Perfil
Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto e escritor. E professor de Jornalismo na FAAP, também. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar” e "Quatro Rodas Clássicos", rádios Cultura, USP, Jovem Pan e Bandeirantes. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. É também comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil e da rádio Estadão ESPN. Foi parceiro do iG, com o site “Grande Prêmio”, desde a criação do portal, no final de 1999. Em março de 2012, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2007 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de "Meianov".
SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSBusca no Blog
Arquivos
Twitter
Facebook
Tags
Alonso Audi Barrichello BMW Brasília Brawn Bruno Senna Button CBA DKW eleições 2010 enche o tanque Ferrari FIA Fusca Hamilton Honda Interlagos Interlagos em pingos Jacarepaguá Kombi Lada Limite Londrina Lotus Massa McLaren Meianov Mercedes Nelsinho Opala Piquet Porsche Raikkonen Red Bull Renault SAAB Schumacher Senna Spa Trabant Vettel VW Webber WilliamsCategorias
- #69
- #96 pelo mundo
- #96, Superclassic, farnéis
- A1GP
- Álbum sobre rodas
- Antigos em geral
- Arquitetura & urbanismo
- Arte
- Autódromos
- Automobilismo brasileiro
- Automobilismo internacional
- Baú do Sidney
- bicicletas
- Blog
- Brasil
- Brinquedos
- Bus Stop
- Caminhões
- Carros
- Carros que eu gosto
- Cars & boys
- Cars & girls
- Cinema
- Classic Cup
- Colunas Apex
- Colunas Grand Prix
- Colunas Muy Bueno
- Colunas Retrovisor
- Colunas Warm Up
- Comes & bebes
- Corridas de clássicos
- Cultura
- De papel
- decalques
- Diários de viagem
- Dica do dia
- DKW & cia.
- Encontros
- Enigmas & desafios
- ESPN Brasil
- Esquisitices
- F-1
- Foto do dia
- Frase do dia
- Fusca & cia.
- Futebol
- Gira mondo
- Gomes
- GP2
- Grande Prêmio
- Imprensa
- Indústria automobilística
- Indy, IRL, ChampCar…
- InfoRace
- Kart
- Kombi & cia.
- Ladaland
- Lambretta & cia.
- Legião urbana
- Literatura
- Meu calhambeque
- Meus velhos papéis
- Miniaturas
- Moda
- MotoGP
- Motoland
- Mr. Postman
- MUG
- Museus & coleções
- Nas asas
- No comments
- One comment
- One question
- Pais & Filhos
- Pequim 2008
- Prende eu
- Publicidade
- Rádio Blog
- Rádio GP
- Rali
- Sem categoria
- Stock Car
- táxi
- Tecnologia
- Televisão
- Turismo
- TV GP
- Veloz HP
- Vídeos
Links
- BLOG DA COPA
- Blog do Capelli
- Blog do Fábio Seixas
- Blog do Mahar
- Blog do Saloma
- Blog Victal
- Bruno Mantovani
- Classic Cup
- Cortina de Ferro
- Diário Motrosport
- F1 Corradi
- Garagem do Bellote
- Grande Prêmio
- Irmão do Décio
- Maurício Morais
- Mestre Joca
- Minis no Mundo
- PandiniGP
- Truta Photos
- VelocidadeOnLine
- World of Motorsport
-
Posts Recentes
- MÍSSIL
- SÓ FUMACINHA
- LEGIÃO URBANA
- PIROU TAMBÉM?
- PIROU?
- EXPLICADO
- A MECENAS
- NAS ASAS
- VOLTOU
- LEGIÃO URBANA
- RÁDIO BLOG
- FOTOS DO DIA
- ENCHE O TANQUE
- O 001
- ONE COMMENT
- LEGIÃO URBANA
- VENCEMOS!
- (OUTRA) DICA DO DIA
- DICA DO DIA
- ¡PATRIA, SOCIALISMO O MUERTE!
- TV GP
- FOTO DO DIA
- ONE COMMENT
- INTERLAGOS, SÁBADO
- FOTO DO DIA
- FUSCA DO DIA
- HISPÂNICAS (7)
- HISPÂNICAS (6)
- HISPÂNICAS (5)
- HISPÂNICAS (4)
Arquivo da categoria: Gira mondo
MÍSSIL
Acidente entre uma Ferrari e um táxi em Cingapura. As imagens são fortes. Não costumo colocar essas coisas aqui, mas mostra o que é uma porrada em altíssima velocidade. Para entender por que acho que carros desse tipo não podem ficar na mão de qualquer um.
