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segunda-feira, 16 de abril de 2012 - 18:35Futebol

CAIU, LEVANTA

 

SÃO PAULO (não muda nada) – O rebaixamento da Portuguesa ontem tem responsáveis óbvios e muitos culpados, como sempre há nas grandes derrotas. Não vou ficar aqui apontando o dedo e nominando cada um. Faço isso na arquibancada. Farei no próximo jogo, que será pela Copa do Brasil, contra Remo ou Bahia. Copa do Brasil que venceremos, garantindo vaga na Libertadores do ano que vem para jogar a final do Mundial no Marrocos.

Estou triste, claro, mas não envergonhado. Vergonha de quê? De torcer para um time? A malta de babacas que ontem e hoje se manifestou nas redes sociais não me incomodou. Aliás, é curiosa essa nova subcategoria de torcedor: o torcedor das redes sociais. Que fazem parte também da categoria um pouco maior, que é a do torcedor do pay-per-view. Essa criançada que nunca foi a um estádio na vida. Vergonha nenhuma. A bandeira da Lusa está na janela de casa, como esteve durante algumas semanas no fim do ano passado, quando fomos campeões brasileiros. Eu tenho bandeiras. Comprei nos jogos. Poderia ter comprado pela internet, também, mas comprei nos jogos.

O problema dessa garotada é seu total e absoluto desconhecimento do que quer que seja. São profundos especialistas em Facebook, Twitter e Instagram, mas da vida nada compreendem. Conhecem os personagens do “Pânico”, gargalham com “memes”, têm no YouTube sua principal fonte de informação e inspiração.

Pois eu explico o que está acontecendo com o futebol brasileiro, e a partir dessa realidade é mais fácil entender por que alguns clubes que têm história e tradição subirão e cairão com frequência daqui para a frente, até que sejam eventualmente extintos e virem apenas memória.

Nesse futebolzinho mequetrefe de hoje, que muitos jovens creem ter-se inspirado no Playstation, inventado depois do videogame, não há times bons. Há times ricos. É preciso ser muito obtuso para morrer de orgulho de um time que só é forte porque tem capacidade de gerar receita. Capacidade essa diretamente ligada aos índices de audiência que obtém nas transmissões da TV — que, por sua vez, determina quem deve ganhar mais dinheiro e, portanto, quem vai vencer mais. Aparecendo mais na TV, a chance de fechar patrocínios melhores também cresce, e assim se cria um círculo vicioso que tira do futebol sua natureza esportiva e o transforma em um mero negócio. E assim temos Jontex x Unimed, BMG x Banrisul, KIA x Netshoes.

Há muita gente, jornalistas, inclusive, que se deliciam com a falência do que costumo chamar de “futebol de raiz”. Sonham com uma liga hiper-mega-ultra-profissional no Brasil que se limite a 20 clubes — uns dez que se pretendem barcelonas, chelseas, manchesters ou reais madrid, e uns dez sacos de pancada para fazer figuração. Aqui, lembro que minha Portuguesa, circunstancialmente, pertence a essa elite babaca em 2012. É um dos 20. E como jamais se pretenderá um barcelona, estará entre os dez sacos de pancada da Série A.

Será “escada” para os gloriosos gigantes, porque o que vai decidir quem será o campeão brasileiro de 2012 não é a eventual capacidade de um clube de formar um time bom, que jogue bonito, que tenha alguma filosofia desde o nascedouro. Um Barcelona de verdade. De qualquer forma, a Portuguesa não tem nada disso faz tempo, o que também não importa — os anos 50 e 60 estão meio século atrás de nós. E mesmo se tivesse, sucumbiria à receita que a ela será destinada pela TV, quando comparada àquela que será entregue aos times que terão seus jogos transmitidos ao vivo para gáudio da turma que vive de ibope.

Por isso que digo que uma Série B é muito mais divertida para quem gosta de futebol de verdade, e não de anúncios de camisinha ou de setores VIP em estádios, até com pulseirinha para entrar — enquanto do lado de fora, nas estações de trem e metrô, tontos se matam em nome de gangues que surgiram para torcer para um time, e hoje torcem por elas mesmas, para ver quem mata mais.

Ano passado, o orçamento da Portuguesa não era muito maior que o do Goiás, ou do Vitória. A coisa é mais equilibrada e, meio sem querer, montou-se um time excelente, encantador, que deu certo e foi campeão. Foi um título conquistado em igualdade de condições com a maioria dos adversários. Tem um valor muito maior — para quem gosta de futebol, insisto — do que qualquer conquista amparada por receitas que em muitos casos são dez vezes maiores que a dos rivais. Um time que recebe 10 milhões por ano da TV nunca vai se impor a um que receba 100. Nisso, o futebol é meramente matemático, não há surpresas.

