Tião Alemão em segundo, não bastaria. O campeonato acabou faz tempo e Vettel é o campeão, mas dele falaremos no próximo post exclusivo, dedicado à briga com Massa que terminou com uma porca voando alegremente pelo pitlane.
No mais, alguns pilotos nos divertiram com gosto nesta manhã, como Sutil num ótimo sexto lugar, Kobayashi-mito, de 17° no grid para nono na corrida duelando com Schumacher & outros, Petrov segurando todo mundo como se estivesse defendendo Leningrado das forças do Reich, Michael brigando com uma vitalidade juvenil por posições intermediárias, dando uma aula de dignidade e esportividade diante de seu público…
Bom GP, no fim das contas. Hamilton ganhou pela segunda vez no ano, 16ª na carreira, voltando a empatar com Vettel nas estatísticas. Eles estão em 14° na história, ao lado de Stirling Moss.
POR AÍ (2)
AUGSBURG (e anda, a bagaça…) - Mais um linquezinho despretensioso, para não deixar passar em branco. Afinal, sexta-feira é dia de coluna. A desta semana, defendendo Hamilton, está aqui.
Tags: Hamilton
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HAMILTON
SÃO PAULO (eu gosto) - Lewis Hamilton bateu em quatro pilotos nas últimas duas corridas: Massa, Maldonado, Webber e Button. Como se vê, ele não tem preferência por adversário. Deu numa Ferrari, numa Williams, num Red Bull e numa McLaren. Recebeu punições e, aparentemente, uma chamada de Ron Dennis no Canadá.
E está conversando com a Red Bull.
Pelo menos é o que diz a “Autosport”. Seria interessante. Lewis é da McLaren praticamente desde que nasceu. Está na quinta temporada na F-1 e já foi campeão uma vez, em 2008, depois de uma temporada de estreia excepcional, em 2007. Mudar de ares? Sempre é bom. Relações se desgastam. Muitas vezes acabam.
Hamilton tem uma característica marcante, a agressividade. Que às vezes esbarra no exagero, como ontem em Montreal na disputa com Button — era a terceira volta da corrida sob bandeira verde, chovendo, uma tentativa desnecessária.
Mas a pergunta é: quando uma tentativa de ultrapassagem é desnecessária? Vendo pela TV, é fácil dizer. Estando dentro de um carro de corrida, menos. Hamilton percebeu uma possibilidade e foi. Em geral, é melhor do que ficar uma corrida toda ensaiando e estudando. Para o público, pelo menos. Para quem é abalroado, não.
Lewis precisa dosar o pé? Talvez. Emerson Fittipaldi acha que sim. Mas se começar a dosar o pé será o mesmo Hamilton? Talvez não.
Eu gosto do estilo. E acho que quando passa do limite do razoável, tem mais é de ser punido. Existem comissários para isso. Mas não crucificado. Desde que não coloque a vida de ninguém em risco. Algo que não me lembro de ter acontecido.
Tags: Hamilton
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PRINCIPADAS (5)
SÃO PAULO (às vezes passa da conta) - Lewis Hamilton foi um dos protagonistas da corrida de hoje e deve ter sido bastante falado na transmissão da Globo — como estamos fazendo as provas na rádio, não tenho escutado a TV brasileira. O inglês tomou um drive-through porque empurrou Massa na Loews. Pouco antes Di Resta fez o mesmo com Alguersuari e levou a mesma punição. O problema não foi nem colocar o carro por dentro, passando pela calçada; mas, sim, empurrar o cara do lado de fora para a parede, forçando a barra.
Mereceu a punição, creio. Di Resta também levou um puxão de orelha. Mas depois Hamilton passou Felipe no Túnel na boa. A batida do brasileiro nada teve a ver com a manobra anterior.
Aí, na relargada para as voltas finais, Lewis mergulhou por dentro na Saint Dévote, onde nem pista tem, para jantar Maldonado. Um exagero total. O prejuízo ficou todo para o venezuelano, que iria pontuar pela primeira vez na carreira. Chávez, nunca mais venda petróleo para a Inglaterra!
Lewis, se punido com acréscimo de tempo, não perde posição. Precisa levar uma dura, sim. Mas que não seja colocá-lo numa cruz. Ele tentou tudo que podia numa pista onde não pode quase nada. É um piloto que dá gosto de ver. Caras assim, de vez em quando, passam do limite do razoável.
Mas é bom que existam.
De qualquer forma, é bom ver o vídeo abaixo. Porque Hamilton lança acusações fortes, falando à BBC. Algumas frases:
“Nas últimas seis corridas, fui chamado à torre pelos comissários cinco vezes. É brincadeira. (…) Aqui é difícil de ultrapassar e você tem de aproveitar qualquer chance. Com Massa, eu era muito mais rápido, coloquei por dentro e ele virou em cima de mim, até tentei evitar a batida. Mas é claro que eu recebi o pênalti. Ontem, ele me atrapalhou no treino e eu que fui punido, claro. Ele bateu em mim e eu levei o pênalti. Com Maldonado, eu estava por dentro e ele virou muito antes para tomar a curva, para evitar minha ultrapassagem, e bateu em mim. É estúpido, ridículo.”
Aí a repórter pergunta: por que você acha que atrai tantas punições?
“Talvez por que eu seja negro.” Lewis dá uma risadinha depois de dizer isso e acrescenta: “Como diz Ali G… Não sei”. Ali G é um personagem vivido pelo comediante Sacha Baron Cohen, aquele de “Borat”, que tem um talk show no Channel Four, na Inglaterra. Depois, foi pedir desculpas aos comissários pelo que descreveu como “piada infeliz”.
