VALE MUITO

SÃO PAULO (alguns jamais entenderão) - Aí, aos 44 do segundo tempo, o rapaz de nome Ananias fez o gol, e meus moleques pulam como nunca, gritam como nunca, abraçam o pai e os desconhecidos na arquibancada, e têm o diazinho mais feliz de suas vidas.

Aí eu abro os jornais no dia seguinte, e ouço as rádios e as TVs, e leio e ouço e vejo que esse campeonato não vale nada, que os grandes estão cheios de tédio, que isso tudo acabe logo para começar o que importa, o que vale.

E então percebo que estão, estamos, talvez, totalmente descolados da realidade. Como assim, não vale nada?

Vou contar uma historinha.

Meus meninos têm 12 e 11 anos. Vão aos jogos do seu time desde quando não conseguiam andar direito e eu tinha de carregar cada um num braço, e subir os degraus até lá no alto, porque eles gostavam de ver aquele campo enorme, um mundo novo e verde estava se revelando, com onze de cada lado, e uma porção de gente assistindo, e gritando, e xingando. Aprenderam a assistir, a gritar, a xingar, a cantar, aprenderam as regras sozinhos, tomaram posse daquele mundo que, no começo, era apenas uma imensidão verde que se via lá do alto, do último degrau.

Ontem, na arquibancada quente, de cimento, havia dezenas, centenas de garotinhos como eles. E eu vi seus olhinhos brilhando. Eu ouvi do meu mais novo, já no carro, voltando para casa, que ontem ele ia dormir mais leve.

E vêm os escribas e os locutores do alto de seus púlpitos e de sua pequenofobia para afirmar que não, isso não vale nada.

É uma espécie de bullying, uma crueldade talvez involuntária, mas ainda assim uma crueldade.

Que direito tem alguém de ir aos jornais ou à TV e dizer para uma criança de 11 ou 12 anos que sua alegria, sua felicidade, não vale nada? Quem foi que nos deu, a nós jornalistas esportivos, essa prerrogativa divina e sacra de dizer a uma criança qual o tipo de coisa pela qual vale a pena ficar feliz e chorar de alegria?

Eu vi os olhinhos dos meus meninos brilhando. Discretamente, um deles até enxugou algumas lágrimas. Eu até chorei, pai, disse no carro, e o outro disse que não chorou, mas quase.

Elas, essas lágrimas, valem muito. Mais do que todos os reais versus barcelonas desta e das próximas semanas, e de todos os que ainda hão de acontecer até o fim dos tempos.

Elas valem mais do que as cifras repletas de zeros que os jornais e as TVs brandem quando tratam do preço de um ganso, ou do valor de uma arena (arena?), ou dos direitos de transmissão.

Sobram números frios aos meus colegas, mas falta a eles o calor de uma arquibancada de cimento duro num domingo de sol. Falta a eles, e tem faltado a muita gente, olhar nos olhos de uma criança quando ela vê o goleiro do seu time subir no alambrado para olhar nos seus olhinhos. Falta ver de perto um garotinho arrancar a camisa suada e abraçar o pai com a cabecinha colada no peito junto ao distintivo.

Ninguém tem o direito de dizer que isso não vale nada. Ninguém tem o direito de dizer a uma criança que sua felicidade não vale nada, só porque ela eclodiu de repente num estádio antigo num torneio menor, e não diante de uma tela de LCD, com transmissão em HD, numa arena climatizada igualzinha às dos videogames.

A vida real, o futebol de verdade, não está num playstation, nem pode ser visto em HD. Na vida real, os olhinhos das crianças brilham no cimento duro da arquibancada quando seu time faz um gol, e dizer que aquele gol não vale nada é coisa de quem não está entendendo mais nada.

