Perfil
Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto e escritor. E professor de Jornalismo na FAAP, também. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar” e "Quatro Rodas Clássicos", rádios Cultura, USP, Jovem Pan e Bandeirantes. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. É também comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil e da rádio Estadão ESPN. Foi parceiro do iG, com o site “Grande Prêmio”, desde a criação do portal, no final de 1999. Em março de 2012, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2007 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de "Meianov".
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Arquivo da tag: Barrichello
Indy, IRL, ChampCar... |
10 de maio de 2012 - 16:18
CAPAINDY
SÃO PAULO (hum…) – Barrichello divulgou no seu Twitter a pintura do capacete que vai usar durante este mês de Indianápolis, com uma fusão das bandeiras dos Estados Unidos do Brasil e da América. Gostaram?
F-1 |
9 de maio de 2012 - 18:25
DESEMBUCHA, MEU FILHO
SÃO PAULO (mas…) – Barrichello deu entrevista à “Playboy”. Claro que falou sobre a corrida da Áustria de 2002, a mais célebre presepada da história da F-1. Que completa dez anos agora, sábado, dia 12. Este post será longo, preparem-se. Porque tenho na parede do meu escritório, casualmente, uma página do “Diário do Povo” de Campinas, um dos jornais para os quais escrevia na época, com a cobertura da prova. Vou reproduzir trechos do que escrevi e, principalmente, do que Rubens e Schumacher disseram imediatamente após a prova. No caso do brasileiro, declarações que nem sempre combinam com o que ele passou a falar depois sempre que chamado a comentar o episódio. Schumacher também odiou tudo aquilo. Tanto que colocou Rubens no degrau mais alto do pódio e fez com que o troféu do vencedor fosse entregue a ele.
Comecemos com trechos da entrevista à “Playboy”, grifos meus.
“Foram oito voltas de guerra. É muito raro eu perder a calma, mas, naquele rádio, saiu gritaria. Fui até o final, até a última curva, falando que não ia deixar ele passar. Até que eles falaram algo relacionado a alguma coisa mais ampla. Não era contrato. Era uma situação que deixou no ar. Eu não posso contar o que eles falaram, mas foi uma forma de ameaça que me fez refletir se eu teria de repensar a minha vida, porque o grande barato para mim era guiar.”
Bem, eu estava em Zelweg naquele fim de semana. Não vou dizer que “lembro com detalhes, como se fosse hoje, o olhar perdido de Rubens no horizonte”. Não lembro de porra nenhuma. De Zeltweg, eu lembro mesmo é de tomar leite na máquina de Frisch-Milch da fazendinha onde a gente alugava quartos.
Mas nada como ler o que foi escrito no frescor dos acontecimentos. A saber, da minha lavra:
Enquanto o título mundial de pilotos não estiver matematicamente definido em favor de Michael Schumacher, Rubens Barrichello está proibido de ganhar corridas na Fórmula 1 se o alemão estiver na pista. “Acho que é isso mesmo”, disse o brasileiro ontem em Zeltweg, depois da maior demonstração de subserviência de um piloto, e de soberba de uma equipe, da história da categoria.
Este trecho é parte do “lead”, o primeiro parágrafo do texto enviado aos meus jornais, que em seguida descrevia factualmente o que aconteceu: Barrichello foi melhor o fim de semana todo, liderou de ponta a ponta e a poucos metros da linha de chegada tirou o pé para o alemão vencer. Foi a quinta vitória de Schumacher em seis corridas naquele ano. O título era a maior barbada da história.
Depois, coloquei algumas aspas dos dois pilotos, mencionei as vaias do público e segui com algumas frases de personagens no paddock.
A ordem do time, indefensável do ponto de vista moral, foi condenada por todos que se dispuseram a falar sobre o assunto no paddock de Zeltweg após a corrida, exceção feita a um ou outro integrante da Ferrari. “Vergonhosa”, disse Flavio Briatore, diretor da Renault. “Ninguém deveria se surpreender, é assim que a Ferrari trabalha”, falou Ron Dennis, da McLaren. “A FIA, que organiza isso aqui, deveria fazer alguma coisa”, acrescentou Gerhard Berger, da BMW. “Se fosse meu marido, jamais deixaria passar”, comentou Connie, a namorada de Montoya. “Ainda bem que não corro na Ferrari”, completou o colombiano.
