TV GP

SÃO PAULO (dá tempo) – Como sou uma anta, acho que ainda não avisei aqui que todas as segundas-feiras gravo uma espécie de “videoblog” para o Grande Prêmio que vai ao ar no portal MSN. Já viram? Gostaram? O de hoje está aqui. Acho que não tem a opção de “incorporar”, então vai pelo link, mesmo.

Não precisam elogiar minha beleza eslava. Atenham-se ao conteúdo e aos incríveis efeitos visuais e musicais.

ATUALIZANDO…

Tuiteiros enlouquecidos me alertam para a trilha musical, que ao que parece é usada em outros sites também. Óbvio, afinal essa musiquinha, “Kalimba”, veio de fábrica como amostra de música no meu computador. Deve vir em outros, também, assim como aquelas amostras de fotos com flores e montanhas. Como eu, muita gente deve ter pego essa coisinha aí para inserir em seus vídeos toscos como os meus. Não baixo músicas, não tenho paciência, e sou meio ignorante musicalmente. Mas se algum blogueiro quiser mandar uma musiquinha que se encaixe melhor para abrir e fechar o vídeo, fique à vontade. Podem mandar seus arquivos para flaviog@warmup.com.br. Mas mandem editados, não venham com músicas inteiras, que nem abro. Uma introdução instrumental para abrir e fechar o vídeo é tudo de que preciso.

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FOTO DO DIA

No clique de Humberto da Silva, a chegada da F-Vee sábado em Interlagos. Tem um vídeo aqui. Rodrigo Rosset, Fernando Monis e Gláucio Doreto travaram uma grande disputa pela liderança e chegaram praticamente juntos na bandeirada. O grid teve 20 carros.

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ONE COMMENT

Genial, nosso Bruno Mantovani com seus Pilotoons.

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INTERLAGOS, SÁBADO

SÃO PAULO (meio atrasado…) – Fim de semana cheio, esse… Bom, sábado disputamos a quinta etapa da Classic Cup e acho que foi a corrida que mais curti neste ano. Foi a primeira na temporada com a entrada do safety-car na metade da prova, o que muda totalmente a história do negócio. É uma corrida diferente, depois que junta o pelotão. Grande medida, que a gente usava anos atrás e agora voltou.

Choveu de madrugada e fizemos a classificação bem cedo com a pista ensaboada. Meu carro, com blocante, é uma droga no molhado. Temos de ver isso daí, porque ao lado de Senna, Ickx e Fisichella sou considerado um dos quatro melhores pilotos da história na chuva. E só consegui ficar em 22°, penúltimo, um horror. A pole foi do Cirello, para variar, com 2min14s031. Virei assombrosos 2min44s631.

Mas felizmente secou até a hora da largada, e mais três carros se juntaram aos que fizeram a classificação. Ver 26 antiguinhos no grid foi algo que me encheu de alegria. Recuperamos a categoria. Foi o maior grid do fim de semana — tirando Marcas, claro.

Apesar de ser considerado um dos quatro maiores largadores da história, ao lado de Von Trips, Peterson e Rindt, larguei mais ou menos. Normalmente passo entre 10 e 20 carros nas largadas, mas sábado foram dois ou três, no máximo. Só sei que quando chegamos no Lago, o Luque, que correu com o “meu” Corcel Pacman, deu uma espalhada para a direita, abriu-se um bom espaço, apontei proa para a descida do Lago, fiquei na dúvida se deveria colocar lado a lado, mas nem deu tempo de tomar uma decisão. O Luque veio para a esquerda, para fazer o traçado ideal, por dentro, e deu-me uma senhora pancada do lado direito.

Rodamos ambos. Achei que ia morrer e comecei a fazer meu testamento mentalmente. Mas foi tudo muito rápido, e quando estava resolvendo quem iria ficar com o Candango, percebi que não tinha batido em nada e nem morrido. O que eu não podia deixar morrer era o Meianov, porque meu motor de arranque tinha pifado antes de ir para o grid. Se apagasse, nunca mais funcionaria de novo. Vi o Corcel um pouco à frente girando e batendo na proteção de pneus, mas ele também sobreviveu. Consegui manter os 700 cavalos do meu motor Lada funcionando e voltei à corrida soberbamente.