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200 respostas a VALE MUITO

  1. Marcel Janelli disse:

    Flavio, excelente texto. Me identifiquei muito com ele.
    Aqui em Pelotas/RS isso acontece muito. Sou torcedor do Esporte Clube Pelotas e a imprensa daqui é muito imparcial e babaca. Um bom exemplo disso é a copa de segundo semestre do RS, a Copa FGF, que este ano se chama Copa Laci Ughini (em homenagem ao falecido). Antes de 2009 a imprensa de Pelotas SEMPRE tratou como COPA FGF. Até porque nosso maior rival, em duas oportunidades havia chegado à final da copa sendo derrotado nas duas ocasiões. Em 2009, no entando, quando o ESPORTE CLUBE PELOTAS foi CAMPEÃO DA COPA, a imprensa começou a chamá-la de COPINHA. Se ouvires rádio por aqui e até mesmo nos veículos impressos vais encontrar COPINHA se referindo a Copa FGF ou Copa Laci Ughini. Lembrando também que a “copinha” dá VAGA A COPA DO BRASIL, mas mesmo assim: “não vale nada”.

  2. Bruno disse:

    Sempre contra o futebol moderno!!!

    Viva a cultura de arquibancada!

    Fim do ano passado também presenciei essa cena, velhos, crianças, jovens, todos chorando após o título brasileiro da Série C pelo ABC.

    INESQUECÍVEL!!!

    PARABÉNS PELO TEXTO!

    ABC MEU ÚNICO TIME.

  3. Sandro Ramos disse:

    Flavio, simplesmente lindo seu texto. Meus parabéns. Exprimiu tudo o que sinto quando ouça esse tipo de comentário, e a enxurrada de futebol internacional em nossas TVs. Futebol é isso que vc descreveu, nada mais que isso,

  4. edson luiz torrisi disse:

    Flávio Gomes, mostre este texto ao RB, o blazê comentarista da ESPN e da Folha, que aos poucos, vai perdendo espaço, diga para ele ir para ao Jovem Pan , a rádio traço, fazer companhia a Flávio Prado e à corja ali estabelecida. Valeu Flavinho, Fora geração winning elleven.

  5. Marcelo disse:

    Flavio, estou contigo!
    Estou por aqui desse povo que joga lá pra baixo os estaduais, como o Juca e tantos outros.
    Cacilda, por que esse pouco caso todo? Isso é banca típica de alguns paulistanos… E as outras grandes cidades como Campinas, Ribeirão, Mogi, Itú, Bragança…não merecem por seus times contra os grandes da capital porque? Por que tanto desprezo? Volta e meia pinta um desses que saca fora um dos grandes…aí é aquele orgulho!
    Vivas aos estaduais! Aliás era bacana o tempo em que os campeões estaduais disputavam a taça brasil….

  6. GU Bortolozzo disse:

    Caro colega FLAVIO.
    Não posso deixar passar a o0portunidade de cumprimentá-lo pela matéria. Stupenda !!!… como diriam os italianos.
    A felicidade do ser humano está na coleta dos pequenos momentos felizes de nossas vidas.
    Cada um têm seus momentos de felidade, no caso do futebol, cada um com seu time, independente da importancia da partida no campeonato.
    Seus filhos serão sempre felizes angareando pequenas felicidades durante a vida.
    Beijos a esses dois garotos cujo pai sabe como faze-los felizes.
    Abraços.
    GU.

  7. Joao Silveira disse:

    Não vale nada, quem ousa dizer tamanha besteira, se até numa pelada entre amigos quando fazemos aquele gol feio ou bonito pulamos de alegria….valeu a alegria daquele momento e essa alegria é eterna…valendo ou não vamos comentá-la para os amigos.
    Não importa a grandeza do campeonato o que vale realmente é a alegria do momento.

  8. Cesar Oliveira disse:

    Flávio, parabéns!
    Nós fazemos parte – permita-me compartilhar de sua companhia – de uma parcela da raça humana para quem o futebol, pra além da paixão desabotinada, é um esporte sensacional. Fui pai muito novo e levava meu primogênito para o alto de um morro, em Vila Isabel, no Rio de Janeiro, para ver jogos no então campo do América (hoje, um shopping Iguatemi). FIcávamos lá vendo aquela vista maravilhosa, o campão verde lá embaixo, o céu esplendoroso, e nós sentados juntos – eu, apoiado numa touceria de capim, uma perna pra cada lado e ele encaixado em mim.
    Abração,
    Cesar Oliveira
    http://www.livrosdefutebol.com

  9. Bela Azoubel disse:

    Lindo texto! Parabéns! Esse sentimento, não podemos perder JAMAIS!

