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MÔNACO, 1993

monaco93SÃO PAULO (feliz Dia da Tartaruga) – Hoje, 23 de maio, faz 20 anos da última vitória de Ayrton Senna em Mônaco. Foi a sexta, quinta seguida. Ele venceu em 1987 com a Lotus e de 1989 a 1993 direto e reto com a McLaren. Poderiam ser sete não fosse a célebre batida no guard-rail em 1988, quando estava um ano na frente de Prost, desconcentrou-se e deu a panca besta na entrada do túnel. Ficou tão puto que nem para os boxes voltou. Atravessou a rua e foi para casa, já que tinha um apartamento ali perto. Diz a lenda que irrompeu pela porta, surpreendeu a empregada e pediu para ela fazer o almoço.

Nessa corrida de 1993, Senna quebrou um recorde que já durava 24 anos, a incrível marca de cinco vitórias de Graham Hill no Principado. É, até hoje, quem mais ganhou nas ruas de Monte Carlos. Schumacher chegou perto, com cinco. Curiosamente, um dos adversários do brasileiro naquela corrida era justamente o filho de Hill, Damon, então piloto da Williams. Terminou em segundo, quase um minuto atrás de Ayrton. Alesi, o terceiro, cruzou a linha mais de um minuto depois do carro vermelho e branco. Prost, o quarto, uma volta atrás.

Damon foi um lorde ao falar sobre a marca atingida pelo rival. “É um tributo para meu pai que alguém do calibre de Senna tenha batido seu recorde. Tenho certeza que se ele estivesse aqui seria o primeiro a cumprimentá-lo”, falou. Graham Hill morrera em 1975, num acidente aéreo.

Como se vê, esse GP de Mônaco, exceto pelo recorde histórico, esteve longe de ser um dos mais emocionantes de todos os tempos. Muito pelo contrário. Prost, o favorito absoluto, estava na pole e queimou a largada. Quando pagou o stop & go, teve a manha de deixar o carro morrer duas vezes. Perdeu 21 posições e mesmo assim terminou em quarto, tamanha a superioridade da Williams sobre os demais naquele ano — ele conquistaria o tetra com o pé nas costas em Portugal, no fim de semana em que anunciaria sua aposentadoria. Schumacher, na Benetton, assumiu a liderança quando Alain foi para os boxes, mas quebrou. Assim, a vitória caiu no colo de Senna, que não precisou passar ninguém.

Eu estava nessa corrida e fui dar uma olhada no que escrevi no jornal naquele dia. A cobertura foi modesta, até, para os padrões da época. Apenas duas páginas com oito textos, quatro fotos e uma arte. Está aqui, para quem quiser ler. Senna tinha batido forte nos treinos de quinta-feira e machucou a mão esquerda. Correu o risco de não participar da prova, mas no fim das contas não sentiu dores especialmente impeditivas. Na entrevista depois da corrida, tirou uma onda de Prost e disse que o francês vivia queimando largadas na época da McLaren. “Isso me incomodava muito e ele sempre conseguia escapar da penalização.  E hoje, na terra dele, teve que pagar.”

Bom lembrar que Senna não era muito fã dos dirigentes da FIA e da FISA. Não perdia uma chance de espetar as entidades, com as quais vivia às turras desde a desclassificação no GP do Japão de 1989.

Depois, quando perguntamos a ele sobre os infortúnios de Prost e Schumacher, Ayrton nos interrompeu bruscamente e disse: “Acredito em Deus, não em sorte”. Por fim, recusou-se a falar da polêmica de então, o uso de motores Ford de última geração pela Benetton, em detrimento da McLaren, que tinha unidades menos potentes: “Não sei, não me interessa, esse é um assunto que já me encheu o saco”.

Sim, meninos e meninas, Senna dizia “encheu o saco”. Parece incrível, não? Afinal, santos não deveriam ser assim tão… humanos. Pois é, Ayrton era humano. Se alegrava, se irritava e pilotava carros de corrida. Ainda bem. Mas não vou ficar aqui teorizando sobre sua personalidade tão distorcida pelos anos. Prefiro dar um link para vocês. Este texto foi escrito por um professor de História da UEG chamado Ademir Luiz e publicado no site “Jornal Opção”, de Goiás. Não conhecia. Foi escrito em 2011, quando do lançamento do documentário sobre a vida de Senna.

