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AQUELA PRIMEIRA VOLTA ETC

SÃO PAULO (duas décadas) – Hoje é 11 de abril, e em 11 de abril de 1993, portanto 20 anos atrás, foi disputado o GP da Europa em Donington. E Senna fez aquela primeira volta passando uns caras, muito parecida com esta aqui.

É disso que vão lembrar hoje. Eu lembro que estava um frio desgraçado. E numa época em que não fotografávamos tanto, não compartilhávamos, não tuitávamos e não postávamos no fêice, alguém registrou minha presença nos boxes naquele fim de semana de frio desgraçado. À direita, Mario Andrada e Silva, que na época trabalhava para o “JB” e hoje tem uma fábrica de tênis.

donington93comigo

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FALA MUITO

SÃO PAULO (ó) – A Riza Braga, que foi apresentada a vocês aqui outro dia por causa do seu blog de meninas sobre carros (melhor do que todos feitos por meninos), esteve em Interlagos no fim de semana com o namorado para ver de perto a terceira etapa do Paulista.

Passeou muito, olhou tudo, tirou fotos e fez uma entrevista comigo, que está aqui.

nocarroriza

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ON AIR

espn-radioSÃO PAULO (digam tudo) – Seguinte, macacada. A partir de hoje, todas as segundas-feiras, entra no ar um podcast semanal sobre esportes a motor na Rádio ESPN, com este que vos bloga.

A primeira edição está aqui, para ouvir quando vocês quiserem. Digam o que acharam, mandem sugestões, críticas e tudo mais.

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3 DE ABRIL DE 1988

cred88SÃO PAULO (e eu lá) – Minha pauta: Piquet e Gugelmin. Ótimo. Senna daria muito trabalho. Era sua estreia na McLaren, tinha feito a pole e provavelmente ganharia a corrida. Fazia um calor infernal e no corpo-a-corpo com os colegas e anexos que cercavam o piloto, eu perdia sempre. Era baixinho e frágil. Ainda sou baixinho e frágil.

3 de abril de 1988, 25 anos atrás. Meu primeiro GP. Trabalhando, claro. Porque antes disso eu tinha ido a vários, em Interlagos e Jacarepaguá, como torcedor de arquibancada. Eram mais divertidos, devo dizer.

Eu tinha voltado para a “Folha” algumas semanas antes, depois de um mês na (em) “Placar”. Uma das ferramentas de sedução do meu editor, Nilson Camargo, para me tirar da Abril foi essa: te mando para cobrir a F-1 no Rio.

Pô, cobrir F-1 no Rio era legal. Sol, mulherada, festas, vamos nessa.

Há 25 anos, não era fácil fazer cobertura fora de São Paulo, em lugar algum. Transmitir textos, só por telex. Havia poucas máquinas na sala de imprensa montada sob uma tenda no autódromo. Às vezes o jeito era bater na máquina de escrever e entregar as laudas a um motoqueiro do lado de fora do portão, que levava o material para a sucursal, no centro da cidade, onde cada texto era digitado e entrava no precário sistema de computadores do jornal — que na época era moderníssimo, com suas telas de letrinhas verdes.

Foto, então… Tínhamos dois fotógrafos, se não me engano, em Jacarepaguá: Juan Esteves e Jorge Araújo. Monstros, dois dos maiores do Brasil. De noite, no apartamentinho alugado na Barra onde nos hospedávamos, porque era mais barato que hotel e mais perto do autódromo, eu ficava com as poderosas lentes deles espiando as meninas se trocando pelas janelas dos enormes prédios do condomínio.

Para mandar fotos para São Paulo, o esquema era o seguinte: fazer uns dez ou 15 minutos do treino da manhã, sair correndo do autódromo e se instalar no motel Monza, que ficava na avenida do autódromo — existe ainda? O dono do motel havia sido fotógrafo e tinha um pequeno laboratório no prédio da administração, não muito longe dos quartos onde a moçada trepava à vontade.

Aí Juan e Jorge revelavam os filmes em meio aos gemidos dos quartos vizinhos, ampliavam as fotos, escolhiam três ou quatro e conectavam à linha telefônica um aparelho que consistia numa caixa metálica com um cilindro anexo, alguns botões e fios que seram ligados ao bocal do telefone.

Isso feito, conectada a máquina de telefoto ao telefone, discava-se para a redação em São Paulo. Quando a ligação era completada, o cilindro onde a foto escolhida tinha sido fixada com durex começava a girar, e um sensor ótico “lia” a imagem transformando os tons de cinza em pulsos elétricos, que “viajavam” pela linha telefônica e eram convertidos novamente em tons de cinza pela máquina que recebia a ligação, imprimindo a imagem original em papel fotográfico. Se vocês não estão entendendo nada, era isso aqui.

Cada foto levava 20 minutos para ser transmitida, isso se não houvesse nenhum ruído na linha. Mas sempre havia. Então, era preciso começar tudo de novo.

Enquanto os fotógrafos se viravam para mandar as imagens para São Paulo, a gente se virava para levantar informações na pista. Nossa equipe tinha Marcos Augusto Gonçalves, eu, Mario Andrada e Silva e Marcelo Fagá — o saudoso Fagá, brilhante repórter que morreu em 2003 aos 49 anos.

