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Perfil
Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo na FAAP. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. Desde 2005 é comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março deste ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2007 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de "Meianov".
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GIRA MONDO, GIRA
SÃO PAULO (e como gira…) – Morreu Paulo Vanzolini. Sobre ele escreveu tudo que tinha de ser escrito o Kiko Nogueira, aqui. Ou quase. Acrescentaria, apenas para dar um toque pessoal à coisa, que o professor Vanzolini foi uma das pessoas com quem mais conversei nos tempos em que era repórter de ciência nas rádios Cultura e USP e, depois, na “Folha”. Nunca falamos de música. Ele se considerava um amador no assunto. Era, sim, um cientista. Puro. Uma vez ele implicou que eu sempre o chamava de “professor”. “Mas vou chamar de quê?”, perguntei. “De zoólogo.” Argumentei que numa conversa entre duas pessoas é impossível se dirigir a alguém usando “zoólogo”. “Zoólogo, me fale sobre a diversidade de espécies de sapos na Amazônia.” Não dá.
Continuei chamando de professor.
Morreu também o Sérgio, da Ju-Jovem. Aos 61 anos, jovem demais. Torcedor histórico do querido Juventus, deixa a cidade mais vazia e triste.
Como triste demais está ficando o futebol brasileiro. Sábado inauguraram um estádio construído onde ficava o Maracanã. O mestre-de-cerimônias da entrega daquilo que um dia foi um dos maiores símbolos do Rio foi o carioca de Higienópolis Luciano Huck, usando uma camisa com o logotipo de seu programa e de um quadro em que ele reforma casas de gente miserável que escreve cartas para conseguir umas latas de tinta e uns móveis fajutos.
Gastou-se 1 bilhão de dinheiro público para destruir o Maracanã e fazer outro estádio, e seu primeiro papel foi de cenário para o programa do Luciano Huck, que nunca deve ter entrado no Maraca para ver um jogo na vida. Como o Lúcio de Castro, da ESPN Brasil, também vivi o Maracanã e jamais, jamais vou esquecer o que senti na primeira vez em que passei pelo túnel de acesso à arquibancada e me dei com aquela imensidão.
Isso nunca mais vai acontecer com ninguém. Fizeram um estádio que simplesmente eliminou a mais doce característica do velho Maraca: sua alma, um palco de todos e para todos. Esse estádio novo não é mais o Maracanã, lamento. É uma arena, como gostam de dizer agora, feita no lugar onde ele ficava.
Adeus, Maraca.
Aí, ontem, chovem caxirolas na Fonte Nova. Uma bobagem inventada pelos organizadores da Copa que no fundo não passa de um grande negócio de 3 bilhões de reais que querem nos enfiar goela abaixo como símbolo da felicidade e da musicalidade do povo brasileiro. Bobagem aprovada pelo governo, encampada pela presidenta, que não entende picas de futebol, pelo ministro do Esporte, um deslumbrado, e, claro, pela Globo. Afinal, quem criou essa coisa patética foi um cara contratado da emissora, Carlinhos Brown, que participa de um programa de calouros.
Globo que ficou indignada, oh!, com a chuva de caxirolas. E através de seu apresentador no “Fantástico” deu uma bronca no público, como se o ameaçasse com umas palmadinhas, porque as pessoas desrespeitaram as caxirolas. Como pode? Nã-nã-nã-nã-não. Feios. Comportem-se, meninos!
Agora a Globo quer ensinar as pessoas a torcer e determinar como elas devem se comportar num estádio de futebol. É demais pra mim. A revolta das caxirolas foi uma ótima resposta a essa babaquização que está tomando conta do futebol, ainda que motivada pela raiva da torcida do Bahia com seu time, e não com as caxirolas propriamente ditas. Não acho que se deva jogar nada dentro de um campo de futebol. Pode machucar alguém e atrapalha o jogo. Mas adorei ver a chuva de caxirolas. Foi um ato de resistência, mesmo que simbólico.
Todo desprezo do mundo às caxirolas, ao tatu Fuleco, à bola Cafusa, a essa mercantilização de uma paixão que foi trazido ao Brasil por uma elite europeia e que acabou sendo apropriada pelo povo deste país.
Enfiem no rabo as caxirolas. Deixem-nos em paz.
CAIU, LEVANTA (2)
SÃO PAULO (that’s life) – Combinamos tudo um dia antes. O amigo precisou mudar a escala de trabalho, os meninos prepararam o material da escola do dia seguinte porque voltaríamos tarde e eles iriam, claro, dormir no carro, a amiga teve de arrumar outra carona e se virou, e às cinco da tarde estávamos mergulhados no trânsito da cidade para chegar à estrada, proa Capivari, nossa Yokohama, nosso Camp Nou, nossa Allianz Arena da vez.
