Perfil
Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto e escritor. E professor de Jornalismo na FAAP, também. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar” e "Quatro Rodas Clássicos", rádios Cultura, USP, Jovem Pan e Bandeirantes. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. É também comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil e da rádio Estadão ESPN. Foi parceiro do iG, com o site “Grande Prêmio”, desde a criação do portal, no final de 1999. Em março de 2012, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2007 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de "Meianov".
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Arquivo da tag: Alonso
HISPÂNICAS (6)
SÃO PAULO (City campeão, Wiliams vence, Inglaterra dos milagres) – Massa, a exemplo de Bruno, teve no desempenho do companheiro em Barcelona um soco no estômago.
Alonso, segundo colocado, está na briga pelo título. Alguém duvida? Eu duvidava. Afinal, o carro é ruim. Ou, ao menos, foi bem ruinzinho nas quatro primeiras corridas do ano. Eles mesmos, os pilotos, diziam isso. Com todas as letras.
Agora, parece que não é tanto. Fernandinho lutou pela vitória no pau a pau, afinal de contas. Na classificação, foi o terceiro (largou em segundo porque Hamilton foi punido). Aos trancos, vai se virando. Se fosse tão ruim assim, não estaria ele na liderança do campeonato depois de um quarto do Mundial, cinco das 20 etapas.
O carro melhorou depois de Mugello. E se os outros são mais rápidos, não são tão mais rápidos assim. E nem sempre conseguem andar na frente de Alonso. Cometem erros, se atrapalham num pit stop, perdem posições no grid, está todo mundo fazendo merda a granel neste ano. Mercedes, Red Bull, Williams, McLaren, Lotus e Sauber, em algum momento desta temporada, foram bem melhores que a Ferrari. Mas, em outros, andaram atrás. Nunca todos andaram na frente do carrinho vermelho do asturiano ao mesmo tempo. E assim ele vai somando seus pontinhos. O fato é que este campeonato é um eletrocardiograma.
Talvez estejamos julgando a Ferrari equivocadamente, pelo desempenho de Massa. Que vem sendo muito ruim, cada vez pior. Hoje, de novo, só chegou na frente dos nanicos entre os que terminaram: Kovalainen, Petrov, Glock e De la Rosa. Aí não dá. OK, foi punido com um drive-through como Vettel, por não ter tirado o pé numa bandeira amarela. Mas Vettel terminou em sexto.
O que acontece com Massa, ninguém sabe. O que vai acontecer, infelizmente para ele, é evidente.
A questão agora é apenas saber quando.
Tags: Alonso, Ferrari, GP da Espanha 2012, hispânicas, Massa
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SEM CHECO
SÃO PAULO (bom para o Felipe) – A Ferrari confirmou que Alonso testa dois dias e Massa, um em Mugello. Nada de Pérez, como especulou a “Autosprint”. A “Autosprint”, aliás, tem batido sem dó no brasileiro.
Os testes estão marcados para o período de 1° a 3 de maio.
Tags: Alonso, Autosprint, Ferrari, Massa, Mugello, Pérez
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FÁCIL NÃO É
SÃO PAULO (manda currículo) – As declarações de Domenicali ao “El Mundo” da Espanha são muito fortes e claras. O chefe da Ferrari diz que Massa não deve tentar desafiar Alonso, mas sim aprender com ele. Coloca, com sinceridade, as coisas em seus devidos lugares. Fernandinho é o dono do time, o novo Schumacher. O outro piloto será sempre o outro piloto.
Não vejo sacanagem nenhuma aí. Não significa que vão mandá-lo para a pista com três rodas ou pedir para comer na cozinha do motorhome quando o espanhol estiver almoçando. A Ferrari tem essa política há bastante tempo, desde que contratou Michael, em 1996, fazendo sua aposta para sair da fila. É uma opção, tem de ser respeitada. Há quem não goste — eu, por exemplo, prefiro o estilo McLaren, de ter dois pilotos fortes, do mesmo nível; mas nem sempre é possível.