  10. Alex - Porto Alegre disse:

    Bravo !!! Nada mais.

  11. Wagner disse:

    Sou torcedor do Coelhão (America-MG) aqui em BH, que pelo visto deve ter o mesmo tratamento da Lusa aí em SP.
    Quando estamos dentro o campeonato não vale nada, quando ganham da gente fazem festa, tratam o campeonato de Rural e os jogos não valem nada segundo alguns

  12. Fernando disse:

    Belo texto, falou como paizão mesmo. Mas Flávio, fala a verdade: se a Lusa tivesse uns 15, 20 Paulistas a mais, será que a repercussão dada seria a mesma?

    Estou fazendo o papel de advogado do Diabo aqui, mas no fundo, é isso mesmo, quem fala que “não vale nada” é porque torce para um time que já ganhou muito.Sacou? O cara já comeu, já pode reclamar de barriga cheia…

    A Lusa precisa de títulos. Amor incondicional já vi que já tem. Quando ganhares uns 10 campeonatos mais, saberá do que estou falando… e aí, com todo o orgulho, você e seus filhos dirão também: “esse campeonato não vale nada…” C’est la vie. Hehehe!!!

  13. Victor disse:

    Esse texto precisa de uma repercussão maior. Ninguém para colocá-lo no Lance! ?

  14. Filipe Gonçalves disse:

    Flávio, sei que teu tempo é curto e provavelmente, ler tudo que postarei abaixo, seria um sacrifício. Mas ficaria grato se o fizesse e, de repente, reproduzisse até mesmo em teu blog.

    Nós, Xavantes, passamos por situações como essas diariamente. Somos massacrados com cornetas de milhares de torcedores de sofá que não entendem o que significa amar um clube, e não os resultados ou títulos dele.

    O texto que reproduzirei é do Fabrício Cardoso, grande Xavante, amigo, e que hoje reside em Santa Catarina, mas ainda sim devota seu amor ao Xavante do nosso RS.

    Abraço!

    “Um prazer para poucos

    Dias atrás, uma pergunta entrou como um adaga pelos meus tímpanos. “Papai, posso ser Vasco?” sondou meu filho de cinco anos, olhar fixo em mim, à espera de resposta. “Por quê?” respondi, enquanto recobrava-me da taquicardia. “É que ninguém na escola conhece o Xavante”… Maldito imperialismo televisivo, pensei, ao mesmo tempo em que aconselhava o guri a pensar mais tarde no assunto. Moro em Blumenau e, como antes da televisão só as rádios cariocas penetravam nestes morros, os clubes do Rio polarizam as simpatias por aqui. O mesmo movimento desprovido de paixão autêntica enxergo nos clubes de Porto Alegre, que, apesar dos títulos e talvez pela arrogância dos torcedores, não têm envergadura para apaixonar Brasil afora.

    Sete em cada 10 gaúchos nascidos no início da década de 70 torcem para o Inter – esta estatística não se aplica a Pelotas, obviamente. Quem cresceu vendo Falcão e Valdomiro, comprou briga com o pai gremista para ser colorado. A molecada que freqüentava o pediatra na década de 90 hoje anda por aí, cantarolando e pulando como argentino entre um soco e uma pedrada. Agora, anotem: em 2016, uma década depois do apogeu do Gabiru, o Rio Grande estará infestado de colorados. A estes torcedores de safra, que entram aqui no blog donos de si, prevendo goleadas e tal, previno que ser xavante é um prazer para poucos, que não se apaga com fracassos eventuais.

    Não precisamos da televisão e do marketing para nos multiplicar. O rubro-negro nutre uma paixão artesanal. A cada partida, é preciso navegar por sites obscuros ou disparar interurbanos atrás de informação. Quem senta a bunda no sofá na hora do Globo Esporte e sai satisfeito, jamais saberá o que significa isto. Num mundo de paixão por atacado, é um privilégio amar no varejo. Meu pequeno Inácio vai perceber antes de se tornar um patético torcedor de safra. Xavante add eternum!”

