Arquivo da categoria: Meus velhos papéis

MEUS VELHOS PAPÉIS

SÃO PAULO (andavam esquecidos) – Está fazendo dez anos do GP do Canadá de 1999. Fez, aliás. Essa papeleta é de mais uma equipe extinta, a Minardi. Eles eram duros, então os press-releases eram distribuídos em cópias xerox em preto e branco, mesmo. O comunicado ao lado é do dia 12 de junho, treino de classificação em Montreal — pista “extinta”, também, ao menos para a F-1.

Corriam pelo time que hoje é a Toro Rosso Marc Gené e Luca Badoer. Curiosamente, os dois hoje são empregados da Ferrari, nas funções de pilotos de testes que não testam. Badoer ficou em 21º no grid. Gené, em 22º. Nenhum dos dois tinha muito a dizer na última fila do grid, que teve Michael Schumacher na pole com 1min19s298.

Três brasileiros largaram no dia seguinte: Barrichello em quinto no grid com a Stewart (o primeiro “não-Ferrari” e “não-McLaren”), mais Ricardo Zonta pela BAR e Pedro Paulo Diniz pela Sauber. Dos que ainda estão em atividade, além de Barrichello, estavam naquele grid Fisichella, de Benetton, e Trulli, de Prost.

Ao final da prova, dos brasileiros, só Diniz terminou, num bom sexto lugar, marcando um ponto. Zonta rodou na terceira volta e Barrichello abandonou na 15ª com  problemas de direção. Venceu Mika Hakkinen, da McLaren. Gené terminou em oitavo e Badoer, em 11º. Se fosse hoje, o espanhol marcaria um ponto… Fisichella e Irvine completaram o pódio.

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MEUS VELHOS PAPÉIS

SÃO PAULO (vai que pega no tranco) – Bom dia, macacada. Button x Barrichello x Universo é o assunto da semana, mas já deu, não? Hoje, relendo tudo que escrevi ontem e a enxurrada de comentários da blogaiada, cheguei à conclusão de que às vezes se gasta vela demais com defunto ruim.

Não, o defunto não é Rubens, que disse ontem que já tinham jogado flores em seu túmulo. Defunto é o assunto, que não sei se merece tanto fosfato. Trata-se apenas de uma corrida de carros, afinal. Um ganha, os outros perdem. É sempre assim. Corrida é bom porque não tem empate. Alguém sempre acha que poderia ter vencido, no automobilismo todos acham que são os melhores, e aí começam a surgir as desculpas, as justificativas. De todos os perdedores, não apenas de um.

É que quando Barrichello está envolvido, a coisa ganha outra dimensão, por seu histórico na Ferrari e pela mania de se explicar mesmo quando ninguém pergunta nada. É verdade que, ontem, as pessoas queriam saber o que houve, como é que a chance de vitória escapuliu de suas mãos e tudo mais. É que aqui, pelo menos, pouca gente encarou o resultado pela óptica de Button. ”Como é que perdeu?” foi a questão escolhida para ser respondida, quando “como é que ganhou?” poderia ser, também.

Mas já deu. Ganhou, ponto. Foi rápido quando precisava, o outro não foi, a história recente da F-1 está repleta de casos em que dois pilotos da mesma equipe usaram estratégias diferentes numa prova, e sempre um chega na frente, e sempre o que chega atrás tende a achar que a do outro era melhor. Faz parte do jogo. Button vive uma fase melhor, está guiando o fino, fez valer a posição que está conquistando na equipe na pista, não pela vitória de ontem, mas pelas outras três neste ano, e pelas três poles, também.

Button & Barrichello estão em sua quarta temporada juntos e o desempenho nos três primeiros anos foi mais ou menos parelho. A desigualdade está se verificando agora. De qualquer forma, são 58 GPs lado a lado, e há equilíbrio, por exemplo, nas posições de largada: 31 x 27 para o inglês. Nos pontos, sim, Jenson demonstra alguma superioridade: 106 x 68. Boa parte dela, porém, se deve à ótima temporada que fez em 2006, com 56 pontos, contra 30 do brasileiro — era o primeiro ano Rubens na Honda, e o resultado não foi ruim, afinal.