Primeiro e segundo piloto é algo que quase todo mundo tem. Claro que nas equipes grandes essas coisas saltam mais aos olhos, e quando há um brasileiro envolvido, mais ainda por estes lados do planeta. Afinal, desde que Barrichello foi para Maranello, em 2000, é uma situação com a qual a pachecada convive, estimulada pelas bobagens da Globo. Ontem, li aqui (não ouvi) que a emissora oficial clamava por uma ordem de equipe quando Felipe estava atrás de Alonso com pneus macios. Foi isso mesmo?
Se foi, não há tolice maior. Transformar algo tão irrelevante em assunto numa transmissão de corrida apenas alimenta a desinformação e estimula os incautos a acharem que na F-1 todo mundo é contra o Brasil, que os pilotos brasileiros são coitadinhos, que só não são campeões todos os anos porque alguém não deixa.
Nada mais falso. Massa é segundo piloto da Ferrari porque Alonso é melhor. Em 2008, Felipe fez um ano melhor que Raikkonen e teve sua chance de ser o primeiro. Fez um campeonato exuberante e só perdeu o título por detalhes, numa decisão que, desconfio, jamais veremos de novo. Rubens sempre foi segundo de Schumacher porque Schumacher era melhor. Mas na Jordan e na Stewart, quase sempre foi ele, Barrichello, o primeiro. Senna era primeiro piloto da McLaren quando corria com Berger. Com Prost, vivia-se uma situação parecida com a de hoje, com Hamilton e Button. Piquet teve de peitar todo mundo na Williams para não sucumbir à preferência por Mansell. Encheu o saco e saiu, depois de conquistar o título de 1987. Na Red Bull, alguém duvida que Vettel é o primeiro e Webber o segundo? E na Lotus? Será que alguém acredita que Grosjean não compreendeu seu papel neste ano, com a chegada de Raikkonen?
Domenicali foi sincero, embora esse tipo de coisa nem precise ser dita. Massa tem mais é de se concentrar em seu próprio trabalho, esquecer Alonso (e nem acho que se preocupa tanto; muitas vezes é parte da mídia brasileira que dá corda a essas coisas, à revelia do piloto) e mostrar à F-1, e não à Ferrari, que tem lugar no grid em 2013.
Tags: Alonso, Domenicali, Ferrari, Massa, Schumacher
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A HORA DE CHECO
SÃO PAULO (é bom se preparar) – Diz a “Autosprint” que Sergio Pérez será escalado pela Ferrari para os testes de Mugello, no começo de maio — a sessão pré-temporada europeia acertada entre a FIA e as equipes. Alonso será escalado para os dois primeiros dias e, no terceiro, o mexicano divide o carro com Felipe Massa, ainda de acordo com a revista italiana.
Checo está em alta. No vído acima, que ele mesmo postou no Twitter, uma matéria feita pela TV alemã lembrando os tempos em que ele morava num restaurante no país, no comecinho da carreira.
NOVINHOS…
SÃO PAULO (destinos cruzados) – Legal a foto que o Humberto Corradi mandou. São os quatro estreantes da temporada 2001: Raikkonen na Sauber, Montoya na Williams, Alonso na Minardi e Bernoldi na Arrows. É legal olhar para 11 anos atrás e ver o que deu na carreira de cada um. Aquele em que mais se apostava, Montoya, desfila sua pança na Nascar, hoje em dia. Bernoldi nunca foi considerado uma grande esperança. Kimi era uma incógnita, com suas 20 e poucas corridas de carros no currículo. E Fernandinho já era namorado pela Ferrari.
SAUDOSAS MALACAS (4)
SÃO PAULO (legal demais) – A Ferrari fez um dos piores carros dos últimos tempos. O bicho não anda, a equipe admite, os pilotos choramingam, a imprensa corneta.
E depois de duas corridas, Alonso é o líder do Mundial.
Como é a vida, não?
Bem, Alonso venceu o GP malaco, estava feliz e radiante, mas não é burro. Sabe que esse carro aí está longe de ser algo que preste. Eu não queria nem de graça. Talvez para a GP2. “Precisamos ganhar em condições normais. Não em condições como as de hoje.”