(Parece que também tinha jogo de uma certa seleção mais ou menos no mesmo horário. Mas, sinceramente, não nos dizia respeito.)
Perdemos a entrada da estrada certa, pegamos outra, mas a direção era a mesma, todos os caminhos levam a Capivari. Trânsito pesado, alguma tensão pelo horário, fome aumentando, saímos da estrada maior para pegar a menor, Rodovia do Açúcar, disse o amigo, é por aqui mesmo.
Capivari, 22 km.
Não deve ser muito grande, a gente acha o estádio pela luz dos refletores, dito e feito, olha a luz lá. Entramos na cidade, proa Luz dos Refletores, praça, coreto, moço, onde fica o estádio? Vira às esquerda, depois às esquerda de novo, segundo farol às esquerda, vai em frente que chega, e chegamos. Moço, onde compra ingresso? Vira aqui às esquerda, depois às direita, tem um estacionamento no meio da rua, para o carro lá, às direita fica a bilheteria, bom jogo.
Entramos com cinco minutos de bola, e uma hora e meia depois estávamos de volta. Lembraremos desse jogo para toda a eternidade por dois eventos épicos: o anúncio do locutor do estádio solicitando a presença do dono do Palio placas FFO-9634 porque o carro estava com os vidros abertos; e a valente torcida local zangada com impedimento inexistente que valeu à linda e graciosa bandeirinha dos shorts curtos e do longo rabo-de-cavalo negro o coro de biscate, biscate.
Vidros abertos e biscate. Lembraremos desse jogo por causa desses vidros abertos e do coro de biscate, e também pelo filé à parmegiana com arroz e batata frita na cantina atrás da praça do coreto que dividimos em quatro, serve bem todo mundo, e nem pagamos porque o conhecido da outra mesa se lembrou de um jogo em Recife anos atrás, uma camaradagem qualquer, e nos ofereceu o jantar.
Uma foto, duas fotos, bate outra pra garantir, vamos para a estrada de novo, os meninos se ajeitam nas duas almofadas amarelas que lembrei de pegar porque é claro que capotariam na volta, a lua linda, a estrada agora vazia, passamos pelo ônibus do time, entramos na grande cidade já adormecida na madrugada fria, fim de mais um capítulo.
Voltamos, porque é assim mesmo: caiu, levanta, lembram?
Estamos de pé de novo e a vida segue, como sempre.
Tags: Portuguesa
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DENER
SÃO PAULO (todos os anos, sim) – Amanhã, dia 19, faz 19 anos da morte de Dener. Da qual eu soube quando desci do avião vindo do Japão, onde estava cobrindo o GP do Pacífico em Aida. Dias depois, pela primeira (e provavelmente única) vez minha coluna Warm Up na “Folha” foi dedicada ao futebol. Está aqui.
Claro que vão aparecer alguns chatos aqui para dizer “você não escreveu nada no aniversário do Ayrton, e nem vai escrever nada nos 19 anos da morte dele, por que lembrar do Dener?”, ao que responderei que Dener era um gênio, maior que Senna e que todos os outros mortais.
Dener era o maior de todos em tudo.
Tags: Dener
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FOTO DO DIA
Enviada pelo Eduardo Vieira. O Juventus caiu para a A3, mas não faz mal. Quando eu for presidente do mundo, vou tombar o clube e a Javari. E o Juventus será imediatamente promovido à Série A1, sendo proibido de cair por estatuto.
Tags: Caravan, Juventus
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BUS STOP
Morram de inveja. Chegou terça-feira. Quem mandou a foto foi meu amigo Rogério Gonçalves, trocador numa van que faz Bangu-Realengo.
Tags: MAN, Portuguesa
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ONE COMMENT
For preciso que Rivellino disputasse um jogo por um time grande de verdade para aprender a fazer gol de pé direito. Meu amigo Emerson Figueiredo mandou o vídeo, admitindo: “O Corinthians não tinha campo para treinar”.
Tags: Portuguesa, Rivellino
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MOTORSPORT IS DANGEROUS
SÃO PAULO (não cola…) – Depois do acidente gravíssimo de ontem em Daytona, no final da prova da Nation, meu e-mail foi invadido por corintianos que não se conformam com minha defesa inconteste da punição ao coletivo, e não apenas ao indivíduo que disparou o sinalizador e assassinou Kevin Espada em Oruru. O argumento, quase sempre confuso, é: “Olha aí, mano, o acidente na corrida matou uma pessoa. Vão fazer o quê agora, mano, proibir todas as corridas ou fazer corridas com portões fechados?”
