Superclassic: o canto do cisne | Blog do Flavio Gomes | F1, Automobilismo e Esporte em geral
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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007 - 1:00Sem categoria

Superclassic: o canto do cisne

SÃO PAULO (é assim) – A Superclassic foi extinta pela FASP no sábado, informação passada aos 38 pilotos que largaram para sua última corrida durante o briefing que antecedeu a prova.

Rubens Carpinelli, que vem a ser o presidente da federação, pediu a palavra para avisar que a categoria não existe mais e que uma nova será criada em 2008, com outro regulamento e outro nome.

Não foi possível compreender com exatidão o novo regulamento apenas pelo informe oral do presidente da FASP. Aparentemente, serão duas divisões: uma para “carros originais”, com painel, forrações etc, e outra para “carros originais preparados”. Sem painel, forrações etc. Pára-choques poderão ser removidos dos “originais”. Os carros antigos que usam motorização não-original serão deslocados para a categoria Força Livre do Paulista, que hoje tem Gols, Voyages, protótipos, Ômegas que corriam na Stock etc.

Assim, todos os carros da Superclassic que não usam motores originais (os AP, basicamente), se quiserem continuar correndo, terão de fazê-lo numa categoria que não é de carros antigos.

O presidente da FASP não soube dizer nada sobre cilindros e cilindradas (“Se quiser fazer um motor 3.5, pode, mas vai na Força Livre”, falou, genericamente), nem sobre pesos, nem sobre divisões dentro dos “originais” e “originais preparados”. Nem se todos largarão juntos. “Isso depois a gente vê”, declarou diante dos 38 pilotos naturalmente curiosos. O novo nome? “Isso depois a gente vê”, disse.

Não houve nenhuma explicação do dirigente para a extinção da categoria. Nenhum piloto — e, por supuesto, nossa associação — foi consultado sobre mudança das regras. Tenho a impressão que não agradamos, por algumas razões, a saber: 1) porque fomos correr em Londrina numa prova extra-campeonato praticamente sem custo algum, enquanto Interlagos estava em obras; 2) porque contestamos todos os anos os altíssimos valores das inscrições; 3) porque reclamamos bastante de ter de fazer vistoria às 7h30 para classificar às 8h e correr às 13h (sábado teve gente que não conseguiu treinar porque ainda estava na fila da vistoria e do abastecimento); 4) porque a maioria dos pilotos não quis correr as etapas do Rio e de Londrina do Paulista neste ano, enquanto Interlagos estava fechada, já que os custos eram altos demais; 5) porque somos considerados “radicais”, já que queremos “mandar na categoria” (que nós criamos, diga-se); 6) porque alguns de nós se recusaram a correr na penúltima etapa já que não teríamos treinos (por causa da missa do pároco Marcelo Rossi), nem boxes.

E deve haver algumas outras. Eu, por exemplo, sou considerado um “líder” pelos senhores da FASP e dos clubes que, bem, organizam as corridas. Creio que ir à TV semanalmente para dizer que o automobilismo paulista e brasileiro é uma merda, que os clubes são obras de ficção e loteiam as corridas para ganhar dinheiro fácil e que o presidente da CBA (que controla alguns desses clubes) faz uma gestão desastrosa certamente não ajuda muito. Mas seria pretensão de minha parte imaginar que tenho alguma importância nesse processo. Resolveram acabar, acabaram. Não deram explicações, porque nunca dão.

Voltando à nova categoria, há uma outra curiosidade, que pode ter sido apenas fruto de algum engano do veterano dirigente Carpinelli: a definição dos anos de fabricação dos carros que dela poderão participar. “Nacionais até 77, importados até 87″, falou o vetusto mandatário. Perguntado sobre quais modelos exatamente, porque a permissão de importados mais novos que os nacionais pareceu um tanto quanto exótica, respondeu: “Isso depois a gente vê”.