“As de hoje” em Sepang foram o que se chama de extremas. Faltando 20 minutos para a largada, começou a chover fraco. Na volta de apresentação, já tinha piloto querendo colocar pneu para seco. Mas quando largaram, desabou um puta toró.
Apesar da tempestade, Hamilton e Button, os dois da primeira fila, se seguraram na boa. E os apressadinhos que queriam slicks avisaram pelo rádio que era melhor providenciar botes salva-vidas. Começaram as trocas para pneus de chuva brava, sendo Pérez e Senninha os primeiros a trocar — o brasileiro porque tinha tocado em Maldonado e parou antes do previsto. O chicano porque é espertoman.
Na sétima volta, estavam quase todos calçados com a borracha mais apropriada para os programas do Datena. Menos Vergne e Karthikeyan. Aí Button entrou no rádio para comentar, de forma até lúdica, quando perguntado sobre as condições da pista, que o último setor estava “like a lake”.
Dá até música, “Like a Lake”. O fato é que era tanta água que pararam tudo. Safety-car na frente do pelotão, duas voltas e bandeira vermelha. Para essa merda toda. Hamilton seguia na liderança, com Button em segundo e o espertinho do Pérez em terceiro, porque aproveitou mais do que ninguém os pneus para pista muito molhada, já que trocou antes. Ganhou um caminhão de posições quando os outros pararam.
O mais impressionante nessa interrupção foram as tendas armadas no grid, enormes, com duas salas, copa, cozinha, dois quartos, uma suíte, home-theater, dependências de empregada e terraço gourmet. Mas uma vaga apenas. Tudo para os pilotos não tomarem chuva. Alguns times, os mais pobrinhos, tiveram de se virar com guarda-chuvas chineses, aqueles de 5 reais que estavam vendendo na arquibancada.
Foram 51 minutos de lenga-lenga para que a corrida recomeçasse. Num passe de mágica, as enormes barracas desapareceram. Com menos chuva, saiu todo mundo atrás do safety-car. Quando o dito cujo saiu da frente, sete pilotos foram para os boxes colocar intermediários correndo, porque estava secando. A McLaren se atrapalhou com Hamilton, que se atrapalhou com o mundo, e Alonso ganhou sua posição. Button fez uma de suas raras barbeiragens, bateu em Karthikeyan (que estava à sua frente de verdade!), teve de trocar pneu de novo e estragou sua corrida.
Foi então que alguém se perguntou: e aí, quem está atrás do Alonso, afinal? Porque estava claro que Alonso não iria ganhar nada, e sendo assim, o vencedor seria o segundo colocado. Pérez. Acreditam? Pérez.
Putz, o Pérez vai ganhar, muchachos! E aí a prova ficou bacana demais, com o mexicano partindo para cima, reduzindo a diferença volta a volta, até que começou a secar de verdade, Ricciardo foi a primeira cobaia a colocar slicks, começou a virar 5s mais rápido que os outros, e os outros pararam também. Slicks pra todo mundo.
Pérez parou uma volta depois de Alonso, perdeu uma meia-dúzia de segundos, e começou a remar tudo de novo. Fernandinho ia se virando do jeito que dava com aquela carroça inguiável, e na volta 49 o engenheiro entrou no rádio do nosso teen asteca para dar um toque: “Checo, toma cuidado, meu filho. Calma. Essa posição é muito importante para nós”. Foi só falar e o pobre diabo escapou da pista. Conseguiu voltar, mas terminou em segundo.
Há quem acredite que foi mensagem cifrada. Na linha “Fernando is faster than you”. Besteira. Por quê? Porque a Sauber compra motor da Ferrari? E daí? O que aconteceria se Serginho passasse Fernandinho? A Ferrari iria parar de vender? Iria aumentar o preço acima da inflação? Iria cobrar mais pela revisão? Iria reduzir a garantia? A Sauber não tem motivo nenhum para abrir mão de uma vitória contra ninguém. Fosse um embate Red Bull x Toro Rosso, poderia até ser — embora não seja o perfil do nenhuma das duas. Mas a Sauber, não. Bobagem.