Até onde eu sei, não morreu ninguém, felizmente. Há feridos, muitos. Foi uma panca e tanto.
E é claro que não recebi nenhum e-mail exatamente assim, é apenas um resuminho do teor da maioria das mensagens. Ninguém desses que me escreveram saberia colocar o circunflexo no lugar certo e alguns escreveram “fechado” com x. Isso não importa, de qualquer maneira. É indigência moral e intelectual comparar as duas coisas. Ninguém foi ao autódromo em Daytona com a intenção de atirar um pneu nos torcedores, ou arremessar um motor pelo alambrado. Ao contrário dos “12 de Oruro” e seus colegas, que como tantos outros lá estavam para fazer esse tipo de cagada deliberadamente.
(A propósito, aqui cabe uma pequena observação que gostaria de deixar um pouco mais em evidência do que apenas registrada na resposta a um comentário no post sobre a tragédia com o menino boliviano. Tenho recebido, e lido e ouvido igualmente, mensagens de gente que diz, resumidamente, o seguinte: “Não se pode punir uma nação de 20 milhões de corintianos por causa de apenas um criminoso”. É o discurso, inclusive, mais usado por jornalistas que querem “ficar bem com a Fiel”. Morrem de medo de irritar a Fiel. A esses, digo o seguinte: a punição, tirar o público dos jogos do Corinthians, quando muito vai afetar os 30 mil que vão ao Pacaembu a cada partida. Os demais 19.970.000 corintianos não serão afetados pela punição, eles assistem aos jogos em casa pela TV, ou escutam pelo rádio, porque ou moram longe, ou não têm dinheiro para o ingresso, ou precisam acordar muito cedo no dia seguinte. Assim, não me venham com esse papo de que estão “punindo uma nação de 20 milhões de loucos”. Estão punindo os caras que vão aos jogos, boa parte desses com claras propensões a fazer o mesmo que fizeram com Kevin, o que reduz ainda mais o número de afetados pela medida. Vamos parar de demagogia.)
Quando se vai a um evento automobilístico, para trabalhar ou assistir, há uma inscrição nos ingressos e nas credenciais que não deixa muitas dúvidas para quem os porta: “Motorsport is dangerous”.
Futebol não é para ser “dangerous”. Se é, que os dirigentes e as autoridades assumam sua incompetência e mandem imprimir nos ingressos: “Cuidado. Futebol é perigoso. Se você for atingido por um morteiro no olho, despencar da arquibancada ou levar uma cacetada de um policial, reclame com o papa. Assim que tivermos um novo”.
Tags: Daytona, Nascar, Nationwide, Oruro
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GIRA MONDO, GIRA
SÃO PAULO (deu tudo errado) – O garoto Kevin tinha 14 anos, gostava de futebol, torcia para o San José, foi ao jogo e voltou num caixão.
De todo o amontoado de bobagens que escreverei a seguir, nada é mais pesado do que isso e nada tem a menor importância diante da dor que a família do menino está sentindo.
Nada do que foi dito ou será vai mudar essa situação. Ele morreu, não existe mais.
Ouço e leio aqui e ali a palavra “fatalidade”. Não foi, óbvio. Tudo que pode ser previsto ou evitado não entra na categoria de “fatalidades”. Se um meteorito despencasse dos céus de Oruro e atingisse Kevin na cabeça, aí sim seria uma fatalidade. Se um escorpião venenoso se esgueirasse por dentro do tênis de Kevin debaixo da cama e o picasse mortalmente, seria uma fatalidade. Se Kevin estivesse comendo um chicharrón de cerdo e engasgasse com um grão de milho, perdesse a respiração e morresse na mesa de um restaurante, seria uma fatalidade.
Um morteiro disparado de dentro de um estádio de futebol não é uma fatalidade. É uma estupidez.
Eu divirjo da maioria, senão da totalidade, de meus colegas que recusam a tese da generalização para tentar conter a repetição dessas tragédias. “Não se pode generalizar” é a primeira coisa que ouço quando acontece qualquer coisa que envolva uma torcida de um time de futebol, seja ele qual for. Discordo. Acho que é absolutamente necessário generalizar quando o coletivo é bem maior e mais difícil de controlar do que o individual.
Desta forma, a culpa é, sim, da torcida do Corinthians. E é ela que tem de ser controlada, necessidade maior, a esta altura, do que identificar o infeliz que disparou o rojão que matou Kevin. E é punindo o coletivo, o Corinthians, que, quem sabe, assassinatos semelhantes possam ser evitados no futuro.