Tags: Cingapura, Ferrari
19 comentários
VOLTOU
SÃO PAULO (o que compraremos?) – Leio que, finalmente, com novos donos, a Gradiente está de volta ao mercado. Por enquanto com poucos produtos: um tablet para crianças e um “toca-tudo” (DVD, Blu-Ray e o escambau a quatro). Gostei desse “toca-tudo”. Sempre tive produtos Gradiente, de TVs a aparelhos de som e até celular, se não me equivoco. Nem todos eram/foram bons, mas por algum motivo curtia a marca. Coisa de consumidor meio bobo, admito. Mas que se explica, talvez, por comerciais como esse aí em cima, que acho bárbaro.
Tags: Gradiente
44 comentários
SAVE THE PLANET
SÃO PAULO (irei antes) – Infelizmente não anotei o nome de quem mandou este vídeo semanas atrás, mas guardei para assisti-lo quando tivesse tempo. É longo, quase uma hora. Mas fundamental para que todos tenhamos uma ideia do que nos espera no futuro. E de como esse futuro foi traçado um século atrás, na Revolução Industrial. Trata, o documentário, de algo conhecido como Obsolescência Planejada. É um conceito autoexplicativo e simples de resumir em poucas palavras. Com o advento dos meios de produção em massa, cada vez mais produtos passaram a ser produzidos em menos tempo, e cada vez mais passou a ser necessário gente para consumi-los. Mas isso jamais funcionaria se os produtos fossem duráveis, tão duráveis a ponto de as pessoas não precisarem comprá-los mais. Sendo assim, o que fazer com a produção cada vez maior e mais rápida? Onde arrumar gente para comprar as coisas, se elas já teriam essas coisas?
A partir do caso de um rapaz em Barcelona que ficou puto quando sua impressora travou e ele descobriu que seria muito mais barato comprar outra do que mandar consertar, os autores do filme voltaram no tempo e chegaram a um sinistro conluio de fabricantes de lâmpadas no início do século passado que concluíram que se seus produtos fossem cada vez melhores — as lâmpadas durassem cada vez mais — estariam dando um tiro no pé. É uma lógica simples de compreender. Àquela altura, Philips, Osram e outras já eram capazes de fabricar lâmpadas que aguentavam 2.500 horas de funcionamento. E os caras decidiram estabelecer um novo limite de vida útil: mil horas e não se fala mais nisso. O acordo, conhecido como Phoebus, previa até multas para os fabricantes que desrespeitassem a norma. Precisavam que as lâmpadas queimassem mais rapidamente, para que as pessoas comprassem, comprassem e comprassem.
O documentário usa para ilustrar como os fabricantes foram filhos da puta o exemplo de uma atração turística da pequena cidade de Livermore, na Califórnia, onde uma lâmpada fabricada em 1901 e instalada no pequeno quartel do Corpo de Bombeiros continua acesa até hoje. Foi pauta de várias reportagens no ano passado, quando a tal lâmpada completou 110 anos de bons serviços.
O exemplo das lâmpadas foi seguido pela indústria em geral, e é assim até hoje. As coisas não podem durar muito, porque se durarem ninguém compra outras coisas e a economia trava. Dê uma olhada em volta. Quantos celulares você comprou nos últimos anos? E laptops? E monitores para seu computador? E TVs? Geladeiras? Máquinas de lavar roupas? Carros? Consumismo desenfreado é o que move o mundo. Não, não é novidade para ninguém. Mas nem sempre a gente pensa nisso.
Só que essa maluquice tem um preço. Os moradores de Agbogloshie, um subúrbio de Acra, capital de Gana, sabem bem qual é. Diariamente chegam ao país toneladas de sucata eletrônica em contêiners, que são jogados num imenso lixão tecnológico. As imagens são impressionantes. Os restos vêm do mundo inteiro. Dos países industrializados e desenvolvidos, descartados por consumidores enlouquecidos de tudo que aparece nos comerciais de TV, nas promoções das grandes lojas, na garagem do vizinho, na baia do colega de trabalho que troca de iPhone e de iPad a cada seis meses, de tudo que sai das esteiras movidas por engrenagens que a gente nem sabe mais onde começam a girar, mas que vão, claro, levar este planeta a um fim inglório.