Na primeira parte da prova, passei alguns caras que estavam com carros claramente mais lentos que o meu. Como sabia que ia passar, dei uma valorizada em algumas manobras. Depois disso, virando ali na casa de 2min17s, tranquilinho, não tive muita companhia por umas três ou quatro voltas. Aí juntou todo mundo atrás do safety-car e na relargada consegui passar o Henry, de Escort, e o Cristiano, de Fusca, na freada do S do Senna. Depois me contaram que essa foi considerada uma das quatro maiores ultrapassagens da história, ao lado daquela do Piquet sobre o Senna na Hungria, do Hakkinen sobre o Schumacher em Spa e do De la Rosa sobre o Karthikeyan ontem na Espanha.

Só que meu carro, quando a corrida vai chegando ao fim, começa a sair muito de frente nas curvas de baixa, porque a pressão dos pneus aumenta demais. O Henry e o Cristiano, assim, me passaram de volta. Até tentei chegar, mas estava difícil. Minha sorte foi que o Zé Augusto teve algum piripaque no seu Fusca Laranja Mecânica, ganhei sua posição (ele abandonou depois) e terminei em terceiro na minha categoria. Trofeuzinho na estante. Na geral, um honroso 15° lugar sem tomar nenhuma volta dos líderes. Ganhou o Cirello de Puma Della Barba, como de hábito, com o Puma Verde Malanga do Paulo Sousa em segundo e o Douglas Espeto Alencar de Passat Preto Fosco Tosco em terceiro.

Meu desafeto Rogério Tranjan, da Rosinha-Gaydarji, foi o sétimo na geral e perdeu o pódio em sua categoria por 0s071 para o Edu Harmel, ambos de Passat. Numa situação dessas, ou o piloto demite o chefe de equipe, que não avisou que era a última volta, ou o chefe de equipe demite o piloto, que tirou o pezinho na reta para coçar o dedão. Como os dois dividem a mesma quitinete em Santa Cecília, não aconteceu nem uma coisa, nem outra.

Minha melhor volta foi a última, 2min14s772, quando estava desesperado tentando passar o Fusca do Cristiano. Acima das minhas expectativas, devo dizer. Meianov voltou aos boxes meio prejudicado, com o paralama amassado, mas nada que um bom martelinho não resolva.

Ah, estou precisando de pneus novos. Vou pedir para a Pirelli. Faz tempo que eles não me mandam pneus, desde que passaram a fornecer para a F-1. Tem de ver isso daí.

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FOTO DO DIA

Me mandaram por e-mail, estava num blog checo com várias outras fotos do incêndio. Acho que veio do Twitter oficial da F-1, originalmente. O garoto é parente de Maldonado, ao que parece. Primo ou sobrinho, não está muito claro. Que domingo, putz…

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FUSCA DO DIA

SÃO PAULO (“Fuca”) – Bruno Marques mandou a notícia, tão bacana que não posso deixar de pingar aqui. O presidente do Uruguai, José Mujica, foi convidado para ir com seu Fusca ao autódromo de El Pinar hoje. É que ia ter corrida, uma delas as Duas Horas de Fusca — prova que, apesar do nome, dura 40 minutos. E ele foi mesmo, viu a corrida inteira e ainda deu a bandeirada. Antes, percorreu a pista à frente de um desfile de Fuscas por duas voltas.

Mujica é uma figuraça. E seu “Fuca azul celeste”, eterno.

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HISPÂNICAS (7)

SÃO PAULO (e basta) – Cinco corridas, cinco pilotos, cinco equipes diferentes no degrau mais alto do pódio. Isso não acontecia desde 1983.

É o melhor campeonato dos últimos anos, talvez de todos os tempos, adoro falar que alguma coisa é a melhor de todos os tempos. McLaren, Ferrari, Mercedes, Red Bull e Williams já venceram. A Lotus vai ganhar também e, com alguma sorte, a Sauber. E por que não imaginar uma corrida maluca qualquer, e aí aparece uma Force India, ou uma Toro Rosso?

Dá para acontecer tudo neste ano, todos têm o direito de sonhar, e por isso pontinho nenhum pode ser desprezado por aqueles que lutam pelo título. Assim, disputas até o último centímetro da última volta, mesmo que por posições não tão espetaculares, serão frequentes. O que impede que os caras se acomodem, que busquem alguma coisa, que lutem mais, o que melhora as corridas de cabo a rabo.

Vejam a classificação: Vettel e Alonso 61, Hamilton 53, Kimi 49, Webber 48, Button 45, Rosberguinho 41. São 20 pontos do primeiro ao sétimo. Dá para descartar alguém? Dá para cravar suas fichas em um só? Aliás, Maldonado pagou hoje 300/1 nas casas de apostas de Londres, li em algum lugar. Demais, não?

