Arquivo da categoria: Turismo

FOLGUINHA

Já ouviram falar de folga, carro e estrada? Arrumei os três hoje. Assim, este blog será abandonado à sua própria sorte. De noite voltamos, de algum ponto do planeta.

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PROGRAMÃO

SÃO PAULO (será que dá?) – O amigo Carlos André, do Hotel Serraverde, em Pouso Alto (MG), convida quem tem carros com mais de 25 anos para o 1° Raid da Mantiqueira. Uma bela prova pelas cidades da região da Serra da Mantiqueira, passando por cidades e paisagens lindas. O Serraverde foi sede do Blue Cloud, nosso encontro de DKWs, de 2004 a 2007. É um hotel maravilhoso.

Para mais informações, é só entrar aqui.

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DELÍCIA DE LOUCURA

SÃO PAULO (e como a gente não sabia?) – Olha que barato a reportagem que o Remi Rodrigues mandou. Tem um bando de malucos com 21 Citroëns Avant viajando pelo Brasil. Não consegui “embedar” o vídeo, então o link está aqui. Espero que Jason Vôngoli tome alguma providência a respeito.

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ALGUÉM FAÇA ALGO!

SÃO PAULO (como pode?) – Vejam esta matéria no excelente “São Paulo Antiga”, do Douglas Nascimento e da Glaucia de Carvalho. É sobre o abandono da esplêndida estação ferroviária de Cachoeira Paulista, às margens do rio Paraíba. Prédio tombado, que pertence à MRS, que opera a via férrea.

Em qualquer país decente, isso já teria virado um boulevard com bares, cafés, parque. Mas está nas mãos, adivinhem, da iniciativa privada. Que, claro, está cagando um monte para a história. Restaurar e preservar custa dinheiro. O negócio é pegar concessão e encher as burras.

Quando eu for presidente do mundo, vou dar a essa empresa o prazo de um mês para apresentar um projeto de restauração e um ano para transformar a estação numa atração turística da cidade. Se eles não fizerem nada, desaproprio a empresa e casso a concessão. E prendo os donos numa masmorra.

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MOTOLAND

SÃO PAULO (é umas…) – Meu brother Diego Inzaurraga, o mais brasileiro dos uruguaios, mandou um e-mail que me deixou com água na boca e certamente vai interessar aos que gostam de passeios de motos. E de motos clássicas. E de lugares lindos. Reproduzo abaixo. E os que quiserem mais detalhes podem entrar em contato direto com ele pelo e-mail diegoinzaurraga@gmail.com.

Estou trabalhando com o pessoal do Hostal Toledo em Las Cumbres, Córdoba, Argentina, na organização de passeios em motocicletas antigas por estradas maravilhosas das Serras Cordobesas. O hotel é a antiga casa do presidente Unzué-Alvear de 1923, restaurada completamente e transformada em um cinco estrelas, com decoração de época. Dentro da casa funciona o Café Bistrê Bugatti, ponto de encontro de colecionadores e músicos locais. O pacote inclui alojamento no Hostal com quatro refeições, aluguel de uma moto antiga em perfeito estado, guia pelas estradas com vários percursos, visitas a museus de motos e bicicletas, visitas a oficinas de restauração, sítios arqueologicos, pontos de observação de condores etc. Tem ainda apoio mecânico e uma palestra com audiovisual do TT da ilha de Man por David Paredes, competidor argentino que participa da prova. As estradas são maravilhosas, com asfalto perfeito, muitas curvas e paisagens serranas. As motos disponiveis: Triumph, BMW, Ducati, Guzzi, Royal Enfield e até alguma com sidecar. Estamos tentando fechar um grupo de quatro a seis pessoas que queiram experimentar o motociclismo retrô com o maior conforto para este fim de março e começo de abril. No fim de semana de 30/3 a 2/4 é feriado na Argentina e irão vários antigomotociclistas de Buenos Aires aos tours. Seria uma oportunidade ótima para conhecer pessoas que dividem o amor pelo vento na cara, cheiro de óleo e gasolina. O valor do pacote é de US$ 650 por dia e inclui, como falei antes, alojamento nas refinadas suítes, café da manhã, almoço, lanche e jantar, aluguel da moto, guia e apoio mecânico. Não inclui passagem aérea, nem transfer até o hotel (uns 100 reais para ida e volta). O site do hotel, para quem quiser conhecer, está aqui.