Um dos entrevistados no vídeo acima defende uma revolução cultural, uma mudança de mentalidade, o “decrescimento”. Serge Latouche é seu nome, um filósofo e economista francês. Latouche prega um freio na loucura da superprodução, do superconsumo. “Liberar o tempo para desenvolver outras formas de riqueza, como a amizade e o conhecimento. Se a felicidade dependesse do nível de consumo, deveríamos ser absolutamente felizes”, ele diz.
Somos?
Latouche vai além, contrapondo o argumento de que tal revolução brecaria a economia e nos levaria de volta aos tempos do Homem de Neandertal. Decrescer, reduzir, não significaria voltar à Idade da Pedra. Usando a França como parâmetro, ele diz que viver numa terra razoavelmente sustentável, que produz mais ou menos o que é necessário para que as pessoas vivam bem e não gera toneladas de resíduos cujo destino, cedo ou tarde, será destruir o planeta, seria como viver naquilo que era seu país nos anos 60.
Os anos 60. Não por acaso, depois deles quase não se fez nada que preste no mundo nas artes, na música, na literatura, no design, na arquitetura, no cinema, na política… Passamos a nos preocupar com irrelevâncias, apenas. Somos um planetinha cada vez mais irrelevante.
:-(
SÃO PAULO – Para quê palavras, não é mesmo? Vamos rir.
Ou chorar, chorar de rir.
Chico começou a fazer rir em 1947. A Segunda Guerra tinha terminado dois anos antes. É portanto, parte da vida de todos que estamos vivos. Todos. Mesmo os mais novos, que hoje dão risadas menos nobres e sutis com um humor que não é nem uma coisa, nem outra. Que é fácil, e por isso pobre e bobo, desnecessário e irrelevante.
Seus mais de 200 personagens moldaram a personalidade do Brasil, mais, até, do que reproduzi-la. Quando não nos víamos imediatamente em Chico City ou na Escolinha, descobríamos em pouco tempo que éramos nós, sim, ali. Num país que tem muitas caras, ele foi o único que conseguiu interpretar todas. Todos os macunaímas que somos.
Chico fumou, bebeu, cheirou, trepou, brigou, gritou, agonizou, voltou, criou. Criou o tempo todo com uma genialidade incomum. O Brasil, que todos achamos espetacular e genial, não produziu grandes gênios universais, não. Um ou outro, e Chico está nessa meia-dúzia. “Não posso consertar nada, mas tenho obrigação de denunciar tudo.” Fez isso a vida inteira, da maneira que mais irrita os medíocres: rindo deles.
Chico não foi herói, nem anti-herói. Nunca quis ser exemplo de nada, nunca veio a público com discursos panfletários para defender isso, ou aquilo. Passou a vida cuidando da felicidade dos outros, e pode haver uma existência mais essencial do que essa?
Quando olhamos para todos os Chicos que Chico foi, sentimo-nos todos Chicos. Todos fomos ou somos Salomé, Bozó, Bento Carneiro, Pantaleão, Alberto Roberto, Coalhada, Washington, Urubulino, Véio Zuza, Roberval Taylor, Professor Raimundo, Nazareno, Justo Veríssimo, Nicanor, Linguinha, Painho, e fomos também seus alunos na Escolinha, todos eles, todos somos um pouco de Chico, mas só ele foi capaz de ser todos nós.
Somos todos filhos de Francisco, e por isso estamos tristes hoje.
Tags: Chico Anysio
60 comentários
NAS FÉRIAS
PUNTA DEL ESTE (atrás de carrinhos) – Sumiço estratégico, mas como nas férias, mesmo nas minhas, coisas ainda acontecem, alguns pequenos registros.
- Kubica escorregou no gelo e quebrou a perna. Segundo as informações disponíveis, no mesmo lugar de uma das fraturas do acidente de um ano atrás. Kubica não voltará mais a correr, infelizmente. Que cuide de se recuperar para ter uma vida normal, fazendo o que bem entender.
- Buemi foi a segunda opção para reserva da Red Bull, segundo Newey. Alguersuari era o preferido e foi chamado. Não aceitou.