São pilotos que se equivalem, portanto. Mas Button, neste ano, tem sido mais efetivo, mais rápido, mais tudo. Eu, sinceramente, achava que Rubens iria arrebentar, de tão motivado que estava, por ter conseguido a vaga a fórceps quando, ele tem razão, o mundo o dava como morto para a F-1, e por achar que, no mano a mano com Button, tinha chances de se sair melhor.

Mas não está. E depois de cinco corridas, com quatro vitórias para um e nenhuma para o outro, vai ser uma enorme surpresa se esse quadro virar.

Ah, sobre os papéis… Achei esse do GP do Brasil de 2006, a despedida da Lucky Strike da F-1, corrida vencida por Massa, última de Schumacher, prova histórica. Vem a calhar porque nessa prova, Button largou em 14º e chegou em terceiro. Rubens partiu em quinto e terminou em sétimo.

Como se vê, Barcelona não foi a primeira vez que Jenson superou o parceiro a partir de uma situação desfavorável. Então, ponto final na polêmica e vamos a Mônaco.

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MEUS VELHOS PAPÉIS

SÃO PAULO (teve pior, muito pior) – Os torcedores brasileiros lembram-se de Pedro Paulo Diniz como um mero piloto pagante, filho de milionário, que não fez nada de importante na F-1. Não é bem assim. Pedro disputou seis temporadas inteiras, largou em 98 GPs, defendeu quatro equipes diferentes (Forti Corse, Ligier, Arrows e Sauber) e fez mais, por exemplo, do que Zonta, Pizzonia e Bernoldi — pilotos que chegaram lá amparados por currículos bem melhores, mas não vingaram.

Ainda se aventurou como dirigente, sócio de Alain Prost, mas caiu do cavalo. Em 2002, trouxe a F-Renault para o Brasil e cuidou com carinho da última categoria-escola que o país teve. Fora da pista, pois, também fez muito mais do que a maioria.

Diniz pontuou em oito corridas, numa época em que só os seis primeiros marcavam. Foi quinto colocado nos GPs de Luxemburgo de 1997 e da Bélgica de 1998, ambos pela Arrows. E conseguiu seis sextos lugares: Espanha e Itália em 1996 (Ligier), Mônaco em 1998 (Arrows), e Canadá, Inglaterra e Áustria em 1999 (Sauber). No total, anotou dez pontos.

Se na sua época de F-1 (1995 a 2000) pontuassem os oito primeiros, como hoje, ele ainda teria na folha corrida quatro sétimos (Austrália em 1995, de Forti, uma façanha; San Marino/1996 de Ligier; Bélgica/1997 de Arrows; Europa/2000 de Sauber) e cinco oitavos (Brasil/1996 de Ligier; Canadá/1997 de Arrows; San Marino, Itália e EUA/2000 de Sauber). Seriam, no total, 17 provas nos pontos, o que está longe de ser uma carreira horrorosa.

Vasculhando minha velha papelada hoje, encontrei o press-release da Sauber do dia 13 de junho de 1999, quase dez anos atrás. Diniz largou em 18º e chegou em sexto, fazendo seu primeiro ponto pela Sauber. Seu companheiro, Jean Alesi, bateu na primeira volta em Jarno Trulli e saiu cuspindo marimbondos. “Antigamente não havia regras e os pilotos podiam fazer zigue-zague na largada que não acontecia nada. Agora tem uma comissão só para verificar isso”, reclamou, pedindo uma pena “pesada” para o italiano, que corria na Prost.

Pedro, por sua vez, contou que fez uma boa largada, passando em décimo na primeira volta, e que o safety-car o atrapalhou quando entrou na pista pela segunda vez (a prova acabou com SC). “Perdi duas posições na relargada para Ralf e Johnny”, lamentou, citando o Schumacher-pimpolho e Herbert, da Stewart. Para ler o texto, é só clicar na imagem.

