Perfil
Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto e escritor. E professor de Jornalismo na FAAP, também. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar” e "Quatro Rodas Clássicos", rádios Cultura, USP, Jovem Pan e Bandeirantes. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. É também comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil e da rádio Estadão ESPN. Foi parceiro do iG, com o site “Grande Prêmio”, desde a criação do portal, no final de 1999. Em março de 2012, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2007 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de "Meianov".
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SÃO PAULO (dá tempo) – Como sou uma anta, acho que ainda não avisei aqui que todas as segundas-feiras gravo uma espécie de “videoblog” para o Grande Prêmio que vai ao ar no portal MSN. Já viram? Gostaram? O de hoje está aqui. Acho que não tem a opção de “incorporar”, então vai pelo link, mesmo.
Não precisam elogiar minha beleza eslava. Atenham-se ao conteúdo e aos incríveis efeitos visuais e musicais.
ATUALIZANDO…
Tuiteiros enlouquecidos me alertam para a trilha musical, que ao que parece é usada em outros sites também. Óbvio, afinal essa musiquinha, “Kalimba”, veio de fábrica como amostra de música no meu computador. Deve vir em outros, também, assim como aquelas amostras de fotos com flores e montanhas. Como eu, muita gente deve ter pego essa coisinha aí para inserir em seus vídeos toscos como os meus. Não baixo músicas, não tenho paciência, e sou meio ignorante musicalmente. Mas se algum blogueiro quiser mandar uma musiquinha que se encaixe melhor para abrir e fechar o vídeo, fique à vontade. Podem mandar seus arquivos para flaviog@warmup.com.br. Mas mandem editados, não venham com músicas inteiras, que nem abro. Uma introdução instrumental para abrir e fechar o vídeo é tudo de que preciso.
TRINTA
SÃO PAULO (e contando) - Eu lembro do título: “A importância de um bom técnico”. Bom título, preciso, direto, não deixa muitas dúvidas. Um bom técnico é importante. Não há dúvidas quanto a isso. Em duas linhas, preencheu uma coluna do jornal e lá se foi o texto, até o pé, elogiando José Poy, o bom técnico. Sem assinatura, mas era meu, e eu achava que era bom.
No metrô, vi um cara lendo o jornal. Casualmente estava na mesma página do técnico importante, e portanto havia alguma chance de ele estar lendo o que escrevi. Podia estar lendo os outros, também, mas não se deve descartar a possibilidade de ter sido atraído por aquele título, que falava de um técnico e de sua importância. Talvez ele mesmo fosse um técnico de alguma coisa, ou desejasse sê-lo. Em eletrônica, farmácia, gestão contábil, telecomunicações, nutrição, mamografia, próteses dentárias, abreugrafia, medicina nuclear, revelação & ampliação. Fosse ele um técnico, ou desejasse sê-lo, claro que concordaria com a assertiva daquele título, a importância de ser bom, pode ter se identificado, pode ter feito uma autocrítica, será que sou bom, afinal?, o jornal diz que é importante ser um bom técnico, jornal sabe das coisas.
Eu estava de pé no vagão, indo para a faculdade num complexo sistema de baldeações de linhas, trens e ônibus, mas fiquei ali, ao lado do sujeito, esperando por algum sinal de que ele estava lendo o que eu tinha datilografado no dia anterior em laudas amareladas de papel jornal em cujo cabeçalho era necessário preencher alguns campos como a data, a editoria, o autor, a retranca, o tamanho, e as instruções muito claras: 70 toques por linha, espaço duplo para o revisor fazer suas anotações. Qualquer sinal, um meneio, um olhar de esgueio para o lado, talvez procurando quem também concordasse com ele e com o jornal.
