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HISPÂNICAS (5)

SÃO PAULO (bum) – Putz, acaba de haver uma explosão nos boxes da Williams, incêndio dos bravos. Até agora, parece que só um rapaz da Force India que foi ajudar saiu ferido. A cobertura com fotos e tudo mais está no Grande Prêmio. Há fotos impressionantes. O carro de Bruno Senna ficou destruído. Fica o registro.

Agora, falemos dos brasileiros em Barcelona, começando com Bruno.

Na hora da batida de Schumacher, achei que Bruno tinha freado antes e mudado a trajetória de um jeito meio esquisito. Como, pouco antes, ele tinha se defendido com uma certa agressividade dos dois que o ultrapassaram, acho que Grosjean e mais um. Estava sem pneus.

Michael ficou mutcho putcho, chamou Bruno de “idiota” e sua reação foi típica de quem se sentiu sacaneado. Foi o que mais me levou a tentar encontrar sutilezas na batida, porque numa olhada preliminar, apesar da mudança de trajetória do primeiro-sobrinho, o que ficou mais claro foi que Schumacher encheu a traseira dele.

Bem, a FIA acaba de punir Schumacher, perde cinco posições no grid em Mônaco. Bruno pode até ter se defendido de uma maneira imprevisível, mas o fato é que o alemão barbeirou, mesmo, e não teve razão nenhuma de reclamar. Que deselegância!

Azar dele, estragou uma corrida que poderia terminar nos pontos. A de Bruno não seria grande coisa, pela posição de largada e tal. Foi um fim de semana muito ruim para Senninha, que precisa se aprumar. O parceiro largou na pole e ganhou a corrida. Isso muda, inclusive, o patamar de suas ambições a partir de agora. Se a Williams tem um carro capaz de vencer um GP, e Maldonado mostrou que dá, é atrás de algo parecido que ele tem de ir agora.

Daqui a pouco, Massa. Hoje estou dividindo tudo em tópicos, a corrida foi legal e aconteceu bastante coisa.

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BRUNO EM 1991

SÃO PAULO (deu por hoje) – Legal o vídeo que o Denisson Gervásio, assíduo colaborador deste blog, mandou. É uma matéria do Otávio Mesquita na inauguração do kartódromo de Ayrton Senna em Tatuí. Foi em 1991. E tem uma entrevista engraçadinha com o Bruno. Até eu apareço no vídeo, aos 4min22s, por mais ou menos três décimos de segundo. Mas sou eu, ali, anotando as coisas para minha matéria para a “Folha”, na época. Ainda tenho a credencial daquele evento.

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INDY X F-1

SÃO PAULO (verei as duas) – E neste fim de semana teremos o primeiro embate do ano entre F-1 e F-Indy. Às 5h, GP da Malásia em Sepang. Atrações? McLaren x Red Bull, Mercedes x Lotus, novo chasi de Massa, Williams prometendo andar bem, Bruno Senna tendo de mostrar serviço, seis campeões mundiais na pista. Às 14h, St. Pete, abertura da liga americana. Atração? Rubens Barrichello.

Suponha que estivéssemos vivendo um era sombria de racionamento de energia e a cada cidadão do país só fosse permitido ligar a TV por duas horas no domingo. A qual das duas corridas você assistiria?

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IRRELEVÂNCIA

Foto Williams

SÃO PAULO (vai mal) – Todo mundo só fala, no Brasil, do toque entre Massa e Bruno Senna domingo. Só que não…

Na verdade, uma única pessoa me perguntou no Twitter quem eu achei que foi o culpado e tal. Isso mostra que os ânimos verde-amarelos andam adormecidos quanto ao Mundial de F-1 deste ano.

De fato, que importância tem quem foi culpado, se é que houve algum? Na hora, na rádio, eu disse que achava que Felipe tinha espalhado demais a curva. E espalhou mesmo, e isso é normal para defender uma posição. O azar dos dois é que um carro enganchou no outro e os dois se deram mal.

Mas lutando pela 13ª posição… Realmente não tem importância alguma. E como os dois são civilizados, uma eventual polêmica foi cortada pela raiz por ambos, que definiram o que aconteceu como “incidente de corrida”. Foi isso mesmo, nada além disso, e lá atrás essas coisas não são relevantes.

