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MÍSSIL

Acidente entre uma Ferrari e um táxi em Cingapura. As imagens são fortes. Não costumo colocar essas coisas aqui, mas mostra o que é uma porrada em altíssima velocidade. Para entender por que acho que carros desse tipo não podem ficar na mão de qualquer um.

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HISPÂNICAS (6)

SÃO PAULO (City campeão, Wiliams vence, Inglaterra dos milagres) – Massa, a exemplo de Bruno, teve no desempenho do companheiro em Barcelona um soco no estômago.

Alonso, segundo colocado, está na briga pelo título. Alguém duvida? Eu duvidava. Afinal, o carro é ruim. Ou, ao menos, foi bem ruinzinho nas quatro primeiras corridas do ano. Eles mesmos, os pilotos, diziam isso. Com todas as letras.

Agora, parece que não é tanto. Fernandinho lutou pela vitória no pau a pau, afinal de contas. Na classificação, foi o terceiro (largou em segundo porque Hamilton foi punido). Aos trancos, vai se virando. Se fosse tão ruim assim, não estaria ele na liderança do campeonato depois de um quarto do Mundial, cinco das 20 etapas.

O carro melhorou depois de Mugello. E se os outros são mais rápidos, não são tão mais rápidos assim. E nem sempre conseguem andar na frente de Alonso. Cometem erros, se atrapalham num pit stop, perdem posições no grid, está todo mundo fazendo merda a granel neste ano. Mercedes, Red Bull, Williams, McLaren, Lotus e Sauber, em algum momento desta temporada, foram bem melhores que a Ferrari. Mas, em outros, andaram atrás. Nunca todos andaram na frente do carrinho vermelho do asturiano ao mesmo tempo.  E assim ele vai somando seus pontinhos. O fato é que este campeonato é um eletrocardiograma.

Talvez estejamos julgando a Ferrari equivocadamente, pelo desempenho de Massa. Que vem sendo muito ruim, cada vez pior. Hoje, de novo, só chegou na frente dos nanicos entre os que terminaram: Kovalainen, Petrov, Glock e De la Rosa. Aí não dá. OK, foi punido com um drive-through como Vettel, por não ter tirado o pé numa bandeira amarela. Mas Vettel terminou em sexto.

O que acontece com Massa, ninguém sabe. O que vai acontecer, infelizmente para ele, é evidente.

A questão agora é apenas saber quando.

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GILLES (2)

SÃO PAULO (tô com fome) – Neste dia de homenagens a Gilles Villeneuve, é obrigatório, inevitável, pingar o vídeo do GP da França de 1979, em Dijon-Prenois. As últimas três voltas daquela corrida foram eletrizantes, o duelo roda a roda com Arnoux pelo segundo lugar — a vitória foi de Jabouille, a primeira de um motor turbo na F-1. Há milhares de versões no YouTube, mas gosto particularmente dessa, com o Murray Walker.

Daqui a pouco, mais de Gilles.

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CARS & GIRLS

Papai Bernie deu uma Ferrari 599 para filhota Tamara. Não consta que ela foi pega sem placa em alguma blitz. No link tem mais fotos. Ótimas, diga-se.

 

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GILLES (1)

SÃO PAULO (adelante) – Hoje, todo mundo já sabe, faz 30 anos da morte de Gilles Villeneuve, num treino em Zolder. Vamos falar dele em tópicos, e começamos com a bela homenagem que a Ferrari fez hoje em Fiorano, dando o carro de 1979 a Jacques, o filho, para umas voltas. Com esse carro, a 312 T4, Gilles ganhou três corridas e Jody Scheckter conquistou o título daquela temporada.

Não consegui “incorporar” o vídeo, então vejam por aqui.

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INFERNO ASTRAL

Trecho da coluna Warm Up de hoje:

Quando tudo está ruim, só dá para melhorar, é o que sempre digo. Bem, não me lembro se já disse isso, mas é uma boa hora para dizer. Felipe não tem mais nada a perder na Ferrari. Se continuar do jeito que está, o destino será a não renovação do contrato. Se mudar, será o mesmo. A decisão de trocá-lo por Pérez está tomada e, diga-se, faz todo o sentido.