A seguir, descrevo o ambiente na sala de imprensa, com Barrichello posicionado entre os outros dois pilotos que foram ao pódio, Montoya e Schumacher, no lugar normalmente destinado ao vencedor. Uma papagaiada que ele não deveria aceitar, claro, mas naquela hora é compreensível que não tivesse muita cabeça para pensar nisso. Conto que Jean Todt fez questão de acompanhar a coletiva pessoalmente, algo inédito. E relato que foram todos vaiados pelos jornalistas quando chegaram à sala, até que a entrevista fosse bruscamente interrompida depois que um sueco (provavelmente meu amigo Fredrik Petersens) perguntou por que, afinal, existia um campeonato de pilotos, se todos eles justificavam as ordens de box com o argumento de que o Mundial é disputado por equipes. Como ninguém soube responder, se levantaram e foram embora. E termino assim:
O domingo da vergonha em Zeltweg ficará marcado como a maior presepada da história da F-1. Como o dia em que um atleta abdicou da vitória em nome de cláusulas contratuais e achou tudo normal. Como o dia em que outro atleta aceitou ganhar sem merecer. Como o dia em que uma corrida de F-1 não teve vencedores.
Esses trechos são legais para se entender como a decisão da Ferrari foi execrada por todos, e como os pilotos tentaram, apesar de suas caras de tacho, passar uma certa sensação de normalidade. Tentativa evidente nas declarações literais de ambos, a parte mais importante do catatau a que estou submetendo meus pobres blogueiros.
Primeiro, o “ping-pong” com Barrichello. Editado, mas não muito. Em negrito, as perguntas. Em vermelho, frases que julgo importantes para que sejam comparadas ao que Rubens passou a declarar em todas as entrevistas posteriores para falar sobre Áustria/2002.
O contrato vale esse preço?
Eu tenho duas opções: ter um carro que não me dá condições nunca, ou um carro que me dá condições de vencer. (…) Hoje lutei com todas as minhas forças para ganhar a corrida. No final eles me pediram para deixar passar. Eu tentei conversar, dizendo que seria um gesto que causaria muita polêmica. E eles falaram que era uma decisão do time e ponto final. Nem discuti mais. Eu me sinto acima disso tudo. Saio daqui como vencedor.Você passaria, no lugar de Michael?
É difícil. No passado, tive situações assim em outras equipes, como a Stewart. Eu classifiquei atrás do Magnussen e o Jackie Stewart ofereceu o motor melhor para mim na corrida mesmo assim. Não aceitei, porque não era o combinado. Mas não estou revoltado. (…) Acho que vou ganhar uma hora ou outra, ponto final.Por que não desobedeceu?
Eu acho que ia fazer mais mal do que bem. Acabei de assinar um contrato. O ambiente ia ficar muito pesado. Entre eu e Michael, não. Mas na equipe, sim. (…) Hoje eu larguei para vencer sem nunca pensar que na última volta eles iriam me pedir o que pediram.Está proibido de vencer, até se definir o título?
É o que parece, com certeza. (…) Mas já aconteceu, não vou ficar chorando as pitangas agora. (…) Estou contente com o que aconteceu? Não, eu queria ter ganhado esta prova. (…) Mas foi uma decisão da equipe, ponto.O que significou Michael tê-lo chamado para o degrau mais alto do pódio?
Eu me dou muito bem com ele. É um superpiloto, tenho muito orgulho de ser companheiro dele, é um cara acima da média. Se eu ganho uma corrida em cima dele, é porque estou indo muito bem, obrigado.Quando veio a ordem?
Veio a três voltas do final. E veio tarde, né? Eu pensava, “não está vindo nada, vindo nada”, aí veio. No ano passado foi diferente, a gente passou muito tempo falando pelo rádio. Desta vez eles disseram que era para fazer, eu fiz e acabou.