Lembro o básico daquela corrida. Assisti à largada de dentro da pista, atrás do guard-rail da curva 1. Senna empacou. Largaram de novo e ele pegou o carro-reserva, o que não podia. Acabou desclassificado depois de partir dos boxes e chegar à segunda colocação. Demoraram para decidir pela bandeira preta, o que para o público foi ótimo — pôde ver algumas voltas alucinantes do rapaz. Segundo o DataFolha (a gente encomendou uma pesquisa com a turma na arquibancada), 70% dos que estavam em Jacarepaguá torceram por Ayrton, contra 23% que queriam uma vitória de Piquet, estreando na Lotus, e 3% dos que esperavam um triunfo de Prost. Prost venceu.

A pesquisa levantou mais dados interessantes: 58% acharam que Senna merecia ganhar, apenas 29% consideraram justa a vitória do francês e 59% apostavam que, mesmo tendo sido desclassificado da corrida no Rio, Ayrton seria o campeão naquele ano. Ayrton foi o campeão naquele ano. O público nas arquibancadas, de acordo com o instituto, era formado por 82% de homens e 18% de mulheres; 31% das pessoas eram de São Paulo; 29%, do Rio.

Não tenho fotos da gente trabalhando. Lembro de um cromo (para quem não tem ideia do que estou falando, é isso aqui) em que aparecemos eu e o Mario andando na frente dos boxes, debaixo de um sol catastrófico. Ficou um tempão jogado numa gaveta, mas nunca mais vi. Pode ser que encontre.

Mas guardei minha credencial, como todas as outras. É alguma coisa.

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JUBILEU DE PRATA

dkw4SÃO PAULO (um garotinho, ainda) – Será que já contei essa história?

Em janeiro de 1988, quando trabalhava na “Folha”, recebemos um telex da assessoria de imprensa das Mil Milhas com informações sobre a corrida. Ali nos informavam que na preliminar iria acontecer uma prova com carros antigos promovida pelo Auto Union DKW Clube do Brasil, que reunia colecionadores de DKW.

Procura aqui, procura ali, consegui o telefone do clube para ver se seria possível alguém me emprestar um carro para participar e fazer uma matéria. Eu não tinha muita noção do mundo dos colecionadores. Evidente que ninguém emprestaria, porque carro antigo não se empresta a desconhecidos, mas no fim das contas acabou não rolando nada porque poucos dias depois saí da “Folha” para trabalhar “em ‘Placar’”. Esqueci o assunto.

Mas só por alguns dias. Porque “em ‘Placar’” conheci Sérgio Berezovsky, fotógrafo da revista e atual diretor de Redação “de ‘Quatro Rodas’”, que era dono de dois DKWs. Dois DKWs! Eu já gostava do carrinho e alimentava um distante sonho de um dia comprar um. Mas aos 23 anos de idade, pensando em casar e tal, esse tipo de plano é coisa para um futuro que a gente nem sabe se vai chegar. Tinha duas miniaturas que ganhara de aniversário aos dez anos, fizera um solene juramento de que quando crescesse compraria os dois de verdade, mas não achava que cresceria tão rápido.

Bom, o fato é que o Berê tinha um preto com capota branca 1958 e um verde com capota branca 1962, e precisava vender um deles, porque não tinha onde guardar. Irresponsável, como sempre, peguei toda a grana que tinha recebido da rescisão da “Folha” e comprei o verde. Crise pré-casamento…

Isso aconteceu no dia 19 de fevereiro de 1988 e hoje me dei conta de que o Belcar está comigo há exatos 25 anos. Foi o primeiro da coleçãozinha e está do jeito que chegou, sem nunca ter precisado de uma reforma ou um banho de tinta. Do jeitinho que veio ao mundo há 51 anos.

Uma façanha diante de algumas maluquices, como fazer dele meu primeiro carro de corrida. A foto aí em cima é da minha estreia, ainda com para-choques e escapamento para trás, mas sem calotas. Foi no dia 28 de maio de 1988 e usei um macacão emprestado pelo Oswaldo Negri Jr. Tem foto aqui. Depois disso, meu manager Luiz Salomão passou a se encarregar do set up, jogando o escape para o lado, arrancando os para-choques nos boxes de Interlagos e subindo barbaramente a pressão dos Firestone Campeão Supremo.

Essas provas de clássicos pela pista antiga eram contra o relógio, nada de muito radical. Mas eram legais. Nesse dia aí, corri de tarde e, de noite, levei uma noiva amiga para casar. Sucesso total.

Um quarto de século com um carro. Tem gente que fica muito mais, claro. De qualquer forma, cheguei a um jubileu de prata.

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O PAI DO SOM

nagra3SÃO PAULO (um minuto de silêncio) – Morreu no final de janeiro, aos 84 anos, o polonês Stefan Kudelski, inventor do Nagra. O Nagra foi o gravador de rolo que revolucionou o cinema mundial a partir dos anos 50. Vocês, que operam suas mini-DV GoPro HD EPS Ultra sei-lá-o-quê, possivelmente não fazem ideia do quê era captar o som direto para fazer um filme quando não existiam os sistemas digitais de hoje. Via de regra, quase todo filme era sonorizado depois de rodado. Imaginem a dificuldade para sincronizar som e imagem. Uma maluquice total.

Kudelski desenvolveu o primeiro gravador portátil de rolo e batizou-o de Nagra — em polonês quer dizer “vai gravar”, como conta Tide Borges neste excepcional artigo no site da Associação Brasileiro de Cinematografia. A vida dos cineastas mudou. E para além da facilidade quase instantânea, comparada com a epopeia dos métodos anteriores, estava a qualidade. Não há nada no mundo como o som de um Nagra. Até hoje, desconfio.

