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Perfil
Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo na FAAP. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. Desde 2005 é comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março deste ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2007 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de "Meianov".
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Campeão do mundo é assim. Button, a partir de hoje, passa a ser o único piloto que será defendido neste blog faça o que fizer.
Tags: Button
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JENSON & CHECO
SÃO PAULO (conversem, rapazes) – Se tem um cara que a gente nunca imagina que vai ser inimigo do companheiro de equipe, é Button. Em 13, quase 14 anos de F-1, não lembro de nenhuma treta envolvendo o inglês com parceiro algum. Nem com adversários de outros times. Ele era meio despirocado no começo da carreira, mas logo caiu na real. E construiu uma imagem de piloto leal, correto e boa praça. Incapaz de esmagar uma formiga ou de falar mal de qualquer um.
Ontem, porém, soltou os cães sobre Pérez — especialmente nas entrevistas imediatamente após a corrida.
“Houve muita disputa limpa nessa corrida, o que é legal. Exceto com meu companheiro de equipe. Tive muitos companheiros ao longo dos anos, alguns bem agressivos, como Lewis. Mas não estou acostumado a pilotar numa reta tendo meu companheiro ao meu lado batendo rodas a 300 km/h. Esse não é o meu jeito de dirigir. Talvez seja a maneira que a gente vai correr agora, mas não é o jeito que eu quero. Ele me tocou por trás e de lado no meio da reta. Isso é perigoso, não gosto dessas coisas. Tive muitas brigas na F-1, mas nenhuma suja como essa.”
“Suja” foi a palavra mais forte que Jenson usou. Depois, disse que Pérez precisa “se acalmar”, caso contrário “alguma coisa perigosa vai acontecer logo”. “A gente faz essas coisas quando está correndo de kart, mas normalmente as pessoas crescem. E não é o caso de Checo.”
Uau. Chamou de moleque.
O mexicano tentou justificar o que fez. “Foram brigas agressivas com vários pilotos, lutei com eles como eles lutaram comigo. Concordo que fomos muito agressivos, mas ele também foi, e saí da pista algumas vezes. Temos de conversar. Foi um pouco arriscado demais o que Jenson e eu fizemos. Nos tocamos algumas vezes, mas quando você está lá dentro, tem a adrenalina toda e você está lutando. Espero que nas próximas corridas possamos ajudar um ao outro um pouco mais.”
Martin Whitmarsh conversou com Pérez. Disse a ele que bater na traseira do companheiro não leva ninguém para o céu. “Ele é jovem, vai aprender, e talvez tenha de se acalmar um pouco. Mas foi essa paixão, essa vontade, que fez com que ele passasse outros pilotos no fim da corrida. A gente não pode apagar essa chama.”
Uau. Chamou de fogoso.
Sam Michael, outro dirigente importante, falou que a McLaren, historicamente, libera seus pilotos para as disputas. “Somos uma equipe de corrida. Foi assim com Senna e Prost e com Button e Hamilton”, lembrou. “E sempre vai ser.”
Eu achei que Pérez exagerou. Não por disputar posições e brigar por elas. Mas por ser agressivo demais a ponto de, realmente, quase tirar Button da corrida. Isso, de fato, não se faz. Não se tira ninguém de corrida nenhuma, e quando se trata de um companheiro de equipe, o cuidado tem de ser maior ainda.
Passou do ponto. Deveria ter procurado Jenson e pedido desculpas. Mas, como já disse mais de uma vez, consta que o rapaz é meio da pá virada. Não sei se com essa personalidade que resvala na arrogância vai muito longe, não.
Tags: Bahrein, Button, McLaren, Pérez
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DEAR JENSON
SÃO PAULO (cama, agora) – Se tem alguém sofrendo neste começo de ano, é Jenson Button. Achava que teria um ano sossegado sem Hamilton, com um carro excelente, vencedor e…
Aí te entregam essa porcaria de carro. Me lembrei, depois de te ver se arrastando na Austrália e lutando feito um doido por um nono lugar, de uma distante tarde gelada no Estoril, quando o Senna fez seu primeiro teste na Williams. Fui para Portugal com grana do meu bolso, achando que seria importante testemunhar o início de uma era que prometia ser de hegemonia jamais vista.
Para ler a coluna Warm Up de hoje na íntegra, clique aqui.