A entrevista de Schumacher também é interessantíssima. Depois comentamos tudo. Alguns trechos:
A primeira vitória na Áustria, dá para comemorar?
É óbvio que não (…). No ano passado eu até me envolvi naquela situação, porque o campeonato estava mais apertado. Hoje, antes da corrida, me perguntaram se algo parecido iria acontecer e eu disse que nem estávamos pensando em estratégia. Aí eles me avisaram para passar e eu não fiquei satisfeito, como Rubens. Mas temos de olhar para as ambições e objetivos do time, que são os títulos.Qual o papel de Rubens?
(…) Seu gesto mostra como trabalhamos juntos, a confiança que temos um no outro. (…) O que ele fez por mim não é normal. Eu gostaria de não ter recebido a ordem pelo rádio. Para mim, seria melhor terminar do jeito que estava.Há justificativa para a ordem?
Não sei quem deu a ordem, provavelmente Montezemolo, passando por Todt, e por aí vai. É preciso entender que a Ferrari investe muito dinheiro para ser campeã. Imagine se a gente perde o campeonato por causa desses pontos (…). Não sou totalmente a favor disso, mas ninguém sabe o que vai acontecer no futuro. (…) Disse a ele no pódio que espero que este campeonato se defina logo para que a gente possa disputar corridas de verdade.A credibilidade da F-1 está afetada?
(…) Esse tipo de coisa aconteceu muitas vezes antes. Se fosse na última corrida do ano, ninguém iria estar discutindo. Que diferença faz acontecer agora ou no fim? (…) Infelizmente para ele a situação nos pontos é favorável a mim. Não fosse isso, acho que não pediriam para ele me deixar passar.Por que não desobedeceu?
Eu pensei muito sobre essa possibilidade, e por isso estava torcendo muito para que não me dessem ordem nenhuma. Se você olhar a telemetria, vai ver que na reta Rubens tirou o pé, e eu tirei também para não passar. Mas aí ele quase parou o carro. Lá dentro, não dá tempo para pensar muito nessas horas. Eles me avisaram nos últimos metros que Rubens iria me deixar passar. Na hora eu achei que era a decisão errada. Se tivesse a chance de voltar atrás, não passaria. Mas agora não posso fazer mais nada.
Legal. O que depreendo disso tudo é que ou o tempo afetou a memória de Rubens, ou ele mentiu depois da corrida. Por suas declarações, não houve muito papo. Pediram, aceitou, tchau. No ano anterior, falou-se mais. Foi a prova em que ele entregou o segundo lugar a Schumacher, também na Áustria. Será que confundiu as duas?
Dez anos depois, à “Playboy”, ele fala em “ameaças”, situações que não tinham a ver com contrato, “alguma coisa mais ampla” que ele não pode contar.
É inevitável lembrarmos da história maluca publicada em 2008 num livro do jornalista Lemyr Martins, que reproduziu um e-mail apócrifo que muita gente recebeu, ainda em 2002. O texto falava em sequestro da mãe e até no cachorrinho da família latindo no rádio. Daquelas piadinhas de internet, como a venda da Copa de 1998 pelo Brasil à França, ou a ONG bancada pelo governo brasileiro para defender que Plutão fosse reconhecido novamente como planeta.
O problema todo é que Rubens não fala. Joga as coisas no ar e não conta a verdade. Se é que há alguma verdade além daquilo que ele e Schumacher falaram logo depois da corrida. Há contradições entre o que foi dito no dia 12 de maio de 2002 e o que ele diz agora à revista. Teriam sido oito voltas de discussão ou três? Houve mesmo uma discussão, ou “eles disseram para fazer, eu fiz e acabou”? E como é que depois disso tudo ele ainda ficou mais três anos numa equipe que o ameaçava pelo rádio? Que espécie de relação patrão-empregado é essa, e como aceitá-la tanto tempo calado? Em nome do quê?