E foi num Nagra que comecei minha carreira no rádio, como contei neste distante post de 2007 aqui. Era com um equipamento desses que o Chico Cocco, mágico de som da ECA (onde a gente produzia nosso “Encontro com a Ciência”), gravava as entrevistas para as pautas malucas que saíamos para fazer por esse Brasilzão afora. Fiquei triste ao revisitar o post e notar que todos os links indicados saíram do ar. Receio que aquelas gravações podem ter-se perdido para todo o sempre, sabe-se lá. Talvez nos arquivos da Rádio Cultura, ou da USP. Jamais saberei.

Mas eu sabia, e bem, editar uma matéria. Na gilete, cortando gaguejadas, suspiros, pausas, limpando perguntas e respostas, tudo isso não num Nagra, que era bom demais para editar, mas num Akai vertical instalado na edícula da casa que nos servia de escritório e redação em Pinheiros. Gilete, a fitinha adesiva para emendar a fita magnética (como chamava essa fitinha, caramba?), o lápis roxo que fazia as marcações, e assim montávamos grandes entrevistas, grandes matérias, que não sei se eram escutadas por muita gente. A Rádio Cultura AM nunca teve lá grande potência e audiência, eu mesmo costumava parar o carro em algum canto quando começava o programa para poder escutar sem grandes interferências.

Pois foi num Nagra que gravei os sons ao redor de mim por dois anos. Creio que isso é, hoje, peça de museu. Como eu, de certa forma.

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PLACAR

Capa da "Placar" 333, a primeira que comprei na banca

Capa da “Placar” 333, a primeira que comprei na banca

SÃO PAULO (quando começa a fazer um quarto de século…) – Eu tinha 12 anos quando comprei pela primeira vez, com meu dinheiro, uma revista na banca. Foi a edição 333 da “Placar”, ou “de”, como se diz na Abril, algo que fui descobrir anos depois, muitos anos depois, no dia em que entrei pela primeira vez na redação, que ficava num prédio na região da Berrini, numa rua que tinha meu sobrenome.

Achei aquilo um bom sinal, uma tolice sem tamanho para disfarçar o nervosismo enquanto esperava o elevador vestindo um blazer cinza yuppie metido a surrado, camisa branca, gravata comprada em brechó e tênis All Star. Eu era metido a moderninho, e vinha de um jornal onde todos eram moderninhos.

Mas era meu primeiro dia no trabalho com o qual sonhava desde aquela edição 333 comprada em 1976, e só lembro do número porque 333 não é tão difícil assim de guardar.

26 de janeiro de 1988. Descobri a data por acaso nesta semana, não sou tão maluco assim. Estava revirando um baú no escritório atrás de uma dessas pastas que tem plásticos vazia, para arquivar as contas do ano que está começando, quando dei com outra pasta com uma etiqueta na capa: “Placar, 26 de janeiro a 28 de fevereiro de 1988″. Nela, cuidadosamente recortadas e arquivadas por data, todas as palavras publicadas na (“em”) “Placar” que saíram da minha cachola naquele mês de 1988, 25 anos atrás.

Desde aquela edição 333, nunca mais deixei de comprar “Placar”, e não é clichê dizer que “esperava ansiosamente” pelas terças-feiras de manhã, para colocar as mãos na revista. Esperava ansiosamente, mesmo. Assim como esperava ansiosamente pelo dia em que estaria trabalhando lá, escrevendo sobre futebol, minha grande paixão.

Foi pensando em trabalhar na “Placar” que passei os anos seguintes àquela edição 333, entrei na faculdade, me formei, comecei a dar minhas caneladas, até o dia em que, exatamente uma década depois de comprar a edição 333, já agoniado por ainda não ter sido descoberto pela revista, decidi tentar. Sentei-me à máquina e escrevi uma carta para o diretor de redação, Juca Kfouri. Uma carta. Que continha um erro grave de português, “intensão” em vez de “intenção”. Eu, se recebesse uma carta de alguém com a intenção de trabalhar na minha revista com esse S no lugar do cê-cedilha, teria jogado no lixo.

Mas ela não foi jogada no lixo. Quem a leu, e acho que foi o Juca, deve ter achado engraçado aquele moleque se oferecer com tanta presunção. Na carta, eu dizia que queria trabalhar na “Placar”, porque era leitor da revista havia dez anos, e, basicamente, escrevia bem e entendia de futebol. “Sou bom”, era o que eu afirmava. Assim, não havia razão nenhuma para não me contratarem. Só faltou terminar com um “quando começo?”.

Enfiei a carta num envelope desses de tamanho pequeno e esqueci de colocar o remetente, assim como um número de telefone. Mesmo se passasse pelo “intensão”, portanto, o destinatário não teria como me encontrar, e assim o destino daquela cantilena teria mesmo de ser o lixo. Mas não foi. O envelope tinha o timbre da SBPC, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, onde eu trabalhava na época fazendo programas científicos de rádio para a Cultura AM.

Hoje, tanto tempo depois, intuo o caminho que aquela carta percorreu. Deve ter chegado ao responsável pelas cartas dos leitores, era por carta que leitor falava com uma revista antigamente, embora endereçada pessoalmente ao Juca. Generoso, o estagiário que a leu pela primeira vez deve tê-la encaminhado para o diretor da revista. Que, possivelmente, estava sem nada de muito importante para fazer naquela hora, talvez tivesse acabado de pegar uma café para abrir a correspondência do dia, e deu de cara com aquilo na sua mesa, e leu.