Massa completa neste ano sua sétima temporada pela equipe de Maranello, à qual está vinculado desde meados de 2001, quando foi indicado a Jean Todt por Ricardo Tedeschi, ex-empresário de Barrichello. Contando, pois, a pré-titularidade (Sauber em 2002, piloto de testes da própria Ferrari em 2003, Sauber de novo em 2004 e 2005), são 11 anos no mesmo lugar. Passando por todas as situações possíveis, boas e ruins, céu e inferno, essas coisas. Mas o desgaste já é evidente. Uma hora cansa, mesmo quando tudo vai bem. Pep Guardiola que o diga. E muitas vezes é esse cansaço que piora as coisas. Pérez é talentoso, começou agora, tem patrocínios fortes, a fila anda.

Gostei desse negócio de “para continuar lendo”… Para continuar lendo, clique aqui. E depois volte para comentar, canalha!

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SEM CHECO

SÃO PAULO (bom para o Felipe) – A Ferrari confirmou que Alonso testa dois dias e Massa, um em Mugello. Nada de Pérez, como especulou a “Autosprint”. A “Autosprint”, aliás, tem batido sem dó no brasileiro.

Os testes estão marcados para o período de 1° a 3 de maio.

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FÁCIL NÃO É

SÃO PAULO (manda currículo) – As declarações de Domenicali ao “El Mundo” da Espanha são muito fortes e claras. O chefe da Ferrari diz que Massa não deve tentar desafiar Alonso, mas sim aprender com ele. Coloca, com sinceridade, as coisas em seus devidos lugares. Fernandinho é o dono do time, o novo Schumacher. O outro piloto será sempre o outro piloto.

Não vejo sacanagem nenhuma aí. Não significa que vão mandá-lo para a pista com três rodas ou pedir para comer na cozinha do motorhome quando o espanhol estiver almoçando. A Ferrari tem essa política há bastante tempo, desde que contratou Michael, em 1996, fazendo sua aposta para sair da fila. É uma opção, tem de ser respeitada. Há quem não goste — eu, por exemplo, prefiro o estilo McLaren, de ter dois pilotos fortes, do mesmo nível; mas nem sempre é possível.

Primeiro e segundo piloto é algo que quase todo mundo tem. Claro que nas equipes grandes essas coisas saltam mais aos olhos, e quando há um brasileiro envolvido, mais ainda por estes lados do planeta. Afinal, desde que Barrichello foi para Maranello, em 2000, é uma situação com a qual a pachecada convive, estimulada pelas bobagens da Globo. Ontem, li aqui (não ouvi) que a emissora oficial clamava por uma ordem de equipe quando Felipe estava atrás de Alonso com pneus macios. Foi isso mesmo?

Se foi, não há tolice maior. Transformar algo tão irrelevante em assunto numa transmissão de corrida apenas alimenta a desinformação e estimula os incautos a acharem que na F-1 todo mundo é contra o Brasil, que os pilotos brasileiros são coitadinhos, que só não são campeões todos os anos porque alguém não deixa.

Nada mais falso. Massa é segundo piloto da Ferrari porque Alonso é melhor. Em 2008, Felipe fez um ano melhor que Raikkonen e teve sua chance de ser o primeiro. Fez um campeonato exuberante e só perdeu o título por detalhes, numa decisão que, desconfio, jamais veremos de novo. Rubens sempre foi segundo de Schumacher porque Schumacher era melhor. Mas na Jordan e na Stewart, quase sempre foi ele, Barrichello, o primeiro. Senna era primeiro piloto da McLaren quando corria com Berger.  Com Prost, vivia-se uma situação parecida com a de hoje, com Hamilton e Button. Piquet teve de peitar todo mundo na Williams para não sucumbir à preferência por Mansell. Encheu o saco e saiu, depois de conquistar o título de 1987. Na Red Bull, alguém duvida que Vettel é o primeiro e Webber o segundo? E na Lotus? Será que alguém acredita que Grosjean não compreendeu seu papel neste ano, com a chegada de Raikkonen?

Domenicali foi sincero, embora esse tipo de coisa nem precise ser dita. Massa tem mais é de se concentrar em seu próprio trabalho, esquecer Alonso (e nem acho que se preocupa tanto; muitas vezes é parte da mídia brasileira que dá corda a essas coisas, à revelia do piloto) e mostrar à F-1, e não à Ferrari, que tem lugar no grid em 2013.