Desconfio que, nestes dez anos, o tempo embaçou a memória de Barrichello, as lembranças foram-se tornando cada vez mais turvas e confusas e ele não lembra mesmo de porra nenhuma.
Eu, pelo menos, lembro do leite fresco.
Indy, IRL, ChampCar... |
7 de maio de 2012 - 17:46
N’OVAL
SÃO PAULO (mês longo) - Aí está a estreia de Barrichello num circuito oval. Bateu nos 320 km/h. O velocímetro, não o piloto. As impressões de Rubens estão aqui. O teste aconteceu no Texas e a foto foi postada pelo Tony Kanaan em seu twitter.
INDY & STOCK
SÃO PAULO (digam vocês) – Vi parte da Stock em Curitiba e não vi a Indy em Long Beach. Deixo para a blogaiada os comentários sobre a vitória do Valdeno Brito, sobre esse horário das 9h30 das corridas, bom para a TV e nem tanto para quem vai ao autódromo, e também sobre o triunfo de Will Power e o engarrafamento no fim da corrida da Indy. O toque de Helinho em Barrichello, creio, merecerá muitos palpites. Rubens ficou meio chocado com o tanto de pancada que levou. Bem-vindo ao mundo real. A Indy é assim.
F-1 |
5 de abril de 2012 - 0:40
VOLTARIA?
SÃO PAULO (sigamos) – Barrichello ao “Linha de Chegada”: “Queria que o fã entendesse que não tenho nenhuma mágoa. Se me chamassem hoje para ir guiar, eu iria. Foi a melhor equipe em termos de respaldo, criatividade, foi tudo do melhor”. Está falando da Ferrari.
Respaldo? Uai, não tinha aquela história de…
Ah, deixa pra lá.
Indy, IRL, ChampCar... |
31 de março de 2012 - 22:42
P1 E P14
SÃO PAULO (calvário) – Helinho na pole, Rubinho em 14°. Foi o resultado da classificação hoje em Barber. E Tony em sexto. A cobertura está aqui.
E reproduzo aqui pergunta que faremos na próxima Revista WARM UP: a primeira vitória de Barrichello na Indy vai demorar mais do que se imaginava?
F-1 |
29 de março de 2012 - 15:35
O “PÉREZ” DE 1993
SÃO PAULO (mas os meus cabelos…) - Matéria do “Fantástico”, sóbria e sem afetação, na noite do GP da Europa de 1993, em Donington. Dá até para entender a corrida… A vitória de Senna foi espetacular. Mas o tom laudatório que se vê hoje a qualquer vitória brasileira em qualquer esporte era bem mais contido. E como lembra o Denisson Gervásio, que mandou o vídeo, Barrichello, por pouco, não terminou aquela prova em terceiro. Aliás, coloco essa entre as cinco maiores corridas de Rubens na F-1. E aos 4min54s, no canto inferior direito, aparece a testa deste que vos bloga.
Indy, IRL, ChampCar... |
25 de março de 2012 - 16:57
P1 (E P17)
SÃO PAULO (real life) – É claro que quase todo mundo que se ligou na Indy hoje o fez para ver a estreia de Barrichello, mais do que qualquer outra coisa. Mas acabou vendo mesmo uma exibição de gala de Helio Castroneves e da Penske. Rubens fez uma corrida bem discreta e teminou em 17°, apenas, duas voltas atrás do vencedor. Dos 19 que terminaram a prova, ele ficou em antepenúltimo. Em sua equipe, a KV, Viso foi o melhor, em oitavo. Tony abandonou.
Barrichello ganhou milhagem, iniciou um processo de aprendizagem difícil, que é o da mecânica das corridas, as paradas, as bandeiras amarelas e tudo mais. Mas por mais que tudo isso seja verdade, que demora um pouco para pegar o ritmo, que seria mesmo pouco provável que ele chegasse chegando, creio que ficou uma ponta de decepção pelo resultado. Esperava-se um pouco mais. Quanto, não sei.
