Arquivo da tag: FIA

TAPETTONE

SÃO PAULO (já deu) – Desde segunda-feira pululam pela internet vídeos com as supostas ultrapassagens de Vettel sob regime de bandeira amarela em Interlagos. Análises profundas com setas, destaques, imagens congeladas, paineis luminosos acesos e intermitentes, fiscais com bandeiras agitadas e estáticas, informações no volante do carro e o escambau a quatro pingam aqui e ali, com gente falando com enorme autoridade sobre o assunto.

Isso animou a Ferrari a consultar a FIA sobre eventuais ilegalidades em manobras sobre Vergne e Kobayashi. Na verdade, o time italiano só cita a primeira, na quarta volta, em cima do garoto da Toro Rosso (tem vídeo aqui). Vettel poderia ter alguns segundos acrescidos ao seu tempo total de corrida e, assim, perderia o título. Aparentemente, a FIA se pronuncia hoje.

Não vai mudar o resultado da corrida, creio. Entre todas essas análises profundas e definitivas, assim como há aquelas que asseguram que Vettel fez um monte de coisa errada, há outras que asseguram que não. Pelo que pude ver, o caso com Kobayashi teve a ver com uma parada do japonês no box e é menos controverso. Com Vergne, o francês tirou o pé e Sebastian o ultrapassou na reta Oposta entre dois painéis com luz amarela, mas havia uma bandeira verde no meio do caminho.

É tudo meio confuso, mas a FIA que se encarregue de explicar. E acho coisa de mau perdedor esse negócio de recorrer ao tapetão. Ainda mais que foram ultrapassagens sem a menor importância para o resultado final da prova, tudo em linha reta, sem risco, com os ultrapassados tirando o pé por alguma razão. E se forem analisadas as câmeras on-board de todos os carros ao longo dessa prova, uma ou outra situação parecida será encontrada, ainda mais numa corrida com chuva, sem visibilidade e cheia de painéis piscando.

A ver. Já pensaram dar o título para o Alonso por conta dessa polêmica?

Eu, hein…

Tags: , , , , , | 169 comentários

DAS SALSICHA (4)

SÃO PAULO (ridículo) – Puniram Vettel com 20 segundos no seu tempo total de corrida. Caiu de segundo para quinto. Button assume o segundo, Raikkonen vai para terceiro e Kobayashi fica em quarto.

Patética a punição. A F-1 tem se especializado em reprimir a boa pilotagem. Vettel não fez nada demais. Button espalhou na saída do grampo, ele foi para a área de escape, que tem aderência e permite certa tração, e acelerou. Acelerou, tracionou, passou. Qual o problema? Ele só foi parar na área de escape porque Button o jogou lá. Não foi uma opção. Era aquilo, ou bater.

Das punições mais idiotas de todos os tempos, essa aí. Aqui está a ultrapassagem. Se alguém viu algo de errado nela, por favor me diga o que foi. E antes que os arautos da legalidade (e tem tantos, na nossa jovem imprensa…) venham com o papo de que “passar por fora da pista não pode”, revejam Massa x Kubica em 2007, por exemplo, ou TODAS as largadas de Spa desde 1920. E tem Schumacher sobre Trulli na mesma curva em 2003 (achado do Capelli). Portanto, guardem os discursinhos legalistas para vocês. Aliás, me espanto com essa nova geração de jornalistas cagadores de regras. Eles se acham o máximo porque são capazes de encontrar o regulamento da F-1 na internet (oh) e de lê-lo, com seu inglês de CCAA ou do tradutor do Google.

Falta vida a essa molecada.

Depois refaço as contas da classificação. Só sei que foi ótimo para Alonso, que vê Sebastian ainda mais longe nos pontos. Para mim, o alemão é a única ameaça ao tri do espanhol. Não confio em Webber, embora ele continue na vice-liderança.