A Superclassic é extinta pela FASP depois de cinco anos de existência, nascida como Historic Racing Cars (2003), depois rebatizada como Copa São Paulo de Autos Antigos (2004 e 2005) e, finalmente, assumindo o nome atual a partir de 2006. O regulamento vigente, homologado pela FASP, tinha três anos de validade. Ainda não havia expirado.

Nesses cinco anos, a categoria se transformou na maior do Estado, a ponto de encerrar sua curta história de vida com 38 carros no grid e mais dois nos boxes, que quebraram nos treinos. E pelo menos uma dezena sendo preparados para ingressar no campeonato de 2008. A FASP, com a decisão de extingui-la, espera se apropriar dessa massa de participantes, pelo que pude compreender. Acredita que os não-originais se alojarão na Força Livre e que os demais se encaixarão nesse regulamento que “depois a gente vê”, cuja publicação, segundo boatos, dar-se-á na terça-feira.

Para os registros, informo que Ricardo Malanga venceu a última prova da categoria na geral, sábado, sendo também o vencedor da Divisão 3, de Puma. Outro Puma, de Neto Carloni, ganhou a D2. E meu brother Marcelo Giordano, com seu Fiat 147 e uma atuação irrepreensível, ganhou na D1, sua primeira vitória — o que deixou todos na nossa equipe, a LF, muito felizes.

O #96 não se despediu mal das pistas, não, apesar de não ter chegado ao fim da corrida. Virou 2min35s377 na classificação, sua “best lap ever”, graças ao ótimo asfalto de Interlagos. Só de piso vieram uns dois segundos. Forçando um pouco, daria para entrar na casa de 2min34s. Na corrida, fez 2min35s729 na melhor passagem.

Pena que na altura da sexta volta começou a falhar um cilindro. Meus mecas trocaram uma vela, voltei, continuou a falhar, box de novo, vela trocada, motor ainda falhando e abandonei na oitava volta. Acho que o cabo de vela estava com problema, ou uma bobina.

Eu queria que o carrinho encerrasse sua trajetória vendo uma quadriculada, por isso tentei voltar à pista duas vezes, apesar dos problemas. Não foi possível.

Em cinco anos de carreira, o #96 disputou quase 50 corridas. Não tenho os dados precisos, mas foi mais ou menos isso, dez eventos por ano. Teve uns cinco motores diferentes, quase capotou uma vez, deu um pancão no fim da Reta Oposta, melhorou seu tempo de volta em Interlagos em quase 30s da primeira à última aparição, usou dois Weber, dois Solex, consumiu três jogos de pneus, usou os números 17, 12, 6 e 99, além do quase mítico #96, nascido neste blog no início de 2006, correu em Interlagos, Londrina, Piracicaba e Águas de Lindóia e deve ter chegado ao fim de pelo menos 70% das provas em que largou. Ganhou plataforma particular, carinha para tirar o pó, camiseta, adesivo, história em quadrinho, caricatura, torcida organizada, fã-clube, comunidade no orkut…

Não sei dizer quem, dos que correram neste ano na Superclassic, vai se manter em atividade em 2008, seja em corridas de antigos, seja em outras categorias.

Eu não vou e não tenho, evidentemente, a menor intenção de vender meu carro de corrida por dinheiro algum a ninguém. Ele será guardado em algum lugar discreto e arejado, com uma bela e confortável capa que pretendo comprar esta semana, e seu motor funcionará de vez em quando, só para não estragar.

E quando eu ouvir seu ronquinho, vou sentir saudades.

157 comentários

  1. ivan disse:

    |Eles mesmo acabam com tudo , deve ter sido algum interesse proprio nessa

  2. WRC* disse:

    Que prestígio vc tem, heim Gomes? O Rubens Carpinelli foi lá e fechou a tua categoria de velharias remendadas por fibra de vidro e vc nada fez? Não rolou nem uma ´´resposta atravessada´´. É nessas horas que a gente vê o quanto é fácil ser machão se escondendo atrás de um blog.