Prefiro a tese do João Paulo de Oliveira, que pelo Twitter disse que o engenheiro não tinha de dizer nada, que não se deve desconcentrar um piloto nessa situação. Checo ia ganhar a corrida. Entusiasmou-se demais, talvez, se desconcentrou, saiu da pista, chegou em segundo. E Alonso se livrou de um passão nas últimas voltas pela segunda vez no ano. Na Austrália, foi Maldonado que bateu quando estava chegando para jantar o espanhol. Os caras se assustam, deve ser isso.
Checo dedicou o segundo lugar à cadelinha Frida, que morreu há alguns dias, a Carlos Slim, o bilionário dono da Claro e da Telmex que o patrocina, e a Deus. Nessa ordem. Tem coisa mais fofa? Gracinha, diria a Hebe. Puta piloto, digo eu. Deu dobradinha da Ferrari, dirá o mais maldoso.
Foi um baita resultado para Pérez, piloto atrelado à Ferrari e preferido da imprensa italiana para assumir logo um dos carros vermelhos. Primeiro pódio mexicano desde o segundo lugar de Pedro Rodriguez em Zandvoort, 1971. Na chuva. Com uma Ferrari em primeiro, a de Jacky Ickx. Coincidências demais.
E é mesmo um negócio inacreditável, o Alonso. A Ferrari até escreveu “mágico” numa placa para ele. Se eu trabalhasse na equipe, escreveria “El Fodón”. Não se aperta, tem momentos de gênio, consegue com uma bomba sobre rodas sair da segunda corrida do ano na liderança do campeonato. Vale cada centavo que lhe pagam. Como vale Vettel, como vale Schumacher. O cara salvou o pescoço de todo mundo em Maranello.
Menos de um. Massa.
Putz. Como foi mal, Massa. Começou até de maneira razoável, estava em oitavo quando a prova foi interrompida, mas depois começou a despencar, despencar, despencar, todo mundo o ultrapassava, os pneus acabavam, e chegou uma hora que, depois de demorar para passar Petrov, o que é inaceitável, viu-se à frente apenas dos nanicos. Na prática, pois, em último. Com o companheiro em primeiro. Aí faltam argumentos para defender Felipe. Tem alguma coisa muito errada com ele.
Em compensação, o primeiro-sobrinho fez uma corridaça. Se começou mal, caindo para último quando teve de ir aos boxes logo no início, depois da relargada o rapaz foi um leão. Passou quem viu pela frente, foi passado e passou de novo, partiu para cima, não cometeu erros, e chegou em sexto. Um resultado brilhante, e se Bruno acertar nas classificações, pode começar a sonhar mais alto porque a Williams, incrivelmente, fez um carro muito bom para 2012. Maldonado teve um domingo menos feliz, até pelo toque de Senninha na largada, mas estava já em décimo quando o motor quebrou, na última volta. É meio cagado, esse Maldonado. Mas muito rápido.
Bem também foi Raikkonen, quinto colocado, dono da melhor volta da prova. E a Force India, com seus dois pilotos nos pontos, em sétimo e nono (Resta Um e o Incrível Hulk). Verme ficou em oitavo, fazendo seus primeiros pontos na F-1. E nunca mais falo bem ou aposto nada na Mercedes. Schumacher ficou em décimo porque Maldonado quebrou e Rosberguinho, nem sei onde chegou. Depois que um quero-quero passou por ele sem asa móvel, após uma sequência de pilotos riscando a carenagem prateada do carro bonito, mas ordinário, desisti. Já tomava nabo da Auto Union nos anos 30, por que vai começar a andar agora? Desisti dessa Mercedes. Marca que faz ônibus e carro, um dos dois não faz direito.
E para terminar, a Red Bull. Putz. O que aconteceu com esses caras? OK, Webber foi o de sempre. Mas e Tião? Bateu no Karthikeyan também e furou o pneu. No fim da corrida, pelo rádio, a equipe mandou abandonar. Depois desistiu. Depois mandou de novo. “Emergência!”, gritaram pelo rádio. O que encontraram? Uma granada na entrada de ar? Um foco de mosquitos da dengue?
Coisa mais esquisita, sô.