Desses, Hamilton, Raikkonen e Webber ainda não venceram no ano. Vão fazê-lo, claro, o que vai embolar ainda mais a disputa. E esse sobe-desce nos proporcionou, também, um pódio com Lotus, Williams e Ferrari, três equipes históricas, ainda que essa Lotus seja meio paraguaia. Era algo distante e pouco provável de se repetir. A última vez em que esses três times levaram troféus no mesmo dia foi em 1987, em Mônaco, com Senna, Piquet e Alboreto. Legal demais isso.

A Venezuela tornou-se o 21° país a ter um piloto vencedor de GP na F-1. Maldonado só teve dois conterrâneos na categoria, antes. Um certo Ettore Chimeri, em 1960, na verdade italiano de nascimento, e Johnny Ceccoto, nos anos 80, um motoqueiro que conseguiu um sexto lugar em Long Beach em 1983 e isso foi tudo.

A próxima é em Mônaco. Kimi anda bem lá. Seis corridas, seis pilotos, seis equipes diferentes… Quem sabe?

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HISPÂNICAS (6)

SÃO PAULO (City campeão, Wiliams vence, Inglaterra dos milagres) – Massa, a exemplo de Bruno, teve no desempenho do companheiro em Barcelona um soco no estômago.

Alonso, segundo colocado, está na briga pelo título. Alguém duvida? Eu duvidava. Afinal, o carro é ruim. Ou, ao menos, foi bem ruinzinho nas quatro primeiras corridas do ano. Eles mesmos, os pilotos, diziam isso. Com todas as letras.

Agora, parece que não é tanto. Fernandinho lutou pela vitória no pau a pau, afinal de contas. Na classificação, foi o terceiro (largou em segundo porque Hamilton foi punido). Aos trancos, vai se virando. Se fosse tão ruim assim, não estaria ele na liderança do campeonato depois de um quarto do Mundial, cinco das 20 etapas.

O carro melhorou depois de Mugello. E se os outros são mais rápidos, não são tão mais rápidos assim. E nem sempre conseguem andar na frente de Alonso. Cometem erros, se atrapalham num pit stop, perdem posições no grid, está todo mundo fazendo merda a granel neste ano. Mercedes, Red Bull, Williams, McLaren, Lotus e Sauber, em algum momento desta temporada, foram bem melhores que a Ferrari. Mas, em outros, andaram atrás. Nunca todos andaram na frente do carrinho vermelho do asturiano ao mesmo tempo.  E assim ele vai somando seus pontinhos. O fato é que este campeonato é um eletrocardiograma.

Talvez estejamos julgando a Ferrari equivocadamente, pelo desempenho de Massa. Que vem sendo muito ruim, cada vez pior. Hoje, de novo, só chegou na frente dos nanicos entre os que terminaram: Kovalainen, Petrov, Glock e De la Rosa. Aí não dá. OK, foi punido com um drive-through como Vettel, por não ter tirado o pé numa bandeira amarela. Mas Vettel terminou em sexto.

O que acontece com Massa, ninguém sabe. O que vai acontecer, infelizmente para ele, é evidente.

A questão agora é apenas saber quando.

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HISPÂNICAS (5)

SÃO PAULO (bum) – Putz, acaba de haver uma explosão nos boxes da Williams, incêndio dos bravos. Até agora, parece que só um rapaz da Force India que foi ajudar saiu ferido. A cobertura com fotos e tudo mais está no Grande Prêmio. Há fotos impressionantes. O carro de Bruno Senna ficou destruído. Fica o registro.

Agora, falemos dos brasileiros em Barcelona, começando com Bruno.

Na hora da batida de Schumacher, achei que Bruno tinha freado antes e mudado a trajetória de um jeito meio esquisito. Como, pouco antes, ele tinha se defendido com uma certa agressividade dos dois que o ultrapassaram, acho que Grosjean e mais um. Estava sem pneus.

Michael ficou mutcho putcho, chamou Bruno de “idiota” e sua reação foi típica de quem se sentiu sacaneado. Foi o que mais me levou a tentar encontrar sutilezas na batida, porque numa olhada preliminar, apesar da mudança de trajetória do primeiro-sobrinho, o que ficou mais claro foi que Schumacher encheu a traseira dele.

Bem, a FIA acaba de punir Schumacher, perde cinco posições no grid em Mônaco. Bruno pode até ter se defendido de uma maneira imprevisível, mas o fato é que o alemão barbeirou, mesmo, e não teve razão nenhuma de reclamar. Que deselegância!