Está dado o recado. Como tem bastante gente aqui que gosta desses passeios e nem sempre tem com quem ir, ou já fez tudo que poderia fazer, achei legal dar a dica. E a Argentina é demais. Se eu tivesse um tempinho, juro que iria. O hotel parece duca.

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VIVER (2)

SÃO PAULO (olha…) – Zainab e Domi, meus heróis que estão dando a volta ao mundo num Fusca pintado (e chamado) de Herbie, deixaram a Colômbia, finalmente, e entraram no Equador. Estão apaixonados por Quito e mandam lembranças à blogaiada. Ficaram impressionados com a quantidade de visitas que receberam em seu blog depois que mostramos a dupla (ou o trio, porque o Herbie é gente…) aqui.

Vamos lá, continuem escrevendo para eles e insistam para que passem por São Paulo, que parece não estar nos planos originais da viagem. Se vierem, vou dar uma festa cheia de Fuscas. Aliás, vamos. O Nê Lemos, fuscólogo juramentado que avisou a gente dessa viagem do casal austríaco, certamente vai querer organizar tudo!

Aproveitando, eles estão falando maravilhas da Panamericana, a estrada que corta as Américas de cabo a rabo. Alguém aqui já andou dando uns pulos pelo caminho histórico? Ando tendo umas ideias…

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LUGAR PRA IR

SÃO PAULO (em breve) – O Caio Ceppo mandou o link com a visita de um sujeito ao monumento Buzludzha, na Bulgária. Inaugurado em 1981, foi deixado ao abandono quando caiu o regime comunista no país. É uma obra impressionante.

Próximo destino deste blogueiro, sem dúvida. Mas no verão. Essa neve toda eu não encaro, não. Alguém aqui conhece?

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VIVER

SÃO PAULO (chego lá) – Domi e Zainab formam um jovem casal de austríacos que, em 2009, resolveu dar a volta ao mundo num Fusquinha pintado que nem o Herbie, puxando um trailer fabricado na Alemanha Oriental.

Suas aventuras estão neste blog aqui. Na última etapa da viagem, em Cartagena, Colômbia, danificaram a parte elétrica do carro, mas depois de quase duas semanas tudo se resolveu.

Ah, poupem-me de comentários admirados sobre a menina. O barato da viagem é a viagem em si, o espírito aventureiro, a paixão pelo carro. É de morrer de inveja. Dica do Nê Lemos.

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ESTÃO APANHANDO…

SÃO PAULO (mas é assim mesmo…) - Pois é, não é tão simples assim. Comprar uma Kombi, porque meio que está na moda dar a volta ao mundo numa Kombi, e sair por aí. Estes dois meninos da “Trip”, Emilio Zagaia e Felipe Costa, estão passeando pelo México numa Velha Senhora comprada lá mesmo. Pelo que entendi, a ideia é rodar por destinos dourados sei lá por quanto tempo. O problema é que escolheram um carro muito meia-boca. E estão apanhando muito.

Para acompanhar as aventuras da dupla, bem divertidas, é só seguir seu blog. E não se preocupem, meninos. Com carro antigo é assim mesmo. Os problemas vão aparecendo e a gente vai arrumando. Mas bem que vocês podiam ter pedido uma consultoria, para evitar perrengues meio chatos… Porque quando começa a acontecer muita coisa errada, a gente vai pegando bronca do carro. E o carro, em geral, é o último culpado.

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LADALAND

SÃO PAULO (de chorar) – Das mais belas imagens já publicadas neste blog. Foi o Juca Lodetti que mandou. “Em visita à região de San Pedro de Atacama, no começo do mês, vi um cena que não pude deixar de registrar. Aos pés dos vulcões Licancabur e Juriques, veja  este pobre carro a agonizar. Merece ele, em meio a uma natureza tão grandiosa e bela, um jazigo destes? Chama o guarda!”

Certamente cumpriu sua missão, o valente 2105.