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MEUS VELHOS PAPÉIS

SÃO PAULO (esse vou guardar, não dá para imprimir nada no verso, que tem texto em francês) – Jacques Villeneuve faz aniversário depois de amanhã, dia 9, 38 anos. Juro que este press-release eu tinha separado só por causa da estampa do patrocinador (parece algo tão remoto, não?). Aí fui dar uma lida, para ver se era algo relevante e… Putz, é do dia em que Jacques conquistou o título mundial de 1997, em Jerez.

Foi um fim de campeonato tão emocionante quanto o do ano passado. Aliás, quando me perguntam qual foi mais legal, acho que foi esse, de 1997. Porque os protagonistas eram inimigos mortais, então tinha mais graça. Massa e Hamilton foram muito civilizados, na última temporada…

Naquele ano, não. Era uma briga de foice no escuro, Villeneuve desclassificado no Japão, Schumacher dando uma de cafajeste, aliança entre equipes inglesas contra a Ferrari, três pilotos com os mesmíssimos tempos na primeira colocação do grid (Schumacher, Frentzen e Villeneuve)… Foi bárbara, aquela corrida. Além do mais, Jerez é um lugar lindo, encantador, come-se e bebe-se como um rei. E foi, também, a primeira cobertura de F-1 para o “Lance!”, que nascera naquela semana, primeiro com a edição carioca, depois com a paulista.

Bom, para ler o texto, basta ampliar a bagaça clicando na imagem. Mas destaquei algumas frases. Da introdução, escrita pela assessora de imprensa da Williams (acho que era Ann Bradshaw): “[Jacques] esportivamente sacrificou o primeiro e o segundo lugares em favor de Mika Hakkinen e David Coulthard, da McLaren, porque não queria comprometer suas chances no campeonato”. Sei, sei. Ele deixou passar porque a McLaren jogou por ele naquele final de temporada…

De Villeneuve: “Me preocupei um pouco quando fui passar Michael, porque sabia que era um grande risco, e realmente fiquei surpreso quando ele jogou o carro em mim, embora não tenha sido algo totalmente inesperado”. Foi a espetada básica do domingo. De Frentzen: “As coisas deram errado no meu segundo pit stop, parei no box da Benetton. Achei que a gasolina lá era mais barata, mas quando vi que os pneus que me esperavam eram usados, percebi que eu deveria mesmo voltar ao pit da Williams”. Zé mané… E de Patrick Faure, da Renault: “Ganhamos 11 dos últimos 12 títulos disputados nos últimos seis anos e estou muito orgulhoso”.

É isso aí.

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MEUS VELHOS PAPÉIS

SÃO PAULO (como era quente…) – Faz dez anos que a F-1 desembarcou em Sepang, o lugar mais quente do universo. O primeiro GP da Malásia foi aquele que marcou a volta de Schumacher às pistas, depois de consertar a perna. Ele fez uma das maiores corridas de sua vida, entregando a vitória a Eddie Irvine no fim, já que o irlandês lutava pelo título com Mika Hakkinen.

Quem também chegou a brigar, matematicamente, foi Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, que depois virou Midland, depois Spyker e, hoje, é a Force India.

A Jordan era uma equipe divertidíssima, a que mais faz falta na F-1 ao lado da Minardi. Esse release ao lado, cortesia dos meus velhos papéis, é do sábado daquela corrida. Damon Hill ficou em nono no grid e Frentzen, em 14º. O alemão reclamou que o protetor do cockpit se soltou e acertou sua cabeça por trás. Teve de usar o carro-reserva. Sim, há dez anos isso existia, carro-reserva. E existia também patrocinadores fumacentos, como a Benson & Hedges.

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MEUS VELHOS PAPÉIS

SÃO PAULO (quase dez anos) – Juro que foi casual, mas veio bem a calhar. Nessa história de catar velhos papéis da F-1, o primeiro da pilha era um da Stewart. Achei legal, afinal é um time que não existe mais com esse nome (deu origem ao que é hoje a Red Bull) e Barrichello fez parte desse projeto de Jackie Stewart e seu filho Paul a partir de 1997, quando estava mortinho para a F-1.

E estava mesmo, numa situação muito parecida com a do final do ano passado. Demitido pela Jordan, me lembro de que no dia em que a equipe anunciou Ralf Schumacher para o ano seguinte, Rubens me disse que seu caminho, provavelmente, seria a Indy. Não me lembro direito onde foi, talvez na Hungria, ou na Bélgica, esqueci.