O futebol que aprendi a amar, aquele dos anos 70 e 80, não existe mais no Brasil. A Portuguesa foi campeã paulista em 1973, vice em 1975, campeã da Taça Governador do Estado em 1976, finalista do primeiro turno do Paulistão em 1980, num tempo em que os clubes tinham tanto dinheiro quanto conseguissem arrecadar formando e vendendo jogadores. Seu resultado em campo era diretamente ligado à capacidade de montar bons times com recursos próprios, sem ajuda externa determinada por uma emissora de TV, que hoje escolhe quem pode e quem não pode ganhar. Nessas fotos aí em cima, aparecem jogadores como Félix, Djalma Santos, Julinho, Marinho Perez, Basílio, Enéas, Ivair, Leivinha, Zé Maria, Luís Pereira, Edu Marangon, e muitos outros que os mais antigos saberão identificar.

Hoje, o corintiano e o flamenguista, por exemplo, não precisam se preocupar com eventuais tragédias como um rebaixamento. Escrevam: a última desgraça de um desses que vocês chamam de “grandes” foi a queda do Vasco. O formato atual do futebol brasileiro, com sua distribuição desigual de dinheiro, é um antídoto quase infalível a essas tragédias. “Quase” porque, claro, sempre há uma remota chance de dar uma merda federal, como quase deu com o Santos em 2008 (não caiu por um ponto), ou com o Cruzeiro no ano passado (se safou na última rodada). Serão deslizes cada vez mais raros, e vai ser preciso muita incompetência para cair com uma conta bancária tão robusta.

Campeonato Brasileiro, hoje, graças ao que a TV determina e os clubes aceitaram, é aquela festinha chique para a qual muita gente dá a vida para ser convidado, mesmo sabendo que será escanteado até pelo garçom. E por isso o futebol de verdade está acabando. Por isso que os times do interior de São Paulo estão morrendo, assim como os do interior do Rio Grande do Sul, do Paraná, de Minas… Morreram os grandes dos subúrbios cariocas, agonizam grandes como Portuguesa, Américas (do Rio e de Minas), comem o pão que o diabo amassou os gigantes do Norte-Nordeste.

Não me importo muito. É claro que a tristeza por um rebaixamento é imensa, tanto maior quanto for o amor que se tem por um clube. Mas é nesses altos e baixos que se vive aquilo que o futebol tem de melhor: a capacidade de ser uma metáfora da vida como ela é. Exatamente um ano atrás, eu estava eufórico porque a Lusa se classificou para a fase final do Paulista. Escrevi algumas linhas. Fiquei feliz como poucas vezes na vida, mas logo depois veio a derrota para o São Paulo e a eliminação. E, depois, a campanha da Série B. E, depois, a queda de ontem. Alegria, tristeza, alegria, tristeza. O que é a vida, afinal? Esse sobe-desce, ou essa euforia empastelada e permanente que os apresentadores de esportes na TV tentam nos enfiar goela abaixo?

Meus dois meninos sofreram ontem. Meu pai também. Cada um a seu modo. O mais novo, que sempre fica com muita raiva nas derrotas, disse que iria trocar de time. Depois, se arrependeu. Mas continua zangado. O mais velho, que na escola é conhecido como “Lusa”, fez questão de dizer que iria “vestir o manto” hoje porque nunca vai se envergonhar do time que escolheu para torcer. Sim, eles escolheram. Eu os levo a campo desde que eram de colo, mas sempre puderam escolher. E sua escolha é motivo de orgulho para mim, porque escolheram aprender a ganhar e a perder. A não pertencer a nenhuma manada preguiçosa que só se importa em bater no peito para dizer “ganhamos”, sem perceber que nunca ganharam nada, não fazem parte daquilo. Veem tudo a distância em TVs de LCD. Optaram pela via mais fácil de se sentirem vencedores: se apropriando das vitórias de algo que só faz parte de suas vidas quando chega a fatura dos canais pagos.

Meus meninos, e os milhões de torcedores disso que vocês chamam de “pequenos”, não. Nós podemos bater no peito e dizer “ganhamos”. Mas sabemos dizer, também, “perdemos”. Fazemos parte daquilo de verdade. Quando nos vemos numa arquibancada distante debaixo de chuva ou de sol, com nossas camisetas da sorte, o boné desbotado, a calça meio rasgada, o tênis velho, a bunda no cimento, temos a completa noção de que fazemos parte daquilo. Ganhamos e perdemos junto.

A Portuguesa caiu, fizeram um monte de cagadas no campeonato, o clube é uma desgraça comandada por beócios, mas a vida segue e o futebol, também. Semana que vem tem jogo, tem mais vida pela frente. Para ganhar ou perder de verdade, sem controle remoto na mão.