Azar dele, estragou uma corrida que poderia terminar nos pontos. A de Bruno não seria grande coisa, pela posição de largada e tal. Foi um fim de semana muito ruim para Senninha, que precisa se aprumar. O parceiro largou na pole e ganhou a corrida. Isso muda, inclusive, o patamar de suas ambições a partir de agora. Se a Williams tem um carro capaz de vencer um GP, e Maldonado mostrou que dá, é atrás de algo parecido que ele tem de ir agora.

Daqui a pouco, Massa. Hoje estou dividindo tudo em tópicos, a corrida foi legal e aconteceu bastante coisa.

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HISPÂNICAS (4)

SÃO PAULO (viva la Revolución!) – Não foi o rei da Espanha que mandou Hugo Chávez se calar? O mundo dá voltas. Assim, foi em Barcelona que um chavista de quatro costados calou a Espanha. Toma! Chupa!

OK, estou politizando a corrida. Mas é quase impossível passar ao largo de algumas questões políticas quando se trata de uma vitória como a de Maldonado hoje em Barcelona. Afinal, Pastor é fruto direto de uma política de Estado da Venezuela, a de apoiar pilotos em várias categorias pelo mundo através da PDVSA, sua estatal petrolífera.

Pode-se achar certo ou errado, pode-se, e deve-se, discutir até onde é razoável a destinação de verbas ao esporte em países pobres, mas o fato é que está dando certo. E o grande resultado veio antes do que se previa. Maldonado está apenas em sua segunda temporada na F-1. E conquistou uma vitória daquelas, levando a bandeira de seu país e a alma bolivariana ao céu. É legal ver uma nação como a Venezuela ter do quê se orgulhar mundialmente. Os caras sofrem bullying econômico e político dos EUA, são tratados como uma excentricidade “do mal” pela patética imprensa do maior país da América do Sul, o Brasil, recebem a indiferença e a soberba dos colonizadores europeus, e a vida lá não é fácil, não.

Eu, sinceramente, achava que Maldonado não chegaria nem no pódio. Errei feio, ainda bem. Ganhou com autoridade, perdeu a ponta apenas na largada e após um pit stop, e no fim soube se sustentar à frente de Alonso, apesar das insinuações de pressão por parte do asturiano.

O ritmo de corrida da Williams foi surpreendente. E foi muito legal ver a equipe voltar a vencer depois de quase oito anos. A última vitória foi de outro sul-americano, Montoya, no GP do Brasil de 2004.

Os pneus foram uma das chaves da corrida, e foram os duros os que mais agradaram, por incrível que pareça. Quem guardou macios no sábado, comprometendo o grid para se dar bem no domingo, deve ter se arrependido. Nem precisava, afinal. De qualquer forma, era importante administrar o gasto da borracha o tempo todo e até o fim, sempre no limite, sem  muita margem de erro. Vejam Alonso: terminou 0s6 à frente de Raikkonen, o terceiro. Porque ficou sem pneus no fim. Mais 100 metros de pista e teria perdido o segundo lugar.

Foi uma bela prova, com algumas atuações destacadíssimas. Vettel, por exemplo, parou quatro vezes nos boxes (foi punido bestamente por não tirar o pé numa bandeira amarela), trocou o bico, foi para trás, voltou para a frente, passou uma porrada de gente e chegou em sexto. Pouco? O bastante para seguir na liderança do Mundial, com 61 pontos. Ao lado de… Alonso!

Não é inacreditável esse Alonso? Um fodón, mesmo. Quase ganhou hoje. Tem ajudado o fato de McLaren e Red Bull se atrapalharem mais do que o habitual. Hamilton, por exemplo, seria o maior favorito à vitória se largasse na pole. Mas a equipe cagou no negócio da gasolina e ele teve de largar em último. Chegou em oitavo. Já Button fez uma prova apagadíssima e terminou em nono. Foi um dos piores finais de semana dele desde que chegou à McLaren. Precisa reagir. Entre os rubrotaurinos, acho que fizeram todas as apostas erradas no sábado. E a Mercedes, que tem andado na frente da Ferrari, não brilhou desta vez com Rosberg e viu Schumacher bater em Bruno Senna num lance meio confuso sobre o qual falo daqui a pouco.

Mas voltando aos destaques, como não mencionar o próprio Hamilton, que veio veio babando lá de trás? E Kobayashi com suas ultrapassagens impossíveis?

E tem a Lotus, que vai bem, obrigado, mas acabou decepcionando um tiquinho. OK, terceiro e quarto, legal, mas… Mas dava para ganhar, não dava? Se o Maldonado é capaz de vencer com uma desacreditada Williams, por que não a Lotus?