Quem ouvir um compacto da corrida transmitida pela rádio Estadão-ESPN com meus comentários? Clique aqui: GP MALASIA F1 2503 COMPACTO
Tags: Alonso, GP da Malásia 2012, Pérez
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“INÚTIL”
SÃO PAULO (na frigideira) – A “Autosprint” já foi mais importante e influente, mas não se deve desprezar a revista quando ela começa a ficar histérica. O torcedor italiano é apaixonado e os dirigentes da Ferrari são muito sugestionáveis. Menos pelo veículo, mais pelos jornalistas que assinam seus libelos. E não há imprensa mais corneteira no mundo quando se trata de F-1.
Por isso, é relevante a capa desta semana, definido Felipe Massa como “inútil” para a equipe e já sugerindo nomes para substituí-lo. Não no ano que vem, mas “o quanto antes”. Sergio Pérez e, pasmem, Jarno Trulli são as, digamos, indicações da “Autosprint”.
É uma decisão difícil. O desempenho do brasileiro em Melbourne foi, de fato, muito ruim. Se é verdade que na classificação os dois pilotos patinaram, é igualmente verdade que Alonso foi muito mais rápido que o companheiro: 0s945 no Q1, 1s003 no Q2. É muita coisa, muito mais do que as médias de 2010 e 2011, a saber:
2010
- Placar das classificações: Alonso 15 x 4 Massa
- Posição média de largada: Alonso 5,8 x 7,7 Massa
- Diferença média de tempo em classificações: 0s316 pró-Alonso2011
- Placar das classificações: Alonso 15 x 4 Massa
- Posição média de largada: Alonso 4,6 x 5,8 Massa
- Diferença média de tempo em classificações: 0s297 pró-Alonso
Claro que uma única corrida, como está de abertura do campeonato, é pouco para afirmar que os três décimos médios de 2010 e 2011 triplicaram. Média é média e só tivemos um GP até agora. Mas o que mais intrigou nesta prova foi a maneira como Felipe despencou, depois de uma boa largada. Pérez, que partiu em último, chegou em oitavo. Massa não terminaria nos pontos, embora tenha fechado a primeira volta em décimo. Aqui, vale lembrar que o mexicano também largou muito bem e era 12° na primeira volta, aproveitando-se das confusões que aconteceram com Bruno, Ricciardo, Hülkenberg et caterva. A partir daí, construiu sua corrida com uma estratégia de apenas uma parada, o que representa enorme vantagem em relação a quem, como Massa, foi para os boxes três vezes.
Felipe tinha problemas para aquecer pneus no último ano de Bridgestone e o mesmo aconteceu no ano passado, o primeiro da Pirelli. Em Melbourne, seu carro escorregava de um lado para o outro, o que é a pior coisa possível para a borracha. Ah, mas Alonso chegou em quinto. Verdade. E é aí que mora o problema. Massa será comparado sempre com Fernandito. Que é um piloto que lida melhor com as dificuldades. Apesar da classificação desastrosa, o espanhol, não nos esqueçamos, foi o primeiro depois dos quatro carros das duas equipes favoritas. É um resultado e tanto. Muito mais devido às suas qualidades que às do carro, que inexistem.
A melhor volta de Alonso na corrida, 1min30s277 na 52ª, foi a sétima melhor da corrida, 1s090 pior que a de Button, 1min29s187 — a melhor de todas. Felipe fez apenas a 15ª melhor, 1min31s940 (na 46ª), 1s663 mais lento que o parceiro. À frente, apenas, das duplas da Caterham e da Marussia e de Schumacher, que abandonou depois de quatro voltas, com o tanque cheio.
A temporada, em resumo, começou muito mal para Felipe. Trocá-lo por deficiência técnica é algo que, acredito, a Ferrari não faria se tivesse de pensar racionalmente. Racionalmente. Porque quando a imprensa italiana começa a apitar, as decisões em Maranello nem sempre são as mais racionais.
ATUALIZANDO…
A Ferrari informou que vai trocar o chassi de Massa na Malásia. Para tirar algumas dúvidas sobre o comportamento do carro na Austrália. E saiu em defesa do brasileiro em comunicado oficial.