Por alguma razão que jamais saberei qual foi, Juca passou a carta para seu chefe de redação, Carlos Maranhão, que igualmente teve a chance de jogá-la no lixo. Não deviam ser muito raras as cartas de leitores se dizendo capazes de trabalhar na “Placar”. Mas, também por alguma razão que jamais será conhecida, ele achou interessante o que leu e resolveu entrar em contato comigo. Mas como? Não havia um endereço, nem um telefone. Mas havia o timbre da SBPC no envelope, que milagrosamente sobreviveu à ação das mãos do estagiário que o abriu sabe-se lá como, rasgando o próprio e poupando-o igualmente do lixo. A carta foi parar na mesa do Juca com o envelope junto.

O timbre da SBPC era a única pista, pois, e imagino que Maranhão tenha procurado o telefone na lista, e se ligou caiu na sede que ficava numa outra casa, não aquela onde fazíamos o programa de rádio. Quem atendeu poderia simplesmente ter dito que não, não existe nenhum Flavio aqui, o negócio do programa de rádio era meio marginal às atividades principais da SBPC, mas milagrosamente, de novo, alguém deve ter lembrado que havia outra casa, e outro número de telefone, e lá um Flavio, e assim, algumas semana depois de ter colocado a carta no correio, atendi a uma ligação na casa do programa de rádio dizendo SBPC, boa tarde.

Era o Maranhão querendo falar comigo. Espantado, ouvi calado as duas primeiras reprimendas do redator-chefe da revista onde sonhava trabalhar: 1) intenção é com cê-cedilha; e 2) quando você escrever para alguém, lembre-se de fornecer algum contato, um meio de encontrá-lo.

Naquela mesma semana, tinha mandado meu currículo para a “Folha”, que procurava um repórter para Educação e Ciência. O salário era bom e, embora sem muito entusiasmo, eu tinha alguma chance por já ter dois anos de atuação nessa área, na SBPC. Tinha boas fontes em universidades e institutos de pesquisa. Fui chamado para uma entrevista, mas marquei uma visita à “Placar” para o mesmo dia, pela manhã. Eles queriam me conhecer, embora tivessem deixado claro que não havia vaga nenhuma no momento. Fui à revista pela manhã, me encomendaram uma matéria para ver como eu me sairia, e ao jornal à tarde, onde fiz de tudo para não ser aprovado na entrevista — falei muito mal da “Folha”, não queria trabalhar lá, achava que convenceria os caras na “Placar” a me contratarem mesmo não havendo vaga alguma.

No dia seguinte, recebi um telegrama do jornal informando que eu tinha sido o escolhido para a função de repórter de Educação e Ciência, fiquei desesperado, liguei para a “Placar” e o editor que me atendeu, Tonico Duarte, me disse para aceitar, claro, porque não tinha lugar mesmo na revista. Mais vale um pássaro na mão… recitou, para minha profunda tristeza, e fui trabalhar na “Folha” em novembro de 1986.

Um ano e pouco depois abriu uma vaga em Esportes, na pauta, e fui. Tinha esquecido da “Placar”, nunca mais entraram em contato, havia mergulhado de cabeça no dia a dia do jornal, passei a amar aquilo, até que um dia assinei uma matéria tola sobre uma festa brega da Federação Paulista de Futebol e no dia seguinte recebi, na “Folha”, outra ligação do Maranhão. Você está em Esportes agora, que bom, olha, abriu uma vaga aqui.

Não perguntei nem qual era o salário. Pedi demissão da “Folha” e fui atrás do sonho da criança que corria às bancas às terças-feiras, e no dia 26 de janeiro subi pela primeira vez naquele elevador do prédio da Geraldo Flausino Gomes não para pedir emprego, mas para começar nele, para trabalhar na revista da minha vida. Minha figura patética de blazer e gravata não passou despercebida, meus novos colegas não perdoaram aquele figurino yuppie da Barão de Limeira, fui vítima, dias a fio, das gargalhadas de amigos inesquecíveis como Ari Borges, Milton Bellintani, Sergio Kraselis, Marcelo Duarte, Anjinho, Mario Sergio Della Rina, Sergio Berezovsky, lendas do jornalismo até hoje, professores eternos.

Essa passagem por “Placar” durou exatamente um mês, a revista da minha vida estava mal das pernas, havia planos de transformá-la numa publicação voltada a games, o clima estava meio pesado, não era essa a revista que eu tinha comprado na banca aos 12 anos, e dias depois desse 26 de janeiro de 1988 meu editor de Esportes na “Folha” ligou para me chamar de volta, a editoria tinha virado uma zona, preciso de você, o que você quer para voltar?, te coloco em outro horário (a pauta era triste, tinha reunião às sete da manhã), olha, tem uma corrida de Fórmula 1 no Rio no mês que vem, te coloco na cobertura…

Decidi voltar, saí de “Placar” (em questão de horas, ali, deixei de falar “na ‘Placar’” e adotei o abrilês “em ‘Placar’”), ficaram até zangados comigo, pedi desculpas e semanas depois estava em Jacarepaguá para cobrir meu GP do Brasil de F-1, e o resto é história, a minha história.