Ao tirar o papel da velha Remington na noite anterior, olhei para aquilo como se olha para o Santo Graal, o pergaminho da sabedoria, as escrituras sagradas, ali via meu futuro e todos os próximos dias da minha vida, e não me importei muito com a indiferença dos outros naquela enorme redação barulhenta, quente e esfumaçada, com um gigantesco mapa múndi na parede de fundo encimado por relógios marcando a hora de São Paulo, Londres, Nova York e Moscou. Para aqueles repórteres, redatores e editores concentrados em suas próprias laudas, elas já não eram mais nada de especial, apenas a conclusão de mais um dia de trabalho, suas laudas saíam dos rolos das máquinas vigorosamente e eram imediatamente levadas pelos contínuos à oficina onde linotipistas transformariam suas letras, palavras e frases em blocos de chumbo, que de lá seguiriam para o setor de clichês, que por sua vez embrulhariam os blocos de chumbo nas laudas manchadas de tinta com elásticos, e de lá elas seguiriam para os gráficos que disporiam os blocos de chumbo um ao lado do outro como num quebra-cabeças, seguindo a diagramação, e os blocos se transformariam em chapas tipográficas que seguiriam para as rotativas onde virariam páginas e, de madrugada, seriam transportados em Kombis para as bancas da cidade.
O sujeito no metrô tinha ido à banca naquele dia, possivelmente se interessou por alguma coisa na primeira página, talvez tivesse o hábito de comprar aquele jornal de logotipo azul todos os dias, e enquanto seguia para seu trabalho, ou de volta para casa, é impossível determinar, abriu o jornal na página onde alguém falava sobre a importância de um bom técnico, e este, anônimo, era eu, e estava ali ao seu lado, torcendo para que ele lesse, para que concordasse, ou discordasse, para que chegasse em casa e, de poucas palavras, enquanto a mulher colocava a mesa para o jantar de todos os dias, comentasse com ela que era importante ser um bom técnico, que por isso mesmo iria procurar um curso no Senac ou no Senai, o jornal dizia que isso era importante, devia ser, pois. Não importava que o técnico em questão era um técnico de futebol, que treinava a Portuguesa, isso era de somenos, a afirmação do título, essa sim devia ser levada a sério. É importante ser um bom técnico, disse o sujeito agora já decidido, raspando o prato e entornando o último gole da cerveja gelada que sua mulher sempre colocava no congelador meia hora antes de ele chegar do trabalho, tomando a decisão definitiva de, no dia seguinte, tratar de ser um bom técnico na vida.
Era uma segunda-feira, dia 19 de abril de 1982, e pela primeira vez alguém há de ter lido alguma coisa que escrevi.
IMAGINEM HOJE
SÃO PAULO (nem pensar) – Acho que já contei que até hoje pedi autógrafos para apenas três pilotos na vida, em condições bem especiais. Um deles é o Marinho, o melhor de todos, o #10 da Vemag. Num livro. O outro foi Schumacher, na última corrida de 2006. Era sua despedida da F-1 (a volta em 2010 desvalorizou o material barbaramente, canalha, tratante, safardana) e apresentei uma coletiva para a Ferrari antes da corrida. Pedi que ele assinasse a camiseta que usei no evento e também minha credencial. O terceiro foi sir Jackie Stewart. E foi um caso engraçado.
Acho que foi em 2004 ou 2005, e eu tinha acabado de comprar uma coleção de “4 Rodas” antigas. Levei algumas na viagem para Indianápolis, porque gosto de ler no avião. Uma delas era essa aí da foto. A edição, de fevereiro de 1970. Não sei bem o que Stewart, já campeão mundial de F-1, estava fazendo no Brasil em fevereiro de 1970. Mas sei que a revista o convidou para testar carros brasileiros: Opala, Corcel, LTD, Volks 1600, Variant, Dart e Puma. O quarto da lista, para quem não sabe, é o Zé do Caixão, e eu tinha um. Se arrependimento matasse…
Pelo texto de apresentação da matéria, o escocês foi trazido ao Brasil especialmente para fazer esses testes. Será? Qual seria o cachê, por exemplo, para se trazer Vettel ao Brasil hoje para testar um Palio, um Celta, um Gol e um Fiesta?