O texto é enorme, mas é o melhor que já li sobre o assunto. Por “assunto”, entenda-se Ayrton Senna e tudo que se criou em torno de seu nome. Leiam, que vale muito a pena. O autor conhece Fórmula 1 — comete um ou outro errinho factual, como o ano do acidente de Niki Lauda. Entende de cinema (uma crítica ao filme é o pontapé inicial do artigo) e exercita o rigor que historiadores costumam ter quando rabiscam qualquer coisa.

Pelo escasso número de comentários, acho que pouca gente leu. Ainda é tempo. O bom da internet é isso. As coisas estão aí para ser lidas, a qualquer tempo.

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SEPÂNGUICAS (2)

sepanguicas2SÃO PAULO (5 da matina?) – Vejam quem participou da coletiva de hoje em Sepang: da esquerda para a direita, Sapattos, Chaton, Van der Lei, Gutiguti e Julinho. Juntos, devem ter depositado uns 70 milhões de dólares nas contas da Williams, Marussia, Caterham e Sauber.

Nada contra os pagantes, sempre digo. É algo que existe há séculos na F-1. Mas, talvez, a proporção em relação ao total de pilotos no grid seja um pouco exagerada hoje em dia. Eles ocupam vagas que poderiam estar nas mãos de Kobayashi, Glock e muitos outros — escolham vocês alguns nomes de quem mereceria estar na F-1.

Será que algum deles vai virar alguma coisa séria no futuro? Eu apostaria em Bianchi, e só. Bottas vai sucumbir à penúria da Williams. Chilton e Van der Garde são dois filhinhos (ou genrinhos) de papai milionários. Gutiérrez não parece ter nada de especial.

Enfim, a realidade é essa. Se no ano passado a gente estava aqui comemorando uma boa safra nos times de ponta, cheios de campeões mundiais, o mesmo não se pode dizer do segundo e terceiro escalões. É um grupo fraco.

coletivapagatudo

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HABEMUS MELBOURNE (2)

aus2013bSÃO PAULO (tentaremos) – Sempre que começa a temporada me animo a fazer um “tecla SAP”. Depois desisto, porque os encarregados das traduções são muito problemáticos. Mas vamos em frente. Separei algumas declarações do pós-treino de Melbourne e consegui um cara aqui no prédio que disse que já deu aula de australiano num cursinho nos anos 80. Ele inclusive me mostrou uma foto com um bumerangue que diz ter sido tirada em Camberra, mas me pareceu que era no Ibirapuera (tinha um pedacinho do Planetário).

Recebi as traduções agora há pouco por e-mail e como não tive tempo de revisar, e o rapaz me pareceu gente boa, copiei e colei:

BUTTON, McLAREN - “Clearly, we’re not as quick as we’d like to be, particularly in terms of ride and downforce. Our short runs weren’t particularly encouraging, to be honest. We’re a couple of seconds off the pace. But, in a situation like this one, all you can say is that there’s a hell of a lot of work for us to do. So we’ll now spend the next few hours working hard, studying our data, and I’m confident that we’ll be able to find some improvements for tomorrow.” TECLA SAP – “Claro que não gostei, acho chinelo Rider feio, mas e o quico? Tomei coragem e usei um shorts bem curto. Precisamos de um copo de segundos para encontrar a paz, caso contrário vamos todos parar no inferno. Se não der certo vou voltar a trabalhar e a estudar amanhã.”

WHITMARSH, McLAREN - “Our car appears to be lacking in grip and consistency, and is suffering from significant understeer and poor ride.” TECLA SAP – “Estamos sofrendo com uma gripe consistente e amanhã vai ser pior na chuva, porque estamos usando esses chinelos Rider de pobre.”

ALONSO, FERRARI“I’m not expecting any major surprises here, we already knew we were not the quickest and that was confirmed today. The car responds well, but we know there is still much to do if we want to fight with the very best.” TECLA SAP – “Não esperava encontrar um major fazendo perguntas por aqui, foi uma surpresa, mas o carro respondeu bem até a hora em que chamou ele de besta. Aí fodeu tudo.”