Helinho venceu pela terceira vez em São Petersburgo, que curiosamente não fica na Rússia. Dixon e Hunter-Reay fecharam o pódio. Semana que vem já tem mais uma corrida. E parabéns à TV Bandeirantes que levou a transmissão até o fim, mesmo tendo invadido pouco mais de cinco minutos do futebol, que veio a seguir. Respeitaram os telespectadores.
Indy, IRL, ChampCar... |
24 de março de 2012 - 18:52
P13
SÃO PAULO (contagotas) – Will Power fez a pole em São Petersburgo, que fica na Flórida, e não na Rússia (o Globoesporte.com mandou a corrida para a Pátria Mãe, mas já devem ter corrigido). Barrichello larga em 13°. Nos cinco primeiros lugares, motores Chevrolet. A Penske fez dobradinha na primeira fila com o australiano e com Bryan Riscoe. Ou Ryan Briscoe, um dos dois. A Ganassi fez sexto, nono e décimo, apenas. Tony ficou em oitavo.
Os detalhes estão aqui, para vocês comentarem.
Indy, IRL, ChampCar... |
23 de março de 2012 - 17:44
INDY, DIA #1
SÃO PAULO (e daí?) - Terminou o primeiro dia oficial de Barrichello na Indy. Nos treinos livres de hoje em São Petersburgo, ele ficou em 23° entre os 26 que treinaram. Mas antes que comecem a dizer bobagens, Rubens teve problemas de câmbio e deu pouquíssimas voltas, apenas oito no primeiro treino e 20 e poucas no segundo, numa pista que lhe é desconhecida. O resultado, pois, é irrelevante. Tony em 8° e Viso em 20° é que dão uma ideia de como a KV é um time apenas médio, que vai viver de espasmos ao longo do ano. Por isso ninguém deve esperar milagres. Mesmo num campeonato de carros parecidos, sempre tem aqueles que andam mais à frente.
Rubens e a equipe têm de se preocupar muito mais em encontrar os gremlins que atrapalharam seu dia do que com a folha de tempos, enfim. Essa, sim, diz alguma coisa. Do primeiro ao 20°, menos de um segundo, mas isso não é propriamente um fator de equilíbrio. A pista é curta, menos de 3 km, e é normal que os tempos fiquem próximos. O que a cronometragem mostra com clareza é que nos seis primeiros lugares aparecem três carros da Penske e três da Ganassi. Power, o da foto, comandou a dobradinha da Penske, com Franchitti, Rahal e Dixo, o trio ganássico, logo atrás, e Helinho em sexto. O duelo entre as duas grandes equipes da categoria será a marca do campeonato, e o legal é que são seis pilotos, todos mais ou menos do mesmo nível. E também interessante será a briga entre Chevrolet e Honda entre os motores, já que o Lotus é claramente inferior.
Amanhã sai o grid. Em pista de rua é importante largar na frente, seja em uma prova de monopostos, seja com patinetes. Mas na Indy, como se sabe, acontece tanta coisa numa corrida que largar mais atrás também não chega a ser uma tragédia. Seguimos acompanhando este primeiro capítulo da aventura americana de Barrichello.
F-1 |
22 de março de 2012 - 12:40
AINDA RUBENS
SÃO PAULO (falando nisso) – Incrível a enquete do site italiano “Auto”, que pergunta: se você fosse Stefano Domenicali, a quem daria a Ferrari número 6?
Barrichello está goleando todo mundo.
Indy, IRL, ChampCar... |
16 de março de 2012 - 14:56
MEU PÉ DIREITO
SÃO PAULO (chuta que é macumba) – Tem um negócio em corrida que nem todo mundo sabe. Na maioria dos carros hoje, mesmo nos de Turismo, o pedal de embreagem foi praticamente extinto com a adoção de câmbios de engate eletrônico que usam borboletas atrás do volante ou alavancas para troca sequencial. Isso fez com que muitos pilotos passassem a frear com o pé esquerdo, como faziam no kart.