Como a “4 Rodas” disponibilizou seu arquivo eletronicamente (a edição de fevereiro de 1970 está aqui), a única coisa boa que a editora Abril fez nos últimos 20 anos, é possível ler suas impressões ao dirigir cada um deles. Jackie gostou mais do Opala e do Corcel. Achou o Zé do Caixão “de gosto discutível”. Humpf. E disse que se morasse no Brasil, teria um Puma.
Sei que cruzei com Jackie no paddock e lembrei que a revista estava comigo. Falei que iria trazê-la do hotel no dia seguinte e assim foi. Ele ficou sinceramente espantado. Não sei bem com quê. Se com o estado da revista, zerada, se com o fato de um louco ainda ter um exemplar depois de mais de 30 anos, se com o fato de um louco ainda ter um exemplar depois de mais de 30 anos e cobrir F-1, se com o fato de um louco ainda ter um exemplar depois de mais de 30 anos, cobrir F-1 e estar em Indianápolis, ou se com o fato de um louco ainda ter um exemplar depois de mais de 30 anos, cobrir F-1, estar em Indianápolis e ter levado a revista na bagagem.
O fato é que havia um louco que ainda tinha aquela revista, cobria F-1, estava em Indianápolis e tinha levado a revista com ele, e, assim, foi com alegria que Stewart assinou a capa (preço para venda, caso interesse a alguém: 300 mil. Dólares. Não, euros) e ainda gastou alguns minutos folheando-a e lembrando dos carros. Deteve-se no Zé do Caixão, porque disse a ele que tinha um, e aí Jackie ficou realmente espantado com o fato de um louco ter um exemplar intacto depois de mais de 30 anos, cobrir F-1, estar em Indianápolis, ter levado a revista na bagagem e, de quebra, ser o proprietário de um Zé do Caixão.
Mas acho que se espantou, mesmo, com o fato de um dia, mais de 30 anos atrás, ter ido ao Brasil para andar num negócio daqueles na condição de campeão mundial de F-1. Expliquei o nome, Zé do Caixão, mas não sei se ele entendeu. A tradução para “Coffin Joe” foi algo meio espantoso para aquele simpático senhor de highlands.
UM ANO

SÃO PAULO (no ar) – Hoje faz um ano que estreou no éter a rádio Estadão ESPN. Até então, desde 14 de abril de 2007, a parceria entre as duas empresas, ESPN Brasil e Grupo Estado, ia ao ar apenas no AM como Eldorado/ESPN. Assim, são cinco anos desde minha volta ao rádio, que é o que mais gosto de fazer, além de escrever de vez em quando.
Curioso que desde que comecei minha obscura carreira (vai fazer 30 anos no dia 19 de abril, alguém pelamor me lembre disso uns dois dias antes para eu procurar minha primeira coluna publicada no “Popular da Tarde” e organizar uma festa), quase sempre estive no ar em alguma rádio: na Cultura AM entre 1984 e 1986, na USP FM em 1986, na Pan AM de 1994 a 2001, na Bandeirantes AM de 2002 a 2005 e, agora, desde 2007 na dupla Eldorado/Estadão ESPN.
Isso para não falar de outras como a Capital de Roma, para quem trabalhei um ano e pouco, e a Colonial FM, de Minas, para quem faço boletins diários de F-1 há uns três ou quatro anos, não sei direito. Rádio é demais.
Para quem não sabe, na Estadão ESPN (que há um ano ocupa a frequência que era da Eldorado FM, 92,9 MHz) sou âncora (sim, afundo tudo) de futebol e comentarista de F-1. Falo pelos cotovelos.