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JEREZ, DIA 3

SÃO PAULO (2011 na cabeça) – Se pudessem, pelo jeito, as equipes usariam os carros do ano passado. Rosberguinho, de Mercedes, fez hoje o melhor tempo da semana até agora em Jerez, na casa de 1min17s. Claro que é brincadeira. Os carros novos têm muito espaço para evoluir. E Bruno Senna fez sua estreia na Williams. Os detalhes, no Grande Prêmio.

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SORRY FOR RUBENS

SÃO PAULO (fecha uma, abrem outras) – Não tenho certeza se foi lá mesmo, mas acho que foi. Na Alemanha, em Hockenheim, já no final de julho. Ou talvez na Hungria, algumas semanas depois. Mas isso não é relevante. Falo de 1996. Numa dessas corridas, Eddie Jordan deu um solene pontapé na bunda de Barrichello, que pela primeira vez admitiu que poderia correr na Indy. Porque ninguém aparentava estar lá muito interessado nele — a salvação viria de Jackie Stewart, que estava montando sua equipe e não se arrependeu nem um pouco de contratar o brasileiro.

Eu sei que estourou a notícia de que ele não ficaria, porque Eddie precisava de grana e viu cifrões em Ralf Schumacher (e Fisichella), e já andava emburrado com Barrichello por várias razões. Aí um jornalista conhecido, suíço, chegou para mim com cara de enterro e disse: “I’m sorry for Rubens”.

Eu estava cagando for Rubens e perguntei a ele por que aquele drama todo, mas naquela época parece que todo mundo na F-1 morria de dó de nós, brasileiros, por conta do que havia acontecido com Senna, e tal. Nunca entendi direito tamanha compaixão. Claro que Imola foi uma merda federal, deixou todo mundo chateado, mas vamos devagar com o andor. Ninguém precisava ficar com pena de mim só porque eu tinha nascido no mesmo país que Ayrton. Que bobagem é essa?, segui. Se você está sorry for Rubens, vai lá e diz isso pra ele, e não pra mim.

O jornalista suíço, Luc, grande figura, sacou, finalmente, que essa mistureba de patriotismo barato com esporte não fazia muito sentido, ao menos nunca fez para mim. “Alguém já disse que o patriotismo é o último refúgio dos canalhas: quem não tem princípios morais costuma se enrolar em uma bandeira, e os bastardos sempre se reportam à pureza da sua raça. A identidade nacional é o último recurso dos deserdados.” Citação de um livro do Umberto Eco, não fui eu que escrevi isso. Mas concordo. E, também, não se trata, aqui, de discutir patriotismo. Foi só um pequeno “causo” para poder falar um pouco sobre a aposentadoria iminente de Barrichello a partir da oficialização, hoje, da contratação de Bruno Senna pela Williams.

Restou uma vaga na HRT que, creio, não deve interessar muito a Rubens. E assim, creio, encerra-se sem muita pompa ou circunstância a longa carreira de trezentos-e-cacetada GPs que teve lá alguns bons momentos, outros nem tanto, e sobre esses altos e baixos já escrevi bastante no passado e não estou a fim de repetir tudo. Aliás, na maioria das vezes, como neste texto aqui de 2009, defendi o rapaz da insana carga que sempre carregou por conta da imagem que a TV Globo fez questão de construir para ele — e ele, diga-se, incorporou alegremente, sem perceber que era dar um tiro no pé.

Rubens tuitou que estava fora da Williams pouco antes do anúncio oficial da equipe. E disse que seu futuro está aberto. Claro que o futuro está aberto. Sempre está. Ninguém sabe o que vai acontecer no próximo minuto. A questão é saber o que fazer com o futuro. É com isso que Barrichello tem de se preocupar agora. E, sinceramente, ninguém precisa ficar sorry for Rubens. O cara é jovem, tem grana, saúde, família, casa, comida e roupa lavada. Ninguém fica a vida toda correndo de F-1. E se a paixão pela velocidade é tamanha, está cheio de coisa legal para fazer ainda em carros de corrida pelo mundo afora.

Quanto ao Bruno, que tenha sorte e seja feliz. Vai ter uma temporada inteira numa equipe razoável, que já foi grande e hoje é nanica, mas tem nome e tradição. O time vai para o Mundial com dois pilotos pagantes (alguém aqui, agora, vai demonizar a grana do Eike Batista que permitiu a Senna-sobrinho virar titular?), motor Renault, sem Patrick Head, em meio a uma reestruturação, que busca reeditar um passado que já está bem distante. E vamos em frente.

