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NERVOSINHOS

SÃO PAULO (chá de camomila neles) – Um fotógrafo espanhol tretou (tretou é muito bom) com Alonso no hotel, foi empurrado e diz que vai processar o piloto. Deve ser um desses malas paparazzi. Queria foto da namorada do cara. Mas mesmo os malas devem ser tratados com alguma educação. De qualquer maneira, é impossível julgar quem estava certo, ou errado. Só mesmo testemunhando a cena. Mas é algo que aborrece um esportista num fim de semana importante.

Me lembrou do Montoya levando uma “camerada” na cabeça em Imola. Essa do vídeo aí embaixo.

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ONE QUESTION

Está bem de companheiro o Vettel?

emdubai

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SEPÂNGUICAS (6)

sepanguicas6SÃO PAULO (tudo ao contrário) – Quando a chuva caiu antes da largada, a esperança era de um início de prova caótico. Mas acabou não sendo. As primeiras voltas com pista molhada serviram para pouco mais que dar trabalho aos mecânicos. Tirando Alonso, ninguém se deu mal no início. E Fernandinho não perdeu a asa por causa do asfalto escorregadio. Perdeu a asa porque cometeu um erro e a Ferrari, outro.

Aliás, a Ferrari…

Fico imaginando a situação. Largada boa, toque na traseira de Vettel, coisas que acontecem, rádio:

- Ragazzi, bati no Vettel.

- OK, Fernando, nós vimos, vamos avaliar a situação.

- Não precisa avaliar nada, quebrou a asa, vou para os boxes.

- OK, Fernando, nós vimos, mas estamos avaliando a situação.

- Ragazzi, a asa tá toda torta, raspando no chão, fazendo barulho e soltando faísca.

- OK, Fernando, estamos vendo as faíscas.

- Ragazzi, essas merdas de faíscas vão me queimar.

- OK, Fernando, já avaliamos a situação.

- Ótimo, ragazzi, estou indo para os boxes, paciência, a gente troca e vê o que faz depois.

- Não, Fernando, não precisa. Avaliamos as imagens e os dados aqui e concluímos que não precisa parar agora. Pode ficar na pista, a asa está boa.

- Como está boa? Tá soltando faísca, vai arrebentar essa merda toda!

- Fernando, caríssimo, confie na gente, temos um novo consultor argentino, ele que viu tudo pela TV e falou que você pode ficar mais um pouco na pista.

- Argentino?

- Francisco.

- Francisco?

- Ele mesmo.

- Carajo

- Olha a boca, Fernando. Não fala assim, é pecado.

- Carajo, quebrou a asa.

- Tranquilo, estamos avaliando a situação.

- …

- Fernando?

- Sim?

- Já avaliamos a situação.

- E?

- Não terás medo do terror de noite nem da seta que voa de dia.

- Não voou seta nenhuma, quebrou a asa. Quem está falando?

- Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti.

- É pra voltar porque todo mundo vai abandonar, é isso? Quem está falando?

- Atolei-me em profundo lamaçal, onde não se pode firmar o pé; entrei na profundeza das
águas, onde a corrente me submerge.

- Não estou em lamaçal nenhum, estou na brita. E já parou de chover. Quem é que está falando?

- Francisco.

- Oh. Que honra, Meritíssimo.

- Não é “Meritíssimo”, é “Sua Santidade”.

- Perdón.

- Perdoado, meu filho. Agora preciso sair para tomar um café.

- Café, Excelência?

- Santidade. Sim, café, com um pão na chapa e requeijão. Aqui ainda é de manhã.

- E o que eu faço, Ilustríssimo?

- Santidade. Reze, meu filho.

- Mas e a asa? Sua Eminência não estava avaliando a situação?

- Santidade. É, estava. Mas não entendo muito disso, não. Achei que dava.

- Não deu.

- Eu vi.

- De todo modo, obrigado por sua ajuda, Alteza.

- É Santidade. Mas não se desespere. Desgraciado en el juego, afortunado en amores. Vá em paz.

- Amém.