420 comentários

  1. Ygor Yan disse:

    Escrevam: a última desgraça de um desses que vocês chamam de “grandes” foi a queda do Vasco.

  2. Flávio, torço para o Paysandu. Que bom ver que você lembrou dos gigantes do NORTE-NORDESTE, tão excluídos do futebol nacional. Meu time ainda está pior que o seu, numa Série C, mas não me envergonho disso, me envergonho de ver “torcedores” do meu clube indo aos “points” nobres de Belém do Pará, cito Doca de Souza Franco, para comemorar um título do Corinthians. Puro modismo vira-latas. Isso me irrita. Enquanto o Corinthians, o Flamengo e afins ganham uma dinheirama com a venda de suas camisas aqui no estado, enquanto que Remo e Paysandu continuam cada vez mais com receitas encolhidas, pois o patrocínio é menor. Só não quebramos ainda, Flávio, porque felizmente temos muitos torcedores apaixonados e que abominam essa prática provinciana de adorar clubes do eixo Sul-Sudeste.
    Um episódio ocorrido na temporada passada envolvendo o Atacante Josiel ex-Paraná, Flamengo e futebol árabe e o Paysandu foi a gota d’agua. Indagado na Facebook por um amigo sobre as mulheres de Belém, Josiel disse : ” Aqui só tem paquita depois do incêndio”. Josiel ganhava 80 mil e morava em um condomínio fechado de luxo em Belém, tudo bancado pelo Paysandu. Eu ? Eu me recuso a contracenar com isso.

  3. Ilmar disse:

    Destruíram a Fórmula 1 e estão destruindo o futebol brasileiro pelas razões contrárias… Destruíram a Fórmula 1 em nome da competitividade… E estão destruindo o futebol brasileiro em nome do monopólio… É… como diria o agora finado cartunista e escritor Millôr Fernandes, o ser humano ( e eu acrescentaria o brasileiro ) foi uma experiência que não deu certo…

    • Giovanni disse:

      Acredito que os dois argumentos que usados pelo Ilmar servem não só para as duas modalidades, mas para qualquer outra modalidade, porque os dois argumentos dependem um do outro. Não há monopólio sem competitividade. Na F1, o monopólio também ocorre, visto que é impossível ver uma equipe pequena como a Sauber vencer uma equipe grande como a Ferrari. No futebol, o monopólio existe na Europa há muito tempo, e o Brasil caminha pra esse lado também já há um bom tempo e com cada vez mais intensidade. Tudo isso por causa da competitividade que todo mundo busca. O raciocínio é que as cotas de TV e publicidade dependem de audiência, e quem dá maior audiência e consequentemente vende mais? O Flamengo ou um time do interior? O que aconteceu ao longo do tempo foi que as empresas não percebiam que o esporte, como o futebol e a F1, podia gerar tanto lucro como gera, e por isso antigamente não existiam altas cotas de TV e publicidades como há atualmente. E isso é fruto do quê, afinal? Fruto do sistema capitalista em que vivemos (nós, sociedade). Digo isso, porque a maioria esmagadora da sociedade utiliza o princípio do capitalismo (liberdade) erroneamente para buscar o que a sociedade diz (ou impõe?) que é o objetivo da vida de qualquer um, onde uma pessoa só se satisfaz e pode ser feliz se ela for A MELHOR e TER AS MELHORES COISAS. Isso gera o quê? Uma série de valores que influenciam no comportamento para se ter COMPETITIVIDADE! A consequencia é querer crescer cada vez mais e assim surge tornar um monopólio, surgido através de valores como ganância, egoísmo, e muitos outros do mesmo nível.

      Trazendo isso ao futebol, o que significa? Se você tiver esse pensamento que a sociedade impõe, você, como dono de uma empresa, vai enxergar o futebol como uma oportunidade de ganhar dinheiro e crescer mais. Então, em qual time você colocaria seu dinheiro? Poucos iriam investir seu dinheiro no time do bairro em que nasceu, porque esse time não dá retorno financeiro e consequentemente sua empresa não iria crescer e você, de acordo com os princípios atuais da sociedade, não seria feliz, até porque, num lapso de sentimento a maioria vai lembrar do concorrente que muitas vezes é egoísta, ganancioso e adoraria ver você se ferrando. Então, você busca o time que DÁ MAIS RETORNO, e obviamente, o time que VENDE MAIS. Quem vende mais? O time que tem mais torcedores. Por isso a Globo, a BMG, a KIA, investem nos grandes. E eles vao investir cada vez mais naqueles que dão MAIS retorno financeiro porque assim como elas, os jogadores também querem retorno financeiro por acreditar que serão mais felizes e satisfeitos ganhando cada vez mais! É por isso que o Ronaldinho Gaúcho é tão polêmico. Wle poderia jogar 100, 200 mil reais, até de graça, tranquilamente no time que AMA! Mas, não! Ele quer alguém que pague aquilo que o SATISFAZ! Por isso ele saiu do Flamengo. Se o Atlético não pagá-lo, vai acontecer o mesmo! No caso de clubes, é assim que um time como um Manchester City da vida saiu da sombra do Manchester United pra se tornar time de ponta na Inglaterra, Eu disse NA INGLATERRA! E aí entra o ciclo vicioso. Ou seja, o problema não existe porque Fulano ou Cicrano quiseram ou fizeram tais coisas no futebol brasileiro.