ATUALIZANDO…

Vettel deu suas explicações. Disse que Button estava por dentro e ele não sabia direito onde estava o inglês. “Resolvi dar espaço para ele e fui para a parte de fora da pista, onde tem a pintura, escorregadia, e consegui ficar à frente e passar. Minha única intenção foi não bater e dar espaço a ele. Respeito Jenson e não quis trapacear. Foi bom ir ao pódio na minha corrida de casa, mas tenho de respeitar a decisão dos comissários”, falou.

Bem, se Vettel não vai reclamar, não serei e a fazê-lo. Foda-se. Fodam-se todos.

Tags: , , , | 338 comentários

BURACOS DA DISCÓRDIA

SÃO PAULO (vai dar o que falar) – Não, não são buracos na rua. São buracos nas asas traseiras de Schumacher e Rosberg, que foram formalmente contestados pela Lotus. E a FIA já rejeitou o protesto. Mas vale a pena ver o vídeo acima, autoexplicativo, para entender como funciona a grande sacada de Ross Brawn. Que funciona muito bem em classificação, quando o uso da asa móvel é livre, mas tem menos efeito em corrida, quando os trechos de ativação são limitados. Na China, porém, vai ser muito útil também na prova, por conta da enorme reta de Xangai.

O sistema é simples de entender, embora complexo de construir. Quando o piloto abre a asa móvel, expõe dois orifícios (ui) no aerofólio traseiro que dão acesso a um sistema de dutos que levam o ar em alta velocidade para a asa dianteira. Isso mesmo. Imagine uma tubulação embutida na parede. É mais ou menos isso. Mas ela só carrega vento. Esse ar entra pelo buraco, faz a curva e é direcionado para a frente, passa ao largo do carro pelos dutos, dos dois lados, até chegar à parte inferior da asa dianteira, por onde é liberado através de fendas sob o aerofólio em direção ao chão e ao fundo plano do carro.

O efeito é a criação de uma zona de baixa pressão debaixo da asa dianteira, reduzindo sua função. Com menor pressão aerodinâmica na frente, a tendência é o aumento da velocidade em reta e um maior equilíbrio entre as zonas de pressão geradas pelas asas dianteira e traseira. A asa móvel, aberta, tem a mesma função, diminuir a pressão aerodinâmica atrás. O carro fica mais rápido e equilibrado.

É genial e difícil de copiar, porque implica uma revisão dos projetos de todos os carros. Os engenheiros teriam de arrumar espaço para colocar os dutos em veículos nos quais espaço não é algo que costuma sobrar. Ross Brawn pode não ser um virtuose como Adrian Newey, mas é inteligente e tem boas ideias. Essa é uma delas.

Tags: , , , , | 47 comentários

SEMPRE COM A GENTE

SÃO PAULO (pilantras) – A Lada fez, como todo mundo faz, vários pedidos à FIA para adaptar o estupendo Granta ao WTCC — para estrear na Hungria, em maio, com James Thompson, disparado o melhor piloto do mundo na atualidade. Quem mandou a notícia foi o Enzo Brocker.

Mas a FIA, com uma má-vontade desgraçada e temendo um massacre soviético, está vetando tudo. Uma coisa, porém, a FIA jamais vai conseguir impedir: que tenhamos o carro mais lindo do grid.

Tags: , , , | 25 comentários

COM CAPOTA

SÃO PAULO (veremos) - A FIA não faz essas coisas por acaso. Divulgou hoje um vídeo, coisa raríssima, com um estudo sobre o uso de uma proteção para o cockpit de monopostos. Uma carlinga, como dos aviões. Foram testados dois materiais. Aquele usado em caças resistiu bem a um pneu a mais de 200 km/h. O vídeo é bem impressionante.

Vale lembrar que tais estudos começaram a ser feitos em 2009, depois do acidente de Massa em Budapeste e da morte de Henry Surtees na F-2, atingido por um pneu.