    • Rogério Magalhães disse:

      “(…) uma paixão artesanal. (…) Num mundo de paixão por atacado, é um privilégio amar no varejo”…

      Taí, curti essas duas partes do texto, pra mim, o resumo perfeito da coisa, porque cabe para um xavante, como cabe para um americano do RJ ou de MG, para um banguense, para um juventino, para nós lusitanos… enfim, o resumo da gente que rema contra essa maré dos ditos “poderosos”… é toda uma filosofia de vida que meros títulos – que são sim desejados como uma quimera – não são suficientes para explicar e amalgamar…

      Tem uma frase que eu sempre digo, meio como lema, que vai pelo mesmo caminho: “torcer pela Portuguesa não é um simples ato, é extensão da nossa própria existência…”

      Uma existência artesanal…

  15. cesar aguiar disse:

    Belo texto! Vale muito, mesmo. E tomara q ganhe a Lusa.

  16. Rodrigo disse:

    realmente, alguns jamais entederão…

  17. Henrique Borges disse:

    Olá Flavio! Como palmeirense que sou, já te xinguei (e muito!), mas esse texto é incrível! O Paulistão, pra início de conversa, vale muito sim! Pergunte a algum gambá mais antigo qual o título mais importante da história do clube? E a um palmeirense da década de 80/90?

    Outra coisa é essa babação de ovo em cima de campeonatos europeus… a chamada Geração Winning Eleven, como diz um certo colunista palmeirense (Barneschi). Saem às ruas com camisas de times europeus, se dizendo torcedores (!). O que vc acha disso?

  18. @_Luccas94 disse:

    Simplesmente, parabéns…Você é demais e continue mostrando o real valor do futebol aos seus filhos!

  19. Sidney Botafogo RP disse:

    Pois é Flávio, parabéns pelo texto!

    É a mais pura expressão da verdade! E cheio de alma, assim como deve ser!

    Sou botafoguense roxo (Botafogo de Ribeirão Preto) e fiquei feliz e emocionado ao mesmo tempo, quando vi comentários de outros botafoguenses por aqui!

    É que às vezes, me sinto meio “estranho no ninho” de não sentir nada por times grandes e ter o meu PEQUENO GRANDE FOGO no coração.

    Abraços a todos!

  20. luciano filho disse:

    Tenho 19 anos, e minhas maiores felicidades até hoje tinham sido escapar do rebaixamento em 2006, acesso em 2008 e A-2 em 2007, mas neste domingo, meus olhos encheream de lagrimas, nao contive a euforia e a lágrima escorreu sobre meu rosto, era a Lusa me trazendo uma alegria diferente, não foi por não ter polemicas ruins, mas por me levar ao êxtase de poder saber o que é, torcer para um time vencedor, que consegue seus objetivos na raça e na vontade!!!

    POR ISSO EU AMO A LUSA, POR ISSO EU TENHO ORGULHO DE SER LUSA!!!

  21. José Luiz disse:

    Flávio,

    Excelente texto. Chorei muito com a classificação da nossa Portuguesa…

    Agora a mídia querendo ou terá que falar de nós.

    Força Lusa

  22. Fabiano disse:

    Quanto falso moralismo e falta de vergonha na cara,hein. Somos nós torcedores que desvalorizamos os estaduais,que vivemos fazendo chacota dos mesmos,que deixamos os estádios vazios,enchendo o peito pra se vangloriar apenas dos torneios nacionais…

    Eu entendi o texto e notei a beleza de tudo isso. Mas neguinho vir aqui colocar a culpa na mídia? Torcedor brasileiro é um lixo mesmo. Que além de tudo,não assume as próprias preferências. É a paixão do torcedor que move o futebol,que valoriza um determinado torneio. Ir ao estádio pra vêr Palmeiras e Linense vocês não querem,né?? Aí quem toma a sova é o Kfouri…

    Santa e maldita babaquice,Batman!

  23. Guilherme disse:

    O futebol está mesmo ficando cada vez mais chato e patético. Além do excesso de “profissionalismo” que não permite jogador criticar arbitragem ou fazer piada sobre o rival, há também uma parte da imprensa que só valoriza aquilo que dá audiência.

    Acho ridículo jornalista que ridiculariza o Paulista, critica os times considerados pequenos, mas acabam babando ovo para aquela chatice de futebol europeu. Aliás, tem coisa mais chata que futebol europeu?