- Os Marques, li no UOL, estão querendo lançar uma nova categoria de carros tubulares com carroceria de fibra. Pela foto que vi, são os Super Mégane de alguns anos atrás que nunca saíram do papel. Estão querendo desovar carros feitos há séculos, pelo jeito, repaginados com um nome qualquer. Os Marques são os de Curitiba, Tarso, Thiago e Paulo de Tarso. Tarso é aquele que correu dopado e hoje participa de um reality show. Thiago ainda corre. O pai é o que tinha uma equipe de Stock cujo caminhão pegou fogo algum tempo atrás na volta a Curitiba, queimando tudo. Hoje, vive em Miami. Não vai dar certo, evidentemente.
- A França vai mesmo voltar ao calendário da F-1, ótima notícia. Mas para revezar com Spa, péssima notícia. Não tenho mais saco para falar mal de dirigentes. Que se danem.
- Interlagos publicou sua nova tabela de preços. Na verdade, quem determinou os valores foi a SPTuris, que administra o autódromo. Vai acabar com o automobilismo e desconfio que o digníssimo prefeito gostaria de lotear a área, como está fazendo com a Cracolândia, higienizada com mangueiras que lavam ruas e calçadas. Não vou me meter, não por enquanto, a falar muito da Cracolândia. Kassab é o pior prefeito da história de São Paulo e o que (não) faz em relação aos dependentes de crack, em qualquer país sério, resultaria em impeachment e cadeia — para ele, para o governador, para os secretários das áreas correlatas. É um cômico, o prefeito, uma figura patética, ridícula, com inclinações de cunho semelhante às de figuras tristemente históricas no sentido de eliminar o que considera um problema com uma particularíssima “solução final”. Derruba tudo, passa o trator, expulsa essa gente! E a população de SP, pelo que li daqui, a distância, parece que aprova maciçamente. Realmente, SP não é mais um lugar para se viver, não enquanto tem essa gente solta por aí. E quando falo em “essa gente”, falo do prefeito, dos que nele votam, dos que apoiam essa política higienista desprovida de qualquer caráter social, de preocupação com saúde pública, de preocupação com as pessoas, com a vida humana. SP é insuportável, e não é por causa dos crackeiros. No que diz respeito a Interlagos, há absurdos evidentes na nova tabela de preços, como cobrar 5 mil reais por dia de estacionamento de quem promove eventos — como, por exemplo, o secretíssimo Campeonato Paulista. Mas é interessante o impasse. Agora, os promotores de corridas e campeonatos (FASP, clubes, empresas como Vicar etc) terão de se preocupar com algo trabalhoso: fazer esporte, promover, divulgar, fomentar, organizar, e não apenas contar dinheiro fácil, já que os valores pagos a Interlagos eram irrisórios. Como nos últimos dez anos só se fez isso, contar dinheiro fácil de inscrições e carteirinhas (quase tudo sem recibo), formou-se uma massa de pilotos em SP que não vive de pilotar e que nunca exigiu muita coisa dos organizadores e promotores e dirigentes. Se as corridas acabarem, esses pilotos amadores (caras como eu) perderão um hobby. Paciência. Mas quem vive disso (escolinhas, equipes de resgate, preparadores e, basicamente, os sanguessugas de federações e clubes) terão sérios problemas para sobreviver. Que se virem. Agora, é evidente que essa gente (de novo “essa gente”) que está à frente da SPTuris — e do autódromo, que é da Prefeitura — não tem a menor noção de nada. Autoritários, intransigentes, dão uma canetada, inventam uns preços astronômicos e ligam o “foda-se”. Ah, é claro que para alguns eventos, como festas religiosas e F-1, ninguém precisa se preocupar muito com tabela de preços. Há tabelas de isenções, também.
E vou para a praia, tem algumas boas por aqui.
Tags: Alguersuari, Buemi, cracolândia, Interlagos, Kassab, Kubica
127 comentários
BUS STOP
SÃO PAULO (paraíso) – Um dia depois do anúncio da morte do líder Kim Jong-Il, uma pequena homenagem sobre rodas a um dos últimos bastiões socialistas do planeta. Este álbum tem fotos de carros, ônibus, caminhões e tratores norte-coreanos, desconhecidos do resto do universo. Escolhi, para ilustrar, esse trólebus Pégasus do início dos anos 70 lindíssimo.