      O problema é SOCIAL! O problema tá na forma com que a sociedade encara a vida hoje, através de seus princípios e valores! Hoje, mais do que nunca, a sociedade coloca o dinheiro como um dos mais importantes fatores, se não O MAIS, para tomada de decisão na vida das pessoas! Se deixar, já já o Catar monta uma super equipe de astros que vai botar muito clube de Champions League no bolso! A razão pra isso tá na importância que as pessoas dão pro dinheiro! Enquanto as pessoas acreditarem que o dinheiro traz felicidade e satisfação, o egoísmo, ganância, e os conflitos por causa dele continuarão sendo as pontes para que o monopólio continue avançando e a desigualdade crescendo! E junto disso, a sensação de injustiça e, talvez, até o caos entre as pessoas que se sentem refém desse sistema.

  4. Banguense disse:

    Flávio Gomes,

    Excelente texto! Sou torcedor do bangu e entendo seu ponto de vista. Nos anos 80 o campeonato brasileiro era mais regionalizado, a partir de 1989 o título ficou restrito às regiões sudeste/sul, a partir de 2004 o título ficou restrito aos times do eixo Rio/São Paulo. E o futuro? Apenas três ou quatro clubes disputando o título?? Grande evolução dos campeonatos de futebol no Brasil… Parabéns aos dirigentes e jornalistas pela organização e promoção deste campeonato “Brasileiro”… Parabéns aos coveiros do futebol.

  5. Reynaldo Zanon disse:

    Há tempos que admiro vocês torcedores da Portuguesa. Já cheguei a pensar “esses caras devem ser masoquistas.” Eu, que sou palmeirense – e não posso me gabar ultimamente – sei o que é sofrer nas derrotas também, mas como o Palmeiras é um dos gigantes, já vi a conquista de muitos títulos e a perspectiva e exigência é sempre a de ser campeão. Mas vocês lusos, invariavelmente em minoria, menosprezados pela imprensa, e sem perspectiva de um grande título e, ainda assim, serem apaixonados torcedores, é digno de admiração. Sem contar que, historicamente, são roubados dentro de campo. Talvez não haja maior prova de amor do que o torcedor da Portuguesa. As torcidas também têm a sua psique, eu não saberia dizer com exatidão qual é a da Portuguesa, só tenho alguma noção, mas os considero heroicos.

  6. Wagner / BUGRÃO disse:

    Flávio Gomes!!!!!!!
    Muito inteligente a sua explanação. Concordo em todos os sentidos. Realmente o futebol brasileiro mudou demais, refletindo em muito o futebol europeu, com uma diferença: os estádios de lá estão cheios. Aqui não. Só enchem nas finais.
    Mas o que eu acho é que temos que ter inúmeras formas de assistirmos nossos times de futebol. Eu sou sócio torcedor do Guarani F.C. pelas vantagens e por assistir o time no campo. Poderia ser de outra forma!!!!!!!!! Como outros escolhem outras formas.
    E A SURGESTÃO QUE TENHO PARA RESOLVER AS INJUSTIÇAS NO FUTEBOL É ACABAR COM O MONOPÓLIO DA GLOBO NO FUTEBOL BRASILEIRO. Temos no brasil outras emissoras com potencial para este entretenimento, negociando bravamente com esta poderosa, e as federações se curvam para este monstro destruidor dos clubes de segunda linha. CBF e FPF, e recentemente o clube dos 13 (que não são 13) são os maiores culpados. Clubes mais antigos que começaram juntamente com o 1º Campeonato Brasileiro, com todo este tempo passado deveriam estar com uma estrutura bem melhor do que estão (Portuguesa, Guarani, Ponte Preta, Vitoria, Bahia, Juventude, Vila nova, Remo, AmericaRJ,….etc……….), e no entanto lutam para conseguir patrocinadores para campanhas melhores. Sou a favor da igualdade entre todos os times do brasil, sendo assim conseguirão mais públicos e conseguentemente, mais finanças.
    Obrigado pela atenção e parabens pelo seu precioso comentário.