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A HORA DE CHECO

SÃO PAULO (é bom se preparar) – Diz a “Autosprint” que Sergio Pérez será escalado pela Ferrari para os testes de Mugello, no começo de maio — a sessão pré-temporada europeia acertada entre a FIA e as equipes. Alonso será escalado para os dois primeiros dias e, no terceiro, o mexicano divide o carro com Felipe Massa, ainda de acordo com a revista italiana.

Checo está em alta. No vído acima, que ele mesmo postou no Twitter, uma matéria feita pela TV alemã lembrando os tempos em que ele morava num restaurante no país, no comecinho da carreira.

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GILLES & JACQUES

SÃO PAULO (nos trilhos) – Legal a homenagem que a Ferrari vai fazer a Gilles Villeneuve no dia 8 de maio, quando do 30° aniversário de sua morte. O filho Jacques vai andar com o carro de 1979, campeão com Jody Scheckter, em Fiorano.

Merecidíssima, a lembrança.

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VOLTARIA?

SÃO PAULO (sigamos) – Barrichello ao “Linha de Chegada”:  “Queria que o fã entendesse que não tenho nenhuma mágoa. Se me chamassem hoje para ir guiar, eu iria. Foi a melhor equipe em termos de respaldo, criatividade, foi tudo do melhor”. Está falando da Ferrari.

Respaldo? Uai, não tinha aquela história de…

Ah, deixa pra lá.

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TCHUTCHUCOS

SÃO PAULO (pra quebrar o gelo…) - A Ferrari começou o dia fazendo gracinha com seus pilotos no Twitter. Aquela coisa de mostrar que o clima na firma tá legal, sabem como é? “Ciao @alo_oficial and @Felipe1Massa, who of you has left the car in the wrong parking? pic.twitter.com/sZAruUVu”, postou o @InsideFerrari agora de manhã. Bom, a foto é engraçadinha. E se é verdade que todos no time sabem que a liderança de Alonso no Mundial é casual e momentânea, é igualmente verdade que ela faz bem.

Ah, o Massa entrou no Twitter ontem. Essa aí em cima é sua conta oficial. E Alonso estreou outro dia e tem se divertido à beça.

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AINDA RUBENS

SÃO PAULO (falando nisso) – Incrível a enquete do site italiano “Auto”, que pergunta: se você fosse Stefano Domenicali, a quem daria a Ferrari número 6?

Barrichello está goleando todo mundo.

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“INÚTIL”

SÃO PAULO (na frigideira) – A “Autosprint” já foi mais importante e influente, mas não se deve desprezar a revista quando ela começa a ficar histérica. O torcedor italiano é apaixonado e os dirigentes da Ferrari são muito sugestionáveis. Menos pelo veículo, mais pelos jornalistas que assinam seus libelos. E não há imprensa mais corneteira no mundo quando se trata de F-1.

Por isso, é relevante a capa desta semana, definido Felipe Massa como “inútil” para a equipe e já sugerindo nomes para substituí-lo. Não no ano que vem, mas “o quanto antes”. Sergio Pérez e, pasmem, Jarno Trulli são as, digamos, indicações da “Autosprint”.

É uma decisão difícil. O desempenho do brasileiro em Melbourne foi, de fato, muito ruim. Se é verdade que na classificação os dois pilotos patinaram, é igualmente verdade que Alonso foi muito mais rápido que o companheiro: 0s945 no Q1, 1s003 no Q2. É muita coisa, muito mais do que as médias de 2010 e 2011, a saber:

2010
- Placar das classificações: Alonso 15 x 4 Massa
- Posição média de largada: Alonso 5,8 x 7,7 Massa
- Diferença média de tempo em classificações: 0s316 pró-Alonso

2011
- Placar das classificações: Alonso 15 x 4 Massa
- Posição média de largada: Alonso 4,6 x 5,8 Massa
- Diferença média de tempo em classificações: 0s297 pró-Alonso

Claro que uma única corrida, como está de abertura do campeonato, é pouco para afirmar que os três décimos médios de 2010 e 2011 triplicaram. Média é média e só tivemos um GP até agora. Mas o que mais intrigou nesta prova foi a maneira como Felipe despencou, depois de uma boa largada. Pérez, que partiu em último, chegou em oitavo. Massa não terminaria nos pontos, embora tenha fechado a primeira volta em décimo. Aqui, vale lembrar que o mexicano também largou muito bem e era 12° na primeira volta, aproveitando-se das confusões que aconteceram com Bruno, Ricciardo, Hülkenberg et caterva. A partir daí, construiu sua corrida com uma estratégia de apenas uma parada, o que representa enorme vantagem em relação a quem, como Massa, foi para os boxes três vezes.