As vozes contrárias alegam que uma “capota” dificulta a remoção de um piloto em casos de acidente. OK. Mas pensando assim, ninguém deveria correr de carros de Turismo, por exemplo. Que têm capota e portas. Os protótipos de Le Mans são bons exemplos de carros com cockpit coberto. A Audi, por exemplo, cobriu seus pilotos pela primeira vez nas 24 Horas. E dois deles sobreviveram a acidentes impressionantes.

E vocês? Gostam da ideia de carros de F-1 com carlinga? Aliás, se tiverem um nome melhor que carlinga, que é feio pacas, podem sugerir.

Tags: , | 76 comentários

INÚTIL

SÃO PAULO (é isso) - Nosso batera Andre Jung constata que foi inútil a tentativa da FIA de brecar a Red Bull mexendo no regulamento. A fatura está liquidada em 2011. A coluna Apex está aqui.

Tags: , | 7 comentários

OS MOTORES

SÃO PAULO (briga surda) – A história é a seguinte: Ferrari e Mercedes querem que a FIA adie por dois anos adoção dos novos motores da F-1, marcada para 2013. Para quem não sabe, eles passarão a ser turbo, 1.6 e de quatro cilindros, contra os aspirados 2.4 V8 atuais. A Renault avisou que se FIA atender às demandas ferraristas e mercêdicas cai fora da categoria. A Cosworth não fala nada porque não se sabe sequer se continua. Todt disse que foram realizados 11 encontros técnicos para se chegar ao modelo de motorização escolhido e que não vê sentido em adiamento algum. Mas admite negociar, porque afinal de contas não é o dono da F-1.

O bicho está pegando.

Tags: , , , | 51 comentários

QUASE ESQUECI

SÃO PAULO (mas lembrei) – A coluna Warm Up de ontem, sexta, desce o malho na FIA e na F-1, insensíveis a tudo nessa história de remarcar o inaceitável GP do Bahrein. Está aqui.

Tags: , | 14 comentários

FIA, A CEGA

SÃO PAULO (vai mal, tudo) - A FIA confirmou hoje a reinclusão do Bahrein no calendário, que foi remanejado. A corrida será no dia 30 de outubro, no lugar do GP da Índia, que passará para dezembro. Provavelmente no dia 11, encerrando a temporada depois do Brasil. O texto do comunicado da FIA é de um cinismo ímpar. Faz loas ao governo barenita, ao povo barenita, ao rei do Bahrein, ate à oposição. Diz que o governo estabeleceu um “processo de diálogo e reconciliação política”.

Balela das mais infames. Mais de 20 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas desde o início dos protestos por reformas políticas, em março, duramente reprimidas pela monarquia barenita com o auxílio de soldados sauditas. A famílira real do Bahrein pertence à minoria sunita e relega os xiitas a posições secundárias no país. O estado de emergência foi suspenso, mas conflitos seguem acontecendo em vários locais.

“A decisão [de recolocar o país no calendário] reflete o espírito de reconciliação no Bahrein”, diz a FIA, que como a FIFA costuma se colocar acima de países, povos, governos, o que for.

A única coisa boa diante deste episódio, ao menos por enquanto, foi a manifestação da Red Bull, que pretende discutir a decisão da FIA junto aos membros da FOTA, a associação das equipes. Já tem gente pedindo que o time boicote a prova, com uma petição pública na internet. Disse que “por enquanto” é bom ver que a Red Bull se preocupa com a questão, porque o mais provável é que todos, como carneirinhos, aceitem a volta da corrida e se calem.

Mas seria muito legal uma equipe, ou mais de uma, ou um piloto, ou mais de um, se recusasse a correr num país que desrespeita os direitos humanos, massacra opositores e faz pose de vítima.