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Detalhezinho, para concluir. Vi agora há pouco na Sportv matéria em Grove com Bruno e tal. A Globo, pois, sabia pelo menos desde ontem (para dar tempo de deslocar repórter e cinegrafista) que o contrato estava assinado. Mas sonegou a informação de seu público. Não que vá mudar o preço do dólar. O mundo não ia parar ontem se a Globo desse a informação (como o Grande Prêmio deu) de que o primeiro-sobrinho tinha assinado. Mas é uma boa mostra de como as coisas funcionam. Camaradagem para garantir exclusividade. Mesmo que o preço seja não informar quando se tem a informação. O jornalismo acabou.

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BRUNO E RUBENS

MONTEVIDÉU (pena que acaba) – Afirma Victor Martins em seu blog: Bruno Senna assinou hoje de manhã com a Williams, com a grana de Eike Batista (personagem da mais ridícula capa de revista de todos os tempos, a patética “Veja” desta semana), e será companheiro de Pastor Maldonado em 2012.

Eike, alguns dias atrás, já havia “confirmado” pelo Twitter que Bruno estava fechado. Mas sempre falta o chamego no papel, e o famoso anúncio oficial. Deverá ser feito em algumas horas.

Para Bruno, ótimo, claro. Finca de vez o pé na categoria, na qual começou claudicante em 2010 na Hispania, tendo retomado a trilha na Renault a partir de Spa. Começou bem, dois GPs convincentes, mas depois não fez nada. Agora, terá uma temporada inteira pela frente. E saber-se-á, afinal, do que é capaz.

O anúncio iminente encerra aparentemente a sólida carreira de Barrichello na F-1 depois de longos 19 anos, algumas vitórias, belas provas, regularidade nos resultados. Não sei como será a saída — se em silêncio, discretamente, ou com algum especial para o “Esporte Espetacular” com direito, claro, a lágrimas para que um pedaço possa ser usado no “Jornal Nacional”.

Digo “aparentemente” porque nunca se sabe. Alguém pode ter uma gripe forte e Rubens ser chamado para quebrar um galho e tal. Algo que, sinceramente, eu não recomendaria a ninguém. Depois de tanto tempo correndo, quando percebe-se que ninguém mais o quer seriamente, é hora de parar — independentemente do que ele próprio ache de suas condições de pilotar, que são tão aceitáveis quanto as da maioria que vai disputar o Mundial de 2012.

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SE O EIKE FALOU…

SÃO PAULO (não é fácil, não) – Eike Batista, novo darling do povo brasileiro depois que explicou passo a passo, no “Fantástico”, como ficar bilionário (eu preferia que ele explicasse como pegar a Luma), garantiu pelo Twitter que Bruno Senna vai correr na Williams. Bruno Senna, por sua vez, garantiu que não assinou nada.

Vocês, agora, vamos a duas perguntas: 1) quem você acha que fica com a vaga? 2) se você fosse Frank Williams, independentemente de grana, escolheria quem?

Vale escolher outros nomes além da dupla verde-amarela.

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BRUNO NA WILLIAMS

SÃO PAULO (e então…) – A notícia está se espalhando como rastro de pólvora por conta de algo divulgado pelo Twitter da rádio Bandnews. A informação é de Ricardo Boechat, apresentador da emissora e âncora da TV Bandeirantes: Bruno Senna assinou com a Williams e o anúncio sai em breve.

Não há porque duvidar de Boechat, um dos mais importantes e brilhantes jornalistas brasileiros, embora ele não tenha ligações com o automobilismo. Mas tem no campo empresarial e político. E o que tem isso a ver? Tem a ver com Gillette, Embratel, Eike Batista… Principalmente com Eike Batista.

É claro que é preciso esperar o anúncio oficial. Mas quando as coisas começam a se espalhar desse jeito, é porque não tem volta. E há outros indícios. Victor Martins recebeu a informação de que Bruno esteve sexta-feira na fábrica da Williams. E a frase “boa notícia pra começar a tarde” postada por um amigo meu no Twitter, com fortes ligações com a Gillette, me parece outro.

Creio que a carreira de Barrichello na F-1, assim, terminou. E, para Bruno, a Williams é uma boa opção. Agora, resta aguardar os acontecimentos.