    • Mark Monkey disse:

      Wagner, compartilho de sua opinião, como pontepretano acho que as cotas deveriam ser distribuidas de forma iqualitária e sem privilegiar ninguem, Digo mais, pelo bom momento que os dois times de Campinas estão vivendo deveria haver neste momento, pelo menos uma reivindicação conjunta de Ponte, Guarani e Portuguesa (esta quando subir para a A1) por no mínimo cotas intermediárias.
      O problema é o crápula do presidente da Federação Paulistana de Futebol Marcopolo Delnero que ignora totalmente o interior, e que está no cargo errado.

  7. Álvaro disse:

    Caro Flávio, se um dia os nossos times “pequenos” conseguirem coragem para sair desse círculo vicioso, formar uma nova liga e dar um pé na bunda dos “grandes”, certamente seu texto fará parte do manifesto de fundação. E terá minha assinatura!

  8. Tiago disse:

    Meus cumprimentos pelo texto. Sou torcedor do Juventude e penso exatamente assim. O futebol dos clubes “menores” segue rumo à aniquilação total e completa. Tudo em favor da bundamolice do futebol de pay-per-view e seus adeptos que torcem via Facebook.

  9. Lucas disse:

    Texto simplesmente Genial.. a expressão do pensamento de todos os torcedores do Brasil que se negam a torcer por imposição da mídia.. torcedores de verdade.

    Parabéns Sport, campeão da Copa do Brasil contra o corinthians..
    Parabéns Vitória, vice-campeão da Copa do Brasil contra o Santos de Neymar e Robinho..
    Grandes times, grandes feitos.

  10. Gui Vascão disse:

    Quando Vaso, Flumerda, Coritnhias, Bota Choro e Palemeiras cairam, já tinha uma distribuição “Injusta” (se dar mais dinheiro pra quem leva publicos aos estadios e vendem inumeros pacotes de peiperviw é Injusto não sei o que é Justiça) só que quem fazia essa distribuição era o Clube dos 13, cujo a Portuguesa sempre fez parte, sempre levando vantagem financeira em cima dos não pertecentes ao clube, não é atoa que Lusa tinha times competitivos e sempre classificava entre os 8 primeiros, só foi cair se não engano no inicio dos anos 2000, todo esses anos que levaram vantagens as custas do Clube dos 13 não reclamavam da injustiça de distruibuição financeira, só agora com o fim do Clube dos 13 que os clubes passaram a negociar diretamente com a TV, e ai é questão comercial mesmo, A empresa é claro que vai pagar mais pra vem vende mais, e tras mais lucros para Emissora.

    • Bugrino disse:

      Colega vascaíno, não torço para a Portuguesa, mas gostaria de corrigir um erro seu contra o autor do ótimo texto acima. A Portuguesa, assim como o meu amado Guarani, o Atlético-PR e o Vitória-BA só entraram para o Clube dos 13 em 1999, dessa forma o seu comentário a seguir não faz sentido algum: “só foi cair se não engano no inicio dos anos 2000, todo esses anos que levaram vantagens as custas do Clube dos 13″.

    • Mark Monkey disse:

      Desculpa amigo, o clube que tem torcida já é favorecido na bilheteria, o tal pay per view que vc cita é justamente o cancro do futebol, pois invés do torcedor ir ao estadio da sua cidade e privilegiar o time da sua cidade prefere por modinha torcer para o time a centenas de km de distancia sem a menor identidade com o clube. O campeonato é jogado entre todos e cotas iguais trazem equilibrio e promoveria o diferencial técnico e não financeiro dando chance a todos. A Tv vai acabar com o futebol pois o Brasil tem dimensões continentais com muitos clubes, os estaduais devem continuar a existir. Prefiro ser sócio torcedor do meu time (no caso a Ponte Preta) do que dar dinheiro para os famigerados da Rede Globo que só se interressam por Corintians e Flamengo .

  11. Matheus Eduardo disse:

    Sou torcedor do América mineiro, não gosto da Lusa graças a rivalidade de 2010,
    mas o texto foi simplesmente lindo, um dos textos mais bem feitos sobre a atual situação que o nosso futebol chegou.
    estamos em tempos de espanholização do futebol brasileiro. Não demora muito e times como Botafogo, Cruzeiro, Atlético-Mg, Grêmio e Inter tbem serão jogados pra escanteio, ate termos apenas umas 4 equipes no Brasil.