Na F-1 é famosa a história dos problemas de adaptação de Barrichello ainda na Jordan, lá em meados dos anos 90. Ele teve enormes dificuldades para passar a frear com o pé esquerdo e continuou, durante muito tempo, brecando com o direito. Nisso, seu companheiro Irvine acabou se impondo ao brasileiro em muitos treinos e corrida.
Depois o brasileiro foi-se adaptando, a ponto de se tornar, digamos ambidestro em questões de frenagem. Mas sempre com carros que permitissem o uso do pé direito para frear, o que fazia com que eles tivessem algumas mudanças nas posições de pedal em relação aos carros de seus companheiros de equipe que usavam exclusivamente a canhota para o breque. Rubens sempre preferiu frear em linha reta, não tão dentro da curva, e para isso o pé direito bastava. Na medida em que os freios foram ganhando mais e mais eficiência e fazer a curva brecando passou a ser algo comum, ele passou a usar o esquerdo também.
Faço essa longa digressão para contar que a Indy está oferecendo, em seus novos chassis, a opção de freio com o pé direito e com o pé esquerdo, sem que nenhuma mudança estrutral tenha de ser feita nos carros. É só posicionar os pedais ao gosto do freguês. Dario Franchitti, por exemplo, comemorou. Disse que nunca se habituou 100% às frenagens com o pé esquerdo. Barrichello poderá fazer uso do recurso, também, dadas suas preferências pela direita.
E para quem acha que isso é um detalhe irrelevante, sugiro que, um dia, tente frear seu carro de rua com o pé esquerdo para ver se é fácil e se se acostuma rápido. Mas não esqueça de colocar o cinto. E aproveito para perguntar aos felizes proprietários dos chatíssimos carros automáticos: vocês, que não trocam mais marchas, brecam com o pé esquerdo ou ele só serve, atualmente, para descer do carro?
Automobilismo brasileiro |
10 de março de 2012 - 14:22
HÁ 23 ANOS
SÃO PAULO (no tranco pega) – Bom dia, macacada. Enquanto o Grande Prêmio novo faz sua estreia e a gente arranca os cabelos para consertar os pequenos “bugs”, fiquem com este vídeo bacana enviado pelo Denisson De Angelis. F-Ford em Floripa, pista de rua, 1989. Notem a força dos patrocinadores, a quantidade de gente, a participação forte da montadora. Não por acaso dali saiu muita gente boa, como Barrichello — vencedor da prova em questão. Curioso também saber qual o destino dos outros três pilotos apresentados no início da reportagem. Alguém sabe deles?
Indy, IRL, ChampCar... |
1 de março de 2012 - 13:32
OVAL E TUDO
SÃO PAULO (será interessante) – Barrichello acaba de anunciar o que todos já imaginavam. Será um dos três pilotos da KV em 2012 na Indy. E vai correr nos ovais. “O Jimmy [Vasser] falou: ‘Pelo menos Indianápolis’. Porque no começo a gente discutiu de eu só correr nos mistos. Mas aí ele disse: ‘Pô, já está aqui mesmo, vai fazer Indianápolis, faz tudo’. Conversei em casa com a Silvana e ficou tudo certo.”
Rubens estava muito tranquilo na coletiva que deu agora há pouco. Admitiu que tem de aprender muito sobre a categoria e que terá em Tony Kanaan seu professor. Turbo, pneus não pré-aquecidos, ovais, freios, coisas que terá de aprender do zero, outras que deve aprender mais rápido graças à experiência na F-1… Falou de tudo com muito otimismo e serenidade. “Em casa, foi graças a meus filhos que a coisa aconteceu. Tenho dois filhos movidos a gasolina. A etanol”, contou, relatando a alegria do mais velho acompanhando os tempos do pai em Sebring.
Como escrevi ontem, a Indy terá uma atenção, neste ano, que talvez nunca tenha tido no Brasil, exceção feita aos anos de ouro de Emerson que, mesmo assim, era dividida com a F-1 no auge de Senna. Serão três brasileiros no campeonato, três pilotos de nome e excelente nível: Rubens, Tony e Hélio Castro Neves. Castroneves. Heliocastro Neves. Heliocastroneves.