Ah, e vai ser divertido, uma vez confirmada a contratação, saber o que acham aqueles que se descabelaram quando a Lotus fechou com Grosjean “por causa do dinheiro da Total”, uma completa injustiça com o talento verde-amarelo. Bruno, não é preciso dizer, não vai correr em lugar algum se não for o dinheiro de alguém. Mas brasileiro pode. Francês, se for para tirar lugar de brasileiro, não.

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RESTAM DUAS

SÃO PAULO (e agora?) – A Force India tratou hoje de fechar mais duas vagas para 2012 e confirmou Di Resta e Hülkenberg como titulares. Era esperado. Di Resta foi o melhor estreante do ano, 13° colocado com 27 pontos, três atrás do mito Kobayashi. O sexto lugar em Cingapura foi seu melhor resultado. Todos sabem que é piloto Mercedes, fornecedora da Force India, e que está sendo preparado para suceder Schumacher na equipe quando o alemão parar, o que deve acontecer no final da próxima temporada.

O incrível Hulk fez um bom ano de estreia em 2010 que teve como ponto alto a pole em Interlagos. Quando assinou como reserva dos indianos, já se imaginava que a ideia era promovê-lo a titular em 2012. Sutil, que perdeu o lugar, é um ótimo piloto, mas se complicou pessoalmente com aquela história de bater num dirigente da Renault na China. Mas não deve ficar a pé. Aliás, não faz sentido que fique. Nono colocado em 2011 com 42 pontos, foi o melhor piloto do ano tirando as duplas das quatro maiores (Red Bull, McLaren, Ferrari e Mercedes). Superou, inclusive, a turma da Renault (futura Lotus), que começou bem o campeonato com dois pódios.

Sobraram duas vagas, portanto. Uma na HRT e outra na Williams. O lugar hispânico não chega a ser objeto de desejo de ninguém e deve sobrar para Alguersuari, que fez uma temporada decente pela Toro Rosso, é jovem, espanhol e promissor. Já o cockpit da Williams passa a ter Sutil como favorito. Ele tem bons patrocinadores, algo que Barrichello ainda não conseguiu. Rubens, de acordo com o blog do Victor Martins, já admitiu a amigos mais próximos que pode parar de correr por um ano para, quem sabe, abraçar a Stock em 2013. É um caminho natural que daria um ibope imenso à categoria.

Bruno Senna, pelas últimas declarações publicadas no exterior (sua assessoria informou no dia do anúncio de Grosjean que ele não vai falar com a imprensa brasileira até definir algo), já está considerando a hipótese de ficar como reserva da Lotus, ou de seguir para os EUA, mas para a Nascar, como fez Nelsinho.

Não sei se teremos novidades até a virada do ano. Mas tenho a sensação de que a Williams pode anunciar algo antes do Réveillon. Puro palpite. No começo da semana, eu achava, do nada, que Rubens acabaria dando uma volta em todo mundo e poderia ficar onde está. Era palpite, também, sem nenhuma base factual. Mas agora acho que ficou difícil. Adrian, 28 anos, tem cinco temporadas nas costas, 90 GPs disputados, não é um novato. Traz dinheiro, não custa muito. Faz mais sentido um Sutil que um Barrichello para uma equipe que busca renascer.

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GRANA DE LÁ, GRANA DE CÁ

SÃO PAULO (no fundo, é tudo igual) – A coluna Warm Up de hoje versa sobre a contratação de Grosjean e discute um pouco a nível de reflexão a questão que envolve a preferência corporativa na reorganização estratégica sob o prisma de um contexto de reengenharia e reestruturação do equacionamento econômico que exige permanente revisão das estruturas de custos em meio a um cenário de transição e receitas instáveis, já que é imperativo assegurar condições para preservar e investir com sustentabilidade. Para isso é preciso fazer escolhas nos processos e na alocação de recursos humanos e materiais. É apenas um ajuste de configuração.*

* Aos colegas demitidos nas últimas semanas, na véspera do Natal, toda minha solidariedade diante do cada vez mais insuportável cinismo corporativo que está acabando com a dignidade da nossa profissão.

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INDIGNADOS

SÃO PAULO (eu, hein…) – Recebo e-mails e leio comentários de pachecos indignados com a contratação de Grosjean. “É a grana!”, “Só corre com patrocínio!”, “Na F-1 só tem piloto que paga!”.