    • José Brabham disse:

      Verdade… Eh o execrável “futebol de resultados”. O que me faz lembrar de um episódio: a uns anos atras, caminhando pela orla de Salvador, encontrei um amigo que nao via a muito tempo, vestindo uma camisa do SPFC. Perguntei a ele porque estava vestindo assim, com a camisa de um time do Sul, ele me disse que na Bahia nao tinha time decente, e que ele se espantava que eu, um “homem de gestão” (palavras dele!) ainda torcia pelo Bahia (imagine so, que pensamento mais torto). Respondi que torcer por time nao eh um ato de gestão, mas de coração… Onde vamos parar!

      • Mark Monkey disse:

        É isso que me deixa indignado, são os chamados pseudo torcedores sem a mínima identidade com seu time, é uma questão de ética e moral, se a sua cidade tem estádio de futebol e time para torcer é obrigação prestigiá-lo, é uma questão de cidadania !!

        Concordo contigo e saudações de um indignado pontepretano que será mais uma vez afanado nas semis do paulista !!

    • Sidney disse:

      Serão duas: flamengo e corinthians. Como a segunda é um exemplo de falta de organização, será só uma.

  12. demetrio ferreira disse:

    Por isto faz tempo que deixei de ser torcedor e passei a ser analista de futebol!
    Assisto, tiro minhas conclusões e debato (debater = trocar impressões a cerca do que passou na tv, bem diferente do ‘discutir quem é o melhor, quem tem mais títulos, quem tem mais craques, quem tem a maior torcida….’. E, isto me basta. O futebol perdeu a graça faz tempo, viu!

  13. Sergio Rodrigues Siqueira disse:

    Flávio Gomes,

    PARABÉNS!!! Excelente texto e colocações. Sou goiano e goianiense. Assim como meu pai, torço pelo galo goiano, o Goiânia Esporte Clube. Na verdade torcedor mesmo, pois só o vi ser campeão da segunda divisão do campeonato goiano. Aqui brincamos que o Goiânia não tem torcedores, mas sim “testemunhas”.(rsrsrsrs). Tenho um certo “nojo” pelas condições que acontecem no futebol brasileiro. Principalmente, no que diz respeito à condição imposta pela tv, que “obriga” o torcedor sair de sua casa em plena quarta-feira, à noite, e tarde da noite, para ir ao estádio e voltar de madrugada, tendo que trabalhar no outro dia cedo. Nós somos manipulados e temos que aceitar, pois não temos forças suficientes para “disputar” com quem hoje em dia banca os times. Meu pai conta que naquela época, a alegria de ir aos estádios não resumia só em vibrar com o time ganhar, mas partilhar e compartilhar a alegria de encontrar amigos torcedores do mesmo time e amigos os times ditos rivais. Era maravilhoso…era gostoso torcer…era vibrante…era emocionante…era viver o time…infelizmente hoje morre-se com o time. Que pena!!! Será que veremos estádios com torcedores apaixonados? Será que voltaremos a ver famílias inteiras vivenciando estes momentos? Sem medos? Juntos com os torcedores rivais? Bons momentos aqueles…

    PARABÉNS!!!! Me deu vontade de ver o galo jogando de novo. Viva o futebol verdadeiro. Viva o futebol por amosr, e não pelo dinheiro. Alguns fingem que pagam, outros fingem que jogam.

    Abraços a todos apaixonados pelo verdadeiro futebol, sem máscaras, sem “rolos” e enroscos…

    Sergio

  14. José Brabham disse:

    FG, quarta-feira a Lusa vai enfrentar meu Bahia no Caninde! Que vença o melhor!

  15. Rodrigo Banach disse:

    FANTÁSTICO!
    Não conhecia o autor, mas já sou fã pela ideologia e visão do futebol.
    Essa piazada de hoje em dia só conhece Messi e Ronaldinho Gaúcho, e só “joga” futebol via Playstation.
    Parabéns por levar os seus filhos ao estádio e ensiná-los o verdadeiro sentido do futebol!
    Saudações de um Coxa-branca!
    ÓDIO ETERNO AO FUTEBOL MODERNO!

  16. Luiz Camparis disse:

    Texto gigante, Flavinho!
    Sou seu fã desde então.
    E viva a Ferroviária…

  17. Isac Oliveira disse:

    CARALHO, QUE TEXTO FOOOODAAAA!!!
    SOU TORCEDOR DO BAHIA, E NÃO TIRO UMA VIRGULA DO QUE VC FALOU.
    SÓ NA PARTE DE QUE VAI SER CAMPEÃO DA COPA DO BRASIL, ESSA É DO BAHÊÊAA!!
    DE FUDER!!!

  18. sergio disse:

    Flávio,
    sua crônica tem tudo há ver com meu América mineiro.
    A Portuguesa tem muito há ver com o América tbm. Uma diferença é que o Corinthians,
    que não tem estádio próprio, nunca quis se apropriar do Canindé, como o atlético esta
    querendo fazer com Nosso Independência, que será reinaugurado em breve!!!!