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MAIS UNS DIAS…

TINGE LOTH WIZ (quase no fim) – Sábado retornamos deste pequeno giro pelo planeta. Segunda-feira o blog reassume seu ritmo normal. Enquanto isso, seguimos nos encantando com a arte marroquina nas cúpulas que remontam aos primórdios do cantão de Ticino.

E aí, aconteceu algo no mundo digno de nota durante minha ausência bloguística?

santommaso

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FÉRIAS, AINDA

NAG CURB SHEDS (com tempo esquisito) – Como não aconteceu nada de muito relevante no mundo quando voltei de Fortaleza, resolvi dar sequência às minhas férias e saímos por glebas distantes. Volto daqui a alguns dias, possivelmente na semana que vem. Até lá, blog em modo intermitente. Conexão de internet em alguns lugares é um tanto quanto deficiente. Mas dependendo da direção do vento, consigo um sinalzinho.

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DO FUNDO DO BAÚ

SÃO PAULO (desenterraram) – Olha que barato me mandaram! Em 1994,a TV Manchete e a Philip Morris montavam um “media center” numa casa noturna em SP para ver as corridas da Indy. Eram convidados jornalistas, publicitários, anunciantes, fãs, um monte de gente. Essa aí, pelo que diz o Teo José na narração, era o “Banana, Banana”. Se me lembro bem, ficava na Nove de Julho, mas não tenho certeza. Lá pelas tantas a repórter me entrevista. Engraçado demais! E a camiseta que eu usava era duas vezes meu tamanho…

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VOLTANDO

PARIS (acabou-se o que era doce) – Bien, macacade, estamos voltando. Esta semana tem F-1 e amanhã, já em território nacional, no caso de a aeronave não ser abatida por marcianos, voltamos à programação normal.

Ah, e antes que me esqueça… Não, não concordo, não. Jamais.

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TV GP

SÃO PAULO (dá tempo) – Como sou uma anta, acho que ainda não avisei aqui que todas as segundas-feiras gravo uma espécie de “videoblog” para o Grande Prêmio que vai ao ar no portal MSN. Já viram? Gostaram? O de hoje está aqui. Acho que não tem a opção de “incorporar”, então vai pelo link, mesmo.

Não precisam elogiar minha beleza eslava. Atenham-se ao conteúdo e aos incríveis efeitos visuais e musicais.

ATUALIZANDO…

Tuiteiros enlouquecidos me alertam para a trilha musical, que ao que parece é usada em outros sites também. Óbvio, afinal essa musiquinha, “Kalimba”, veio de fábrica como amostra de música no meu computador. Deve vir em outros, também, assim como aquelas amostras de fotos com flores e montanhas. Como eu, muita gente deve ter pego essa coisinha aí para inserir em seus vídeos toscos como os meus. Não baixo músicas, não tenho paciência, e sou meio ignorante musicalmente. Mas se algum blogueiro quiser mandar uma musiquinha que se encaixe melhor para abrir e fechar o vídeo, fique à vontade. Podem mandar seus arquivos para flaviog@warmup.com.br. Mas mandem editados, não venham com músicas inteiras, que nem abro. Uma introdução instrumental para abrir e fechar o vídeo é tudo de que preciso.

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THE LONGEST DAY

Estaremos lá. Em junho, direto de Le Mans.

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TRINTA

SÃO PAULO (e contando) - Eu lembro do título: “A importância de um bom técnico”. Bom título, preciso, direto, não deixa muitas dúvidas. Um bom técnico é importante. Não há dúvidas quanto a isso. Em duas linhas, preencheu uma coluna do jornal e lá se foi o texto, até o pé, elogiando José Poy, o bom técnico. Sem assinatura, mas era meu, e eu achava que era bom.

No metrô, vi um cara lendo o jornal. Casualmente estava na mesma página do técnico importante, e portanto havia alguma chance de ele estar lendo o que escrevi. Podia estar lendo os outros, também, mas não se deve descartar a possibilidade de ter sido atraído por aquele título, que falava de um técnico e de sua importância. Talvez ele mesmo fosse um técnico de alguma coisa, ou desejasse sê-lo. Em eletrônica, farmácia, gestão contábil, telecomunicações, nutrição, mamografia, próteses dentárias, abreugrafia, medicina nuclear, revelação & ampliação. Fosse ele um técnico, ou desejasse sê-lo, claro que concordaria com a assertiva daquele título, a importância de ser bom, pode ter se identificado, pode ter feito uma autocrítica, será que sou bom, afinal?, o jornal diz que é importante ser um bom técnico, jornal sabe das coisas.

Eu estava de pé no vagão, indo para a faculdade num complexo sistema de baldeações de linhas, trens e ônibus, mas fiquei ali, ao lado do sujeito, esperando por algum sinal de que ele estava lendo o que eu tinha datilografado no dia anterior em laudas amareladas de papel jornal em cujo cabeçalho era necessário preencher alguns campos como a data, a editoria, o autor, a retranca, o tamanho, e as instruções muito claras: 70 toques por linha, espaço duplo para o revisor fazer suas anotações. Qualquer sinal, um meneio, um olhar de esgueio para o lado, talvez procurando quem também concordasse com ele e com o jornal.