RAIKKONEN, LOTUS - “The car felt pretty strong out there. The track was as I remembered it and there were no surprises from it or the car. We’ll have to see what happens tomorrow with qualifying as maybe it will be a bit cooler.” TECLA SAP – “O carro é muito preto. O treco é mais ou menos como eu lembrava. Vamos ver o que vai ter pra beber no cooler amanhã, espero que alguma coisa de mais qualidade.”

GUTIÉRREZ, SAUBER“As a team we need to find more speed. Now I will focus on improving for qualifying tomorrow.” TECLA SAP – “Ouvi falar que eles estão tentando achar o Speed [Racer]. Vou procurar um [Ford] Focus para amanhã.”

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BARCELONA, FINAL #1

lhchuvabarcaSÃO PAULO (adianta?) – Há um movimento entre as equipes para, no ano que vem, levar a pré-temporada para alguma outra pista pelo menos em uma das três sessões programadas. É porque tem feito muito frio na Europa, e hoje ainda choveu… Para quem vai começar o Mundial em pistas e lugares quentes como Austrália, Malásia, China e Bahrein, a pergunta é: esses testes servem para alguma coisa além de saber se os carros saem do lugar?

Servem, claro. Mas os trabalhos ficam prejudicados porque as condições na maioria das corridas serão muito diferentes em termos de temperatura. E temperatura afeta todo o desempenho de um carro. Não só no que diz respeito aos pneus, mas também na aerodinâmica — a dependência da passagem do ar sobre, sob e aos lados do carro é tão grande que a densidade do dito cujo tem de ser levada em conta; e ela, como se sabe, muda em função da temperatura.

O problema é: onde testar? No Bahrein, aquele lixo onde nem deveria ter corrida? Em Interlagos, do outro lado do mundo? Na África do Sul? Em Portimão, um pouquinho mais quente? Difícil. E seja onde for, se for fora da Europa, é algo que eleva os custos e dificulta a logística. No fim das contas, não vai acontecer é nada, vão ficar na Espanha, mesmo. Não tá fácil pra ninguém.

E para alguns, afinal, andar na chuva pode ser bom, também, porque em algum momento do campeonato vai ter corrida no molhado, e a experiência sempre é bem-vinda. Foi assim o primeiro dia da semana em Barcelona, com o asfalto secando mais ou menos no final. No molhadão, pela manhã, Hamilton foi o melhor. De tarde, Webber fechou o dia com a volta mais rápida. O resumo do dia está aqui. Razia não andou e não se sabe como será no resto dos treinos, os últimos antes da abertura do campeonato, que vão até domingo. A previsão indica que o dia será chuvoso amanhã. O tempo fica melhor no sábado e no domingo, com pista seca.

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DIA (DURO) DE DOMINGO

SÃO PAULO (ressaca) – Não foi, mesmo, um domingo fácil para Vettel. Vejam esta foto publicada no site da “Autosport”. Não é um milagre que nada tenha acontecido no carro do alemão?

“Nada”, claro, é força de expressão. Newey contou que houve uma perda de pressão aerodinâmica (provavelmente porque a suspensão foi afetada, estragando todo o alinhamento do carro) e danos no escapamento. O time monitorou todos os parâmetros durante a corrida e mudou o mapeamento do motor para que a temperatura no sistema de escape fosse a menor possível. Caso contrário, poderia haver uma quebra e, como consequência, a bagaça toda pegaria fogo.

A questão da perda de “downforce” foi parcialmente resolvida com ajustes na asa dianteira no primeiro pit stop.

Agora, o Bruno… Tenha dó. Fico imaginando se um piloto brasileiro, lutando pelo título, é acertado por outro que não briga por nada numa situação parecida. Iriam imolar o sujeito. É preciso um pouco de inteligência para correr de carro. O primeiro-sobrinho alegou que Vettel quis fazer a tangência e não deixou espaço. Caramba. O cara é protagonista do campeonato. A corrida, evidentemente, não era uma qualquer. Tem hora em que os coadjuvantes devem entender o que são, procurar atrapalhar o mínimo possível. Bruno, com atitudes como essa (minimizando o episódio, inclusive, como se fosse pouco relevante; não era, podia ter decidido o campeonato), consegue uma única coisa: perder o respeito de seus pares.