Porque, hoje, apostou errado. Optou por um ritmo contido no início da prova para atacar no final, quando o time esperava que Williams e Ferrari fizessem uma quarta parada. Até precisariam, porque Pastor e Fernando terminaram a corrida com pneus em frangalhos. Mas àquela altura, com a distância que tinham em relação a Kimi, não iriam fazer mais um pit stop nem sob a mira de tanques da OTAN.

Enfim, um enorme parabéns a Maldonado e à Venezuela. Daqui a pouco volto para mais umas cascatas.

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HISPÂNICAS (3)

SÃO PAULO (rápido, não?) – Não precisam esquecer tudo que escrevi abaixo, só uma parte. Aliás, nem vou emendar. Mas acho que todos estão sabendo que Maldonado herdou a pole de Hamilton, que ficou sem gasolina ao fim do treino. Eu não tinha reparado, mas lá no autódromo o Dyonysyo Pyerotty me alertou. Não dei muita bola. Aí, ahorita mismo, a FIA mandou o inglês para o fim do pelotão. Ele teria de levar o carro até os boxes, e ainda precisaria de um litrinho de gasosa para análise.

Dançou, neném.

Assim, a Venezuela parte na pole pela primeira vez na história da humanidade. Hugo Chávez acaba de reservar um horário extra para o “JN” de hoje. E é sensacional. Aliás, a Williams foi protagonista de outra pole esquisita recentemente, com Hülkenberg em Interlagos/2010, lembram?

Apenas quatro países da nossa muy hermosa América del Sur têm a honra de colocar pilotos na pole da F-1: Brasil, Argentina, Colômbia e, agora, a República Bolivariana da Venezuela.

Claro que Hamilton, largando em último, deixa de ser o favorito à vitória. Agora, acho que fica mesmo com Raikkonen. E Pastor, meu querido, lute pelo pódio. Vai ser bem bonito e um presentão de 70 anos ao velho Frank.

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HISPÂNICAS (2)

SÃO PAULO (Chávez na cabeça) – Imagino se fosse o Bruno na primeira fila. Meio “Jornal Nacional” para ele, mais meio para lembrar do tio.

Feita a maldade. Aqui em Interlagos a gente fala muita maldade.

Mas sejamos francos: que baita resultado de Maldonado. É o que sempre digo. Há pagantes e pagantes. Muito piloto que, ao longo da história, desembolsa uns cobres para correr e não dá em nada. E outros que valem o investimento. Da turma atual, Grosjean e Pastor são dois deles. Para não falar de Pérez, encaminhadíssimo para a Ferrari em 2013.

Digo isso porque Maldonado costuma ser malhado por estas bandas. É o Chávez, é a PDVSA, onde já se viu? Típica bobagem pachequista, já que Bruno também entrou na Williams com grana de patrocínios, assim como esse menino finlandês, Bottas, está chegando com grana forte da Finlândia e deve ser titular no ano que vem. A Venezuela vem investindo forte em automobilismo, via PDVSA. Quando tiverem paciência, deem uma olhada na quantidade de pilotos do país correndo de tudo por aí.

De qualquer forma, para não dizer que pego no pé de alguém, metade do “Jornal Nacional” da TV venezuelana hoje vai ser do Maldonado. A outra metade será ocupada pelo telegrama que Fidel está escrevendo.

Mas não se trata de crucificar ninguém, apenas constatar que a fase brasileira na F-1 é de fato opaca como há muito. Bruno ficou no Q1. Na sua última tentativa, rodou. Estava sem pneus, disse. É um resultado particularmente ruim quando se olha para o desempenho do venezuelano durante todo o fim de semana. Maldonado já havia andado bem no último treino livre e liderou o Q2. Chegou a ficar na pole por alguns instantes, ao superar Alonso, até todos serem batidos por Hamilton, que enfiou mais de meio segundo no bolivariano.

E chegamos a Fernandinho, El Fodón de las Astúrias. Terceiro no grid com esse carro é quase um milagre. Olhemos para Felipe, agora: 17°, o último do Q2. E aí se tem a exata noção da diferença entre os pilotos, de como Massa está mal e só piora, de como a situação verde-amarela está black e nada beautiful. Os dois brasileiros dividem a nona fila. Seus parceiros estão em segundo e terceiro.

De novo, não se trata de pendurar ninguém em cruz alguma que porventura tenha sobrado no Monte Gólgota, mas de constatar que o protagonismo de outrora simplesmente está extinto. As estrelas são outras.