Felipe tinha problemas para aquecer pneus no último ano de Bridgestone e o mesmo aconteceu no ano passado, o primeiro da Pirelli. Em Melbourne, seu carro escorregava de um lado para o outro, o que é a pior coisa possível para a borracha. Ah, mas Alonso chegou em quinto. Verdade. E é aí que mora o problema. Massa será comparado sempre com Fernandito. Que é um piloto que lida melhor com as dificuldades. Apesar da classificação desastrosa, o espanhol, não nos esqueçamos, foi o primeiro depois dos quatro carros das duas equipes favoritas. É um resultado e tanto. Muito mais devido às suas qualidades que às do carro, que inexistem.

A melhor volta de Alonso na corrida, 1min30s277 na 52ª, foi a sétima melhor da corrida, 1s090 pior que a de Button, 1min29s187 — a melhor de todas. Felipe fez apenas a 15ª melhor, 1min31s940 (na 46ª), 1s663 mais lento que o parceiro. À frente, apenas, das duplas da Caterham e da Marussia e de Schumacher, que abandonou depois de quatro voltas, com o tanque cheio.

A temporada, em resumo, começou muito mal para Felipe. Trocá-lo por deficiência técnica é algo que, acredito, a Ferrari não faria se tivesse de pensar racionalmente. Racionalmente. Porque quando a imprensa italiana começa a apitar, as decisões em Maranello nem sempre são as mais racionais.

ATUALIZANDO…

A Ferrari informou que vai trocar o chassi de Massa na Malásia. Para tirar algumas dúvidas sobre o comportamento do carro na Austrália. E saiu em defesa do brasileiro em comunicado oficial.

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ATÉ A WILLIAMS…

SÃO PAULO (semana decisiva) – Não bastasse o vexame do fim de semana inteiro, especialmente no sábado, a Ferrari ainda tem de aguentar o escárnio, agora. E não dos rivais diretos — ou ex-rivais, porque Red Bull e McLaren estão bem na frente, Mercedes e Lotus idem. Quem andou tirando uma dos vermelhos de Maranello foi Pastor Maldonado, da Williams. “Nosso carro é mais rápido que a Ferrari”, disse o bolivariano.

E é mesmo. Ontem, Pastor deu uma canseira em Alonso nas voltas finais que só não resultou em uma ultrapassagem porque quem estava à frente era alguém como El Fodón de las Astúrias. O próprio Alonso disse que foi um alívio quando viu Maldonado bater. “Foi uma pena para ele, mas pelo menos deu para respirar.”

É derrota demais, não?

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ONE COMMENT

Sou mais o meu.

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DOWN UNDER (5)

SÃO PAULO (até que enfim) – Toca o telefone. Gola. Ué, não liga mais a cobrar? Não precisa, agora tenho linha direta, criptografada. Puxa, que chique. Não trabalha mais na cozinha fazendo molho de tomate? Minha posição é muito alta, se quiser informação, pare com essas brincadeirinhas sem graça. Eu estava só aproveitando a ligação, você que tá pagando, mas vá em frente. Diga, como foi o treino? Aqui era tarde e eu dormi. Fomos bem, já resolvemos tudo. Bem? Eu escutei no rádio que não foram nem para aquela parte final dos dez primeiros, o que aconteceu? Quebrou? Não, não quebrou nada. Mas já está tudo sob controle, o importante é que o presidente está satisfeito. Satisfeito? Como, satisfeito? Vocês estão largando no pelotão da merda e o presidente está satisfeito? Conta outra, Gola, essas suas informações ultimamente não têm servido pra nada, na boa. Não quebrou o pau na reunião, o Alonso não xingou todo mundo, o Felipe não ligou pro Todt, não aconteceu nada? Não, a gente nem fez reunião, dispensou todo mundo, só ficamos eu, o Domenicali e o Fry na sala. Aí alinhamos nosso discurso e ligamos para o presidente. Ele estava dormindo, ainda, e foi tranquilo. E o que vocês disseram pra ele? Vou te mandar a gravação por e-mail, está no pendrive do meu laptop e envio por wi-fi. Porra, Gola, você tá chique, wi-fi, pendrive, laptop. Diz aí o que vocês contaram pro presidente, não precisa mandar nada, não. Já mandei, foi via iPhone pelo aplicativo uáts-ap. Que merda é essa? Não posso responder agora, tá chegando o Briatore, a gente fala depois.