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RÁDIO BLOG

O síndico fez 70 anos ontem.

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RÁDIO BLOG

Il nostro eroe.

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GANHADORES (1)

SÃO PAULO (passando a régua) – Vamos encerrar a promoção dos dois ingressos para as 6 Horas de Interlagos. O pessoal tinha de responder à seguinte pergunta: “O que eu faria se descobrisse que o mundo iria acabar daqui a seis horas?”. Uma comissão de alto nível, presidida por mim, escolheu as melhores frases. Os ganhadores, que serão contatados (espero!) pelos organizadores da corrida, são:

1) Ricardo Maia Mulder van de Graaf, que escreveu: “Iria amar. E morreria feliz sabendo que está do meu lado a pessoa que amo. Iria falar. E morreria tranquilo sabendo que disse o que realmente penso. Iria sentir. E morreria satisfeito com a vida que tive.”

“Achei emocionalmente fofo”, avaliou Victor Martins, um dos membros do júri.

2) Antonio Marcelo de Oliveira, que escreveu: “Iria a um museu onde pudesse recordar todas as grandes obras de arte do mundo e que na minha vida corrida de assalariado nunca fui por falta de tempo ou dindin, iria ao museu do futebol para tentar rever pela ultima vez o gol do título do meu time predileto, pegaria um moleque que estivesse pedindo dinheiro no farol levaria ele onde ele quisesse (cinema ou McDonald’s) para que ele tivesse um pouco de prazer neste fim de vida e depois iria para casa acompanhar ao vivo o fim deste planeta. Simples assim.”

“Achei socialmente fofo”, avaliou o mesmo Martins, cujo voto, pela antiguidade na casa, tinha peso 10 e, portanto, dispensava outros jurados.

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JÁ ANDOU

SÃO PAULO (vai ser legal) – Só para não deixar passar batido, a Audi anunciou Di Grassi pela manhã para as Seis Horas de Interlagos, com a novidade de que ele já andou com o carro, no começo do mês, em Lausitzring. Isso eu não sabia.

Olha, quem não for a Interlagos ver esses carros em setembro não gosta de automobilismo! Não tem desculpa… Os ingressos estão à venda aqui.

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JUSTO QUEM…

SÃO PAULO (bizzaro) – Vejam quem será o comandante da versão italiana daquele programa horroroso chamado “O Aprendiz”… Recebi a notícia pelo Twitter. O mundo está cada vez mais pateta. Mas deve ser engraçado, enfim.

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MONTADOS (1)

SÃO PAULO (liberem geral, meninos e meninas) – Começou o GP canadiano com Hamilton na frente. Mas tem outro treino à tarde. Com simpáticos 21 graus, um dia nublado (já peguei muito calor em Montreal, mas desta vez a coisa está sossegada), público grande, como sempre nas sextas por lá, Lewis cravou 1min15s564.

É um potencial sétimo vencedor diferente em sete corridas, o que seria interessantíssimo. Está precisando ganhar.

Ano passado, a corrida foi enlouquecedora. Levou mais de quatro horas, lembram? Duas horas de parada por causa da chuva, safety-car, Button vencendo na última volta depois de seis (!!!) pit stops… Loucura, loucura, loucura.

Vettel rodou na última volta e deu a vitória ao inglês. Foi inacreditável. Schumacher fez sua melhor corrida desde o retorno, Kobayashi lutou pela vitória, Massa andou bem, todos amam o Canadá.

Ainda tem bastante coisa para acontecer hoje, com o segundo treino às 15h daqui. O que deu para ver na primeira sessão foi o equilíbrio que está marcando esta temporada, com menos de 1s entre o primeiro e o 11°. O resultado está aqui. Tem gente que vai andar bem e pode surpreender, como a Force India e a Sauber. A Lotus começou a ficar para trás. Será que começou mesmo? Será que vive o mesmo problema do ano passado, início ótimo, desenvolvimento lento e queda de rendimento?

Lembro que a pole sábado não chega a ser tão decisiva assim. Nas últimas dez edições do GP canadiano, apenas três vezes o pole venceu.

Bem, é cedo ainda para grandes conclusões. Veremos, parece que vai chover de tarde, e daqui a pouco voltamos.