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MISTÉRIO

PUNTA DEL ESTE (brava e mansa) – Antes de partir para a quina do continente, uma constatação feita pelos Gominhos. Neste balneário chique e bonito, quase todos os carros têm seus vidros traseiros coalhados de adesivos. Vidros, lataria, para-choques. Adesivos de bancos, de marcas esportivas, de rádios FM, de hotéis, cassinos, restaurantes, bares, baladas. Quase todos mesmo. Raríssimo é um automóvel sem nada colado no vidro traseiro. Há alguns desses adesivos, como o do Citi, o banco, onipresentes. Exércitos de meninas passam o dia percorrendo a orla e espetando seus adesivos nos carros estacionados. Sempre atrás — um curioso pudor, só se violenta a traseira; as janelas laterais, jamais. E ninguém arranca, ninguém fica puto. Aos poucos, o vidro vai ficando tomado, bancos disputam espaço com rádios, um cantinho vago aqui logo estará preenchido ali e assim vamos.

Não se trata propriamente de um fenômeno uruguaio. Eu teria notado, em outras plagas. É aqui, pelo que notei. Coisa de veraneio, sei lá. Bem esquisito. E os carros argentinos recebem privilégios da Guerrilha Adesivadora Universal. Pode ser que seja algum sinal de status voltar para a Argentina com essas coisas pregadas no vidro.

As pessoas são bem esquisitas.

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TIM-TIM

GUARUJÁ (plúmbeo) – Um engenheiro aposentado apaixonado por vinhos saiu ontem pelo mundo com o filho e a filha para uma viagem de dois anos e meio visitando vinícolas em 24 países. Vão de motorhome, que pelo que entendi foi cedido pela Iveco. É uma viagem cara e longa, mas acho que vai ser bem legal. Como sempre digo, essas coisas fazem a vida valer a pena. Quando se tem condições de largar tudo por um tempo e meter o pé na estrada, ótimo. Quando não se tem, que se faça um projeto do tamanho de suas possibilidades. A ideia do engenheiro mineiro parece ter sido bem elaborada, é cheia de patrocinadores e tal. Wine World Adventure é o nome da empreitada.

Boa sorte ao trio. Eu, se pudesse, faria algo parecido numa Kombi Safári. Mas isso nunca vou fazer, fica no sonho. Meus pequenos projetinhos, de um jeito ou de outro, já realizei. Os próximos são igualmente modestos e, portanto, factíveis. Nada muito radical, como escalar o Everest ou fazer o Caminho de Santiago. Modestos como o de Julio Cortázar e Carol Dunlop, que em 1982 colocaram uma Kombi na autoestrada entre Paris e Marselha com o objetivo de parar em todas as áreas de descanso ao longo da rodovia durante um mês (num trecho que, sem maiores problemas, se faz em cinco ou seis horas). Dessa aventura tranquila saiu “Os Autonautas da Cosmopista”, um livro delicioso publicado pouco antes de o escritor argentino morrer.

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DE VESPA POR AÍ

SÃO PAULO (que demais) – Acho que vocês se lembram do Marcio Fidelis, da Scooteria Paulista, que decidiu partir no começo do mês de Vespa para Buenos Aires. Pois a viagem está chegando ao fim. Seus relatos são maravilhosos e recomendo a todos — a leitura e uma loucurinha dessas de vez em quando.

Pois a viagem termina quarta-feira e vai ter festa para o Fidelis. Vejam o e-mail que ele mandou:

Boa tarde amigos,

Como todos sabem, ontem regressamos ao Brasil, minha Vespa e eu. Fizemos uma viagem internacional bastante tortuosa e gratificante. Conhecemos uma parte da Argentina, até Buenos Aires, e diversas partes do Uruguai, do norte, e da costa sul e leste. Nesse momento estamos em Porto Alegre (RS), de onde partiremos para Santa Catarina.

Chegarei a São Paulo nessa quarta-feira à tarde, dia 21 de dezembro.

Alguns amigos estão preparando uma recepção pra mim no centro velho da cidade. Haverá uma festa no antigo prédio desativado, nas esquinas entre a Avenida São João e a Rua Dom José de Barros, no Largo do Paysandú, em frente à Galeria Olido, em São Paulo.