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FALA MUITO

SÃO PAULO (uma hora morde a língua) – Desde que a McLaren anunciou sua contratação, em setembro do ano passado, Sergio Pérez não fez mais nada na Sauber. Muita gente desconfia das reais qualidades do mexicano, que chamou a atenção de todos com sua capacidade de conservar pneus quando chegou à F-1, em 2011, e na corrida da Malásia do ano passado, com um espetacular segundo lugar.

Ficou nisso. Na McLaren, estreou se classificando mal (a equipe foi inventar de colocar pneus slick em seu carro quando a pista ainda estava molhada) e não aproveitou o fato de poder escolher o pneu com o qual iria largar. Fez uma corrida medíocre, em resumo. Como, de resto, medíocre será a temporada mclariana, que errou a mão no carro — coisa rara — e sente a falta do ímpeto de Hamilton.

Mas Pérez anda falando bastante. Isso ele faz com gosto. Disse, por exemplo, que a Ferrari lhe pedia “coisas” quando ele estava na Sauber e era vinculado ao programa de desenvolvimento de pilotos de Maranello. Por “coisas” entenda-se proteger Alonso em corridas. Será? Agora, andou dizendo que torce para que a Telmex substitua a Vodafone como patrocinadora da McLaren. Isso é coisa que se diga?

Daqui a pouco, Pérez vai dar palpites também sobre o novo papa. É só perguntar.

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ONE COMMENT

Ideia ótima, mas esses caras não têm medo de nada e, assim, o efeito foi só mais ou menos… O Nei Tessari mandou. Qualquer um de nós no banco do carona sairia branco que nem cera.

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FOTOS DO DIA

SÃO PAULO (olhem lá o que vão dizer…) - Algumas coisinhas interessantes pingaram na minha caixa postal hoje. Vamos escolher a foto mais importante do fim de semana? A primeira vem da Granja Viana, estreia oficial do filho de Rubens Barrichello, Dudu, no kart brasileiro. O pai coruja se emocionou muito, como não poderia ser diferente. Criança é criança, não tem jeito. Um grande barato o evento e, por favor, não comentem resultados. Ganhando ou perdendo, Dudu estava lá para se divertir, como ordenou Rubens, com toda razão. Nessa idade, não faz sentido outra coisa.

O piloto da foto do meio, em compensação, saiu emburrado de Interlagos, com o carro todo estropiado depois de uma patética 27ª colocação na abertura da temporada paulista da Classic Cup. “Não me diverti muito”, disse o indigitado através de comunicado oficial.

Já a terceira foto é meio intrigante. Parece que a Ferrari guardou seus dois pilotos nos boxes de Barcelona durante o fim de semana, já que os próximos testes serão lá, mesmo, a partir de quinta-feira. Economia de diária de hotel.

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ANOTHER QUESTION

LA RONDO (escala que não termina…) – E só eu acho que pela pintura do kart do Alonso está na cara que ele vai correr pela equipe que o Pelotas está montando, a Auricerúleo Racing Team?

Falando no Pelotas, clube que respeito mas que não se compara ao Xavante, os caras estão bem na fita, não? Camisa adidas e tudo mais… Vocês aí do Sul, me expliquem tamanha honraria.

alonsoazulzinho

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TRI IN SAMPA (22)

SÃO PAULO (por partes, merece) – Vettel não estava num bom dia hoje, coitado. O adversário queria o caos. Ele, apenas um dominguinho tranquilo, daqueles de almoçar na sogra, comer um pudim, ver o Faustão e, depois, um futebolzinho. De noite, uma pizza sem inventar muito, meia aliche, meia mussarela, uma olhada nos gols do Fantástico e cama.

Mas Alonso tem pacto com o capeta. Foi ontem à noite a um pai-de-santo e comprou o pacote Platinum — caro, diga-se, ainda mais para estrangeiros, que pagam em euro (cartão, só de débito). Tinha as opções do Silver (chuva, pit stop demorado e drive-through), Gold (garoa, defeito no KERS, indisposição estomacal, pneu furado), Gold Plus (os itens anteriores, mais dividir freada com Maldonado e primeira volta perto do Grosjean). Mas foi direto no Platinum, que deixou o pai-de-santo assustado. “Precisa de tudo isso, mizifio?”. “Todo, señor padre-de-santo. Hace todo, lo pacôte complêto, sien dó, quiero todo.”