Calma, não é necessário ter nenhum ataque histérico diante da frase que abre o parágrafo acima. O que proponho para reflexão a seguir é quase um raciocínio estatístico, e lamento se alguém achar que estou partindo para uma discussão clubística.
Para desfazer tal impressão, vou usar como contra-exemplo (coloquei e tirei o hífen disso aí dez vezes; ficou melhor com) meu time e minha torcida, a Portuguesa. Partamos de dois números arredondados, mas não necessariamente chutados, uma vez que se baseiam em pesquisas recentes. Arredondados para facilitar a compreensão.
O Corinthians tem 20 milhões de torcedores no Brasil. A Portuguesa, 200 mil. A proporção, pois, é facílima de calcular. O Corinthians tem 100 vezes mais torcedores que a Portuguesa.
Numa amostragem de 20 milhões, como numa amostragem de 200 mil, vai-se encontrar de tudo, rigorosamente todo tipo de gente. Assim, é possível afirmar, sem medo algum de errar, que entre corintianos há, em relação aos torcedores da Portuguesa, 100 vezes mais brancos, negros, nisseis, gays, aleijados, advogados, engenheiros, padeiros (sim, padeiros também), médicos, faxineiros, prêmios Nobel, padres, evangélicos, filantropos, pilotos de avião, asmáticos, mergulhadores, dançarinos, tocadores de tuba, ricos, pobres, porteiros de prédio, executivos de multinacionais, bancários, mulheres bonitas, mulheres feias, gordos, magros, cadeirantes, bigodudos, depiladas, juízes, promotores, desembargadores, delegados, policiais, jornalistas, tatuados, alcoólatras, bandidos, mocinhos, condenados, inocentados, pacifistas, gente violenta, lúcidos e idiotas.
Portanto, quando se quiser fazer qualquer comparação, qualquer uma, de categorias humanas, sejam elas divididas em classes social, profissional, econômica, sexual ou racial, a torcida do Corinthians será sempre, em qualquer circunstância, 100 vezes mais do que a da Portuguesa. Se há um tocador de tuba no Canindé, haverá 100 no Pacaembu. Se há uma morena linda no Canindé, haverá 100 no Pacaembu. Para cada taça exposta na sala de troféus do Canindé, há 100 no Parque São Jorge.
A conclusão é que sim, é possível dizer que a torcida do Corinthians é 100 vezes mais violenta que a da Portuguesa. E 100 vezes mais pacífica, também. Só que quando se fala de multidões, e 20 milhões representam uma multidão assim como 200 mil, individualizar a discussão perde o sentido e resulta em medidas inócuas. Trata-se de coletivos. Uns maiores — corintianos, flamenguistas, são-paulinos, vascaínos, palmeirenses, gremistas — e outros menores — juventinos, xavantes, lusos, americanos. E os indivíduos que fazem parte dessas coletividades dificilmente serão atingidos individualmente por punições se o coletivo não o for.
No Brasil, sei lá se no resto do mundo é assim, o medo de generalizar só emerge quando se trata de algo negativo. Às dezenas de ocorrências envolvendo a torcida do Corinthians, todos se apressam em clamar que “não é a torcida toda”. É óbvio. Tão óbvio, que desnecessário dizer. Mas, por outro lado, generaliza-se para o bem, porque é de bom tom afagar a massa. Quando se encontra um corintiano humilde que vendeu a geladeira, o fogão e a bicicleta para ver o time no Japão, todos se apressam em clamar que “a torcida do Corinthians é diferente, apaixonada, não mede esforços etc”. Aí a generalização é aceita. Mesmo sabendo-se que entre os 50 mil que foram ao Japão, havia também escroques, estelionatários, traficantes e proxenetas. Mas ninguém afirma, ao encontrar um desses, que “a torcida do Corinthians é diferente, um bando de procurados pela Justiça e ex-presidiários, não liga a mínima se está viajando com dinheiro fruto de ilegalidades”.
Tem de tudo, do humilde apaixonado ao bandidão que roubou dinheiro da merenda escolar, e assim não é possível determinar com precisão qual é o perfil majoritário que integra essa coletividade. Não é justo dizer que corintiano é tudo bandido, como é impreciso afirmar que é tudo apaixonado com auréola de santo. Mas é seguro afirmar que a torcida corintiana é violenta, porque o ser humano é, a sociedade é, e quando mais indivíduos qualquer grupo agrega, mais “tudo” ele é. Violento, inclusive. Donde é possível afirmar que a torcida do Corinthians é 100 vezes mais violenta que a da Portuguesa, pela única e simples razão de que ela é maior. 100 vezes maior.