Tags: Estadão ESPN
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FALO MUITO
SÃO PAULO (chove, chove mesmo) – Bom dia, macacada. Dia cheio, mas vamos, aos poucos, atualizar a história do mundo hoje. Meu dia começou com um encontro de blogueiros com o ministro do Esporte Aldo Rebelo. Ele convidou alguns para um café da manhã e sabe-se lá por quê eu estava entre eles. Certamente algum engano do cerimonial. Em todo caso, fui porque gosto do ministro, apesar de ele torcer para o Palmeiras — deveria torcer apenas para o CRB, como bom regatiano.
Cheguei ligeiramente atrasado, tomei três xícaras de café, briguei com o segurança do prédio que não queria que eu estacionasse minha lambreta, falei umas besteiras e tive boa impressão do titular da pasta. É um homem bem-intencionado, e demonstrou conhecimento de esportes. Bastante, até, o que me deixou feliz. O recém-escolhido para a Pesca, por exemplo, declarou orgulhosamente que não sabe colocar uma minhoca num anzol. Rebelo mencionou até a Sogipa para falar de esportes amadores. Está por dentro das coisas.
A ideia era bater papo informalmente sobre a Copa do Mundo. Trocar algumas experiências, saber o que os blogueiros pensam sobre vários assuntos. Achei legal. Acho muito pertinente essa consideração com a mídia não-tradicional que, no fim das contas, atinge muito mais gente hoje do que a velha imprensa.
Não sei se fui útil para alguma coisa, normalmente não sou, mas foi interessante. Rebelo tem sido um ministro mais discreto e eficiente que o anterior, que me parecia um sujeito meio empavonado — embora tenha perdido o cargo mais por incompetência do que por corrupção, como insistem os setores de sempre da imprensa.
Bem, não tenho muito a ver com a Copa do Mundo, tudo que tinha de falar desse assunto já falei na rádio e na TV, então vamos em frente. Que seja uma ótima Copa e que vença o Uruguai.
MAIS DE ONTEM
SÃO PAULO (vou acabar com a carreira dele!) – Julgo relevante seguir no tema de ontem, a sutil batida de que fui vítima em prova de kart que contou com jornalistas e um piloto de F-1, Philippo Dahora. Vamos primeiro avaliar as fotos do Ney Messi, primo-irmão de Lionel, começando com essa aí embaixo.
Nota-se a elegância do piloto, o estilo limpo e arrojado ao mesmo tempo. A forma como ataca a zebra, a maneira de empunhar o volante, o olhar fixo no objetivo final, a vitória, mas não a qualquer custo. O número 27, escolhido pela própria Ferrari, era uma homenagem a Gilles Villeneuve, um de seus maiores nomes, a quem o time italiano decidiu celebrar entregando-o ao piloto que mais se assemelhava a ele entre os participantes — pelo modo de guiar, pelo carisma e pela fluência em francês quebequiano e italiano sardo.
Agora atentem para o instantâneo abaixo.
Avisado pelo rádio da aproximação de Philipp Dahora, abaixei a cabeça temendo ser atingido por um taco de beisebol ou por algum artefato bélico que pudesse estar embutido no kart que vinha atrás. Se vocês repararem bem, a mão direita de Dahora está prestes a largar o volante para alcançar o que se supunha ser uma Glock Gen4, oculta sob o tanque de gasolina.
Ciente de que poderia ser abatido, decidi manter minha trajetória para tornar-me um mártir de reputação inatacável, já que qualquer movimento de defesa poderia ser interpretado pelos comissários como atitude hostil.
O fim dessa história é conhecido e ganhou manchetes no mundo inteiro. O portal Terra, indignado, chamou Fillipo de “sujo”. Já o portal da emissora oficial da F-1, o Globoesporte.com, preferiu dar destaque à minha excepcional (de novo) largada, aos 30s deste vídeo que poupou Phillip de maiores críticas. Vejam como o #27 busca o terceiro lugar nos primeiros metros como um míssil soviético. Por fim, a ESPN, emissora claramente simpática ao piloto da Ferrari, foi obrigada a colocar no ar imagens captadas por celulares que provam que Phillippo me “jurou” antes da corrida, quando eu já me encontrava amarrado no cockpit, pronto para vencer.