“Hómi ruim”, pensou o pai-de-santo, e encomendou o trabalho completo, o Platinum — algo que nem aquele outro piloto meio calvo cujo nome ele já não lembrava pediu para o outro queixudo alguns anos atrás. Esse pacote, que o guia espiritual achava que ficaria encalhado para o resto da vida, um erro de marketing, continha chuva dez minutos antes do início, largada ruim, espremida do companheiro de equipe, batida por trás na primeira volta, ficar na contramão de frente para o Petrov e o Karthikeyan, cair para último, pista seca e depois molhada de novo, rádio defeituoso, pit stop na hora errada, demora para trocar pneu, disputa com Kobayashi debaixo de tempestade e pódio garantido para o contratante.

Alonso saiu do terreiro certo de ter feito um bom investimento, ainda mais quando soube, por Schumacher, que o serviço era garantido. Foi Michael quem indicou. “Comprei o Silver dois anos seguidos, não era muito caro, tinha só pane hidráulica e pane seca, na época essas coisas eram mais simples, mas funcionou muito bem”, contou o alemão no jantar, ontem à noite, e passou o cartão amarfanhado do pai-de-santo para o espanhol, onde se lia, também, num inglês meio tosco, “I bring your love back in two days or you money is devolved”.

Bem, o piloto da Ferrari não pode reclamar da execução do trabalho. O pai-de-santo entregou tudo direitinho, exatamente como prometia o pacote Platinum. Só não contava com a incrível persistência da vítima escolhida, que resistiu à espremida do companheiro, à batida do desastrado brasileiro, aos barbeiros de frente para ele na contramão, ao mau trabalho da equipe na parada, ao rádio que deixou de funcionar, à chuva, a tudo.

Sebastian Vettel passou por cima de todos os azares que um candidato a título pode ter numa única corrida. Chegou em sexto. Alonso foi o segundo, tendo ganhado o posto por cortesia — natural — do companheiro. Button venceu, por ter sido, ao lado de Hülkenberg, mais uma vez, o cara que entendeu melhor a hora de colocar pneu de chuva e voltar para slicks. Quase um paulistano, esse Button. Hülk quase ganhou, mas bateu em Hamilton, foi punido e terminou numa gloriosa quinta posição.

Alonso, El Reclamón de Las Astúrias, fez um campeonato excepcional. O melhor de sua vida, provando que é possível executar um bom omelete sem ovos. Perdeu o título em dois acidentes sobre os quais não teve controle algum. Ficou a três pontos do alemãozinho, que se tornou o mais jovem tricampeão de todos os tempos, 25 anos, colocando-se ao lado de Fangio e Schumacher no seletíssimo clube de pilotos que venceram três campeonatos seguidos.

Interlagos fez uma decisão digna de sua história e da história da F-1. Uma corrida fantástica, definida por Nelson Piquet, no pódio, como a mais emocionante que viu na vida. Um espetáculo.

O esporte determina que só pode haver um campeão. OK, ficou com Vettel, que merece todos os elogios do mundo. É um fenômeno. Pela juventude, carisma, frieza, capacidade, simpatia. Se ficasse com Alonso o título, também estaria OK: combativo, persistente, talentoso, forte, líder.

Mas é só um que leva. Ao vencedor, as batatas. Ao perdedor, os aplausos. E ficamos todos bem.

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TRI IN SAMPA (21)

SÃO PAULO (tombem Interlagos) – Um thriller, esta corrida. Um ano espetacular de Alonso. Uma prova fenomenal de Massa. Um título merecidíssimo. Tudo que podia acontecer de errado para Vettel aconteceu. Tudo. Menos o resultado final. Batida por trás, rodada, erro na hora de colocar pneus médios, pit stop ruim, ataques de Webber, rádio quebrado, Fernando crescendo, chuva, chuva, chuva…

Interlagos é um circuito incrível. Vocês, que devem estar ansiosos, comentem, comentem, comentem. Daqui a pouco eu volto.