Tags: Button
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MCLAREN MP4-28
SÃO PAULO (não diga) – Nos lançamentos de carros novos na Fórmula 1, além da frase “mudamos o assoalho, as asas e o perfil para otimizar a passagem do ar” (com as variáveis “o desenho dos defletores foi aprimorado para otimizar a passagem do ar”, “o bico é mais alto para otimizar a passagem do ar”, “o bico é mais baixo para otimizar a passagem do ar” e “os macacões agora são vermelhos para otimizar a passagem do ar”), fala-se sempre que “por fora ele se parece com o do ano passado, mas por baixo da carenagem é tudo novo”.
Foi isso que disseram hoje os homens da McLaren na apresentação do MP4-28 em Woking. Foi uma festança e tanto, porque o time está completando 50 anos de vida. E tinha piloto novo na parada, o metidinho Sergio Pérez. Fizeram até um desfile dentro do salão principal com alguns carros históricos, como o MP4-4 que ganhou 15 das 16 corridas de 1988, dando a Senna seu primeiro título mundial.
O novo modelo, como no ano passado, não tem degrau no bico, o que já o coloca como único representante da decência estética na categoria. Como o regulamento não mudou quase nada de 2012 para 2013, era natural que assim fosse. A McLaren terminou bem a última temporada e tudo indica que vai começar brigando na frente. De relevante, no aspecto técnico, houve uma mudança de conceito na suspensão dianteira, para otimizar a passagem do ar.
Algumas dúvidas para 2013. Button será o líder que a equipe precisa, sem Hamilton? E Pérez, como vai se comportar? Será um jovem humilde querendo aprender ou vai chegar atirando nachos na cabeça de quem não atender aos seus pedidos? Terminará o ano feliz por ter conseguido alguns pódios e uma ou outra vitória, ou vai tomar um porre de tequila se for engolido pelo gentil companheiro inglês?
Amanhã é a Ferrari que apresenta seu carro em Maranello. Estou sabendo que mudaram muita coisa em relação ao modelo do ano passado, especialmente nos componentes que permitem otimizar a passagem do ar.
Tags: Button, McLaren, MP4-28, Pérez
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#CHATIADO
SÃO PAULO (despirocou) – Hamilton está saindo de giro. Vejam só as suas últimas postagens no Twitter:
Logo depois ele meio que se retrata, dizendo que descobriu que Button nunca o seguiu porque usa pouco o Twitter:
@LewisHamilton: My bad, just found out Jenson never followed me. Don’t blame him! Need to be on Twitter more!
O cara endoidou. Primeiro que ser seguido ou seguir alguém no Twitter, dar “unfollow” ou “block”, não quer dizer nada, e quem leva isso a sério precisa ser internado numa clínica de desintoxicação de redes sociais. O problema é que quando o sujeito leva essas merdas a sério, acaba soltando frases relevadoras como “(…) depois de três anos como companheiros de equipe, achei que nós nos respeitávamos, mas ele, claramente, não”.
Quem escreve isso para 1,1 milhão de “seguidores”, quer que todos saibam que rusgas há. E é difícil consertar o estrago. Button vai ficar #chatiado.
Tags: Button, Hamilton, Twitter
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AZEDOU
SÃO PAULO (também…) – A publicação de uma imagem da telemetria da McLaren no Twitter, cortesia de Lewis Hamilton, continua dando o que falar. Button, um gentleman, chamado a comentar a atitude do companheiro, se disse “decepcionado”. A relação entre os dois começa a estremecer. É bom que conversem. Mas, acima de tudo, azedou mesmo a relação de Lewis com o time. O que ele fez, realmente, não se faz. Até porque desmerece a pole do parceiro em Spa.
Tags: Button, Hamilton, McLaren
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SPANTOSAS (3)
SÃO PAULO (mas vai ser duro…) – Torcemos por Kobayashi, óbvio, mas não creio que nosso samurai vai vencer a corrida. Há dois favoritos claros à vitória amanhã. Um é Button. O outro, Raikkonen.
Jenson fez sua primeira pole pela McLaren. Justo na 50ª corrida pela equipe. O bonitão não está entre os grandes “polemen” de todos os tempos. Longe disso. Foi apenas sua oitava pole. Por serem poucas, não custa lembrar das demais: San Marino/2004 e Canadá/2005 pela BAR, Austrália/2006 pela Honda e quatro com a Brawn em 2009 (Austrália, Malásia, Espanha e Mônaco), naquele primeiro semestre em que trucidou a concorrência. Portanto, mais de três anos sem saber o que é largar sem ninguém na frente.