O caso do futebol é bastante específico e há farta literatura disponível sobre o conjunto de medidas possíveis para reduzir a violência, inibindo os indivíduos de praticá-la a partir de punições coletivas, uma vez que é virtualmente impossível identificar e punir indivíduos que fazem parte de grandes massas humanas. O caso mais clássico é o da tragédia de Heysel, na Bélgica, em 1985, na final da Copa dos Campeões entre Liverpool e Juventus. Os hooligans ingleses já estavam fora controle havia muito tempo, espalhando o terror pela Europa, e nada era feito, até a briga generalizada que matou 38 pessoas no estádio de Bruxelas.
Entre as medidas punitivas impostas pela UEFA esteve a suspensão de TODOS os times ingleses de competições continentais por cinco anos. Não sei quantos hooligans foram presos e condenados. O que foi possível pegar, creio que pegaram. Mas o espírito da punição foi esse, coletivo. Não se atacou apenas uma torcida organizada, que poderia ser proibida de entrar nos estádios, ou um grupo específico de beberrões que se reuniam num determinado pub da cidade para sair barbarizando por aí. Nem mesmo o Liverpool, que poderia ter sido suspenso individualmente — digamos que, nesse caso, o Liverpool poderia ser comparado a um indivíduo entre o coletivo de “indivíduos” representados pelo conjunto de outros clubes.
Não. Coletivizou-se a condenação: toda a Inglaterra, por cinco anos. E foda-se.
O resultado, como se sabe, é que nunca mais algo parecido aconteceu em competições europeias, com as exceções de praxe — Sheffield, por superlotação, pancadarias isoladas na Grécia e na Turquia etc; os ingleses saíram do noticiário policial, ao menos com a frequência que lhes era dedicada. Não resolveu o problema integralmente, porque estamos falando da espécie mais mal-sucedida do planeta, o Homo sapiens, mas ao menos reduziu-se a violência ao ponto de ela poder ser controlada, o que já é alguma coisa.
O que aconteceu ontem na Bolívia poderia não ter acontecido se, por exemplo, o Corinthians (ou TODOS os times brasileiros) tivesse sido suspenso de todas as competições sul-americanas por cinco anos depois que sua torcida (OK, não foi toda, não precisam repetir o tempo todo) tentou invadir o campo no Pacaembu para bater em seus jogadores e nos do River Plate, em 2006. Sabe-se lá como aquela turba enfurecida foi detida por meia-dúzia de policiais que seguraram a massa literalmente no peito. Uma enorme tragédia poderia ter ocorrido. O Corinthians ficaria cinco anos sem Libertadores. Seus torcedores pensariam duas vezes antes de fazer algo parecido. O infeliz que disparou o morteiro e matou Kevin ontem, consciente de que seu clube, sua grande paixão, sua vida e seu amor poderia ser suspenso de novo, talvez enfiasse o rojão no próprio rabo, em vez de disparar contra outras pessoas.
E isso vale, obviamente, para qualquer indivíduo e para qualquer torcida. Se um manuel ou joaquim qualquer fizer isso no Canindé um dia, defenderei o mesmo rigor — como fiz, na TV, quando um paspalho invadiu o vestiário da Portuguesa com seguranças armados outro dia, fazendo com que jogadores e técnico se sentissem ameaçados; falei na TV que o correto seria rebaixar a Portuguesa para sei lá qual divisão, assim como deveriam ter rebaixado o Coritiba para o Desafio ao Galo quando seus torcedores promoveram cenas de horror no Couto Pereira no rebaixamento de 2009.
O que é preciso entender é que para controlar enormes coletividades, só com grandes punições e ameaças de. Não vai acontecer rigorosamente nada de realmente sério nesse caso de Oruro. Uma multa para o Corinthians, talvez, ou a prisão do responsável se ele for identificado. Mas a Conmebol não é uma entidade que tenha estatura moral para fazer nada, ela que há décadas é conivente com espetáculos de selvageria nos estádios de todos os países da América do Sul (Brasil, inclusive).
Kevin poderia estar vivo se não fosse a estupidez coletiva que passa pelas autoridades bolivianas, que não revistam os torcedores, pelos idiotas que vendem sinalizadores, morteiros e rojões que nada mais são do que armas de fogo, pelas autoridades que não proíbem explicitamente a entrada de tais artefatos nos estádios, pelos clubes que sustentam torcedores pau-pra-toda-obra, pelos acéfalos que acendem um rojão e miram nos caras que torcem para outro time, pelos amigos dos acéfalos que sabem que eles, mais cedo ou mais tarde, farão algo parecido.