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TRI IN SAMPA (10)

SÃO PAULO (não é fácil) – Gosto das tuitadas do Alonso. De vez em quando ele saca seu aifône e tira uma foto para mandar aos seus fãs. “Mandar” é um verbo que significa “compartilhar”. “Gostar” é o mesmo que “curtir”.

(Estamos caminhando para uma era em que apenas estes dois verbos serão utilizados pela humanidade, o que facilitará sobremaneira a comunicação entre os povos. Em caso de guerra, um governo compartilha algumas bombas com o outro, que desabilita o botão “curtir” em relação ao primeiro e passa a compartilhar suas bombas, também. E tudo será resolvido rapidamente.)

O título para esta foto alônsica poderia ser: “Não alimente os animais”. Acho que o espanhol  ainda se sente um tanto acuado quando vê esse povo todo olhando para ele.

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CAMELÓDROMO (3)

SÃO PAULO (vai demorar muito?) – Segundo tema do dia: Alonso. Ainda não sei se vão punir Vettel, que largou o carro estacionado no meio da pista porque pelo rádio, assim que cruzou a linha, ouviu a ordem “stop the car!” em vários idiomas. A Red Bull avisou que alguma coisa estava errada. Precisava parar imediatamente, senão as consequências poderiam ser muito graves. Uma bomba-relógio? Uma blitz da Lei Seca? Michel Teló?

Mais provavelmente, algum problema no motor. Estou esperando as declarações e explicações que daqui a pouco devem pingar. Se for problema de falta de gasolina, ele pode ter de largar lá atrás. Outro qualquer que demande troca de motor ou câmbio, e lá se vão várias posições no grid.

É o que pode salvar esta corrida, porque Alonso…

Bem, Alonso fez o sétimo tempo. Por enquanto, é onde vai largar, com Vettel em terceiro. Mantidas tais posições, já era. Vai chegar atrás de Tião Alemão, o que prolongará a agonia do espanhol.

Sétimo é ruim, não? Mas é o exato lugar da Ferrari neste finalzinho de temporada. Está atrás de McLaren, Red Bull e, em algumas pistas, da Lotus também. Portanto, sétimo. Como Maldonado ficou em quarto, poderia ter sido ainda pior. Mas Grojã larga em décimo, ficou na mesma.

Alonso faz o que pode, mas não está podendo muito neste fim de semana. A pista é ruim para a Ferrari, e a solução vai ser arriscar na largada, o que é sempre perigoso. Na Índia deu certo, conseguiu passar os dois carros da McLaren, foi espantoso, terminou em segundo numa de suas melhores atuações no ano. Mas em Abu Dhabi é difícil. Em 2010, El Fodón ficou quase 40 voltas atrás de Petrov e amaldiçoou Lênin, Stalin, Gagarin e Kournikova. É uma pista sem pontos de ultrapassagem, um saco.

Não bastassem todos seus problemas, Alonso ainda foi chamado para o antidoping. A foto abaixo ele mesmo postou no Twitter.

Neste exato momento, a Red Bull está explicando para a FIA o que aconteceu com o carro de Vettel depois do Q3. Assim que sair uma decisão volto aqui para falar sobre o grid. É óbvio que qualquer análise sobre essa corrida está diretamente ligada às posições de largada. Então, até já.

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Massa sempre foi do gosto de Alonso. A foto é dele mesmo, uai.

 

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FRASE DO DIA

“Posso dizer que foi um bom domingo, apesar de tudo.” Alonso, aliviado e agradecido por não ter tido sua cabeça arrancada por Grosjean, na foto postada em sua conta no Instagram.

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TOP FIVE

SÃO PAULO (London, London…) – Acostumado a trabalhar com caras bons, como Schumacher e Raikkonen, o engenheiro Andrea Stella, da Ferrari, coloca Alonso como um dos cinco maiores de todos os tempos.