A FIA vai receber essas imagens hoje mesmo. Vou mandar para o Hamilton, também.
Tags: Granja Viana, Massa
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“GOOD JOB, MAN!”
SÃO PAULO- Fomos correr de kart hoje na Granja Viana, a convite da Ferrari. 25 jornalistas, mais um certo Phillip Massa, titular da equipe e 10 kg mais magro que eu.
Muito bem.
É possível que as imagens já estejam correndo na internet, porque quando acabou a corrida dei um tapão nele e disse “good job, man!”. Depois fui reclamar na torre de atitude antidesportiva, mas não encontrei a torre. Restou-me almoçar com o indigitado. Ainda ganhei um boné e uma medalha. Vou sortear o boné e guardar a medalha, chapiscada com o sangue de meu esforço e dedicação.
Mas perdi a corrida.
Foi assim. Entrei como favorito absoluto, mesmo com a presença de Massa no grid. Fui mal nos treinos livres, virando 1min07s50 na minha melhor volta. O mais rápido, Rafael Munhoz, da “Racing”, enfiou quase 2s “nimim”. Mas na classificação baixei para 1min05s99 e fiquei em quinto. Quarto, na verdade, porque Phillip virou 1min03s e alguma coisa, mas foi punido porque estava rápido demais e largou em último.
Na minha frente, no grid, Munhoz, Alexander Wurz e Tico-Tico. Como sempre, larguei esplendidamente e coloquei-me atrás de Munhoz e Wurz, porque uma hora eles iam fazer alguma cagada e eu ganharia fácil. Sou uma espécie de Prost, inteligente e cerebral, mas um pouco mais arrojado.
Aí aconteceu o momento dramático, estapafúrdio, inominável. Na altura da terceira ou vigésima volta, não lembro direito. No final da reta principal, molhada, eu fazendo um traçado próximo do perfeito, chego na freada e sou atingido por trás. Enquanto rodava, gritava pelo rádio: “Quem foi? Quem foi? Avisem os comissários! Peguem o vídeo! Coloquem no YouTube, no Facebook e no Twitter! No Orkut não precisa, ninguém mais vê essa merda!”. Meu engenheiro não respondeu nada.
Estávamos a mais ou menos 290 km/h. E o piloto que me tocou ainda olhou dentro da minha viseira e deu uma gargalhada. Usava um capacete amarelo e verde e um macacão vermelho. O sacripanta foi embora e resignei-me. “Hamilton tem razão”, pensei. Comecei a remar tudo de novo. Lá na frente, como eu previa, Munhoz e Wurz se enroscaram. Cheguei novamente nos dois, mas começou a chover e aí foi um desastre. Meu acerto era para clima úmido-com-possibilidade-de-leve-garoa-vinda-do-leste, e choveu pra cacete. Não parei mais na pista.
O piloto do capacete verde e amarelo chegou a me encontrar novamente. “Phillip is faster than you”, me avisou o engenheiro pelo rádio, ao que respondi “e eu com isso?”. Aí ele me passou com alguma dificuldade.

Terminei em sexto. Maça, ou Massa, não sei direito quem é, o piloto que aniquilou minhas chances de uma vitória épica, ganhou. A segunda posição foi do azarão Lucas Santinho, do site Tazio, que aproveitou quando Munhoz e Wurz se tocaram e passou os dois. Ainda terminei atrás de Tico-Tico.
A melhor volta do dia foi desse rapaz, Maça, 1min03s799. Seu kart, aparentemente, tinha dois motores. A segunda melhor foi minha, 1min05s098. O que prova, sem sombra de dúvidas, que eu merecia ganhar.
Quando acabou a corrida fui para o cercadinho da imprensa, dei um tapão nele e falei “good job, man!”. As câmeras da BBC e da ESPN captaram tudo. Sei que na ESPN vai ao ar no Bate-Bola, se der tempo, e no Sportscenter, com certeza.