    Concordo que é interessante ver jogadores como o Messi mostrar seu talento em um clássico, mas a nossa realidade é sentar no cimento dos Canindés, Vilas Belmiro, Pacaembus e Morumbis da vida para vivenciar esses momentos que você citou no seu texto.

    Graças ao meu pai, que me levou ao Pacaembu quando eu tinha sete anos para ver Corinthians x Santos, numa tarde chuvosa de fevereiro de 1993, que pude entender o que é futebol. Hoje em dia tenho pena desses garotos que passam suas tardes assistindo a Champions League, compram camisas do Chelsea achando que este é um grande time, mas nunca puderam ao menos esboçar uma emoção ou uma lágrima no cimento duro de uma arquibancada de verdade.

  24. Mára disse:

    EMOCIONANTE!! Meu marido é louco por futebol e temos 2 filhos ainda bebês. Ele sonha em levá-los aos estádios. Esté sempre envolvido com futebol capixaba torcendo incansavelmente pelo Linhares. Acho que viveremos emoções como a sua em breve.

  25. Zé Pedro disse:

    Quem é apaixonado pelo seu time ,sabe do que você está falando!
    Não são só os Gominhos que se sentiram mais leves no domingo……..
    Vamos reviver 96????
    Abraço

  26. Felicio Trez disse:

    Flavio, estou emocionado e me sinto representado no seu texto, mesmo torcendo para outro time (torço para o Botafogo de Ribeirão.
    Muitos dsses jornalistas que dizem não valer nada, são uns frouxos, que um dia foram torcedores de times (ditos) pequenos, mas que viraram a casaca. Aposto que os pais deles se envergonhariam de saber que não frequentam mais os cimentos duros e quentes e que também não levaram seus filhos para aprender desde cedo.
    Preferem dizer que não vale nada, que só há violencia e blá,blá,blá. Ok as vezes acontecem alguns incidentes, mas normalmente são premeditados entre as torcidas organizadas, com local e horário marcado.

    Parabéns pelo texto…ao lê-lo, imaginei meu pai olhando para mim e me imaginei no futuro fazendo o mesmo. Frequento estádios (não só o do Fogão) desde os 3 anos, quando vi meu tricolor ganhar do Juventus, na Rua Javari, por 3 a 0, em 1985….desde então nunca parei, nunca vou parar e sempre trarei outros comigo.

    Abraços e vida longa aos torcedores-frequentadores-de-estádio-e-que-sabem-o-que-é-sentir-emoção-no-chão-duro-e-quente-dos-domingos-à-tarde.

  27. Edson disse:

    Flávio, faz o seguinte. Quando vc encontrar a cavalgadura chamada Juca Kfouri nos corredores da ESPN questione o infeliz. Ele na sua diarréia mental exalta que o PAULISTÃO é paulistinha. Agora se o time de coração dele ganha vira paulistão de novo manjou?
    Sou Palmeirense mas tenho uma camisa da Lusa guardadinha por carinho.

  28. Leandro disse:

    Segue a coluna do Márcio Bernardes, na mesma toada do Flávio Gomes. Ele se emocionou com o nosso Comercial e me emocionou com o seu comentário. Talvez os “grandes” comentaristas devam sair de seus estúdios com ar condicionado e frequentarem estádios, onde a emoção realmente acontece. Espero que esse seja o regresso da essência do futebol.

    http://www.dgabc.com.br/Columnists/Posts/23/5526/vai-comecar.aspx

  29. chicao disse:

    parabens flavio…eu tava perto de vc no jogo e vi toda essa emoçao que vc descreveu…..so quem tava la sabe o que foi tudo aquilo…..essa vai pra vc juca…sei la o que…vc ainda existe??????/

  30. Danilo Eira disse:

    Sensacional, Flávio!