Bom, entre os cinco maiores vencedores ele já está. Perde apenas para Schumacher, Prost, Senna e Mansell. E é o quarto na lista dos que mais subiram no pódio. Mas tem só dois títulos, o que não é tão impressionante assim — há um punhado de bicampeões.

Então, macacada, a pergunta é simples: Alonso é um dos cinco mais-mais de todos os tempos? Aproveitem e mandem suas listinhas de top five. Top five é muito bicha. “Cinco melhores” é bem melhor.

Os meus eu falo depois.

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FOTO DO DIA

É de ontem. Não parece que o Alonso vai dar um sopapo na cara do Vettel? O clique foi distribuído pelo serviço de imprensa da Ferrari.

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DAS SALSICHA (3)

SÃO PAULO (e a paciência acabando…) – Começando com os números. Alonso foi ao pódio pela 79ª vez. Tenho curiosidade para saber quantos desses 79 troféus têm o formado do cocozinho do banco. Pegou uma fase triste da história dos troféus, o Alonso. No ranking, está atrás de Schumacher (155), Prost (106) e Senna (80). Ou seja, como diria, com muita propriedade, Luciano Burti: com mais um, empata com Senna. Portanto, como também diria Burti com propriedade, com mais dois passa Senna, e se torna o terceiro maior colecionador de troféus da F-1. Ou de troféis, como diz o outro.

(Hei, o que eram aqueles painéis com as bandeiras no pódio? Porra, nem hastear bandeira querem mais? Quem coisa mais cafona, pelamor…)

Vitórias são 30. Schumacher tem 91, seguido por Prost (51), Senna (41) e Mansell (31). Ou seja, como diria Luciano Burti, mui acertadamente, com mais uma empata com Mansell. Portanto, e Burti também diria isso sem medo de errar, com mais duas passa Mansell e se torna o quarto maior vencedor da história. Foi a terceira no ano. O único que venceu três em 2012. E a 22ª corrida seguida nos pontos. O recorde é do Schumacher, com 24 entre 1932 e 1934, algo assim.

Estou dando todos esses números para que as pessoas entendam que estão vendo a história ser escrita por um desses caras que ficarão por um bom tempo sendo lembrados como um dos maiores e tal. El Fodón de las Astúrias é um desses, embora hoje nem tenha se esforçado tanto para ganhar o GP da Alemanha. Foi praticamente de ponta a ponta. Só no final é que Button se aproximou, mas aí Vettel também chegou, o inglês teve de se preocupar com outras coisas e em nenhum momento ameaçou de verdade o espanhol. Vitória clássica — não folgada, mas segura e tranquila.

Button mostrou que a McLaren melhorou muito, a ponto de voltar a brigar por vitórias. Só que andou bem com o piloto errado, em Hockenheim. Por um desses azares desgraçados, que fazem cair uma ariranha na sua cabeça se choverem Tessálias, Hamilton teve o pneu furado logo na terceira volta e saiu da briga. Da briga pela corrida e pelo título, eu arriscaria dizer. Zerou e estacionou nos 92 pontos, agora em quinto, atrás até de Raikkonen, o Pontuador Calado. São 62 para Alonso. É coisa demais. E justo agora que o carro mclariano ficou bonzinho de novo. Só que é tarde.

Fernandinho, que agora é favorito ao título de verdade, uma vez que seus adversários estão se afastando, tem 154 pontos. Webber, que fez uma corrida discretíssima, para não dizer ruim, tem 120. Se Alonso resolver passar a noite num lugar que eu e o Fábio Seixas conhecemos sem querer em Budapeste e nem aparecer para a corrida, domingo que vem, o Canguru Desolado pode vencer a prova que a liderança segue com o espanhol. Talvez seja uma boa ideia passar a noite naquele lugar sórdido, afinal… Divertido será, garanto.

Vettel subiu para 118. Ainda está atrás do companheiro, pois. E Kimi tem 95. Ficou mesmo para o trio, a briga: Alonso, Webber e Tião. Aliás, o Tião fez uma corrida legal, passou Button na penúltima volta e rolou algum tipo de reclamação do inglês. Não sei bem por quê. Porque passou pela área de escape? Uai, e daí? Só falta punirem o garoto. Se não querem que se usem faixas de asfalto, cimento ou concreto nessas pistas novas, faixas que abundam, diga-se, que coloquem areia movediça, ou pregos, ou minas explosivas.