E de fato, alguns segundos depois apareceu um arquivo estranho no meu telefone, que consegui abrir e reproduzo abaixo, em italiano mal-escrito e mal-falado, com a gravação do telefonema que, aparentemente, manteve as coisas calmas na Ferrari pelo menos até a hora da largada.

- Presidente, ciao, sono io, scusa si disturbo.
- Io chi, sono dormendo, vafanculo.
- Io, signore presidente, Stefi.
- Stefi? Vafanculo, Stefi è nome di finocchio, è engano, chiama più tarde.
- Stefano, presidente, Domenicali. Chiamo di Melbourne.
- Ah, Domenicali, il ragazzo della Fórmula Uno, si, claro, come stai, come andiamo negli testi, Barcelona, non è?
- No, presidente, Melbourne, gli testi hanno finiti, siamo a Melbourne.
- Ah, Melbourne, Austrália, certo. Auguri a Ross. Come è andato Schumacher? E Barrichello, ha choratto molto?
- Presidente, è giá 2012, nostri piloti sono Alonso e Massa.
- Alonso, claro, Massa, claro, giá saiu de l’hospedale, come está la testa?
- Presidente, questo foi tre anni fa, Felipe está benne.
- Chi é Felipe?
- Massa, presidente.
- Si, si, claro, mas dimmi, Melbourne, il Gran Prêmio di Austrália, justo. Chi ha vinto?
- È domani, presidente, oggi abbiamo la qualifica.
- La qualifica, certo, come foi Schumacher?
- Schumacher adesso è della Mercedes, presidente.
- Mercedes, certo, scusa. Ma dimmi, cosa mi conta? Conta tutto. Nostri piloti, come sono stati?
- Alonso terzo, Felipe quinto, presidente.
- Benne, benne. E na frente, chi?
- Ricciardo e Vergne, presidente. Tutti i due con la macchina dove è scritto Red Bull.
- Benne, benne. Possiamo vincere, poi.
- Si, presidente.
- E davanti a Massa e doppo Alonso?
- Kobayashi, presidente.
- Cos’è Kobayashi? Uno pasteleiro, uno técnico di eletronnichi que conserta videocassete, uno sushiman?
- No, presidente, Kobayashi guida per la Sauber.
- Sauber?
- Si, presidente. Sauber, motori Ferrari. Come l’altra squadra della Red Bull, la Toro Rosso, motori Ferrari. Siamo sei macchine, presidente, due della Toro Rosso, due della Sauber, due Rosse di Alonso e Massa.
- E abbiamo fatto terzo e quinto?
- Si, tra gli motori Ferrari.
- Benne. Benne. E gli altri?
- Gli altri chi?
- Gli altri squadre, Tyrrell, Brabham, quella Jordan, Toyota, Minardi, Lotus…
- La Lotus è andatta benne, presidente. Ma non bisogna preocuparsi. Loro sono de uma lega diferente, noi siamo la vera Fórmula Uno, presidente.
- È vero. Benne, terzo e quinto, vediamo nella gara, sarà bello vedere la Rossa nella seconda fila della partenza, Alonso terzo, è bravo questo Alonso.
- Presidente…
- Dimmi, Stefi, sono con sono, voglio dormire.
- Niente, presidente. Buongiorno, presidente.

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DOWN UNDER (2)

SÃO PAULO (tudo torto) – Foi no fim do primeiro dia da primeira bateria de testes de pré-temporada que todos se entreolharam no escritório da equipe, e aí as versões variam, e alguém disse: fodeu. As versões variam porque é claro que nem todos disseram a mesma palavra, talvez só um, mas o sentido era esse mesmo.