Se prenderem o rapaz, ou a moça, que disparou o morteiro, azar dele, ou dela. Não creio que isso vá inibir outros corintianos, ou torcedores do Peñarol, ou do Boca, ou da Portuguesa, ou do Grêmio Barueri. “O cara se fodeu”, dirão. E continuarão fazendo suas merdas em maior ou menor quantidade dependendo do tamanho do grupo ao qual pertençam.
Punam o clube, ou o país, e a coisa começa a estancar.
ATUALIZANDO
Na noite de quinta-feira, a Conmebol, surpreendentemente, determinou que todos os jogos do Corinthians pela Libertadores, em casa, acontecerão com portões fechados. E que nas partidas fora do país não serão vendidos ingressos aos seus torcedores. O Corinthians pode recorrer (e vai) e a medida poderá ser derrubada. Tomara que persista. É pouco, para o tamanho da tragédia, mas já é um começo.
BH, 1965
SÃO PAULO (não faz mal) – Tenho quase 100% de certeza que é repeteco, mas vale mesmo assim. Afinal, reinauguraram o Mineirão por esses dias, não? Sem água nos banheiros, sem lanchonetes, sem papel higiênico… E, o que é pior, sem o tropeiro, tradição secular de BH. Não dá para acreditar que acabaram com o tropeiro. Que mandem os responsáveis às masmorras!
Bem, a foto aí embaixo é da inauguração do estádio em 1965, cujo primeiro gol foi marcado pelo meu amigo Silvio Lancellotti. Digamos que o estacionamento está, certamente, mais colorido do que hoje em dia. E tem até uma Jangada, pelamor… O Marcos Alvarenga enviou a foto.
Tags: Mineirão, tropeiro
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GIRA MONDO, GIRA
SÃO PAULO (de dez em dez…) – Hoje faz 30 anos da morte de Garrincha. Há 20, passei uns dias no Rio, pela “Folha” para produzir alguma coisa sobre a efeméride. O trabalho resultou em três páginas na edição de 20 de janeiro de 1993 (que pode ser vista aqui, mas tem de folhear o jornal digitalmente), cujo texto principal trazia o título “10 anos depois, país se livra da culpa pelo fim de Garrincha”.
Minha tese para embasar esse texto, depois de ler tudo que havia para ser lido sobre Mané, contrariava o senso comum da época (e que acho que perdura até hoje): a ideia de que Garrincha morrera sozinho, abandonado por todo mundo. Lá pelas tantas, escrevi:
Dez anos depois, é possível reescrever a história pessoal de Garrincha com olhos menos complacentes. Mané pode ter sofrido de vários males em sua vida, mas abandono e falta de dinheiro não estão entre eles. Morreu doente por causa da bebida. O que o levou ao alcoolismo é outro papo.
Hoje, na mesma “Folha”, Ruy Castro, biógrafo de Mané (autor de “Estrela Solitária – Um brasileiro chamado Garrincha”, Cia. das Letras, 1995, excepcional livro), assina a contracapa do caderno de esportes em artigo que pretende esclarecer certos mitos que cercam sua vida. Texto muito legal, como sempre. Ruy é um grande escritor. E dispara:
Daí o último e maior mito a ser derrubado sobre Garrincha: o de que ninguém o ajudou — o que, no fim da vida, ele declarou em entrevistas para a televisão, que ainda hoje são reprisadas. Mas a verdade é que Garrincha foi muito ajudado, e em várias etapas de sua vida.
Legal, 20 anos depois da minha matéria, ler Ruy Castro concordando com ela. Fiz, na época, um grande levantamento de todos os ganhos de Mané como jogador e ex-jogador, para concluir que, de fato, principalmente depois que parou de jogar, o que não faltou foram pessoas, empresas e entidades dispostas a ajudá-lo. E efetivamente isso aconteceu.
Mas o melhor desse material da reportagem da “Folha” não foi essa coisa da grana. Legal, mesmo, foi ter ido à aldeia do Mané, Pau Grande, distrito de Magé, onde ficava a fábrica da Crush e do Grapette. Quem toma Grapette, repete. E dessa visita à pequena vila resultou o texto aí embaixo, minha crônica da última página da revista “ESPN” publicada em dezembro. Para quem não leu, está aí.
Após o sinal, diga seu nome e a cidade…
Foi lendo a última edição da revista ESPN que me lembrei de um fato curioso envolvendo Garrincha. Não o Mané propriamente dito, que não cheguei a conhecer. Nem vi ao vivo, embora morasse no Rio em 1973, quando fizeram para ele um jogo de despedida no Maracanã, com mais de 130 mil pessoas nas suas inesquecíveis arquibancadas, cadeiras azuis e geral. Quando Garrincha morreu, em 1983, eu ainda estava na faculdade, dando minhas cabeçadas e rabiscando colunas semanais de torcida organizada num jornal esportivo, o extinto “Popular da Tarde”.