A McLaren saiu de férias em primeiro e retoma as atividades de novo na frente. Hoje, essa pole teve a ver com a nova asa traseira com canaletas que Button teve e Hamilton, não. A asa nova tem aqueles dutos aerodinâmicos que a Mercedes usa desde o início do ano. Testada no terceiro treino livre, não agradou Lewis, que decidiu usar o modelo antigo. Pelo Twitter, o vencedor do GP da Hungria lamentou a escolha. “Foi um erro. Jenson, com a velocidade que tem, vai ganhar a corrida”, previu.
É o que acho também, mas tem Raikkonen na parada. Kimi correu sete vezes em Spa. Chegou ao fim da prova quatro vezes. E venceu as quatro. Portanto, ou seja, obviamente, como diria Luciano Burti, quando termina, vence. Foi assim em 2004 e 2005 com a McLaren e em 2007 e 2009 com a Ferrari.
Raikkonen foi o quarto colocado na classificação, mas vai largar em terceiro. Isso porque a FIA, mais uma vez, lascou o cartão vermelho no pobre do Maldonado. Ele largaria em terceiro, mas perdeu três posições no grid por ter atrapalhado Hülkenberg no Q1. Não houve prejuízo algum ao alemão, que passou para o Q2. Mesmo assim, carcaram fumo no infeliz venezuelano, que seria candidato ao pódio se fizesse uma corrida simples e eficiente como em Barcelona, onde venceu. Sacanagem ideológica, tenho certeza! Eliseo Salazar é um dos comissários esportivos neste fim de semana. Chileno, meio reaça. Ferraram o Pastor, em resumo. E como ele é meio perturbado, a chance de fazer alguma atrocidade na primeira volta é grande.
Falemos do treino, realizado com sol entre nuvens e 16 graus, um calor danado para os padrões spa-francorchampianos. Maldonado foi o mais rápido na primeira parte da classificação. Antes, pela manhã, a turma andou com pista seca pela primeira vez e Alonso foi o melhor. Caíram os de sempre, os seis das nanicas, mais Rosberguinho, que vive um fim de semana daqueles. Seu câmbio teve de ser trocado e ele ainda perdeu cinco posições no grid. Parte em penúltimo.
No Q2, Button foi o primeiro a entrar na casa de 1min47s. Nem precisou suar. Estava desenhado seu favoritismo. Massa e Bruno Senna empacaram aí. O ferrarista sai em 14°. Explicações à moça da Globo: carro difícil no segundo setor, sai de frente, sai de traseira, não tem bom balanço, a lua não é azul, Ganso vai pro São Paulo mesmo? O primeiro-sobrinho fez uma burrada: abriu a asa-móvel numa curva e perdeu o carro, que passou por cima da zebra atravessado e, segundo ele, ficou danificado. À moça da Globo: “Fiz a curva com o DRS aberto, enfim, paguei o preço, enfim. Danifiquei o carro na zebra, enfim, não foi muito agradável, enfim.” Larga em 17°, enfim.
Schumacher, que faz 300 GPs amanhã, também ficou no Q2 e pediu desculpas à equipe pelo rádio. É o 13°. Sem grandes surpresas, pois, na segunda parte da classificação, exceção feita a Vettel, que não se encontrou ainda em Spa e tem tido uma temporada que se parece com um eletrocardiograma, irregular demais. Webber passou, foi o sétimo, mas também trocou o câmbio e larga em 12°.
No Q3, em Spa, a praxe é dar uma volta rápida só, e a maioria fez isso. Button e Raikkonen fizeram duas tentativas. O inglês cravou 1min47s686 na primeira e 1min47s47s573 na segunda. Kimi foi bem na primeira e mal na segunda. A pole estava garantida. Alonso, que larga em quinto, tinha razão ao dizer que seu carro está longe de ser o mais rápido do lote. Para sua sorte, os dois rubrotaurinos estão atrás no grid, o que lhe dá certa tranquilidade. O mesmo vale para Hamilton. Vai correr para chegar na frente deles e ampliar sua vantagem nos pontos. Raikkonen é o único à sua frente entre aqueles que sonham com o título. Button disse que está na briga, mas é só retórica. Está muito atrás na classificação.