Sobre a Coreia do Norte, é sabido, para quem tem mais de dois neurônios funcionando, que é o país que mais sofreu e sofre com as mentiras da propaganda ocidental em todos os tempos. São 60 anos de ataques. Normal a retração, fechar-se como um caramujo. É incrível como a imprensa, inclusive a nossa, fala com propriedade sobre uma nação onde ninguém quase nunca põe os pés. Chamam Jong-Il de todos os nomes possíveis (porque era baixinho, usava sapatos altos e óculos escuros, um curioso senso de julgamento estético; Berlusconi, com seus ternos bem cortados, é tratado apenas como um rufião inofensivo…) sem informação alguma, já que ninguém sequer entende o que ele fala para dizer alguma coisa.
Eu também não coloquei meus pés lá, por isso não digo muito. Mas vejo e leio o que posso e tenho algum senso crítico, ainda. O sofrimento do povo norte-coreano ao anúncio da morte de seu líder deveria indicar alguma coisa aos leitores de “Veja” e similares que vão aparecer aqui em 5, 4, 3…
Vão dizer que é propaganda oficial e tal. OK. Aí eu recebo dezenas de vídeos por dia, desde a Copa, com gente gracejando sobre a cobertura que a TV estatal deu ao Mundial da África do Sul, e que o governo disse ao povo que a Coreia tinha derrotado o Brasil. Legal, muito engraçado. Alguém entende coreano para fazer uma tradução fiel? Alguém viu esses vídeos de verdade ou se baseia nas coisas postadas no YouTube com legendas como aquelas brincadeiras que fazem com um vídeo do filme sobre Hitler? No quê essa disseminação de mentiras para milhões, bilhões, é diferente do que chamam de “propaganda oficial”? Por que acreditam nessas bobagens e não acreditam, por exemplo, no vídeo abaixo? Ah, porque é propaganda oficial. OK.
O que acontece, na verdade, é que as pessoas não aceitam as diferenças. A Coreia do Norte é diferente. As pessoas têm outros interesses, necessidades e ambições. Deste lado do mundo, todos ficam chocados com os desfiles militares nas ruas de Pyongyang, mas ninguém se assusta com os trilhões de dólares que os EUA gastaram nos últimos dez anos para invadir e subjugar o Iraque. Chocam-se com filas para comprar, sei lá, arroz, mas acham o máximo as filas para comprar o último modelo do iPhone. Espantam-se com o culto à personalidade do “ditador de cabelos espetados” retratado em estátuas e esculturas (era assim no Leste Europeu, também), mas não com o culto a, sei lá, Jesus Cristo — a imagem do Cristo Redentor não espanta ninguém, ao contrário, e quantas atrocidades já foram cometidas no mundo em nome deste e de outros deuses? Qual a diferença entre o culto a um líder político vivo e a um líder religioso morto? Não servem, ambos, aos mesmos propósitos?
Por essas e outras, talvez, as pessoas não entenderão nunca o choro de Jong Tae-Se quando tocou o hino de seu país antes do jogo com a seleção do Dunga em Jo’Burg. Algumas coisas, para os ocidentais, são aceitáveis. Outras, não. O povo norte-coreano vive do jeito que está habituado a viver por conta de algo que não criou, a divisão de seu país em dois. É preciso entender que não deve ser fácil um país pequeno optar por um sistema político sendo bombardeado dia e noite por aquilo que o Ocidente acha que é melhor.
Não nos esqueçamos que a divisão da Coreia foi consequência direta de uma guerra que os coreanos não causaram, bem longe dali, na Europa. Acabou a Segunda Guerra, americanos e soviéticos expulsaram de lá os inimigos japoneses, que haviam ocupado a península, e resolveram dividir o país em dois. Cada um, então, decidiu fazer de sua metade o que quis. E aquela terra distante virou palco de experiências e, aí sim, propaganda de lado a lado. Em 1950 explodiu a Guerra da Coreia e o mundo esteve perto de acabar — o conflito, em certa medida, foi bem pior que o do Vietnã, até pela proximidade com a Segunda Guerra e pela necessidade das duas potências de demonstrarem força. Mais de três milhões de coreanos morreram por causa da brincadeira da Guerra Fria. Centenas de milhares de famílias foram separadas por uma fronteira fictícia. Quando acabou, queriam o quê? Sorrisos? Os norte-coreanos se fecharam. Os sul-coreanos se abriram. A única coisa aceitável, do ponto de vista humanitário, seria hoje uma reunificação. Mas como fazer, como curar as feridas, como promover a paz depois de tanta crueldade?