Massa, ou Maça, parece que tem uma corrida em Interlagos domingo. Mas existe a chance de, antes, cassarem a superlicença dele assim que as imagens chegarem à FIA.
Tags: Granja Viana, Massa
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ERA VETTEL?
SÃO PAULO (fala muito!) - O pessoal da Metodista me entrevistou semana passada para seu programa de rádio da turma de Jornalismo. O centro da questão era: estamos prestes a viver uma “era Vettel” na F-1? O resultado do bate-papo está aqui.
Tags: Metodista, Vettel
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FALA MUITO
SÃO PAULO (perguntaram, eu respondo) – Ando dando muitas entrevistas sobre futebol, ultimamente. Sinal de que a F-1 anda meio em baixa… E a Lusa em alta! Este papo aqui foi com o pessoal de um site sobre o glorioso Uberlândia E.C., mais uma vítima do futebol moderno que quer que o Brasil seja, sei lá, uma Espanha com dois times.
Não precisam comentar muito aqui. Pinguem os comentários no site da garotada alviverde, eles vão gostar.
Tags: Portuguesa, Uberlândia
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FALA, GOMES
SÃO PAULO (e como fala…) – Meus futuros alunos de Jornalismo Esportivo na FAAP têm um blog e me entrevistaram. Sobre a Portuguesa e futebol de verdade. Está neste link aqui.
Tags: FAAP, Portuguesa
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QUARENTA
SÃO PAULO (é…) - Aquele domingo, 8 de agosto de 1971, não seria particularmente quente, nem frio. O jornal do dia avisava que o dia começaria nublado, mas ficaria claro no decorrer do período, embora sujeito a chuvas ocasionais. A temperatura estaria agradável, sem grandes declínios.
Era o segundo domingo do mês, portanto Dia dos Pais. Morávamos no Jardim Prudência, então uma região remota da cidade, nas bordas da Zona Sul, entre o aeroporto de Congonhas e o autódromo de Interlagos. Meu pai tinha acabado de comprar uma casa na rua Bolívia (já mudou de nome, nem procurem no Google) num conjunto erguido pela Formaespaço, uma construtora modernosa que adotou o concreto aparente como marca registrada e fez também alguns prédios interessantíssimos em São Paulo.
É bem provável que tenhamos almoçado na casa de meus avós, na Vila Mariana, onde normalmente se reuniam aos domingos tios, tias, sobrinhos, genros e noras. Os almoços não começavam tarde, e lá pelas duas horas estava todo mundo de pança cheia, as mulheres reunidas na cozinha passando um café, as crianças brincando no quintal, o vô cuidando dos passarinhos, o tio Renato dormindo no sofá, e meu pai deve ter tido a ideia de ir ao Pacaembu.
Era a primeira rodada do primeiro Campeonato Nacional, que começara no dia anterior com uma goleada do Grêmio sobre o São Paulo no Morumbi, 3 a 0. Eu tinha 7 anos de idade e, que me lembre, gostava de futebol desde o ano anterior, quando a seleção desfilou pela 23 de Maio com a Jules Rimet sobre um caminhão de bombeiros, e meu pai nos levou para o viaduto para saudar os tricampeões, e eu estava com uma camisa canarinho com o escudo da CBD preso ao peito por colchetes, que tinha usado durante a Copa.
Fomos ao Pacaembu. Jogariam Portuguesa e Palmeiras. Meu pai torce para a Portuguesa desde sempre. Filho de portugueses, foi um hábil e veloz ponta-direita que chegou ao time de aspirantes conhecido como Julinho, pois tinha um estilo parecido com o de Julinho Botelho, o melhor ponta que o Brasil já teve depois de Garrincha. Aquele que entrou vaiado no Maracanã e saiu aplaudido pela torcida carioca num jogo sei lá quando. Na verdade, Julinho era melhor que Garrincha.