Dizem que não chove amanhã. Veremos. Em Spa, nunca se sabe. Olho nos pneus. Os duros são entre 0s6 e 0s9 mais lentos que os médios, de acordo com a Pirelli. Ano passado, Vettel venceu com três paradas, mas os compostos escolhidos foram outros, macios e médios.
Estávamos com saudades de uma corridinha, não? Então vamos a ela.
DOWN UNDER (6)
SÃO PAULO (justo) – Jenson, o Bonitão, mereceu ganhar a bagaça. E começou a minar a frágil mente de Hamilton, que se abate muito facilmente. OK, terceiro para quem larga na pole é ruim, mas não é para ficar cabisbaixo como ficou. Lewis é fácil de destroçar psicologicamente. E Button vai fazer isso com elegância e sem precisar recorrer a artifícios como, por exemplo, esconder a balaclava do companheiro ou mandar torpedos para a doce Nicole.
Falando em Nicole, e aquela namorada do Maldonado, hein? Como chama a mocinha? O cachorrinho tem telefone?
Maldonado, Maldonado… Que pasó? Ainda não sei. Assim que souber, incluo aqui. Mas morri de pena do venezuelano, que seria condecorado com a Grande Ordem de Mérito Bolivariano da América do Sul e de Todas as Américas pelo comandante Chávez. E seria merecidíssimo. Agressivo, combativo, disposto, mandou Grosjean para a brita (normal, ao meu ver) e estava quase engolindo Alonso pelo quinto lugar na última volta quando seu carro pimba!, deu no muro depois de uma guinada estranha para a direita.
Guinar para a direita não pode. Tem de ver isso aí.
Mas voltemos ao Button. Grande vitória, terceira dele em terras australianas e 13ª na carreira. Ganhou na largada ao passar Hamilton e, depois, como costuma fazer, controlou a prova com calma e estilo, cuidando de seus pneus como se fossem dois gatinhos persas, com delicadeza e apreço. Hamilton esteve por perto enquanto pôde, mas nunca o suficiente. Pior ainda depois do primeiro pit stop, quando voltou atrás de Raikkonen e Pérez, e a diferença que era de 3s5 para o parceiro subiu para 10s e, aí, nem com reza brava. Para piorar, ainda perdeu o segundo lugar para Vettel quando o safety-car entrou para que fosse retirado o carro petróvico da Caterham, que o abandonou no meio da reta sem cartão de Zona Azul, nem pisca-alerta. Um irresponsável.
Sebastian, que não tem o carro que tinha no ano passado, foi esperto, parou na hora, ganhou a posição de Lewis e mostrou que mesmo sem o melhor equipamento é piloto para brigar sempre. Essa vai ser umas das atrações do ano, ver como se sai o Tiãozinho Alemão quando tem de batalhar por posições largando um pouco mais atrás. Hoje se saiu bem.
“Welcome 2009″, disse Button no rádio, lembrando o título com a Brawn. “O carro é bonito e veloz.” Bonito mesmo, não tem degrau no bico. E rápido, sem dúvida.
Hamilton e Webber, terceiro e quarto, serão vistos na noite de Melbourne caminhando abraçados e cantando, com a voz pastosa, embriagados de amargura, que ninguém me ama, ninguém me quer. Alonso, o quinto, só não vai se juntar a eles porque, provavelmente, passará a madrugada lendo o contrato com a Ferrari para ver se tem jeito de pedir adicional de insalubridade. Guiar aquilo por quase duas horas é desumano.
E o GP das Austrálias teve grandes destaques individuais, como os dois sáuberos, Koba-san e Dom Sergito Pérez, sexto e oitavo. O pimenta malagueta, de novo, só parou uma vez. Ricardinho, da Toro Rosso, terminou em nono. Resta Um foi o décimo. E Raikkonen, o Breve, sétimo depois de passar a corrida gritando com o engenheiro. Como grita o Raikkonen no rádio. E pelas mais justas razões. Porra, estão me dando bandeira azul! Kimi, querido, é para os carros que estão atrás de você. Porra, a asa do japonês aí na frente está chacoalhando! Kimi, querido, a FIA está vendo. Porra, tem um caminhão na pista! Kimi, querido, estamos com safety-car. Porra, todo mundo tirou o pé! Kimi, querido, acabou a corrida.