O carro de Barrichello será azul, com patrocínio principal da BMC, como antecipou há alguns dias o Victor Martins. “A gente tem de ter humildade, saber que não vai começar num patamar elevado, porque está saindo do zero. Estou ansioso para aprender e para correr no Brasil”, falou, prometendo a sambadinha no Sambódromo no caso de uma vitória, para pânico de todos.
Sorte a Rubens. Recomeçar aos quase 40 anos é sempre difícil e merece aplausos.
Indy, IRL, ChampCar... |
29 de fevereiro de 2012 - 20:05
O QUE SERÁ?
SÃO PAULO (vejamos) – Muito bem. Está tudo pronto amanhã para mais um espetáculo midiático-nacionalista, desta vez promovido pela TV Bandeirantes. Como informa Victor Martins, a emissora do Morumbi está preparando transmissões simultâneas, ao vivo, pela TV, nas suas rádios, na internet e por sinal de fumaça, para o anúncio de Rubens Barrichello.
O veterano piloto vai correr pela KV com patrocínios brasileiros, um deles da BMC, que iria bancar sua permanência na Williams. A BMC vende máquinas. Brasil Máquinas de Construção é o que quer dizer a sigla da empresa, criada em 2007. Filhote da recuperação econômica do país, já investe em automobilismo com patrocínios em várias categorias nacionais. Não sei quem são os donos, mas eles parecem gostar de corridas.
Como a Globo, a Bandeirantes também tem esse viés cafona-ufanista em suas transmissões esportivas. Às vezes até mais, mas como é menos vista, salta menos aos olhos. Rubens será o herói do canal em 2012 e base de toda a cobertura, podem ter certeza. Bem, é problema deles. Como se sabe, nessas babaquices a gente não embarca. E nem é isso que quero discutir aqui.
O ponto agora é: o que será Barrichello capaz de fazer na Indy?
Não estou entre os que acreditam que será sopa no mel. Que Rubens vai chegar arrebentando, ganhando todas as corridas. O nível dos pilotos da F-1 é, em geral, mais alto que os da Indy. Quanto a isso não existem muitas dúvidas. Mas estamos falando de categorias diferentes. Bem diferentes. O estilo da competição, o comportamento da pilotaiada, os toques, as disputas, a mecânica das corridas, tudo exige uma certa adaptação. Mansell chegou chegando em 1993, mas não é regra. Primeiro, porque faz muito tempo e comparar o que existia nas pistas há quase 20 anos com a realidade atual é perigoso. Depois, porque Nigel era, em relação aos seus pares na F-1, um talento superior; afinal, havia conquistado o título mundial. Não é o caso de Barrichello, um piloto que deixa a categoria onde militou por 19 anos em baixa. E não creio que ele terá muita moleza diante da turma do barulho formada por Will Power, Ryan Hunter-Reay, Dario Franchitti, Scott Dixon… Não tem mais bobo na Indy, diria meu amigo Gian Oddi.
De qualquer forma, sua experiência e suas habilidades terão enorme peso. O entusiasmo, idem. “A paixão não faz com que tudo seja fácil, mas faz com que tudo seja possível.” Sim, eu sou capaz de citar Paulo Coelho em algumas situações.
Livros de autoajuda à parte, pergunto: o que vocês acham que vai acontecer em 2012 com Barrichello na Indy? Vamos a algumas alternativas, para facilitar a pesquisa informal:
A) será campeão com facilidade
B) vai ganhar algumas corridas, mas nenhuma em oval
C) vai ganhar várias provas, inclusive nos circuitos ovais
D) terá dificuldades de adaptação ao carro
E) terá dificuldades de adaptação ao tipo de corrida, com muitos toques e bandeiras amarelas
F) conseguirá no máximo alguns pódios
G) vai levar porrada em todas as corridas dos adversários enciumados
H) vai andar mal e desistir antes do fim da temporada
Como se vê, pode acontecer muita coisa num ano de estreia. Daria para inventar mais umas dez alternativas. E que Rubens não se engane: ele será pressionado, sim, pela mídia e pelos torcedores. Estará entre a cruz e a espada. “Agora vamos ver se ele é bom mesmo” será frase ouvida em todas as corridas. É cobrança, eu diria, mais aguda do que se ele continuasse na F-1, onde ninguém mais esperava nada dele.