É provável que tenhamos ido de Variant bordô, mas é possível, também, que àquela altura meu pai já tivesse vendido o carro para ajudar a pagar a casa. Como minha mãe tinha tirado carteira de motorista, ele teve de comprar um Fusca branco, também, e a Variant foi trocada por um Aero Willys cinza mais barato. Disso não vou lembrar, o carro que nos levou ao Pacaembu. Sei que fomos eu, meu pai, meu irmão mais velho, que tinha 9 anos, e meu avô que não ligava para futebol, gostava mesmo era de pintassilgos e papa-capins e de jogar nos cavalos, já que trabalhava no Jóquei, e de jogar baralho e de fumar Continental sem filtro.
Deve ter sido algo meio de última hora, aquele evento ludopédico. Talvez se não fosse Dia dos Pais, o programa fosse outro. Passar a tarde na casa da vó esperando o dia acabar, assistir à estreia do dominical de Flávio Cavalcanti na Tupi, quem sabe ir ao autocine Snob’s na avenida Santo Amaro. Meu pai poderia, igualmente, levar minha mãe ao Astor para ver “Love Story”. Estava em cartaz, também, “Hair” no Teatro Aquarius, mas isso não era muito o estilo dos meus pais. Jô e Zeloni estavam levando “Tudo no Escuro” no Cacilda Becker, na Brigadeiro, e seria uma boa opção para algumas gargalhadas num fim de domingo. Mas não era o caso. Largar os três moleques na casa da vó seria sacanagem com ela.
Assim, fomos ao Pacaembu. Era um bom jogo, a Portuguesa de Orlando, um goleiro negão, Arenghi, Dárcio, Calegari e Fogueira; Dirceu e Lorico; Ratinho, depois Xaxá, Cabinho, depois Tatá, Basílio e Piau. O Palmeiras de Leão; Eurico, Luís Pereira, Nélson e Dé; Dudu e Ademir da Guia; Edu, depois Paulo Borges, Leivinha, depois Hector Silva, César e Pio.
Éramos quatro dos 25.967 pagantes que foram ao Pacaembu naquela tarde de domingo de tempo bom e temperatura agradável, e ficamos no Tobogã, uma aberração arquitetônica erguida atrás do gol no lugar da Concha Acústica por determinação do prefeito Paulo Maluf. O Palmeiras ganhou de 1 a 0, gol de César Maluco aos 38 minutos do primeiro tempo. O juiz, Dulcídio Wanderley Boschillia, deve ter roubado, certamente roubou.
Saí do estádio apaixonado pela Portuguesa, encantado com aqueles torcedores colocados à direita dos meus olhinhos azuis no meio da arquibancada, com suas bandeiras vermelhas e verdes, cercados por palmeirenses por todos os lados, e posso afirmar que não houve influência nenhuma do meu pai, tanto que meu irmão decidiu naquele dia torcer pelo Palmeiras. De modo que assumi a Portuguesa como meu time para todo o sempre, e ponto final.
Não sei o que teria sido de mim se em vez do jogo tivéssemos ido ao salão da Paróquia Santíssimo, na Tutoia, a poucos metros da sede do DOI-Codi, para ver, no mesmo horário, Nydia Lícia e sua “Viagem ao País das Fábulas”, mas, sendo sincero, ir ao teatro não fazia parte da nossa rotina. Uma pizza no Paulino, de noite, combinava mais com as parcas finanças da família classe média, pai, mãe, três filhos pequenos, dois deles estudando na Escola Municipal Dona Chiquinha Rodrigues, ali no Campo Belo, perto do aeroporto e do hipermercado Jumbo, o mais novo ainda no pré-primário. Eram tempos duros, de escassas extravagâncias.