Um carro de Fórmula 1 só se conhece de verdade na pista, por mais sofisticados que sejam os atuais simuladores — esses que parecem videogame, ao menos os que alguns programas de TV mostram como se fossem o auge da tecnologia, a mim parecem apenas isso, videogames; há simuladores melhores e mais precisos, que a TV não mostra nunca.

Ainda mais hoje em dia, nesta era dos testes limitados e tal. Quando eles eram liberados, fazia-se a mesmíssima coisa. Um cabra tinha umas ideias, colocava no papel e no computador, os softwares avaliavam se aquilo poderia dar certo, um modelo em escala era produzido e colocado no túnel de vento, e milhões de dados coletados depois, o carro ia para a pista e andava muito antes de começar o campeonato. Não era raro dar tudo ao contrário, e aí entrava a sensibilidade do piloto, a criatividade dos engenheiros, o conhecimento técnico para a busca de soluções. Nenhuma equipe grande chegava ao primeiro treino livre oficial de uma temporada sem ter mexido no carro loucamente.

A Ferrari, nos tempos de Schumacher, testava mais do que ninguém. Tinha um circuito no quintal. O alemão trabalhava de sol a sol e tudo que tinha de ser corrigido antes de começar o campeonato era. Agora, se o bicho sai errado, não há tempo para encontrar o novo rumo. É o caso. E piloto, depois de duas ou três voltas num carro, sabe dizer se ele é bom ou não. No caso da F2012, o diagnóstico em Jerez foi: fodeu.

Bem, o primeiro treino no seco em condições normais com todo mundo na pista aconteceu agora há pouco e a Ferrari ficou em 16° e 18°. A esta altura, em Melbourne, o pior dos cenários para o time maranéllico é não passar nem do Q1. Quase impossível, considerando que quatro carros serão eliminados só por terem nascido, os marússios e os hispânicos. Mas olha… Dá para apostar que Alonso e Massa passam ao Q2, afinal não é possível que o carro seja tão ruim, mas eu não jogaria um dólar australiano na passagem para o Q3. Olhando de fora, a delicadeza da F2012 na pista lembrou muito o Meianov, todo quadrado, apanhando para fazer curva, instável, irascível, um cavalo xucro.

Para quem torce pela Ferrari, vai ser um ano de amargar. Para quem gosta de ver o circo pegar fogo, vai ser uma delícia. Ah, e quem me contou da tal primeira reunião no fim do primeiro treino foi alguém que vocês conhecem, e que neste ano ocupa uma posição de destaque no time.

Não posso revelar seu nome, aqui ele é apenas o Gola Profonda.

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BRIGA OU NÃO BRIGA?

SÃO PAULO (boas risadas) – O mais divertido de 2012 vai ser acompanhar a Ferrari. Já está engraçado antes de começar o campeonato. Primeiro, Pat Fry diz que pódio nas primeiras corridas do ano, nem pensar. Alonso e Massa fazem muxoxos quando chamados a falar sobre as qualidades da F2012. Agora, Domenicali fala que o time vai lutar pelo título, ainda que o início da temporada possa não ser alvissareiro.

A verdade verdadeira, só em Melbourne e eu diria que só no sábado. A sexta (quinta à noite para nós, com treinos a partir das 22h30) ainda será de estudos e a pista de Albert Park é “verde” demais no primeiro dia.

 

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BLEFE?

SÃO PAULO (e as coisas vão andando…) – Tem gente, como Button, que acha que a Ferrari está fazendo jogo de cena com essa história de que o carro é ruim, difícil, indócil, antipático e tal. Até agora não apareceu, de fato, nenhuma declaração de alguém de Maranello otimista com a F2012.

Vamos ver na Austrália, claro. Mas tendo a acreditar que as coisas não estão mesmo muito bem. Como disse outro dia, Alonso e Massa são sinceros. Quinta-feira Felipe vai dar uma coletiva aqui em São Paulo, à guisa de anunciar o patrocínio dos energéticos TNT para a equipe. Claro que será bombardeado com perguntas sobre o carro. Vamos ver como vai se safar.

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