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MEUS VELHOS PAPÉIS

SÃO PAULO (vai que pega no tranco) – Bom dia, macacada. Button x Barrichello x Universo é o assunto da semana, mas já deu, não? Hoje, relendo tudo que escrevi ontem e a enxurrada de comentários da blogaiada, cheguei à conclusão de que às vezes se gasta vela demais com defunto ruim.

Não, o defunto não é Rubens, que disse ontem que já tinham jogado flores em seu túmulo. Defunto é o assunto, que não sei se merece tanto fosfato. Trata-se apenas de uma corrida de carros, afinal. Um ganha, os outros perdem. É sempre assim. Corrida é bom porque não tem empate. Alguém sempre acha que poderia ter vencido, no automobilismo todos acham que são os melhores, e aí começam a surgir as desculpas, as justificativas. De todos os perdedores, não apenas de um.

É que quando Barrichello está envolvido, a coisa ganha outra dimensão, por seu histórico na Ferrari e pela mania de se explicar mesmo quando ninguém pergunta nada. É verdade que, ontem, as pessoas queriam saber o que houve, como é que a chance de vitória escapuliu de suas mãos e tudo mais. É que aqui, pelo menos, pouca gente encarou o resultado pela óptica de Button. ”Como é que perdeu?” foi a questão escolhida para ser respondida, quando “como é que ganhou?” poderia ser, também.

Mas já deu. Ganhou, ponto. Foi rápido quando precisava, o outro não foi, a história recente da F-1 está repleta de casos em que dois pilotos da mesma equipe usaram estratégias diferentes numa prova, e sempre um chega na frente, e sempre o que chega atrás tende a achar que a do outro era melhor. Faz parte do jogo. Button vive uma fase melhor, está guiando o fino, fez valer a posição que está conquistando na equipe na pista, não pela vitória de ontem, mas pelas outras três neste ano, e pelas três poles, também.

Button & Barrichello estão em sua quarta temporada juntos e o desempenho nos três primeiros anos foi mais ou menos parelho. A desigualdade está se verificando agora. De qualquer forma, são 58 GPs lado a lado, e há equilíbrio, por exemplo, nas posições de largada: 31 x 27 para o inglês. Nos pontos, sim, Jenson demonstra alguma superioridade: 106 x 68. Boa parte dela, porém, se deve à ótima temporada que fez em 2006, com 56 pontos, contra 30 do brasileiro — era o primeiro ano Rubens na Honda, e o resultado não foi ruim, afinal.

São pilotos que se equivalem, portanto. Mas Button, neste ano, tem sido mais efetivo, mais rápido, mais tudo. Eu, sinceramente, achava que Rubens iria arrebentar, de tão motivado que estava, por ter conseguido a vaga a fórceps quando, ele tem razão, o mundo o dava como morto para a F-1, e por achar que, no mano a mano com Button, tinha chances de se sair melhor.

Mas não está. E depois de cinco corridas, com quatro vitórias para um e nenhuma para o outro, vai ser uma enorme surpresa se esse quadro virar.

Ah, sobre os papéis… Achei esse do GP do Brasil de 2006, a despedida da Lucky Strike da F-1, corrida vencida por Massa, última de Schumacher, prova histórica. Vem a calhar porque nessa prova, Button largou em 14º e chegou em terceiro. Rubens partiu em quinto e terminou em sétimo.

Como se vê, Barcelona não foi a primeira vez que Jenson superou o parceiro a partir de uma situação desfavorável. Então, ponto final na polêmica e vamos a Mônaco.

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