  19. PAULO disse:

    ADOREI O TEXTO, SOU TAMBÉM TORCEDOR DA LUSA, ESTOU MUITO CHATEADO COM A INCOMPETENCIA DA DIRETORIA, MAS TAMBÉM QUANDO LEIO OS BLOGS LUSITANOS POR AI SÓ VEJO GENTE RECLAMANDO DO PREÇO DO INGRESSO DE FALTA DE PROMOÇÕES E OUTRAS DESCULPAS PARA NÃO IREM AO ESTÁDIO. ADORO A PORTUGUESA DESDE O DIA EM QUE FUI COM MEU PAI A PRIMEIRA VEZ NO CANINDÉ, A LUSA GANHOU DO AMERICA E O ENEAS AINDA JOGAVA, NÃO TINHA COMO NÃO GOSTAR. SEMPRE QUE POSSO VOU VER A MINHA LUSA, JÁ PRESENCIEI VITÓRIAS LINDAS E DERROTAS ONDE O TIME JOGOU COM VONTADE SÓ QUE ERA INFERIOR AO ADVERSÁRIO. LEMBRO DO EDU MARAGON FAZENDO LINDAS JOGADAS COM A CAMISA LUSA, LEMBRO DA ESTRÉIA DO LUIS PEREIRA, PARA ALGUNS JÁ APOSENTADO, MAS JOGANDO MUITO AINDA. ESPERO QUE TENHAMOS MAIS COMPETENCIA NA SÉRIEA, QUE TENHA SIDO O ULTIMO REBAIXAMENTO, UM ABRAÇO A TODOS OS LUSITANOS.

  20. Rafael Moreira Fabro disse:

    Queria poder ler todos os comentários para notar se há por aí o encantamento que tive ao ler o texto, Flavinho. Sou vascaíno (torço para um dos considerados “grandes”, mas subestimado na cara-dura pela imprensa carioca por uma espécie de totalitarismo rubro-negro há décadas), descendente de portugueses e um simpatizante da Lusa desde pequeno, lá nos idos dos anos 80. Vejo futebol com olhos de menino, assim como os seus. Claro, com o tempo ficamos cascudos, sabemos dos bastidores, mas não perdemos a paixão infantil e tudo que foi tão bem expresso na crônica (uma ode não só à Portuguesa, mas ao Futebol).

    Meus parabéns por tirar palavras da boca de tanta gente boa que está cansada dos jovens-Playstation-Championship Manager e da turma (boa parte da imprensa, infelizmente) que acha que liga-dinheiro-cotas de tv-iates-mulheres (à la Pica-Pau) é o oásis do futebol. Os boleiros de sangue curtem o futebol das entranhas, os times nos grotões do Brasil e não campeonatos pasteurizados ou a tal euforia Prozac dos comentaristas e narradores pelas esquinas afora. Futebol é alegria-tristeza-alegria-tristeza-angústia-fúria-alucinação-desvario,….

    Grande abraço, cara! Entrei aqui pra ler sobre a nossa brava F-1 e dei de cara com um baita texto sobre o velho e bom esporte bretão. Valeu, obrigadão!

    Saudações Cruzmaltinas!
    Rafael Fabro

  21. Angelo disse:

    Flávio

    A midia só acha que Corintianos,Palmeirenses,Flamenguistas etc é que amam seus clubes,são fiéis,nós(os demais os do “interior”) não amamos,não temos vidas,como bugrino que sou deixo minha solidariedade a nação lusa pois tambem vivemos na pele tudo isso que você explendidamente relatou .

  22. Espetacular o seu texto. Minha vida como torcedor passou diante dos meus olhos, vista pelo ângulo de um torcedor da Lusa.

    Fiquei encantado com o texto.

    Pena que os babacas da rede globo e da CBF não queiram mudar este quadro. Realmente o futebol da década de 80 era muito mais emocionante.

    Abraço.

    Prof. Fernandes.

  23. Augusto Viana Franco de Oliveira disse:

    Muito bom o texto,sempre tive este sentimento,sendo torcedor do Paraná CLube,nos 15 anos em que participou da serie A,de que a queda era eminente.Disputar o jogo,com a mesma regra e sem as mesmas armas nao êh justo.Comentar a derrota deste excluídos e comemorar a vitoria dos favorecidos sem citar a diferença abissal entre os recursos repassados a estes pela TV chega a hipocrisia e fingimento.E isto nao êh comentado nos momentos das vitorias para nao diminui-las.

  24. LM disse:

    Não sou torcedor da Lusa, mas as fotos estão sensacionais!

    Belo texto. E boa sorte para a Portuguesa.

