Arquivo da categoria: Brinquedos

EXCEDE

SÃO PAULO (gente, que saudade…) – O Jean Tosetto me matou de inveja com este post no site da turma dos MP Lafer. Ele ainda tem o jogo da memória que vinha numa miniatura de lata de óleo da Shell. Shell Super. “Shell excede”. Rapaz, lembro de cada um desses carros, cada foto, cada modelo, a textura, até o cheiro dessa latinha! Pode ser que meus pais tenham guardado, vou procurar loucamente. Há uns três anos outro blogueiro mandou fotos do mesmo joguinho. O post está aqui, mas na migração do blog algumas fotos desapareceram, infelizmente.

“Shell excede”. Nunca compreendi bem esse “excede”, na minha cabeça de moleque era algum nome estrangeiro, o nome do óleo: Shell Excede. “Coloca aí meio litro de Shell Excede”, eu sonhava em pedir ao frentista, quando tivesse um automóvel. Quando descobri o real significado, achei meio estranho. Usar o verbo “exceder” num slogan publicitário sempre me pareceu um tanto quanto erudito e incompreensível. Os publicitários são esquisitos.

Mas seja como for, o famoso óleo Shell Excede ficou na minha memória, no joguinho da memória que é a vida, afinal, e que aos poucos se esvai.

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COMPREM, COMPREM!!!!

SÃO PAULO (quero todos!) – E não é que nosso artista Bruno Mantovani lançou seus impagáveis Pilotoons em forma de brinquedo? Sensacionais! Vejam os detalhes aqui, onde comprar, quanto custam e tal. Será que vão sair também dos carrinhos da Classic Cup? Eu não cobro royalties!

Sucesso, brother!

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INVEJINHA

SÃO PAULO (esses grandões…) – O Bob Nogueira, pra deixar a gente com raiva, manda fotos de três carrinhos de sua coleção da Estrela. Um 147 e dois Fittipaldi. Lindos demais.

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MISTÉRIO

SÃO PAULO (tem aqui?) – Me mandaram esse negócio e até agora não entendi como funciona. A bagaça flutua sem fios. Mutcho louco. Se eu fosse criança ainda, pediria isso de Natal pro meu pai. Desvendem o mistério e contem aqui.

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DICA DO DIA

Veio do Tadeu Rover, pelo Twitter. Conheciam isso?

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LINDINHA

SÃO PAULO (alguém me dá de presente?) - Me mandaram pelo Twitter, e como sempre não anotei o nome do colaborador. Olhem a Kombi que a Lego lança em outubro, com 1.322 peças! Da cor da minha… Mais detalhes aqui.

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BLERGH

SÃO PAULO (no, thanks) - Pior do que essa falsa ideia de que todo mundo gosta dessas coisas estilo “velozes & furiosos” são as explicações. A Hot Wheels lança no segundo semestre do ano que vem (precisa tanto?) esse carrinho aí embaixo, batizado de Eagle Massa. Estava indo tão bem, com o SP2 e a Brasília… Diz que faz parte de uma estratégia de “reposicionamento da marca”.

Que porra é reposicionamento da marca?

O designer Alton Takeyasu “traduziu”, digamos assim, as preferências de Felipe, que sugeriu usar características de três bichos: cavalo, águia e leão. Saiu esse negócio horrendo que não se parece com nada.

Aí vem a justificativa para o triunvirato animal: “Antes de partir para as pistas eu já corria a cavalo. A águia foi escolhida pois tem tudo a ver com competição, e o leão, pelo estilo forte”, disse, em coletiva. O silêncio é sábio, é o que sempre digo.

Bem, é só um carrinho de brinquedo. Não tem tanta importância assim.

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DO PERÓN

SÃO PAULO (checar e comprar) - História interessantíssima manda o Jean Tosetto. Um cabra na Argentina está oferecendo a colecionadores brasileiros um mini Austin que teria pertencido a Perón. Estaria com a família do cara há mais de 40 anos. Os detalhes estão aqui.

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Ah, se eu fosse criança… A história do Type C elétrico para a molecada está aqui, no Blog do Mestre Mahar.