Shows: Oskarface (a banda dos scooteristas Fabio Much e Lincoln) + Beber’s Operário (de Itatiba, futuros scooteristas). Discotecagem, cerveja, refrigerante, uma bela vista do centro da cidade e uma recepção à moda antiga. Estacionem suas motonetas na Av.São João, ao lado do prédio. É seguro e poderemos observá-las da sacada da festa (que acontecerá no segundo andar).

FESTA – Garajão do Julião . Quarta-feira das 19h às 23h.
Rua Dom José de Barros, 337, Piso 2 (esq.com Av.São João) – Fone: 11 3337-5750
Scooteristas e garupas são VIP. Apresentem o documento da motoneta na portaria e diga a senha “Scooteria Paulista”.

Quarta eu não poderei ir, Fidelis, mas considere-se abraçado por este lambreteiro que morre de inveja e de admiração pelo que você fez. Escolhi essa fotinho para ilustrar a nota porque adoro essa fronteira. Ela é especial para alguns. E se você tivesse me pedido dicas do Chuí, eu indicaria um lugar inesquecível para comer. Fica para a próxima. Quem sabe num bis dessa viagem.

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DE VESPA, NA ESTRADA

SÃO PAULO (também quero!) – O Marcio Fidelis, da Scooteria Paulista, decidiu: no dia 4 de dezembro, segue de Vespa para Buenos Aires para o maior encontro de Vespas e Lambrettas da América do Sul. Viagem que será, sem dúvida, inesquecível. Este blog deseja boa sorte, sucesso e, claro, vai acompanhar tudo morrendo de inveja.

Os detalhes da viagem estão aqui. E quem puder ajudar o Marcio, ele agradece.

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TRABIS IN DC

SÃO PAULO (invadimos) – Isso aí aconteceu no Spy Museum, em Washington, no ano passado. E se repetiu no último dia 5 de novembro. Todos os anos a gente enche a capital de fumaça.

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DICA DO DIA

SÃO PAULO (que vontade…) – Em 1953, Geoffrey Gander e seus amigos saíram de moto da Inglaterra para viajar pela Europa continental recém-saída da Segunda Guerra. Seu filho Paul colocou neste site aqui fotos maravilhosas da viagem. Eles cruzaram França, Alemanha, Suíça, Áustria e Itália. Problemas? Parece que só um pneu furado.

Linda, a Europa. Como sempre.

A dica foi enviada pelo Bira Martins.

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DICA DO DIA

SÃO PAULO (hoje vai ser daqueles…) - Vai pra Letônia? Ótimo. Hospede-se numa antiga prisão da KGB. Que não foi reformada. Os detalhes do programa estão aqui. Quem indica é o Pablo Vargas.

Não sei se isso aí eu iria curtir muito, não… Em todo caso, é bem curioso.

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DECIDIDO

SÃO PAULO (com moderação) - Minhas próximas férias já estão resolvidas. Esse hotel na Saxônia é simplesmente o mais legal do mundo. E a diária é baratinha!

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SETE ERROS

SÃO PAULO (joga no lago) - Quando eu for presidente do mundo, vou proibir que qualquer um fale sobre Trabant. Qualquer pessoa que se mete a escrever sobre Trabant acha que tem de fazer alguma gracinha. Como o pessoal da revista “AutoEsporte”. Vou manter o nome do autor da reportagem no anonimato, para que ele não corra risco de vida.

O rapaz fez uma viagem a convite da Michelin, provavelmente para alguma matéria sobre novos pneus, segurança nas estradas, sei lá, e aproveitou para dar uma passada por Berlim.

OK, Berlim é a cidade mais legal do mundo, tem mais é de ir.

Aí, vê uns Trabis na rua e tem a ideia genial e nada original: vou andar nesses carros e escrever uma matéria engraçadinha. Tem uma firma que aluga.

Ah, que saudades da Stasi…

“Fomos até Berlim andar no (poluidor) símbolo da Alemanha Oriental”, diz o “olho” da matéria. Erro 1: chamar o Trabi de poluidor. Motores dois tempos, embora emitam uma fumaça mais visível, não poluem mais do que essas tranqueiras quatro tempos que rodam por aí. Advertência ao repórter, também porque isso não é relevante para colocar no “olho” de matéria alguma.