  25. Moisés Cunha disse:

    Mesmo em uma liga com vinte times existem os 12 fantásticos e 8 figurantes, entre os 12 fantásticos estão 4 de São Paulo, 4 do Rio, 2 de Minas e 2 do Rio GRande do Sul, já aconteceu e pode novamente acontecer de 1 desses 12 cair, mas no ano seguinte é canditado certo ao acesso, concordo que na série B o negócio é mais equilibrado e portanto mais disputado, desde o fim do amadorismo o dinheiro fala mais alto e com o advento da tv, tv paga e outras mídias as diferenças são cada vez maiores, vejam o Guarani graças as grandes campanhas no passado continua entre os vinte do ranking nacional mas sofre para se manter vivo e vive em um sobe-desce, até quando essa situação vai perdurar?

  26. sam disse:

    Ok. Concordo que o campeonato brasileiro nao seja dos mais justos, embora aconteça de alguns clubes ricos perderem pra clubes nao tão ricos assim. Meu time é o internacional e ele não é mais rico que os times de são paulo e rio. No entanto, vez ou outra, o time bate eles.
    A maior prova disso, foi quando vencemos o mundial de 2006 contra o barcelona que na época tinha ronaldinho gaúcho no auge. Futebol de verdade, a gente vai ver quando duas coisas se encontrarem novamente: o amor verdadeiro pelo clube e o desprendimento por dinheiro. Ou seja, o motivo pra jogar seja o futebol e o clube, não o dinheiro.

    • Zé da Taba disse:

      Sam,

      o Inter é um clube riquíssimo. Sua distância para os grandes de SP e RJ é mínima.

      É diferente da distância do meu Bugre, que tem uma folha mensal de seiscentos mil reais e recebe menos de um milhão e meio da FPF pelo Paulistão, para um Palmeiras da vida, cuja folha é de SETE milhões e a participação da FPF de NOVE milhões.

  27. Mostrei o texto ao meu pai e ele gostou muito. Ele entende tudo isso.

    Aliás, o meu velho também me deu o direito de escolher. Escolhi torcer para o Grêmio Esportivo Brasil, o grande Xavante. E sabe o que é mais legal? Não me arrependo um segundo pela minha decisão.

    Realmente o futebol está, aos poucos, ficando apenas para os “escolhidos”, aos ditos “grandes” – psss. Mas nós, Xavantes, teimosos como somos, iremos permanecer de pé na arquibancada, entoando cânticos vindos do peito e da alma, independente da divisão ou dos adversários. Da mesma forma farão os Grenás, Lobos, Papos, a torcida da Lusa ou do América de Minas, entre tantos outros torcedores deste país imenso.

    Enquanto estivermos vivos, nossos clubes também estarão. Tenho certeza.

    Um forte abraço, Flávio. Saudações da Xavantada.

    AH! EU SOU XAVANTE!

    • Mark Monkey disse:

      Parabens Pedro, continue fiel à suas tradições esportivas e raizes, é assim que demosntramos amor ao nosso clube !! Saudações pontepretanas de um pai que tem um filho que pensa como vc!!!

    • Matheus Eduardo disse:

      eu torço muito para q o grande xavante volte ao cenario nacional, desde q o america enfrentou o Brasil em 2009 eu adquiri um carinho muito grande pelo Brasil.
      Mesmo com a derrota nao houve zuação da nossa perte nem qebra-qebra do lado do Brasil, o q houve foi uma solidaruiedade muito grande entre as torcidas, algo q ate entao eu nunca tinha visto, ainda mais em um jogo onde 1 ano de uma equipe estava em jogo.
      Torço pra q vcs tenham o mesmo destino do américa e conseguigam subir 1 divisão por ano q o américa q sai da B em Minas pra A do Brasil

  28. Deu até vontade de gostar de futebol…

  29. Felipe Ribeiro disse:

    Parabéns pelo texto, Flávio. Torço pelo América-MG e tenho 30 anos. Apesar de novo para alguns parâmetros, entendi muito bem sua colocação sobre o futebol-dinheiro que vivemos hoje. Principalmente por gostarmos de futebol e não mudarmos de camisa meramente por títulos e momentos. Quem dera a grande massa de espectadores e consumidores de futebol que temos hoje pudesse ler e entender um pouco do que você escreveu. Talvez a utopia de retornar o futebol a um esporte apaixonante e competitivo pela prática pudesse se tornar um pouco menos impossível. Eu vou tentar fazer a minha parte e explicar aos meus filhos, se ou quando os tiver, como as coisas funcionam. E as opções sempre estarão lá. Espero que o futebol resista e também esteja. Mais uma vez, parabéns. Espero encontrar a Lusa na série A em 2012, com outra estrutura e um campeonato um pouco menos injusto. Sucesso!

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