Foi bem também Kimi. A Lotus precisa melhorar na classificação, colocar esses meninos para largarem mais à frente e, assim, tentarem vitórias. O falante finlandês largou em décimo e chegou em quarto. Grosjean se estrepou, acho que se enrolou com Senninha na largada. É, foi com ele mesmo. E foi a quinta patetada do francês em primeira volta nas dez corridas deste ano. Talvez seja prudente a Lotus fazê-lo largar apenas na segunda volta.

E a Sauber estava em estado de graça com o quinto de Koba-Mito e o sexto de Pérez-Chapolin. Grande prova dos dois, especialmente de Checo, de 17° no grid, punido injustamente no treino, para uma bela posição final. A Force India, bem nos treinos, decepcionou na corrida, com um mero nono de Hulk, o incrível. Ou o poderoso. Sei lá se o Hulk era poderoso ou incrível. Sei que era verde.

Diante da opacidade da corrida de Massa, mais uma vez, é possível que voltem a falar de Pérez na Ferrari. Felipe precisa engatar uma sequência de bons resultados para convencer a equipe a mantê-lo no ano que vem. Não está conseguindo. Hoje, bateu na traseira de Ricardão na largada. Perdeu a asa, teve de trocar o bico, sumiu na corrida. Terminou em 12°. Outro que adora um enrosco em largada é o primeiro-sobrinho. De novo teve problemas na primeira volta, furou um pneu em Grosjean, despencou lá para o fundão, desapareceu. Maldonado também evaporou depois de um bom início de prova, mas com ele não sei o que houve.

(Li agora. Parece que ele pegou uns pedaços de carros quebrados no meio da pista e isso afetou o seu carro, que perdeu rendimento e chegou com o assoalho arrebentado ao final da prova.)

Quem parou três vezes não se deu muito bem. Foi o caso de Schumacher, terceiro no grid e sétimo no final. Resultado bem abaixo do que se esperava. Começou bem a corrida, com umas ultrapassagens maneiras, mas ficou nisso.

Gostei de ver o Lauda tirando o boné para Alonso no pódio. Eu achava que aquele boné era costurado na sua cabeça desde 1976, só mudando a parte da frente, do patrocinador. Mas não, ele sai da cuca. E o Lauda é totalmente careca. A FIA/FOM/FISA/FOCA/FOTA/FODA-SE está colocando ex-pilotos para fazer breves entrevistas no pódio. Na Inglaterra foi Stewart. Na Alemanha, Lauda. Na Hungria, poderiam botar o dono daquele lugar sórdido que eu e o Fábio Seixas descobrimos sem querer.

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FISGOU

SÃO PAULO (“Caras” é pouco) – Não sou dado a essas fofocas de celebridades, mas consta que Alonso está namorando a moça. Ela se chama Dasha Kapustina e, claro, é russa. Adora Ladas, já andou de Niva e queria ter um Samara. A foto abaixo veio de um site de fãs da menina.

Alonso andava se divertindo à beça depois da separação. Agora vai ter de segurar a onda. Dura, a vida…

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…e Alonso descobriu o Instagram.

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EL CID

SÃO PAULO (ah, a internet, os servidores, as hospedagens…) – A coluna Apex do nosso Andre Jung está no ar, ilustrada pela Marta Oliveira. Um trechinho:

Heróis, já disse um tal de Flavio Gomes, são médicos, bombeiros policiais e até homens comuns, quando lutam para salvar vidas alheias, às vezes pondo a própria em risco. Esportistas milionários recebem esse título com frequência e exagero.

Mas na pressa de encontrar um título, “El Cid”, o herói encarnado por Charlton Heston no épico de mesmo nome, não parava de me cutucar a cachola. “É exagero”, eu dizia para o Andre. “Mas é justo!”, eu mesmo respondia.