Tags: Alonso, Autosprint, Ferrari, Massa, Pérez, Trulli
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BLEFE?
SÃO PAULO (e as coisas vão andando…) – Tem gente, como Button, que acha que a Ferrari está fazendo jogo de cena com essa história de que o carro é ruim, difícil, indócil, antipático e tal. Até agora não apareceu, de fato, nenhuma declaração de alguém de Maranello otimista com a F2012.
Vamos ver na Austrália, claro. Mas tendo a acreditar que as coisas não estão mesmo muito bem. Como disse outro dia, Alonso e Massa são sinceros. Quinta-feira Felipe vai dar uma coletiva aqui em São Paulo, à guisa de anunciar o patrocínio dos energéticos TNT para a equipe. Claro que será bombardeado com perguntas sobre o carro. Vamos ver como vai se safar.
Tags: Alonso, Button, Ferrari, Massa
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JEREZ, DIA 4
SÃO PAULO (vem água) – Alonso foi o mais rápido no último dia de testes em Jerez. Agora a turma volta a andar em Barcelona de 21 a 24, logo depois do Carnaval. Incluindo a Terça-Feira Gorda. Analisar esses testes numas de já indicar favoritismos é bobagem. Uma pista ou outra é dada, numa declaração aqui, noutra ali. A Ferrari, por exemplo, se diz preocupada porque o carro não andou como imaginavam. Pelo menos dois integrantes da equipe, Pat Fry e Felipe Massa, andaram falando que “precisa muito trabalho”.
O melhor tempo da semana foi de Rosberguinho, com Mercedes do ano passado. O Capelli (aliás, o que estão esperando para entrar no blog dele?) acha que será o segundo carro de bico baixo, assim como a McLaren, sem o degrau que todas as demais equipes, até agora, apresentaram. O lançamento do W03, este deve ser o nome da barata, ainda não tem data marcada, que eu saiba. Tomara que a equipe entre na briga. Tomara também que a Ferrari esteja só pessimista e o carro seja bom, embora uma crise permanente em Maranello seja algo sempre divertido.
A Lotus foi a que deixou impressão mais positiva, com tempos consistentes e desempenho homogêneo. Barcelona, daqui a alguns dias, será mais esclarecedor. É das pistas mais chatas de todas, mas também aquela que dá indícios mais claros sobre a performance de cada um.
Na foto abaixo, Vergne (se fala “Vérne”), um dos estreantes do ano, da Toro Rosso. Agora comentem vocês. Alguém aí viu o que ninguém viu nesses testes?
Tags: Alonso, Jerez
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APROVEITA
SÃO PAULO (ah, Rússia…) – Estes lindos olhos azuis pertencem à modelo russa Xenia Tchoumitcheva. Segundo consta, e de acordo com informações obtidas junto ao jetset internacional, é a nova namorada de Fernando Alonso, que se divorciou recentemente. O que é compreensível.
Como escreveu o mestre Chico Rosa em genial tuitada, dá para imaginar El Fodón de las Astúrias preocupado com o degrau no bico da Ferrari este ano?
Que Massa aproveite.
APEX NO AR
SÃO PAULO (não há acasos) – Três “derrotas”, todas para campeões mundiais. É o detalhe sobre a campanha de Vettel que não passou despercebido pela pena do nosso batera-colunista Andre Jung. Sua coluna pós-GP da Inglaterra está aqui.
Tags: Alonso, Vettel
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60 ANOS DEPOIS
Ó o Alonso se divertindo hoje de manhã, ó… O carro, como já dito, pertence a Bernie Ecclestone. A primeira vitória da história da Ferrari na F-1 foi obtida com ele pelo argentino José Froilán-Gonzalez, 88 anos. Quem pingou o vídeo foi o blogueiro Jimmy Hendrix.
SILVER & STONES (5)
SÃO PAULO (bem bom) - Foi bom que teve tanto problema em pit stop hoje em Silverstone, para as pessoas entenderem que erros acontecem. E nem sempre a vítima é brasileira. Hoje, foram dois enormes: com Vettel, que lhe tirou a vitória, e com Button, que perdeu a vice-liderança do campeonato. Sebastião, o alemão, liderava quando a Red Bull empacou na segunda parada. Alonso ganhou a ponta e lá ficou até o final. Jenson Bonitão saiu de seu pit com a roda dianteira solta. O cara liberou o carro antes de o mecânico colocar a porca.