Tags: , | 19 comentários

BURRICE ENDÊMICA

SÃO PAULO (não me surpreende) – Eu não tenho dúvidas de que o mundo passa por um surto endêmico de burrice. Ela se manifesta “em todos os níveis”, como dizem os enroladores profissionais. Um desses níveis, claro, é a Fórmula 1. Prega-se redução de custos e, ao mesmo tempo, inventam-se bobagens que só aumentam os custos e criam confusão. Lamentam-se as dificuldades de sobrevivência e criam-se outras maiores ainda. Para matar os que não se enquadram, levá-los à bancarrota, instituir uma lei de Darwin ditada pelo poder econômico.

A última da FIA é divertidíssima. Delimitar “zonas de ultrapassagem” nas pistas, onde possa ser usada a brilhante asa móvel inserida no regulamento deste ano. Mais ou menos como se a Fifa determinar que chutes a gol só possam ser efetuados a partir de áreas previamente estabelecidas, desde que os zagueiros estejam a uma distância pré-estabelecida e os goleiros, com os dois pés no chão e as mãos erguidas à altura do peito.

Comecemos com a asa móvel, uma estupidez sem tamanho. Carro não é avião. A aerodinâmica que atua sobre o automóvel tem de ser estática, rabiscada numa prancheta, estudada por projetistas espertos e inteligentes. Ponto, acabou aí. Acionar flaps é coisa para comandante da Varig. Piloto, na medida do possível, deveria apenas usar os pés para acelerar e frear, como se faz num carro de rua, e as mãos para trocar as marchas e virar o volante. Como se faz, ainda, em alguns carros de rua

Todo o resto é perfumaria invisível a olho nu que não interessa em nada a quem sustenta o espetáculo, o cara na arquibancada e o outro no sofá da sala diante da TV. Em vez de fomentar a criatividade de engenheiros e estimular o talento e o arrojo de quem pilota, os regulamentos procuram normatizar tudo, criar regras até para o orgasmo de uma corrida, que é o momento de ultrapassar, o “feeling” de quem está no cockpit, aquilo que diferencia um cara que dirige um carro de outro que pilota.

Agora, essa das zonas de ultrapassagem. Não vai vingar, não pode, porque é idiota demais até para quem acha, como a FIA, que tem recursos tecnológicos infalíveis para controlar a distância entre um carro e outro o tempo todo. E as asas móveis deveriam ser banidas já. Se está difícil de ultrapassar, não é criando normas para isso que se vai resolver o problema.

O Kers é outra tolice, dispendiosa e artificial. Já deu errado dois anos atrás, o que faz com que se imagine que vai dar certo agora? Só atrapalha na hora de projetar o carro, é mais uma traquitana para quebrar, dar defeito, e, de novo, separa as equipes em dois grupos, os que têm grana para desenvolver e os que não têm e, por isso, ficam ainda mais para trás.

O que se quer é criar regras para tudo. O planeta está assim. Aqui pode, ali não pode. Isso é permitido, aquilo, não. Entre por lá, saia por acolá. Vista-se assim, dispa-se assado. Não ria, não olhe para a câmera, pare, siga, pague, digite a senha, retire o cartão, disque 1 para saldo, 2 para mudar de plano, 9 para falar com nossos atendentes.

Mundo chato da porra.

Tags: , , | 219 comentários

OS MOTORES

SÃO PAULO (Lada pode?) – O Conselho Mundial da FIA se reuniu hoje em Mônaco e anunciou decisões importantes para a F-1. Uma delas: o artigo do regulamento esportivo que proibia ordens de equipe foi eliminado. Mas os comissários poderão punir pilotos e equipes caso haja ações que vão de encontro aos princípios do esporte etc e tal. Vai ficar tudo muito subjetivo, confusões à vista.

Na parte técnica, o mais importante. A partir de 2013, os motores da F-1 passarão a ter 4 cilindros, 1.600 cc de cilindrada e giros limitados a 12 mil rpm, com injeção de combustível de alta pressão a 500 bar. Hoje são V8 de 2,4 litros e 18 mil rpm. Segundo a FIA, a mudança vai ao encontro das necessidades de reduzir o consumo de gasolina (será 35% menor), e os carros terão sistemas de recuperação de energia e tal. A entidade garante que os níveis de performance não vão cair.