Vai ser divertido, Kimi em 2012.
No mais, Schumacher começou bem e acabou mal (foi na grama e quebrou o câmbio depois de uma dezena de voltas em terceiro), Vergne estreou bem chegando em 11°, a Caterham decepcionou e voltou a ser quase nanica e os marússios foram bem, como não? Conseguiram vagas no grid e levaram os dois carros até o final sem quebrar. Para quem não tinha testado nada, foi ótimo.
Ah, sim, claro, tem Massa e Senninha. Massa: largou bem, perdeu ritmo, seus pneus foram para o saco muito rapidamente, foi ultrapassado com enorme facilidade a cada fim do ciclo da borracha, despencou lá para trás e se enroscou em Bruno. Que, por sua vez, foi tocado na largada, quase capotou, fez um pit stop de emergência, caiu lá para trás também e quando encontrou Felipe, nele se enroscou, como já mencionado. Lutavam por posição fora da zona de pontos. Bem fora. Acho que 14°, coisa assim.
Ambos abandonaram. Bruno disse que foi acidente de corrida. Felipe, ainda não sei.
Volto mais tarde, quando sol surgir no horizonte, com a já premiadíssima seção Tecla SAP. E se Gola ligar, o que sempre é possível, mas não garantido, quem sabe com alguma coisinha da Ferrari.
BLEFE?
SÃO PAULO (e as coisas vão andando…) – Tem gente, como Button, que acha que a Ferrari está fazendo jogo de cena com essa história de que o carro é ruim, difícil, indócil, antipático e tal. Até agora não apareceu, de fato, nenhuma declaração de alguém de Maranello otimista com a F2012.
Vamos ver na Austrália, claro. Mas tendo a acreditar que as coisas não estão mesmo muito bem. Como disse outro dia, Alonso e Massa são sinceros. Quinta-feira Felipe vai dar uma coletiva aqui em São Paulo, à guisa de anunciar o patrocínio dos energéticos TNT para a equipe. Claro que será bombardeado com perguntas sobre o carro. Vamos ver como vai se safar.
Tags: Alonso, Button, Ferrari, Massa
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PENTELHÉSIMOS
SÃO PAULO (sigamos) – Muito legal este comparativo das voltas de Vettel e Button na classificação em Suzuka. A diferença para o alemão foi de 0s009. Seria bacana também se tivéssemos duas imagens de pilotos da mesma equipe, para que muita gente entendesse por que com carros iguais muitas vezes os tempos são tão distantes. E a resposta é tão simples… Porque não existem duas pessoas no mundo que guiem de forma idêntica. São raríssimas as ocasiões em que os mesmos tempos são registrados por pilotos diferentes. Lembro a mais célebre de todas, o empate tríplice ente Villeneuve, Schumacher e Frentzen no grid do GP da Europa de 1997, em Jerez. Aquilo sim foi raro.
Quem mandou o vídeo foi a blogueira Luciana Audrey Hepburn.
Tags: Button, Suzuka, Vettel
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COME-QUIETO
SÃO PAULO (com justiça) – A McLaren renovou o contrato de Jenson Button por vários anos. Não especificou quantos. Jenson chegou à equipe no ano passado. Para ser companheiro do primeiro piloto natural, Hamilton, cria da casa, queridinho de todos.
Chegou como campeão, diga-se, levando o #1 no bico. Em menos de dois anos, passou a ser mais respeitado internamente que Hamilton, às voltas com seus problemas pessoais e existenciais.
A dupla é a melhor da categoria, de longe. E Button é uma aposta segura da McLaren. Seu tempo de pirar com a F-1 se foi há muitos anos, lá no fim do século passado, quando estreou (nos tempos dessa foto aí em cima). Maduro, preciso, correto, agressivo na medida certa, Jenson já não é mais apenas o companheiro do prodígio Hamilton. Está mais para primeiro piloto, embora a McLaren não seja muito disso. Ocorre que Lewis deixou de ser novidade e prodígio. E Jenson, quietinho e trabalhando, ocupou um espaço que talvez nem a McLaren imaginasse que havia para ser ocupado.
Button é a garantia que a McLaren tem de que vai ganhar o que for possível ganhar enquanto Hamilton procura o rumo.