“Foi o carro mais caro em que rodei em Berlim. E ainda tive de dirigir.” Como assim, “ainda tive de dirigir”? Sacrifício? Erro 2, desprezar a melhor das experiências ao volante de qualquer automóvel. Detenção na hora, claro.

“A carroceria é de plástico frágil e, na última geração, o motor era um de dois cilindros e dois-tempos que erndia 26 cv”, diz a legenda de uma foto. Erro 3. Não pelo “erndia”, um erro de digitação banal e demonstração de desleixo na revisão. Frágil é o cacete, e não é de plástico, é fibra de algodão com resinas mil. E na última geração o motor não tinha dois cilindros e dois tempos. Era um motorzinho 1.1 quatro tempos da VW. Interrogatório nele.

“Pago feliz os 15 euros e mato o tempo de espera escolhendo meu Trabant: tem os convencionais amarelo gasto e azul apagado, peruas, conversíveis, uma limusine e jipinhos militares sem capota. (…) Primeira instrução básica: trocar as marchas. A alavanca de câmbio é na coluna de direção. Primeira para trás e para cima, segunda para baixo, terceira para a frente e para cima, quarta para baixo. O ponto morto fica mais ou menos no meio.” Erros 4 e 5, gravíssimos. “Amarelo gasto” e “azul apagado” suponho serem Schilfgrun e Gletscherblau. O azul também é conhecido como Sky Blue. Se o repórter não tem intimidade com a paleta de cores de Sachsenring, que não se meta a escrever sobre elas. Quanto às marchas, pelamor… A primeira é para a frente, em direção ao painel, e para baixo. A segunda, para cima. A terceira é para trás, em direção ao motorista, e para baixo. E a quarta, para cima. Pelo jeito, o rapaz não aprendeu a engatar a ré. Custódia sem avisar a família.

“Acelero, o motor não morre, mas vejo a fumaça pelo retrovisor esquerdo. Escrevi esquerdo? É o único, pois o Trabant não tem espelho do lado direito. E o que existe ainda fica meio coberto pela coluna do pára-brisa.” Erro 6. Tem do lado direito, sim. Se você não viu, pobre escriba, azar seu. Não atribua ao carro seus problemas de visão. Leva pra outra salinha.

“Imagino o desespero dos ex-alemães ocidentais quando a horda de Trabants invadiu suas ruas em 1989, soltando fumaça e atrapalhando o trânsito. Olho para a esquerda e estou parado junto a uma viatura. (…) Será que a polícia pega no pé deles por entregar um carro tão precário a qualquer um?”. Delito de opinião. Dois no mesmo texto. Erro 7. Dá uns tapas, coloca o capuz e deem um fim nesse rapaz. Ele nunca passou por aqui.

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DICA DO DIA

SÃO PAULO (aprendam) - É uma aula de jornalismo a reportagem feita pelo Pablo Pereira no site do Estadão. Ele pegou um ônibus que percorre quase 6 mil km entre São Paulo e Lima. É a mais longa linha rodoviária da América do Sul. São quatro dias pelo Brasil e pelo Peru, por 468 reais. De avião custa mais caro, mas não tanto. E é difícil compreender o que leva alguém a fazer uma viagem dessa de ônibus, por quatro dias, se poderia ir pelo ar por alguns punhados de horas e não muito dinheiro a mais.

Mas quando se veem a paisagem, as histórias, a viagem em si, compreende-se. Tem um ditado que fala sobre isso, que o importante na vida é o caminho, não o destino. E é precisamente o que se sente ao ler o material do Pablo — trabalhei com ele na “Folha”, um grande cara, excepcional jornalista.

Ler e ver. Porque tem também as excelentes fotos do Epitácio Pessoa, vídeos, áudios. É disso que falo, também, quando digo que é uma aula de jornalismo. De um novo jornalismo, já que a internet nos oferece esses recursos todos para se fazer um material completo.

Leitura recomendada, em resumo. Muito legal. Deu vontade de pegar esse busão, sozinho, e sair por aí. Pra tomar uma Inca Kola geladinha do lado de lá.

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