Hamilton fez sua terceira pole no ano e 22ª na carreira. A McLaren teve um dia esquisito, com Button ficando no Q2, talvez a maior surpresa do sábado entre os pilotos das equipes de ponta. A Red Bull também tem explicações a dar, depois de bons testes em Mugello e da liderança de Vettel no último treino livre. No Q3, o alemãozinho saiu dos boxes e voltou sem fechar volta. Aguardemos o que tem a dizer. Webber, como Button, ficou no Q2. Ambos podem se consolar por terem guardado alguns pneuzinhos macios para a corrida.

Assim, de lógica, mesmo, o grid de Barcelona teve Lewis na pole e os dois pilotos da Lotus mais ou menos onde se esperava que estivessem, quarto (Grosjean) e quinto (Raikkonen). Pérez em sexto e Rosberg em sétimo fecharam o grupo dos que gastaram pneus no Q3. Schumacher e Kobayashi nem saíram dos boxes — o japonês, na verdade, nem voltou depois do Q2. E Sebastian também ficou sem tempo. Isso, realmente, precisa mudar. A FIA deveria obrigar todo mundo a fechar ao menos uma volta. É algo que será discutido para o regulamento do ano que vem. Schumacher não anda no Q3 por princípios, quase. É um dos mais ferozes críticos da dependência exagerada dos pneus, da maneira como eles condicionam o estilo de pilotagem de cada um. Virou corrida de economia de borracha, não de carro no limite contra carro no outro limite. É a opinião dele, da qual não compactuo 100%, mas é preciso levar em conta qualque análise que parta de um heptacampeão mundial.

Hamilton virou 1min21s707 para cravar a 150ª pole da história da McLaren, melhor tempo disparado do fim de semana. Maldonado chegou a andar mais rápido no Q2 do que no Q3, mas não faria muita diferença. O venezuelano não deve ser considerado candidato a pódio, apesar da inédita primeira fila (sua melhor posição de largada fora um sétimo em Silverstone no ano passado). O ritmo de corrida dele e da Williams não é das coisas mais sólidas da F-1 atual, mas se ele não fizer nenhuma bobagem, pode pensar em terminar entre os seis primeiros. O pódio está mais para os dois da Lotus, com alguma chance para Alonso — que precisa contar com alguns azares dos adversários, porque em condições normais leva até da Red Bull.

A estratégia de pneus vai ser decisiva amanhã. Os duros serão usados o mínimo possível, porque seu rendimento é muito pior que o da borracha macia. Esta, por sua vez, gasta que é uma beleza. Ano passado, Vettel venceu com quatro paradas numa corrida que teve 77 pit stops. Vai ser parecido.

Daqui a pouco a gente volta.

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AMANHÃ, INTERLAGOS

SÃO PAULO (cama) – Tem corrida da Classic Cup amanhã em Interlagos. É a quinta etapa do campeonato. Entrada franca, distribuição gratuita de abraços e apertos de mão, horário livre para fotos entre 8h e 14h no meu box, que não sei qual é. Classificação às 8h e largada às 13h35.

Acho que teremos 40 carros no grid. Apareçam, canalhas! O Meianov acabou de ser condecorado pelo governo soviético, como se vê aí ao lado. E o Kremlin prometeu mandar umas loiras direto da Ucrânia, porque parece que não querem mais as meninas por lá.

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ZOROPA

Trecho da coluna Warm Up de hoje, festejando o início da temporada europeia na F-1:

Em 1988, meu primeiro ano como repórter dito especializado, a temporada teve 16 etapas. Começou no dia 3 de abril e terminou em 13 de novembro. Sete meses e dez dias, uma corrida, em média, a cada duas semanas. Mas com largos períodos de vida normal; começava mais tarde, terminava mais cedo. Foram dez corridas na Europa, quatro nas Américas e duas, só duas, lá onde o sol nasce quando se põe aqui — Japão e Austrália. Estava de ótimo tamanho: 62,5% do tempo na Europa, 25% aqui onde Colombo chegou de barco e 12,5% lá onde não tenho tantos amigos assim.

Olho para o calendário deste ano e, realmente, não é brincadeira. São oito meses e sete dias, um GP a cada 12 dias, começa antes (18 de março) e termina depois (25 de novembro). Até aí tudo bem. São 20 corridas, e gosto de corridas, beleza pura. Só que a distribuição geográfica é triste: 40% na Europa, 15% nas Américas e 45% nos quintos dos infernos. Em números absolutos: oito, três e nove. As duas lindinhas, Japão e Austrália, transformaram-se em nove, divididas em duas fases: Austrália, Malásia, China e Bahrein na primeira parte do Mundial, Cingapura, Japão, Coreia, Índia e Abu Dhabi na segunda. Haja.