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MONACATS (1)

SÃO PAULO (quantas linhas, mesmo?) – Difícil escrever alguma coisa desse primeiro dia de treinos em Mônaco, não? A garoinha de tarde atrapalhou tudo e não deu para tirar qualquer conclusão. Alonso foi o mais rápido de manhã, sem chuva, e Button virou o melhor tempo de tarde no único momento de asfalto seco. Quando começou a chover, pouca gente arriscou andar e bater. E os tempos subiram para a casa de 1min30s (Jenson fez 1min15s746).

Mas dá para ver que a Ferrari reagiu de verdade depois dos testes de Mugello e, apesar de todos os prognósticos contrários nas primeiras corridas do ano, pode sonhar com o título.

Por que não? Com um carro ruim, já se foram 25% do campeonato e Alonso lidera a bagaça. Até Felipe andou bem hoje. Num momento de cobranças, perda de confiança, indefinição sobre o futuro e pressão enorme por parte da imprensa italiana, é a hora de fazer alguma coisa se ainda quiser ficar na F-1.

Bem, não dá para fazer grandes prognósticos. Amanhã é folga para todo mundo e sábado, se não chover, tem muita gente na briga pela pole. Nas últimas dez corridas em Monte Carlo, sete foram vencidas por quem largou em primeiro. É o famoso GP de dois dias, que começa no sábado e termina no domingo.

Vocês apostam em alguém para essa pole?

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HISPÂNICAS (4)

SÃO PAULO (viva la Revolución!) – Não foi o rei da Espanha que mandou Hugo Chávez se calar? O mundo dá voltas. Assim, foi em Barcelona que um chavista de quatro costados calou a Espanha. Toma! Chupa!

OK, estou politizando a corrida. Mas é quase impossível passar ao largo de algumas questões políticas quando se trata de uma vitória como a de Maldonado hoje em Barcelona. Afinal, Pastor é fruto direto de uma política de Estado da Venezuela, a de apoiar pilotos em várias categorias pelo mundo através da PDVSA, sua estatal petrolífera.

Pode-se achar certo ou errado, pode-se, e deve-se, discutir até onde é razoável a destinação de verbas ao esporte em países pobres, mas o fato é que está dando certo. E o grande resultado veio antes do que se previa. Maldonado está apenas em sua segunda temporada na F-1. E conquistou uma vitória daquelas, levando a bandeira de seu país e a alma bolivariana ao céu. É legal ver uma nação como a Venezuela ter do quê se orgulhar mundialmente. Os caras sofrem bullying econômico e político dos EUA, são tratados como uma excentricidade “do mal” pela patética imprensa do maior país da América do Sul, o Brasil, recebem a indiferença e a soberba dos colonizadores europeus, e a vida lá não é fácil, não.

Eu, sinceramente, achava que Maldonado não chegaria nem no pódio. Errei feio, ainda bem. Ganhou com autoridade, perdeu a ponta apenas na largada e após um pit stop, e no fim soube se sustentar à frente de Alonso, apesar das insinuações de pressão por parte do asturiano.

O ritmo de corrida da Williams foi surpreendente. E foi muito legal ver a equipe voltar a vencer depois de quase oito anos. A última vitória foi de outro sul-americano, Montoya, no GP do Brasil de 2004.

Os pneus foram uma das chaves da corrida, e foram os duros os que mais agradaram, por incrível que pareça. Quem guardou macios no sábado, comprometendo o grid para se dar bem no domingo, deve ter se arrependido. Nem precisava, afinal. De qualquer forma, era importante administrar o gasto da borracha o tempo todo e até o fim, sempre no limite, sem  muita margem de erro. Vejam Alonso: terminou 0s6 à frente de Raikkonen, o terceiro. Porque ficou sem pneus no fim. Mais 100 metros de pista e teria perdido o segundo lugar.

Foi uma bela prova, com algumas atuações destacadíssimas. Vettel, por exemplo, parou quatro vezes nos boxes (foi punido bestamente por não tirar o pé numa bandeira amarela), trocou o bico, foi para trás, voltou para a frente, passou uma porrada de gente e chegou em sexto. Pouco? O bastante para seguir na liderança do Mundial, com 61 pontos. Ao lado de… Alonso!