Ao tirar o papel da velha Remington na noite anterior, olhei para aquilo como se olha para o Santo Graal, o pergaminho da sabedoria, as escrituras sagradas, ali via meu futuro e todos os próximos dias da minha vida, e não me importei muito com a indiferença dos outros naquela enorme redação barulhenta, quente e esfumaçada, com um gigantesco mapa múndi na parede de fundo encimado por relógios marcando a hora de São Paulo, Londres, Nova York e Moscou. Para aqueles repórteres, redatores e editores concentrados em suas próprias laudas, elas já não eram mais nada de especial, apenas a conclusão de mais um dia de trabalho, suas laudas saíam dos rolos das máquinas vigorosamente e eram imediatamente levadas pelos contínuos à oficina onde linotipistas transformariam suas letras, palavras e frases em blocos de chumbo, que de lá seguiriam para o setor de clichês, que por sua vez embrulhariam os blocos de chumbo nas laudas manchadas de tinta com elásticos, e de lá elas seguiriam para os gráficos que disporiam os blocos de chumbo um ao lado do outro como num quebra-cabeças, seguindo a diagramação, e os blocos se transformariam em chapas tipográficas que seguiriam para as rotativas onde virariam páginas e, de madrugada, seriam transportados em Kombis para as bancas da cidade.

O sujeito no metrô tinha ido à banca naquele dia, possivelmente se interessou por alguma coisa na primeira página, talvez tivesse o hábito de comprar aquele jornal de logotipo azul todos os dias, e enquanto seguia para seu trabalho, ou de volta para casa, é impossível determinar, abriu o jornal na página onde alguém falava sobre a importância de um bom técnico, e este, anônimo, era eu, e estava ali ao seu lado, torcendo para que ele lesse, para que concordasse, ou discordasse, para que chegasse em casa e, de poucas palavras, enquanto a mulher colocava a mesa para o jantar de todos os dias, comentasse com ela que era importante ser um bom técnico, que por isso mesmo iria procurar um curso no Senac ou no Senai, o jornal dizia que isso era importante, devia ser, pois. Não importava que o técnico em questão era um técnico de futebol, que treinava a Portuguesa, isso era de somenos, a afirmação do título, essa sim devia ser levada a sério. É importante ser um bom técnico, disse o sujeito agora já decidido, raspando o prato e entornando o último gole da cerveja gelada que sua mulher sempre colocava no congelador meia hora antes de ele chegar do trabalho, tomando a decisão definitiva de, no dia seguinte, tratar de ser um bom técnico na vida.

Era uma segunda-feira, dia 19 de abril de 1982, e pela primeira vez alguém há de ter lido alguma coisa que escrevi.

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IMAGINEM HOJE

SÃO PAULO (nem pensar) – Acho que já contei que até hoje pedi autógrafos para apenas três pilotos na vida, em condições bem especiais. Um deles é o Marinho, o melhor de todos, o #10 da Vemag. Num livro. O outro foi Schumacher, na última corrida de 2006. Era sua despedida da F-1 (a volta em 2010 desvalorizou o material barbaramente, canalha, tratante, safardana) e apresentei uma coletiva para a Ferrari antes da corrida. Pedi que ele assinasse a camiseta que usei no evento e também minha credencial. O terceiro foi sir Jackie Stewart. E foi um caso engraçado.

Acho que foi em 2004 ou 2005, e eu tinha acabado de comprar uma coleção de “4 Rodas” antigas. Levei algumas na viagem para Indianápolis, porque gosto de ler no avião. Uma delas era essa aí da foto. A edição, de fevereiro de 1970. Não sei bem o que Stewart, já campeão mundial de F-1, estava fazendo no Brasil em fevereiro de 1970. Mas sei que a revista o convidou para testar carros brasileiros: Opala, Corcel, LTD, Volks 1600, Variant, Dart e Puma. O quarto da lista, para quem não sabe, é o Zé do Caixão, e eu tinha um. Se arrependimento matasse…

Pelo texto de apresentação da matéria, o escocês foi trazido ao Brasil especialmente para fazer esses testes. Será? Qual seria o cachê, por exemplo, para se trazer Vettel ao Brasil hoje para testar um Palio, um Celta, um Gol e um Fiesta?

Como a “4 Rodas” disponibilizou seu arquivo eletronicamente (a edição de fevereiro de 1970 está aqui), a única coisa boa que a editora Abril fez nos últimos 20 anos, é possível ler suas impressões ao dirigir cada um deles. Jackie gostou mais do Opala e do Corcel. Achou o Zé do Caixão “de gosto discutível”. Humpf. E disse que se morasse no Brasil, teria um Puma.

Sei que cruzei com Jackie no paddock e lembrei que a revista estava comigo. Falei que iria trazê-la do hotel no dia seguinte e assim foi. Ele ficou sinceramente espantado. Não sei bem com quê. Se com o estado da revista, zerada, se com o fato de um louco ainda ter um exemplar depois de mais de 30 anos, se com o fato de um louco ainda ter um exemplar depois de mais de 30 anos e cobrir F-1, se com o fato de um louco ainda ter um exemplar depois de mais de 30 anos, cobrir F-1 e estar em Indianápolis, ou se com o fato de um louco ainda ter um exemplar depois de mais de 30 anos, cobrir F-1, estar em Indianápolis e ter levado a revista na bagagem.

O fato é que havia um louco que ainda tinha aquela revista, cobria F-1, estava em Indianápolis e tinha levado a revista com ele, e, assim, foi com alegria que Stewart assinou a capa (preço para venda, caso interesse a alguém: 300 mil. Dólares. Não, euros) e ainda gastou alguns minutos folheando-a e lembrando dos carros. Deteve-se no Zé do Caixão, porque disse a ele que tinha um, e aí Jackie ficou realmente espantado com o fato de um louco ter um exemplar intacto depois de mais de 30 anos, cobrir F-1, estar em Indianápolis, ter levado a revista na bagagem e, de quebra, ser o proprietário de um Zé do Caixão.