Uai. Se Bruno Senna fosse o escolhido, vocês acham que ele entraria com o quê? O nome e o belo sorriso? Aliás, ele só correu no lugar de Heidfeld graças a bons patrocinadores, algo absolutamente normal na F-1 de hoje, de ontem e de anteontem. Não me consta que houve uma revolta na Alemanha pelo pobre Nick, o Injustiçado.

Quando vejo essas manifestações, percebo que, para muita gente, patrocínio para piloto brasileiro pode. Mas para piloto estrangeiro, não. Aí é sacanagem com os brasileirinhos contra esse mundão todo.

Gente doida, sô.

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NEM SEMPRE É A GRANA

SÃO PAULO (cadê o verão?) – Romain Grosjean parecia o Visconde de Sabugosa quando estreou na F-1. Ele correu no lugar do proscrito Nelsinho Piquet em sete provas em 2009, depois que explodiu o escândalo de Cingapura.

Foi mal pacas e recomeçou a carreira. Uma de suas providências foi cortar o cabelo. Hoje, parece um comportado universitário parisiense. Neste ano, ganhou com autoridade a GP2, depois de conquistar o título da AutoGP em 2010, a GP2 asiática e a F-3 europeia. Nunca deixou de ser observado pela turma da Renault. Fez dois treinos livres na temporada, em Abu Dhabi e Interlagos, e hoje foi confirmado como titular da Lotus em 2012, ao lado de Kimi Raikkonen.

Forma-se, de cara, uma dupla forte na equipe preta e dourada. Grosjean é ótimo piloto e chega com o apoio da Total, fornecedora de combustível e patrocinadora do time, com quem ele, Grosjean, tem uma parceria longa, que já dura mais de seis anos. Total e Renault também não são estranhos um ao outro. O grupo controla a Elf, marca que sempre esteve com a Renault na F-1 e em outras categorias. Bruno Senna foi dispensado do time e passa a lutar por uma vaga na Williams com Barrichello. A eles junta-se o igualmente dispensado Petrov, que era dado como certo na Lotus pelos rublos que sempre teve, mas que não bastaram.

Bruno com OGX, Gillette e Embratel, além do nome; Petrov com a Lada e a dinheirama russa, jamais desprezível; Rubens com a experiência e só, por enquanto; Sutil, ainda, com patrocínios razoáveis da Alemanha. São alguns dos que estão à cata de emprego, agora. Sobram vagas? Mais ou menos. A da Williams, sim. Há a Toro Rosso, mas esta tem uma política de contratações um pouco diferente, 100% ligada à Red Bull. Uma na Hispania, que não interessa muito. Outra na Force India, mas esta será preenchida por Hülkenberg, salvo enorme surpresa.

Resumo da ópera: as chances de haver apenas um brasileiro no grid em 2012 são consideráveis. Quanto à dispensa de Senna, não é algo que choca ou surpreende. Bruno foi bem nas suas duas primeiras aparições pela Renault, em Spa e Monza. Depois, foi mal. Simples assim. Na balança que leva uma equipe a escolher um piloto, não pesa apenas o dinheiro.

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FIM DE FEIRA (20)

SÃO PAULO (Furacão vai cair) – Bem, Bruno, com o drive-through, depois um pedaço da asa que se soltou e sem a quarta marcha, acabou tendo um resultado ruim. Ficou em 17°, atrás de Kovalainen, que parou uma vez a menos. Não, não foi nada bom. E como Petrov cravou um pontinho, no frigir dos ovos é ele que sai mais animadinho de Interlagos. Eles lutam pela mesma vaga, e ainda tem Grosjean e Raikkonen na parada.

Raikkonen? Uai, não era Williams? Pois é… Não é mais. A coisa esfriou bem. E tem outro finlandês na briga, Valtteri Bottas. Vai ser um leilão e tanto. Que conta com lances de Barrichello, também.

Rubens largou mal, caiu para 20° na primeira volta, remou, remou e chegou em 14°. Fez a sexta melhor volta da corrida. Saiu sem saber, sinceramente, se foi sua última aparição na F-1. As declarações pós-GP foram confusas: “Tô em paz, tô tranquilo, volto a dizer que não estou pedindo favor a ninguém. Se essa for a última, tive meus adoráveis 19 anos. Mas vou correr. Foi um ano difícil, um carro difícil de guiar o ano inteiro, e espero que seja melhor no ano que vem. Não trabalho com a hipótese de encerrar a carreira”. Prazo? “Claro que não vou esperar até fevereiro, mas não tenho um limite. Isso é casca de ovo para mim.” Casca de ovo? De tudo, o que compreendi é que, se ficar, será na Williams mesmo. Mas sei lá.