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GRACIOSOS

SÃO PAULO (verãozão bão) - Meu grande amigo Osmani, maior restaurador de Lambrettas do Brasil, resolveu fabricar minicarros para crianças. E como ele tem um bom gosto acima de qualquer suspeita, escolheu três modelos espetaculares para começar: Ferrari 330 P4, Brasinca Uirapuru e Bugatti Type 55. Todos eles vêm com motor 0km de 6,5 HP, partida elétrica e câmbio de duas marchas (uma para a frente e a ré). E um baita acabamento, que esse eu conheço de perto. Meu sidecar e minha Lambretta que o digam…

Quem quiser conhecer melhor o trabalho do Osmani, é só entrar em seu site, neste link. É um show. Não sei quanto custam os carrinhos, mas os que se interessarem podem escrever direto para ele no contato@lambrettadepoca.com. São muito mais bonitos que qualquer Fapinha ou coisa do tipo.

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DA CAIXINHA

SÃO PAULO (tenho, claro) - Algum blogueiro me mandou vários anúncios antigos legais e eu, para variar, esqueci o nome. Mas esse aqui é especial e merece a publicação. No meu tempo, a gente chamada de “carrinhos de ferro”. Hoje, os velhos Matchbox são objetos de coleção. Mas, dizem os entendidos, valem muito mais quando vêm acompanhados das caixinhas.

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ELEIÇÕES 2010 (18) – BICICLETAS

SÃO PAULO (bike é a mãe) – Devo confessar algo aqui. Boa parte dos meus traumas de infância se deve ao fato de eu nunca ter tido uma Caloi 10. Mas terei, ô se terei. Aliás, se alguém souber de alguma boa, original dos anos 70, em ótimo estado, brilhando, me avise. Nada de câmbio Shimano. Quero aquelas bem toscas, mesmo. As melhores. Brancas terão preferência.

A segunda candidata a melhor bicicleta jamais inventada é a Tigrão da Monark. Dessa eu tive, azul. Caí num buraco uma vez que me estourei. Não era para amadores, essa rodinha pequena na frente.

Por fim, a Barra-Forte da Caloi, robusta, solene, sem essa bichice de marchas e o escambau.

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BRINQUEDINHOS

SÃO PAULO (não ganhei nada!) – Hoje é Dia das Crianças, não? Pois aí estão meus brinquedinhos. Uma coleção simpática de tudo quanto é miniatura de DKW que já encontrei por aí, e muitas delas totalmente artesanais. No cantinho direito, ao lado do Candango bege, tem um jipe DKW da Atma no saquinho, ainda para montar. E bem no centro aparecem as duas miniaturas, também da Atma, que ganhei quando fiz 11 anos: uma Vemaguet bege e um Belcar verde claro com teto creme. Foram eles os responsáveis pela minha paixão por DKW. Quando ganhei, jurei que um dia teria esses carros de verdade.

Talvez tenha sido a única promessa na vida que consegui cumprir…

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ESSE EU NÃO TENHO

SÃO PAULO (que carinha, hein?) – O Roberto Antonio aposta que esse aí eu não tenho. Não mesmo. Tenho algumas miniaturas do Mach 5, uma bem rara, mas essa aí eu nunca tinha visto. E ainda não entendi o capacete e os dois controles, ou algo que o valha.

Misterioso. E nacional. Alguém já tinha visto?

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DICA DO DIA

SÃO PAULO (tudo dele?) – Dica do Rodrigo Cordatto, este blog se chama Meus Brinquedos Antigos e pertence a Alfredo Manhães, professor em Macaé. O blog e muitos dos brinquedos que nele aparecem… Como esse carrinho de polícia aí em cima. Uma viagem, podem ir que vale a pena.

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PÔ, EU QUERO!

SÃO PAULO (onde tem?) – Bom dia, macacada. O Rodrigo Garcia me mandou essa aqui. Putz, da Hot Wheels? Alguém poderia me fazer o favor de informar onde posso encontrar, para que eu possa comprar uns 20?

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Pô, quero um desses já! Será que os EUA vão me colocar ao lado do Irã e da Coreia do Norte se eu conseguir?

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Capitulei. Depois de muito resistir, dei um videogame para meus moleques. Tomaram conta da minha Colorado RQ.