Mas acho que se espantou, mesmo, com o fato de um dia, mais de 30 anos atrás, ter ido ao Brasil para andar num negócio daqueles na condição de campeão mundial de F-1. Expliquei o nome, Zé do Caixão, mas não sei se ele entendeu. A tradução para “Coffin Joe” foi algo meio espantoso para aquele simpático senhor de highlands.

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UM ANO

SÃO PAULO (no ar) – Hoje faz um ano que estreou no éter a rádio Estadão ESPN. Até então, desde 14 de abril de 2007, a parceria entre as duas empresas, ESPN Brasil e Grupo Estado, ia ao ar apenas no AM como Eldorado/ESPN. Assim, são cinco anos desde minha volta ao rádio, que é o que mais gosto de fazer, além de escrever de vez em quando.

Curioso que desde que comecei minha obscura carreira (vai fazer 30 anos no dia 19 de abril, alguém pelamor me lembre disso uns dois dias antes para eu procurar minha primeira coluna publicada no “Popular da Tarde” e organizar uma festa), quase sempre estive no ar em alguma rádio: na Cultura AM entre 1984 e 1986, na USP FM em 1986, na Pan AM de 1994 a 2001, na Bandeirantes AM de 2002 a 2005 e, agora, desde 2007 na dupla Eldorado/Estadão ESPN.

Isso para não falar de outras como a Capital de Roma, para quem trabalhei um ano e pouco, e a Colonial FM, de Minas, para quem faço boletins diários de F-1 há uns três ou quatro anos, não sei direito. Rádio é demais.

Para quem não sabe, na Estadão ESPN (que há um ano ocupa a frequência que era da Eldorado FM, 92,9 MHz) sou âncora (sim, afundo tudo) de futebol e comentarista de F-1. Falo pelos cotovelos.

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FALO MUITO

SÃO PAULO (chove, chove mesmo) – Bom dia, macacada. Dia cheio, mas vamos, aos poucos, atualizar a história do mundo hoje. Meu dia começou com um encontro de blogueiros com o ministro do Esporte Aldo Rebelo. Ele convidou alguns para um café da manhã e sabe-se lá por quê eu estava entre eles. Certamente algum engano do cerimonial. Em todo caso, fui porque gosto do ministro, apesar de ele torcer para o Palmeiras — deveria torcer apenas para o CRB, como bom regatiano.

Cheguei ligeiramente atrasado, tomei três xícaras de café, briguei com o segurança do prédio que não queria que eu estacionasse minha lambreta, falei umas besteiras e tive boa impressão do titular da pasta. É um homem bem-intencionado, e demonstrou conhecimento de esportes. Bastante, até, o que me deixou feliz. O recém-escolhido para a Pesca, por exemplo, declarou orgulhosamente que não sabe colocar uma minhoca num anzol. Rebelo mencionou até a Sogipa para falar de esportes amadores. Está por dentro das coisas.

A ideia era bater papo informalmente sobre a Copa do Mundo. Trocar algumas experiências, saber o que os blogueiros pensam sobre vários assuntos. Achei legal. Acho muito pertinente essa consideração com a mídia não-tradicional que, no fim das contas, atinge muito mais gente hoje do que a velha imprensa.

Não sei se fui útil para alguma coisa, normalmente não sou, mas foi interessante. Rebelo tem sido um ministro mais discreto e eficiente que o anterior, que me parecia um sujeito meio empavonado — embora tenha perdido o cargo mais por incompetência do que por corrupção, como insistem os setores de sempre da imprensa.

Bem, não tenho muito a ver com a Copa do Mundo, tudo que tinha de falar desse assunto já falei na rádio e na TV, então vamos em frente. Que seja uma ótima Copa e que vença o Uruguai.

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MAIS DE ONTEM

SÃO PAULO (vou acabar com a carreira dele!) – Julgo relevante seguir no tema de ontem, a sutil batida de que fui vítima em prova de kart que contou com jornalistas e um piloto de F-1, Philippo Dahora. Vamos primeiro avaliar as fotos do Ney Messi, primo-irmão de Lionel, começando com essa aí embaixo.

Nota-se a elegância do piloto, o estilo limpo e arrojado ao mesmo tempo. A forma como ataca a zebra, a maneira de empunhar o volante, o olhar fixo no objetivo final, a vitória, mas não a qualquer custo. O número 27, escolhido pela própria Ferrari, era uma homenagem a Gilles Villeneuve, um de seus maiores nomes, a quem o time italiano decidiu celebrar entregando-o ao piloto que mais se assemelhava a ele entre os participantes — pelo modo de guiar, pelo carisma e pela fluência em francês quebequiano e italiano sardo.

Agora atentem para o instantâneo abaixo.

Avisado pelo rádio da aproximação de Philipp Dahora, abaixei a cabeça temendo ser atingido por um taco de beisebol ou por algum artefato bélico que pudesse estar embutido no kart que vinha atrás. Se vocês repararem bem, a mão direita de Dahora está prestes a largar o volante para alcançar o que se supunha ser uma Glock Gen4, oculta sob o tanque de gasolina.