Não é inacreditável esse Alonso? Um fodón, mesmo. Quase ganhou hoje. Tem ajudado o fato de McLaren e Red Bull se atrapalharem mais do que o habitual. Hamilton, por exemplo, seria o maior favorito à vitória se largasse na pole. Mas a equipe cagou no negócio da gasolina e ele teve de largar em último. Chegou em oitavo. Já Button fez uma prova apagadíssima e terminou em nono. Foi um dos piores finais de semana dele desde que chegou à McLaren. Precisa reagir. Entre os rubrotaurinos, acho que fizeram todas as apostas erradas no sábado. E a Mercedes, que tem andado na frente da Ferrari, não brilhou desta vez com Rosberg e viu Schumacher bater em Bruno Senna num lance meio confuso sobre o qual falo daqui a pouco.

Mas voltando aos destaques, como não mencionar o próprio Hamilton, que veio veio babando lá de trás? E Kobayashi com suas ultrapassagens impossíveis?

E tem a Lotus, que vai bem, obrigado, mas acabou decepcionando um tiquinho. OK, terceiro e quarto, legal, mas… Mas dava para ganhar, não dava? Se o Maldonado é capaz de vencer com uma desacreditada Williams, por que não a Lotus?

Porque, hoje, apostou errado. Optou por um ritmo contido no início da prova para atacar no final, quando o time esperava que Williams e Ferrari fizessem uma quarta parada. Até precisariam, porque Pastor e Fernando terminaram a corrida com pneus em frangalhos. Mas àquela altura, com a distância que tinham em relação a Kimi, não iriam fazer mais um pit stop nem sob a mira de tanques da OTAN.

Enfim, um enorme parabéns a Maldonado e à Venezuela. Daqui a pouco volto para mais umas cascatas.

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147 OU 1800?

SÃO PAULO (a conferir) – O Denisson Gervásio mandou a foto. Diz ele que esteve em São José dos Campos segunda-feira e fez uma visitinha ao museu Aeroespacial Brasileiro. “Sabe o que descobri? O primeiro carro a utilizar o álcool como combustível, ainda na fase de testes, foi um Dodge 1800 1976, o da foto! Pensava que havia sido o 147.” Álcool mesmo, porque me recuso a usar etanol. Frescura, esse negócio de etanol.

Eu também pensava que tinha sido um Fiat 147. Mas fica a curiosidade. E se alguém aqui participou dessa história, que conte tudo!

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MAO AÍ (3)

SÃO PAULO (falei?) – Mas que bela pole, hein, Rosberguinho? Agradeça aos buraquinhos do Ross Brawn, com todo respeito. Andamos falando bastante deles, recentemente. Rosberg foi minha aposta para a pole assim que começou o treino. Pena que não tinha ninguém para apostar comigo, nem registrei em cartório. Achava que McLaren e Red Bull poderiam incomodar um pouco, até, mas que nada… O alemão imberbe, sorridente e delicado enfiou uma trolha de meio segundo em Hamilton e outra em Schumacher, sem dó. Fez uma volta só em 1min35s121 e foi desfilar seu sorriso kolynos pelo paddock enquanto os outros tentavam alguma coisa.

É a primeira pole da Mercedes desde 1955. Isso mesmo. A última foi de Fangio no GP da Itália. Chupa que a cana é doce. A primeira desde a volta da estrela de três pontas como equipe própria, em 2010. E a primeira de Rosberguinho, que tinha um segundo no grid da Malásia lá mesmo em 2010 como sua melhor posição de largada. Conseguiu a pole na sua 111ª corrida. Demorou pacas. Suspeito que tenha sido um dos pilotos, entre os que já largaram na pole, que mais tempo levou para lograr tal êxito. É o 95° na lista de laureados com a dita posição de honra em todos os tempos.