Tags: Button, Hamilton, McLaren
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SENNA & PROST VERSÃO 2011
SÃO PAULO (menos…) - Jenson Button fez uma interessante comparação da dupla atual da McLaren, ele e Hamilton, com a mais explosiva de todos os tempos, Senna & Prost, que dividiram os boxes maclarianos por duas temporadas, em 1988 e 1989.
Para Button, ele faz o papel do francês, mais cerebral e conservador, e Lewis é a reencarnação de Ayrton, aguerrido, atirado, combativo.
Faz algum sentido, embora ambos, Button e Hamilton, ainda tenham de comer bastante feijão para alcançar aquilo que Senna e Prost conseguiram. É até covardia comparar os números:
SENNA + PROST
92 vitórias
186 pódios
98 poles
60 melhores voltas
7 títulosHAMILTON + BUTTON
27 vitórias
76 pódios
25 poles
14 melhores voltas
2 títulos
Claro que os dois ainda têm muita estrada pela frente, mas é difícil imaginar que cheguem tão longe. De qualquer forma, é louvável a política da McLaren de procurar ter sempre bons pilotos e liberá-los para competir. Do ponto de vista “corporativo”, pode não dar certo sempre. Mas do ponto de vista esportivo, sem aspas, pode-se dizer que é disso que o povo gosta.
BAND OF BROTHERS
SÃO PAULO (e é de verdade) – O blogueiro Gustavo Oliveira indicou a foto do site motorsport.com e achei tão legal que reproduzo, com os devidos créditos. Button e Hamilton formam um time digno do nome. Quando a gente fala em companheiro de equipe, é disso que se trata. Essa história de que piloto tem de odiar o cara do box ao lado, que companheiro existe para ser batido, é babaquice. Nunca a amizade, o carinho, o respeito e a admiração serão menores que esse espírito de competição que muita gente adota como estilo de vida.
TRÊS-GRIA
SÃO PAULO (cabeça é tudo) - Pô, não vou ficar descrevendo a corrida inteira aqui. Aconteceu muita coisa na Hungria e minhas anotações estão meio bagunçadas.
Em linhas gerais, ganhou o piloto mais inteligente. Bonitton tem vencido corridas assim. A primeira, em 2006, foi desse jeito. Lá mesmo na Hungria, de Honda. E teve vitória parecida, em outras temporadas, na Austrália, China… Jenson chegou a 11 vitórias na carreira e foi a segunda na temporada. No Canadá, também venceu em condições adversas, aquelas que exigem neurônios funcionais. Nem todos têm.
Button deu o pulo do gato ao colocar pneus macios na sua terceira parada, para um long stint de fim de prova. Resistiu à tentação de colocar intermediários quando a chuva voltou no final, como fizeram Webber, Hamilton e Rosberg. Deram uma volta e retornaram aos boxes porque a chuva era fraca, como a carne naquelas plagas.
Hamilton tinha carro para vencer. Mas com seis paradas, uma delas para pagar pênalti, ficou meio complicado. Chegou em quarto. Briga não faltou nessa prova. Inclusive entre Lewis e seu parceiro, ali pela volta 50. Briga limpa, bonita, gente de classe.
As primeiras voltas foram divertidas, com o piso úmido e escorregadio. Foi a segunda vez na história que um GP em Mogyoród aconteceu com pista molhada. O outro foi aquele de 2006 que Button ganhou.
Vettel não aproveitou a pole e não sumiu na frente. Seu carro não estava grande coisa no molhado. Hamilton apertou, apertou, até passar. A largada foi boa para quem estava no lado ímpar do grid. Os outros sifu. Foi lá pela décima volta que perceberam, todos, que o asfalto estava secando e começaram os pit stops para pneus slicks. Nessas, até Schumacher chegou a liderar a corrida. Na segunda bateria de paradas, quase que Vettel bate no carro que guinchava a Renault de Heidfeld para o pit lane. A equipe quer se livrar do alemão e tacou fogo no carro. Nick, que não é besta, caiu fora e deixou o carro se incendiando na saída dos boxes.
Alonso antecipou a terceira parada e passou os dois carros da Red Bull. Mas teria de fazer mais um pit stop e Vettel recuperou a posição. Chegaria atrás de Webber, também, se o canguru desolado não se precipitasse para colocar intermediários ali pela volta 52. Bem, não importa. Importa é que mesmo fazendo uma corrida apenas discreta, sem se meter em confusão, Sebastião terminou em segundo e ampliou sua liderança no campeonato. Os arautos de sua decadência não devem estar entendendo nada. Ele não venceu nas últimas três provas, mas a diferença de pontos para o vice-líder só aumenta. Era de 77, foi para 85 pontos. Faltam oito corridas. Webber precisa descontar mais de 10 pontos por prova para ser campeão.