Dez anos depois, já na “Folha”, me mandaram ao Rio para levantar alguma boa história sobre a efeméride, uma década de sua morte. Era janeiro, um verão escaldante, e teria uns quatro ou cinco dias para escrever sobre o anjo das pernas tortas.
Fiz um roteiro mais ou menos, que incluía General Severiano, Copacabana, Bangu e Pau Grande, distrito de Magé, onde Garrincha passou a infância, deu seus primeiros dribles e tomou seus primeiros goles — se bem me lembro da biografia escrita por Ruy Castro, isso aconteceu quando ele era ainda criança, porque seus pais, ou tios, ou avós, ou sei lá quem, achava que cachaça acalmava moleques que faziam muita arte.
Aluguei um carro e com surpreendente desenvoltura saí pela cidade. Não errei um caminho sequer, algo espantoso para uma época sem GPS. Época em que cérebros e memórias funcionavam melhor que satélites.
Entrevistei bastante gente, entre elas os médicos que o atenderam nos últimos dias de vida, além de companheiros de Botafogo e seleção, como o preparador físico e técnico Paulo Amaral, que teve papel importantíssimo na vida do Mané.
A última escala era Pau Grande, uma encantadora vila operária aos pés da Serra dos Órgãos, onde o tempo parece ter parado no século 19, e creio que seja ainda assim. Fui sem nenhum contato, disposto apenas a passar o dia onde Mané nasceu e conversar com pessoas que o conheceram, visitar os lugares por onde ele andava, pescava, vivia.
Levantei um ótimo material, fizemos grandes fotos, e no fim da tarde era hora de dar retorno ao jornal, telefonar para descrever o andamento da reportagem e avisar que tudo estaria pronto para a edição do dia 20 de janeiro, uma quarta-feira. Não tínhamos celulares, e para ligar para a redação fiz aquilo que todo mundo fazia: fui atrás de um orelhão.
Encontrei um diante do Bar do Dódi, que também deve estar lá até hoje — ambos, bar e orelhão. Liguei a cobrar. “Após o sinal, diga seu nome e a cidade de onde está falando”, me orientou a mensagem gravada. “É o Flavio, de Pau Grande”, obedeci. Fui muito específico na localização, poderia ter dito Magé, a cidade, mas optei pelo distrito e falei “Pau Grande” assim mesmo, com P e G maiúsculos, mas do outro lado a menina que atendeu, repórter nova que tinha acabado de ser contratada, bateu o telefone na minha cara.
Deve ter caído, concedi, e liguei de novo, repetindo o procedimento: Flavio, de Pau Grande, agora com ênfase na vírgula e uma pausa sutil que não deixaria dúvidas sobre onde estava naquele momento. Desta vez, ouvi impropérios e desaforos da mesma voz feminina, ameaçando me denunciar ao editor, ou quem sabe, ao Ministério Público. E antes de levar uma batida de telefone de novo na cara, ainda pude ouvir “só porque cheguei agora ele acha que pode falar qualquer merda na minha orelha, e ainda é casado, o desgraçado!”.
Na terceira ligação, disse apenas que era o Flavio, do Rio de Janeiro.FLAVIO GOMES, 48, continuou a fazer ligações a cobrar para o jornal, mas desde então passou a dizer apenas o nome do Estado ou do país de onde estava falando, tendo tido apenas um problema posterior, quando foi cobrir uma corrida de rua em Pau, na França.
Tags: Garrincha
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ANOTHER QUESTION
LA RONDO (escala que não termina…) – E só eu acho que pela pintura do kart do Alonso está na cara que ele vai correr pela equipe que o Pelotas está montando, a Auricerúleo Racing Team?
Falando no Pelotas, clube que respeito mas que não se compara ao Xavante, os caras estão bem na fita, não? Camisa adidas e tudo mais… Vocês aí do Sul, me expliquem tamanha honraria.
Tags: adidas, Alonso, Pelotas
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AOS NOSSOS VIZINHOS
Cumprimentos aos nossos quase vizinhos de Marginal Tietê pela conquista do título de segundo melhor time do mundo na manhã de hoje, no torneio interno de fim de ano das concessionárias Toyota. O melhor já tinha sido apurado no começo da temporada.
Tags: Corinthians, Portuguesa
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ENCHE O TANQUE
SÃO PAULO (a conferir) – Diz o Chico Luz que nos anos 70 havia em Porto Alegre um ou mais postos com a grife do Inter. Será? Metade da cidade não iria colocar gasolina lá. Assim como a outra metade nunca usou gasolina azul.