E assim a Coreia do Norte tomou seu caminho, e ele diz respeito somente aos norte-coreanos. É bom? É ruim? Não cabe a nós, que não conhecemos nada, julgar. E, sinceramente, duvido que Pyongyang seja pior do que a Cracolândia, por exemplo. O fato de a economia da Coreia do Sul ser 36 vezes maior que a de seus vizinhos do norte não deveria ser motivo para júbilo, e sim de tristeza e vergonha. Como se chegou a esse ponto? É culpa exclusiva do baixinho de sapatos altos e óculos escuros?
Ah, escrevi muito, dane-se. Cada um acredita no que quer.
LUIZ VICENTE
SÃO PAULO – Estou com um e-mail dele na caixa postal para responder. Acaba assim: Qualquer dificuldade avise que nóis resorve tudo.
Mandou terça-feira passada, faz parte do nosso trabalho de fim de ano de todos os anos, e neste ano estou cumprindo os prazos, e ele falou que eu iria ganhar o prêmio de funcionário do mês, porque está tudo meio encavalado e minha parte nesse trabalho é volumosa, quanto mais eu adiantar as coisas, melhor, e neste ano consegui adiantar as coisas.
Pois bem. O Luiz Vicente morreu. Caiu da bicicleta, bateu a cabeça na guia, acabou.
A gente corria de kart. Eu parei há alguns anos, mas a turma do kart continuou, a dos jornalistas metidos a pilotos. O Luiz Vicente, no começo, costumava parar na metade da corrida porque ficava enjoado. Um dia falamos para ele parar de comer antes de correr e ele parou de ficar enjoado. Fez algumas poles e ganhou algumas corridas. Guiava bem, o desgraçado.
Ontem caiu da bicicleta, bateu a cabeça na guia, acabou. A mulher viu tudo, estava de carro acompanhando o Luiz Vicente, voltavam ou iam para o parque, não sei direito, morreu nos seus braços.
Há um enorme sadismo em quem determina o destino de cada um neste planeta. Para alguém como eu que não acredita em nada, é nessas horas que deveria ter raiva de algo em que não acredito, mas nem isso consigo sentir. Não consigo ter raiva de quem não acredito que exista.
Não sei para quem devo responder o e-mail da semana passada.
LÁ E CÁ
SÃO PAULO (é preciso) – E este foi o Ricardo Botto que mandou. Uma compilação de campanhas da TAC australiana (Transport Accident Commision) que, nos últimos anos, ajudaram a reduzir drasticamente as mortes no trânsito no país.
Agora vejam este aí embaixo, que está circulando alegremente (o vídeo) no YouTube e (o cretino) nas estradas — neste caso, a Imigrantes.
Alguns anos atrás postei aqui algo parecido, pior, eu diria, de um cara num Porsche amarelo. Cheguei a levar o caso adiante, escrevendo para Ministério Público, comando da Polícia Rodoviária e tudo mais. Não deu em absolutamente nada. Alguns dias mais tarde encontrei o Porsche, por uma enorme coincidência, estacionado ao lado do meu Lada onde guardo uns carros.
No caso desse moleque aí em cima, temos: rosto do meliante, crime gravado, autor do vídeo facilmente localizável, escárnio total. Vai dar no quê? Nada.
Tags: Austrália, Imigrantes, TAC
130 comentários
3.274.209.265°
SÃO PAULO (saco triplo) – Para fechar este dia atribulado, nada como saber que quando nasci eu era o 3.274.209.265° habitante deste planeta, que está prestes a atingir a casa de 7 bilhões de almas viventes. E que antes de mim 77.133.714.739 terráqueos já haviam passado por este mundinho de deuses.
Se você quiser saber onde se encontra na história global, é só clicar aqui.
Tags: Terra
Deixar um comentário
KADAFI LDO
SÃO PAULO (vaza, filhote) - Não vou me estender aqui sobre a morte de Kadafi. O mundo não vai sentir muita falta, menos ainda os líbios. Que, no entanto, devem abrir o olho. As potências ocidentais acham o petróleo líbio lindo e perfumado. E devem imaginar que será barato, a partir de agora. Que o país tome seu rumo. Por conta própria. E não abra as pernas e os poços para os tubarões. Apesar de ter sido um ditador sanguinário, patético e ridículo, Kadafi fez da Líbia um país rico. Seu povo, agora, que desfrute da riqueza.