Cada piloto poderá usar cinco motores em 2013. A partir de 2014, quatro. Já para o ano que vem os câmbios deverão durar cinco provas consecutivas, e não quatro como nesta temporada. E a partir de 2012 as comunicações de rádio serão liberadas para as transmissões de TV.

Motores de 4 cilindros já foram usados antes, por isso ninguém precisa ficar desesperado. É fato que a indústria automobilística vem, aos poucos, eliminando musculosos V12, V10 e V8 de suas linhas de montagem. Estão fora de moda para o uso rotineiro, gastam muito, são caros para produzir e atualmente só aparecem em superesportivos caríssimos que mal saem da garagem.

As montadoras terão dois anos para desenvolver as novas unidades. Hoje, fazem motores para a F-1 a Ferrari, a Mercedes, a Cosworth e a Renault. Mas a Lada faz ótimos motores 1.6 de 4 cilindros, com o do Meianov. Se quiserem, posso dar umas dicas.

Tags: , | 138 comentários

REDUÇÃO DE CUSTOS

SÃO PAULO (agora dá) – Max Mosley acaba de apresentar sua proposta de teto de orçamento na F-1 para tentar voltar à presidência da FIA. Quem mandou foi meu amigo Rogério Gonçalves, doleiro em Ciudad de Leste.

Tags: , , | 6 comentários

MAIS DO MESMO

SÃO PAULO (inspiração zero) – Minha coluna de hoje é, na verdade, o mesmo texto que publiquei aqui quando a FIA anunciou que vai rever as regras sobre ordens de equipe. Por isso, se não quiserem, nem precisa ler. Só para constar.

Tags: | 6 comentários

“ORDEM” E “ESTRATÉGIA”

SÃO PAULO (escolha uma) – É uma boa peça de leitura o relatório de Lars Osterlind, designado pela FIA para investigar o espisódio de Hockenheim. Ele sugeriu ao Conselho Mundial que Alonso perdesse 5s de seu tempo final de prova e a Ferrari, os 43 pontos obtidos no GP da Alemanha.

Mas a Ferrari não é boba. A FIA explicou hoje por que não puniu o time além dos 100 mil dinheiros.

(Aqui, vale uma observação aos que acham que não houve pena alguma. Houve esta multa. Pode-se achar leve, inócua, o que for. Mas é uma punição. O regulamento, quando trata de ordens de equipe, não especifica penas. O artigo 39.1 do Regulamento Esportivo diz apenas que “ordens de equipe que interfiram no resultado da corrida são proibidas”. Mais vago que isso, impossível.)

A explicação da FIA veio da defesa da equipe: “Do ponto de vista da Ferrari, há uma distinção clara entre ‘ordens de equipe’, por um lado, e ‘estratégias e táticas de equipe’, por outro. A comunicação da disputa deve ser considerada como estratégia e tática de equipe”.

Ou seja: a Ferrari “tucanou” as ordens de equipe e transformou as mensagens de rádio em “estratégias”. E como o regulamento não proíbe “estratégias” ou “táticas”, ponto final.

Dá para contestar o time? Pior é que não. Por isso que está na hora, mesmo, de riscar esse artigo besta do livro de regras. É lei que nasceu morta.

Tags: , | 45 comentários

NO COMMENTS

Novo patrocinador da Ferrari depois do julgamento de ontem. Enviada pelo Ricardo Divila.

Tags: , | 67 comentários

100

SÃO PAULO (ficou nisso) – Os 100 mil dinheiros que a Ferrari pagou de multa por dizer claro e bom som “Felipe, Fernando is faster than you” em Hockehneim foram a única punição ao time pelas ordens dadas na Alemanha. O Conselho Mundial acaba de livrar a cara dos italianos, assumindo que as regras são inúteis, e deverão ser mudadas.