E Massa não teve um domingo bom. Pela sexta vez no ano, foi quinto. No sábado à noite, encontraram um pneu furado, de um dos jogos macios que tinha à disposição para a corrida. Ha ha ha. Achou que aquela panca no kart que me deu terça-feira iria ficar por aquilo mesmo? Conheço gente aqui dentro. Assim, fez apenas duas paradas e teve de andar um bom tempo de pneus duros, com os quais a Ferrari não se entende. “Ainda bem que 2011 acabou, foi um dos piores da minha carreira, não tenho problema nenhum em dizer.

No fim do dia, Hamilton foi no escritorinho da Ferrari dar um abraço em Felipe. Terminaram o ano na boa. Quase que se pegaram de novo na corrida, mas Lewis quebrou o câmbio. No caso dele, foi de verdade, abandonou. A foto está lá no Grande Prêmio, clique da Evelyn Guimarães.

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FIM DE FEIRA (16)

SÃO PAULO (20°C, mas tá menos) – É claro que não será um treino a definir quem fica na equipe. Mas como eles disputam a mesma vaga, Bruno ter ficado em nono e Petrov em péssimo-quinto conta a favor. São várias pequenas coisas, mais uma grande mala de dinheiro, que vão determinar os pilotos da futura Lotus em 2012.

Senninha fez uma ótima classificação em Interlagos. E estava meio apagado depois dos pontos de Monza. Foi aplaudido pelo público e pelo time. “É legal trazer um pouco de felicidade para a equipe. Estou contentaço!”, falou o primeiro-sobrinho.

Em nono no grid, tem de lutar para pontuar. Qualquer resultado que não seja terminar entre os dez primeiros será ruim.

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NOTÍCIAS DE LÁ

LONDRINA (sol rachando) – Duas notícias importantes que vêm da Europa. A primeira, by “Auto Motor und Sport”, revista alemã. A Honda estaria a fim de voltar à F-1 em 2014, e a parceira escolhida seria a McLaren. McLaren-Honda é algo que deu muito certo no final dos anos 80 e início dos 90. Mercedes e McLaren não falam a mesma língua faz tempo, desde que a McLaren resolveu fazer supercarros de rua que têm supercarros mercêdicos como concorrentes no mercado.

A ver.

A outra. A Renault, futura Lotus, avisa que se Kubica não puder correr no ano que vem, e tudo indica que não poderá, Romain Grosjean será seu substituto. A outra vaga será disputada a tapa, reais e rublos por Petrov e Senninha. Fala-se em Raikkonen, também, mas aí acho que é chute.

A ver.

 

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OS PONTOS DE BRUNO

SÃO PAULO (corre, filho!) - A coluna Warm Up de hoje é uma releitura (essa é boa…) do que já escrevi aqui depois do GP da Itália. O tema: Bruno Senna, claro. Está aqui.

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ITÁLICAS (5)

SÃO PAULO (tô com fome/quero leite) - Bruno Senna fez seus primeiros pontos na segunda corrida pela Renault. Entra nas estatísticas da categoria, tira um pequeno peso dos ombros, e vai em frente.

Não escutei a transmissão global e não sei direito como foi tratado o resultado. Imagino que na ultrapassagem sobre Buemi a sete voltas do final o Galvão deve ter se esgoelado. Não deve ter dito que Buemi estava de pneus duros, nem que tinha largado nove posições atrás. Nem que apesar de todo o quiproquó da largada, Bruno fechou a primeira volta à frente do suíço e portanto era obrigação chegar à frente, também.

Digo isso não para desmerecer o resultado. Mas apenas para relativizá-lo. E se tem alguém que sabe que não foi nada demais, certamente é o próprio Bruno. Esse rapaz, felizmente, foge da carapuça que tentam enfiar em seu capacete mais do que o capeta do crucifixo. Aliás, poderia mudar o capacete. Porque se não o fizer, vai ser a vida inteira dessa papagaiada do capacete amarelo nas nossas manhãs de domingo.