Acontece. Numa F-1 com tantos pit stops, muitos erros aconteceram e vão acontecer até o fim do ano. Não é só o Massa, tadinho, que sofre nos boxes.
Massa que, por sinal, não embarcou na de se sentir coitadinho depois da linda, quase épica, disputa com Hamilton pelo quarto lugar na última volta. Foi bonito pacas. Os dois carros chegaram arrebentados, tocaram-se mais de uma vez nas últimas curvas, e no final o inglês ficou na frente por 0s024. Felipe precisava mostrar combatividade, vontade. Mostrou. Se não deu certo, paciência. No Canadá deu. Espero que a FIA não puna ninguém, como fez de maneira ridícula com Schumacher no início, depois de uma escorregada e um toque involuntário em Kobayashi.
Schumacher, que admitiu o erro mas achou a punição exagerada, foi um dos destaques da prova. Porque tomou um stop & go (e disse que um drive-through seria menos rigoroso), foi o primeiro a colocar slicks com a pista ainda molhada, deu uma volta inteira sem bico, passou gente pacas e terminou em nono, nos pontos, depois de uma ótima largada e uma corrida divertida. Rosberguinho também foi bem, em sexto. A Mercedes acabou se saindo melhor na corrida do que na classificação, que foi desastrosa.
Pérez, o Chapolim Colorado, foi outro que andou forte e terminou nos pontos, em sétimo. É muito bom, esse rapaz. Bom partido. Guia bem e tem um belo dote. Grana, estou falando de grana. Não que é bem dotado. Tarados. E Heidfeld, discreto, colocou a combalida Renault nos pontos. Menção honrosa.
Agora, falemos de Alonso. É mesmo El Fodón, como vocês dizem. Alguém que justifica o salário que ganha. Claro que essa vitória, a primeira da Ferrari no ano, a primeira desde a Coreia no ano passado, não vai colocar os vermelhos na luta pelo título. O título está definido. Vettel, em nove corridas, tem seis vitórias e três segundos lugares. E hoje, mesmo com a sacaneada da FIA na história dos difusores, tinha chances de vencer. Perdeu por causa da parada desastrosa nos boxes. Mas ganharia com uma margem bem menor do que vinha ganhando. A Ferrari se aproximou, é evidente, valendo-se da proibição dos escapamentos aerodinâmicos. Mas não o bastante para virar o jogo de uma hora para outra. Foi uma vitória circunstancial. E “alonsal”.
Quem sofreu foi a McLaren. Além do problema de Button com a roda solta, Hamilton conviveu com um carro irregular durante toda a prova. Mas brigou de forma até comovente para conseguir alguma coisa, e por isso saiu aplaudido de Silverstone. Sofreu, também, com a proibição do bafo quente nos difusores. Até a gasolina estava acabando.
Foi uma corrida legal, sem aquela putaria de milhões de ultrapassagens por conta da asa móvel, mas com disputas por posições relevantes até o fim. A maior delas, esteticamente, entre Massa e Hamilton. Mas a principal, entre Vettel e Webber. Nas últimas voltas, o australiano chegou e tentou. Podia ter dado uma merda federal, e Christian Horner entrou no rádio para dar sua versão de “Fernando is faster than you”: “Maintain the gap”. Webber disse que não gostou de ser importunado pelo rádio e falou que ignorou as ordens. Tentou passar, não conseguiu, não iria fazer nada de idiota e tirar os dois da prova, chegou em terceiro, chega desse assunto. O mesmo fez Vettel, tentando minimizar a saia-justa.