Mais um excepcional texto. Para ler tudo, clique aqui. É grátis.

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CARROLL SHELBY, 89

SÃO PAULOMorreu ontem aos 89 anos a lenda Carroll Shelby. Obrigado ao Marcelo Brandini, que nos alertou nos comentários aí embaixo. Ele vivia desde 1990 com um coração transplantado. Em 1996, recebeu um rim do filho. Venceu as 24 Horas de Le Mans de 1959 em dupla com Roy Salvadori, de Aston Martin, e foi o criador, entre outras maravilhas, do Cobra — um ícone dos esportivos americanos. Sua história completa pode ser lida no texto brilhante do Fabrício Samahá no BestCars.

Que todos os Ford V8 do mundo, hoje, façam um minuto de silêncio. Melhor: que ronquem respeitosamente em sua homenagem.

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PEGA, MATA E COME

SÃO PAULO (de volta) – Não é data redonda, não há efeméride alguma, nem encontraram os restos dele junto daqueles calendários maias que acabaram de adiar o fim do mundo, que estava marcado para 21 de dezembro, por mais 7 mil anos. Mas o Bob Sharp escreveu sobre o Carcará no AutoEntusiastas, e sempre que ele faz isso é uma alegria.

O Carcará, creio que todos sabem, é o carro de recorde feito pelo Departamento de Competições da Vemag (leia-se Jorge Lettry e Miguel Crispim, com Rino Malzoni, Toni Bianco, Marinho e Anísio Campos) que em junho de 1966 encerrou as atividades da marca nas pistas.

A história já foi contada e recontada aqui, mas Bob detalha alguns pontos em seu artigo que merecem ser vistos. Antes, se quiserem se ambientar, vejam os posts sobre o Carcará no nosso bom e velho blog, inclusive com um vídeo postado em agosto de 2011 que mereceu pouquíssima atenção da blogaiada, só interessada em Senna-Piquet-Barrichello, essas chatices.

O Carcará sumiu, e a versão mais aceita para seu destino inglório é a de que Norman Casari, que o pilotou no dia do recorde na Rio-Santos, deu a carroceria de alumínio ao dono da Glaspac. E quando a firma fechou, tudo que havia num de seus galpões foi vendido como sucata. O chassi, este foi usado em outros carros de corrida. Restos do Carcará estão aqui e ali. Um amigo do Rio, por exemplo, tem a capa de tecido vermelha e os volantes usados. Um doido de Campinas, que morreu, jurava que tinha os carburadores. Outro, de Maricá (esse nada tem de doido, é um cara muito legal, que trabalha com restauração de aviões e foi piloto de corrida, além de comandante da Cruzeiro do Sul; o avião de JK está com ele, desmontado), tem o volante do motor e um disco de embreagem.

Há hiatos enormes na trajetória do Carcará no pós-recorde e muitas histórias envolvendo o carro. Uma delas, de que teria participado de um filme de estudantes de cinema da USP, fazendo o papel de disco-voador. Alguns anos atrás estive perto de chegar nesse filme, que estaria na Cinemateca de SP, mas por alguma razão acabei desistindo e perdi todas as pistas.

O Carcará também teria passado uma temporada no museu do Roberto Lee em Caçapava, mas não há nenhum registro fotográfico conhecido disso e não se sabe se foi antes ou depois de Norman tê-lo enviado à Glaspac — e também não se sabe exatamente por que ele fez isso, talvez para copiar a carroceria em fibra de vidro, uma possibilidade; o Norman morreu no fim de 2005 meses depois de descobrir que tinha um câncer, e meu velho #96 foi a forma que encontrei de homenageá-lo.

Enfim, são muitas histórias, e o Carcará mereceria um filme, um documentário, uma daquelas coisas que eu gostaria de ter tempo para fazer um dia.

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DEODORO

SÃO PAULO (só vendo) – Ontem foi dado o sinal verde para o fim definitivo de Jacarepaguá. Para vocês entenderem, a situação é a seguinte. A CBA conseguiu anos atrás um papel qualquer na Justiça, um acordo com a Prefeitura do Rio, que preservava o que restou da pista até que houvesse um circuito novo no Rio. Foi quando surgiu a história de Deodoro e tal. Isso aconteceu na época dos Jogos Pan-americanos, já que parte do autódromo foi usada para alocar um velódromo, um ginásio e uma piscina.