Bruno tinha uma estratégia interessante: largar de pneus médios, não enrolar muito para parar a primeira vez e fazer a maior parte da corrida com pneus macios mais novos que os de seus adversários, porque optou por não fazer tempo no Q3.

Mas a largada mudou seus planos. Houve o strike orgulhosamente oferecido por Liuzzi que por pouco não o pegou. Acertou Petrov e Rosberg. Na confusão, Bruno caiu para 15º na primeira volta. Oh, chegou em nono, que corrida de recuperação! Menos. Três dos 14 à sua frente eram café-com-leite: Kovalainen, Trulli e Glock. E dois dos eliminados na batida eram pilotos que estavam à sua frente no grid. A situação não era tão ruim assim.

Bruno parou com o safety car e já mandou os pneus duros para o inferno. A partir daí poderia se dar muito bem, não fosse um detalhe: mais uma parada não seria suficiente, porque a primeira troca foi muito precoce. Precisaria de duas, e no fim das contas foi o único a fazer três pit stops na corrida.

Na volta do primeiro pit stop, apareceu em 18º, na frente do moribundo Barrichello e de Ricciardo. Oh, que recuperação! Menos, de novo. Três dos 17 que estavam à sua frente eram os nanicos Kovalainen, Trulli e Glock, de novo. E mais quatro abandonaram, ao fim e ao cabo: Kobayashi, Sutil, Pérez e Webber. 18 – 7 = 11. Senninha chegou em nono.

Portanto, nada demais.

Mas, igualmente, nada de menos. Bruno não podia correr o risco de se envolver num acidente na largada, como em Spa. Conseguiu evitar a grande maçaroca de Liuzzi & cia. e, prudentemente, fez sua corrida com paciência e parcimônia. Pontuar era importante. Para ele e para o time. Para ele, sobretudo, para mostrar que tem cabeça para buscar o resultado possível quando a situação não é ideal. E despencar lá para o fundão logo de cara não é uma situação ideal nunca.

Não dá para dizer que foi um desempenho excepcional. Mas esteve longe de ser ruim. Normal, eu diria, com alguns pontos favoráveis. Um deles, por exemplo, ter feito a quarta melhor volta da prova. OK, estava de pneus macios quando todo mundo estava de duros a duas voltas do final, mas é legal, estava acelerando o tempo todo, porque Di Resta estava pertinho na frente, poderia dar uma escapadinha, acontecer alguma coisa, era preciso estar no lugar certo para aproveitar qualquer oportunidade.

Bruno é um bom piloto, vai crescer muito até o fim do ano, já fez Galvão berrar, agora pode cuidar daquilo que realmente interessa: aprender o máximo que puder, manter-se afastado da inevitável onda verde-amarela-com-muito-orgulho-com-muito-amor e cuidar da sua carreira.

Não é fácil, considerando o entorno. Bruno merece todo o respeito por saber lidar com serenidade com algo que, no fim das contas, não é responsabilidade sua. E que, justiça seja feita, ele nunca alimentou.

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A GRANA DO BRUNO

SÃO PAULO (2012 garantido) - Só para constar, a lista das empresas que financiaram a entrada de Bruno Senna na Renault foi anunciada oficialmente hoje pela própria equipe: Embratel, parceiro de longa data, Gillette e OGX, uma das empresas do Eike Batista (que explora gás natural e petróleo). As marcas já apareceram no capacete e no carro do brasileiro em Spa.

Bruno, enfim, arrumou a grana que precisava no Brasil. Eu sempre disse que não devia ser tão difícil assim.

É uma bolsa de respeito. Acho que garante o brasileiro no time na temporada que vem. E o Kubica?, hão de perguntar. Infelizmente, acho que o polonês não volta à F-1. Espero estar redondamente enganado, porque é um crime um talento como ele ficar fora. Mas receio que não estou enganado.

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ATÉ O FIM

SÃO PAULO (esperado) - Nick Heidfeld e a Renault chegaram a um acordo amigável, dentro do possível, e o alemão não vai mais processar a equipe. O contrato foi rescindido e Bruno Senna fica até o fim do ano. Com a grana de patrocionadores brasileiros, como Embratel, Gillette e OGX, do Eike Batista, é só marcar uns pontinhos, manter de pé o objetivo de fazer o Galvão berrar e pronto. A carreira do primeiro-sobrinho, finalmente, começou.

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