Oh, como está difícil a conquista do bi. Vettel não é tonto. Não vai se esgoelar para vencer mais nenhuma. Se der, deu.
Hamilton, com tudo que aconteceu, chegou em quarto. Webber foi o quinto, Massa terminou em sexto e a zona dos pontos foi fechada por Di Resta, Buemi, Rosberguinho e Alguersuari.
Massa foi bem? Não. Largou na frente de Alonso e chegou um minuto atrás. Bem, mesmo, foi Buemi. Penúltimo no grid, oitavo na classificação final.
Button completou 200 GPs na F-1. Bom jeito de comemorar, ganhando. Não vai ser campeão, mas faz umas corridaças dignas de aplauso. Ele segue sendo o piloto mais suave na nave.
POR AÍ (4)
MUNIQUE (pode parar, chuva) - Neste pinga-pinga que tem sido o blog nestes dias longe de casa, não posso deixar de recomendar a coluna do Andre Jung pós-Canadá. Se eu ontem fiquei falando mais do mesmo no meu textículo semanal, da bravura de Hamilton e de como é bom ter pilotos como ele em atividade, nosso batera foi bem além e acertou muito mais na mosca.
Tags: Button
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QUEBEQUINHAS (3)
SÃO PAULO (de gala) - A atuação de Jenson Bonitton hoje foi daquelas de tirar o chapéu. Seis paradas, um toque do companheiro Hamilton no início, outro em Alonso depois que a prova recomeçou, uma punição, um sprint inacreditável nas voltas finais e a glória absoluta de ganhar a liderança na última delas graças a um erro de Vettel, seu primeiro no ano.
Baita GP, esse do Canadá. Em todos os sentidos. Primeiro, porque demorou mais de quatro horas. A corrida foi interrompida na 25ª por causa da chuva forte e foram necessárias duas horas de espera até que pudesse começar de novo, atrás do safety-car.
Então, que se divida essa bagaça toda em parte 1 e parte 2.
Parte 1. Pista molhada, largada atrás do Mercedão por cinco voltas, bandeira verde, Vettel se segurou bem, Alonso tentou, e Hamilton começou a aprontar. Tocou em Webber, que rodou e foi lá para trás. Três voltas depois, Lewis tentou passar o Bonitton na reta dos boxes. Jenson não facilitou. Acho que Hamilton foi agressivo demais, ainda mais por se tratar de começo de prova e uma tentativa contra o companheiro de equipe, que além de tudo é um gentleman.
Bateu, furou o pneu, a McLaren disse que quebrou a suspensão. Ele queria voltar. Isso aí vai dar o que falar. Levou bronca de Ron Dennis nos boxes.
A chuva ia e vinha, sem grande consistência, o que levou alguns pilotos a colocarem pneus intermediários. Button e Alonso foram dois deles. Mas aí, na volta 19, o temporal desabou. E neguinho foi obrigado a voltar aos boxes para recolocar os pneus de chuva forte.
Azar de quem fez tudo isso, porque quando a tromba d’água apertou de vez, a direção de prova resolveu parar tudo. Bandeirolas vermelhas, e os que não tinham parado ainda puderam trocar seus pneus no grid.
Aí foram duas horas de corrida parada, porque a chuva não dava trégua. Asfalto molhado, capas e guarda-chuvas nas arquibancadas, caminhões-rodo tirando a água, aquela desgraceira toda. E chegamos à parte 2.
Parte 2. Começa tudo atrás do safety-car de novo, com o mundo torcendo por Kobayashi. Afinal, ele estava em segundo lugar, com Massa em terceiro, Heidfeld em quarto e, na sequência, Petrov, Di Resta, Webber e Alonso.