E como Hamilton, o segundo, caiu para sétimo porque trocou o câmbio, a primeira fila será toda da Mercedes, o que é um resultado e tanto. Schumacher parte em segundo, todo pimpão. Pela primeira vez na primeira fila desde o GP do Japão de 2006, quando ainda se vestia de vermelho. Mas isso não faz do time de Brackley favorito à vitória. Na corrida, o buraco do Ross Brawn é mais embaixo. A asa móvel só pode ser ativada uma vez, e isso se tiver alguém na frente para passar. A eficiência de seus tubos de PVC ao longo do carro cai bastante, nessas circunstâncias. Nos treinos, eles podem ser usados à farta. Lutar por um pódio é o que mais se aproxima da realidade para a Mercedes, o que já estará de bom tamanho. Se ganhar, ficarei surpreso e direi “oh”.

Teve coisa muito boa nessa classificação. Kobayashi, mítico, larga em terceiro, na segunda fila. Olha só o tamanho da bagaça: na sua história, a Sauber só tinha conseguido coisa parecida três vezes. Frentzen foi terceiro no grid no Japão em 1994 e Alesi fez dois segundos, em 1998 na Áustria e em 1999 na França. De lá para cá, nunca os fazedores de chocolate e relógios tinham obtido um resultado tão bom. Mito é mito.

Raikkonen ficou com o quinto tempo e larga em quarto. Morro de rir de quem achava que Kimi seria um vexame depois de dois anos na lama e no pó. Vou dizer um negócio: pode até ganhar a corrida. Também direi “oh”, mas ficarei menos surpreso do que com uma vitória da Mercedes. E se o fizer, vai comemorar com talagadas de schnapps e não vai ter puta pobre em Xangai. Apostinha do blogueiro: vai para o pódio. Button larga em quinto, Webber em sexto e Hamilton vem depois, seguido por Pérez, Alonso e Grosjean para fechar o top 10.

E aí entramos no purgatório da turma que ficou no Q2. Vettel, quem diria, foi um deles. Sua pior posição de largada desde o GP do Brasil de 2009, quando foi o 15° no grid. O que passa na Red Bull? Virou abóbora? Reagirá no campeonato? Sei não. É só a terceira corrida do ano, mas nota-se que se há um caminho para voltar a brigar na frente, este é longo e sinuoso. E Tiãozinho está de tromba. Mais umas duas provas e será possível dizer se ainda haverá alguma chance. Por enquanto, este campeonato está é com cara de McLaren.

Depois dele ficou Massa, que desta vez chegou um pouco mais perto do Q3, mas segue em sua sina de maus resultados que parece eterna. Maldonado e Senninha formam a sétima fila, separados por pentelhésimos. E o resto foi tudo normal, em duplinha: forceíndicos, tororrôssicos, caterhâmicos, marússios e hispânicos fechando o grid. Nas últimas seis filas, pois, parceiros de equipe lado a lado.

Choverá? Pode ser que sim, e aí muda tudo. Ano passado, Hamilton venceu a corrida com três paradas no seco e a prova teve ultrapassagens de balde. Será parecido neste ano, por conta da reta do tamanho da Grande Muralha que permite vácuo, asa móvel e freada forte para passar. Se a Mercedes conseguisse resolver o problema de desgaste de pneus, poderia sonhar com algo glorioso e retumbante, mas é pouco provável. Lewis, se não quiser abraçar o mundo na primeira volta, me parece ser o mais forte candidato à vitória, mesmo largando atrás de Button. Entre as surpresas possíveis para beliscar troféus estão Koba-mito e Pérez, o Ligeirinho, que só para para trocar pneus se for obrigado. Além de Kimi.

Vai ser uma corrida interessante.

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ANOTHER COMMENT

É, atualmente, o carro de Turismo mais lindo do mundo. Sem contar todos os Lada, claro.

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O CRIADOR

SÃO PAULO – Não fosse esse moço aí da foto, talvez nunca tivéssemos conhecido Vettel. O tailandês Chaleo Yoovidhya foi o inventor da bebida que deu origem à Red Bull. Dietrich Mateschitz o conheceu numa viagem à Ásia em 1984 e tomou uma latinha de Krating Daeng, bebida que Yoovidhya tornara muito popular na Tailândia desde sua criação, lá nos anos 70. Era um barato  líquido que ajudava a acabar com o sono de trabalhadores noturnos e de caminhoneiros.