Mas insisto que sua passagem para a Indy será positiva para todos, especialmente para a categoria. Vai ser um ano interessante. A Indy terá uma mídia, ao menos no Brasil, que não tinha desde os tempos em que Emerson brilhava por lá.
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27 de fevereiro de 2012 - 13:24
COM RUBENS EM SONOMA
SÃO PAULO (agora vai) – Para quem curte uma on-board, cinco minutos com Barrichello em Sonoma, em vídeo publicado de madrugada pela KV. O brasileiro ainda deve fazer mais um treino antes do início da temporada. Sim, ele vai disputar a temporada, provavelmente com o patrocínio de uma empresa de máquinas, a BMC, como informa Victor Martins. A mesma que iria apoiá-lo na F-1 com a Williams. O anúncio oficial vai acontecer quinta-feira.
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25 de fevereiro de 2012 - 16:16
É SÓ ANUNCIAR
SÃO PAULO (chove chuva) – Publicada agora há pouco no Twitter de Tony Kanaan, a foto mostra Barrichello num carro verde-amarelo-com-muito-orgulho-com-muito-amor e pequenos patrocínios da cerveja Itaipava.
Como disse outro dia, a questão financeira está toda amarrada e agora é só uma questão de se fazer um anúncio oficial. Legal, a Indy ganha, Rubens também.
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14 de fevereiro de 2012 - 16:48
FALTA POUCO
SÃO PAULO (certo, mano) – Ontem à noite o repórter Victorino Chermont, do canal Fox Sports, afirmou que Barrichello assinou com a KV para a temporada 2012. Não há detalhes, apenas isso: assinou.
Através de sua assessoria de imprensa, Rubens deu a seguinte declaração:
“Estou muito feliz pela chance de testar novamente com a KV Racing Technology. Desta vez, será em Sonoma, na Califórnia, onde a categoria corre também durante a temporada. Independente de ir fazer mais um teste, ainda não assinamos nada. Estamos trabalhando para ver se realmente conseguimos concretizar isso, mas hoje só posso confirmar que farei mais dois dias de testes”.
Os treinos em Sonoma, na Califórnia, acontecem nos dias 25 e 26 de fevereiro.
E eu, conversando aqui e ali, posso afirmar que: 1) ele ainda não assinou, pelas razões contidas no item 2, mas vai assinar em breve; 2) os termos do contrato estão conversados e acertados, mas Rubens precisa, agora, finalizar os detalhes do aporte de verba para a KV, da ordem de 3 milhões de unidades monetárias estadunidenses; 3) o dinheiro, de patrocinadores brasileiros, já está mais ou menos garantido e não foi muito difícil; 4) o Grupo Bandeirantes participa de tudo com enorme alegria e empenho (daí pode-se imaginar a babação de ovo sobre Barrichello ao longo da temporada; nada muito diferente, aliás, daquilo que a emissora faz com pilotos brasileiros há anos, misturando jornalismo com promoção, negócios, camarotes, coxinhas e empadinhas); 5) o negócio dos ovais ainda está pegando com a mulher, Silvana, mas já pegou muito mais no passado e a ideia é correr o campeonato na íntegra.
Como afirmou neste fim de semana, com seu discurso bem característico, um rapaz próximo a Barrichello, está tudo fechado. Ou seja, vai correr. Obviamente.
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13 de fevereiro de 2012 - 22:38
SIGNIFICA
SÃO PAULO (hard days night) – Barrichello anda de novo com o carro da KV nos dias 25 e 26 em Sonoma, ao lado de Viso. Tony, alguns dias antes, anda no oval do texas.
Como se diz hoje em dia, significa.











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