Vocês, gaúchos, contem, afinal, que história era essa dos postos colorados!
Tags: Internacional, Porto Alegre, Shell
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SEM TV
SÃO PAULO (quero só ver) – A Globo terá uma saia-justa no dia 18 de novembro. O GP dos EUA, na nova pista de Austin, no Texas, acontece no mesmo horário da antepenúltima rodada do Brasileiro da Série A.
Ambos, corrida e rodada, podem ser decisivos. O Mundial de F-1, pelo andar da carruagem, só vai ser fechado nas provas derradeiras. No futebol, é provável que Altético Mineiro, Fluminense e Portuguesa lutem pelo título ponto a ponto até o fim.
Segundo notícia apurada pelo iG, a emissora já tomou a decisão óbvia de privilegiar o futebol. Os índices de audiência da F-1 têm sido muito ruins e contra a bola não tem concorrência. A alternativa de pelo menos passar a corrida ao vivo na Sportv, que pertence ao grupo global, está descartada por enquanto, por questões contratuais.
O mais provável é que a corrida seja mostrada em VT, depois do “Fantástico”. E que entre ao vivo naquela telinha no canto da imagem do futebol quando acontecer algo importante.
Ou, ainda, que a Globo mostre a largada e alguns momentos da prova durante o intervalo do futebol. Sei lá. Só sei que, ao vivo, na íntegra, em TV aberta, só se tufões varrerem o Brasil todo no domingo e a rodada for cancelada.
ATUALIZANDO…
Um pássaro raríssimo, do naipe do uirapuru, andou piando aqui e me contou que pode ser que a Sportv transmita ao vivo. Há negociações nesse sentido. Aguardemos.
Tags: Globo, GP dos EUA
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OS REIS
SÃO PAULO (estão em falta) – Há quase 40 anos, no dia 11 de novembro de 1972, esta foi a capa da saudosa “Manchete” (“Aconteceu? Virou Manchete”, dizia o slogan; era isso mesmo?). O Cacá Vita mandou. Nas páginas internas tem uma foto ótima, do Pelé dentro do cockpit da Lotus.
Engraçado como os dois parecem pouco à vontade com os uniformes trocados…
Tags: Emerson Fittipaldi, Manchete, Pelé
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CARRO DE CRAQUE
SÃO PAULO (igualzinho que nem…) – Vejam que foto bacana mandou o Maurício Snows, que ele catou na página do Facebook de um amigo dele. Júnior, o craque do Flamengo, chegando para treinar. Num Corcel II! Ou seria um Passat Dacon? A foto é de novembro de 1982, como se vê na margem inferior direita. Imaginem isso hoje…
NÃO É POSSÍVEL
SÃO PAULO (digam que é mentira) – Estou meio atrasado com alguns temas. Mas tem coisa que não dá para passar em branco.
QUEM INVENTOU ESSES NOMES PRO MASCOTE DA COPA?
Se você chegou agora, veja as três opções que serão escolhidas pelo site, claro, da Globo:
Amijubi é a união das palavras “amizade e júblio”, duas características marcantes da personalidade do nosso mascote e que refletem a maneira de ser dos brasileiros. Além disso, esse nome tão original está ligado ao tupi guarani, em que a palavra “juba” quer dizer amarelo – a cor predominante no mascote!
Fuleco é a mistura das palavras “futebol” e “ecologia”, dois componentes fundamentais da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014. O nome do nosso mascote mostra como essas duas palavras combinam perfeitamente e ainda incentivma as pessoas a ter mais cuidado com o meio ambiente.
Zuzeco foi formado dos elementos principais de “azul” e “ecologia”. Azul é a cor dos mares da maravilhosa costa brasileira, dos rios que cruzam o país e do nosso lindo céu. E é também, claro, a cor da carapaça especial do macote. Ele sabe que pertence a uma espécie vulnerável e, por isso, também sabe o quanto é importante divulgar e incentivar a conscientização ecológica entre seus amigos do mundo inteiro.
É o seguinte: queremos nomes. Não para o pobre tatu-bola. Queremos nomes DE QUEM CRIOU ESTA MERDA! Afinal, é um evento cheio de dinheiro público. Oficial, quase estatal. QUERO SABER QUEM FOI QUE CHEGOU A ESSES NOMES! Temos o direito de saber, e quero saber também QUANTO E QUEM PAGOU por isso, porque certamente esse esforço sobre-humano de criatividade foi remunerado.
Olha, só mesmo abrindo uma garrafa e tomando um pouquinho.
Tags: Copa 2014, tatu-bola
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Compro os três: o carro, o celular e a garagem.