Por isso, vou abrir essa exceção. Em boa hora, Don Fernando, também conhecido como “El Fodón”, encheu sua nação de orgulho, como fez o herói militar que, embora morto, pôs a correr um exército de sarracenos.

Esse GP deixou claro para todos que Deus é espanhol. Tirou o rival tedesco do caminho, apagou o carro do gaulês petulante e, no final, ainda botou o saxão para fora, para aumentar a glória dos ibéricos.

Mas nem esse esforço divino iria valer a pena se a bordo da Ferrari número 5 não estivesse o melhor piloto do mundo. Capaz de aproveitar toda e qualquer oportunidade para ganhar terreno, ainda que um mirrado 11° lugar no grid tentasse fazê-lo esmorecer.

Para ler na íntegra, clique aqui.

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ESQUENTOU

SÃO PAULO (mas teremos de esperar) – Foi na semana passada mesmo que escrevi aqui que Vettel na Ferrari era falta de assunto da imprensa, para “suitar” uma informação de cunho especulativo e gerar uma ou outra manchete, porque afinal não somos de ferro, nós jornalistas, e nesse meio que absorve qualquer coisa, como a F-1, Vettel na Ferrari dá boas manchetes.

Mas estava só no diz-que-diz, e agora a informação tem nome, sobrenome e RG: é assinada pelo fratello Giorgio Terruzzi, dono dos mais longos cabelos e do olhar mais oblíquo da imprensa que cobre F-1 para a Itália, hoje no canal Mediaset.

Terruzzi é bem informado. E crava hoje que Vettel fechou com a Ferrari para assumir como parceiro de Alonso a partir de 2014. O despacho original está aqui. Seria um contrato de três anos, para já encaminhar a transição quando Fernando, o queridinho de Maranello, começar a pensar em parar.

Na hipótese de isso ter realmente acontecido, Massa ficaria mais um ano na Ferrari. Ou Webber. Alguém para esquentar o banco enquanto Seb não chega.

Tudo pode ser, e tudo pode não ser. Normalmente, na F-1, essas notícias de grande impacto são publicadas depois de um GP, para que os autores não se vejam numa situação delicada num autódromo diante dos desmentidos, todos inevitáveis, que serão feitos. Mesmo que a informação se confirme depois, ninguém fica constrangido de negar enquanto não for oficial. Mentira é o que mais rola na F-1.

Nos últimos anos, eu mesmo passei por vários episódios parecidos. Em meados de 1993, cravei Senna na Williams com alguma antecedência. Um monte de gente o fez, uns dias antes, uns dias depois. Os desmentidos perduraram até o anúncio oficial. Em 1999, eu (e muitos outros, mas lembro das minhas matérias, não das outras) publiquei em agosto que Barrichello tinha fechado com a Ferrari, com valor do contrato e tudo. Minha fonte era boa. Todos desmentiram. Algum tempo atrás, fizemos o mesmo no Grande Prêmio quando Rubens fechou com a Williams. Todos desmentiram. Depois tudo foi confirmado.

Onde há fumaça há fogo, é o que dizem, embora de vez em quando seja apenas um fogo fátuo. Cada um usa a informação que tem, e a publica com peso compatível com a confiança que tem nas fontes que consultou. Pode ser uma manchete barulhenta, bancando o “furo”, ou uma nota mais discreta de pé de página, aquelas nas quais sempre se encontram as expressões condicionais “fulano pode ter…” ou “cicrano deve anunciar…”. Terruzzi, como disse, é bem informado. Pode ser que Vettel não tenha assinado nada. Que tenha apenas conversado. Ou que não tenha conversado, nem assinado. Ou que já tenha conversado e assinado. Alguém, no entanto, disse isso a ele. É uma questão de confiar na fonte. Aguardemos. Mas que seria uma dupla do barulho, seria. E faz sentido, dada a urgência da Ferrari para recuperar a hegemonia perdida com a saída de Schumacher — o título de Raikkonen em 2007 foi meio ilusório, a McLaren entregou a taça aos italianos por pura burrice.

Resta saber o que a Red Bull pensa disso tudo.

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