Talvez se em vez do Pacaembu o destino fosse o salão da Paróquia Santíssimo, eu me apaixonasse por teatro e pelas fábulas, ou talvez, ao anoitecer, na saída da peça, tivéssemos cruzado com uma viatura da Oban deixando a delegacia ali do lado da igreja, e o delegado Fleury implicasse com o Fusca ou com o Aero Willys ou com a Variant, naqueles anos ninguém sabia direito o que podia acontecer, e são esses pequenos fatos que determinam o que vai ser da sua vida.
No meu caso, exatamente 40 anos atrás, eu passei a gostar de futebol e da Portuguesa, e o futebol e a Portuguesa me levaram a querer ser jornalista e trabalhar com esporte, e aí virei o que sou.
Tags: Pacaembu, Portuguesa
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A Jackie Della Barba prometeu me dar um bolo. Mas só se for igual a esse. Caso contrário, esquece porque engorda.
Tags: Trabant
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HOJE TEM
SÃO PAULO (de volta às noites frias) – Bom dia, macacada. Hoje à noite a twitcam mais trash do universo volta ao seu horário tradicional, 23h de Brasília. Vamos falar do GP da Inglaterra e sei lá mais do quê. Vai ter brinde: para animar a moçadinha, cinco exemplares do Almanaque WARM UP #2. Para assistir, quando estiver mais ou menos na hora é só entrar aqui que o link estará disponível.
O programa dura uma hora, é colorido e gratuito.
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SIM, TEM
SÃO PAULO (como sempre) - Aos que perguntam se tem twitcam hoje à noite, sim, tem. A partir das 23h para falar dos temas mais palpitantes da semana. Vai ter brinde? Acho que não, mas se encontrar alguma coisa sem uso em casa, pode ser. Para assistir, tem o link aqui.
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BRINDES NOTURNOS
SÃO PAULO (esperando a neve) - Seguinte, macacada… Às 23h de hoje tem twitcam para falarmos de Mônaco, Indy, Nascar, Champions League, ópera e mais o que pintar. Para os participantes, teremos “concurso cultural” com dois prêmios: um anuário “AutoMotor Esporte 2010/2011″ autografado pelo Reginaldo Leme e um exemplar do Almanaque WARM UP #2. Para saber como assistir, é só clicar aqui.
E o Reginaldo, lá de Mônaco, avisa: quem comprar o anuário pelo site dele dizendo que viu a promoção aqui no blog ganha um descontão de não sei quantos reais.
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NA WEB E NA CAM
SÃO PAULO (às ruas!) - Hoje é segunda, e toda segunda, desde que a internet foi colocada no ar, tem twitcam com este que vos bloga. Começa às 23h, com farta distribuição de prêmios aos participantes. Para assistir, é só entrar na minha página no Twitter por volta desse horário para pegar o link. Cardápio de hoje: GP da Espanha, vitória de Vettel, fiasco dos brasileiros, tristeza da Ferrari, Indy 500, marcha da maconha, Mônaco, show do Paul e goleada da Lusa em cima do Náutico.
Até lá.
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HOJE TEM
SÃO PAULO (sem muitos assuntos) - Macacada, como todas as segundas, hoje tem twitcam a partir das 23h. É só entrar na minha página tuítica perto desse horário para pegar link e participar.
Hoje não vou sortear nada porque a conta dos correios veio muito alta este mês. No máximo vou dar de brinde alguns preds-releases antigos de equipes de F-1 que não existem mais. Papéis velhos, em resumo.
Sendo assim, teremos recorde negativo de audiência.
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HOJE TEM
SÃO PAULO (vejam, vejam!) - Nunca tem nada muito bom na TV às segundas à noite. Portanto, assistam hoje a mais uma edição do “Bem, Merdinhas”, nosso programa semanal na twitcam. Vai ter brinde de novo. Caneca do programa. Aliás, preciso mandar as da semana passada. Amanhã mando tudo de uma vez.
Começa às 23h. Para assistir, o manual de instruções está aqui. Falaremos do GP da Turquia, do início do Racing Festival, do adiamento da abertura do Brasileiro de Marcas e de cinema iraniano.
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