Didi achou legal para enfrentar o jet-lag e viu uma oportunidade de negócio. Propôs sociedade ao empresário para fabricar algo parecido no Ocidente. Traduziu Krating Daeng para o inglês. A expressão quer dizer touro vermelho. Mudou alguns ingredientes e em 1987 lançou a Red Bull, a bebida, na Áustria.

Deu no que deu.

Mateschitz e Yoovidhya se tornaram sócios na base 50-50 (na verdade, era 49-49 e mais 2% para o filho do criador) e ambos hoje estão na lista dos maiores bilionários do mundo da Forbes. Pois no sábado, aos 89 anos, Yoovidhya morreu na Tailândia.

Não notei nenhuma referência nos carros da Red Bull, nem alguma palavra oficial da equipe na corrida da Austrália. Posso estar sendo injusto e a Red Bull pode ter feito alguma homenagem, mas o fato é que o dono de metade daquilo tudo morreu e, pelo jeito, ninguém falou nada.

 

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TODOS LÁ!

SÃO PAULO (tem tempo) – Está aberta a partir de hoje para o público no Conjunto Nacional, na Paulista, a  3ª Velocult – Semana Cultural da Velocidade. É uma exposição idealizada pelo designer Paulo Soláriz para homenagear o automobilismo brasileiro e as figuras que fizeram a história do esporte. Vai até 17 de março. Segue o texto informativo e fica a recomendação, porque é legal demais:

O evento mostrará a trajetória do automobilismo brasileiro através da exposição de carros de corrida do passado e de hoje, objetos utilizados por pilotos, troféus importantes, réplicas em miniatura de carros históricos, obras de arte referentes ao automobilismo, totens informativos, capacetes pintados por Sid Mosca e muito mais.

A curadoria da exposição desta vez ficará a cargo de Bird Clemente e Paulo Gomes. Os visitantes terão a oportunidade de ver de perto, entre outros, a legendária carreteira nº 18 de Camilo Christópharo, o Willys Interlagos nº 22 de Bird Clemente e uma réplica do DKW nº 10 da Equipe Vemag, além de protótipos da FEI e o incrível Aruanda, de Ari Rocha.

Os visitantes poderão fazer fotos empunhando uma réplica do troféu da Fórmula 1 de 2011, criado por Soláriz, no alto de um pódio. Além disso, uma réplica do troféu da Fórmula 1 do ano passado e um capacete serão sorteados entre os visitantes que passarem pela Velocult e adquirirem seu número. Toda a renda obtida nos sorteios será doada para o grupo “Médicos sem Fronteiras”.

3ª Semana Cultural da Velocidade – Velocult
Local: Espaço Cultural Conjunto Nacional
Endereço: Avenida Paulista, 2.073 – São Paulo – SP
Data: de 28 de fevereiro a 17 de março de 2012
Site oficial: www.velocult.com.br

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RÁDIO BLOG

Cheguei hoje ouvindo isso no carro. É legal demais. No meu carro, mais legal ainda.

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FIM DE FEIRA (2)

Foto Beto Issa/GP Brasil de F1

SÃO PAULO (a Caixa financia?) – E aí que temos a seguinte informação: Barrichello está atrás de € 3 milhões para correr no ano que vem. É o que estão pedindo no balcão de empregos. Tem time que pede mais, tem time que pede menos. E tem piloto que precisa pagar mais, tem piloto que precisa pagar menos. Vejam o caso deste notável Giedo Van Der Garde, holandês de boa cepa. Ele tem € 8 milhões do sogrão, que é bilionário, e seu manager é diretorzaço de uma marca de roupas que vende muito, a McGregor. Minhas fontes no mundo fashion é que me contaram. A Williams passou a adorar as roupas McGregor, já que Raikkonen está embaçando demais.

Mas os € 3 milhões (agora que aprendi onde é o sinal de euro, ninguém me segura) que Barrichello precisa são para outro time, a futura Lotus, atual Renault. Essa é a mesma vaga que está sendo disputada também por Bruno Senna (Gillette, Embratel, Eike Batista), Romain Grosjean (Total), Vitaly Petrov (Lada) e eu (sem patrocínio ainda).

Rubens acaba de dizer em coletiva aqui em Interlagos que não vai implorar por uma vaga em 2012. Que só corre se alguém o quiser. E não trata este GP como o último de sua carreira.

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