Aí surgiu a Stewart, e era o que tinha. Todos conhecem a história a partir daí. Barrichello fez três bons anos (especialmente em 1997 e 1999), foi ao pódio em Mônaco, renasceu para a categoria e acabou sendo contratado pela Ferrari.

Quando fui ler o papel em questão, esse press-release da Stewart reproduzido ao lado, surpresa! Era do dia 26 de setembro de 1999, GP da Europa, em Nürburgring. Exatamente o da primeira (e única) vitória da equipe na F-1. Só que quem ganhou foi Johnny Herbert, em historinha que lembrei num post de ontem. Rubens terminou em terceiro, atrás ainda de Jarno Trulli, então na igualmente extinta Prost.

Foi uma corrida muito doida, com chuva, abandonos trágicos (Badoer, de Minardi, estava em quarto quando quebrou, coitado) e um resultado surpreendente, claro. Afinal, Herbert largara em 14º e Barrichello, em 15º. E ambos estavam longe de frequentar a lista de favoritos.

Vale a pena ler as declarações de ambos. A Ford, àquela altura, já tinha comprado a equipe e anunciado que, no ano seguinte, ela passaria a se chamar Jaguar. Rubens, por exemplo, assumiu que seu coração estava “dividido” depois da prova. “Eu queria ter dado essa primeira vitória à equipe”, falou. Já Sir Jack disse que era o “momento mais importante” de sua carreira, apesar das vitórias e dos títulos como piloto.

Enfim, um bom papel, esse aí. E será guardado, porque não dá para imprimir nada atrás. É daqueles que tem coisa escrita na frente e no verso…

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MEUS VELHOS PAPÉIS

SÃO PAULO (bela corrida) – Vejam só o que encontrei hoje na minha pilha de papéis velhos, prontinho para seguir para a impressora. Provavelmente vai ser usado quando fizer meu Imposto de Renda. E se der sorte, no verso pode cair bem a página da minha declaração de bens, com a lista dos meus carrinhos antigos. Por cinco anos, ao menos, estará em segurança, que é o tempo que a gente tem de manter as declarações. Depois, jogo tudo fora.

Isso se não for antes, caso eu resolva pagar o condomínio antes de fazer meu IR… Esses recibos de condomínio eu guardo por um ano, só.

E então? IR ou condomínio? Qual o melhor destino para esse press-release carcomido e amarelado pelo tempo?

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MEUS VELHOS PAPÉIS

SÃO PAULO (tudo se transforma) – Não sei se já contei, mas eu reciclo papéis. Aqui no meu humilde escritório, tudo que preciso imprimir (em geral, recibos de pagamentos pela internet ou notas fiscais eletrônicas) o faço em folhas de papel que, um dia, já tiveram seus momentos de glória.

Estou falando de press-releases de equipes e de papeletas de cronometragem de corridas de F-1 que fui juntando ao longo dos anos, tudo organizadinho em pastas, uma para cada GP desde mil-novecentos-e-bolinha, até o dia em que me encheu o saco guardar aquilo tudo e resolvi nunca mais comprar pacotes de folhas A4. Passei a usar esse material para imprimir o que precisasse.

É uma boa economia, e muito curioso, também, porque vira e mexe me deparo com releases da Jordan, da Stewart, da Forti Corse, da BAR. E de muitas outras equipes que já não existem mais. De vez em quando, se vocês gostarem, vou pingar alguns desses aqui. Hoje, por exemplo, tive de fazer dois docs para pagar umas coisas do Meianov e imprimi um no verso do resultado do GP do Brasil de 1995 (26 pilotos no grid, Diniz, Moreno, Montermini, Schiatarella!) e outro no verso de um comunicado da Tyrrell, que estava sendo assumida pelo Craig Pollock em nome da British American Racing, a BAR, que depois seria a Honda, e depois a Brawn.

Legal, isso. Eu curti. Precisa clicar nas imagens para vê-las ampliadas. Mas se vocês acham uma bobagem, não publico mais. 

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