    Quanto ao teu carro, quem é que vai querer comprar aquela velharia toda remendada por fibra de vidro? Dá um tempo

  3. Marcos [5-3-3] disse:

    Caros amigos, indignado que também estou, reproduzo aqui meu comentário do blog da GGOO!!!
    abraços e parabéns a todos.

    [i]É impressionante o descaso e a incompetência dos dirigentes do nosso automobilismo.
    Num país desta dimensão, berço de grandes campeões mundiais na principal categoria, o q temos de campeonatos nacionais que façam jus à essa fama??
    as badaladas Stock Car, Truck…..(??)
    Temos tudo: autódromos, pilotos, patrocinadores, equipes, clima, amantes da velocidade (em qualquer vilarejo deste país, tem um pelo menos), entre outros fatores favoráveis ao desenvolvimento e crecimento desse esporte.
    Mas num país que não preserva sua cultura e memória, parece que nesse segmento tem mais gente disposta a contribuir com esta prática lamentável.
    Srs. dirigentes do nosso sagrado e consagrado automobilismo: OS SRS. SÃO UNS FANFARRÕES!!!
    PEÇAM PRA SAIR!!!

    e tenho dito.

  4. Francesco disse:

    Queridos amigos…..Não é de hoje que a FASP apronta essas coisas….Sou piloto faz muito tempo e sempre tive problemas com a FASP……Não só nos tempos de kart em 94/95 onde a FASP acabou com o campeonato denominado pirata da AKVM que reunia muitos piloto na pista de Caraguá…..Nos últimos tempos, a FASP meteu o dedo até na Copa Sudeste de Rally de Regularidade, acabando com o evento que reunia 70 jeeps, muitos deles WILLYS…..É uma pena…..A 4º maior cidade do mundo, um bando de pilotos malucos que fazem do automobilismo uma arte, apenas um autódromo e um bando de “dirigentes” fominhas por dinheiro….O pior é que fiquei sabendo que a FASP tem amparo judicial para fazer o que ela faz conosco…….Deveríamos fazer uma passeata na Av. Paulista com todos os órfãos do automobilismo e levar isso adiante para que aconteça alguma mudança……Diante disso, acabo de engavetar a pdéia de mintar um Passat 76 pra andar na Super Classic, idéia está adiada por não ter onde andar em 2007 devido a reforma do Templo Sagrado…..

  5. Luciano disse:

    vão retroagir, porque não tem regulamento! Só blá, blá,blá…

  6. MARCO ANTONIO disse:

    Siceramente espero que isso seja apenas um boato de mau gosto.

    Toda vez que uma categoria regional se destaca é a mesma coisa, vem a fasp e pronto.Estraga tudo.

    E ai, vcs proprietários e donos de equipes, vão deixar a coisa assim?

    Mais ou menos 40 carros contei, acho que na sexta, noticias que tenho de mais oito ou mais para o ano que vem. Em 2008 o grid estaria cheio, bonito de ver. E a cartolagem dos anos 70 ainda esta imperando?

    Estamos numa democracia plena e definitiva, vcs teem que se unir e derrubar esse comunicado que parece ser apenas verbal.

    A fasp tem que entender que ainda há um contrato entre as partes.

    Não se modifica o que está escrito no meio do jogo.
    Vão bora gente, tá na hora de mostrar que quem faz o espetáculo é. Equipes pilotos carros, não cartolagem.

    Afinal nessa categoria não tem saco de pipoca, todos pagam pra correr, e muito

  7. Alexandre Galvão disse:

    Foi uma das notícias mais tristes que recebi.

    Um dos grides (grids?) mais bonitos de Interlagos que um menino de 30 anos viu acabar assim, de forma tão, tão…para não dizer outras cousas, chatas.

    Já tinha percebido que alguma cousa sairia errada nos treinos “pré-Marcelo Rossi”. O pessoal ficou bravo – e com razão – de alinhar e não largar seus bólidos nos treinos.

    Poxa…já estou com saudades.

    Alexandre Galvão

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