Bem, antes de mais nada, informo ao dileto público que acho essas ordens ridículas, na maioria das vezes. Mas aceitáveis, em outras. Ridículas como foram na Áustria em 2002 e mesmo nesse GP alemão um mês e meio atrás. Aceitáveis quando se trata de uma decisão de título, na reta final de uma temporada, como tantas vezes se viu e em outras tantas ninguém percebeu.

Uma regra que tenta disciplinar algo que às vezes é ridículo e outras é aceitável acaba não tendo efeito algum. É hipócrita e fantasiosa. Se a Ferrari manda Massa parar o carro na última prova do ano para Alonso ser campeão, todos, inclusive os adversários, dirão que faz sentido. É um caso da categoria “aceitável”. Fazer o que fez em 2002, no começo do Mundial, foi ridículo. Pedir para Felipe abrir mão de uma vitória na metade do campeonato, no dia em que fazia um ano de seu acidente, também.

As equipes, para driblar a regra boba, criaram códigos. Todo mundo sabe disso. A questão é simples. Falei disso naquela semana de Hockenheim. Não mudo uma linha. Cada equipe faz com seus pilotos o que bem entender, desde que não mande ninguém bater em adversários, ou jogar o carro no muro. O que acontece entre eles é problema deles. E cada equipe, claro, que aguente as consequências: a antipatia do público, o nariz torto dos rivais, uma eventual execração pública, a irritação de patrocinadores.

E os pilotos? Idem. Se aceitarem as regras impostas por seus patrões, que assumam as consequências. Sempre se pode dizer “não”, como está fazendo Webber, que peitou a Red Bull. E nem por isso foi demitido. Sempre se pode dizer “sim”, como fez Raikkonen na China com Massa em 2008, e nunca se queixou pelos cantos por causa disso. Ou mesmo Schumacher na Malásia em 1999, para ajudar Irvine. O que não dá é para obedecer e, depois, ficar de biquinho, fazendo tromba. Como Massa em Hockenheim e Barrichello na Áustria — esta, uma tromba secular, que perdura até hoje. E tem outra: a alguns pilotos, equipe nenhuma tem coragem de pedir para tirar o pé. Há aqueles mais, digamos, flexíveis. E outros que mandariam o chefe à merda pelo rádio, via Embratel, para resolver depois o que fazer.

No mais, fica para o torcedor a missão de julgar. E para os dirigentes das equipes missão de definir condutas. Há aqueles, como Frank Williams e Ron Dennis, que em geral liberam seus pupilos e já perderam campeonatos por causa disso. Mas têm uma imagem de bons desportistas. Há aqueles, como Jean Todt e seus discípulos, que cagam para os pilotos e para o público, e têm uma imagem de maus desportistas. E há aqueles como os da Red Bull, que não sabem direito o que fazer e não têm imagem alguma. Mas uma hora é bem possível que tenham de escolher uma.

Que se mude de uma vez por todas essa regra boba. Ética, lisura, princípios, honestidade, como também já escrevi em algum lugar, não se exige por escrito. Ou tem, ou não tem.

Tags: , , , , | 178 comentários

20

SÃO PAULO (e deu em nada) – A FIA acaba de livrar a cara da Ferrari, e sobre isso falo no próximo post. Este é sobre o calendário de 2011, que saiu hoje. Serão 20 corridas, recorde histórico e número mágico para Bernie Ecclestone, com a novidade da Índia no calendário. O Brasil fecha a temporada no dia 27 de novembro. Bahrein abre, em 13 de março. Em 2012, é capaz de alguém dançar para a entrada dos EUA.

Algumas considerações.

Quando cobri minha primeira temporada de F-1, em 1988, o Mundial tinha 16 corridas. Começou, naquele ano, em 3 de abril e Jacarepaguá e terminou 7 meses e 10 dias depois na Austrália, em 13 de novembro.