Geopolítica à parte, parece que o cara queria fazer um carro no país. Esse aí embaixo. Não sei que fim levou esse projeto. Mas o carro, se ainda existir, deve valer uma nota. E merece um lugar num bom museu.
Tags: Kadafi, Líbia
47 comentários
AMPELMANN, 50
SÃO PAULO (sobreviveremos) – O Ampelmann faz 50 anos hoje. No dia 13 de outubro de 1961, o psicólogo de trânsito (!) Karl Peglau aprovou junto ao governo da DDR o bonequinho que virou símbolo de Berlim Oriental. Foi adotado como padrão nos semáforos para pedestres do país e quase desapareceu com a unificação das Alemanhas. Aí, em 1994, um cara batalhou pela sua manutenção, criou uma campanha que teve enorme adesão popular e conseguiu que as autoridades alemãs voltassem atrás na ideia de trocar os sinais luminosos pelo padrão usado no lado ocidental e no resto da Europa.
O bonequinho de chapéu, que tem toda uma lógica alemã por trás, altivo, decidido, virou cult, foi parar em uma enorme linha de produtos, ganhou lojas e fãs.
Eu sou fã do Ampelmann e estou a fim de tatuar os dois, o verde e o vermelho. Na verdade, estou a fim é de morar em Berlim. E não vai demorar muito. Ninguém aguenta mais SP. Eu, pelo menos, não aguento.
Tags: Ampelmann, DDR
17 comentários
PAZ NO DESERTO
SÃO PAULO (sempre é tempo) – Sou um completo desinformado sobre quase tudo. Hoje um amigo me mandou algumas fotos do Burning Man Festival. Nunca tinha ouvido falar. Ou, se tinha, esqueci. E, se esqueci, isso só prova que me importo cada vez mais com coisas sem importância.
Num deserto em Nevada, todos os anos, 50 mil pessoas se reúnem. “Se reúnem para…?”, hão de perguntar. Para nada. Se reúnem. Vêm de todos os cantos do mundo. Ficam uma semana ao relento. Nus, vestidos, fazendo arte, meditando, não importa. Velhos, crianças, jovens, adultos, homens, mulheres, gays, negros, brancos, amarelos, vermelhos.
Carros “mutantes” chegam aos montes. Como esse aí da foto. Escolhida só porque é um carro e este blog é meio automotivo, afinal. Mas os carros são apenas um detalhe, não têm maior relevância. O “Boston Globe” tem este mega-álbum de fotos maravilhosas do evento deste ano, que comemorou o 25º aniversário do festival.
Se é preciso ir para o deserto para encontrar um pouco de paz, que se vá ao deserto. Mais uma na listas de coisas a fazer nesta vida. Lista cada vez maior, mas que tem cada vez menos coisas verdadeiramente essenciais. Esse deserto me parece ser uma delas.
ATUALIZANDO…
A querida Marion Strecker, minha ex-colega de “Folha” que está morando em San Francisco, foi ao Burning Man neste ano. A excelente série de reportagens está aqui. Feliz coincidência eu ficar sabendo desse negócio meio por acaso e descobrir textos recentíssimos de alguém como a Marion. Buscando conhecimento.
RÁDIO BLOG
SÃO PAULO (haja) - Emmanuel Kelly é um garoto iraquiano de idade não definida. Ele e seu irmão foram abandonados numa caixa de sapato quando bebês. Nasceram com má-formações genéticas, provavelmente como consequência de guerra química. Foram adotados por uma família australiana. Kelly participou, e pelo que entendi foi muito bem, do X-Factor na Austrália, um desses programas de calouros. Rafael Prete mandou o vídeo.
Sem mais.
Tags: Emmanuel Kelly
15 comentários
NINE-ELEVEN (2)
SÃO PAULO – Os ataques de 11 de setembro aconteceram numa terça-feira. Na quarta, embarquei para Milão para cobrir o GP da Itália em Monza. Claro que o clima era de comoção e tal. A Ferrari correu sem inscrições de patrocinadores e com o bico preto em sinal de luto. Depois da prova, Schumacher contou a um amigo que não iria ao pódio de jeito nenhum naquele fim de semana. Terminou em quarto.