  31. Marcus Lima disse:

    Muito bonito o seu texto. Entendo o que fala sobre valores, sobre emoção, sobre o sentimento das pessoas e como o esporte gera envolvimento. Só que aí Flávio, eu que fui criança, te pego no contrapé. Porque você e outros jornalistas, quando descrvevem a adoração que o país tinha pelo Senna, ” o vingador dos pobres”, o extirpador do nosso complexo de vira lata em meio a uma década perdida, como algo até certo ponto besta. Não há uma semelhança com isso? Não é um amor tão amor quanto o de que torce por um time de futebol? Tinha 12 Os anos quando o Senna morreu. Assistia corrida desde os 5. No dia de Donington, da melhor primeira volta de todos os tempos, 14 moleques vizinhos pegaram suas bicicletas e disputaram uma corrida debaixo de chuva….andaram por uma hora. A adoração, o amor, tinha o componente de patriotismo sim, tinha o componente de restauração de algum orgulho sim, mas ia muito além disso: era como adorar um time, do qual você gosta por um conjunto de significados_ a beleza do futebo do Santos, a garra do Corinthians, a técnica do Palmeiras etc. Havia um conjunto de valores nele, na maneira como se doava, como se dedicava, que era tão explícito quanto os valores de um time. Não era o que fazia, era como fazia: esse como fazer é que gerava uma adoração absurda, um amor imenso das pessoas.
    Mais que a “pátria de carrinho”, Senna personificava através da sua performance esportiva, em diversas vezes, um bando de ideais e de valores como uma determinação sobrehumana, um empenho absurdo, um desejo fora do comum de fazer mais, que no fundo eram caros a todos nós: é por isso que adorávamos a ele, não ao Piquet. Carisma sim, não só.
    Isso me chateia as vezes: a compreensão superficial de que a adoração por Senna era uma invenção da rede globo, ou sentimento patriótico., ou orgulho restaurado: não , não que não fosse isso. Não era só isso; e eu, com oito anos, andava de bicicleta debaixo de chuva, sem entender o que era pátria, sem compreender o que queria dizer orgulho: eu queria era ser aquilo, era viver aquilo, aquele ímpeto, aquela garra. Aquela que afinal fez o cara vencer em 91 em interlagos sem conseguir sair do carro, todo desidratado, quebrantado.

    Concordo sim com você, e ouso te acusar: como isso seria bobagem? O sentimento de uma nação é coisa demais para ser bobagem, complexo demais para ser lido como simples ou classificado. Não é uma nem outra coisa, mais coisa demais para caber nas nossas descrições, para ser expresso por palavras.
    Sem essas coisas, sem amor, sem futebol, sem cerveja, sem carros antigos, sem inventar nomes e sentidos e emoções, nós não somos mais que um bando de macacos, que compete por alimento e por espaço tentando garantir sua existência material. Nada além de seres que predam, habitam e defecam.
    PS: No dia primeiro de maio de 1994, diante da nota da morte do cara, vi meu pai chorar pela primeira vez.
    Eu não me esqueço disso, não me esqueço nunca disso.

  32. Diego disse:

    Já estive no canindé por diversas vezes e, em algumas delas, tive a oportunidade de sentar-me ao lado dos seus dois filhos. Eles são uma graça e fazem um show a parte. Cada palavrão por eles proferido deveria ser dirigido a esses mesmos repórteres criados pela suas respectivas avós e que dormem de meia. Reporter que é reporter é como você que vai ao estádio. A propósito, já almoçei ao seu lado um dia na “vivenda do camarão” na Top Center da Paulista. Tive um imensa vontade de lhe dizer que você é o melhor jornalista esportivo que temos entre nós – mas a vergonha me impediu. Assim, aproveito-me do “anonimato” para lhe dizer que sou seu fã – não só pelos textos – mas pela sua atitude como pai.
    .

  33. Campinho disse:

    Sensacional seu texto.
    Falta aos chamados comentaristas do futebol tirarem o rabo da cadeira e irem assistir a um jogo da arquibancada.
    Dai sim eles irão sentir a verdadeira emoção do futebol.

  34. Rogerio Fonseca disse:

    Flavinho….parabéns

    Belo texto, vivo na pele exatamente o que você vive, tenho filho que completou 11 anos na segunda-feira, porém ele me disse que o MAIOR PRESENTE foi a nossa suada classificação para as oitavas do PAULISTÃO…

    Isso me fez voltar no tempo e lembrar na nossa classificação do Brasileiro de 96 também na última rodada e a alegri que tive naqueles jogos decisivos, viajei mara Minas e Porto Alegre e isso não tem preço.

    Abraço forte

    PORTUGUESA EU TE AMO….

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