O problema é que depois o Rio ganhou a briga para ser sede dos Jogos Olímpicos de 2016, e o COI requisitou a área para detonar de vez o circuito e fazer um parque olímpico ou algo que o valha. Mas por causa daquele papel da CBA, nada poderia ser feito enquanto não saísse uma pista nova, apesar de os governos do Rio, estadual e municipal, dizerem o tempo todo que iriam fazer e dane-se. Mas não tinham recursos, e por isso sempre duvidei dessa pista de Deodoro.

Aí o governo federal entrou na conversa. Ontem, em Brasília, ficou definido que a União vai apresentar um projeto e fornecer os recursos para que o novo autódromo seja feito a partir de janeiro do ano que vem, com obras tocadas pelo governo estadual. A área de Deodoro pertence à União. Assim, as obras do tal parque olímpico podem começar sem mais entraves, e a CBA conseguiu a garantia de que elas não vão desativar o autódromo de vez enquanto Deodor não existir.

Quando tudo estava nas mãos dos governos fluminense e carioca, eu duvidada 100% desse autódromo. Agora que o governo federal resolveu assumir a pica, pode ser que saia. Passei a duvidar 90%. Considero, no entanto, que é um desperdício de dinheiro público. Não acho que o país tenha de gastar com a construção de um autódromo, há prioridades outras. Era muito melhor dar um jeito em Jacarepaguá, tentar salvar o que já existe, e fazer esse parque olímpico em outro lugar. A partir do que foi definido, pode-se imaginar quanto vai ser gasto para destruir um autódromo, construir outro, e ainda fazer o parque.

Mas a região de Jacarepaguá é valorizadíssima. O que explica tudo. Por um lado, fico feliz de saber que uma pista nova pode sair, de qualidade, moderna e tal. O automobilismo brasileiro precisa disso, e é necessário reconhecer que, se sair mesmo, é uma vitória, raríssima, da CBA. Mas já que o governo federal vai enfiar grana nisso, que cobre contrapartidas. Essas ainda não estão claras.

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HISPÂNICAS (1)

SÃO PAULO (o pulso ainda dói) – Só agora me inteirei do segundo treino, já que no horário estava no ar na TV. O primeiro eu vi, mas não aconteceu nada. Ferrari em primeiro não é algo real, e foi assim com Alonso na sessão matinal de Barcelona. Só para dar um gostinho à torcida que, diga-se, não apareceu.

De tarde as coisas entraram nos eixos, com Button na frente, Vettel em segundo, Lotus ali na frente com Kimi e Grosjean, Mercedes perto e tal.

Todos os pilotos falaram sobre o desgaste dos pneus, ainda mais com o calor que está fazendo na Catalunha. A temperatura chegou aos 30 graus e até 45 no asfalto.

Ano passado foram 77 pit stops. Vettel venceu com quatro paradas. Vai ser mais ou menos assim domingo, porque a Pirelli mandou pneus macios e duros para Barcelona. A corrida foi até divertida, com 22 ultrapassagens “normais” e 29 resultantes do acionamento das asas móveis.

Uma disputa meio artificial, mas melhor que nada. A chatice reinou em Barcelona por anos a fio. Isso porque o GP da Espanha é, normalmente, previsível e à prova de surpresas. Nas últimas dez edições, nove vezes o pole venceu. Exceção: ano passado, estreia dos pneus Pirelli. Significa, como se diz.

Essa prova vai ser decidida na estratégia de pneus. O pessoal vai economizar macios e é possível que na classificação a turma do Q3 faça apenas uma volta rápida. Veremos. Quem tiver de usar macios no Q1 para não ficar na primeira degola pode sentir falta da borracha-chiclete depois.

O dia foi tão sem sal que nem vai ter Tecla SAP hoje.

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LITTLE MISS UNIVERSE

Trabalho do Rodolfo Costea, de Florianópolis. A de verdade está quase…

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DICA DO DIA

SÃO PAULO (demais da conta!) – Sabe onde catei esse vídeo? No Twitter do Nelsinho Piquet. E é realmente sensacional. Corrida em Daytona, da Nascar, em 1952. Detalhe: o oval tem metade de seu percurso na areia e metade no asfalto, na estradinha que passa ao largo da praia. Eu já tinha visto fotos dessas corridas de Daytona da década de 50, mas vídeo assim, colorido, nunca. E é espetacular. O que os caras fazem é coisa de maluco ao quadrado. Os acidentes são fantásticos, e os carros lembram muito as carreteiras que correram no Brasil nos anos 30, 40 e 50. Um vídeo imperdível, como se diz. Perca dez minutos.

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