A distribuição geopolítica do calendário era assim:

- Américas: 4 corridas (25%)
- Europa: 10 corridas (62,5%)
- Ásia/Oceania: 2 corridas (12,5%)

No ano que vem, com 20 etapas, serão 8 meses e 14 dias da primeira à última, e essa distribuição ficou assim:

- Américas: 2 corridas (10%)
- Europa: 8 corridas (40%)
- Ásia/Oceania: 10 corridas (50%)

Nitidamente, Europa e Américas perderam terreno para rincões distantes da origem da F-1 — as economias emergentes e hedonistas de alguns países, e o bolso cheio de alguns governantes de nações pobres, na essência, mas dispostas a torrar milhões e milhões para ter um GP.

O mundo é assim, não há muito o que fazer. Mas continuo exercendo meu direito de morrer de saudades de provas em Portugal, na França, em Imola, México, Holanda, Suécia, Áustria, Argentina…

Tags: , , | 43 comentários

12

SÃO PAULO (besteira) – A FIA concluiu que nenhum dos postulantes à 13ª vaga da F-1 para 2011 atende às exigências da entidade. Assim, o Mundial do ano que vem segue com 12 times. Epsilon Euskadi, Stefan GP e Villeneuve-Durango ficaram chupando o dedo.

Pois é. Quem atende às exigências são a Hispania, a Virgin, a Lotus…

Frescura da FIA. A EE basca poderia muito bem disputar o campeonato.

Tags: | 28 comentários

E AMANHÃ?

SÃO PAULO (sei lá) – Amanhã o Conselho Mundial da FIA vai analisar o caso das ordens de equipe da Ferrari em Hockenheim. O time já foi multado em 100 mil dinheiros por suspeita de ter mandado Massa dar passagem a Alonso. Há quem acredite que vai ficar nisso, porque o presidente da FIA, Jean Todt, é um entusiasta da hierarquia, aquele que acha que quem manda é o time e não encham o saco. Há quem acredite que justamente para mostrar a independência do Conselho os nobres votantes poderão ferrar a Ferrari, talvez até tirando os pontos do time naquela prova.

E há quem, como eu, não tem a menor ideia do que vai acontecer.

Tags: , , | 38 comentários

NADA DE NOVO

SÃO PAULO (apostas?) – Está no site oficial da Fórmula 1 o compacto, sempre com imagens excepcionais, da corrida da Alemanha. A maioria dos sites, inclusive o Grande Prêmio, está tratando o assunto como “revelador”. É que alguns novos trechos de conversas de rádio foram incluídos, e tem uma frase do Rob Smedley avisando Massa que Alonso estava mais rápido, e por isso deveria manter o ritmo. Logo depois Alonso reclama, diz que está muito mais rápido, e em seguida vem aquilo que já ouvimos, a frase pausada, ”Fernando está mais rápido que você, confirme que entendeu a mensagem”, a ultrapassagem, e no fim Felipe lamenta ao rádio: “O que posso dizer? Parabéns ao time”, frase que disse na coletiva, também.

Portanto, para mim, nada de novo. E nenhuma revelação. Alguém acha que o Conselho Mundial só vai saber dessa comunicação de rádio vendo o vídeo no site da F-1? Claro que, a essa altura, no processo, todos os diálogos relevantes já foram transcritos e estão nas mãos dos que vão julgar a Ferrari. Se algo nesse vídeo é novo, o é para o público em geral, nunca para os homens da FIA.

Portanto, a “revelação” não vai alterar em nada o veredito do Conselho Mundial. Que, aliás, se reúne no dia 8 de setembro, e não mais no dia 10.

O normal seria não haver nenhuma punição extra. Mas nunca se sabe. Pode ser que para mostrar que não favorece a Ferrari, a quem é intimamente ligado, Jean Todt acabe patrocinando uma ferroada em Maranello.

A ver.

Tags: , , , | 44 comentários