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Eu sou assim porque nunca ganhei nenhum desses, e fiquei traumatizado.

normal_kalusto

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MEUS BOTÕES

 

SÃO PAULO (o relógio marca…) – Não espere nada muito original. Acho que todo mundo que já foi criança e se mete a escrever de vez em quando já escreveu sobre seus botões. Sobre grandes clássicos solitários, ou campeonatos com os amigos, primos e irmãos, golaços, partidas épicas, aquele botão especial.

Portanto, não espere nada muito original, pois é exatamente o que vou escrever. Sobre grandes clássicos solitários, campeonatos com os amigos, primos e irmãos, golaços, partidas épicas, aquele botão especial.

Fui jantar na casa dos meus pais ontem, era aniversário do patriarca, e minha mãe tinha tirado de uma das gavetas debaixo da cama em que eu dormi um dia, melhor, em que dormi muitas noites, tantas que nem sei quantas, uma caixa cheia de caixinhas com meus botões.

Estavam um pouco empoeiradas, as caixas. Os botões, não. O tato. O tato e o cheiro. O estojo verde claro rugoso, onde se lê em alto-relevo “acessórios”. De costura? Provável. Aquele estojo já guardou agulhas, alfinetes, dedais e carretéis de linhas de todas as cores, e botões, também. Botões de pregar.

Mas um dia passou a guardar os meus botões, o meu time, todo ele contratado no Rio, nas melhores lojas de armarinhos de Copacabana, botões de galalite, que nunca soube bem o que era, galalite, talvez uma espécie de criptonita, um material milagroso vindo de outro planeta. Ainda não sei o que é galalite.

O tato no estojo, o cheiro do talco. É, eu embebia meus botões em talco, para que escorregassem mais. De cara vi o Calegari. Aquele roxinho, com a base verde, número seis. E revi Xaxá, o sete, vinho com a base azul. Pontinha lépido, sempre pela direita, driblador, preciso.

E meus dois zagueiros enormes, Pescuma e Isidoro, tricolores porque no Rio não havia zagueiros rubroverdes, mas as cores do Flu me serviam bem. Atrás deles, Zecão, uma muralha, um bloco sólido de madeira que deve ter sido outra coisa na vida antes de virar um goleiro intransponível.

E, entre eles, Dicá e Camargo, dezessete e catorze, meus grandes reservas. Vocês podem não acreditar, não importa, até compreendo o erguer de suas sobrancelhas descrentres, mas juro, eles ganharam muitos jogos difíceis na sala de casa e na entrada do prédio de Copacabana, juro que ganharam, não tinha salão de festas, era na entrada do prédio que a gente jogava, ou no corredor de serviço, atrapalhando as empregadas pretas de bundas grandes que chegavam da padaria e do mercado rebolando cheias de pacotes.

Dicá e Camargo, o outro Enéas, não eram de galalite. Eram tampas de relógio, um pintado de bege por dentro, claro, Dicá, o outro chamuscado no vermelho, Camargo. Entravam quando a coisa estava ruim, quando uma virada se fazia necessária. Dicá batia faltas como ninguém, colocava o dadinho, no Rio eu jogava com dadinho, onde queria, um efeito mágico, desconcertante. Juro. Camargo era insinuante, recuperava bolas, dadinhos, impossíveis, o artilheiro das causas perdidas. Enéas, o oito, tinha ciúmes dele, mas eu era um técnico enérgico, se estava dormindo em campo, saía.

Lentos eram Dicá e Camargo, perto dos atacantes de galalite que deslizavam sobe o Estrelinha (nunca tive um Estrelão). Mesmo assim, se consagraram no morro do Caracol até que fomos todos vendidos para São Paulo, mala e cuia, e aí já havia um salão de festas e cavaletes para jogar de pé, eu sempre preferi de joelhos, mas eram outros tempos, profissionalismo, campeonatos, tabelas que eu mesmo fazia, regulamentos complicadíssimos, medalhas, o Estrelinha foi junto e virou Canindé, apareceu um campo maior, de gramado mais áspero e amplo, mudaram-se as táticas, as regras, o dadinho resistiu por algum tempo, vieram as bolinhas de feltro, foi difícil a adaptação, e assim a carreira de Dicá, Camargo e os galalíticos entrou em declínio.