HAMILTON IN “CARS”
SÃO PAULO (contando as horas) - Olha que legal o Lewis Hamilton postou agora há pouco em seu Twitter: o carrinho que terá o nome dele em “Cars 2″. Lembra, claro, o McLaren 12C — o superesportivo de rua de seus chefes. Estou louco para que chegue logo 24 de junho, data da estreia.
Tags: Cars 2, Hamilton
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MIL E UMA NOTAS (4)
SÃO PAULO (desanimado) – Dez poles em 19 corridas é um bom índice, e Vettel fez mais uma agora há pouco em Abu Dhabi, sob a luz prateada da lua e com um capacete horrendo, cheio de purpurina. Deve ganhar a corrida, como ganhou no ano passado, e nem precisou largar na pole.
O abacaxi ficou para Webber. Apagado, desiludido, deprimido, desgostoso, ficou em quinto e terá uma longa trilha pela frente se quiser conquistar um título com o qual nunca sonhou, mas que esteve perto neste ano. Trilha que passa, pela ordem, por Button (quarto), Alonso (terceiro) e Hamilton (segundo). Todos à sua frente no grid.
Pobre canguru. Se for campeão amanhã, será uma verdadeira epopeia.
Vettel, o Tião Alemão, é melhor que ele. E pelo jeito não vai ter de se preocupar, mesmo, com essa história de ordens de equipe. Tinha razão quando dizia, em Interlagos, que era bobagem especular antes de a situação na pista exigir algo. Ao que parece, não vai exigir nada. Ele vai correr para vencer e ficará secando Alonso a distância. Se a corrida terminar do jeito que começa, com Fernandinho em terceiro, o espanhol leva. Vai a 261 pontos, com Tião podendo chegar no máximo a 256. O sábado tirou Webber do caminho dos dois, essa é a verdade.
Pobre canguru, chegou tão perto, agora ficou tão longe…
Hamilton também andou muito bem nos treinos de hoje. Larga em segundo e tem muito pouco a perder. Ficou só 0s031 atrás do 1min39s394 de Vettel, um resultado muito bom. Alonso arrancou uma volta a fórceps no fim e ainda assim ficou 0s398 atrás da Red Bull. Estava em quinto, naquela altura. Poderia complicar demais sua vida. O terceiro no grid foi comemorado com um gol em final de Copa.
E já que começamos pelo fim, destaque-se o sétimo de Barrichello no grid. O resto foi mais ou menos normal: Massa em sexto, Schumacher em oitavo, Rosberguinho em nono. Petrov fechou os dez primeiros, mas aí a surpresa não foi sua presença, e sim a ausência de Kubica — que pela primeira vez no ano não foi ao Q3. O polaco cometeu um erro na sua volta rápida e dançou. Mas tem crédito na praça, como Silvio Santos.
No Q2, que já foi disputado com os refletores acesos enquanto o sol se punha garbosamente no horizonte, Vettel já tinha sido o primeiro a entrar na casa de 1min39s, dando sinais de que seria difícil tirar a pole dele. Houve um entrevero entre Hamilton e Massa que resultou numa câmera arrebentada. O inglês passou por cima daqueles pirulitos que demarcam chicanes, e tinham colocado a pobre coitada lá. Mas nada de grave, exceto para a família da câmera, que está inconsolável. E no Q1, o de sempre, com Buemi incluído entre os seis nanicos — que fecham a temporada, salvo engano, sem terem levado nenhum carro ao Q2.
A partir desse grid, o que dá para prever?
Eu acho que teremos uma corrida bem chatinha. Vettel dispara na frente e some. Pode, no máximo, ter algum trabalho com Hamilton no começo, por causa da velocidade da McLaren em reta. Alonso vai administrar o terceiro lugar. Não vai se esfregar em ninguém. Seu maior adversário está atrás no grid, Webber. O australiano é que pode tentar alguma tática suicida, mas com ele El Fodón não precisa se preocupar tanto. Como já dito, Mark tem muita gente à sua frente até chegar a uma posição que lhe dê a taça.
Vettel ganha a corrida e Alonso será o campeão. É o que vai acontecer amanhã. Sem muitas emoções.
SERIA ASSIM
SÃO PAULO (quase igual) – O Jônatas Boer, como faz sempre, me mandou a classificação do Mundial com a pontuação do ano passado. Não mudaria muita coisa. Mas Hamilton, por exemplo, que só tem chances se vencer em Abu Dhabi, também teria alguma possibilidade com um segundo lugar, pelo sistema antigo.
A situação dos três primeiros é idêntica. Um resultado igual ao de Interlagos, por exemplo, deixaria Webber e Vettel empatados chupando o dedo com o vice e o título com Fernandinho. Com posições invertidas entre os pilotos da Red Bull e Alonso ainda em terceiro, título para o australiano.
Veja abaixo como estaria a classificação de 2010 pelo sistema de 2009:
1) Alonso, 99 (246 em 2010)
2) Webber, 96 (238)
3) Vettel, 94 (231)
4) Hamilton, 92 (222)
Em resumo, esse novo sistema de pontos só serviu para atrapalhar as contas.
AVISEM O HAMILTON
SÃO PAULO (e avisem logo) – Minha tese é a seguinte: se a Red Bull perder o campeonato, mesmo com um carro melhor que todo mundo, a culpa é mais de Hamilton que de seus pilotos. Está tudo na coluna de hoje. Leiam lá e comentem aqui!
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