E foi isso. Alonso chegou a 27 vitórias na carreira, 60 anos depois de Froilán-Gonzalez ganhar em Silverstone com uma Ferrari que hoje pertence ao acervo de Bernie Ecclestone. Foi a primeira vitória do time na F-1, em 14 de julho de 1951. Fernandinho deu umas voltas com ela antes da largada. A turma de Maranello está apaixonada pelo espanhol, que vem ser a única coisa realmente de ponta na equipe — o resto é tudo meia-boca, precisa comer muito arroz com feijão para bater de frente com os rubrotaurinos, pelo andar da carruagem. Com bafo no cangote, sem, o normal é a Red Bull continuar vencendo. Mas Alonso está sempre pronto quando alguém dá mole. Foi assim hoje.
ATÉ QUE A MORTE
SÃO PAULO (meio mórbido) – Fernando Alonso, que faz 30 anos no final de julho, vai ficar na Ferrari até o final de 2016. O novo contrato foi anunciado hoje. Terá 35 anos quando terminar seu casamento com Maranello, onde pretende encerrar a carreira. El Fodón de las Astúrias já disse que não tem a menor intenção de continuar correndo para além disso.
A ideia, dele e da Ferrari, é tentar reeditar pelo menos em parte a história de sucesso que Schumacher escreveu com os italianos.
Acho que a equipe fez muito bem. Alonso, idem. O espanhol poderia ter lançado âncora na McLaren algum tempo atrás, mas deu tudo errado e por conta disso ele perdeu dois anos de sua vida na Renault. Não quer mais ser um piloto errático, e sabe que qualquer projeto vencedor, na F-1, leva algum tempo para maturar.
E Massa que aguente, coitado.
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ONE QUESTION

Não entendo nada dessas picapes de seguidores de cantores sertanejos, mas essa Ford aí não é uma F150?
Tags: Alonso, F150, Ferrari
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CHATONILDO
GUARUJÁ (nevando, agora) – Está certo que, na maioria das vezes, esse negócio de ser celebridade é chato. Mas Alonso de quando em quando passa um pouco da conta. O vídeo da RTP mostra o espanhol chegando a Porto Santo, Portugal, supostamente para alguns dias de férias. À aparição de fotógrafos e cinegrafistas, dá um piti e diz que se não tiver paz e tranquilidade, Porto Santo será execrada para todo o sempre no universo através de suas trombetas.
Um exagerado. Mas de vez em quando os jornalistas enchem mesmo o saco. É o ônus da fama.
O vídeo não está datado, portanto não sei dizer de quando é. Mas parece que é recente.
Tags: Alonso, Porto Santo
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MALAS
SÃO PAULO (chatos pacas) – Bem malas esses ferraristas e alonsistas que invadiram a página do Petrov no Facebook para ofender o russo. O mundo está caminhando perigosamente para a intolerância, a agressividade gratuita, o fascismo pessoal. E virtual, numa certa medida, porque na internet todo mundo é valentão.
Tags: Alonso, Petrov
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COLUNA 1
SÃO PAULO (não deu tempo de nada hoje) - Vamos tentar tirar o atraso. Começando com a última coluna Apex do ano, do batera Andre Jung, celebrando o título de Vettel e tentando explicar a derrocada da Ferrari. É só clicar aqui.
Tags: Alonso, Ferrari, Vettel
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MIL E UMA NOTAS (6)
SÃO PAULO (concordo) – O amigo Rodrigo Mattar, num esforço de reportagem, manda o vídeo da primeira entrevista de Alonso após o GP de Abu Dhabi.
MEU COMPANHEIRO CAMPEÃO
SÃO PAULO (excepcional) – Parabéns à turma do Grande Prêmio. A melhor coisa da cobertura da decisão do Mundial de F-1 é esse especial com três depoimentos de pilotos brasileiros que foram companheiros de equipe de Vettel, Alonso e Webber: Átila Abreu, Tarso Marques e Antonio Pizzonia.
Histórias incríveis, como Alonso com medo de assombração num castelo pedindo para dormir no quarto de Tarso, ou Vettel querendo aprender funk com o pai de Átila, ou ainda a surpesa de Pizzonia com a temporada de Webber, em quem ele nunca apostaria numa eventual luta pelo título.
“Causos” imperdíveis, como se diz.
Tags: Alonso, Átila Abreu, Pizzonia, Tarso Marques, Vettel, Webber
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