Eram tempos já de mesada, e de descer a pé ou de ônibus elétrico usando passe escolar da CMTC até o começo, ou fim, da rua Augusta, ao lado da Sebring, a loja de esportes que não me lembro o nome, Esporte Paulista, talvez? Na vitrine, os times da Brianezi, cálices sagrados, caixas largas e baixas, com tampa transparente, cinco em cima, cinco em baixo, números grandes, pintura impecável, entre as duas fileiras de jogadores duas bolinhas à esquerda, o goleiro no meio, a palheta à direita. Jamais vou esquecer dessas caixas.

Foram semanas de cruzeiros guardados para, um dia, glória das glórias, levar para casa o time da Portuguesa, debaixo do braço como um tesouro, eu tinha medo de pivetes, era gíria do Rio, se um pivete tentasse algo com meu Brianezi, eu seria capaz de matá-lo a pauladas, meu time cujo escudo tinhas as cores trocadas, cruz de Aviz vermelha e contorno verde, tenho muita coisa da Portuguesa assim, invertida, não me peçam explicações, começava ali uma nova era, botões técnicos, de passadas largas e macias, imponentes e ameaçadores.

Eu tive alguns bons times da Brianezi. Depois desse, cujo médio-volante sumiu, consegui comprar a seleção da Itália, a seleção da Espanha, a seleção da Alemanha e o Atlético Mineiro. Era um patrimônio e tanto. Mas eu tinha times muito ruins, também. Um do Juventus da Mooca, desses de feira, tosco e irregular, mas bravo quando jogava no Estrelinha, numa retranca de dar arrepios, à Milton Buzzeto, mais o XV de Jaú, que ficava numa lata de balas Sönksen, o Galícia de acrílico com distintivos recortados da “Placar” abrigado em caixas de slides da Curt, e os goleiros.

Ah, os goleiros… Eu tinha verdadeira obsessão por eles e seus uniformes coloridos de grife: Athleta e adidas. Fazia-os com caixas de fósforos, cheias de chumbo para dar peso, chumbo que vinha de tampas de garrafas de uísque ou de invólucros de rolhas de vinho, cientificamente dobrados e colados com araldite, consistentes e confiáveis.

Fazia goleiros às pencas, de todos os times do campeonato, aquele de onde a Arena vai mal, um time no Nacional, CSA, Figueirense, Volta Redonda, Goiás, Caxias, Goiânia, Náutico, Inter e suas letras entrelaçadas dificílimas de desenhar, Guarani, Ceará, Ponte, ABC, Londrina, Avaí, Bahia, Flamengo do Piauí, Santa Cruz, Coritiba, Cruzeiro, Desportiva Ferroviária, e o único gringo, o Independiente da Argentina.

Em todos eles, eu mesmo desenhava as camisas e pintava com canetinhas Sylvapen, borrava um pouco, mas eu nem era tão mau assim como estilista de goleiros e fazedor de escudinhos, e colocava a data atrás. A data de seu nascimento.

Esses goleiros estão com pouco mais de 30 anos, alguns poderiam estar jogando até hoje, poucos tinham nome, só os da Portuguesa, quando Zecão parou entrou em cena o careca Miguel, 18 era a camisa dele torcida brasileira, o nome estampado na frente com aquelas fitas de máquinas etiquetadoras, um luxo só.

O Estrelinha era o alçapão temido por todos, em volta do gramado eu espetava as bandeiras das torcidas organizadas da Lusa, Leões, Falcões e a CUP, a que eu mais gostava, Corações Unidos da Portuguesa. Anotava todos os jogos em cadernos, perdi pouquíssimas partidas no meu Canindé, perdi todos os cadernos, mas assevero que ninguém ganhava de mim lá, apesar da técnica apurada dos Brianezi, mais apropriada para campos mais amplos, onde o contra-ataque era mortal.

Vi minha vida em meus botões, levei todos para casa, fiquei olhando para eles ontem à noite e de madrugada, cheirando o talco que os poupa das agruras do mundo, passando os dedos pelas camisas dos goleiros e pelos estojos e caixinhas e latinhas que sempre foram seu teto, para sempre serão, seja qual for o teto que me abrigar.

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