Ciente de que poderia ser abatido, decidi manter minha trajetória para tornar-me um mártir de reputação inatacável, já que qualquer movimento de defesa poderia ser interpretado pelos comissários como atitude hostil.

O fim dessa história é conhecido e ganhou manchetes no mundo inteiro. O portal Terra, indignado, chamou Fillipo de “sujo”. Já o portal da emissora oficial da F-1, o Globoesporte.com, preferiu dar destaque à minha excepcional (de novo) largada, aos 30s deste vídeo que poupou Phillip de maiores críticas. Vejam como o #27 busca o terceiro lugar nos primeiros metros como um míssil soviético. Por fim, a ESPN, emissora claramente simpática ao piloto da Ferrari, foi obrigada a colocar no ar imagens captadas por celulares que provam que Phillippo me “jurou” antes da corrida, quando eu já me encontrava amarrado no cockpit, pronto para vencer.

A FIA vai receber essas imagens hoje mesmo. Vou mandar para o Hamilton, também.

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“GOOD JOB, MAN!”

SÃO PAULO- Fomos correr de kart hoje na Granja Viana, a convite da Ferrari. 25 jornalistas, mais um certo Phillip Massa, titular da equipe e 10 kg mais magro que eu.

Muito bem.

É possível que as imagens já estejam correndo na internet, porque quando acabou a corrida dei um tapão nele e disse “good job, man!”. Depois fui reclamar na torre de atitude antidesportiva, mas não encontrei a torre. Restou-me almoçar com o indigitado. Ainda ganhei um boné e uma medalha. Vou sortear o boné e guardar a medalha, chapiscada com o sangue de meu esforço e dedicação.

Mas perdi a corrida.

Foi assim. Entrei como favorito absoluto, mesmo com a presença de Massa no grid. Fui mal nos treinos livres, virando 1min07s50 na minha melhor volta. O mais rápido, Rafael Munhoz, da “Racing”, enfiou quase 2s “nimim”. Mas na classificação baixei para 1min05s99 e fiquei em quinto. Quarto, na verdade, porque Phillip virou 1min03s e alguma coisa, mas foi punido porque estava rápido demais e largou em último.

Na minha frente, no grid, Munhoz, Alexander Wurz e Tico-Tico. Como sempre, larguei esplendidamente e coloquei-me atrás de Munhoz e Wurz, porque uma hora eles iam fazer alguma cagada e eu ganharia fácil. Sou uma espécie de Prost, inteligente e cerebral, mas um pouco mais arrojado.

Aí aconteceu o momento dramático, estapafúrdio, inominável. Na altura da terceira ou vigésima volta, não lembro direito. No final da reta principal, molhada, eu fazendo um traçado próximo do perfeito, chego na freada e sou atingido por trás. Enquanto rodava, gritava pelo rádio: “Quem foi? Quem foi? Avisem os comissários! Peguem o vídeo! Coloquem no YouTube, no Facebook e no Twitter! No Orkut não precisa, ninguém mais vê essa merda!”. Meu engenheiro não respondeu nada.

Estávamos a mais ou menos 290 km/h. E o piloto que me tocou ainda olhou dentro da minha viseira e deu uma gargalhada. Usava um capacete amarelo e verde e um macacão vermelho. O sacripanta foi embora e resignei-me. “Hamilton tem razão”, pensei. Comecei a remar tudo de novo. Lá na frente, como eu previa, Munhoz e Wurz se enroscaram. Cheguei novamente nos dois, mas começou a chover e aí foi um desastre. Meu acerto era para clima úmido-com-possibilidade-de-leve-garoa-vinda-do-leste, e choveu pra cacete. Não parei mais na pista.

O piloto do capacete verde e amarelo chegou a me encontrar novamente. “Phillip is faster than you”, me avisou o engenheiro pelo rádio, ao que respondi “e eu com isso?”. Aí ele me passou com alguma dificuldade.

Terminei em sexto. Maça, ou Massa, não sei direito quem é, o piloto que aniquilou minhas chances de uma vitória épica, ganhou. A segunda posição foi do azarão Lucas Santinho, do site Tazio, que aproveitou quando Munhoz e Wurz se tocaram e passou os dois. Ainda terminei atrás de Tico-Tico.

A melhor volta do dia foi desse rapaz, Maça, 1min03s799. Seu kart, aparentemente, tinha dois motores. A segunda melhor foi minha, 1min05s098. O que prova, sem sombra de dúvidas, que eu merecia ganhar.

Quando acabou a corrida fui para o cercadinho da imprensa, dei um tapão nele e falei “good job, man!”. As câmeras da BBC e da ESPN captaram tudo. Sei que na ESPN vai ao ar no Bate-Bola, se der tempo, e no Sportscenter, com certeza.

Massa, ou Maça, parece que tem uma corrida em Interlagos domingo. Mas existe a chance de, antes, cassarem a superlicença dele assim que as imagens chegarem à FIA.

Este é o piloto que acabou com a minha corrida. Se chama Phillip, é meio baixinho e anda sempre de boné. Qualquer notícia sobre seu paradeiro, favor me informar ou ligar para o disque-denúncia, 181. Garantimos o sigilo aos informantes e ainda damos um brinde.

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ERA VETTEL?

SÃO PAULO (fala muito!) - O pessoal da Metodista me entrevistou semana passada para seu programa de rádio da turma de Jornalismo. O centro da questão era: estamos prestes a viver uma “era Vettel” na F-1? O resultado do bate-papo está aqui.

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