Foram oito voltas com o Mercedão na frente até a relargada para valer. Mas durou pouco, porque na 37 Button e Alonso se tocaram e o espanhol bateu. Safety-car de novo, Fernandinho deixando de terminar uma corrida pela primeira vez desde a Bélgica no ano passado. Na relargada, a partir da volta 41, virou um corridão de vez. Baixou o santo em Schumacher, que saiu passando todo mundo. Um passão duplo sobre Massa e Kobayashi foi daqueles históricos. Button tinha desaparecido lá atrás, ninguém se lembrava dele, Koba se sustentava à frente de Massa, e aí liberaram as asas móveis, que estavam proibidas por causa da pista molhada.
Na volta 50, Webber foi para os boxes e colocou pneus slicks supermacios. Estava dada a senha. Todo mundo fez o mesmo e o final foi frenético. Button, que tinha feito o mesmo, era o mais rápido na pista e vinha passando quem encontrasse pela frente. Mas ainda estava longe dos líderes. Pois não é que apareceu mais um safety-car na volta 56? Heidfeld bateu em Kobayashi espanhando pedaços de carro pela pista e aí juntou todo mundo.
Foi a sorte de Button, que se reintegrou ao pelotão da frente em quarto lugar com o carro voando. Na relargada, faltando nove para o final, Vettel não teve muitos problemas com Schumacher, segundo àquela altura, e Webber e Button chegaram no alemão. Michael resistiu o quanto pôde, mas as asas móveis fizeram dele uma presa fácil para o canguru e Jenson. E como Webber deu uma escorregada, Button se viu, de repente, em segundo, voando para cima de Tião Alemão, que já ensaiava o ding-ling-ling.
Está grande demais este relato. Chega. Vetell deu uma rabeada na última volta e Button passou. Fim de papo. Vitória maiúscula, diriam os locutores de então. Não sei se vai valer porque os comissários ainda vão estudar o incidente com Hamilton, da parte 1, e com Alonso, da parte 2. Se nada for feito, ótimo. Nem se deve, porque seria um exagero. Button manteve sua linha no primeiro caso, Lewis forçou. Ele disse que não viu o parceiro atrás e pediu desculpas na coletiva. É um sujeito muito educado, Jenson. No toque com Alonso, ambos dividiram uma chicane. Alguém sempre se dá mal nessas situações.
Menções honrosas depois da longa tarde quebequiana: Webber terceiro, Schumacher quarto (sua melhor corrida desde a volta), Petrov quinto, Massa sexto (que bateu sozinho no fim, mas soube se recuperar e passou Kobayashi na linha de chegada na última volta, combativo como há muito não se vê). Menções desonrosas: Alonso (trocou de pneu na hora errada e teve um dia meio atrapalhado), Rosberguinho, Koba-Mito (pô, estava em segundo na relargada, mas acabou cometendo erros no fim) e Hamilton, porque já está começando a exagerar nas confusões.
Bela corrida, em resumo. E nada teve a ver com pneus que esfarelam, ou asas que se abrem. O barato, hoje, foi a chuva. E também a pista. E também alguns pilotos que não se encontram em qualquer esquina.
PAULISTÂNIAS (28)

SÃO PAULO (22 graus, 41 no asfalto) - Button deu uma coletiva aqui agora há pouco. Muito concorrida. Para falar da tentativa de assalto que sofreu ontem. Relatou que viu três caras armados se aproximando e dois saíram correndo atrás de seu carro. Um deles portava algo que parecia ser uma metralhadora. O motorista, um PM, segundo consta, escapou e bateu em vários carros na fuga.
Jenson, elegante, disse que foi “azar”, que estava no lugar errado na hora errada. O prefeito da cidade, do alto de sua arrogância, disse apenas um “é, aconteceu”, como relata o colega Fábio Seixas em seu blog.
Engenheiros da Sauber também foram assaltados ontem na saída do autódromo. Roubaram tudo. Está lá no Grande Prêmio. As autoridades paulistas e paulistanas nunca admitem que a segurança na cidade e no Estado é uma vergonha, falha, deficiente, mal-aparelhada, uma porcaria.
Claro que não é só em SP. Só que nos últimos meses, na campanha eleitoral, os candidatos da situação (são os mesmos há 20 anos em SP) usaram como peça de propaganda nossa segurança, hum, dinamarquesa.
Uma mentira. Mais uma.









ONE COMMENT
Pode ter sido o último “Tooned” da McLaren, do jeito que andam as coisas entre Hamilton & rapa. Aliás, se houvesse tempo, acho que eles mudariam a última cena. Mas ficou ótimo, como sempre.