No dia 14, sexta, escrevi a coluna abaixo. Devo ter voltado ao assunto alguns dias depois, porque a corrida seguinte era nos EUA. E, lá, dá para imaginar como estava o ambiente. De novo, não é nenhuma pensata, nada de muito profundo. É apenas um breve registro de como a F-1 encarou aqueles dias estranhos e trágicos.
SILÊNCIO INÚTIL
Daqui a alguns anos, até o fim de nossas vidas, todos teremos alguma história para contar sobre o 11 de setembro de 2001. Aqueles que têm amigos nos EUA, aqueles que acompanharam tudo pela TV ao vivo sem acreditar no que viam, aqueles que doaram sangue para as vítimas, os que mandaram dinheiro pela internet, os que participaram das correntes para a localização de pessoas desaparecidas em Nova York ou Washington.
Nos EUA, como primeira determinação a uma população desorientada e assustada, o presidente mandou todo mundo ir rezar na sexta-feira. Politicamente corretíssimo, conclamou seu povo a se dirigir a igrejas, sinagogas e mesquitas. O que significa que, daqui a alguns anos, quase todas as pessoas nos EUA poderão acrescentar a seus currículos “rezei na igreja presbiteriana tal três dias depois da explosão do World Trade Center”, ao lado de “fiz quatro home-runs nas quartas-de-final da liga amadora de beisebol de Nebraska”. Americanos gostam dessas coisas, se sentem participantes e ativos e importantes ao registrar para a posteridade qualquer porcaria sem importância que tenham feito na vida.
Exceto pela vigília televisiva de terça-feira, terei pouco a contar aos que por ventura estiverem dispostos a me ouvir um dia. Minha participação global nos episódios desta semana limitou-se a respeitar um minuto de silêncio ontem em Monza, e quase não consegui. Quando faltavam 20 segundos para o meio-dia, estava fazendo um boletim ao vivo para a rádio que por muito pouco não maculou o momento. Seria um pária se o fizesse, a julgar pelos olhares que me foram dirigidos por colegas estrangeiros.
Ter respeitado um minuto de silêncio em Monza não chega a ser nenhuma façanha. Percebi, sim, o peso desse silêncio no autódromo, sítio normalmente muito barulhento. Notei algumas expressões de verdadeira consternação, como procurei, igualmente, compreender e enxergar alguma sinceridade na decisão da Ferrari de pintar o bico de seus carros de preto e eliminar de suas máquinas as inscrições de patrocinadores, deixando apenas o vermelho visível. Mas foi só. Nenhuma emoção arrebatadora tomou conta de mim, um insensível.
Numa metáfora besta, eu poderia aqui dizer que esse vermelho é o vermelho do sangue que os EUA ocultam do mundo, negando-se a mostrar e a contar seus mortos. Não sei se é proposital, censura ou auto-censura, talvez uma forma de não chocar ainda mais um país de gente puritana em sua maioria, que ainda vive sob uma certa aura de inocência, inocência que já acabou faz tempo. Mas resisto à tentação de ligar o vermelho de um carro ao sangue das vítimas.Em português muito claro, seria uma babaquice sem tamanho.
Pensei em “Silêncio dos inocentes” como título para esta coluna, outra analogia boba, para aproveitar o nome de um filme. Seríamos todos nós, os que mantiveram silêncio por um minuto nesta tarde de sexta-feira na Europa, os inocentes a quem terroristas sanguinários atacaram e mutilaram. Mas, por mais que me esforce, não consigo me sentir inocente em momento algum.
A culpa está estampada no rosto de cada ser humano deste planeta, exceto no das crianças que não têm a menor idéia da roubada em que se meteram ao nascer. Olho no espelho e enxergo mais um culpado. Meu minuto de silêncio em Monza não serviu para coisa nenhuma.
Tags: 11 de setembro, Ferrari, Monza, Schumacher
51 comentários
ITÁLIA X ALEMANHA
SÃO PAULO (vai, Lusa!) - Para fechar o dia bloguístico, esta divertidíssima animação sobre as diferenças entre italianos e alemães. Foi o Felipe Passos que mandou, pelo Twitter.
Tags: Alemanha, Itália
31 comentários







ANOTHER COMMENT
Espero que não acabem com isso. O resto a gente se vira.